Paulo Guinote – A Educação do Meu Umbigo*

O texto que segue, da autoria do professor Paulo Guinote, no dia do lançamento do seu livro, «A Educação do Meu Umbigo», resulta de uma pequena entrevista feita ao autor, por e-mail, durante o dia de ontem.

«O blogue «A Educação do Meu Umbigo» nasceu porque eu tinha diversos textos inéditos e queria divulgá-los, assim como o espaço de um blogue, por ser de criação e controle individual, se afigurou ideal para a expressão das minhas opiniões sobre a actualidade.
Quanto ao nome, assumi desde o início a componente narcisista de um projecto deste tipo.
Nunca pensei que o blogue viesse a ter este tipo de divulgação e reconhecimento. Digamos que foi uma excelente surpresa. Ultrapassou todas as minhas expectativas.
Seria desonesto afirmar que «A Educação do Meu Umbigo» não beneficiou da guerra dos últimos 4 anos entre professores e Ministério da Educação. Isso é evidente. O crescimento do blogue correspondeu ao agudizar do conflito. Embora se tenha autonomizado do contexto da “luta” dos docentes, não deixa de lhe estar ligado.
Ao longo dos anos, já tive ameaças relativas ao material que publiquei. Mais em off do que em on. Algumas mais sérias do que outras. Nenhuma (ainda) concretizada. Mas nunca tive medo. A questão do medo não se coloca quando se fazem as coisas por convicção. Costumo dizer que, em caso de necessidades, posso sempre ir tirar bicas para o café do bairro.
Em relação às críticas que alguns colegas me fazem, encaro-as como naturais e legítimas, porque detesto unanimismos. Se ninguém dissesse mal do blogue e de mim, começaria eu a fazê-lo. Aliás, por diversas vezes publiquei textos conscientemente “fracturantes” e polémicos para suscitar a discussão. Sem discussão e apenas com consenso, não há progresso.
No futuro, espero que «A Educação do Meu Umbigo» continue a ser um espaço de debate e divulgação de informações e posições, independente de qualquer tipo de alinhamento político-partidário ou organizativo.
O livro que hoje é publicado resulta do material que seleccionei do blogue. Quais os critérios que utilizei para fazer essa selecção? A certa altura, tentar que restassem aqueles textos sem os quais eu ficaria mesmo triste. Escrevi de forma compulsiva. O material dava para dois volumes como este.
Apesar de tudo, ofereceria o livro à Ministra da Educação. Com o maior dos gostos e uma dedicatória especial.»

* Em exclusivo para o Aventar

ESTÁ TUDO "MARADO" DA CABEÇA

São os alunos, são os professores, são os amantes, os maridos e as mulheres, são todos os que nos governam e os que gostariam de nos governar, todos de um modo ou de outro, estão tolos.
Os alunos batem nos professores, os professores protestam mas nada podem fazer, os amantes os maridos e as mulheres matam por insanidade temporária, os governantes fazem de nós parvos e gozam com a nossa cara prejudicando-nos dia a dia, os que nos querem governar dizem-se diferentes mas quando chegarem ao lugar dos outros não são diferentes, o cidadão comum não sabe o que fazer nem como, mas comete erros atrás de erros, exacerbando as suas reacções, todos berram, todos gritam, todos ofendem e se sentem ofendidos. A incúria mata crianças por desleixo, a insensatez obriga a
disparates, a ignorância faz danos inimagináveis, a falta de educação faz o mal-educado arrogantemente estúpido e provocador. Estamos num mundo doido em que cada um é dono da razão e a tolerância não existe.
A sociedade está doente, muito doente. E não se vêm remédios para a curar.
Estou cansado, quero ir-me embora daqui. Levem-me para uma ilha isolada no meio do Atlântico, uma que ninguém conheça, e deixem-me lá!

Opinião vital e desapaixonada

Há uma jornalista/namorada ou uma namorada/jornalista que jura a pés juntos que a opinião que publica sobre o namorado não é em nada influenciada pelos sentimentos que nutre pelo consorte(no caso bem apropriado)!

Vejam o que faz a paixão:

No rescaldo dos processos-crime contra quatro jornalistas, o primeiro-ministro José Sócrates, recebeu o apoio do seu cabeça de lista (PS) às Europeias.”As queixas penais de políticos por motivo de injúria ou difamação não constituem nenhum atentado à liberdade de expressão (…) mas sim o exercício de um elementar direito de defesa de direitos de personalidade” escreveu Vital Moreira no blogue Causa Nossa.Mas em Março de 2008 a opinião era outra”Um dirigente político como Alberto João Jardim deveria abster-se de accionar judicialmente os que,na qualidade de jornalistas,se sentem no direito de retorquir, ainda que de forma menos canónica, os seus destemperados ataques pessoais.” (Sabado,16/04/09)

É ou não um exemplo de uma opinião “desapaixonada”?

nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO:

No Sinaleiro tenho uma rubrica mensal com o pomposo título: “nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO“. Dedicado ao post que aqui coloquei sobre a Lei da Paridade decidi fazer um especial da rubrica e que pode ser lida/ouvida AQUI.

 

(espero em breve perceber como meter um tube no Aventar, pois não está fácil, eheheh).

Uma boa questão:

“Miguel Dias Aventa:
Bem vindo ao balneário.
Em que posição joga? à frente, atrás. Esquerda, direita? Ou é um polivalente?”

Ora aqui está uma bela questão…
Devido ao tamanho avantajado do meu abdómen tinha por hábito jogar numa de duas posições, a saber: ou na baliza ou na frente (na chamada “mama” que correr nunca foi o meu forte). Quando na frente, costumava flectir para a direita. Mesmo que por vezes fosse tentado a, copiando as palavras do Grande Capitão João Pinto, chutar com o pé mais à mão.
Agora, pulidovalente não. Sou um pouco mais optimista. Ou idiota. Depende da perspectiva.

