Já sei o que é requalificar

no JN, por Paulo Ferreira:

Por estes dias tive a sorte de aprender o real significado da palavra requalificar. Na escola do meu filho, são os professores que, à vez, terão de tomar conta dos meninos no recreio. Porquê? Porque faltam auxiliares.

Jornalista troca seriedade por sensacionalismo

Professores trocam alunos por campanha autárquica. Lapidar, João Paulo.

Contra os alunos, marchar, marchar!

(Texto para ser lido com voz de locutor radiofónico dos antigos)

Jovem, os teus pais têm dinheiro suficiente para te matricular num colégio onde não é obrigatório haver turmas de trinta alunos e a mensalidade dá direito a aulas de apoio? Ou tu, jovem, mesmo estando na escola pública, tens acesso a explicações para te ajudar nas disciplinas em que tenhas mais dificuldades? Os teus pais tiveram a preocupação de te ler histórias à noite e incentivaram-te, desde pequeno, a ler e a saber mais? Já te levaram ao teatro e inscreveram-te numa escola de música, fazendo de ti um cidadão mais completo? E os teus encarregados de educação são daqueles que se preocupam com a tua vida escolar e que se deslocam à escola, com frequência, para recolher informações? Estás de parabéns, jovem, porque vives num país em que é preciso ter sorte.

E tu, jovem, tens pais com baixas habilitações académicas e que não valorizam a escola e o saber? Não quiseram ou não puderam preocupar-se com o teu enriquecimento pessoal? Tens problemas de aprendizagem? Podes desesperar, que, para ti, o governo encontrou várias soluções.

Se por várias razões, tiveres tido um percurso de insucesso, o governo do teu país não só não pondera diminuir o número de alunos por turma, como decidiu aumentá-lo. Deste modo, jovem, não esperes que os professores possam dar-te o apoio que poderia dar-te a possibilidade de resolver as dificuldades.

Se tiveres algum problema do foro psicológico, jovem, fica a saber que o ministério conseguiu criar uma situação em que, para cada quatro mil alunos, há um psicólogo, o que, como compreenderás, tornará improvável que te possas sequer cruzar com um dos profissionais que poderia ajudar-te.

Como, por todas estas razões e mais algumas, as escolas terão cada vez mais dificuldades em ajudar-te a resolver os teus problemas cognitivos ou as tuas insuficiências, o ministério integrar-te-á num ensino profissionalizante, que te permitirá obter um diploma que servirá para fazer de conta que os teus problemas desapareceram, o que será publicitado como uma vitória por todos aqueles que são responsáveis pela tua derrota, o que acaba por fazer sentido.

Delmira Figueiredo

coragemEu posso responder por ele, Delmira?

Ele tem consciência. Não pode haver dúvidas quanto a isso. É intencional o ataque desta gente à Escola Pública. Tal como é intencional o ataque ao Sistema Nacional de Saúde e à Segurança Social.

Faz parte da estratégia desta gente estragar, até ao limite do impossível, tudo o que há de bom na escola. Eles não suportam a Escola Pública de sucesso.

São de Direita e isso, no nosso país, significa, estar do lado errado da história!

Sérgio Niza explica:

“Este ministro aparenta estar absolutamente convencido de que está a fazer o melhor, mas ele não é um homem da educação. Até presumo que tenha sido escolhido por ser um bom comunicador político – ele tinha uma receita conservadora de reforço do ensino tradicional, e conseguiu passá-la nos media – e é economista com especialização em estatística – o que é importante para fazer contas e tornar a educação mais barata. Infelizmente, o senhor ministro não tem uma cultura acrescentada sobre a escola nem um conhecimento, para além do senso comum, sobre educação” (revista A página)

Sexta, 13

Deve ser por isso que não temos Professor de matemática na turma.

Só pode. É normal.

