ver morrer

se eu for homem de fé, reagiria com violência ao afastamento do real que se faz com as criança

Nenhuma criança deve ser afastada do real. O adulto deve entrar na realidade, de mão dada com a criança. Os adultos que explicam merecem a criança. Os que mandam calar e sair do quarto, não merecem essa criança. Sentença inventada por mim

A morte é um facto. Acontece a todos. Donde, a morte é um facto social, não derivado da divisão social do trabalho conforme o mito. Temos um corpo que precisa de ser alimentado e para o alimentar, converte-se a matéria em bens que são mal pagos; o tempo gasto em salários, vai tirando força ao corpo, até este rebentar. Facto social cantado, pintado, escrito, referido. Em 1791, Mozart descreveu a morte em música, tal como fez Domingos Bomtempo em 1819, ou Franz Schubert em 1824, ao cantar a morte de uma donzela. [Read more…]

a Nai Esperanza

o meu imaginário desenha a uma señora de respeito, com alma diferente ao corpo

Andei pelas pradarias do lugar de Lodeirón, Paróquia de Vilatuxe en Lalín, Pontevedra. Não havia lugar em que eu não vise a nai, como se denomina em Luso Galego a nossa palavra mãe, essa senhora que nos deu à luz do firmamento. Como tenho relatado em outros textos meus de começos de Julho deste ano, Esperanza era a minha nai. Sentia por ela um carinho imenso, que não tinha cura. Pelo sim, pelo não, estava sempre presente e tomava conta de mim, como mais um neno da família, um catraio que ela cuidava. A conheci em tempos recuádos, quando eu tinha 30 anos e ela, quarantatrés. Levava comida ao meu amigo, hoje o seu viúvo, três anos mãis velho que ela.

Não sabia que tinha ido embora em 2006, póla enfermidade não merecida. Era não apenas carinhosa, bem como enchia a cara de bicos (beijos em português) a filhos e netos. Trabalhava mais do que devia. Tinha morrido de enfermidade não merecida e que nenhum podia curar.

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Duas palavras a Saramago

    

(Peço desculpa de estar a meter, tantas vezes, a família ao barulho. Se os digníssimos responsáveis pelo Aventar discordarem, agradeço que me digam e acatarei todas as indicações. Desta vez é um pequenino poema de minha irmã, a escritora e poeta Eva Cruz).   

(adao cruz)

                                   Duas palavras a Saramago   

    

Levantado do chão   

como só os Homens de sonho se erguem  

não há vida que te deite nem morte que te leve.   

A lucidez esparsa em luz nas páginas dos teus livros   

de mão dada com a terna dureza do teu carácter    

há-de curar os olhos da cegueira   

e abrir as palavras do teu Evangelho   

às correntes límpidas dos rios   

 que regam a terra de sabedoria.

Amigo Saramago

Amigo Saramago

 Recebi, desde há umas horas atrás, alguns telefonemas e mensagens de amigos meus espanhóis que te adoram. Uma amiga minha dizia que a qualidade ou virtude que mais admirou em ti, e que mais a marcou, foi a lucidez. Concordo absolutamente com ela. E disse-lhe que tu morreste, segundo me informaram, em plena lucidez e consciência, sem qualquer medo ou surpresa em relação à morte. Foi assim e não podia ser de outra maneira, porque tu tinhas da vida e da morte o conceito antropológico, filosófico e de liberdade com que vivem e morrem os homens que não são homens vulgares.

E tu não foste um homem vulgar. Por isso me afligem as pessoas que te ignoram e odeiam, como ignoram tudo o que está para além da fronteira onde a sua mente não consegue chegar ou não quer chegar. Do ponto de vista literário, tu fizeste o que, até aí, ninguém fez, talvez depois do Padre António Vieira. Revolucionaste a literatura, quebraste a cristalização da literatura clássica como se tivesses feito explodir um fogo de artifício ao fim da página trinta ou quarenta do teu “Levantado do chão”. Criaste uma profunda influência na maior parte dos escritores portugueses actuais. E não só portugueses. Eu não sou nenhum especialista em literatura nem pretendo arvorar-me em tal, mas como tu pensavas, e bem, a literatura é uma espécie de “Casa de Deus” onde todos cabem e têm o seu lugar. Claro que “Casa de Deus”, aqui, a terás entendido como casa da arte. Deus nada tem a ver contigo nem comigo. [Read more…]

Prolongar a morte (A propósito deste: O valor da vida)

Apesar de 30 anos de debate, das leis e dos esforços de uma série de grupos para melhorarem o tratamento daqueles que estão perto da morte, demasiados americanos ainda recebem maus tratamentos no final da vida e estão a sofrer “mortes más”, sem cuidados paliativos adequados e dignidade, diz o Hasting Center em Nova Yorque.

