Ministério da Educação: mais uma volta, mais uma viagem!

09911Maria de Lurdes Rodrigues (MLR) deu início à estafeta da prova de Dez anos para destruir a Escola. Isabel Alçada ainda ajudou um bocadinho. Nuno Crato (NC) recebeu o testemunho e conseguiu piorar o péssimo. É caso para dizer que, desde 2005, na Educação, os ministros fazem como os santos: ajudam nas descidas.

Quando Tiago Brandão Rodrigues chegou ao Ministério, houve críticas, porque não se lhe conhecia opiniões sobre Educação. Nada que impedisse MLR de ter completado uma legislatura desastrosa, sendo hoje uma senadora com obra publicada, como muitos ignorantes atrevidos. Por outro lado, o facto de NC ter perorado tanto sobre Educação não o impediu de ser um dos maiores desastres da área. [Read more…]

O mérito de saber ouvir

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Há uns tempos escrevi que

Há de facto um tempo diferente, há alguém que é verdadeiramente Ministro da EDUCAÇÃO e não apenas um secretário do Ministro das Finanças e com uma visão salazarenta da escola. A Avaliação serve para melhorar as aprendizagens e não para encostar a um canto (cursos vocacionais) alguns alunos. Feliz por este sinal.

E também não deixo de afirmar, sempre, que prefiro aferição a exames.

Hoje, o Ministério da Educação publicou uma nota informativa (pdf) que vem esclarecer algumas dúvidas que se tinham instalado: [Read more…]

Provas de aferição 2016

A 6 e 8 de junho de 2016.

Mecânica do Contato e Lubrificação

Do contato e lubrificação? Exactamente: do contato e lubrificação.

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Onde? No sítio do costume. Quando? HojeEstrangulamentos? Constrangimentos?

***

Nótula pessoal: Anteontem, algures em Bruxelas, tive o privilégio de assistir a uma conferência proferida pelo excelente Andrew Delbanco, com o Melville: His World and Work a desempenhar o papel de força motriz para três excelentes quartos de hora sobre o Moby Dick. Este excerto do programa do Stephen Colbert abriu as hostilidades:

Cem e sem

Santana Castilho*

1. Cem dias passados, o Governo do PS, apoiado pelo PCP, BE e Verdes, provou ter uma capacidade notável de adaptação. Aguentou-se no primeiro lance, o da aprovação de um programa dúbio de governo. Sobreviveu ao golpe que ofereceu, em saldo, o Banif ao Santander, logrando mesmo o apoio do PSD para aprovar o orçamento rectificativo que viabilizou a negociata. Levantou (foi obra) o PCP, pela primeira vez em 40 anos, para aprovar o OE 2016, saído de um belo joguinho de cintura com Bruxelas. E, cereja no topo da geringonça, 46 páginas de erratas depois, eis que a radical Moody’s lhe conferiu um invulgar elogio. Cavaco Silva desta vez não o disse, mas certamente que voltou a pensar ser coisa da virgem de Fátima.

Nestes cem dias, de fé no fim da austeridade, recuperaram-se feriados perdidos. Operaram-se exíguas melhorias para as famílias de mais baixos recursos. Reverteram-se privatizações. Extinguiram-se exames. Prometeram-se (para uns) 35 em vez de 40 horas de trabalho. Aumentou-se o salário mínimo. Apresentou-se à EDP a factura da tarifa social de energia e aos fundos imobiliários a nota para pagarem o IMI e o IMT de que estavam isentos.

