Onde estamos? Para onde vamos?

[Santana Castilho*]

Apesar da sombra de Sócrates, apesar do nepotismo que promoveu e consentiu, apesar dos incêndios e de Tancos, apesar da degradação dos serviços públicos, apesar do aumento da dívida pública, António Costa ganhou as eleições, marcadas pela mais alta taxa de abstenção da nossa democracia, que expressa um preocupante alheamento cívico e um preocupante abismo entre representantes e representados. Vale a pena, a este propósito, olhar para os números eleitorais (ainda que não definitivos, mas onde o erro será só por excesso), sob um outro ângulo: nos cadernos eleitorais estavam recenseados 10.810.662 cidadãos; não foram votar 4.918.851; 129.500 votos foram brancos e 88.500 nulos; dos 5.673.811 votos válidos, o PS registou a seu favor 36,65% (2.079.452). Mas foram apenas 19,23% dos portugueses que podiam votar que escolheram o PS e, por extensão, António Costa. Feito o mesmo exercício para os restantes partidos, os números são ainda mais expressivos, a pedir atenção demorada para o seu significado. [Read more…]

Para lá da fumaça

[Santana Castilho*]

Daqui a quatro dias, todos poderemos votar (sem que nos possamos candidatar) para eleger alguns que, maioritariamente, nem sequer conhecemos. Chamamos a esta liturgia, de certa menoridade política, eleições legislativas. Neste cenário, demasiados protagonistas comportam-se como as antigas máquinas do tempo do vinil: tocam a música escolhida por quem tiver a moedinha. Exemplo? A repercussão que teve, em plena campanha eleitoral, a iniciativa de António Guterres. [Read more…]

O que é esmagado, que se levante!

[Santana Castilho*]

O ano lectivo inicia-se com um sinal distintivo: o Ministério da Educação aprovou cerca de 50 projectos de inovação apresentados por agrupamentos de escolas ao abrigo da Portaria 181/2019, que lhes confere a possibilidade de ampliarem a celebrada flexibilidade curricular para além dos 25% já previstos para todas as escolas. Segundo o jornal I, em Santo Tirso os alunos vão escolher as matérias e quando querem ser avaliados, em Cascais adoptaram a “Pedagogia do Amor”, algures em Braga vão desenvolver as “oito inteligências da criança” e em Torres Vedras andar de bicicleta passou a integrar o currículo. Digam-me se não é motivo para vermos António Costa aos saltinhos, num qualquer palco de comício eleitoral próximo!

Aquando da publicação da portaria supra referida, mobilizaram-se escolas, directores e professores para a cruzada da elaboração de Projetos-Piloto de Inovação Pedagógica (PPIP), que promovessem a reorganização curricular e redefinissem o calendário lectivo e os momentos de avaliação. Apesar disso, temos apenas 50 (6%) de um total de 813 agrupamentos, com iniciativas aprovadas, o que torna legítimo admitir a existência de um fosso entre o que entendem as escolas e o que queria o ministério. Com efeito, João Costa teve desde sempre um problema existencial de conflito ente a ideologia impositiva que o norteia e as recomendações do marketing político que o assessora. Ou seja, pôr as escolas e os seus directores a fazerem o que ele quer, mantendo nas homilias públicas a abertura caridosa e conciliar do prior do “eduquês” novo. A quadratura deste círculo terá sido conseguida pelo destino dado aos projectos que lhe chegaram: aprovados os que lhe adivinharam os desejos, recusados todos os outros; recompensados os prosélitos, penalizados os que se protegeram da babilónia do esvaziamento curricular. Viva a autonomia domesticadora de quem recita o credo! [Read more…]

Para os professores, com estima

[Santana Castilho*]

Não vejam nostalgia (embora por vezes vá parecer). Vejam o galope (que a escrita não traduz) a que o meu cérebro põe o meu coração, quando pensa no ano penoso que se inicia para tantos professores.

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Quem se mete com o PS leva!

Parece que o Ministério Público quer dissolver o sindicato dos motoristas que fez frente ao Governo.
Sobretudo com a actual PGR, a falta de independência do poder judicial face ao Executivo parece evidente.
Claro, o novo sistema remuneratório dos Magistrados, que agora até podem receber mais do que o primeiro-ministro, teria de ter contrapartidas. Aqui estão elas.
Quem se mete com o PS, leva!