Joanne Lynn, geriatra do Ministério da Saúde em Washinton, D.C. notou no relatório que o sistema de saúde nos USA tornara possível “viver durante anos no vale de sombras da morte.”

Enquanto médico hospitalar, Jeff Gordon teve muitas oportunidades para observar as agonias de uma morte má – quando o paciente não deixa instruções adequadas acerca de como quer ser tratado no momento em que a terapia para a sua doença deixar de funcionar.

Deve tentar-se a ressuscitação cardiopulmonar se o coração parar de bater? Deve alimentar-se o paciente com tubo se não conseguir fazê-lo pela boca? Um ventilador quando se tornar dificil respirar independentemente?

Ou o paciente deve receber apenas os tratamentos de conforto – para a dor, as náuseas, a ansiedade, a depressão, e outros sintomas debilitantes – e ser-lhe permitida a morte natural?

Mas anos e anos numa cama de hospital “a prolongar a morte” representa muito dinheiro para as Seguradoras e para os prestadores de cuidados de saúde! Centenas de milhões de dólares e imenso sofrimento poderiam ser poupados se as pessoas em conjunto com a sua família e o seu médico, explicitassem o limite dos tratamentos a que aceitavam estar sujeitos e que prolongam a morte.

Homens – entulho

 

(adao cruz)

Homens – entulho

 Para além de nós há o mundo, e durante muito tempo ignorei o mundo.

 Esqueci as valas comuns que toquei ao de leve, muito ao de leve, não fosse os mortos magoar.

 Nas margens verdes do Dniepre, regadas de lágrimas, onde cresceram flores sobre o chão de Babi-yar.

 Umas de sal e água no mar quente de Bissau bordando a lodo o cais de Pidjiguiti, outras de sangue esguichado das cabeças à tona de água em último respiro, outras de terra ensopada em rios de morte.

 No ventre de um Wiriyamu fuzilado, na penugem de Chinteya, nas balas de Vaina, no esventrar de Zostina.

 Nos gestos de um vulcão de raiva, em cada taça de vingança que nem a morte amansa nos túmulos da Palestina.

 Sangue de Cristo – In Nomine Patris – mártires sem martirológio, corpos fecundos erguei bem alto os ossos descarnados que a morte é de acordar e semear flores na aposta de outros mundos. Erguei os rostos mirrados dos famintos da Terra, dos homens-entulho da grande vala comum, cavada no peito dos Humilhados e Ofendidos pelos homens sem rosto, rasgada no ventre dos Condenados da Terra pelos homens sem alma.

portugal fatimizado e a faixa de gaza

O que hoje acontece em dias santos

Nos dias da minha inocência, escrevia estes textos.

Nos dias de hoje, como se constata na imagem, as ideias mudaram. Vou lembrar essas  palavras, essa minha premoniçao…Especialmente pelos assassinatos na faixa de Gaza pelos hebraicos, que enterraram o seu holocausto, para criar outros…

Com a licença das pessoas que acreditam em Deus. Queiram estimar que o que vou dizer é apenas uma análise do observável na população. Dessa população da qual eu também sou parte. Uma população não apenas portuguesa, mas ocidental e das suas antigas colónias. Com a licença das pessoas que acreditam serem criadas por uma divindade eterna e omnipotente. Uma divindade que dá descanso eterno no prazer do não trabalho, ou trabalho eterno na ira do mau comportamento. Como cientista social, só posso observar o agir dessas pessoas e respeitar a sua forma de pensar e de sentir a existência duma divindade, o que é denominado fé. Fé na existência duma testemunha que observa todos esses agires, desejos e pensamentos. Como se fizesse observação participante dos afazeres de todos, em todo o sítio. [Read more…]

Terroristas assassinos

(adao cruz)

“WASHINGTON, EUA — O ataque de comandos israelenses contra a frota internacional que levava ajuda humanitária ao território de Gaza – no qual morreram 19 pessoas – foi alvo de críticas de toda a comunidade internacional.”

