A nação não presta, dizia o abade Correia da Serra. Ao longo dos últimos séculos, a inteligentsia portuguesa, profundamente permeável a modas parisienses, foi esquecendo o obrigatório papel de formação, a que noutras latitudes estaria inteiramente dedicada como primordial missão. Os Correias da Serra reproduzem-se geração após geração – a Conferência do Casino foi um marco que ainda vinga -, auto exilando-se na sua própria terra ou rumando para o estrangeiro, onde finalmente poderão sonhar com uma proeminência que afinal raramente chega. Escolhendo países onde o estudo e a participação cívica fazem parte da normalidade quotidiana, é com surpresa que depararão com verdadeiras coortes de gente tão ou mais interessante do que eles próprios, sem que por isso os demais sejam forçosamente levados a curvaturas de espinha em respeitoso e embascado silêncio. Passam despercebidos e sentem-se mal. Paciência.
A televisão tornou-se no grande teatro que preenche a vida da casa, mesmo quando esta se encontra plena de gente que se dedica aos seus afazeres mais ou menos rotineiros e que oscilam entre o cuidado com a sua subsistência e os imperativos que a tecnologia trouxe. Os Correias da Serra ocupam quase integralmente os canais televisivos de informação por cabo, desfiando rosários de desgraças, amargas críticas e insinuações a respeito de gente desqualificada, inferior e capaz de todas as enormidades, mas que afinal, são a sua razão de ser. Barricados nas suas torres de menagem, não se preocupam em despertar o interesse da maioria dos compatriotas, mas sim em defender ciosamente o seu resplandecente espaço cerebral que decerto não terá rivais à altura. Poucos os entendem, não têm qualquer poder de captação de audiências e aquele grotesco pessimismo que faz escola, é por si capaz de tornar insuportável a simples visão daquelas faces carrancudas e tristonhas. Quantos Josés Hermanos Saraivas temos em Portugal? Posicionamento político à parte, este contador da História concita a violenta repulsa daqueles que sendo oficiosamente os seus pares, não suportam a popularidade e o magnetismo pessoal de um homem capaz de prender a atenção de multidões. Numa lodosa turfeira de desgraças e autocomiseração, JHS é aquele estreito caminho de terra enxuta que atrai os viandantes há muito órfãos do torrão que subitamente passam a olhar como imenso e até então insuspeitado. Será de direita e esse facto pouco interesse terá, se compararmos as por vezes discutíveis análises de eventos de um passado nebuloso, com o reacender da chama, mesmo que bruxuleante, de uma consciência identitária que para o melhor e para o pior, garantiu a existência de Portugal no decorrer de quase nove séculos. Desejável seria termos outros JHS das mais diversas filiações ideológicas e que pudessem contribuir decisivamente para afastar o rançoso complexo de inferioridade que criminosamente nos é inculcado há tanto tempo, há mais de seis ou sete gerações!






















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