Professores por colocar

As Escolas TEIP são as “mais complicadas”. Por isso, Nuno Crato resolveu não colocar lá os Professores em falta. Tudo a bem da Escola Pública, claro. Mas, é uma abertura normal…

Listas de colocação de Professores

Agora é a correr para começar as aulas

O vídeo Pornográfico da Professora na sala de aula

Nas escolas o ano lectivo já vai longo, considerando o trabalho já desenvolvido e que basicamente se divide em duas grandes dimensões:mirandela

 – a administrativa que é da responsabilidade do Director e que passa pela definição dos cursos que vão funcionar, da constituição de turmas, da distribuição de serviço e da elaboração dos horários; infelizmente, nos últimos anos estas funções, que deveriam ser geridas no âmbito da autonomia de cada projecto educativo, são cada vez mais comandadas pelo poder central numa lógica que faz cada vez menos sentido. Continuo sem perceber como é que alguém, sentado num gabinete de Lisboa consegue definir que cursos poderão existir, por exemplo, na minha freguesia.

– a pedagógica que é dinamizada, em primeira linha pelos docentes e que passa por recolher e analisar informação sobre os alunos, bem como preparar, geralmente em equipa, as aulas para todo o ano lectivo (as chamadas planificações). É também o momento de aferir critérios de actuação, por exemplo, ao nível da gestão da indisciplina.

E, obviamente, uma parte muito significativa do sucesso ao longo do ano lectivo depende em grande parte do trabalho desenvolvido neste mês. Há tempo para emendar a mão, mas é quase impossível mudar algumas coisas com o ano lectivo em andamento. [Read more…]

Professores Contratados

Esperam e desesperam com o dedo no F5!

Xeque ao ensino: o meu cheque-ensino é melhor do que o teu

escolaImaginemos uma pequena povoação em que existam três escolas, uma privada e duas estatais. Para que o cenário fique, apesar de tudo, verosímil, será importante afirmar que a primeira, ao longo dos anos, tem sido sempre a mais bem classificada nos rankings. Não reflictamos, para já e novamente, sobre as virtudes ou os defeitos dos ditos rankings, mas não esqueçamos, a bem da verosimilhança, que a escola privada tem sido frequentada, ao longo dos anos, por filhos de pessoas de estatuto socioeconómico elevado, uma vez que as mensalidades não estão ao alcance de todas as bolsas.

Entretanto, as duas escolas estatais têm sido frequentadas por jovens cujas famílias não têm possibilidades de os matricular na escola privada ou não estão interessadas nisso, o que pode acontecer por desinteresse ou por confiarem que os filhos podem ter acesso a um ensino de qualidade sem que isso dependa da frequência da escola privada. Aproveitemos, de qualquer modo, para fingir, por momentos, que o estatuto socioeconómico ou sociocultural não tem influência no rendimento e nos resultados escolares dos alunos.

Num país em que os rankings se transformaram, mal ou bem, num critério quase único para se avaliar a qualidade de uma escola, é natural que a maioria dos encarregados de educação da nossa pequena povoação gostasse de ver os filhos entrar na “melhor escola” da terra, ou seja, a privada. Por outro lado, o lugar nos rankings, mal ou bem, passou a ser uma preocupação das escolas, pelo que a privada tem recorrido, sempre que necessário, à selecção de alunos, preferindo os que possam garantir melhores resultados e convidando a sair os que acabem por ter um rendimento escolar mais baixo ou que tenham problemas de comportamento, ao contrário das estatais cuja autonomia é menor e cujo espírito é o de tentar integrar todos os alunos, independentemente das limitações e dos problemas. [Read more…]

Os “coisos” contratados

Ricardo Fontes

(Desabafos de um ingénuo aspirante a professor)