“O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou estar chocado com o sangrento ataque israelense e pediu ao Estado hebreu que realize uma investigação a fundo sobre o fato.”

“Os Estados Unidos lamentam profundamente a perda de vidas humanas e o saldo de feridos, e atualmente tentam entender as circunstâncias nas quais aconteceu a tragédia”.

Paleio, paleio e mais paleio! Ninguém de bom-senso acredita em tais lamentações. A vergonha já não cobre a cara de ninguém. Lamentações, inquéritos, punições são fórmulas mais do que gastas na voz dos falsos moralistas e dos hipócritas que protegem e dão apoio aos assassinos de Israel.

Morte aos assassinos terroristas nazis de Israel.

Sinfonia da Morte – O livro sobre o regicídio!

Sinfonia da Morte, livro escrito pelo ex-aventador Carlos Loures é objecto de uma belíssima apreciação crítica de Sílvio Castro,  indutora de leituras várias e enriquecedoras do livro. Profundo conhecedor do escritor,  o crítico, liga os labirintos, mas sem nunca nos oferecer a saída.

Duas históricas que correm a par, entrelaçando-se, em planos distintos no mesmo tempo mas em espaços diferentes. Tendo como motivo central o regicídio de D. Carlos e do príncipe herdeiro, disseca os vários grupos em confronto naqueles tempos em que campeava o “revolucionário” capaz de matar com as mais sinistras figuras do submundo.

O Aventar já apresentou o livro publicando vários excertos .

A não perder!

PS: Sílvio Castro é um escritor e cadémico Brasileiro professor na Universidade de Pádua.

Aqui jaz um homem mau

Aqui jaz um homem mau, há perto de cem anos parido de um resquício de mãe.

O homem mau morreu.

Não berrou nem tossiu, e cinquenta anos depois mijou e respirou.

Vomitou a mãe dez meses de gravidez de toda a gente indecente.

As pontas do corpo mirraram na avalanche de tripas inchadas.

O homem mau morreu.

Fez do ferrado retenção, dizem, para ter o gosto de borrifar as ventas do irmão.

Os olhos escorreram pus que os gatos lamberam e as moscas sugaram quando nasceu.

O homem mau morreu.

Expulso às avessas, o feto imundo deste caixão de há cem anos saiu enforcado no cordão, borrado e roxo, roxo e borrado até mais não.

O homem mau morreu.

O sangue da mãe correu, correu e o leite secou.

Aqui jaz um homem mau, alguém o conheceu?

Dizem vozes, reza a lenda, que a cor que o desfeou e a morte que o matou foi a ideia de ser quem era, e não o que os outros queriam.

Poetas

 Numa altura em que o pensamento único tende a fazer deste planeta um mundo irracional e idiota, nestes tempos de profunda hipocrisia e escassa poesia, tentar a poesia é, ainda, tentar voar.

Sobre a poesia e os que a tentam descobrir, os chamados poetas, recai muitas vezes um julgamento pejorativo.

 A poesia é assim uma coisa…e os poetas uma espécie de lunáticos que não têm os pés assentes na terra.

Eles têm os pés assentes na terra. O que acontece é que a terra nem sempre é terra, e eles erguem os pés porque a terra é merda mal cheirosa.

 A poesia está para além das letras, das sílabas e dos versos. É uma espécie de ascese que envolve o Homem e o aproxima da sublimação da vida. Estou convencido de que há muitas pessoas que não conseguem ultrapassar a fronteira para além da qual a razão do mundo não é a sua ou a visão do mundo não é a que diariamente nos impingem. E penso, é apenas uma opinião, que a causa está na ausência intrínseca de sentimento poético. [Read more…]

Pensamentos XI e XII

XI

Há vida para além da morte.

Pelo menos há dú-vida.


XII

Há uma história cujo princípio e meio tu conheces.

O seu fim ser-te-á revelado no dia da tua morte.


Conheça o primeiro Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz.

a paixão que mata o amor

A morte de Beatriz

Para a mulher que respeito e amo, ela sabe quem é….

