Falta de noção

“A minha análise é que ele [António Costa] não se recandidata [em 2023]”. Foi com estas palavras que Marcelo demonstrou novamente que o papel de rei sol lhe subiu à cabeça.

 

À minha maneira

Imunidade de grupo

No site do Hospital da Luz, num artigo da médica Betânia Ferreira:

Imunidade de grupo é um estado de proteção de uma população contra uma doença infeto-contagiosa, que limita a sua disseminação.

A imunidade de grupo para uma doença infeto-contagiosa numa determinada população (humana ou animal) acontece quando uma parte suficientemente grande dessa população está imune (protegida) contra essa doença e contribui para que esta não se dissemine.

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A Terra fotografada pela nave espacial Cassini a partir de Saturno

Ali, naquele milésimo de pixel ao centro, fica o Afeganistão. Uns microns ao lado, decorre o conflito israelo-árabe. Por ali, mais pixel, menos pixel, fica o petróleo, o ópio, os metais preciosos e demais riquezas, a par com os países ricos, pobres aspirantes a ricos, pobres com recursos imensos e simplesmente pobres. Visto à distância de Saturno, todo este fervilhar de tensões, à escala humana, tem relevância nula. Ainda menor é a significância de cada acção individual.

A partir do Céu, que afinal não fica por cima das nuvens mas deve ficar mais longe do que Saturno e além, ou já o teríamos encontrado, tudo será ainda mais pequeno. Porém, Alguém olha individualmente para o que cada um faz aos domingos às 11 horas ou aos almoços durante o mês que começa no final do Shaban. O que justificou e continua a justificar a existência de muitas guerras, nas quais o petróleo, o ópio, os metais preciosos e demais riquezas não são um mero apontamento.

Já agora, a Lua também está na fotografia. É a protuberância no lado direito da Terra.

Ouviu-o na TV?

Filipe Froes recebeu €385 mil das farmacêuticas desde 2013

(…) Filipe Froes — consultor da Direcção-Geral da Saúde (DGS), coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos (OM) e membro do Conselho Nacional de Saúde Pública (…)

Quem o critica aponta o facto de o médico, investigador e coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pulido Valente receber quantias avultadas de empresas como a Pfizer, sendo também remunerado pela AstraZeneca (duas das fabricantes de vacinas para a covid-19), além de outras duas dezenas de farmacêuticas, desde 2013. Isto apesar de ser chamado para comentar nas televisões e nos jornais temas ou produtos desenvolvidos por essas mesmas empresas. Nos media, tem defendido as vacinas contra a covid-19, a vacinação de adolescentes, uma eventual terceira dose e também a intensificação da vacina para a gripe, sem revelar antes de cada intervenção as suas relações com a indústria. Nos últimos oito anos, Filipe Froes recebeu, segundo o que é público no site do Infarmed, €385.793, destacando-se as remunerações da Pfizer, no montante de €146.748. Só em 2020 e 2021, por exemplo, Froes recebeu da Pfizer €26.407 pela participação em reuniões médicas, palestras e congressos. [Expresso, 2021/08/27]

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Isto leva a questões incómodas

Fonte:  John Burn-Murdoch no Twitter (@jburnmurdoch)
Sobre o autor: “Histórias, estatísticas e gráficos de dispersão para @FinancialTimes | Atualizações diárias do rastreador de trajetória do coronavírus | john.burn-murdoch@ft.com |#dataviz”

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Bebesses menos, hóme

«O que explica a adesão dos portugueses às vacinas? A memória colectiva do tempo em que o sarampo e a poliomielite matavam»

O que eu consigo perceber até agora sobre a Covid-19

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Boatos à la Observador

O rigor. O fact check. A pergunta onde cai o ponto de interrogação.

Ouvido no Portugalex (Antena 1)

“O que os magistrados de bancada não percebem é que a Justiça tem um tempo próprio. Que é o tempo de deixar prescrever os crimes.”

Ainda lhe vamos pagar uma indemnização

A imagem é de 2009, numa paródia minha ao livro de Eduarda Maio “Sócrates: O Menino de Ouro do PS”.