Lei da Paridade

Por andar atarefado com um jantar de mulheres lembrei-me da Lei da Paridade.

Em termos filosóficos não concordo com ela. Em termos materiais tenho de a compreender.

Nestes primeiros anos só dessa forma, mesmo que imperfeita, é que as mulheres terão, na realidade, verdadeiro acesso à política. Esta é uma coutada do macho ibérico e este não quer ceder espaço pois sabe que, mais tarde ou mais cedo, terá de ceder o seu lugar.

Aliás, quem andou ou anda pela política sabe que só com quotas se vai lá. Serão precisas quotas para as mulheres, quotas para a maralha na casa dos vinte, outras para os trintões e uma outra, pasme-se, para os quarentões. São precisas quotas para arrumar com 2/3 dos cotas. Juntem ainda ao pacote a limitação de mandatos.

Em Portugal, infelizmente, renovação só à força.

 

Em nome da paridade, venha daí uma musiquinha. Algo onde as quotas são desnecessárias pois o mercado, nesta matéria, funciona:

(humm, isto está complicado, ainda não percebi como se mete um vídeo do YouTube aqui…)

 

 

 

Maia Hirasawa

 

 

Memórias da Revolução: 16 de Abril de 1974

No dia 16 de Abril de 1974, a política internacional é o prato forte da capa do «Jornal de Notícias». Em frança, Fouchet desistiu a favor de Delmas. Na Nigéria, a tropa ocupou o poder. Um tenente-coronel derrubou o Presidente da República. Na Síria e no Líbano, continuam os ataques de Israel. O Egipto avisa que não ficará de braços cruzados se esses ataques continuarem.
A Portugal, já chegou o Bispo de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto, para discutir a questão dos padres combonianos.
Agora que se aproximam as Feiras do Livro, o que lêem as crianças? Mafalda ou Mickey.
Charles Chaplin, o Charlot, está de parabéns. Faz hoje 85 anos.
Faltam 9 dias para a Revolução.

O lápis azul italiano

cimiteri2

Vauro Sinese é cartoonista de profissão. Prefere a sátira para fazer valer os seus pontos de vista. Um pouco como o nosso Antero. Nascido em 1955, passou uma vida a satirizar a classe política italiana que, como sabemos, se coloca a jeito para essas coisas. Sobre Berlusconi, esse delírio de todos os cartoonistas, Vauro já fez centenas de desenhos. E continuará a fazer. Não sabemos é onde.

A longa carreira já lhe valeu prémios, palmadinhas nas costas, muitas críticas, bastantes problemas e uma ou outra censura. Essa longa carreira faz dele um dos autores do género mais populares de Itália. Até alguns dias atrás trabalhava também para a RAI, a estação de televisão pública. Foi para a RAI que desenhou um dos seus muitos cartoons marcados por uma certa polémica. Digo “certa” porque há muitos outros que poderão ser ainda mais polémicos.

O cartoon versava uma crítica ao governo a propósito do terramoto de L’Aquila. Mas terá sido visto como ofensivo para as vítimas do sismo. O desenho foi apresentado no programa “Annozero”, um informativo que estava a causar alguns problemas ao chefe do Governo, pela forma como tinha criticado a resposta do executivo ao sismo, contrariando a maioria da comunicação social que aplaudia a generalidade da acções governamental.

O desenho (que se pode ver aqui) referia-se os planos do governo para aliviar as restrições às ampliações de construções residenciais, procurando reforçar a economia. Mostrava um coveiro cansado, ao lado de caixões, com a legenda “Ampliando a centimetragem cúbica … dos cemitérios”.

Mais do que sátira é mau gosto? Talvez. Mas não é isso que está em causa.

Vauro Senese foi demitido ontem, quarta-feira. O director-geral da RAI, Mauro Masi, nomeado pela maioria parlamentar mandou ainda o pivot do programa, Michele Santoro, “reequilibrar” a cobertura do assunto no programa desta quinta-feira.

Claro está que a oposição veio falar em censura, a maioria respondeu com a necessidade de respeito pelas vítimas. Cada uma das facções apresentou-se neste caso como se apresenta quase sempre, procurando tirar dividendos políticos. Quanto ao autor, foi alvo de um acto de censura. Não porque o seu trabalho não tenha sido mostrado, porque foi, mas porque não o poderá voltar a fazer num programa da RAI. Pelo menos tão cedo.

‘Xutos’ no poder e ‘Pontapés’ no vazio

Os ‘Xutos e Pontapés’ são, há anos, um ícone de salutar irreverência. A designada música de intervenção sempre integrou a expressão viva, e naturalmente cantada, da contestação, cujo símbolo maior e mais autêntico é, não foi, é Zeca Afonso.
Os percursos históricos e políticos em Portugal, como sucede em outros países, contêm registos de figuras e obras intemporais. O Zeca e as suas canções, assim como Eça de Queiroz e os ‘Maias’, são exemplos de fortes expressões dessa intemporalidade. Nesse cenário imaginário do tempo infinito, além de outros, gravei a escopo e martelo o nome e canções dos ‘Xutos e Pontapés’. Tratou-se possivelmente de uma atitude interesseira e egocêntrica: eu, como eles, sentimo-nos sempre jovens, independentemente do BI (não confundir com Banco Insular).
Tudo isto se coloca a propósito da letra da canção “Sem eira nem beira”, que é um verdadeiro ‘xuto’ no poder. No actual, e naqueles que têm exercido funções centrais e locais desde há 30 anos. É mesmo uma canelada a valer que magoa, e deveria despertar, qualquer atleta, mesmo do género daquele que, por moda e/ou populismo, se junta ao povo na meia, nos três quartos ou na inteira maratona.
Segundo alguns críticos, trata-se de “um grito de revolta de cidadãos desamparados”. Excluídos oportunismos quanto ao uso da letra e música, eu comungo dessa opinião. E até acrescento: “o que faz falta é agitar a malta”, plagiando, embora, o Zeca.
Por tudo isto, foi decepcionante deparar-me com o acto de contrição do Zé Pedro. Surpreendentemente demarcou-se da leitura política de “Sem eira nem beira” cujo texto, recorde-se, contém um apelo claro ao ‘Senhor engenheiro’ para nos dar um pouco de atenção e pôr fim à roubalheira.
Ao “xuto” no poder, Zé Pedro juntou um “pontapé” no vazio. Este último doeu-me imenso e não há pomada, de marca ou genérica, que me valha.

