Uma enorme lata

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O próximo governo grego será o primeiro governo de esquerda da Europa desde… sejamos magnânimos, o governo francês de 1981-83. A rigor teríamos de ir ao Portugal da década de 70, ao V Constitucional, para não ir mesmo mais atrás, ao V Provisório. Obviamente não conto com as ditaduras dos satélites da URSS, que além de ditaduras são tanto de esquerda como o actual da China. [Read more…]

Pânico no sistema

Nervoso

Eles andam todos muito nervosos. Das clientelas dos blocos centrais aos teóricos do regime, passando pela extrema-direita ressabiada ou pelos apóstolos da ditadura dos mercados, a vitória esmagadora do Syriza nas legislativas de ontem na Grécia causou profundos arrepios a todos os parasitas que se alimentam ou que anseiam vir alimentar-se do apetitoso lombo do sector público, quais percevejos comodamente instalados costas do rinoceronte estatal.

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Óptimo

Há cerca de dois anos, elaborei uma “pequena amostra de levantamento acessório“.

Entretanto, pelos vistos, segundo Barreto Xavier, “em Portugal, as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos“.

Óptimo. “Sem atropelos” e “sem problemas de maior“.

Ficamos todos muito mais descansados.

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El diccionario de Griego

Uma excelente crónica de Juan Cruz.

A girl sem experiência bancária que Portas enfiou no Banco de Fomento

O quanto não vale ser militante praticante e, melhor ainda, esposa do homem que elaborou a reforma fiscal tão elogiada por Portas.

O murro do Papa

O Papa, justificando a violência contra os blasfemos que ofendem Deus, exemplificou com a resposta que daria – um murro na cara – a quem lhe insultasse a mãe. Sem mais considerações e independentemente da minha avaliação de tal resposta, gostaria só de lembrar Francisco, o Papa, e os que gostaram desta rábula, que as nossas mães existem – ou existiram – realmente. Existiram! Realmente! Para lá de todas as dúvidas.

Aviso público ao serviço público

José Manuel Pureza e a peça do José Rodrigues dos Santos sobre a Grécia.

Já agora, sobre as mentiras repetidas da direita a propósito da Grécia.

Eleições na Grécia: Tsipras no dia depois da vitória do Syriza

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Com ou sem maioria absoluta, amanhã começará um período interessante na Grécia. Teremos em Tsipras uma segunda versão do flop Hollande? Ou, por outro lado, terá o novo governo uma boa mão de poker para negociar com os credores gregos? Da esquerda à direita, ninguém ficará indiferente.

Servem-se frias

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Antes nas urnas que nos estádios.

A esquerda portuguesa não é a grega, tem de encontrar o seu caminho

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O problema da esquerda portuguesa tem um nome: sectarismo. Tem outros, como dogmatismo, incapacidade de perceber que 100 anos depois nem o capitalismo é o mesmo nem combatê-lo pode ser de feito da mesma forma, mas esses são problemas de toda a esquerda europeia.

Se na Grécia temos outro caminho, a unidade entre forças que se degladiavam há meia-dúzia de anos, a capacidade de construir uma frente que ocupe o espaço da social-democracia ocupado pelo social-liberalismo, a aprendizagem com a queda do estalinismo, se no estado espanhol um outro surgiu, fora dos partidos tradicionais e contrariando a sua esclerose, em Portugal precisamos de outro ainda. [Read more…]

António Costa desaconselha voto no PS, no PSD e no CDS

O líder socialista afirma que há uma alternativa à política de austeridade.

Jihad socrática

PSP trava agressões numa manifestação por Sócrates em frente à cadeia

Iogurte grego estragado

O deputado do KKE Miguel Tiago e o Rui Tavares estão com azia. A direita nem se  fala.

Não olhes para trás, Orfeu

Tem a mitologia grega tanto por onde escolher que cada um guarda para a vida uma que faz sua: calhou-me a do Orfeu, fixemos este instante, quando tudo se iria resolver a meio contento proibido estava de olhar para trás e ver Eurídice, olhou e  assim a deixou ficada em estátua de sal.

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Orfeu tirando Eurídice dos infernos, Corot, 1861

Serve perfeitamente para esta ida dos gregos a votos, uma cena que por acaso até foram eles que para nós, europeus, inventaram de forma primitiva e limitada, é certo, numa cidade-estado chamada Atenas. Não olhar para trás, seguir em frente, fugir dos infernos.

