Liberalismo subsídio-dependente

Privado

Num blogue onde estou rodeado de especialistas no assunto como o Ricardo Santos Pinto, o António Fernando Nabais, o João Paulo ou o J. Norberto Pires, pouco haverá a acrescentar sobre os problemas que o sector enfrenta nestes dias de tensão entre esquerda e direita, público e privado. Prefiro ler o que estes experientes professores têm para partilhar.

Contudo, há uma parte neste conflito que nada tem que ver com Educação. Um conflito ideológico. De um lado a esquerda, que defende a escola pública e a diminuição de apoios a instituições privadas de ensino, do outro a direita, que podendo privatizaria tudo, da pré-primária às universidades públicas, e que defende o financiamento – aumentou-o enquanto governou – de escolas privadas. [Read more…]

Colégios privados habituados à mama

Lembram-se da trupe que anda sempre a reclamar por menos Estado? Menos dinheiro dos contribuintes, como costumam dizer, para isto e para aquilo?

Esqueçam.

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O direito de escolha

também se aplica à escolha de habitação? Eu queria ter um cantinho na Quinta da Marinha. Será que a Igreja luta comigo por esse direito?

O contrato de associação do Colégio Paulo VI em Gondomar

Este post já tem 5 anos, mas dado que a Caranguejola aproveitou o assunto para dar os primeiros sinas de vida, parece-me fazer todo o sentido a sua republicação.

O post do João José Cardoso sobre a manifestação das escolas privadas em Lisboa fez-me querer saber quais são as 93 escolas que têm contratos de associação no país. Aqui estão elas.

Reparei que uma das escolas que mantém contrato de associação é o Colégio Paulo VI, em Gondomar. Estamos em presença de um bom colégio, mas não é isso que está em causa.

Porque o que está em causa é o seguinte: é um colégio que não cumpre o principal requisito das escolas com contrato de associação – oferecer educação gratuita a uma região que não dispõe de oferta pública. É que, em redor do Paulo VI, a menos de 1 ou 2 km, existe uma extensa rede de escolas públicas, todas com capacidade para albergar mais alunos. No total, são 47 escolas primárias (1.º Ciclo), 7 escolas E B 2 3 (2.º e 3.º Ciclos) e 4 Escolas Secundárias – Gondomar, Rio Tinto, S. Pedro da Cova e Valbom. São números que respeitam apenas à cidade de Gondomar e às freguesias limítrofes e que não contabilizam, por isso, as freguesias mais afastadas da freguesia-sede, como Jovim, Foz do Sousa ou Melres.
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Um amplo debate entre os países lusófonos?

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© FRANCISCO LEONG/AFP (http://bit.ly/1ZyvyKi) | http://bit.ly/1TAFD4R

Exactamente porque está transformado numa questão política e não naquilo que deveria ser: uma questão linguística. E educativa, já agora.

António Fernando Nabais

***

Hoje, no Diário de Notícias, durante uma entrevista ao excelente António Fernando Nabais, o jornalista Pedro Sousa Tavares fez o seguinte comentário:

Afinal, houve um amplo debate entre os países lusófonos…

Na página Acordo Ortográfico Não!, Francisco Belard reagiu:

Faltou corrigir o jornalista quando, no final, disse que “houve um amplo debate entre os países lusófonos”».

Efectivamente, ainda ontem, recordei que, «neste contexto, “reabrir o debate” não será a opção mais feliz, pois existe um prefixo a mais. Salvo iniciativas pontuais (uns colóquios aqui, umas audições ali, umas audiências acolá), o debate sobre o AO90 nunca foi aberto, por isso, é um erro mencionar-se uma reabertura».

Para terminar este pequeno texto, gostaria de saudar o Diário de Notícias pela escolha do entrevistado. Excelente!

Pro memoria, eis a entrevista, numa versão em português europeu:

“Está instalado o caos ortográfico”
Entrevista
Diário de Notícias, 09 DE MAIO DE 2016
Pedro Sousa Tavares

Um dos grandes críticos do Acordo, António Fernando Nabais, diz que as declarações do Presidente são um sinal de esperança [Read more…]

A falta de vergonha

Miguel Torga citado na inauguração do Túnel do Marão. A falta de vergonha institucionalizada.Nada que  surpreenda.