Regular a banca para salvar a economia

Marisa Filipe

Elizabeth Warren, candidata presidencial e senadora democrata, quer implementar uma revolução na banca dos EUA, um plano Glass- Steagall para o século XXI. Se nunca ouviu falar deste plano, voltemos um bocadinho atrás na história.

Em 1929, a banca de Nova Iorque desmoronou-se da noite para o dia. A especulação atingira o seu limite e a falta de regulação bancária provocou um terramoto financeiro, económico, político e social. Em poucas horas, milhares de empresas fecharam portas com bens acumulados e desvalorizados e milhões de americanos ficaram no desemprego. Perante este cenário de catástrofe, dois senadores criaram uma lei, à qual deram os seus nomes, Glass e Steagall, que separava a banca comercial da banca de investimento e que esteve em vigor, no EUA, até à era Clinton. A partir daí, a desregulação atingiu o seu apogeu nos anos 90 e não houve mão visível ou invisível que regulasse o mercado.

Os loucos anos 90 traduziram-se em capitalismo desregulado em que o lema bancário de Wall Street defendia que quanto melhor estivesse a banca, melhor estava a economia. E quanto mais a banca estivesse desregulada, melhor a economia se comportava no mercado livre. Ora, a desregulação da banca criou bolhas imobiliárias, swaps e outros créditos de risco que, quando a bolha rebentou, rebentaram a economia. E os clientes da banca comercial, avessos a créditos de riscos, e os contribuintes alheios às negociatas privadas, tiveram todos de ir salvar a banca e seus especuladores. [Read more…]

Haja quem cuide da nossa língua!

 [Alcídio Faustino]

A dado momento, um casal português que viajava comigo por terras gaulesas abre o roteiro turístico que trazia consigo. Pela terceira vez consecutiva, a mulher volta a indignar-se com o que vê e insiste:

— Mas por que raio é que nada vem em português?!

Lá vinham novamente as quatro línguas habituais: francês, inglês, espanhol e alemão.

O marido bradava ao vento, alegando que aquilo era um insulto à nossa língua, a quinta mais falada em todo o mundo.

— Ó Quim, lá estás tu! Não é a quinta, é a sexta língua com mais falantes.

— Já discutimos sobre isso. É a quinta!

— É a sexta!

— É a quinta!

Bom, a quinta ou a sexta… tanto faz. O importante aqui é perceber que a culpa não recai sobre quem fez o dito roteiro; ou a carta de sobremesas da taberna La Kahena; ou diário de bordo do paquete…

A culpa é exclusivamente NOSSA, DOS PORTUGUESES.

Portugal nunca teve políticos que olhassem a nossa língua de forma séria. Nunca houve uma política do idioma credível. Diria mais, nunca houve nenhuma. [Read more…]

Motoristas e professores

[Santana Castilho]*
  1. Independentemente de todas as considerações colaterais possíveis, é politicamente desonesto não reconhecer a greve como um instrumento essencial para o equilíbrio de forças entre trabalho e capital. Assim foi no último século. Não sei se assim será no futuro, mas sei que não foi assim nesta legislatura. Não foi só agora que o Governo deixou de ser árbitro para ser parte, no que ao diálogo social se refere: recordo os atropelos que cometeu para anular a greve dos professores, a linguagem lamentável do primeiro-ministro quando se referiu aos enfermeiros e à sua greve, a legislação laboral que aprovou sem prévia negociação com os parceiros sociais ou a chantagem que exerceu para conseguir acordos de concertação, preordenados para favorecer os patrões.
    O papel de um Governo democrático não é impedir que o direito à greve seja exercido, sob pretexto de garantir (como também deve garantir) a satisfação de necessidades fundamentais dos cidadãos. Arbitrar esta dialética é difícil mas exigível a um Governo de esquerda. Mandar tocar a corneta é mais fácil, mas apanágio do autoritarismo estatal que comummente caracteriza a direita.
    Os motoristas que transportam matérias perigosas têm 630 euros de salário-base. Com as horas extraordinárias, este valor pode duplicar. Mas, para tal, sujeitam-se a um horário semanal que ronda as 60 horas, quase o dobro do horário da função pública. O trabalho destes motoristas é crítico na cadeia de valor das petrolíferas, de lucros altíssimos, e volta a ser crítico para o funcionamento de toda a economia. Se são mal pagos em termos absolutos, quando estabelecemos a proporção entre o valor do seu trabalho e a renda do negócio para que trabalham, são miseravelmente explorados. Apesar disto, ficaram isolados contra o resto do país. [Read more…]

Motoristas de todas as substâncias perigosas, uni-vos!