Seguir-se-á a realidade, que diluirá tendências populistas e começou já a ser reconhecida com 800 milhões de novos impostos. [Read more…]

«Science: it’s a girl thing!»… será mesmo?*

Science- it's a girl thingEm 2012 a União Europeia lançou uma campanha de três anos com o título ‘Science: it’s a girl thing!’**. Só a circunstância de existir uma campanha específica que pretendia demonstrar que o trabalho científico pode ser, e é, também realizado no feminino, demonstra que estamos longe, neste domínio como em muitos outros, tanto na esfera profissional como na esfera pessoal, da igualdade de oportunidades, consagrada na legislação de muitos países, incluindo Portugal. De facto, em 2012, as mulheres representavam 46% dos doutorados na União Europeia. No entanto, apenas 33% das mulheres trabalhavam como investigadoras e só 20% se encontravam em cargos de topo da carreira académica. Apenas uma em cada 10 universidades da União Europeia tinha tido alguma vez uma mulher como reitora. Ou seja, apesar de as mulheres serem tão qualificadas como os homens elas continuavam (e continuam, três anos passados) a estar amplamente sub-representadas na investigação, na academia e muito particularmente nos lugares de topo das carreiras académicas e nos órgãos de poder e decisão das instituições de investigação e ensino superior. [Read more…]

Pla,gi,ar é fei,o

Co,piar s,em re,fe,rir a fon,te e co,loc,ar a “par,te co,pi,a,da en,tre as,pa,s” é mui,to fei,o, Du,ar,te. E tam,bém é cri,me. Cha,ma-se plá,gio.

Apresentação do livro do Paulo Guinote “08/03/08”

Citações de memória, mais pela ideia do que pelas palavras exactas, da apresentação, hoje, na livraria Buchholz, Lisboa.

As manifestações dos professores foram precursoras de outras, como os movimentos de indignados, em Espanha e Portugal, e dos movimentos da Primavera Árabe. (Sampaio da Nóvoa)

O controlo burocrático, que antigamente exigia recursos materiais e financeiros consideráveis, está agora a um click de distância, com custos reduzidos, como forma de controlo dos profissionais.  Um controlo que não traz valor, nem, muito menos, se traduz em avaliação de desempenho. (Sampaio da Nóvoa, referindo José Gil)

A terceira grande revolução, a da Internet, que sucedeu à invenção da escrita e, depois, do livro. (Sampaio da Nóvoa)

Um livro que regista uma memória que se estava a desvanecer. (Paulo Guinote)

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08/03/08

08 03 08_convite

É amanhã, na Rua Duque de Palmela 4, 1250-096 Lisboa.

Desigualdades socioeconómicas e sucesso educativo ou a descoberta da pólvora

Saiu um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, intitulado Desigualdades socioeconómicas e resultados escolares – 3.º Ciclo do Ensino Público Geral.

Na p. 2, podemos ler: “Em termos de resultados e conclusões, o estudo sugere que em Portugal há uma relação muito forte entre o desempenho escolar dos alunos e o meio socioeconómico dos seus agregados familiares. Por exemplo, entre os alunos cujas mães têm licenciatura ou bacharelato, a percentagem de “percursos de sucesso” 2 no 3.º ciclo é de 71%, enquanto entre os alunos cujas mães têm habilitação escolar mais baixa, equivalente ao 4.º ano, a mesma percentagem de percursos de sucesso é de apenas 19%.” Leia-se, a propósito, a notícia do Público: “Quando a mãe tem a 4.ª classe, só 19% das crianças têm um percurso limpo na escola”.

Não nego a importância destes estudos, mas a verdade é que a correlação entre o desempenho dos alunos e o meio socioeconómico/sociocultural em que vivem é conhecida e reconhecida há vários anos, porque o assunto está estudado e porque os professores confirmam isso todos os dias.

Curiosamente, no mesmo estudo, há uma preocupação em repetir a ideia de que isso não equivale a destino:

as estatísticas apresentadas no estudo sugerem também que o nível socioeconómico não equivale a destino, ou seja, não determina de forma inapelável o desempenho escolar dos alunos. (p. 3)

Apesar de estas disparidades muito acentuadas mostrarem que as condições socioeconómicas das famílias têm um impacto elevado nos resultados escolares dos alunos, um impacto porventura maior do que o desejável, ao mesmo tempo é necessário salientar que as condições socioeconómicas não equivalem a um destino traçado, pois existem outras influências e fatores importantes em jogo. (p. 13)

Dos resultados da nossa análise subsiste, todavia, a importante mensagem de que o nível socioeconómico não equivale a destino, ou seja, não determina de forma inapelável os resultados dos alunos, escolas e regiões.