Contratos de associação: informação

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Entrevista de ontem da Secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, à TVI. Absolutamente esclarecedora, a colocar os assuntos sem margem para nenhuma dúvida. Esta é provavelmente a melhor Secretária de Estado da Educação das últimas dezenas de anos. Muito bem!

 

“Eu é que escolho”. E quem é que paga?

No princípio do verão de 1987, o meu pai chegou a casa com uma indicação de agenda, para uma tarde na Associação da Moita do Boi. Constava que deixaria de haver transporte para a escola da Guia,  transformada em C+S depois do 25 de Abril, antigo externato privado. Além disso, estava a nascer no Louriçal “um colégio novo” – que oferecia transporte, claro – e um dos sócios dispusera-se a explicar, detalhadamente, a cada família, o projecto no seu todo. Lá fomos. Nunca me esquecerei da imagem de António Calvete, à época rapaz de sub-30, camisa e calça de ganga, sapatilhas, óculos redondos e olhar certeiro. Estava sentado sozinho, numa mesa ao cimo daquele salão de baile. Falava pausadamente, discurso estudado e fluente, abusava da bengala de linguagem “no fundo”, e no fundo eu sabia que de pouco adiantava dizer ao meu pai que não queria estudar no Louriçal, que ninguém queria passar os dias na vila, que vivia há anos na sombra do foral manuelino e do convento, mais o mercado ao domingo. Estava escrito nas estrelas, e lá fui, meses depois, para o primeiro 9º ano da vida do Instituto D. João V: 300 pessoas ao todo, entre alunos, funcionários e professores. 50 professores. A nata da nata que havia em Pombal e Figueira da Foz.
Naqueles primeiros tempos da escola fomos todos muito felizes. [Read more…]

Escola Pública e Escola Privada? Sim. Claro! PPP na Educação? Não

O título diz tudo e mostra, de forma clara, que não há qualquer PRÉ-conceito nesta discussão. E, o único estudo realizado sobre esta questão prova que o problema é a vontade de alguns ganharem dinheiro à custa de todos nós. Vejamos esta citação no único estudo realizado sobre o assunto:

– Sobre o Colégio de Lamas (Santa Maria da Feira): “a interferência deste estabelecimento (na rede pública) é mais evidente.” (página 65).

Ou seja, o Colégio de Lamas está a retirar alunos que têm lugar nas Escolas Públicas. Ninguém está a impedir alguém de escolher a Escola dos seus filhos. Escolhe, paga.

Se em Gondomar, a Escola Secundária tiver lugar para os alunos do secundário, porque é que temos de pagar o seu acesso ao Paulo VI?

E, em Gaia, se escolas como a António Sérgio ou a Inês de Castro têm condições para receber mais alunos, porque é que estes são financiados para andar no Colégio de Gaia?

Dirão que a oferta formativa desses colégios é diversa da disponível nas Escolas Públicas e que isso justificará a opção dos alunos. Estou de acordo com esse argumento. Mas, pergunto: a Escola Secundária dos Carvalhos tem as mesmas possibilidades para escolher os seus cursos como faz o Colégio dos Carvalhos? Não. Não tem. Pelo menos, não tem tido: os Colégios sabem primeiro os cursos que vão ter e podem, por isso “preencher” as necessidades formativas da população.

E, como já uma vez aqui escrevi: comparem, por favor, o número de alunos com Necessidades Educativas Especiais, das Escolas Públicas e de alguns “falsos Privados”.

Mas, reitero uma outra ideia: o ME está apenas a verificar se a Lei está a ser cumprida. Todas as turmas que começaram um ciclo vão poder continuar até ao fim desse ciclo. Não há autorização para abrir novas turmas. Isto é cumprir a lei e todos o sabem.

Além disso, cada um dos colégios tem uma área de influência. Deve cumprir-se a lei – os alunos financiados devem ser dessa área de influência.

Quanto aos Privados, nada a referir. Continuem a fazer o trabalho que têm feito.