A greve não é um direito consagrado pela lei? Os trabalhadores não têm o direito de lutar por melhores condições de trabalho? Os motoristas não são trabalhadores de pleno direito?
Então ide foder-vos todos: [Read more…]

A realpolitik e o nepotismo favorecem o populismo

Santana Castilho*

  1. Um grupo de cidadãos pediu que se tomem medidas para impedir eventos neo-nazis no território português, designadamente uma conferência nacionalista promovida por organizações de extrema-direita, programada para 10 de Agosto, em Lisboa. Segundo o Expresso, é Mário Machado (cujo envolvimento no homicídio do malogrado Alcindo Monteiro e noutros crimes de discriminação racial não pode ser esquecido) o mentor da iniciativa, para a qual terá convidado Paul Golding, igualmente condenado no Reino Unido pelo crime de ódio racial. Segundo a Constituição da República Portuguesa (artº 46º, nº 4) não devem ser consentidas “organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”.
    A Tragédia de El Paso (20 pessoas desabridamente abatidas a tiro por um jovem de 21 anos), eventualmente justificada por um manifesto de supremacia rácica que a polícia texana encontrou, convoca-nos à reflexão. Intitulado “A Verdade Inconveniente”, o manifesto proclama a necessidade de os texanos se livrarem dos hispânicos para proteger o modo de vida dos americanos, colhe inspiração no discurso de ódio de Brenton Tarrant (o monstro que assassinou 51 muçulmanos na Nova Zelândia) e é indissociável da retórica xenófoba e anti-imigratória de Trump, que há bem pouco apodou os mexicanos de violadores e criminosos, apesar de as taxas de criminalidade dos imigrantes serem bem inferiores às taxas de criminalidade dos americanos. [Read more…]

As promessas e as realidades escondidas

[Santana Castilho*]

Ponto prévio: estamos melhor ou pior do que estávamos em 2015? Genericamente melhor. Mas seria admissível outro cenário, depois de um governo PS ter levado o país à falência e um governo PSD/CDS ter infligido aos cidadãos sacrifícios e perdas nunca vistas?

O meu ponto é que a avaliação certa é a que resulta, não da comparação do que tínhamos com o que temos, mas do que temos com o que poderíamos ter, se as opções tivessem sido outras.

O programa com que o PS se apresentará às eleições legislativas de 6 de Outubro tem 141 páginas e muitas promessas (56% de aumento do investimento público, menos impostos para a classe média, aumentos para os funcionários públicos em 2021, vales para óculos e tratamentos dentários, combate feroz à corrupção, reforma eleitoral e muitos comboios). Na impossibilidade material de analisar o caudal de promessas em detalhe, no espaço limitado desta crónica, cinjo-me a dois comentários, a saber:

  1. O programa glosa os êxitos da governação de Costa e alimenta-se em permanência da chama milagreira de Centeno. Mas importa moderar a euforia, porque há outros ângulos de visão. Por exemplo, Mário Centeno e a imprensa em geral festejaram recentemente os números revelados pelo Instituto Nacional de Estatística: um excedente orçamental de 0,4% no fim do 1º trimestre do ano em curso. O ministro das Finanças invocou então muitos indicadores de sucesso e atribuiu o êxito à dinâmica da economia e do mercado de trabalho. Só que a alegoria do copo meio cheio ou meio vazio convoca os mais atentos para a outra realidade: o celebrado saldo orçamental consolidado das diferentes administrações públicas (cerca de 318 milhões) foi obtido por via do aumento (em cerca de 356 milhões) das dívidas ao sector privado! Por exemplo, no martirizado Serviço Nacional de Saúde, a dívida aumentou no período em apreço cerca de 150 milhões, cifrando-se na bonita soma redonda de mais de 650 milhões.

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O Extravagante Boris Johnson

[J. A. Pimenta de França]*

Desconcertante, brilhante, despenteado, amoral

 

Conheço o Boris Johnson pessoalmente, fomos colegas de trabalho no início dos anos 90 quando estive colocado durante três anos na delegação da Lusa em Bruxelas. Ele era o correspondente do Daily Telegraph na capital belga.

Por dever de ofício encontrávamo-nos todos os dias em serviço, incluindo nas muitas viagens ao estrangeiro que os jornalistas encarregados de cobrir a UE e a NATO em Bruxelas são obrigados a fazer para acompanhar os trabalhos das instituições.