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Escola a mais, pais a menos

Santana Castilho*

Três meses volvidos sobre o início de funções do Governo, temos, na Educação, um Orçamento de Estado pior que o último de Passos Coelho e umas Grandes Opções do Plano para 2016-2019 (Proposta de Lei n.º 11/XIII) que não são melhores. Se não é claro quem manda no ministério da Educação, é já claro quem não manda, apesar de algumas tiradas fanfarronas e pouco respeito por quem pensa diferente. Decididamente, António Costa menosprezou a Educação e resolveu-a protegendo a impreparação do ministro com a sombra tutelar de Maria de Lurdes Rodrigues. Cruzando o orçamento com as opções, resultam projectadas para a legislatura (se o Governo a concluir) medidas sem dinheiro para as pagar e persistência em bandeiras erradas do PS de outros tempos. Um bom exemplo é o alargamento da “Escola a Tempo Inteiro” (permanência na escola das 08.30 às 19.30) a todos os alunos do ensino básico, que já estava no programa do Governo e é reafirmado nas Grandes Opções do Plano (pág. 110). [Read more…]

Política, e políticos, que não valem a pena

O ex-Presidente da Comissão Europeia, português, ex-PM de Portugal, etc., disse, numa conferência organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que agora que não está na política e não tem “os constrangimentos que tinha quando ocupava as funções que ocupei” o seu “nível de sinceridade tem aumentado todos os dias”.

Portanto, quando esteve em funções não era sincero (ou tinha um nível de sinceridade baixo, seja lá o que isso for), era falso, portanto, ou tinha um nível de falsidade elevado (lol), e atuava de acordo com os “constrangimentos”, ou seja, as pressões de todo o tipo.

E eu a pensar que este “senhor” que foi líder do PSD percebia o que tinha dito Francisco Sá Carneiro:

“Não há nada que pague a sinceridade na acção política, como em tudo”.

“Saber estar e romper a tempo, correr os riscos da adesão e da renúncia, pôr a sinceridade das posições acima dos jogos pessoais, isso é política que vale a pena”.

Crato foi um zero

Meu Caro Paulo,

Tenho da vida uma visão muito humilde e procuro, em cada momento, pensar sobre a informação que me vai chegando. Obviamente, li os teus textos e, claro, condiciono a minha escrita à tua posição, na medida em que a considero. Mas, considerar, não significa concordar. E, pelo que já percebi discordo e muito sobre a tua defesa (posso também usar a palavra branqueamento?) da legislatura de Nuno Crato.

Eu, pelo contrário, não tenho dúvidas. Aliás, nunca tive.

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Obviamente, Maria de Lurdes Rodrigues chegou antes de Nuno Crato e isso é um facto histórico e indesmentível (digo eu, que percebo muito pouco disto): naquele tempo, o PS tinha condições para fazer o que fez porque tinha a concordância da direita, isto é, nunca o PSD poderia ter feito o que fez MLR porque o PS estaria contra. Lembro que em 2005 o PS só via “apoio” quando se virava para a direita, ou seja, o ataque de MLR à profissão foi do agrado do PSD e por isso foi possível de concretizar. E, quanto ao ataque de MLR aos Professores, já escrevi no post anterior.

Mas, se me permites, vou buscar alguns dos teus argumentos para subscrever a minha tese de que, para a Escola Pública, Nuno Crato teve uma prática muito menos progressista e onde o investimento na escola pública não existiu, antes pelo contrário. Ou seja, MLR teve uma prática diversa da minha (MUITO!), mas investiu na Escola Pública. NC tem uma prática oposta à minha (TOTALMENTE!) e desinvestiu na Escola Pública. Vamos aos factos: [Read more…]

Ex-governante inaugura escola aberta há dois anos

inaugurar 

verbo transitivo

  1. Dar princípio a.
  2. Expor pela primeira vez ao público.
  3. Estabelecer pela primeira vez.
  4. Iniciar o serviço de.
  5. [Pouco usado] Consagrar, dedicar.