Xutos e Pontapés, os Comendadores da Ordem do Mérito


O João Paulo já apresentou há oito dias, no Aventar, a nova música dos Xutos, «Sem Eira nem Beira». A partir daí, muitos foram os blogues que lhe seguiram o exemplo, como por exemplo o «5 Dias».

«Do Portugal Profundo»
, o professor António Balbino Caldeira refere que «os Xutos e Pontapés, “Sem Eira Nem Beira”, arriscam-se a ser, involuntariamente, os cantautores populares de revolta contra o socratismo terminal, tal como Pedro Abrunhosa foi face ao cavaquismo senescente».
Na minha interpretação pessoal, o que se deve aqui realçar é a palavra involuntariamente. Porque logo após a chegada da música à opinião pública, Zé Pedro, repentinamente transformado em rapaz ajuizado (e medalhado), veio dizer, no Público, que os Xutos «nunca quiseram vestir a roupagem de “líderes de uma revolução política”». Disse ainda que interpretar esta faixa, cantada pelo baterista Kalu, como um hino contra as políticas do Governo socialista é “deturpar” a intenção do grupo. “Não há aqui alvos a abater”, diz, em resposta ao facto de o refrão começar com a frase Senhor engenheiro, dê-me um pouco de atenção. “Não queremos fazer um ataque político a ninguém.»
Já há uns meses, no «Jornal de Notícias», Zé Pedro confessara a sua paixão por José Sócrates. Referindo que «não há ninguém – ninguém mesmo – com capacidade para ocupar o lugar dele melhor do que ele» ou que «espero que Sócrates não perca as eleições. Tem que dar a volta por cima». Termina a entrevista com uma confissão que explica as frases anteriores: «Deixei de beber».
Pois que beba, que volte a beber e que deixe de dizer tonterias. Ou é a medalha de comendador e a profissão de manequim que lhe pesam e que o obrigam a dizer coisas destas?
Ao menos que não finja que continua a ser um menino rebelde. Faça como o Rui Reininho, o tal que mete todos os Xutos num só bolso, e cante musiquinhas das Doce e do Roberto Carlos.

A queda de um anjo

Num curto post, publicado no Blasfémias, João Miranda critica os familiares das vítimas do colapso da ponte de Entre-os-Rios por terem apresentado um processo judicial mal fundamentado e quererem agora que seja o Estado a assumir o pagamento dos custos judiciais, que foram condenados a saldar por terem perdido em tribunal.

É, de facto, um pedido sem sentido. Não foi o Estado que apresentou o processo, nem que o fundamentou de forma deficiente. Imagine-se o que seria, se todos nós recorrêssemos ao tribunal para tentar resolver qualquer litígio, mesmo sem fundamento ou provas. Se a coisa corresse bem, não havia problemas. Se corresse mal, o Estado pagava.

No caso de Entre-os-Rios, perder o processo foi como se a famosa estátua do anjo tivesse caído. Não há aqui menor sensibilidade em relação ao triste acontecimento de 2001. Há apenas uma questão de bom-senso.

O valor, é verdade, é exorbitante, num sinal de que a justiça em Portugal é lenta, chata, burocrática e muito dispendiosa. 500 mil euros por este caso parece excessivo.

Nos comentários a este texto, diz-se que “a culpa morreu solteira” porque “ninguém foi responsabilizado”. Não é verdade. Jorge Coelho demitiu-se do cargo, assumindo as culpas, mesmo que não as tivesse. Hoje é presidente de uma grande empresa construtora. Esperemos que, nestas funções, possa evitar a queda de alguma ponte ou viaduto. Mesmo dos que não servem para nada.

Actualização:
O Público online colocou uma informação da Lusa, segundo a qual o Tribunal de Castelo de Paiva disse hoje que o valor das custas relativas ao processo da queda da ponte de Entre-os-Rios é de 57 mil euros e não de perto de meio milhão, como disseram as famílias das vítimas. O presidente da Associação de Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios (AFVTE-R), Horácio Moreira, surge na mesma notícia a admitir que seja esse o valor. “Se o tribunal diz que é esse o valor, eu acredito”. E, sem se rir, desvalorizou a diferença. Sim, porque entre 57 mil euros e 500 mil, a diferença é insignificante. Acho que vou passar a acreditar no coelhinho da Páscoa.

Soeiro Pereira Gomes nasceu há 100 anos (III)

(parte anterior aqui)
Em 1944, Soeiro Pereira Gomes começa a escrever «Engrenagem», mas não chega a concluir o livro. A realidade que apresenta nesse romance não difere muito da dos «Esteiros». Retrata as relações económicas e humanas numa grande fábrica de ferro e aço de uma vila ribatejana, que podia muito bem ser a fábrica de cimentos de Alhandra. Os diálogos, a acção, as condições de trabalho – tudo se assemelha a um quotidiano que o autor conhecia perfeitamente.
Os «Contos Vermelhos», que foram escritos na clandestinidade, narram a vida dos resistentes comunistas que, como ele próprio, andavam fugidos à PIDE. Cada um deles é um homem comum – com medo de tudo, mas também com esperança num futuro melhor e com força para o procurar.
Em «Refúgio Perdido», um homem perseguido é obrigado a dormir ao relento depois de perder o local onde se refugiava. Em «O Pio dos Mochos», um «bufo» recebe uma segunda oportunidade para regressar à luta política contra o regime. Em «Mais um Herói», tudo gira à volta da capacidade de resistência dos presos perante os horrores da tortura e dos interrogatórios.