É um tipo muito inteligente, culto, simpático, embora arrogante (acho que é uma característica da “British upper class” a que pertence), com um notável sentido de humor, extremamente ambicioso mas, simultaneamente, extremamente desonesto.

Não era exactamente um jornalista, mas sim um político a fazer política através do jornalismo. Mente sem remorsos, torce a verdade de forma que ela se enquadre no que lhe der jeito no momento. Inventava notícias com a maior das facilidades, sempre para pôr em causa as instituições europeias.

Nas suas notícias e crónicas no Daily Telegraph, Boris Johnson apresentava uma narrativa sobre a União Europeia na qual as medidas de Bruxelas só tinham duas leituras: umas eram exigências tresloucadas de burocratas excessivamente bem pagos e desligados da realidade obcecados com a normalização de tudo, desde o tamanho das bananas às placas de matrícula dos automóveis, desligados da realidade; as outras, que não se enquadravam nesta primeira descrição, eram medidas sinistras destinadas a tornar a União Europeia num super-estado policial anulando todas as especificidades nacionais. [Read more…]

Estamos a pagar para destruir a Natureza

 

João Vasco Gama

O património natural tem um valor instrumental estimável (cuja destruição causa danos materiais e humanos quantificáveis) e um valor intrínseco inestimável (quanto é que a extinção dos Koalas vai custar? O impacto na actividade económica pode ser reduzido, mas isso não quer dizer que não seja uma perda relevante…).

O debate racional sobre os impactos ambientais da actividade económica deveria encontrar-se entre dois extremos. Um extremo daria um valor infinito ao valor intrínseco e consideraria qualquer impacto ambiental da actividade económica inaceitável – seria voltar para as cavernas, por assim dizer. O outro extremo daria um valor nulo ao valor intrínseco e consideraria que apenas nos importa maximizar o lucro no longo prazo, considerando aceitável toda a transacção económica que produzisse uma mais valia superior ao dano ambiental na componente “instrumental”. Seria só ver cifrões à frente, e só querer saber do consumo (no longo prazo). As posições não extremistas mas racionais estariam algures entre estes dois extremos. [Read more…]

Uma legislatura perdida para a Educação

[Santana Castilho]*

O último debate da legislatura sobre o estado da Nação, que hoje terá lugar, glosará certamente a questão: estamos melhor ou pior do que estávamos em 2015? É facilmente percepcionável o que resultou de Tancos, Pedrogão Grande, da degradação dos serviços públicos (Saúde e transportes, particularmente), da austeridade embuçada ou do nepotismo do Governo. Mas passarão anos até que se tornem evidentes os resultados dos erros cometidos em matéria de Educação e a sociedade seja confrontada com os custos de tanta ilusão e de tantos sofismas. [Read more…]

Sinais acacianos

[Santana Castilho]*

O ardiloso João Costa tem motivos para contentamento. No fim do ano escolar, o absurdo faz o pleno dos sinais acacianos que nos chegam. Mais uma legislatura dedicada ao patético evangelho da flexibilidade e da inclusão e a destruição fica concluída. Faltam três meses para as eleições.

  1. Uma ministra e um ministro (Cultura e Educação), siameses pela irrelevância, apresentaram o Plano Nacional das Artes para os próximos 5 anos. O plano prevê a criação de “residências artísticas” (contratos que podem durar um ano, para pôr artistas a trabalhar nas escolas) e a criação do cargo (mais um) de coordenador cultural das mesmas. O comissário da coisa propõe-se “indisciplinar a escola”, “desarrumá-la”, “introduzir o lúdico e o jogo” e valorizar “a inutilidade que as artes podem trazer”. Chegou tarde nos propósitos. Está tudo feito. Não me espanta que o tenha dito com a bênção de irrelevantes. Preocupa-me que o resto não reaja a tamanha concentração de disparates.
  2. O último relatório da rede Eurydice não contabilizou as horas que Portugal dedica às Ciências Naturais e aos Estudos Sociais, porque a flexibilidade curricular deixou a Comissão Europeia sem modo de fazer contas. Recorde-se que o documento em análise evidencia o tempo de aulas que cada um dos 38 países observados dedica a quatro domínios de ensino: Matemática, Ciências Naturais, Estudos Sociais e Leitura e Escrita. Esta originalidade junta-se a outras, que impedem a continuidade das séries estatísticas que vinham a ser construídas desde o início do século. É o caso das provas de aferição, leviana e propositadamente aplicadas em anos que não são de fim de ciclo e a disciplinas diferentes, para impedir a comparação com resultados anteriores. É evidente que não é caminho recomendável. Mas é a luz que emana do DL 55/2018.
  3. O circunspecto Conselho Nacional de Educação deu-se conta da borrasca que se aproxima. Preocupado com a qualificação e a valorização dos professores, puxou pela cabeça e decidiu recomendar que deixe de ser exigido um exame de Matemática para ingresso nos cursos de formação de professores do 1.º ciclo. Com efeito, segundo a maioria dos sábios conselheiros, a obrigatoriedade do exame de Matemática tem “estrangulado ainda mais o ingresso de alunos em cursos de formação de professores”, que estão a ficar sem interessados. Assim, se estamos a resolver o problema do insucesso dos alunos exigindo menos e menos, até passarem todos, porque não fazer o mesmo com os futuros professores? Os alunos de Matemática não querem? Baixe-se a fasquia e aceitem-se os que sabem pedalar, que ensinar todos a andar de bicicleta até já é desígnio nacional.