Passos Coelho irá presidir à cerimónia de inauguração de uma escola que já está em funcionamento há dois anos. O convite a Passos Coelho foi feito por Celso Ferreira, também do PSD e Presidente da Câmara de Paredes.

Em primeiro lugar, é de louvar esta manifestação de caridade por um homem que caiu do pedestal em que viveu desde 2011. Apesar de já não ser primeiro-ministro, não deixa de ser uma pessoa. Celso Ferreira está a dar a Passos Coelho um terno beijinho no dói-dói. [Read more…]

Professores: O Luto (parte 2)

O que suspeitava aconteceu e a pancada começou a cair.

Não tenho qualquer intenção de branquear nada, como poderás ver neste post. Procuro, antes, colocar alguns factos em cima da mesa que ajudam a fazer uma reflexão. Queria ir para lá do sentimento, queria ir para lá do lugares comuns. Posso falhar, o que provavelmente acontecerá, mas vamos lá continuar.

Numa coisa, MLR foi absolutamente incomparável. Na forma como se relacionou com os Professores.

Não me esqueço do que eu disse no Cinema Batalha, no Porto, onde foi proposta a Manifestação de 2008. Mas, também não me esqueço que estive na rua, uma primeira vez, a 5 de Outubro de 2006 onde 25 mil pessoas me pareciam a maior possível. Na altura, em que o ECD estava para cair, “poucos” quiseram saber – não acordei com a avaliação.

Invoco essa manifestação porque me lembro de que nesse dia, Walter Lemos, ter divulgado um “estudo” que falava em milhões de faltas. Confesso que, nessa altura, estava ainda muito longe de perceber o que estava para vir.

Se estive EM TODAS de alma e coração, tenho hoje a certeza, por testemunhos vários que houve partidos a convocar militantes para as manifestações –naqueles momentos desconhecia isso. Quem estava por dentro das máquinas partidárias sabia, mas eu, apenas ligado ao sindicalismo, desconhecia. Ter menos de 35 anos também ajudava…

E, só percebi isso, quando, já com Crato foi preciso fazer as lutas duras, aquelas que custam: Greve aos Exames, PACC…

Ora, nesses dias, a malta do PSD colocou-se [Read more…]

Professores – vamos lá fazer o luto? Maria de Lurdes ou Crato?

Este post nasce de uma troca de posts no Face com o Paulo e não é um texto final. Digamos que pretende ser um draft de algo que ando para fazer há muito tempo e que, hoje, pode começar a nascer, ainda que torto. Obviamente, vai ser para levar pancada, mas acho que temos mesmo que fazer isto para poder avançar.

Vamos lá então!

Durante os quatro anos de Nuno Crato houve uma discussão recorrente nas nossas salas de Professores:

Maria de Lurdes Rodrigues ou Nuno Crato, qual deles foi pior?

Quero começar por dizer, algo que aprendi no mundo sindical – a dimensão pessoal não é um argumento a usar e por isso, no plano pessoal, ambos me merecem o máximo respeito pessoal. No entanto, no caso de Maria de Lurdes Rodrigues, 8 anos depois, penso que podemos dizer que houve muito de emocional na luta contra as políticas da senhora. A 14 de setembro de 2008, às 23h32, quando encerrei o meu blogue escrevi: [Read more…]

conselho de Escolas para quê?

IMG_1644Maria de Lurdes Rodrigues não teve qualquer problema em o assumir – o Conselho de Escolas foi um instrumento criado para compensar a dificuldade negocial que, à época, encontrava junto dos sindicatos de professores.

O Conselho de Escolas é um órgão consultivo do Ministério da Educação onde estão representados Directores de Escolas. Segundo a sua página oficial, a sua missão será representar, “junto do MEC, os estabelecimentos de educação da rede pública no tocante à definição das políticas pertinentes para a educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário“.

Ora, depois do que foi revelado pela ex-Ministra da Educação, qualquer capacidade de representação desta gente caiu por terra – tenho imensas dúvidas sobre se representam os seus pares, quanto mais as escolas. Estarão, não tenho disso dúvidas, mais perto de representar os partidos que, em muitos casos os colocam à frente das respectivas Escolas.