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Divisão dos Balcãs rascunhada em Moscovo entre Estaline e Churchill, 9 Out 1944

Teve a Grécia o azar de ficar no lado errado das contas de dividir entre Estaline e Churchill, e levou com outra invasão, a inglesa. A guerra civil, a primeira onde a guerra fria se joga nas guerras onde morrem os outros, a guerra civil da Grécia fecha o ciclo iniciado em 1936 pela de Espanha. Não é mera coincidência que agora seja na Grécia e na Espanha que a libertação pode começar, e não esqueçamos que as ditaduras onde os três povos sofreram (e os deixaram abertos à corrupção máxima e clientelismo das castas) iniciaram o seu fim em Portugal. Desta vez seremos os últimos, lá chegaremos. [Read more…]

Guia para as eleições na Grécia: poderá o Syriza obter a maioria absoluta?

Jorge Martins

Tudo indica que, hoje, será um dia histórico para a Grécia e para a Europa, com a muito provável a vitória do partido de esquerda SYRIZA nas eleições gerais. A dúvida que se coloca é se obterá uma maioria absoluta ou apenas relativa, o que o obrigará a fazer coligações com outras forças políticas.
Para percebermos as probabilidades de isso acontecer, há que atender a três particularidades do sistema eleitoral grego:
a) o partido vencedor tem um bónus maioritário, que lhe permite ocupar, automaticamente, 50 dos 300 lugares do Parlamento helénico;
b) existe uma cláusula-barreira de 3% dos votos validamente expressos, pelo que os partidos que não atinjam essa percentagem ficam sem representação parlamentar;
c) os restantes 250 lugares serão distribuídos a nível nacional, através de um quociente eleitoral simples, pelo partidos que ultrapassaram a cláusula-barreira, sendo, posteriormente, distribuídos pelos círculos regionais.
Daqui resulta que se o partido vencedor obtiver mais de 40% dos votos validamente expressos assegura uma maioria absoluta no Parlamento. Basta multiplicar 250 por 0,4, que será igual a 100. Somando os 50, ficaria com 150 (metade do hemiciclo). Mas, como há sempre partidos que não chegam aos 3% dos votos, aquela percentagem é suficiente. [Read more…]

O poder

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Imagine que há 16 anos lhe teriam dito que optar pelo euro significaria perda acentuada de rendimento, transferência de soberania para entidades não democráticas e destruição súbita de direitos lentamente conquistados. Resumindo, imagine que em 1999 lhe teriam dado um vislumbre de um futuro, que seria hoje, onde a aniquilação do controlo sobre a política monetária viria a ser uma arma de guerra capaz de subjugar nações inteiras com maior eficácia do que as bombas. Capaz de concentrar a riqueza num grupo restrito, graças ao desaparecimento do mecanismo de, equitativamente, distribuir os problemas do país por todos, via desvalorização da moeda.

Neste cenário, teria aceite o euro? Possivelmente, não. E no entanto, aqui estamos nós presos a essa decisão, incapazes mesmo de a questionar.

É esta a capacidade do poder, a de moldar as pessoas por forma a não pensarem fora da caixa.

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Unanimidade e nojo

Podemos ter opiniões diferentes sobre as razões que levaram Mario Draghi e o BCE a tomar a decisão de fazer chover euros pela Europa – vamos lá ver quem os apanha e o que lhes faz…- para raiva da Merkel. Mas o que não podemos é estar todos felizes com o facto. Todos! Mesmo os que nos sangraram em vida em nome da perspectiva contrária, enquanto manifestavam o seu ódio a este tipo de medida. Nomeadamente o governo português, seus ministros e ex-ministros, seus apoiantes, comentadores, jornalistas e serventuários em geral, que sempre insistiram que este tipo de política era um erro grave (assim lhes asseverava a patroa). Agora, estão todos contentes. Insisto: todos.

Há unanimidades que metem nojo. Como se não bastasse o nojo anterior.

O grande romance do século 21

Gregório Duvivier

Preciso escrever o grande romance do século 21. Mas estou casado e minha vida é uma delícia. Bebemos vinho toda noite e suco verde toda manhã. Ninguém escreve o grande romance do século 21 com essa vida mansa. É preciso um pouco de instabilidade pra se escrever o grande romance do século 21.