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Resumo do silencioso massacre sudanês

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Pedro Amaro Santos

SUDÃO:
— 500 mortos (pelo menos 19 são crianças);
— 723 feridos (pelo menos 49 são crianças);
— 650 presos;
— 54 violações;
— 1000+ desaparecidos.

Em dezembro de 2018, começaram os protestos contra o Presidente al-Bashir. Os manifestantes exigiram que fosse deposto. Os protestos forma motivados pelos cortes súbitos do governo nos subsídios para pão e combustível.

A 6 de abril, os manifestantes encheram a praça em frente ao principal quartel militar. Cinco dias depois, os militares anunciaram que derrubaram o governo de al-Bashir.

Os protestos evoluíram para um pedido de transição para a democracia, acreditando que um longo período de transição era essencial para reconstruir completamente o governo do país. No entanto, os militares, controlados pelo Transitional Military Council (TMC), tomaram o poder sobre o governo.

O conselho é liderado pelo tenente-general Abdel Fattah al-Burhan e apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e pela Rapid Support Force (RSF) – também conhecida como Janjaweed, a força paramilitar responsável pelas atrocidades cometidas em Darfur.

Os líderes das forças militares e organizadores dos protesto acabaram se unir num grupo chamado Alliance for Freedom and Change e, cerca de um mês depois da deposição de al-Bashir, chegaram a um acordo. A 15 de maio anunciaram que haveria um período de três anos de transição para um governo civil de poder repartidos.

Algumas semanas depois, tudo mudou. A 3 de junho, o RSF e outras forças policiais espancaram e abriram fogo sobre manifestantes não-violentos durante um protesto. Mataram mais de 60 pessoas e feriram mais de 300. Iniciaram a chamava grande ofensiva militar (major military crackdown).

Esta semana, o número de mortos subiu para mais de 100, depois terem sido encontrados mais de 40 corpos no rio Nilo. A RSF também foi acusada de violar mais de 70 pessoas durante o ataque.

Pelo menos 19 crianças foram mortas e 49 ficaram feridas. Outras estão a ser capturados, recrutadas e sexualmente abusadas ​​pela RSF.

Os manifestantes pró-democracia sudaneses são principalmente a população jovem do país. Os direitos limitados das mulheres do Sudão estão bem documentados: casamento infantil e o abuso sexual continuam a ser problemas no país.

Desde a semana passada, tem havido relatos de blackouts na rede móvel e internet. Os meios de comunicação estão proibidos de transmitir notícias sobre o conflito.

 

 

Como justificar a transição de um aluno com 8 negativas

É só escolher do cardápio (a imaginação dos professores é infinda) e verter em acta (atenção ao acordo ortográfico, senão vem para trás).

“Não fica a fazer nada no 8. ano.”

“O aluno já tem 3 retenções.”

“Não dá mais.”

“Se 5 colegas subirem a nota, ele passa.”

“Está tão bem integrado na turma!”

“Tem tanto potencial!”

“Ao menos fica com o 9. ano feito!”

“É uma vítima daqueles pais.”

“É tão educado!”

“Quem é que sobe?”

“Ele pró ano vai para um curso.”

“Está é uma história triste. Vou contar o que se passa.”

“Coitadinho!”

Os professores também podem faltar ao trabalho no primeiro dia de aulas dos seus filhos?


