"A Escola Para o Meu Filho Sou Eu Que A Escolho" – 3

Externato Infante D. Henrique, Ruílhe – Braga – a educar e a formar cidadãos desde 1968.

agrupamentos escolares

a melhor política educativa do Governo de Sócrates

Continuação do meu artigo intitulado Senhor Primeiro-Ministro publicado em 23 de Junho último, em http://www.aventar.eu/ e enviada directamente a Dom Francisco Botelho

Transferir-se de um país para outro, nem simples nem fácil. Sim Senhor, bem sei que falta o verbo na frase anterior, mas está escrito propositadamente. É uma frase de final de decisão. Na Grã-Bretanha não tinha mais nada a fazer, excepto educar as minhas catraias, que estavam já educadas. E caso fosse necessário, bastava apenas apanhar um avião e resolver os problemas, como fiz, ou trazê-las para Portugal, como também fiz. A vida debruçava-se entre dois pontos. Dois pontos diferentes entre si. Como tenho reiteradamente dito, no Reino Unido estava tudo feito na vida escolar e académica, em Portugal tudo estava para ser feito. Pareceu-me que era o meu destino, ficar em Portugal. O que acabou por acontecer até ao dia de hoje. [Read more…]

Senhor Primeiro Ministro

política do PS sobre educação

Senhor Primeiro Ministro. Com respeito mas com firmeza

A frase que intitula este texto acabou por ser famosa quando escrevi uma carta aberta à anterior Ministra da Educação. Era minha para ela. Mas, desta vez, a frase continua a ser minha para ser usada por si.

É sabido que governa em minoria e de todo não tem tido nenhuma ideia sábia na nomeação dos ministros do Ministério da Educação. O que aconteceu que a anterior ministra, já é parte da História, nem vale a pena lembrar mais, está em todos os blogues, sítios da Internet, da nossa curta cadeia de comunicação. Era mais fácil e rápido telefonar e dizer-lhe as minhas palavras. No entanto, a palavra escrita perdura, enquanto as faladas as leva o vento, ou são manipuladas ou esquecidas. O respeito e a firmeza não são palavras minhas para si. É uma frase para o Senhor Primeiro-Ministro nunca esquecer: respeito pelos seus eleitores e firmeza nas suas decisões. [Read more…]

Novas Oportunidades – depressa e bem afinal há quem

Estudo defende que Novas Oportunidades estão a trazer mais saber para as famílias

Numa sociedade que se pretende solidária, considero absolutamente justo que se procure dar sempre novas oportunidades a quem as não teve. Quem, por alguma razão, não pôde ou não quis estudar deve ser sempre incentivado a regressar, deve ter outras oportunidades de compensar o que não conseguiu alcançar. Tudo isso deve ser feito com base em, pelo menos, três pressupostos: deve ser um processo rigoroso, deve basear-se na vontade de aprender e deve ser facilitado pela legislação laboral. Qualquer diploma comprovativo de habilitações só terá significado real se for uma consequência disso.

Recentemente, foi apresentado um estudo em que se chega a várias conclusões acerca do programa Novas Oportunidades. A coordenadora estudo é Lucília Salgado, professora da Escola Superior de Educação de Coimbra. A autora já havia participado no Fórum Novas Fronteiras, organizado pelo PS, para além de ter estado presente no “Seminário Iniciativa Novas Oportunidades: Primeiros Estudos da Avaliação Externa”. [Read more…]

"A Escola Para o Meu Filho Sou Eu Que A Escolho" – 2

Externato Infante D. Henrique, Ruílhe – Braga – a educar e a formar cidadãos desde 1968.

"A Escola Para o Meu Filho Sou Eu Que A Escolho" – 1

Externato Infante D. Henrique, Ruílhe – Braga – a educar e a formar cidadãos desde 1968.

A Minha Escola Tem Um Site Novo

A minha escola faz serviço público de qualidade há 42 anos e tem agora  um site novo; algumas pessoas neste país ainda acreditam que é competência do Presidente da República vigiar e fazer cumprir a Constituição.