E não o é mesmo? Hoje conseguiu o seu maior feito político. Demonstrar que em Portugal a Justiça é uma ilusão. E que esta é o grande problema do País onde nunca a classe política verdadeiramente mexeu.

É a negação da Justiça que permite a existência dos BPNs, BANIFs e BES. Ou a chico-espertice de um artigo mudar precisamente quando a EDP se preparava para vender as barragens. Ou todos os truques autárquicos que caem em saco roto. Isto só para ilustrar alguns temas da política. Porque a Justiça não é só um problema na política. É-o no dia-a-dia, quando cada um de nós tem algo para resolver e tem que ponderar se o custo e duração do processo tal justifica.

Agora, vá preparando o seu bolso. Depois do julgamento na praça pública, com direito a prisão em directo, este nado-morto em forma de acusação não irá morrer hoje. Tivessem vergonha na cara e hoje haveria muita gente a se demitir.

O resto já o disse certeiramente Fernando Moreira de Sá.

A lógica da batata, novamente

A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, esclareceu a AHRESP que no período da Páscoa – considerado o arranque da época turística – só os cidadãos que não tenham residência no país e sejam “forçados a circular por vários concelhos” de forma a poderem chegar aos hotéis são a exceção à regra que restringe as deslocações, à semelhança do que foi adotado no período de 30 de outubro a 3 de novembro.

Os portugueses com residência no território ficarão no período da Páscoa impedidos de circular entre concelhos, mesmo que seja com a finalidade de ficar num hotel, mantendo-se a norma de permitir “deslocações de cidadãos não residentes em território nacional continental para locais de permanência comprovada”, como é o caso dos alojamentos turísticos. O objetivo é o de “evitar a transmissão da doença covid-19, caso contrário estaríamos a desvirtuar o objetivo da norma”, especificou Rita Marques à AHRESP.

Mas tal não se aplica aos portugueses residentes que tenham de fazer deslocações ao aeroporto com o fim de realizar viagens para as regiões autónomas da Madeira e dos Açores. [Expresso]

A propaganda nunca teve por base a racionalidade. O objectivo, senhora Rita Marques, é claro, se bem que distinto no anunciado. O que em Dezembro foi permitido, porque sim, agora é proibido, porque sim.

Aretha Franklin

Ah ah ah ah!

Imagem: Artigo DN

É assim que se vê força do Governo na protecção dos interesses nacionais. Isso do esquema de fuga aos impostos na venda das barragens da EDP são peaners. Esperem para ver o que acontece se algum estrangeiroco ousar imitar um das Caldas. Aí, vai tudo de enfiada.

Ainda o Montijo

Num artigo que tresanda a spin para justificar a opção do governo, fica logo claro porque é que Montijo foi escolhido.

Mesmo descontando perdas motivadas pelos anos a mais que demorará a obra, o custo extra de uma infraestrutura construída de raiz, no caso, em Alcochete, ascende a 6 mil milhões de euros. É o quíntuplo do valor que a ANA Aeroportos se comprometeu a investir até 2028 na reconversão da infraestrutura do Montijo e melhoramento e expansão da Portela. O custo de Alcochete ascenderia a 7,6 mil milhões – cujo custo iria necessariamente recair, ao menos em parte, sobre os contribuintes -, em vez dos 1,5 mil milhões no Montijo, assegurado pela ANA e financiado pelas taxas aeroportuárias. [DN]

“que a ANA Aeroportos se comprometeu a investir até 2028”

Esta é a chave para a decisão.

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O negócio de Montijo

Governo já tem proposta para substituir lei que bloqueou aeroporto no Montijo

Essencialmente, o que António Costa e o seu PS, apoiado pelo PSD de Rui Rio, se prepara para fazer é deixar claro que estamos num Estado onde a lei não é o alicerce da governação mas sim um instrumento para se atingir um fim. Não é propriamente uma novidade mas é de registar que a inversão de valores não é alheia a este executivo. Também mostra bem de que lado está o Governo e não é do lado dos cidadãos.