Nota adicionar: Intervenção do Deputado Porfírio Silva no Parlamento (Vídeo)

Contratos de associação: informação

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Intervenção muito clara, muito bem fundamentada, e tecnicamente muito competente da Secretária de Estado da Educação (Alexandra Leitão) sobre Contratos de Associação, no dia 19 de Abril na Comissão de Educação da Assembleia da República. Ver a partir do minuto 25:00.

Mais claro não é possível.

Pergunta: não passou na comunicação-social “main stream” porquê? É inaceitável que muitos pensem que o debate se faz sem esclarecimento e sem ouvir todos os argumentos.

 

 

Deve o Estado financiar as escolas particulares?

Santana Castilho *

1. A retoma do discurso sobre a liberdade de aprender e ensinar, para combater a recente decisão do ministro da Educação sobre o financiamento do ensino privado, obriga-me, também, a retomar o que repetidas vezes aqui tenho escrito. Porque não é essa liberdade que está em causa, mas sim saber se deve o Estado financiar as escolas particulares, cuja criação e funcionamento são livres, como mostra a circunstância de 20% da rede de escolas do país ser privada.

Esta falsa questão é uma subtileza para fazer implodir o princípio da responsabilidade pública no que toca ao ensino porque, constitucionalmente, a escola pública é uma obrigação do Estado, enquanto a privada é uma liberdade dos particulares.

É manifesto que muitos “contratos de associação” só se têm mantido por cedência dos governos à pressão do lobby do ensino privado. É manifesto que só devem persistir os que correspondam a falhas da rede pública, se é que ainda existem. É isso que faz o Despacho Normativo 1 H/2016, que respeita integralmente a lei e os compromissos anteriormente assumidos, sem interrupção de ciclos lectivos iniciados e sem sequer impedir que outros se iniciem, desde que necessários. Posto isto, apenas lamento a inabilidade e a imaturidade política com que o problema foi tratado. A triste cena da Mealhada não augura futuro fácil.

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Nenhum contrato será rasgado, mas a teta fechou

Já muita coisa foi dita e o Norberto, em especial, mostrou de forma muito rigorosa, o que está em causa. Eu sou mais afectivo e não resisto a insultar estes mamões. É assim que o povo os trata. Vejamos o seguinte: nos últimos anos, com a TROIKA, o investimento em Educação baixou para níveis do terceiro mundo. Houve uma redução de MUITOS e muitos milhões na Educação e boa parte desse roubo é hoje sentido pelos alunos, nomeadamente, com os contentores de canalha dentro de cada sala de aula.

O despedimento de docentes foi a “maior” arma que Nuno Crato usou para baixar a conta e por isso os Professores da Escola Pública passaram de quase 150 mil, para menos de 100 mil. Uma redução incomparavelmente maior que a dos alunos, isto é, a natalidade foi um excelente pretexto, mas não foi a principal causa para o despedimento colectivo de que os Professores foram alvo.

Portanto, o argumento de que as alterações no financiamento da Educação privada vão provocar despedimentos, é um argumento falso, porque haverá, na Escola Pública, necessidade de contratar mais gente para receber esses novos alunos. Os alunos deixam de ser pagos pelos meus impostos, no colégio e passam para a Escola Pública que também é paga com os meus impostos. Não morrem, não desaparecem. [Read more…]

OE2016 – Educação

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Sabiam qual foi a redução do Orçamento de Educação no OE2016? -82 milhões de euros

Sabiam que, apesar disso, o orçamento com o Ensino Particular e Cooperativo subiu? Com o OE2016 o aumento foi de 6% (14 milhões de euros), explicado com compromissos com contratos de associação.

Ou seja, aperta-se no Ensino Público (menos 82 milhões de euros) e aumenta-se no privado (mais 14 milhões de euros). De onde vem o dinheiro? Dos impostos de todos os Portugueses.

Texto do relatório – página 181 (ver Relatório (Substituído em 11-02-2016)): http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=40061

Os debates fazem-se mostrando a realidade, colocando a informação em cima da mesa e deixando que todos sejam informados de forma isenta. Depois, com a informação, os contribuintes, que são quem paga todo este desnorte, devem decidir o que querem.

É altura de ver isto com olhos de ver.

Números em cima da mesa, análise da rede escolar, análise da sobreposição e decisão racional e com bom-senso.