Há 16 anos que sou um professor contratado… Peço perdão por ter usado o termo “PROFESSOR”. Isso não posso ser. Certamente não o serei. Serei um solidário contratado, um participante de união da classe docente contratado, um “pato” contratado, um totó contratado, enfim, uma qualquer “coisa” contratada, que não um “PROFESSOR”. Se fosse professor, era tratado mal, como têm sido os professores, e eram-me, de quando em quando, repostas algumas injustiças como o têm sido aos professores. A mim e a milhares de “coisos” contratados deste país tiraram tudo. Estar aqui a enumerar o que tiraram parece-me ridículo. Lembrar-me enoja-me. Hoje não vou por aí. Estou cansado, com vontade de desistir. Sejam Nunos, Lurdes ou sei lá quem, estão longe. São estratosféricos e todos da mesma cor: castanha, cor da terra que lentamente nos decompõe depois de mortos. Portanto, hoje não é para eles. Hoje é para aqueles que me chamam “colega”, coisa na qual confesso ainda ter tido a ingenuidade de acreditar durante uns anos. Entendem? Os PROFESSORES mesmo. Pronto, está bem, eu digo: os do “quadro”.

Há uns anos, quando era ministra da educação a Sra. Maria de Lurdes Rodrigues, a classe docente entrou em polvorosa (e muito bem, na minha opinião), devido à questão da avaliação docente. Mega-manifestação em Lisboa, muita luta, muita união… Alguns, com a t-shirt de 60 euros do “Che” vestida, cantavam com todas as suas forças a “Grândola vila morena” do… “José Cid”. Há coisas que nunca mudam…

Nessa altura, estava colocado numa escola do centro do Porto. Éramos obrigados a entregar os famigerados objetivos individuais. Corria o boato que quem não o fizesse, teria penalizações gravosas. Os casos “Charrua” sucediam-se. Então, pensando nos meus encargos mensais, na situação laboral ainda mais precária da minha mulher, nas duas filhas pequenas (uma delas recém-nascida), apoderou-se de mim um sentimento que me era proibido: medo. Entre cerca de 200 professores, fui o primeiro a assumir que entregaria os objetivos individuais. Uma colega, do alto dos seus 30 anos de serviço, interpelou-me. “Então colega, onde está essa solidariedade?” Esta colega, na dita mega-manifestação, numa das primeiras filas, empunhava um cartaz com os ditos “Em defesa da escola pública”. Essa colega tinha dois filhos a estudar no ensino privado… Obviamente, disse-lhe: “Por favor, passe-me um cheque com o valor dos meus salários até ao final do ano letivo, para o caso do sofrer a dita penalização, e, com todo o prazer, não entregarei os objetivos individuais.” Claro que também lhe perguntei por onde tinha andado a sua solidariedade face aos problemas gravíssimos que já atingiam os “coisos” contratados há muitos anos. [Read more…]

Somos TODOS contratados

Em 1999, por ocasião das comemorações do 25 anos de Abril tive oportunidade de questionar pessoalmente o Engenheiro Guterres sobre a inexistência do subsídio de desemprego para os professores.

(confesso que só agora, ao ver estas imagens, me apercebi de uma confusão inicial, a que fui, claro, alheio)

Poderia até escrever que não nascemos hoje para a questão dos professores contratados e desde cedo percebemos que a luta pelo emprego não se fazia pelo lado dos contratados, mas pelo lado de acrescentar escola à Escola, isto é, só haverá mais emprego docente numa Escola Pública mais ampla, com mais e melhor oferta. Foi isso que aconteceu nos anos seguintes com a criação, por exemplo, do Estudo Acompanhado ou da Área de Projeto. Foi assim que Portugal teve mais de 150 mil professores.

Depois disso, longas lutas se seguiram por um direito que nos parecia óbvio. Foi uma luta ganha, fundamentalmente, porque conseguimos envolver a classe – “novos e velhos” – na sua exigência.

Um passo à frente na história docente mais recente e um outro momento em que a presença de todos foi a única forma de vencer – as manifestações durante a luta contra Maria de Lurdes Rodrigues. Um processo semelhante ao que foi vivido nas recentes greves de junho.

Apresento estes três momentos porque têm uma dimensão em comum: são momentos em que a luta dos professores produziu resultados. Foram momentos em que todos estiveram do mesmo lado.

Por isso, entendo onde querem chegar, mas creio que estão a ir pelo caminho errado e, pior ainda, estão a escolher mal o alvo.