Sobre o negócio de ocasião para a ANA e a Vinci, pouco há a acrescentar ao que anteriormente se disse. Excepto que é de se sublinhar que os dois submarinos ainda vão dar jeito ali.

Subida do nível das águas – projecção para 2030 (fonte)

Como era óbvio!

O Ministério da Saúde decidiu usar SMS para convocar pessoas com mais de 80 anos e pessoas com 50 a 79 anos que sofrem de comorbilidades (doença coronária, insuficiência cardíaca ou renal ou doença pulmonar obstrutiva crónica.

Conforme foi anunciado em início de Fevereiro, o SMS “vai ser a modalidade preferencial de convocatória das pessoas destes grupos, sempre que haja informação no sistema que permita esse contacto”, explicou o presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), Luís Goes Pinheiro

Como é fácil de constatar, nesta faixa etária há enormes dificuldades no uso da tecnologia, pelo que se poderia prever este desfecho: “Apenas 55% dos convocados responderam ao SMS para serem vacinados contra a covid-19“. [Read more…]

“Nunca pensámos que isto acontecesse”

A frase é da ministra da saúde, ouvida no noticiário de hoje às 13h, na SIC. Podia tê-la concluído depois das duas primeiras palavras. “Nunca pensámos”.

Então não pensaram que era preciso planear? Não tinham já visto o que aconteceu em Itália? Ou na Espanha? Ou em muitos outros países?

Se não pensaram no que poderia acontecer, quem quem é que ia pensar? Recebem um belo salário ao fim do mês para quê? Para vir dizer que não fizeram o que deveriam ter feito?

Desde o início da pandemia que assistimos a uma gestão política da coisa, em detrimento do planeamento e execução. Exemplos? Vejam-se os computadores prometidos para a educação há meses e que só tiveram a compra adjudicada em fim de Janeiro, depois do caos se ter instalado. Ou a constatação de que não existe um plano de vacinação, quando se sabia desde o início que haveria uma vacina. Ou, ainda, as conferências de imprensa diárias que foram actos de propaganda quando poderiam ter sido momentos instrutivos.

Portanto, Sra. Ministra, se não pensou, pensasse. Se não o sabe fazer, dê o lugar a quem sabe.

Um mau sinal

Um escroque ficar em terceiro ou segundo lugar, à frente de gente decente e com uma ideia para o país, é um péssimo sinal sobre a saúde política dos portugueses.

O tempo da porrada, aquela vinda dos regimes que estes populistas procuram ressuscitar, já tem umas décadas e a memória de muitos é fraca. Outros não a têm, por não serem desse tempo, e não a construíram pela aprendizagem na escola.

Fonte: PÚBLICO

Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, vox populi dixit. A realidade actual é feita de extremos económicos, com alguns (poucos) extremamente ricos e muitos no limite da pobreza (“10% das famílias mais ricas tem mais de metade da riqueza total em Portugal“). De crise em crise, “Portugal foi um dos poucos países europeus que se tornaram mais desiguais desde o início do milénio“.

É este o estrume onde crescem as raízes do populismo. Que tem o apoio dos imensamente ricos e os votos daqueles que pouco têm, o que não deixa de ter a sua dose de ironia.

Nina Simone

Santa Maria da Azia

Estava a precisar deste desconfinamento da sisudísse. Vamos lá ver como fica o stock de Kompensan após as 20h. O que não há-de ser problema numa vila com tal padroeira.

Com um desenho, ao nível da primária, para ver se se percebe (1)

De pouco vale decretar um confinamento rigoroso para depois ter as escolas a funcionarem como uma autoestrada de contágio.

Porque estarão os decisores políticos, que não serão alheios ao óbvio, em pára-arranque quanto a manter ou não as escolas abertas?

Não havendo explicações, resta-nos adivinhar, sendo a possibilidade de libertar os pais para trabalharem sem interrupções da prole uma provável explicação.

Questões mais do foro económico do que da saúde pública com que diariamente enchem as ondas hertzianas.