O povo português anda preocupado pelas batalhas políticas. Nem sabemos quem nos governa: se é o primeiro-ministro ou a oposição. E se é a oposição, qual é, entre todos os presidentes dos partidos das bancadas que fazem do governo uma minoria, o que exerce o poder? Minoria que, estrategicamente, procurará convénios com os partidos mais pequenos que apoiam o governo minoritário, com condições eternas.

Devo confessar que é um tema interessante, apaixona-me no meu querer saber de como vamos resolver a crise económica que nos atormenta e empobrece, como vamos criar mais postos de trabalho, como vamos agasalhar os que têm frio e fome especialmente em dias de festa, como o carnaval. Povo teimoso que, com frio e tudo e sem dinheiro, passeia e anda pelas ruas da alegria, esquecendo assim as da amargura.

No entanto, quando estamos no meio de outros problemas, sobretudo emotivos, o que o governo faça ou não, passa para segundo plano nos nossos interesses. Até um certo ponto. A crise económica entra nos nossos sentimentos e ficamos fracos para o amor. Bem queríamos amar sem preocupações e oferecer presentes, mas a carestia de vida em que este fraco governo nos meteu, faz-nos mais pobres ainda: de recursos e de emoções.

Os recursos, podem ser resolvidos, o amor também. Um nada de optimismo coloca-nos nas portas da serenidade e da paz. Requisito mínimo, para sabermos conviver em permanente conflito político, especialmente nós, que apoiamos o governo de minoria e os seus aliados. [Read more…]

Dúvida existencial


Ontem, o meu lanche foi um chá de camomila, quentinho, com bolachas (daquelas que, na minha infância, vinham de Espanha – muito compridas e cobertas por açúcar).
Talvez por influência de um Domingo passado em família, não faltou sequer um cobertor quentinho a tapar as minhas pernas e as da minha mulher. Víamos um filme romântico enquanto a criança brincava e a lareira crepitante completava um quadro de profundo amor (não temos lareira mas fica sempre bem num texto destes).
Enquanto bebia o chá, pegava lentamente nas bolachas e enfiava-as de forma cadenciada no chá quentinho.
O mais trágico de tudo é que havia cerveja no frigorífico e não estava frio.
Dúvida existencial: será que chegou a minha hora?

Vadú morreu, Cabo Verde empobreceu

Entre as maiores estrelas da nova geração de músicos cabo-verdeanos, existem os que se afirmaram fora de Cabo Verde e que são, tantas vezes, resultado, eles próprios, da imensa diáspora das ilhas, e os que começaram por se afirmar no país, aí residindo, sendo, porventura, mais conhecidos dentro do que fora de fronteiras. Entre esses, os meus favoritos são Princezito, Vadú e, em alguns momentos, Tcheka, nomes quase desconhecidos entre nós.

Soube agora, repentinamente, da morte de Vadú.

Imagino, porque conheço o amor que Cabo-Verde lhe dedicava, a consternação sentida pela sua morte. Depois de Orlando Pantera, outra grande promessa da música cabo-verdeana desaparece precocemente.

Aquando da minha última estadia em Cabo Verde recusei, um pouco por falta de disponibilidade, um convite para o  ver actuar, creio que no 5tal da Música (Quintal da Música), se bem me lembro. A vida pode ser demasiado curta para desperdiçar certas oportunidades.

Nota: Não pus ligações nos nomes acima referidos porque, sobre eles, farei proximamente alguns postes.  Hoje, pelos piores motivos, este espaço é dedicado apenas a Vadú.

Clube dos Sobreviventes

Nathson Fields (Foto de Sofía Moro – El Pais). 18 anos na prisão, 11 no corredor de Illinois.

Na edição de hoje do diário espanhol “El País” publica-se uma reportagem com alguns dos membros do “Clube de Sobreviventes”. Têm em comum dois factos assombrosos: estiveram no “corredor da morte”, a longa antecâmara para a execução pela qual devem passar todos os condenados à pena capital. E estavam, todos eles, inocentes. Quando conseguiram provar a sua inocência levavam, na maioria dos casos, décadas na prisão. [Read more…]

A tal história

A tal história

 A tal história é muito simples, Carlos. Verdadeira em tudo até nos nomes. É tão real e conhecida na aldeia que não afecta ninguém, se a contar. E conta-se em duas palitadas. Trata-se de um sujeito da minha terra que foi meu doente durante anos e cuja vida conheci, quase do princípio ao fim.