Professores: os do quadro, os de qzp e os outros

Os concursos de professores acabam por ser uma das marcas do fim do verão – se os santos populares nos informam da DSC01899chegada do descanso, as filas nos centros de emprego empurram as nossas memórias para o fim das férias.

E este ano foi marcado pelo alcançar de um sonho de qualquer gestor de trazer por casa, daqueles que por estes dias enchem os gabinetes dos nossos ministros: o desemprego total.

Mas, os concursos de professores trouxeram outras trapalhadas, cujas consequências estão ainda por apurar, pelo menos, no que diz respeito à vida de cada um dos envolvidos. [Read more…]

Os professores contratados e o cheque ensino

Há coisas que não faço. Por esta ou por aquela razão, umas mais felizes, outras nem por isso. E acho que colocar questões  ao adjunto do Portas é coisa que não faria. Confesso que não tenho a certeza de que me iria manter calmo, sem ter que lhe partir a cara. Mas, como não corro esse risco, era menino para lhe falar de educação.

Vejamos:

Pela primeira vez em muitos anos, o ano lectivo arranca com todos os professores contratados nos centros de emprego. Nas escolas o ano lectivo arrancou e há muitos professores em falta: escolas sem professores e professores, em casa, sem escola! Que ironia. Mas, deve ser da troika.

Ainda por cima, Crato não os coloca nas escolas (onde são precisos e há trabalho para fazer), mas assume que lhes vai pagar desde o dia 1 de setembro.  Gostaria de entender esta medida de gestão.

Será que a intenção de Passos Coelho e Nuno Crato é outra? Será que a intenção é mostrar claramente as vantagens do privado em relação à escola pública?

Será que esta é mais uma manobra de quem prefere a escola do antigamente, aquela onde só alguns podiam ter sucesso?

Percebe-se que queiram trazer o cheque-ensino, mas não exagerem. Não precisam estragar a Escola Pública para mostrar as qualidades da concorrência. Neste momento os colégios e as escolas privadas têm os docentes colocados enquanto as escolas públicas estão como sabemos.

Para mim, filho de trabalhadores, a Escola foi a oportunidade de chegar à faculdade e de poder aceder a uma vida melhor.

E isso, os amigos de Salazar não conseguem perdoar!

 

 

Professores bombardeados

Embora não aprecie o discurso do martírio corporativista, porque há uma enorme maioria de cidadãos a ser atacada, não é possível fingir que os professores não têm sido um alvo preferencial, com o início do bombardeamento em 2005 e sem fim à vista.

Dois pequenos apontamentos, a propósito.

Segundo o Económico, Portugal perdeu mais de 30 mil professores na era da troika. Em comentário a esta notícia, o Paulo Guinote lembra o óbvio: não há redução de número de alunos que justifique este despedimento maciço.

Entretanto, os governantóides enchem a boca com a necessidade de igualar os sectores público e privado. Muito há a dizer sobre esta conversa da treta e o editorial de hoje do Público (sem direito a hiperligação) debruça-se sobre a actuação do governo, a propósito dos professores contratados. Leia-se, atentamente, a seguinte citação:

Dos professores contratados, existem alguns milhares que já dão aulas para o mesmo empregador, leia-se o Estado, há vários anos, senão décadas, e que todos os anos continuam a ter de passar por este processo de selecção. Como tal, os sindicatos reclamam a aplicação de uma directiva europeia de 1999 que, aplicada ao sector privado, obriga a que, ao quarto ano de trabalho, os funcionários sejam integrados nos quadros. E é preciso recordar que, na anterior legislatura, o próprio CDS (agora no poder) propôs a entrada nos quadros dos professores com contratos há mais de dez anos e que, neste período, tenham estado contratados pelo menos seis meses por ano lectivo.

Não deixa de ser curioso e contraditório que Pedro Passos Coelho esteja a criticar o Tribunal Constitucional por travar algumas medidas que o Governo quer implementar para aproximar as regras do sector público às do sector privado (os despedimentos, a convergência nas pensões, etc…) e, ao mesmo tempo, como neste caso dos professores contratados, continue a afastar-se das regras que regem o sector privado e que impedem que os trabalhadores estejam anos, ou mesmo décadas, a trabalhar para o mesmo empregador com vínculos precários.