Metas na Educação – que dizem sindicatos e esquerda ao zurrar do educonomês?

As escolas continuam sob bombardeamento, com ameaças como a do corte do desporto escolar, por exemplo. Uma das bombas mais recentes caiu sob a forma da obrigatoriedade de definir quantitativamente metas, de acordo com esta emanação pestilenta do educonomês, a nova linguagem que domina a Educação e que consegue juntar o pior do eduquês ao mais horrível do economês, sempre em prejuízo dos alunos. Para os que vivem afastados do mundo do ensino, fiquem a saber que, graças ao Programa Educação 2015, as escolas são obrigadas a definir, até 2015, e por ano lectivo, a percentagem de sucesso a alcançar nos exames nacionais ou as taxas de abandono, por exemplo. [Read more…]

o sucesso do professor

a sabedoria do professor como docente não apenas teórico, o seu sucesso

Tem sido com muita atenção as estatísticas do nosso fundador, Ricardo Santos Pinto, quem me convidara como membro do grupo Aventar a de Carlos Fuentes, a de João José Cardoso, Dário Silva, Fernando Nabais e outras. A lista não é exaustiva, nem todos falam da temática, há outros que a ignoram. Para mim é um facto natural.

Normalmente fala-se do sucesso do estudante, de como dar aulas, a paciência para se confrontar em diálogo pessoas de idades diferentes, o saber explicar matérias abruptas, pesadas, com palavras simples. [Read more…]

Sem vaselina… e de saca-rolhas

Afinal, passo a passo, vai-se confirmando o post aqui publicado em Novembro último acerca das novas medidas planeadas pelo Governo para as escolas.
Aqui em baixo, o Arnaldo já deu o mote, anunciando que na sua escola as visitas de estudo foram todas canceladas. Hoje, o Jornal de Notícias refere que todos os projectos vão ser suspensos nas escolas. Inclui-se aqui o Desporto Escolar, os Clubes, as Tutorias e até as Aulas de Apoio.
Como se referia no já citado post de Novembro, a redução da componente lectiva dos docentes pelo exercício de muitos cargos intermédios vai reduzir-se ao mínimo e a escola a tempo inteiro passará a ser um mito.
Pelo meio, Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica já acabaram, os pares pedagógicos fazem parte do passado e Câmaras há, como a da Anadia, que estão a recusar continuar a assumir as AEC’s – Actividades de Enriquecimento Curricular.
De uma violência inaudita, este ataque à Escola Pública. Sem vaselina… mas com um saca-rolhas bem pontiagudo.

O Diário do Professor Arnaldo – O fim das Visitas de Estudo

Hoje, o meu Coordenador de Departamento avisou-me que todas as visitas de estudo previstas para o que resta do ano lectivo foram canceladas. Não há dinheiro no Agrupamento, logo não pode haver Visitas de Estudo que, pelo menos para os alunos mais necessitados, costumam ser pagas pela tesouraria da Escola.
No fundo, é uma medida que se compreende, embora não se goste dela. Não há dinheiro, não se pode fazer nada. Há que cortar em algum lado.
Só é pena que os ditos governantes de sucesso, aqueles que destruíram o país, estejam aí todos contentes e se preparem para um novo mandato na cadeira de Belém. Para que não haja dúvidas, era a esses que me referia no meu penúltimo post.

Na Escola, os Pais fazem a diferença

O estudo divulgado pelo Diário de Notícias de ontem (descoberto aqui) surge em contraponto a outro anunciado com muito mais pompa e circunstância e que mereceu algum debate no Aventar. Mais uma vez, nesta análise, terei como base apenas a notícia.