Não sendo uma notícia do dia 1 de Abril, não deixa de ter piada: os funcionários públicos podem faltar ao trabalho no primeiro dia de aulas dos filhos.
Eu que sou professor e que por acaso até tenho duas filhas menores de 12 anos, fiquei todo contente: No primeiro dia de aulas, aviso já, vou faltar ao trabalho para acompanhar o primeiro dia das minhas filhas.
Por isso, lamento mas não vou estar na escola. Claro que também corro o risco de não encontrar os professores das minhas filhas, porque eles próprios também estarão a faltar para acompanhar os seus filhos.
Mesmo que eu não falte, a escola não poderá funcionar, porque os funcionários terão ido ver o primeiro dia dos seus filhos. Onde não encontrarão ninguém, porque os seus colegas das outras escolas terão feito o mesmo.
Não contente por discriminar entre funcionários públicos e os restantes trabalhadores do país, como se estes fossem gente menor, o Governo vai mais longe e discrimina também entre os próprios funcionários públicos.
Uma lei que é um aborto, produzida por um Governo que é um aborto. Tudo nos conformes, pois.

Às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência

Santana Castilho*

 

As últimas notícias sobre o nosso sistema de ensino ilustram quão certeiro foi o pensamento de António Aleixo, poeta do povo: “Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”.

  1. João Costa veio, em artigo de 30 de Maio passado (Observador), defender-se das críticas às suas teorias sobre flexibilidade e inclusão. Abalroada pela demagogia que a domina, a prosa do secretário de Estado assentou num maniqueísmo primário e populista. Segundo ele, uns querem sucesso e inclusão para todos (ele e prosélitos), outros (os que lhe criticam os métodos), preferem reprovar os alunos. Escapou-lhe considerar que o que separa a turma dele (perita em baixar a fasquia dos pobres em vez de lhes conferir os meios para chegarem onde os ricos chegam) da turma dos outros é a recusa, por parte dos segundos, a certificar a ignorância. E que o grande combate a favor da inclusão começa fora da Escola, sob responsabilidade alheia aos professores, colada, outrossim, à pele dos políticos promotores da mediocridade. E continuará na Escola, quando substituirmos proclamações palavrosas, papéis e burocracia por meios, recursos e dignidade para quem ensina.
  2. Outro Costa, este António, fez-me recordar a eloquência de Américo Tomás (nos anos 60, disse o então Presidente da República numa inauguração: “É a primeira vez que estou cá desde a última vez que cá estive”). [Read more…]

Visita do chefe de Estado Marcelo Rebelo de Sousa à província de Cabo Verde


Aspecto da visita que Sua Excelência o Presidente da República está a efectuar à província de Cabo Verde em África. O digníssimo representante do império de Portugal, que era acompanhado pelo presidente do Conselho, o ilustre Dr. António Costa, foi recebido pelas autoridades locais.
De forma muito afectuosa, como é seu timbre, o senhor presidente da República estabeleceu contacto com a população cabo-verdiana, a quem transmitiu os votos mais sinceros em nome de toda a metrópole.

João Félix: Insultos injustificados e imbecis

A vida depois das eleições

[Santana Castilho*]

A não consideração do tempo de serviço prestado pelos professores não é assunto encerrado. É questão apenas postergada. E como qualquer problema sério cuja solução se protela, os danos têm tendência para aumentar. Tanto mais que, depois da crise política que António Costa encenou e usou para fomentar na opinião pública ódio aos professores, sinal distintivo das políticas do PS dos últimos anos, ficou uma classe profissional maltratada por todos os partidos e por boa parte da opinião publicada.

Ficou claro, depois da pronúncia da UTAO, que a não contagem do tempo nada teve que ver com o défice orçamental. Mas não ficou claro que a questão central é que o Estatuto da Carreira dos Professores está em vigor e que num Estado de Direito as leis são para cumprir. Outrossim, o que se viu foi que, desde que um Governo chantageie habilmente a AR, pode espezinhar as leis, sem sequer se dar ao trabalho de as alterar. A perfídia do processo resume-se ao pleno do “espírito” geral, descontadas as “formas” de cada partido: o reconhecimento do tempo ficaria sujeito ao livre arbítrio de um Governo, fosse ele de que partido fosse. Ao menos nisto, como se viu, houve um triste consenso parlamentar. [Read more…]