É claro que encontrar coerência em Passos Coelho ou em Paulo Portas seria notícia de primeira página. Seja como for, como acontece em todos os bombardeamentos, o maior problema está nos efeitos colaterais e um dos mais graves é o prejuízo causado aos alunos.

Menos alunos e menos professores

O Público dá algum destaque à redução do número de alunos no ensino básico. Segundo o jornal há menos 13 mil alunos nas nossas escolas.

Fui ler os números e reparei num detalhe – no 1º ciclo há menos 9554 alunos, mas houve uma redução de 2136 professores.

Vejamos: se os quase dez mil alunos a menos fossem distribuídos por turmas com 25 alunos, teríamos 382, 2 turmas. Isto é, a redução de alunos (a famosa demografia!) teria como consequência uma redução de quase 400 professores (um por cada turma).

Ora, a redução foi 5 vezes superior.

Contas semelhantes poderiam ser feitas para os outros sectores. Repare, caro leitor, neste detalhe – no segundo ciclo Nuno Crato extinguiu o Estudo Acompanhado (6 horas), a Formação Cívica (um tempo) e o par pedagógico de EVT (4 tempos). Uma vez que o horário lectivo “normal” é de 22 horas, este corte realizado por Nuno Crato traduziu-se no corte de um Professor por cada turma. Não foram os alunos a menos que despediram – foi Nuno Crato!

Podem as agências de Comunicação do MEC vir por aqui ou até por ali. Podem os paineleiros de ocasião apontar a demografia como a causa de todos os problemas. Mas, os números não mentem – os milhares de professores despedidos são uma opção de Nuno Crato e do PSD. Não são uma consequência.

E é curioso que tenha saído no Público de há um ano um artigo precisamente sobre esta questão – foi a 20 de agosto de 2012.

As “swapadelas” de Crato e as piruetas de Grancho

Santana Castilho*

Nos tempos que se sucederam ao 25 de Abril, os meses de preparação do ano-lectivo não eram fáceis. Recordo períodos de agitação social, sobretudo pela carência de espaço para albergar todos. Hoje, a meio de Agosto, temos professores sem horários, alunos sem escola e directores sem directivas. E, pesem embora os protestos, que são muitos, prevalece uma paz podre, que escancara portas à “swapagem” da competência mínima (para servir o público) pelo golpe máximo (para anafar o privado). Esta abulia cidadã, esta ausência de eficácia cívica perante as engenhosas formas de corrupção do futuro, permite, diariamente, o atropelo do Direito, da Moral e da Ética. Quanto mais tarde reagirmos, mas reagirmos de facto, com firmeza que diga não, não de verdade e para durar, maior será o número dos que ficam pelo caminho e mais tempo necessitaremos para reconstruir o que este Governo destruiu em dois anos de criminosa política educativa. Duas velhas frentes adormecidas foram reabertas para apressar a implosão do ensino público: o exame de acesso à profissão docente e o cheque-ensino. A manobra justifica público comentário. [Read more…]

30 por turma é um crime

O Paulo chama a atenção para a singularidade do momento – Nuno Crato, Paulo Portas, Cavaco e Passos Coelho têm em mãos uma missão que passa por entregar a Escola Pública nas mãos do mercado.

O cheque ensino parece permitir aos pais a escolha da escola dos filhos, mas vai, na realidade, permitir a cada escola a escolha dos seus alunos e será, por isso, um instrumento muito interessante para dar uma mão ao ensino privado que está com a corda no pescoço.

É uma medida que mostra a marca ideológica desta gente, que, ao mesmo tempo que dá a mão ao privado, procura destruir a Escola Pública. Nos últimos anos trataram de diminuir a Escola Pública, retirando horas lectivas e apoio aos alunos. Hoje, dois anos depois, a Escola Pública está pior porque tem menos ferramentas para ajudar os alunos com mais dificuldades.