A autora do estudo, Teresa Guimarães, é investigadora da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, dado que nos é facultado pela notícia. Em síntese, procedeu à comparação entre dois grupos de 12 famílias carenciadas no Vale do Ave: num grupo, os alunos têm bons resultados, enquanto no outro há insucesso escolar. A investigadora conclui que a diferença, não estando nos rendimentos das famílias, está na atitude dos encarregados de educação relativamente ao percurso escolar dos filhos. Mesmo correndo o risco de abusar da auto-citação e de parecer que estou a brincar ao “eu já tinha dito isso”, a verdade é que já opinei sobre este assunto aqui, com uma base absolutamente empírica e sem pretensão de originalidade, mas com conclusões semelhantes. [Read more…]

o conteúdo do processo educativo

Para os candidatos ao Mestrado em Antropologia da Educação do ISCTE. 1ª Edição, 2003. E para Graça Dias

conteúdos de aprendizagem, o regimento humano

A quantidade de opiniões teóricas, o facto de combinar as teorias políticas, religiosas, as conveniências democráticas e as mudanças de governo, não permitem manter apenas uma teoria. Como defini recentemente, educar é introduzir a criança e os púberes dentro da heterogeneidade do saberes, deveres adequados à organização social, a simpatia dessa organização e a paz e alegria de viver em sociedade, apesar das diferenças em saberes, posses e ocupações. O conteúdo do processo educativo tem por objectivo ensinar a igualdade possível entre pessoas diferentes. É esta a preocupação dos membros do Aventar ao longo dos tempos.

Definir processo educativo, parece ser uma palavra, ou ideia, comum. Parece-me no entanto, ser um labirinto de teorias, opiniões e factos. Dediquei o meu tempo na pesquisa desse conteúdo (temática do meu texto publicado na Revista Educação, Sociedade Culturas, Nº1, em 1994). No entanto, ficou por referir uma ideia importante que, por hábito, não associamos ao processo educativo: a análise da catequese, quer em Portugal, quer noutros países que usam a teoria cristã para orientar a sua vida. [Read more…]

Ainda o sucesso dos alunos

A jornalista Bárbara Wong, autora da notícia aqui comentada, teve a paciência suficiente para responder à crítica/provocação que deixei no Educar em Português, de que é co-autora. Devo dizer que não li apenas a edição on-line.

Mantenho a crítica de falta de trabalho jornalístico, porque não é questão de somenos conhecer o currículo das autoras do estudo, entre outros aspectos. O texto limita-se a indicar em que Universidade trabalham. É pouco. O facto de Cláudia Sarrico ter feito parte do grupo de trabalho que preparou a avaliação externa das escolas não me deixa mais descansado, pelo que explicitarei a seguir

As escolas confrontam-se com vários problemas resultantes das ideias que circulam pelos meios políticos e universitários que presidem às políticas educativas. O pouco que conheço deste estudo leva-me a entrever duas dessas ideias: a imposição acrítica de conceitos vindos das áreas da gestão e da economia e, sobretudo, a diminuta influência da origem social nos resultados escolares. [Read more…]

Bom Fim-de-Semana

O sucesso dos alunos depende pouco do meio socioeconómico

Um estudo divulgado pelo Público de hoje defende que o meio socioeconómico de origem e a idade dos alunos têm um peso de 30% no sucesso escolar dos alunos, dependendo os restantes 70% do trabalho realizado nas escolas. O estudo é, ainda, realçado positivamente no editorial do jornal.

Seria interessante ler o estudo e perceber como se consegue alcançar os valores referidos. Não o conheço e não sei se virei a conhecer, mas há algumas coisas que me intrigam.

Em primeiro lugar, das quatro investigadoras apenas uma, Maria de Fátima Pinto, está ligada ao ensino não universitário. De resto, numa investigação apressada que poderá conter falhas, descobri que Cláudia Sarrico é Licenciada em Engenharia e Gestão Industrial, Margarida Cardoso é assistente do Instituto Abel Salazar nas áreas de Bioestatística e Epidemiologia e Maria João Pires é Licenciada em Engenharia Química. Não é impossível que estas três respeitáveis senhoras possam perceber imenso de Educação básica e secundária: Rómulo de Carvalho licenciou-se em Ciências Físico-Químicas e escreveu uma monumental História da Educação em Portugal, por exemplo. É claro que há o pormenor de ter sido professor do ensino liceal durante 40 anos.