A sua intervenção política, por alturas da publicação de «Esteiros» e da redacção de «Engrenagem», era cada vez mais intensa. Numa altura em que decorria a II Guerra Mundial e o mundo tomava conhecimento da barbárie nazi, Soeiro Pereira Gomes abria as janelas da sua casa para que todos pudessem ouvir as novidades da Guerra através da BBC, que estava proibida em todo o país.
Quando participou nas greves de 8 e 9 de Maio de 1944, como membro do Comité Regional da Greve do Baixo Ribatejo, chamou a atenção da PIDE para as suas movimentações políticas. Quando a Polícia Política se preparava para prendê-lo, conseguiu escapar e acabou por entrar na clandestinidade no dia 11 de Maio daquele ano. Na altura, foi uma vizinha que o avisou de que a chegada da PIDE estava eminente. Só teve tempo de fugir, dentro do seu automóvel, a caminho da clandestinidade.

Mesmo fugido, Soeiro Pereira Gomes não abrandou a sua acção política. Assumiu o comando da Direcção-Regional do Alto Ribatejo, contribuindo para o alargamento da base de apoio do Partido, e foi eleito membro do Comité Central.
Em 1946, elaborou um «esboço sobre a maneira como utilizar as praças de jornas ou praças de trabalho no Movimento de Unidade Camponesa para o derrubamento do fascismo». Esse trabalho foi publicado pela primeira vez no jornal «Ribatejo», periódico clandestino por ele impulsionado. O objectivo do seu escrito era criar «Comissões de Praça», que discutissem com os patrões o valor a pagar por cada jorna.
Torna-se membro da Comissão Executiva do MUNAF – Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista, acompanha as actividades do MUD – Movimento de Unidade Democrática, serve de elemento de ligação entre o Partido e o Conselho Nacional de Unidade Anti-Fascista e participa na primeira fase da campanha presidencial de Norton de Matos.
No entanto, nesta altura, já se encontrava gravemente doente e impedido, por razões óbvias, de ser devidamente tratado. Chegou a estar previsto a sua deslocação a Inglaterra, mas os perigos que encerrava uma viagem clandestina com várias escalas levaram o cancelamento da operação. Tinha apenas 40 anos quando morreu, no dia 5 de Dezembro de 1949.
No largo fronteiro à Sociedade Euterpe Alhandrense, a mais antiga colectividade do concelho (1862), encontra-se o monumento de homenagem a Soeiro Pereira Gomes. Foram seus autores os escultores João Duarte e João Afra, após concurso público em 1981.

MAR "FLAT"

ONDAS PARADAS

Tudo parado. Ondas paradas, máquinas paradas, parque parado, energia parada. Na Aguçadoura, tudo parado há cinco meses. E quer a EDP, ser uma empresa líder na área das energias renováveis. Pelos vistos, tudo isto é normal. A paragem é fruto dos reveses a que estão sujeitos os processos de investigação. A tecnologia não está ainda estabilizada, dizem agora. Será que é assim em todo o lado, ou só neste nosso País? Tudo isto me parece um fracasso. Esta bandeira deste governo, fracassou! Mentiras e mais mentiras, é o que este (des)governo nos dá. As três máquinas estavam no mar desde 15 de Julho p.p., se calhar para “Inglês ver”, e foram retiradas cerca de 2 meses depois, devido a “problemas técnicos”. O certo é que não voltaram ao mar e estão em Leixões, a seco, ao sol. O preço das máquinas foi de nove milhões de euros. Uma bagatela, se tivermos em conta o que se esbanja diariamente só em juros da dívida pública ao estrangeiro. Dizem agora que os problemas técnicos não existem, que há falta de dinheiro da detentora do projecto, desdizendo as notícias anteriores. Mais mentiras, ou as outras é que o eram? Afinal, como sempre, é tudo uma questão de notas de euro. Mas os nove milhões já lá vão, voaram baixinho. Eram 3 máquinas, que já não são, e iriam ser 25 que , pelo que se vê, nunca irão ser. O certo é Portugal ter perdido a corrida pela liderança nesta área, e tudo estar na estaca zero, excepto o dinheirinho, nosso, já gasto. Tudo foi inaugurado como se estivesse bom e a funcionar, à boa maneira do nosso Primeiro, que tem mais exemplos como este. O do Magalhães que deu e tirou computadores aos meninos pois era só para a comunicação social ver, os alunos que afinal não eram – eram contratados – nos quadros interactivos das escolas, a Escola de Soares dos Reis que afinal ainda não está pronta nem para lá caminha apesar de inaugurada com pompa e circunstância, e tantos outros.

Continuo tão contente com a nossa (des)governação.

Previsão meteorológica

Tenho uma amiga que vive em ânsias de saber a previsão meteorológica. É que as condições do tempo influenciam muitíssimo o seu estado de espírito e, se aquilo que se pode esperar é uma longa sucessão de dias cinzentos, então ela prefere sabê-lo o quanto antes e alugar cinco comédias no videoclube.

Se, pelo contrário, os dias serão soalheiros e a temperatura convidar ao passeio, ela quer estar prevenida, deixar o trabalho organizado para poder agendar uma escapadela ao campo, ou algo semelhante. Quem a conhece sabe que os dias cinzentos equivalem a vê-la depressiva e desconfiada da humanidade.