E, até por isso, não me surpreendeu o silêncio desta não-existência durante o miserável reinado cratiano. Assistiram, quase em silêncio, à destruição da alma da Escola Pública e isso, não pode passar em branco. Se queriam ter o direito a representar as escolas, era nessa altura que a vossa voz fazia algum sentido.

Agora, o Vosso ruído, mais não é do eco para um pasquim como o observador, nada mais. E, a dureza das palavras escolhidas para este post vão mesmo na Direcção dos Directores que se demitem de o ser, preferindo o caminho fácil da incompetência. Percebo, que no Vosso caso, seja mais fácil culpar os professores e as famílias pelo insucesso que cresceu nos últimos anos. E, para isso, nada melhor que um exame. Chegam as notas, apontam o dedo e limpam as mãos, como qualquer Direcção de um clube que despede um treinador. [Read more…]

Escola a tempo inteiro

IMG_20150108_083900Aí está o debate e, se a economia foi trocada pela política, também agora, no que à Educação diz respeito, fala-se de Escola, de Alunos e de Educação. Mérito, mais uma vez de António Costa.

Vamos então ao debate.

Segundo algumas informações que hoje vieram a público, o governo quer ampliar a oferta de Escola a tempo inteiro, permitindo que todos os alunos possam ter um espaço público de educação entre as 7h30 e as 19h30.

E, começo por acrescentar, que, num debate maniqueísta, onde tivesse que escolher entre um sim e um não, responderia sim.

Sem conhecer a proposta do governo, escaldado que estou com a miserável campanha que tem vindo a ser feita pela comunicação social, escrevo agora no plano dos conceitos, procurando argumentar com o que me vai na alma.

Hoje, a nossa organização social e em especial do mundo do trabalho, são diferentes de ontem. Creio que são múltiplos os factos que comprovam esta convicção – mais mulheres a trabalhar; pais e avós em simultâneo no mundo do trabalho; desregulação dos horários de trabalho; precariedade, etc… [Read more…]

O orçamento do Estado e a “circulatura” do quadrado: As 50 sombras que David Justino não tem

Por Santana Castilho

  1. Para titular este artigo apropriei-me de um neologismo feliz que Bagão Félix criou, porque exprime bem o processo técnico (não teria sido melhor que António Costa o assumisse como político?) que nos trouxe ao orçamento de 2016.

O plano macroeconómico do PS não contemplava o aumento de impostos. O aumento previsto era o dos rendimentos líquidos dos portugueses, designadamente por via da redução da TSU. Podíamos questionar a viabilidade de êxito da proposta, mas não podíamos deixar de lhe reconhecer coerência. Porém, essa coerência esfumou-se entre os acordos com a esquerda parlamentar e as negociações com Bruxelas, dando lugar a um caminho de fraco norte e forte risco.

Os benefícios deste orçamento resumem-se à função pública e à restauração e são parcos para virar a página da austeridade, quando o aumento líquido da receita fiscal e contributiva ultrapassa os 2.600 milhões de euros. Este é um orçamento simplesmente menos servil, com execução no fio da navalha e sem dinheiro, como serão todos, não importa de que governo, enquanto não for reduzido o peso e o custo da dívida. Porque a “circulatura” do quadrado só se consegue no domínio da mistificação política.

Todavia, devemos reconhecê-lo, António Costa venceu o dramatismo ridículo de certa comunicação social, o discurso caceteiro da direita, o teatro majestaticamente rasteiro da Comissão Europeia e conseguiu valorizar o Estado e os seus servidores e promover alguma justiça social, de que o fim das benesses fiscais aos fundos imobiliários em sede de IMI e a extensão da tarifa social da energia são os melhores exemplos.

Se lhe concedo, portanto, um sinal débil de virar de página, quando chegamos à Educação a página vira para trás e a desilusão tem, para quem se iludiu, o exacto tamanho da ilusão. [Read more…]

Professores: aí está a segunda proposta do ME

Relativamente aos concursos.