Dois anos depois, em pleno mês de Agosto, Crato volta à carga com mais um prego no caixão da Escola Pública. Continua a fazer crescer o número de alunos por turma o que, além do desemprego docente, vem prejudicar a qualidade da escola. [Read more…]

Nuno Crato não sabe o que é um ano lectivo

NUNO-CRATO-PORTRAIT-RETRATONão saber o que é um ano lectivo corresponde, na prática, a uma condição sine qua non para se ser Ministro da Educação em Portugal. Nisso, como em muita outras coisas, Nuno Crato tem-se mostrado à altura do cargo, não destoando dos seus antecessores.

Tentarei, de forma sumária e simples, ajudar os próximos ministros a perceber este conceito tão espantosamente simples.

Em primeiro lugar, é importante perceber que se trata de um período. Foi por isso que o inventor do conceito resolveu usar a palavra “ano”. Concedo, ainda assim, que a dificuldade do ministro não esteja neste termo. Talvez o problema esteja em “lectivo”, que os adjectivos são palavras terríveis.

Uma consulta a qualquer dicionário ajudará Nuno Crato a perceber que o adjectivo é equivalente a escolar. Poderemos, assim, concluir que “ano lectivo” se refere a um período em que há aulas. [Read more…]

Números

815

Menos turmas com os mesmos alunos

Trabalhar numa escola não pode ser fácil, porque implica lidar com muitos e variados domínios do ser humano. Como se isso não bastasse, para se trabalhar numa escola, em Portugal, é-se obrigado a lidar com uma opinião pública frequentemente hostil ou indiferente e com sucessivos governos que, relativamente à Educação, baseiam as suas decisões numa mistura de incompetência, insensibilidade e ignorância que se parece demasiado com má-fé.

Uma das actividades a que as escolas se dedicam, no final do ano lectivo, apesar do mito de que está toda a gente de férias, consiste na criação de turmas. Trata-se de um serviço que envolve membros das direcções, funcionários administrativos e muitos professores. Antes disso, com a maior antecedência possível, cada escola divulga a sua oferta formativa. Graças a todo este processo trabalhoso, os alunos matriculam-se no ano e/ou nos cursos que pretendem frequentar. Assim, a pouco e pouco, é com base em matrículas e inscrições que se vão criando turmas, de cada vez que se atinge o número mínimo de alunos exigido por lei.

Entretanto, a definição da rede escolar deveria ter sido feita até 30 de Junho, o que não aconteceu. Quando alguém, no Ministério, se lembrou de a divulgar, as escolas ficaram surpreendidas com uma redução do número de turmas imposta com a habitual negligência de quem não perde tempo a estudar o terreno. De qualquer modo, quem trabalha nas escolas, já sabe que é em Julho e em Agosto que os ministros ditos da Educação tomam decisões que – das duas uma – ou não deviam tomar ou já deviam ter tomado. [Read more…]

Fazer exame para professor

Sem prejuízo de voltar a abordar o assunto, ficam aqui algumas primeiras e más impressões acerca de mais uma invenção do Ministério da Educação (MEC): a Prova de Avaliação de Conhecimentos, Capacidades e Competências para acesso à profissão docente.

Se bem percebi, pretende o MEC que os professores contratados realizem uma prova em duas fases: uma primeira, comum a todos os professores e sob a forma de prova escrita, independentemente da área em que leccionem, que servirá para avaliar a capacidade dos candidatos para “resolver problemas em domínios não disciplinares”. Quererá isto dizer que os candidatos a professores terão de explicar, por escrito, como resolveriam uma determinada situação numa aula?

Os que passarem à fase seguinte, farão uma prova, oral ou escrita, relacionada com a área de leccionação.