Tinha como alcunha o “palheira”. Era porqueiro, andava com uma carroça a vender e a comprar porcos. Um dia resolveu ir até África, de onde regressou anos depois com uma pequena fortuna, muito grande se comparada com os parcos haveres da nossa aldeia. Vestia bem e comprou um volvo, vermelho e branco, estou mesmo a vê-lo, coisa rara pelas redondezas, e passou a ser o Sr. Tavares, criando em seu redor imensos amigos que o bajulavam e o acompanhavam para onde quer que fosse.

Alguns anos passaram e entre o não fazer nada e o jogo, a fortuna foi-se esvaindo até dar o último suspiro. O Sr. Tavares voltou lenta e insidiosamente a ser “o palheira”, e os amigos sorrateiramente foram debandando, até não restar um único. Só não voltou a carregar porcos na carroça porque, entretanto, a morte, bondosa como é, para não o humilhar com a miséria, se encarregou de o levar para a vida eterna, como “palheira” e não como Sr. Tavares.

Sem metafísica

E tu, preferias uma morte súbita ou ter tempo para preparar-te?

Eu pestanejo. Aclaro a garganta. Hesito com um “Bem…”.

Que diabo, na antevéspera de Natal, que raio de pergunta é esta?

Lembro-me de que há dias ouvi um podcast já com algumas semanas do “Questões de moral”, do Joel Costa, que era uma curiosa e muitas vezes divertida reflexão sobre a morte. Também ele aflorava essa questão, e até aventava que as suas últimas palavras poderiam vir a ser “Teve piada”.

Os compradores de última hora, entontecidos pelo circuito de hamster nas ruas da Baixa, roçam os ombros nos nossos mas nada ouvem da conversa.

Pergunto se preferias uma morte súbita ou ter tempo para preparar-te? [Read more…]

A Lei nunca é cega. Nem com a morte.

Desculpem voltar ao assunto. Há um cadáver confirmado por uma médica do INEM, e pela sua equipa.

A autoridade apresenta-se e toma conta da ocorrência, fala com a equipa médica, retem um documento assinado pela médica do INEM, toma nota dos medicamentos que a defunta anda a tomar. Eu próprio sou chamado a testemunhar, bem como um dos vizinhos que entretanto se juntara ao grupo.

Ligo para uma empresa mortuária para tratarem do funeral, que me diz imediatamente, que é necessário contactar o médico de família. Isto são 2.20 horas, não há médicos de família a esta hora, e o médico que estivera com a defunta a meio da tarde, não responde aos repetidos telefonemas que lhe faço.

Muito solenemente, o funcionário da funerária apressa-se a informar-me que tem um médico pronto a deslocar-se, que não pertence à empresa, e que recebe em dinheiro. 150 Euros!

Por acaso, há dinheiro suficiente entre todos. Chega um senhor de gabardina que pede para ver o cadáver, ver os medicamentos, ouvir a história das doenças de uma mulher de 97 anos e assina um papel, sem o qual, o cadáver não pode ser removido, ou então tem que se chamar o Ministério Público que, obrigatoriamente, determina o depósito na morgue.

Mete os 150,00 euros ao bolso, boa a noite e sai pela porta fora, nem cinco minutos esteve connosco. E eu pergunto, mas a médica do INEM não tinha já determinado a hora da morte? Não tinha assinado um documento a confirmar que, quando chegou, encontrou aquela pessoa já cadáver?

A que título, é que no meio de um drama se arranja um negócio? É que, quem faz as leis no nosso país, deixa sempre uma frexazinha por onde entra a “pata” asquerosa dos interesses das corporações!

Mistérios do Natal – o véu desceu para sempre

São cada vez mais frequentes os toques da Zeca á minha porta altas horas da noite Com 92 anos, vive com uma amiga com 97 anos, nenhuma delas tem família, eu sou quem está mais à mão.

Esta noite o bater da Zeca foi mais cedo e mais persistente. Abri a porta e a Zeca estava a chorar, a amiga Esmeralda estava a morrer. Do primeiro ao terceiro não são precisos elevadores, num ápice entrava na casa onde uma pobre mulher dava os últimos suspiros.

Abracei-a e morreu assim, sem um suspiro, sem um ai, sem um adeus…

Chegaram os jovens médicos do INEM, a polícia, o médico civil, o cangalheiro. Verificaram a morte e preparam tudo para a última viagem.