Finalmente, parece-me muito pouco científica a terminologia que divide as escolas em quatro grupos: escolas de elite, à sombra da bananeira, que surpreendem e fatalistas. Não, não estou a brincar.

O Diário do Professor Arnaldo – Ainda o drama da fome nas escolas

No dia 19 de Novembro, escrevi o post A fome nas escolas, relativo a uma situação concreta de que tive conhecimento na minha escola e que envolvia alunos meus.
Nos últimos dias, o texto começou a espalhar-se por mail e por diversos blogues de grandes audiências, trazendo para primeiro plano um assunto que, no fundo, não tem nada de novo. Infelizmente, a fome das crianças portuguesas tem vindo a aumentar constantemente nos últimos anos, na mesma medida em que os lucros das grandes empresas tendem a aumentar.
E há em tudo isto uma questão que é decisiva: como seria se não fossem as escolas? Se não fossem as refeições providenciadas pelas escolas, muito para além daquela que é a sua obrigação legal, e muitas vezes envolvendo dinheiro dos professores, já teria havido crianças a morrer à fome.
Quanto ao caso que denunciei, só espero não ter perdido o rumo daquelas crianças. Nos Conselhos de Turma de Dezembro, ouvi uns zunzuns acerca da emigração da família para o estrangeiro. Não sei se é verdade, mas o certo é que o aluno faltou à única aula que tive com ele neste Período que está agora a começar. Também não seria novidade os pais partirem e deixarem os filhos ao cuidado de familiares. Sinceramente, não sei.
Seja como for, agradeço a todos os leitores e comentadores que manifestaram a sua preocupação e posso garantir que farei tudo o que está ao meu alcance para a preocupação de todos não tenha sido em vão. Quanto à identidade da família, como é óbvio, nunca poderá ser revelada publicamente sem autorização.

A professora que falava de sexo

A professora Josefina Rocha, da Escola EB 2,3 Sá Couto, em Espinho, será julgada, acusada de ter ofendido e humilhado duas alunas. Espero, em primeiro lugar, que a professora seja condenada ou considerada inocente, o que é tão óbvio que merece ser reafirmado. Estranhamente, para o leigo que sou, o juiz terá afirmado que os indícios apontam para “uma provável condenação da arguida.”

Depois, gostaria de vir a perceber a importância que a gravação da aula, realizada à revelia da professora, teve, efectivamente, no processo, sobretudo tendo em conta outras decisões tomadas pela justiça acerca de escutas. Será, também, importante saber que riscos poderá vir a correr qualquer professor cujas aulas possam ser gravadas sem o seu consentimento. Para quem estiver interessado em ouvir, é anunciado que poderá descarregar aqui um ficheiro mp3 com a célebre gravação.

Entretanto, considero absolutamente lamentáveis as escolhas dos títulos do Público (“Professora que falava de sexo nas aulas de História vai a julgamento“) e do Correio da Manhã (“Professora que falava de sexo vai ser julgada“). Não é preciso saber muita gramática para perceber que aquele imperfeito (“falava”) serve para transmitir a ideia de um hábito, de um acontecimento frequente. Ora, tanto quanto sei, a professora está a ser julgada por causa do que aconteceu numa aula e não por ter o hábito de falar de sexo em todas as aulas.

Finalmente, e dentro dos limites éticos da profissão docente, não sei como é possível ensinar História ou Literatura, por exemplo, sem falar de sexo, de política ou de religião, por exemplo. Se o politicamente correcto americanóide vier a impor-se, estou a ver muito professor a ser obrigado a engolir a cicuta.

saber ensinar

Para a família Isley: May Malen que ontem fez um ano, a minha filha Camila (nascida Iturra-González), que hoje está de aniversário e para o nosso genro Felix Isley, nascido a 8 de Janeiro. No meio do mês, será o meu… Comemorações, entre 1 ano e os sessenta e muitos!

saber ensinar é saber criar, como Adão e a sua divindade por Michelangelo

É uma das tarefas mais difíceis da vida. Começamos por aprender em pequenos, passamos a estudar mais crescidos, e já adultos, somos nós que ensinamos. Mas, o quê?