As pessoas que vierem a ser sujeitas a este exame têm, na sua esmagadora maioria, e no mínimo, uma licenciatura e um estágio pedagógico, ou seja, estão habilitadas a dar aulas. Muitas dessas pessoas já dão aulas há vários anos, o que acrescenta experiência à formação inicial. Como se isso não bastasse, há cada vez mais professores a frequentar mestrados e doutoramentos. O Ministério da Educação quer, portanto, sujeitar a um exame de acesso um conjunto alargado de profissionais com provas dadas. Gostaria de realçar a expressão “provas dadas”. [Read more…]

Concursos de Professores

Finalmente! A pouco mais de um mês do arranque de mais um ano lectivo, o MEC finaliza a primeira parte dos concursos de Professores – são as listas que permitem ver quem mudou de escola (entre os efectivos) ou se houve alguém que tivesse entrado nos quadros.

O povo fez o que devia.

E os partidos?

Voltando uns dias atrás, poderemos ver o que levou o PC e o BE a darem a mão à pior direita que o nosso país teve em Democracia, para derrubar o Governo de Sócrates. Não dou, hoje, como certa a decisão, mas tenho uma certeza – não foi pelo país o que o fizeram. Foi apenas uma questão de contabilidade eleitoral.

E estes últimos dias confirmam a minha teoria – a nossa classe partidária vive dos e para os partidos, colocando, SEMPRE, esta dimensão à frente de tudo o resto.

Com Sócrates primeiro e com Gaspar depois, o povo fez tudo o que lhe foi imposto – despedimentos, cortes nos salários e nos direitos, etc…

Fizeram todas as promessas, sempre associadas a prognósticos de grande validade científica, mas com um resultado sempre igual: falhanço completo. Não acertaram uma e nesse aspecto Gaspar foi particularmente assertivo.

Os governos e os partidos do poder apontaram um caminho, à  partida errado, mas, em eleições, 80% do país escolheu este caminho. Não se tratava de saber se o governo era ou não competente – e não é, como agora se prova.

O problema era a direcção do governo e não só a competência (inexistente) dos seus elementos.

O povo não falhou e fez o que tinha de ser feito. Concorde-se ou não – eu sempre estive do lado do não porque sempre pensei que este caminho estava errado – a verdade é que o povo cumpriu. Até cumpriu pelo silêncio – houve as manifestações contra a Troika, mas não houve um verdadeiro levantamento popular porque até parece que a maioria do país continua a ver este caminho como o único.

Aliás, no pico da luta dos Professores contra a TROIKA, o povo continuava a fazer uso da lusitana inveja para criticar a única classe profissional que ousou levantar-se contra a ditadura alemã. [Read more…]

A Acta dos Professores (iv): quem perde

O tempo vai passando e os olhares que se cruzam são de satisfação, são de dever cumprido. Claro que também se juntavilareal6 uma sensação de alívio porque não era fácil continuar a GREVE às avaliações que se manteve muito perto dos 100% até terça-feira.

Do que tenho lido e ouvido há algumas questões colocadas em cima da mesa que nunca estiveram em discussão, pelo menos no âmbito da luta do mês que agora termina.

Da parte dos docentes contratados até se conseguem queixar do facto da palavra contratados não aparecer na acta. Pergunto:

– quando se consegue que a DT  continue na componente lectiva, estamos a garantir o quê?

– quando se consegue que as cinco horas entrem apenas na componente individual, estamos a defender o emprego de quem?

No caso dos docentes que pertencem aos Quadros de Zona Pedagógica existe uma outra questão, bem complicada. [Read more…]

A Acta dos Professores (iii): os contratados

Quando escrevo contratados no título do post estou a pensar na questão do emprego e não na condição A ou B porque, em abono da verdade, o que fez mexer a classe foi o receio pelo emprego, foi o medo de ter ou não ter trabalho. E, por isso, qualquer análise, mais ou menos apaixonada deve ter como base esta questão – o emprego.

Pergunto: a acta assinada garante ou não o mesmo nível de emprego hoje existente na profissão?

Sim e talvez até aumente o número de contratados. Como?