Cortinas de fumo, não!

Sobre os Contratos de Associação

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Os contratos de associação entre o Estado e os estabelecimentos de ensino particular e cooperativo estão previstos no Decreto Lei 152/2013, de 4 de Novembro, que define o Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo. A saber:

  • São uma das modalidades de contratação prevista no nº1 do artigo 9º;
  • Os princípios gerais de contratação e obrigações das entidades beneficiárias estão previstos no artigo 10º e 11º;
  • Os princípios específicos dos contratos de associação e obrigações das entidades beneficiárias estão definidos nos artigos 16º, 17º e 18º, os quais constituem a Subsecção III do referido DL 152/2013.

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Fazer o Secundário para aprender a escrever requerimentos

1087 Deslocacoes automovel proprioA Educação, em Portugal, continua a ser palco de lutas feudais, o que inviabiliza a existência de pactos, de consensos ou, no mínimo,  de um debate sério.

A instabilidade no sistema de ensino é crónica, sendo ainda pior no âmbito da disciplina de Português, continuamente sujeita a alterações curriculares, terminológicas e ortográficas a um ritmo tal que irmãos com pouca diferença de idade não podem, por exemplo, partilhar o mesmo manual. Mais absurdo ainda: muitos alunos aprenderam duas terminologias gramaticais e duas ortografias ao longo do seu percurso escolar. [Read more…]

A escola ioiô

IoioUm dia, num futuro muito distante, haverá um ministro da Educação que, entre outras coisas, saberá, finalmente, o que é um ano lectivo. Trata-se de um conceito aparentemente de fácil apreensão, excepto se se for ministro da Educação.

Esse ministro ainda ideal, se tivesse tomado posse, por exemplo, em Novembro de 2015, iria ter o cuidado de não alterar o calendário de provas já estabelecido, dando início à preparação do ano lectivo seguinte, procurando demonstrar as razões que poderiam levar à manutenção ou à supressão de provas finais.

Um ministro prudente, desses que o futuro nos há-de trazer, não iria, para cúmulo, impor a realização de provas de aferição depois de o ano lectivo (ó expressão irritante!) já estar a decorrer. É claro que esse mesmo ministro, necessariamente sensato, depois de impor provas de aferição, não poderia, passados alguns meses, anunciar que, afinal, as provas anteriormente impostas passariam a ser facultativas durante o ano lectivo em curso. Por outro lado, esse ministro por vir não obrigaria as escolas a explicar por que razões optariam por não realizar provas cuja realização era exactamente facultativa, ao mesmo tempo que não lhe passaria pela cabeça declarar que, apesar de serem facultativas, preferiria que se realizassem. [Read more…]

O tédio dos alunos

calvinchatice5rmOntem, foi publicada uma reportagem com o título «Para que a escola não seja uma “catedral do tédio” é preciso que os alunos contem».

O ponto de partida é um estudo internacional da Organização Mundial de Saúde sobre a adolescência. Em Portugal, e citando o Público, «apenas 25% dos alunos portugueses com 15 anos disseram que gostavam muito da escola. Mais concretamente, põem em causa as aulas, que consideram aborrecidas, e a matéria que ali é dada, descrita por eles como sendo excessiva.»

O Público pediu a opinião de seis jovens que integraram o projecto Dream Teens e consultou, ainda,  Ilídia Cabral, docente da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, para além de dois professores, Ricardo Montes, autor do ProfLusos, e Luísa Mantas, antiga mediadora do EPIS.

Em resumo, as aulas, em Portugal, são aborrecidas e os alunos deveriam ter uma palavra (eventualmente a mais importante ou mesmo a única) sobre, por exemplo, o currículo. Para cúmulo, segundo parece, os professores portugueses ainda não descobriram as novas tecnologias e não aprenderam a lidar com os “nativos digitais”, continuando, portanto, a leccionar a uma grande distância do século XXI. [Read more…]

Cabrões

“Um rebanho, como se sabe, é composto por gente sem voz própria e de índole mais ou menos débil. É um facto comprovado, aliás, que, em tempos de confusão, o rebanho prefere a servidão à desordem.
Daí que aqueles que agem como cabras não tenham líderes, mas cabrões.”
– Mario Vargas Lhosa – Prémio Nobel da Literatura 2010

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O Paulo lançou a ideia num texto publicado há uns dias no Público:

A Educação low cost é o grande pacto educativo nacional para o século XXI, unindo todos aqueles que defendem a existência de serviços públicos esqueléticos com lógicas de “racionalidade financeira”, proporcionados apenas aos que neles ainda confiam ou que deles não podem escapar, apenas variando os ritmos e matizes da implementação das medidas

Os números, de facto, mostram que há um fundo de verdade nesta afirmação, embora, o que pareça igual, nem sempre o é. Mas, no essencial concordo.