Até onde eu saiba, não há escola de pais para aprender a ensinar. É uma permanente improvisação que nasce do fundo da nossa alma pelos sentimentos que criamos para as nossas crianças que, com paixão, fazemos. Eis o motivo do nome criança: são nossas, as fazemos, as amamos, as cuidamos.

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Avisem a JP Sá Couto:

Pois quando o nosso Primeiro souber vai deitar fora os Magalhães…

Adenda: O Albergue faz hoje um ano.

O estado comatoso do ensino em fim de ciclo político

Por SANTANA CASTILHO

Poucas semanas volvidas sobre a divulgação pela OCDE do “PISA 2009” e o consequente discurso encomiástico do Governo, veio a público o “Projecto Testes Intermédios. Relatório 2010”, um instrumento de avaliação do desempenho dos alunos portugueses, da responsabilidade do Gabinete de Avaliação Educacional do Ministério da Educação.
Que podemos retirar deste relatório? Que os alunos portugueses raciocinam mal e escrevem pior; claudicam quando solicitados a relacionar conhecimentos a que foram expostos em disciplinas diferentes ou a construir um raciocínio lógico, ainda que simples e utilizando informação explicitada no corpo do próprio teste; quando se exprimem ficam-se por níveis elementares de proficiência, longe do rigor frásico e revelam-se ignorantes gramaticalmente; têm manifestas dificuldades em ultrapassar o nível básico na resolução dos problemas colocados, seja qual for a área disciplinar em análise, com incapacidade de ultrapassar o que não seja elementar, simples e curto. Particularmente no ensino secundário, o relatório identifica a falta de rigor científico e a manifesta dificuldade de construir ideias próprias ou lidar com raciocínios demonstrativos.

Aparentemente, há uma contradição insanável entre os dois estudos em análise. Mas não há. Eles chegam a conclusões semelhantes, usando metodologias distintas, o que reforça a solidez do diagnóstico sobre a mediocridade do ensino nacional. O que foi diferente foi o tratamento mediático e a manipulação triunfalista que Sócrates fez do “PISA 2009”. [Read more…]

GAVE & PISA

COMO SE FORA UM CONTO

Há por aí algumas coisas que me baralham.

Sendo pai de vários filhos, em diversos sectores etários, vejo-me confrontado com diversas realidades. Uns, os mais velhos, são já formados, estão empregados, ganham mal, mas vão sendo dos que, privilegiados, arranjaram trabalho remunerado nestes dias tão difíceis. Um outro, já no segundo ano da faculdade, é um aluno quase brilhante, pelo menos se comparado com os seus pares. O mais novo, actualmente no sétimo ano de escolaridade é um aluno médio/bom. São pessoas que sabem falar sobre qualquer assunto, dependendo do nível da sua formação e que não dão pontapés na gramática Portuguesa. Para tal, tive ao longo dos anos, uma especial atenção à forma como se expressavam, como escreviam e como elaboravam as suas ideias. A par disso, a minha atenção virou-se muito e também para a compreensão dos números. [Read more…]

falar de crianças

Bion e Klein têm provado que pensam,têm sentimentos desde quarto mes gravidez mãe

Retirado do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais. O livro pode ser lido aqui:

Falar de crianças, é uma temática complexa. Primeiro, porque o conceito, às vezes, é usado como substantivo para definir um comportamento, outras vezes como adjectivo se queremos denegrir indivíduos do nosso grupo social dos quais não gostamos, revelando assim a existência de um pensamento negativo sobre pessoas do nosso grupo social. Por outras palavras: é um conceito manipulável. A definição de criança pode ser complexa: não é um conceito que faça referência sempre á mesma idade, porque pode-se ser denominado criança ao nascer, nos cronológicos quatro anos, ou, como definem a lei positiva e canónica no caso português pode-se tornar a ser criança por diminuição da capacidade de entender o real ou desenvolvimento da capacidade de usar a razão.
E, finalmente, o conceito criança muda conforme é empregue nas várias ciências que falam dos mais novos, no senso comum – o mais usado – e na cultura que é referida, é dizer, muda conforme seja permitido agir dentro dum Estado, uma Nação, Etnia, ou Grupo Social tout court. Apenas pode entender-se, neste ponto, que ser criança é estar sujeito a adultos com capacidade de optar e gerir recursos que rendem lucro e mais valia, o cerne da nossa interacção social, a corrida, a concorrência entre seres humanos, ao demonstrar que se sabe mais pela maturidade da capacidade de pensar. A lógica dos mais novos, parece-me ser, como tenho definido em outros textos, uma estrutura de ideias em processo de formação, de acumulação de ideias, experiências e formas de pensar: [Read more…]

PISA 2009 vs. GAVE 2010?

 

Relatório 2010. Alunos não sabem raciocinar nem escrever

Aguardam-se as reacções de Sócrates e respectivas corporações à notícia acima referida, cuja base está neste relatório produzido por um departamento do Ministério da Educação.

Já comentei (aqui e aqui) os tão celebrados resultados do PISA. A verdade é que todos os foguetes que se largaram, então, são apenas consequência de um provincianismo estéril, próprio de quem prefere alegrar-se conjunturalmente a agir estruturalmente. Seria igualmente provinciano transformar este relatório do GAVE num momento de depressão. O que, verdadeiramente, interessa é saber com rigor em que patamar estamos – e há muita gente que sabe – e planear a partir daí. O que interessa é que, finalmente, a Educação passe a constar de uma agenda de cidadania e que deixe de ser um departamento ao sabor de delírios financeiros e pseudo-pedagógicos.

Dantes já era mesmo a sério, mas agora é que vai ser mesmo mais a sério

Desde que criou a crise, o governo define a sua atitude mais ou menos assim: “nós sempre fomos muito rigorosos e justos e planeámos tudo muito cuidadosamente, mas agora é que vamos ser ainda mais rigorosos e justos e vamos planear tudo ainda mais muito cuidadosamente.”

Foi graças a uma capacidade de planeamento que atravessa todo o aparelho governativo que a Saúde conseguiu gastar 21 milhões em consultoria, em 2009, para exclusivo benefício de três empresas privadas de consultoria e gestão. Os estudos encomendados a estas três empresas, contratadas sem passar por concurso público, serviram apenas para o habitual: lucros privados e prejuízos públicos. [Read more…]

O presidente de todos os patrões

Em Portugal um bom negócio é aquele que o estado financia. Um investimento rentável é aquele que todos pagamos.

Querem acabar com os chorudos lucros dos empresários dos colégios privados? O presidente veta. Poupar na despesa pública é só para alguns. No subsídio aos patrões, nunca.

Tudo em nome das famílias, é claro. Vetou as novas regras do abono de família? Bem, pois, nesse dia estava distraído.

Pisa: Mentiras, perplexidades e factos

Por SANTANA CASTILHO

Assentou a poeira e desfez-se a espuma dos dias. É tempo de analisar as mentiras, recordar os factos e partilhar perplexidades.

Andreas Schleicher, director do PISA, é claro quando diz ao que o programa veio: medir quanto “value for money” (conceito económico que exprime a utilidade do dinheiro despendido) resulta dos sistemas de ensino em análise. O PISA não se ocupa de determinar e comparar todo o conhecimento que deriva dos vários domínios curriculares. O PISA centra-se na capacidade para resolver problemas básicos, detida por jovens com idades compreendidas entre os 15 anos e quatro meses e os 16 anos e quatro meses. Sendo de inegável utilidade, este quadro é redutor porque deixa de fora valências humanistas e culturais dos sistemas de ensino. Merece alguma reflexão ver democracias líderes do desenvolvimento tecnológico e científico mundial (Alemanha, França, Reino Unido e USA) remetidas para posições modestas no PISA, enquanto um sistema ditatorial se guinda ao primeiro lugar do ranking (Xangai).