Simples:

– a Direcção de Turma que o MEC tinha tirado da Componente Lectiva regressa à casa de partida (3 mil horários que continuam);

– há actividades até agora por regulamentar que passam directamente para a componente lectiva, o que significa mais horários;

– 6 mil docentes com a aposentação pedida não irão ter serviço a 1 de Setembro. São mais 3 mil horários;

– a componente lectiva fica como está, ou seja, não aumenta o nosso tempo de aulas. Falava-se em 3 horas a mais na componente lectiva. Se fossem 3h por cada um dos 100 mil professores no sistema…

– a redução por idade na componente lectiva não sofre qualquer alteração.

– a componente individual fica claramente definida, algo até agora mutável ao sabor de cada Director.

– um professor só será enviado para horário zero se não tiver mesmo qualquer hora na sua escola.

Podia ser mais e melhor?

Claro. Poderia até haver um ponto sobre o aquecimento global e a caça às baleias, mas num país ditatorialmente gerido pela TROIKA, num país onde mais ninguém se levanta para dizer não, o que se conseguiu é, pelo menos, positivo. E, em termos de emprego docente, é brutal!

E, mais uma vez, os Professores foram exemplares na forma como lutaram!

A Acta dos Professores (ii): balanço

A ata negocial entre a FENPROF e o MEC não pode ser vista como uma vitória ou como uma derrota dos Professores, sendo que, pelo que escrevi antes, poderemos dizer que ela responde, em larga medida, às nossas exigências: mobilidade, componente não lectiva e direcção de turma.

Mas, esta leitura simplista exige um comentário mais detalhado, talvez um pouco chinês para quem não é prof, mas às vezes até o Aventar tem que dar um pouquinho de atenção aos stores: [Read more…]

Greve às avaliações suspensa

por isto! (pdf)

Negociações com o Ministério da Educação

Enquanto decorrem as negociações entre o Ministério da Educação e os Sindicatos, há algumas preocupações nas redes sociais.

Anda a circular a notícia de que os professores do quadro que venham a ser sujeitos à mobilidade especial não possam ser colocados a mais de 60 quilómetros da sua escola. Há quem pergunte por que razão os professores de quadro de zona pedagógica e os professores contratados não estão abrangidos pela mesma regra.

O alargamento do horário semanal de trabalho para 40 horas será considerado inaceitável, a não ser que recaia exclusivamente sobre o tempo individual de trabalho.

Para além disso, a promessa de que o referido alargamento não incidirá sobre a componente lectiva dos professores já está posta em causa a partir do momento em que o tempo reservado para a direcção de turma deixe de estar integrada nessa componente.

Uma outra preocupação mais ou menos silenciosa reside, no entanto, no facto de estarmos a lidar com um governo que está sempre disposto a cometer ilegalidades e a quebrar promessas.

Mostruário dos tiques anti-professor (3)

Os professores não são diferentes dos outros trabalhadores

A claque anti-professor e alérgica aos funcionários públicos, de uma maneira geral, parte deste princípio para criticar qualquer reivindicação. Para a referida claque, se a maioria das pessoas tem 40 horas no contrato de trabalho, a que propósito é que outros reclamam contra a inclusão do mesmo número de horas no seu contrato.

É claro que os decisores políticos pretendem passar a ideia de que estão a realizar uma reforma do Estado, espalhando a ideia de que é preciso acabar com as diferenças entre privado e público. Os professores, essa manada de privilegiados, têm de aceitar que terão de ser iguais a outros, embora se descubram excepções com demasiada frequência, pelo que os professores vão perdendo direitos, à medida que outros os vão mantendo.

Em princípio, ainda assim, não custa concordar com a frase: os professores não são diferentes dos outros trabalhadores, porque são trabalhadores como os outros. É certo que há muitos elementos da claque que, na realidade, pensam que os professores não são sequer trabalhadores, pela simples razão de que aquilo que fazem é tão pouco ou tão insignificante que não pode ser considerado trabalho.

Por outro lado, também é verdade que os professores são diferentes dos outros trabalhadores, até porque, continuando a explorar truísmos, é fácil descobrir especificidades que tornam as profissões incomparáveis, no sentido mais neutro de que não é possível compará-las. [Read more…]