O verdadeiro artista (*)

André Ventura foi trazido para a lide política pela mão de Passos Coelho, ao dar-lhe palco político em Loures. Constituiu o Chega no meio de ilegalidades apontadas pelo Tribunal Constitucional e que não foram completamente esclarecidas. Viu o seu partido ser elevado ao nível da decência com a coligação dos Açores e posterior abertura ao restante território pelo líder do PSD, Rui Rio.

Porém, para Henrique Raposo, André Ventura é “um filho de José Socrates”. Cola-o a um ex-primeiro-ministro problemático (coloquemos as coisas assim) mas que, para o caso, nada tem a ver com Ventura. Diz que o faz por causa das mentiras e dos maneirismos, como se não tivesse dose igual noutras áreas.

Raposo, ao relacionar Ventura com Sócrates, faz um branqueamento da ligação do Ventura ao PSD. É de artista, como aqueles que metem um nariz vermelho no circo.

∗ título roubado daqui

Adenda: artigo do Henrique Raposo

Estados Unidos da República das Bananas

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Quem dizia que isso de Trump estar a conduzir à guerra civil já quer reequacionar face ao golpe de Estado que o Loser-in-chief tem vindo activamente a promover? É uma coisita de somenos. Chamam-lhe democracia. E ainda um outro detalhe que é o Estado de Direito.

Uma turba de egoístas, comandada por um narcísico, não olha a meios para tentar manter o poder. O que se passa na América tem consequências entre nós devido à legitimização que os aspirantes a ditadores de pacotilha sentem perante este exemplo de corrupção. Veja-se o debate do populista de trazer por casa com o candidato do PCP, fazendo o número do pateta americano, não deixando o adversário falar.

Quando os do costume atirarem com os seus argumentos venezuelanos, que não se esqueçam do que aqui se passou.

Demita-se!

Faça um favor a si mesmo e ao país, Eduardo Cabrita. Ganhe vergonha na cara e demita-se.

É um favor que faz também ao Primeiro-Ministro, o qual já tem culpa por manter a “total confiança” política em alguém que não a merece. E ao fala-barato presidencial que até agora se manteve reservado.

Mas, sobretudo, é um serviço que presta ao país, face ao enxovalho que recebemos internacionalmente e, sobretudo, ao assassinato de uma pessoa por parte dos que exercerem funções no Estado português.

Um assassinato!

Cabrita diz que andou preocupado nove meses. E porém, isso não o impediu de mentir ao parlamento e de demorar 17 dias a abrir um inquérito, quando o assunto foi tornado público pela comunicação social. No SEF e no ministério, primeiro tentaram esconder, depois usaram a peneira para tapar o sol e agora, apertados, estrebucham.

Sobre a ideia do botão de pânico, é uma constatação de que há motivos para pânico quando alguém vai ao SEF.

Dissolver o SEF? O problema não é a estrutura, mas sim as pessoas dessa estrutura. E estas não vão desaparecer. Mais do que mudar a estrutura, importa mudar os comportamentos que conduziram a este crime. Assim, com o que está a ser feito, mais parece um movimento para proteger o ministro do que uma tentativa de se resolver o problema.

Concluindo, é mais um episódio, este o mais grave de todos, de um ministro que não tem auto-crítica quanto ao que diz e faz.

Putin falou

 

Depois da Rússia ter dado os parabéns a Joe Biden ficaram os republicanos autorizados a reconhecer a vitória de Biden. Se assim não foi, parece.

O minion também abriu o bico.

Falta só arrumar o looser na prateleira dos candidatos a ditadores que viram o poder lhes escapar por inépcia própria, já que ele não se arruma a si mesmo.

Fecha-se metade do circo. A outra metade, essa que prefere ver gigantes onde há moinhos de vento, ainda continuará na sua bolha, encapsulados num mundo onde cabe a Terra Plana, o QAnon e a vitória de Trump.

A Hidra

Imagem: PÚBLICO

 

O mal não acontece por acaso.