A caneta,

a espada e o teclado.

Então, que tal?

Santana Castilho *

1. Dois meses corridos sobre a entrada em funções do novo Governo, considerando todos os anúncios de mudança e o que já foi mudado, venho perguntar aos professores de sala de aula: então, que tal?

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Há frases que marcam…

Há frases que marcam e são sinal de esperança. Esta é uma delas. Muito bem Tiago.
“Sabemos que há crianças que apenas têm direito à educação na nossa Constituição”, Tiago Brandão Rodrigues, Ministro da Educação.

Que isto queira dizer defesa intransigente da escola pública, garantia de ensino de qualidade para todos (seja qual for a condição social), com acesso a meios educativos em iguais circunstâncias e medidas urgentes de materialização dessas garantias.

Acordo pornográfico?

Nem o JN escapa.

jn

Professores: Ministro cumpre mais uma promessa

Aí está uma proposta que vem acabar com a BCE.

Sindicalismo laranja

Lugar comum nº 1, repetido vezes sem conta: Mário Nogueira é comunista.

Lugar comum nº 2, repetido tantas vezes como o lugar comum nº1: Mário Nogueira é líder da FENPROF há milhares de anos.

Lugar comum nº3, repetido mais vezes do que os lugares comuns anteriores: os Professores são todos comunistas.

Com base neste conjunto de lugares comuns o Miguel Noronha, do Blasfémias dá voz ao papagaio António Barreto. Um texto sem conteúdo a que importa acrescentar algumas pistas para que o Miguel possa ter mais dois lugares comuns na sua cabeça:

a) Quem está há mais tempo na liderança? Mário Nogueira na FENPROF ou João Dias da Silva na FNE?

b) João Dias da Silva é militante de que partido? Boa parte dos dirigentes da FNE são dirigentes de que partido?

Conclusão: porque é que os blasfémias não escrevem sobre os laranjas o que escrevem sobre os comunistas?

Assim, estou convicto de que o Miguel Noronha poderá reflectir sobre uma área que domina – a Educação – com mais conhecimento. Poderá, por exemplo, relembrar o que escreveu quando Nuno Crato obrigou os meninos deficientes (alguns dos quais nem uma letra conseguem ler) a fazer o exame do 4º ano. Sim, foi algo que aconteceu a meio do ano. E, se a sua linha é o famoso mérito, poderá até procurar o que escreveu quando Nuno Crato acabou com o prémio para os melhores alunos do secundário, decisão que foi concretizada no ano seguinte ao que permitiu os alunos ter esse direito. Isto é, não foi no meio do jogo – foi depois do jogo ter acabado.

Mas, tenho um palpite – Miguel Noronha, como João Dias da Silva e a FNE estiveram distraídos enquanto Nuno Crato foi Ministro.

Educação: o que há para mexer

É um lugar comum em Portugal – na Educação mexe-se muito e essa instabilidade é um dos problemas mais decisivos para as dificuldades que, em particular a Escola Pública, vai sentindo. Costumo dizer que a Escola funciona apesar do Ministério da Educação.

E, em boa verdade, nunca a Escola mudou tanto como com Nuno Crato que fez letra morta da Lei de Bases do Sistema Educativo (uma espécie de Constituição para a Educação), o que, na ausência de um tribunal constitucional para o sector, permitiu todo o tipo de barbaridades. E, quando atribuo a Nuno Crato esta capacidade falo do centro da Escola, da sala de aula, dos conteúdos, daquilo que é suposto os alunos aprenderem.

Com a mudança de governo chegou um Ministro com um perfil surpreendente – um jovem cientista que passou uma parte importante da sua vida fora do país e de quem, em boa verdade, nunca se ouviu ou leu, uma linha sobre Educação. Nos primeiros dias manteve um silêncio que se mostrou prudente e, há uns dias, quando falou, na Comissão Parlamentar, revelou uma surpreendente capacidade política que é, em boa verdade, aquilo que se exige a um Ministro – ser político.