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Os dados são públicos e mostram que a despesa em Educação baixou na ditadura de Crato para níveis de 1992. E, uma análise per capita não deixa os últimos anos em melhor estado: [Read more…]

PPP na Educação? Não obrigado!

A história é simples de contar: Nuno Crato, o destruidor, tinha um objectivo claro – tornar a Escola Pública uma escola menor, para o povo e, ao mesmo tempo, permitir ao privado absorver parte dos alunos (e dos fundos) que, em boa verdade seriam da Escola Pública.

E, antes de sair, deixou o terreno armadilhado: assinou um contrato com os privados para três anos, permitindo assim que o dinheiro público continue a correr para os bolsos de alguém.

Não pretendo colocar em causa a existência do Ensino Privado, seja ele confessional ou não. Quem quiser (e poder) colocar o filho no privado, força. Nada contra. Tudo a favor.

Agora, fazer de conta que é privado às custas dos meus impostos é que não. Colégio de Gaia, Colégio dos Carvalhos e Colégio Paulo VI são exemplo, na área do Grande Porto, de colégios que tiram alunos às Escolas Públicas e que são fortemente financiados por dinheiro  público. Sim, isso mesmo: o estado tem duas despesas –  a das Escolas Públicas que podiam ter esses alunos e a desses colégios.

E a situação é tão absurda que esses colégios (falsos privados) têm autorização para abrir alguns cursos que as públicas, da mesma área, não têm. Quem autoriza? O Ministério da Educação.

O cenário está bem montado e remete para as SCUT’s: se passo de carro pago. Se  não passo, pago pelos impostos. Muito simples.

Ora, nos últimos dias, o ME publicou um pequeno detalhe num Despacho Normativo: [Read more…]

De um “conservador” para um ignorante

Santana Castilho*

1.O ministro da Educação afirmou que a sua política é “progressista” e que quem a critica “apresenta uma visão conservadora do país”. Crítico que sou da política em análise, Tiago Brandão Rodrigues chamou-me conservador. É altura de lhe dizer que é ignorante.

Porque só um ignorante da complexidade do insucesso julga que o combate com fornadas de formação para os professores. Estou a referir-me às indizíveis acções que acabaram de ter lugar em Évora, Leiria e Braga. Em golpe de mão, onde a surpresa e a rapidez da convocatória nem permitiram a muitos saber ao que iam, arregimentaram-se professores para ouvirem em dois dias (no primeiro, das 09.30 à meia-noite), fechados num hotel, as mais finas tretas de um “eduquês” que agora será reproduzido “em cascata”, primeiro para directores, coordenadores de directores de turma e coordenadores de 1º ciclo (numa imposta maratona até Junho) e, posteriormente, para todos os professores. Aos que preferiam ver-me como o patinho sentado da história que o ministro mandou contar às escolas, e se apressarão a decretar o exagero do meu sarcasmo, deixo um naco da prosa que extraí dos respectivos documentos de apoio:

«Se as organizações fossem vistas como jardins, os líderes não poderíam mandar que crescessem. Teríam que enfrentar as impredictibilidades, os fatores ambientais, trabalho em equipa e fatores de risco que normalmente se caracterizam quando se pensa em desenvolver algo. Os líderes só podem promover o desenvolvimento ao “reorganizar as condições e as estruturas”… Para os jardins, estas condições são o sol, humidade, solo, nutrientes e temperatura; para as escolas são o tempo, espaço, materiais, incentivos, formação, colegialidade, respeito, confiança e recursos humanos»

(Os erros ortográficos, mesmo o do verbo ter, estão no documento consultado).