E que estes dias de primavera enganadora, carregados de cinzento, tolhidos de frio são, para ela, um sacrifício muito penoso. Não sendo tão sensível como ela, há dias em que eu também experimento as agruras que um Inverno demasiado prolongado pode trazer. À sensação geral de desconforto que induzem o frio e a humidade, juntam-se as pequenas misérias do dia-a-dia, um pulha que nos entra pela porta, um cão abandonado numa varanda, um desencontro com alguém a quem ansiávamos ver, a nossa equipa que perde um grande jogo em casa, esta chuva que não pára de cair…

Todos temos os nossos truques, que às vezes têm algo da fórmula mágica dos magos das histórias de encantar. O meu truque para os dias assim é evocar uma canção que sempre me tranquiliza porque acredito no que ela diz. E o que ela diz é uma verdade tão simples quanto irrefutável: não se pode reter a primavera. Não se pode demorá-la ou recusá-la ou aviltá-la. Tímida ou impositiva, ela fará a sua entrada e com ela novos dias e novas esperanças. O meu mago chama-se Tom Waits.

Uns mais cães que outros: o pluto e o pateta

Ouvi pela rádio que a Quimonda ia despedir umas centenas de funcionários e que iria deixar “meia-dúzia” para fazer a manutenção da fábrica.
A Quimonda é uma história muito mal contada porque a empresa (siemens, depois infineon e agora Quimonda) fartou-se de receber dinheiro (NOSSO!) para operar – em Vila do Conde diz-se mesmo que foram subsídios equivalentes a um ano de salários dos funcionários, isto é, o custo com pessoal era coberto integralmente pelos apoios do estado.

Mas, só me ocorria uma imagem “emprestada” por um amigo – até na Disney, uns são filhos e outros são filhos da mãe.
Que animal é o Pluto?
Certo. Um cão!
E como é tratado?
Certo. Como um cão!
E o Pateta? Que animal é?
Certo. Um cão?
Pois…

E foi então que juntei o Governo, a Quimonda, os Bancos, o Pluto e o Pateta tudo na mesma imagem. Há muito tempo que a explicação para a nossa crise estava nos quadradinhos da Disney: uns são Plutos e outros são Patetas.

A Minha Primeira Vez…

Não sei se ainda existe mas a Antena 3 tinha um spot que dizia: “A minha primeira vez foi na 3“. Já um amigo meu, um gabarolas, costuma dizer: “A minha primeira vez foi a três”. Ora, a minha primeira vez foi…”colectiva“. A minha primeira vez na blogosfera, entenda-se…
Foi num blogue colectivo, o já defunto “Quando Calhário”, que me iniciei nestas coisas. Depois vieram outros. Nos últimos tempos bloguei a solo no “Sinaleiro da Areosa”. Entendeu um amigo do Aventar meter-se na alhada de me convidar a fazer parte deste grupo. Confesso que hesitei um pouco menos que o Miguel Dias. Ao José Freitas só a contragosto digo que não. Contem comigo.
E mais não digo que hoje o meu Porto perdeu e as grandes dores são mudas.

Memórias da Revolução: 15 de Abril de 1974

A 15 de Abril de 1974, israelitas e sírios batiam-se no monte Hermon: dezenas de homens foram mortos na disputa de um «pico nevado».
Entretanto, a nível nacional, surgem preocupações quanto à praia Figueira da Foz: é possível conciliar petróleo com turismo. O turismo ainda lá anda, o petróleo é que não.
A Direita francesa tenta ainda a unidade em torno de Messner. Miterrand esclarece que não é antiamericano.
Faltam 10 dias para a Revolução.

Os F 16 de Portas que nunca voaram

Afinal andam por aqui.Convertidos em OVNIS e pagos pelos Tugas.
Trata-se de uma filmagem feita por uma turista alemã numa praia em Tobago.

Se não é verdade é bem apanhado!

Novas taxas e impostos: uma ajuda para reduzir o défice

Estou (acho que estamos todos) preocupado com o défice e a situação aflitiva das contas do Estado (isto é, de todos nós). Em vez de ficar com lamentações e lamurias, fui à procura de ideias e sugestões para ajudar o Governo. Enfim, fiz o que qualquer cidadão deveria fazer. Não coloquei os pés ao caminho mas decidi utilizar os dedos e a internet, seguindo os mandamentos do choque tecnológico, para tentar encontrar algumas propostas.

Não precisei de procurar muito. É certo que contei com algumas ajudas mas a partilha de sugestões é uma das coisas boas da Internet. Assim, decidi recomendar ao Governo a recuperação de algumas taxas e multas de outros tempos. Todas as que aqui proponho são passíveis de actualização.

  1. A taxa da barba. Foi criada por Pedro, o Grande, que detestava barbas. O grande líder de outros tempos obrigava ao pagamento de uma multa e o detentor dos pêlos faciais ainda tinha de usar uma medalha a admitir que usar barba era ridículo. Bela ideia para os dias de hoje. Claro que o célebre Barbas teria de admitir, numa medalha, que o Benfica joga de forma ridícula.
  2. É ilegal comercializar drogas mas nos EUA há um artigo do código de IRS que obriga quem obtém rendimentos deste tipo de comércio a declara-lo e a pagar imposto sobre isso. Por cá, podíamos fazer o mesmo. Aposto que as receitas do Estado aumentavam muito, em particular em certos círculos.
  3. Oliver Cromwell criou, em 1665, uma taxa que deveria ser paga por quem criticasse o Rei. Cá, seria aplicada a quem criticasse o primeiro-ministro. Imagine-se o espectáculo. O único senão é que teríamos de importar cofres e isso não seria bom para a balança comercial. Mas que se lixe.
  4. No século XIV, em Inglaterra havia uma taxa que era aplicada a toda a gente, apenas por terem a mania de existir. Quem estivesse vivo, pagava. Nos dias de hoje seria o imposto perfeito. Todos pagavam. Claro que haveria uma comissão da AR para determinar se algumas pessoas existiam realmente ou eram apenas virtuais. O Pacheco Pereira, por exemplo. E eventualmente o Manuel Fino.
  5. Taxar o sal. Aplicar taxas ao sal é histórico. O sal sempre foi fundamental ao longo da história (que o digam os soldados romanos que recebiam o vencimento em sal, o salarium, que deu origem ao nosso salário, e veja-se a desvalorização que ambos registaram em cerca de dois milénios). Esta taxa ajudou a revoluções em muitos locais e motivou Gandhi para manifestações na Índia. Com este imposto as receitas do Estado aumentavam e os casos de hipertensão desciam, com a correspondente queda das comparticipações em fármacos. Só vantagens.
  6. Recuperar o imposto de isqueiro dos tempos da outra senhora. Voltávamos a ajudar a pujante indústria fosforeira nacional (há uma empresa) e com o elevado número de incendiários que temos (na blogosfera é um fartote) a máquina registadora do Estado estaria sempre com aquele ruído engraçado de “tlim, tlim”.
  7. Multar quem permaneça nas estações de metro do Porto ou as atravessar sem ter bilhete válido. Bela ideia, não? E inovadora. Oh, diabo. Dizem-me que esta multa está em vigor nos dias de hoje. E que foi aprovada na AR em 2006. Afinal, estou mais descansado. Com deputados criativos como estes, estamos safos.