Algumas notas breves sobre os resultados das Eleições Europeias

Tendo em conta tudo o que aconteceu antes e depois da campanha eleitoral:
– Uma vitória «poucochinha» do PS;
– Uma extraordinária vitória do Bloco de Esquerda e sobretudo do PAN;
– Uma estrondosa derrota do PSD e do CDS;
– Uma pequena derrota da CDU.
No final, temos aqui que a Esquerda venceu estas Eleições Europeias de forma muito clara. É possível que em Outubro haja de novo uma Geringonça, desta vez com novos participantes. Parece que estamos livres de uma perigosa Maioria Absoluta do PS.
Temos também que a Direita sofreu uma derrota enorme, muito para além do que era esperada. Se a do PSD é humilhante, a do CDS é apenas o constatar de uma realidade – é isto que o Partido vale sozinho: Um táxi.
Boas notícias são também aquelas que dão menos de 2% aos dois Partidos fascistas, o Basta de André Ventura e o PNR. Por agora, a extrema-direita em Portugal continua a ser meramente residual.
A abstenção chegou aos 70%. Os políticos fingem-se preocupados. Mas no fundo, para eles, é mais um dia no escritório.

Os portugueses que vão votar dão uma lição de civismo

Acabo de votar numa das escolas reservadas para o efeito e por verificar, in loco, o civismo de tantos e tantos portugueses no momento do voto.
Ele é estacionamento dos carros em cima do passeio, em cima das passadeiras, nos lugares de deficientes, em segunda fila, enfim, onde calha. Em qualquer sítio que garanta ficar à porta do local de voto.
Ufanos por estarem a cumprir o seu dever, esses portugueses regressam a casa felizes. O seu civismo foi posto à prova e, mais uma vez, a exemplo do seu Querido Líder, ultrapassaram o teste com distinção.

Eleições europeias: Sei em quem não vou votar


No Cântigo Negro, diz José Régio que «não sei por onde vou, sei que não vou por aí». Um poema muito conhecido, até por ser o único que o presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, parece saber recitar.
Estou na mesma relativamente às eleições europeias de amanhã. Não sei ainda em quem vou votar, mas definitivamente sei em quem não vou votar.
Não vou votar na Direita, como é óbvio. À excepção do PS em 1995, nunca votei na Direita. Jurei para nunca mais. Ideologia dos grandes interesses económicos, do capitalismo selvagem, do deixar gente para trás. PS, PSD e CDS são simplesmente Partidos criminosos.
Também não vou votar naqueles em quem voto desde 1989. Fartinho da cegueira ideológica da CDU, que em 2019 continua a não conseguir dizer que a Coreia do Norte é uma Ditadura abjecta ou que a China é tudo menos um regime comunista. Fartinho do Bloco de Esquerda, que mostrou, com o caso Robles, de que massa é feito. Da mesma massa dos outros.
No momento do voto, não me vou esquecer que estes dois Partidos pactuaram com estes 4 anos de governação socialista. Com uma governação que continuou a privilegiar os benefícios fiscais aos grandes grupos económicos. Que continuou a torrar milhões e milhões no sistema bancário ladrão enquanto os negava aos trabalhadores. Que não mexeu uma palha para acabar com os abusos das rendas excessivas de uma EDP que manda no país e que é responsável pelo pagamento da energia mais cara da Europa.
Também não me vou esquecer que o PAN esteve na Assembleia da República nestes últimos 4 anos.
Sendo assim, o que resta? [Read more…]

L’État c’est Costa!

Santana Castilho*

É deplorável o que acabamos de viver. PSD ofereceu, sem dar. CDS dava um se tirasse quatro. PCP e BE confirmaram o que sabiam desde sempre: o tempo político para fazerem justiça aos professores esgotou-se quando aprovaram o OE 2019, nas condições em que foi votado. No balde dos despejos desta crise política de baixo nível ficou uma classe profissional maltratada por todos os partidos, com mais ou menos responsabilidades, consoante as cambalhotas que foram dando. Tudo aconteceu com Marcelo ausente, certamente à procura do urso pardo para fazer uma selfie, enquanto aqueles que qualificou como os melhores professores do mundo eram sacrificados na fogueira das mentiras.