Se os leitores quiserem mais, acedam à indigência dos PowerPoint usados. Encontrarão, por exemplo, um slide piroso com um gatinho amarelo frente a um espelho, que lhe devolve a imagem de um leão de farta juba. Ao lado, a mensagem profética que vai resolver o insucesso:

Os professores com altas expectativas dos seus alunos transmitem essa atitude (intencionalmente ou não) e em geral estes estudantes obtêm melhores resultados do que os dos professores cujas expectativas são baixas”.

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Celebrar a Europa

Filhos e Pais, juntos, em Palco. Para celebrar a Europa.

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Dia 30 de abril no Europarque. Rigorosamente a não perder (vídeo).

Mais é sempre menos

Discutir Educação é sempre uma causa tão apaixonante que, muitas vezes se torna numa espécie de Benfica – Sporting. Com mais ou menos Ciências da Educação todos percebem que são múltiplas as condicionantes do sucesso dos alunos, isto é, há uma imensidão de variáveis que interferem na forma como os alunos aprendem. Claro que também há muitas condicionantes nos processos como os Professores ensinam o que, acaba sempre por condicionar também os alunos.

Nos últimos dias temos vindo a discutir a questão do número de alunos por turma. O Conselho Nacional de Educação publicou um estudo com alguns dados sobre o assunto: no 1º ciclo as turmas têm em média 20,7 alunos, sendo que, destas, 32% têm mais que um ano dentro da sala. Sim, isso mesmo – dentro da sala estão, por exemplo, alunos do 1º e do 4º anos. No 2º ciclo (5º e 6º) o número média é de 22,1 e 22,4 no 3º ciclo (7º, 8º e 9º).

A 14 de abril último, o Ministério da Educação publicou um Despacho Normativo que vem regular esta matéria para o próximo ano lectivo. E, infelizmente, deixa tudo na mesma, para não dizer pior. [Read more…]

Eu é que sou o presidente da junta

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Manuel Machado é Presidente da Câmara de Coimbra, a auto-intitulada cidade do “conhecimento”.

Número de alunos por turma? Depois vemos isso!

GroeningCartoonNos últimos dez a quinze anos, várias vozes – com uma desfaçatez cada vez maior – têm defendido que a qualidade dos professores é o principal (ou o único) factor de que depende o sucesso dos alunos (mesmo que não haja sequer a preocupação de se saber exactamente o que é o “sucesso dos alunos”).

Na realidade, a repetição dessa ladainha tem servido para justificar várias medidas que deveriam escandalizar qualquer cidadão que se preocupe verdadeiramente com a educação dos jovens.

Colocar quase exclusivamente a responsabilidade do sucesso dos alunos no desempenho dos professores serve, antes de mais, para esconder a importância de muitos outros agentes sociais e individuais (entidades oficiais, meio socioeconómico, encarregados de educação, etc.). A própria interpretação dos rankings torna-se, deste modo, muito mais fácil, permitindo aos simplistas de serviço falar, com a descontracção dos ignorantes, em “escolas melhores” e “escolas piores”. [Read more…]

Bofetadas na gramática

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Sobre as bofetadas prometidas pelo Ministro João Soares a pessoas que o criticam, acho triste, mas nada tenho a dizer. É fogo de vista. Mas tenho a lamentar que o Ministro da Cultura de Portugal não tenha cuidado com o que escreve em público. Assinalei no seu pequeno texto 4 palavras: “cuzar”, “estória”, “Publico” e “calunias”. Arrisco dizer, e de ficar na lista das bofetadas prometidas, que é um bocadinho demais para o Ministro da Cultura. Certo?