A Hidra começou com Passos Coelho a promover Ventura ao palco nacional, em 2017, através de um candidatura autárquica. Nos Açores ensaia-se um Governo Regional. E agora já se admite alargamento ao plano nacional.

A situação do Chega e PSD nos Açores é um dos momentos em que há ruptura. Alguns tentam comparar esta gerinçonça de direita com a geringonça do PS/PCP/BE. Mas são situações completamente distintas. O PSD tem toda a legitimidade para conseguir uma maioria no parlamento, mesmo que não tenha ganho a eleição. Já aliar-se a um partido de extrema-direita, defensor de ignomínias sem igual no PCP ou BE, faz toda a diferença.

Não faltará muito para se falar de Chega de PSD.

Costa, a anedota

A gestão política, e política é a palavra certa, que Costa tem aplicado à pandemia é um exemplo escolástico do chamado atirar areia para os olhos.

No fim-de-semana dos finados, assistimos àquele cerco cheio que excepções, que acabou por se reduzir à proibição de se visitar a família.

Nessa sexta-feira, o circo começou logo com uma fila de 17 Km nos acessos ao Porto. Sensibilizar os condutores e, naturalmente, as audiências dos folhetins noticiosos.

A partir de amanhã, a palhaçada atinge outro marco. Recolher obrigatório entre as 23h e as 5h de segunda a sexta e a começar às 13h ao fim-de-semana. Excepções a serem cozinhadas.

Como se sabe, o grosso dos contágios ocorre noite fora, quando já não se pode comprar bebidas alcoólicas e com as discotecas e bares transformados em pastelarias. Não é nas escolas, onde os miúdos se misturam uns com os outros, levando o contágio até à restante família. Nem sequer nos transportes públicos sobrelotados, onde a distância social, no reino das sardinhas enlatadas, é uma anedota. E muito menos no trabalho do dia-a-dia, como a construção civil, onde o uso das ferramentas e a proximidade é o que tem que ser.

Este exercício tem um fim óbvio. Parecer que algo está a ser feito. O capítulo segundo da série Terás Que Mostrar A App do Covid Instalada No Telemóvel.

Tremendous*

O merdas que se dá ao luxo de não respeitar as regras da democracia acabou de dizer no país dele, em comunicado, que diversos estados são conhecidos por serem corruptos e que lhe estão a roubar a eleição. Até os acólitos da Fox News dizem que não sabem onde é que ele se baseia para falar em fraude eleitoral.

*o único adjectivo que o coiso conhece

As eleições americanas

Manuel Carvalho resume de forma certeira o que se passa na América.

Não é a velha clivagem saudável entre esquerda e direita, entre progressismo e conservadorismo que está em causa: é a oposição entre a decência e a falta de escrúpulo. Se a democracia hesita nesta escolha, é porque se tornou uma banal formalidade.

E a causa:

Na procura de uma resposta para a doença da democracia, o efeito Trump pode então ter uma utilidade – a de demonstrar que não há democracia na desigualdade extrema. Quando as classes trabalhadoras dos subúrbios empobrecem, quando 1% dos americanos controla 40% da riqueza nacional, a tolerância acaba, a revolta cresce e a democracia degrada-se.

Atente-se bem no fosso. 1% dos americanos controla 40% da riqueza nacional. Esta disparidade, não sendo novidade, aprofundou-se nos últimos anos.

Piorando o cenário, as pessoas vivem fechadas em bolhas comunicacionais criadas pelas redes de televisão (Fox News e CNN são as proeminentes de cada um dos lados) e pelas redes sociais (sobretudo Facebook, Youtube e WhatsApp). Com o objectivo de manter os seus “clientes” mais tempo a eles ligados, para lhes vender mais publicidade, estes jardins murados apenas lhes mostram aquilo que eles “gostam”, fechando-os na sua opinião pré-concebida, alheios a outros pontos de vista, incluindo o próprio contraditório. Haveremos de voltar a este tema.

A América não votou em Biden. Melhor, alguns votaram em Biden – apesar de Biden, outros em Trump e os restantes votaram contra Trump.