«Não me parece que na PSP exista homossexualidade. É um mundo muito masculino»


A frase, publicada ontem no «Jornal de Notícias», é de António Ramos, do Sindicato dos Profssionais da Polícia. Assim mesmo. ««Não me parece que na PSP exista homossexualidade. É um mundo muito masculino».
A reportagem vem na sequência de uma discussão acerca dos Estatutos da PSP, que não incluem a não-discriminação pela orientação sexual. Ou seja, a Polícia pode continuar a discriminar em função da orientação sexual porque não há nada nos Estatutos da PSP que diga o contrário.
Honra seja feita ao Sindicato Unificado da PSP, que pretende a inclusão desta cláusula na revisão dos Estatutos da PSP que está a ser feita neste momento. E honra seja feita aos Polícias que, na reportagem do jornal, assumem a sua homossexualidade e descrevem o que tem sido a sua vida profissional, muitas vezes na luta contra o preconceito e a injustiça. Um deles, quando passou pelos Açores, chegou a ser questionado pelo comandante pelo facto de ser «gay». Um outro viu o seu nome com asterisco na lista dos agentes femininos. A ler.
Quanto à frase do sindicalista António Ramos, seria cómico se não fosse tão trágico.

Soeiro Pereira Gomes nasceu há 100 anos (II)


(parte anterior aqui)
Joaquim Soeiro Pereira Gomes é uma das figuras maiores de Vila Franca de Xira. Mesmo não tendo nascido no concelho, a população, sobretudo a de Alhandra, vê-o como um dos seus.
Soeiro Pereira Gomes nasceu em Gestaçô, Baião, em 1909, no seio de uma família de pequenos agricultores. Fez os primeiros estudos na terra-natal e seguiu para Coimbra, onde tirou o curso de Regente Agrícola.
Em 1930 e 1931, trabalhou em Angola ao serviço da Companhia de Catumbela, mas regressou devido às más condições de trabalho e ao clima demasiado rigoroso. Apesar de curta, esta experiência em África deu-lhe uma consciência diferente dos valores do humanismo e da liberdade, devido à opressão colonial que ali sentiu bem de perto.
Instalou-se então em Alhandra e começou a trabalhar como chefe de escritório na fábrica «Cimento Tejo», que pertencia ao Grupo Sommer Champalimaud.
A sua intervenção política iniciou-se nos finais dos anos 30, no momento em que aderiu ao Partido Comunista. Pouco tempo depois, integrava já o Comité Central de Alhandra e participava activamente na acção cultural e política que o Partido desenvolvia em todo o Baixo Ribatejo.
Algumas das iniciativas que protagonizou foram extremamente importantes para o desenvolvimento da freguesia de Alhandra. Organizou cursos de ginástica para os operários da fábrica onde trabalhava, ajudou a criar bibliotecas populares nas sociedades recreativas e impulsionou a construção de uma piscina, a «charca», que servisse toda a população.
Era uma altura em que, em Alhandra, os assalariados da indústria e da agricultura lutavam, em conjunto, por melhores condições de vida.
Ao mesmo tempo, começa a dedicar-se à literatura e ao movimento neo-realista, que então dava os primeiros passos. Escreve para o «Sol Nascente» e para «O Diabo» e recebe em sua casa figuras como Sidónio Muralha, Alexandre Cabral e Alves Redol. Com este último e ainda com Dias Lourenço, promoveu e animou inúmeras excursões de fragata no rio Tejo, os tais «passeios culturais» a que anteriormente aludimos. Mais do que a confraternização, o objectivo era o trabalho político e a conspiração contra o regime.

Os célebres «Passeios Culturais no Tejo».  Na imagem da direita, Álvaro Cunhal.

Entre 1940 e 1942, Soeiro Pereira Gomes participou na reorganização interna do Partido Comunista e ingressou no Comité Central do Ribatejo. No seguimento da acção cívica que desde cedo empreendera, empenhou-se activamente no resgate de muitas famílias afectadas pelo grande ciclone de 1941. Tripulando uma frágil barca no Tejo, com três outros trabalhadores de Alhandra, salvou mais de vinte assalariados que se refugiavam da intempérie numa pequena ilhota em frente à cimenteira, o Mouchão de Alhandra.
Foi nesse mesmo ano que publicou «Esteiros», uma obra editada pela Sirius e ilustrada por Álvaro Cunhal. Dedicou-a aos adultos que nunca foram meninos. Crianças que foram obrigadas a trabalhar quando deviam estar a estudar, crianças tão aventureiras quanto miseráveis. Não escondendo demasiadamente os seus sentimentos, o autor indigna-se pela exploração infantil de que são vítimas essas crianças e transmite a sua ternura por elas.
Soeiro Pereira Gomes conhecia bem a realidade de que falava em «Esteiros». Personagens como as do João Gaitinhas, do Maquineta, do Malesso, do Cocas, do Sagui ou do Gineto eram, afinal, bem reais. Representavam as vítimas das injustiças sociais, da exploração dos fracos pelos fortes, do monopólio crescente da grande fábrica perante as pequenas e médias empresas.