António Costa não denunciou a mínima intenção de se demitir quando morreram mais de 100 cidadãos nos incêndios de 2017. Resistiu quando um bando de pilha-galinhas protagonizou o escândalo de Tancos. Ficou, quando a incúria sem responsáveis deitou abaixo a estrada de Borba e ceifou mais umas vidas. Não deu sinal de querer partir quando o presidente do seu partido fez do Estado a residência da família e a moda contaminou outros do seu Governo. Tendo acordos firmados com o PCP e BE, nunca se sentiu constrangido a não estabelecer vários pactos com o PSD para fazer vingar políticas a que se opunham os seus parceiros da “geringonça”. Mas rasgou as vestes, qual vestal profanada, quando o parlamento se “coligou negativamente” para lhe contrariar a tendência continuada para instilar na opinião pública ódio social aos professores. O mesmo parlamento que se “coligou positivamente” para lhe oferecer o lugar que perdeu nas urnas. Como se os outros partidos políticos estivessem proibidos de se entenderem sobre os efeitos futuros do descongelamento da carreira dos professores. [Read more…]

Dêem a maioria absoluta a António Costa…

A Banca diminuiu balcões e funcionários em todo o país porque toda a gente pagava com Multibanco.
Agora que cobram pelo levantamento ao balcão em dinheiro, também querem passar a cobrar a quem levanta através de Multibanco. Ao mesmo tempo que já cobram aos comerciantes pelas transacções feitas por Multibanco.
Tudo isto enquanto conseguem lucros gigantescos num negócio feito com o dinheiro dos outros. Outros esses que pagam para que o seu dinheiro esteja seguro e que são cobrados por tudo e mais alguma coisa. Outros esses que pagam ainda, através dos seus impostos, quando as coisas correm mal.
O negócio da Banca é um negócio cujo risco é de 0%. É fácil gerir assim um negócio. Os lucros são só seus, os prejuízos são sempre dos outros.
Não há dinheiro para ninguém, mesmo quando são despesas que nem sequer mexem com a actual legislatura. Mas para meter no cu dos banqueiros, 400, 500, 600 milhões por anos – todos os anos – dá sempre para acomodar.
Eram menos 400 milhões para os professores. E quantos milhões são, todos os anos e de forma permanente, para as rendas e subsídios e benefícios fiscais aos grandes grupos económicos?
Com os políticos que temos, vai continuar a ser assim. Mas com a maioria absoluta de um partido corrupto como é o PS, vai ser pior ainda.
Dêem a maioria absoluta a António Costa, dêem…

Manifesto – Pela Verdade dos Factos

[Blogues de Educação]

Como Professores, membros da comunidade educativa e autores de diversos espaços de discussão sobre educação, temos opiniões livres e diversificadas.

Porém, não podemos ficar indiferentes quando está a ser orquestrada uma tão vil e manipuladora campanha de intoxicação da opinião pública, atacando os professores com base em falsidades.

Tais falsidades, proferidas sem o devido contraditório, por membros do Governo e comentadores, deveriam ser desmontadas com factos e não cobertas ou reforçadas pelo silêncio da comunicação social, que deveria estar mais bem preparada para que a opinião pública fosse informada e não sujeita a manobras de propaganda.

Serve este manifesto para repor a verdade dos factos:

  • O Governo, pelo Ministério da Educação, a 18 de novembro de 2017, assinou um acordo com os sindicatos de professores, onde se comprometeu a recuperar todo o tempo de serviço. É, por isso, falso que essa intenção seja uma conspiração da oposição ou resulte de uma ilusão criada pelos sindicatos de professores.
  • A recuperação total do tempo de serviço também foi proposta pelo PS. O PS, em dezembro de 2017, recomendou a total recuperação do tempo de serviço, conforme se pode verificar no diário da república (Resolução da Assembleia da República n.º 1/2018). É, por isso, falso que o PS nunca apoiou a recuperação integral do tempo de serviço congelado.

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A hipocrisia de António Costa

A hipocrisia do Governo neste momento, ao ameaçar com a demissão, não é maior do que a hipocrisia dos últimos anos.
Quando é para meter milhões e milhões não orçamentados nos Bancos, o Governo segue em frente como se nada fosse. O dinheiro aparece sempre e ninguém fala mais nisso.
Ao contrário dos Bancos, neste caso não há efeitos no Orçamento do Governo.
António Costa acaba de jogar uma cartada, última e desesperada, para tentar chegar à inalcançável maioria absoluta.
Mesmo não gostando de História, ele devia lembrar-se que assim perdeu o PS a maioria absoluta em 2009 e que assim poderá perder daqui a uns meses muito mais do que isso.
Embora ele já esteja habituado a perder eleições como se as tivesse ganho.

Inventa outra, ó Costa!

As eleições legislativas estão marcadas para o dia 6 de Outubro.
Se o Governo se demitir, as eleições legislativas serão no dia 6 de Outubro.
Inventa outra, ó Costa, que essa não cola.