Com a ressalva supra, é incontestável a importância de todo o manancial de informação que o PISA proporciona. Mas a contrapartida para esse benefício está a tornar-se perniciosa: nas orientações que dele emanam têm vindo a ser aceites com uma preocupante atitude reverencial. Os resultados obtidos pelos estudantes portugueses em 2009 melhoraram muito e isso é bom. Mas onde estamos? No último terço da tabela dos 33 países da OCDE. Abaixo da média em todos os domínios considerados (489 pontos em leitura, 487 em Matemática e 493 em ciências, para médias da OCDE de 493, 496 e 501, respectivamente). E tudo isto por referência a 698 pontos possíveis. Cerca de 19 por cento dos nossos estudantes não souberam justificar por que devem lavar a língua quando lavam os dentes, sendo certo que a resposta estava contida no texto do teste; 23,7 por cento não souberam fazer uma simples conversão cambial; e nas ciências, 16,5 por cento não responderam a uma pergunta de nível 1, o mais baixo dos 6 cotados. Justifica isto a histeria de Sócrates e dos cronistas do regime e a recuperação de defuntos políticos? A propaganda lida mal com os factos. Mas eles existem. Continuemos a recordá-los. [Read more…]

em nome do pai, e do filho e do esp…

A criança traída. Canção sem Palavras.

A fórmula é conhecida no mundo cristão, seja ele Romano, Ortodoxo, Calvinista, Presbiteriano, Adventista, ou outro. É a fórmula usada no ritual de entrada de uma criança no mundo social. Tenho referido, noutros textos meus, que os seres humanos são inaugurados na interacção social, por meio de ritos. Rituais, nos quais a Igreja Romana é prolixa. Outras Igrejas têm apenas dois rituais de iniciação: o baptismo e o matrimónio. Eventualmente, os Presbiterianos a Ceia do Senhor ou Comunhão.
Confissão, apenas os Romanos e a Alta Igreja Anglicana ou High Church da Grã-bretanha, que Isabel I, teve o cuidado de guardar para si, para os seus pares e para o futuro. Para saber mais, é preciso ler os meus textos dedicados a esta temática, ou os textos dos cientistas da Religião, os que estudamos a Religião como uma instituição social, organizada pelos seres humanos, como definem Ludwig Feurebach em 1821,

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Miguel Santos Guerra – pensar a Educação

Via terrear, um vídeo do Miguel Santos Guerra. Um MESTRE Espanhol que diz tudo sobre educação! Obrigatório para os que não são Professores. Imprescindível para estes:

Os testes Pisa 2009 vistos por quem não sabe ver

Um senhor chamado Joseph Conboy, apresentado como investigador do  Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, vem hoje ocupar uma página no Público defendendo a amostra dos testes Pisa 2009 em Portugal. Diz ele:

Embora possamos especular sobre uma amostra viciada, não temos nenhuma razão concreta para questionar o rigor da amostragem efectuada pela OCDE. Estas alterações na natureza da amostra provavelmente resultam de taxas de retenção que, lentamente, vão diminuindo, bem como da implementação de legislação que permite alunos sobredotados avançarem um ano escolar.

Acontece que em Portugal não está ainda implementada nenhuma legislação deste tipo, e provavelmente uma legislação inexistente não produz resultados, já para não falar do facto de alunos sobredotados serem por definição em número estatisticamente irrelevante para influenciarem um estudo deste género. Quanto à amostra viciada já me ocupei com o assunto ontem e chover no molhado não vale a pena.

Arranjem um investigador que conheça o sistema de ensino português, vá lá, e que especule menos. Não é que sirva para alguma coisa, mas sempre se poupam os jornais à publicação de disparates risíveis.