AS ESCOLHAS DA DRª MANUELA II

Vá-se lá saber porquê, a senhora escolheu o sr Rangel. É o menino bonito da drª Manuela. Já o tinha escolhido para comandar os seus pares na Assembleia da República. A meu ver uma má escolha de então, ficou muito aquém do seu antecessor (não é que esteja a fazer um mau trabalho agora, mas o outro era bem melhor), e uma má escolha agora, pois terá uma derrota anunciada no confronto com Vital Moreira.
Eu gostaria de estar enganado, eu gostaria de, daqui a uns meses vir aqui, humildemente, falar do meu erro de apreciação, de vir dizer que afinal a escolha tinha sido boa, mas não me parece possível. O candidato, apesar de inteligente e de parecer ter boas ideias, não tem carisma.
O nome mais falado nestes dias, nem chegou a ser considerado pela chefe do partido, e pela primeira vez, a drª Manuela, teve uma reacção negativa de alguns dos seus segundos, muito embora, na apresentação do nome, tudo se tenha calado e ninguém fez ondas, ou ainda a senhora se zangava e não haveria lugares para os que os esperam.
Nada tenho contra o actual cabeça de lista do PSD. Realmente as suas últimas prestações têm sido razoáveis, tem vindo a melhorar, a argumentação tem melhorado, e tem vontade e capacidade, mas havia tantos outros nomes melhores e mais capazes para esta luta, que me parece mais um erro da drª. Mas mais à frente é que se vai ver.
Parece-me que só o partido do governo fica a ganhar com esta candidatura.

METRO, BOAVISTA / CAMPO ALEGRE

Na polémica que por aí andou, e hoje está um pouco adormecida, sobre as linhas de Metro que o Porto deveria ter, e sobre a escolha entre a linha da Boavista e a do Campo Alegre, não sou a favor de uma em detrimento da outra. Antes sou a favor das duas.
Qualquer uma delas tem os seus defeitos e as suas virtudes. Qualquer uma delas é necessária à zona que atravessa. Uma não tira utentes à outra. Fazem parte de uma (mais uma) guerra entre a Câmara da cidade e o governo da República.
A polémica mais recente prende-se com o projecto que a Empresa do Metro apresentou para a linha do Campo Alegre. As críticas aparecem de todo o lado. Vozes de ilustres da cidade, levantam-se contra a proposta. A população está desta vez totalmente ao lado dos notáveis. As vozes de uns e de outros levantaram-se já no Auditório da Universidade Católica, cheio de gente a contestar o projecto. A hipótese de um abaixo-assinado para exigir que o projecto seja diferente, é mais que certa.
A proposta, apelidada por muitos de aberração, aborto urbanístico, atentado e absurdo, passa pelo enterramento da linha a partir de Lordelo, deixando à superfície a parte ocidental da linha.
Ora é nessa parte, na deixada à superfície que as opiniões se não dividem. Tem de ser enterrada!
Os custos da implementação da linha “por cima”, são enormes, atrofiando toda a zona envolvente, e destruindo toda uma área privilegiada.
Não se compreende muito bem, a não ser por motivos maquiavélicos de carácter político, que tal proposta tenha sido apresentada e muito menos que não seja modificada.
É evidente, para mim, que o Presidente da Câmara vai contestar este projecto, que a não ser mudado, irá provocar mais uma guerra do género da do túnel de Ceuta, com a razão do lado da edilidade e a tentativa de aproveitamento político do lado do governo.
Esperemos pelos desenvolvimentos de mais um caso que ainda se vai arrastar por muito tempo.

Small is beautiful.Lembram-se?

Foi moda na gestão. Controlo pela qualidade, virada para o mercado, recursos humanos “poucos mas bons”, toda uma filosofia de vida.

Depois, à mesma velocidade como apareceu foi submersa pela concentração, fusões, havia que ganhar dimensão, compras de concorrentes, pela via orgânica…

Ninguem sabia mas vinha aí a globalização, mercados globais, dimensão maior que alguns Estados. Ganhar competitividade, baixos salários na India e na China, massa cinzenta nos países mais avançados e perto dos grandes mercados.

Enquanto isto se fazia à velocidade de um meteorito largado no espaço sideral, o controlo e a regularização mantiveram-se ao nível do mercado caseiro, incapaz de perceber que para mercados globais, regulação global.

Um dos pais do monstro foi este senhor. Escutem-no:

“Novos desafios regulatórios aparecem por causa do facto provado recentemente que algumas instituições financeiras se tornaram muito grandes para falharem,na medida em que a sua falência levantaria preocupações sistémicas.A solução é desencorajá-los a tornarem-se demasiado grandes!”

Pois é, o senhor é o ex-presidente da Reserva Federal dos US, Alan Greenspan !

Durante vinte anos jurou a pés juntos que a regulação é que era o impecilho a abater!

Soeiro Pereira Gomes nasceu há 100 anos (I)


Nasceu em Gestaçô, Baião, há 100 anos, feitos hoje. Morreu em 1949, corria o quinto dia de Dezembro. Nome maior do neo-realismo literário português, autor de uma obra longa mas pouco divulgada nestes nossos dias, militante comunista, desde cedo desenvolveu uma enorme sensibilidade social.

No túmulo tem escrita a frase: A tua luta foi dádiva total.
Amanhã e depois, iremos homenageá-lo aqui no Aventar. Para que o esquecimento não seja total.

Memórias da Revolução: 14 de Abril de 1974

O «Jornal de Notícias» de 14 de Abril de 1974 noticia a «rajada de internacionalização» no Aeroporto de Pedras Rubras.  Em 1975, prevê-se que mais de um milhão de passageiros  utilize a infra-estrutura.
É Domingo de Páscoa e o «JN» publica a mensagem pascal do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. Ainda uma nota sobre o Compasso, uma «tradição perdida».
amanhã, aumenta o preço das comunicações telefónicas.
No noticiário internacional, Miterrand é o favorito depois da primeira sondagem realizada em França; e Israel vinga-se no Líbano, matando 2 mulheres e dinamitando 24 casas.
Faltam 11 dias para a Revolução.