Naqueles vinte minutos em que estive sozinho com aquelas duas mulheres, onde estive tantas vezes, sempre em momentos críticos, lembrei-me que a única coisa que nos alívia é sermos úteis. Uma paz serena e raramente sentida apoderou-se de mim. Não há medos, nem frustações, nem ódios, tudo isso faz parte da vida que perdemos, quando vivos, no turbilhão da angústia, da ambição e da inveja.

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena” diz Pessoa, mas não é verdade.

Eu odiei grande parte da minha vida e dava tudo para voltar atrás e perdoar!

Mudança Apetecida

.MUDE DE PLANETA

O nosso País está tão podre, tão cheio de ladrões, tão desfeito, tão sem norte e quase à morte, que sinto que preciso de partir para longe, e, a partir, só me apetece ir para aqui.

A Lurdes iniciou a grande viagem…

Como infelizmente se previa, a Lurdes iniciou a grande viagem sem retorno. Uma grande mulher, mãe, irmã, filha, amiga, médica que viveu para quem tanto amou.

 

Viveu uma vida sem cedências de nenhuma espécie, activa, cheia, generosa. A minha memória da rapariga cheia de talentos jamais se apagará. Vivemos no mesmo bairro, andamos na mesma escola.

 

O meu carinho vai para sua mãe, com 87 anos, que não merecia ver sua filha iniciar a viagem sem retorno antes dela e para seu irmão, tambem meu irmão, que precisa de toda a força para cuidar da mãe.

 

Lá, onde estás Lurdes, não te inibas, e faz soar as tuas gargalhadas, como sempre fizeste.

 

Descansa em paz!

Morte Súbita

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FALTOU O DESFIBRILHADOR

Kevin Wildemond, jogador de basquetebol da Ovarense, sentiu-se mal, desfaleceu, entrou em paragem cardíaca e morreu, durante o intervalo do último jogo, no domingo.

Segundo informações, nos jornais, a falta de um desfibrilador, foi determinante para a morte do atleta. No recinto, não havia o que seria preciso para tratar casos destes.

Num País tão avançado como o nosso – com tantas auto-estradas, com milhões de telemóveis, com tecnologia de ponta a nível mundial, com ordenados de gestores de nível planetário, quase com TGV e segundo aeroporto na capital, com dinheiros gastos a rodos por tudo quanto é lado, com preços de obras públicas a resvalarem de modo incompreensível, com estádios de futebol, construídos a preços milionários e agora vazios – podemos admitir que nas competições desportivas não existam os meios necessários para salvar vidas?

Quantos mais atletas, ou espectadores, precisam morrer para que as entidades responsáveis entendam que é obrigatório prover as instalações desportivas, ou outras quaisquer onde se realizem espectáculos, com os meios que permitam tratar convenientemente, seja quem for que necessite? Não tivemos já que chegue, ao longo dos anos, em que os mais mediáticos terão sido Pavão e Feher?

Para que têm servido os nossos governos? Para cobrarem dinheiro e não o utilizarem no que é preciso? Para esbanjarem o que é nosso? Para nos tratarem mal?

Haja vergonha.

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DAVID E A SUA FAMÍLIA

David ou Davi (em hebraico: דוד, literalmente "querido", "amado", no hebraico moderno Dávid, no hebraico tiberiano Dāwiḏ; em árabe: داود) é um personagem da Bíblia (Antigo Testamento). Filho de Jessé, da tribo de Judá, teria nascido na cidade de Belém e se destacado na luta dos Israelitas contra os Filisteus. Tornou-se rei, sucedendo a Saul e conquistou Jerusalém, que transformou em capital do Reino Unido de Israel.

Bem sabemos que o que mostamos no texto, não é a imagem real de David.

No seu tempo, as esculturas não eram possíveis para um povo de pastores. Foi bem mais tarde que pasou a ser posível esculpir no mármore. David ou Davi é uma das esculturas mais famosas do artista renascentista Miguel Ângelo. O trabalho retrata o herói bíblico com realismo anatómico impressionante, sendo considerada uma das mais importantes obras do Renascimento e do próprio autor. A escultura actualmente encontra-se em Florença, na Itália, cidade que originalmente encomendou a obra. O que a obra mostra é um jovem getil, cheio de força , capaz, ele sozinho, de derrotar  o gigante filisteu, Golias, com apenas uma pedra atirada com a sua fisga. Bate na cabeça do gigante e mata-o de imediato. Golias era o terror de Israel. Mas David era pastor e na sua pastoricia soube ganhar calma, serenidade, paz, e formas diversas de pensar. 