 

Intenções, palavras gastas, folclore

Santana Castilho*

Na penúltima semana de Março, o Governo falou ao povo. A 24, Tiago Rodrigues deu-nos a conhecer o resultado de um Conselho de Ministros dedicado à Educação. São cinco as epígrafes que sintetizam outras tantas políticas definidoras do rumo para a legislatura:
1. “Sucesso escolar”, com o anúncio de mais um Programa Nacional (este não é “integrado”) visando envolver toda a gente, menos, significativamente, os alunos e recuperando os mais gastos e vulgares lugares comuns sobre a matéria.
2. “Orçamento participativo”, isto é, demagogia primária e gongorismo cívico, que consistirá em atribuir, no dia do estudante do próximo ano (desta feita Marcelo não poderá invocar falta de previsibilidade), aos alunos do Secundário e do último ciclo do Básico, uma verba adicional, que será gasta segundo decisão deles, em prol da escola, entenda-se.
3. “Formação de adultos”, ou seja mais um programa, este “integrado”, como manda o prontuário de serviço, que recupera e elogia as Novas Oportunidades, de má memória (adiante fundamentarei).
4. “Educação inclusiva”, decidindo-se nesta sede a criação de um grupo de trabalho para reorganizar leis (como se o problema não fosse cumpri-las) e juntar aos diplomas dos graus não superiores um suplemento que ateste o que os titulares fizeram em contexto extra-curricular (admitindo eu que torneios de caricas não sejam elegíveis).
5. “Parcerias”. Sim, parcerias. Uma com o Ministério da Saúde, para habilitar os alunos do 10º ano com competências em Suporte Básico de Vida. A outra, com o Ministério da Economia, a cargo de estudantes do Ensino Artístico, tratará da “animação turística” das ruas das nossas cidades.
Aos que achem que estou a ser sarcástico em excesso, peço que leiam o documento com que o ministro comunicou com o país. Confiram a linguagem redonda, as formulações gastas, a pobreza de frases sem sentido. Reparem nesta, que explica o Programa Integrado de Educação e Formação de Adultos (PIEFA): [Read more…]

Doutores e competitividade

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O Governo divulgou números sobre doutorados em Portugal. Existem quase 25000 doutorados, mas somente 977 estão a trabalhar na indústria (4%). A esmagadora maioria está em instituições de ensino superior (78%), 7% no Estado, 5% noutras entidades, 4% inativos e 2% desempregados. Estes números mostram que há mais doutorados inativos e desempregados do que a trabalhar na indústria, o que é representativo. Mas bem mais significativo é o facto de o PT2020 ter aberto concursos para a contratação de doutorados, nos quais suportava 50% dos custos de contratação em salários e segurança-social. No primeiro concurso, somente 20 empresas apresentaram candidatura 🙁

Há muito a fazer para que Portugal acredite e aposte naquilo que é capaz de fazer e foi capaz de desenvolver.

 

A palhaçada

Santana Castilho*

Segundo a Rádio Renascença, o diploma que instituía o modelo integrado de avaliação externa das aprendizagens no Ensino Básico poderia ser vetado. Para o evitar, Governo e presidência da República, leia-se Tiago Rodrigues e Isabel Alçada, terão negociado um regime transitório, que assenta na não obrigatoriedade das provas de aferição e na possibilidade de ressuscitar os exames dos 4º e 6ºanos, ainda que sem contarem para classificação.

O que de mais generoso me ocorre para qualificar este quadro cobarde, gerador de confusão e instabilidade, caracterizado por três modelos de avaliação num mesmo ano lectivo, três, é que se trata de uma deriva de irresponsáveis. A ser verdade o que disse a Renascença, como pode ter passado pela cabeça do Presidente da República vetar um diploma que, por mais sem sentido que fosse (e era) não feria nenhuma disposição da Constituição e leis correlatas? Como entender que Marcelo presidente passe a vetar normativos de governo, porque Marcelo, comentador, os criticou?

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Como se faz uma escola?

6a00e54f8422f488330120a67f5ca3970c-800wiApesar de o ponto de partida poder induzir em erro, a reportagem sobre a Escola Básica 123 do Curral das Freiras deve ser lida com muita atenção, porque proporciona ensinamentos acerca do modo como as escolas se devem organizar para ajudar os alunos provenientes de meios desfavorecidos. Proporciona ensinamentos a quem queira aprender, entenda-se.

Explico-me, antes de mais, acerca do ponto de partida: a reportagem só acontece por causa dos resultados dos exames, insistindo, portanto, na ideia de que estes servem para avaliar a qualidade do trabalho das escolas (o próprio título da peça é indicador desse tique: “Escola da vila mais pobre da Madeira é uma das melhores do país”). [Read more…]