Porquê Rangel?

Não é que não reconheça capacidades a Rangel.Não enxergo são as vantagens em afastar de chefe da bancada parlamentar alguem que tem exercido o cargo com eficácia e que tem agora já algum traquejo na função.É novo e a partir da AR podia preparar-se para outros voos.Quem vai para Bruxelas ou é novo demais ou já está na curva descendente.A Rangel não se aplica nenhuma das duas situações.

Em contrapartida Marques Mendes já foi tudo na vertente interna.É conhecido pelo eleitorado o que é uma vantagem tremenda para a campanha que aí vem.Além disso é tido como um político capaz e sério.Nunca teve qualquer campanha negra contra ele em tantos anos de política activa, o que diz bem que é prudente e não se mete em apertos.

Face à idade de Manuela Ferreira Leite a pergunta que aqui coloquei ontem tem hoje maior razão de ser.A quem abre caminho Ferreira Leite com esta escolha?

Dívida externa aumenta 54% com Sócrates

Só em quatro anos, Sócrates aumentou em 54% a dívida externa passando de 43.2 para 97.2 do PIB!!!

Segundo o Boletim estatístico do Banco de Portugal de Março de 2009, constata-se que entre 2005 e 2008 a dívida externa atingiu uma meta alarmante.É um assunto de extrema gravidade que põe em perigo a capacidade do país poder fazer os investimentos necessários devido à maior dificuldade em obter financiamento e em piores condições. Já pagamos os empréstimos a uma taxa mais cara que a maioria dos nossos parceiros.

Ainda segundo o mesmo Boletim o crédito bancário aplicado ao imobiliário e á habitação foi dez vezes maior do que o aplicado à agricultura e à indústria.Estes números reflectem a política económica deste governo, especulativa em detrimento das actividades produtivas.

Desta forma o governo tem lançado no desemprego centenas de milhares de pessoas,destruindo a capacidade produtiva do país.Temos os bons e conhecidos exemplos dos empréstimos milionários e finos que a CGD tem efectuado para jogos na bolsa e controlo de bancos como o BCP.

Onde irá Sócrates e em que condições obter os empréstimos para levar avante os investimentos desastrosos do TGV, do aeroporto e da terceira ponte?

As eleições autárquicas em Vila Nova de Gaia

Enquanto eleitor tiver oportunidade de votar em 3 freguesias e dois concelhos do Grande Porto. Nessa qualidade, a de Cidadão da bigUrbe invicta, vou aqui postar sobre o ponto de situação nas candidaturas às eleições autárquicas, procurando perceber o que se passou nas eleições anteriores.
Começo pelo Concelho onde vou votar:
As eleições em Vila Nova de Gaia têm uma marca particular para todos os eleitores porque têm pela frente uma tarefa tremendamente ingrata: por um lado não podem votar no PS porque pretendem penalizar a ditatorial maioria de direita que nos tem governado. Por outro têm no poder autárquico, nada mais, nada menos, do que o Dr. Menezes, um Homem cuja passagem pela liderança do PSD deixa saudades. A mim, pelo menos, deixou. Como eu me ria.
Bom, Gaia tem 249 938 eleitores.
Em 2005, os Gaienses votaram assim:
PPD/PSD.CDS-PP: 77971 ( 54,97%) 7 mandatos
PS: 39657 ( 27,96%) 3 mandatos
PCP-PEV: 11781 ( 8,31%) 1 mandato
B.E.: 5327 ( 3,76%) 0
MPT: 887 ( 0,63%) 0
PH: 599 ( 0,42%) 0
Resultados de 2005 muito semelhantes aos de 2001, tal como em 1997, onde as coisas não eram muito diferentes do que são hoje:
PPD/PSD:64038 ( 46,72%) 6
PS: 56746 ( 41,40%) 5
PCP/PEV: 10150 ( 7,40%) 0
PSR: 992 ( 0,72%) 0
UDP: 881 ( 0,64%) 0.
Se o tempo regressar a 1993, então sim, aí tínhamos o PS no poder, à semelhança do que tinha acontecido, SEMPRE, no pós-Abril:
PS:57601( 44,14%)6
PPD/PSD: 47619 ( 36,49%) 4
PCP/PEV: 15029 ( 11,52%) 1
CDS-PP: 6623 ( 5,08%) 0
E este ano como é que vai ser?

O caso de Fernando Lugo e a vitória do Papa

Fernando Lugo era bispo católico e agora é presidente do Paraguai. Ontem, admitiu ter um filho de dois anos, concebido quando ainda era sacerdote e prometeu assumir “todas as responsabilidades”. Não disse quais.

No poder desde Agosto de 2008, Lugo colocou um ponto final num ciclo de mais de 60 anos de governos de direita no país. Era (ainda deve ser) um sinal de esperança para os mais desfavorecidos, uma vez que a sua campanha apostou no combate às desigualdades sociais.

No período da campanha eleitoral, o bispo foi acusado pela a oposição de ter 17 filhos não assumidos. Lugo disse que era mentira. Agora, pelo menos neste caso, verificou-se que mentiu. Nos outros, até ao momento não sabemos.

Este é um mau sinal para os paraguaios. Se o padre mentiu num aspecto, também poderá ter mentido noutros. Mas é um bom sinal para o Papa.

Bento XVI não autorizou Lugo a deixar o seu lugar e o bispo teve de se rebelar contra o chefe para ser candidato presidencial. Num aspecto, sabemos agora, o ex-bispo respeitou as ordens do Papa: não usou preservativo. Aliás, tenho a certeza que só praticou sexo com fins reprodutivos.