Um pastor precisa  de habilidade e inteligência para ser capaz de tratar do seu rebanho: a lã, as vezes, fica agarrada a objectos que imovilzam ao animal e o pastor deve pensar nas alternativas para libertar essa parte do seu rebanho.

A inteligência do pastor é cultivada confrontando problemas só, que, se não souber resolver, perdia uma peça valiosa do seu sustento. Esse pastor não pode ter medo. O medo dinamiza a adrenalina que paraliza o pensamento e a solução, assim, nunca mais apareceria. O pastor, além de todas as alternativas para tomar conta do seu rebanho, acaba por amar ao seu redil ou curral. Pasa a ser a única maneira de suportar o frio, o calor do verão, encontrar soluções para a falta de agua do deserto, essa agua que o curral precissa para viver. A inteligência acorda desde a mais tenra infância e  desenvolve-se na solidão da sua juventude, com apenas o redil por companhia, ou os proprietários dos animais que cobram caro a perca de uma ovelha o cabrito. No caso de David, a sua força desenvolve-se na medida de andar e andar por planicies desérticas, procurando sempre essa sombra que dificilmente se encontra.  Apenas a juventude sem posses, é capaz de manipular tamanha fortaleza.

O problema é que a glória traz arrogância, especialmente se ganhar uma batalha só e ser proclamado rei por causa da façanha. Ser rei, já maduro, as tentações acontecem, como no caso do pastor feito rei. Na sua paixão, é capaz de sacrificar não um animal, nos tempos em que apenas tem o poder do orientar, mas sim um general do seu, agora, próprio exército para amar a mulher do amigo que é morto pela sua ordem. Como dizem por ai, é melhor um corpo sem vida e bonito que fica marcado na nossa memória e sentimento, que um material todopoderoso monarca que não hesita em usar a força, não para ganhar uma guerra, mas sim para ter o prazer que a kei proibe. A juventude avança com calma: está a aprender, especialmente com as manhas dos outros; o adulto, precipita-se para satisfazer apetites mal cultivados, que acabam com ele, como aconteceu com o rei, já monaca absoluto. De certeza Luís Miguel Pimentel Correia foi sempre esse David que tomava conta do seu curral e sabia tratar aos seus animais com a gentileza que o pastor sabia cultivar. É a memória do David da figa, metáfora do Luís que usou a sua juventude para ser solidário com a mãe, o pai, a irmã e as tias e primos. Certo estou que Miguel Ângelo soube esculpir essa alma escondida dentro de um corpo trabalhador. E é assim que vive dentro de todos nós.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

David em Florença

 

 

Ainda Ermelo (Mondim de Basto)

Imaginem um cenário, tipo Chicago, anos 30.

 

Chicago, "Inimigos Públicos", Johnny Depp

 

 Temos uma  Terra que é governada com mão de ferro por um poder institucional, mas que gere tudo com base na força, atemorizando a população. As situações semelhantes aos pagamentos que na Sicília são exigidos pela Máfia, repetem-se: pagar em milho, em batatas ou até através da força de braços.

Quando alguém refila tem dois caminhos: o físico ou o tribunal. Por isso, nessa Chicago imaginária haveria mais processos que eleitores.

Continuando neste cenário de BD, imagine ca@ leitor@, que há alguém que mesmo vivendo com medo, se aventura e se chega à frente – diz, alto e bom som, não tenham medo!

Ermelo, Mondim de Basto

 

Como em qualquer bom livro de BD, os quadradinhos e as tiras fazem a realidade parecer ficção e por isso no final o mordomo não é o culpado, mas os maus morrem.

Será que continua a haver medo?

Será que há ainda muito para saber relativamente a Chicago?

Será que o partido que dirige Chicago, o tal do Mr. Walk Rabbit, era capaz de nos dizer alguma coisa sobre este filme?

Eu por mim, continuo a ler livros e Ermelo só à distância!

Porque, car@s leitor@s, quem tem filhos precisa de saber que mais vale um cobarde vivo que um herói morto! Mesmo que seja na BD.