Mas, o primeiro momento verdadeiramente político aconteceu com a comunicação às escolas da proposta de alteração na avaliação do ensino básico – repito o que antes escrevi: é um texto que subscrevo integralmente e, nem sequer sou muito sensível aos argumentos de quem diz que a mudança, a acontecer, deveria coincidir com um ano lectivo. Levar essa regra ao extremo impediria o Ministério da Educação de trabalhar de setembro a julho e, em boa verdade, errado seria obrigar alunos a fazer uma prova que está completamente desajustada.

Tiago Rodrigues tem em mãos uma tarefa ingrata. Até Nuno Crato houve um acordo não escrito entre o PS e o PSD para gerir as grandes questões da Educação, nomeadamente ao nível curricular – foi havendo uma linha condutora que Nuno Crato, de forma radical, quebrou. O novo Ministro tem, por isso, muito onde mexer: [Read more…]

O admirável novo tempo da Educação

Santana Castilho*

Ao divulgar o “Modelo Integrado de Avaliação Externa das Aprendizagens no Ensino Básico”, o ministro da Educação deu o seu contributo para a balbúrdia em que se transformou o “novo tempo” em matéria de Educação. Desmentiu a resposta que, na AR, António Costa havia dado a Paulo Portas, sobre os exames nacionais do ensino básico. Mas nessa resposta, António Costa também havia desmentido afirmações de Tiago Brandão e havia mostrado que não fazia a mínima ideia do que dizia o programa do seu próprio Governo sobre o tema. A estes insólitos já se acrescentava essoutro de, por duas vezes, os deputados do PS terem votado em massa contra o programa do Governo PS (PACC e abolição do exame do 4º ano). Por outro lado, o modelo divulgado assume-se, contraditoriamente, proposta e decisão. E fala de ter ouvido actores que garantem que não foram ouvidos. O caso mais relevante é o do Conselho Nacional de Educação, que não foi ouvido e que, na mesma altura, tornou público um parecer que se opõe ao que o ministro decidiu. Parecer esse que é tanto mais relevante quanto é certo que foi aprovado por uma enorme maioria de conselheiros (4 votos contra, em cerca de 50). Para cúmulo, dos três projectos de lei sobre a matéria, pendentes na AR, um (fim do exame do 9º ano) poderá, ainda, invalidar parte importante da decisão de Tiago Rodrigues.

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Exames ou provas de aferição?

publico3O debate está aí e, pela primeira vez em muitos anos, fala-se de Educação e não dos custos da Educação. Fala-se dos alunos e do que eles devem ou não fazer e não dos Professores. E, esse mérito é do contexto social que hoje se vive, onde todos podem respirar melhor.

Depois de terem passado algumas horas da divulgação da proposta do Ministério da Educação, parece-me que a crítica mais consensual é sobre o modo e não tanto pelo conteúdo.

O Paulo, num texto que subscrevo, refere que “Não me parece aceitável sem forte crítica a alteração de regras no início do 2º período de um ano lectivo que foi planificado (tal como o próprio ciclo) há meses para ter provas finais no 6º ano“. Argumento também apresentado no editorial do Público: “Medidas avulsas não resolvem crise alguma. Tinha que ser assim? Não, não tinha.”

Há no entanto, um argumento que me parece válido – agora, só temos que dar aulas, fazer o nosso trabalho e ignorar a preparação para um alien pedagógico. Portanto, não muda assim tanto. Segunda-feira, lá estarei para continuar a matematicar com os putos do 6º, agora sem exame. [Read more…]

Avaliação dos alunos

Tiago Brandão Rodrigues acaba de fazer chegar às escolas um documento – modelointegradoavaliacao – que é verdadeiramente espantoso. E, escrevo, pela positiva, pois claro.

Há de facto um tempo diferente, há alguém que é verdadeiramente Ministro da EDUCAÇÃO e não apenas um secretário do Ministro das Finanças e com uma visão salazarenta da escola. A Avaliação serve para melhorar as aprendizagens e não para encostar a um canto (cursos vocacionais) alguns alunos. Feliz por este sinal.