Estou separado e morando num motel da Lapa. Difícil escrever o grande romance do século 21 ao som de um bloco de maracatu que se confunde com o show da Anitta na Fundição Progresso enquanto na sua janela um mendigo canta o hino do Flamengo.

O colchão tem sanguessugas do tamanho de um polegar e eu devo respeito às baratas porque elas chegaram aqui antes de mim. Durante a noite, alguém levou o laptop. Difícil escrever o grande romance do século 21 no bloco de notas do celular. É preciso um pouquinho de conforto para se escrever o grande romance do século 21.

Estou num flat no Leblon. Ar-condicionado split, lençol banda larga e internet de mil fios. Baixo filmografias e discografias completas num piscar de olhos. Aliás, é só o que eu faço. Difícil escrever o grande romance do século 21 com uma conexão boa dessas. Eu preciso de um pouco de isolamento. Já entendi o que falta: leitura. Para escrever o grande romance do século 21, é preciso, no mínimo, ter lido o grande romance do século 20. [Read more…]

Ora vamos lá recapitular porque temíamos a bancarrota e foi preciso a troika

Se não tivesse sido como foi, o rendimento das pessoas teria caído drasticamente (Salários caíram 22% no Estado e 11,6% no privado desde 2011), o desemprego teria disparado (Portugal é um dos 3 países que mais empregos perderam) e a fome ter-se-ia generalizado (Hospitais atendem cada vez mais grávidas com fome).

Em consequência deste cenário negro, sem termos sido salvos da bancarrota, a emigração teria disparado  (Só no ano passado [2013] emigraram 110 mil portugueses) e as contas públicas teriam ficado incontroladas (Portugal tem a terceira maior dívida pública da zona euro).

Finalmente, sem a preciosa ajuda da troika, serviços básicos do estado, como a saúde, teriam entrado em colapso (Ambulâncias retidas no hospital de Torres Vedras por falta de macas). A educação seria novamente parente pobre no estado (OE2015: Educação no topo dos ministérios que levam corte). E a corrupção dominaria a economia (Corrupção afecta o dia-a-dia de mais de um terço dos portugueses).

Ainda bem que nada disto aconteceu. Porque mau, mesmo mau, era ter acontecido e irmos para a bancarrota na mesma, levando com dose dupla de miséria. Demos graças ao maravilhoso governo que nos poupou tantos sacrifícios, a tal ponto que até sonha ganhar as próximas eleições. Ámen.

Este artigo só pode ser gozo

«Portugal foi o país resgatado que menos empobreceu». Entre 2007 e 2012, lê-se fora do destaque, num artigo publicado no “jornal” de Negócios em Dezembro de 2014.

Sinais das últimas sondagens

Pedro Parracho

As últimas sondagens vieram mostrar que a diferença entre a coligação (PSD/CDS-PP) e o PS está a diminuir. Os partidos da maioria foram os que mais subiram, o que mostra com isso, que apesar do descontentamento, devido às medidas que foram tomadas e que penalizaram as famílias portuguesas, os cidadãos não encontram no PS e no seu líder, António Costa, uma alternativa credível.
O verdadeiro problema do PS, é não ter alternativa às políticas do governo, António Costa, está bem consciente desta realidade e por isso divaga, sem nunca apresentar medidas concretas. [Read more…]

Ronaldo pede desculpas

pela adopção de ‘ato’ e de ‘irrefletido’: «Peço desculpas pelo meu ‘ato irrefletido’».

Muros mentais

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António Alves

Espero que a Câmara do Porto não autorize isto. É uma enorme falta de tacto. Chega a ser insultuoso para com uma cidade que sempre primou pelo respeito pela religião e liberdade de todos. E também contraproducente: o arame farpado em volta da Sinagoga, a maior da Península Ibérica, só pode estimular sentimentos de desconfiança para com os judeus em quem nunca os teve. As pessoas reagem mal a quem se manifeste desconfiado para com elas. A Sinagoga do Porto ali aberta, grande, bela, visível, foi algo que eu sempre mostrei com orgulho às pessoas de fora que acompanhava e calhava passar naquela rua. O texto que se segue foi escrito pela própria comunidade judaica do Porto.

Derrubar muros

Muçulmanos, judeus e cristãos oram juntos na mesquita de Lisboa.”

O secretário de estado do secador de cabelo

Artur Trindade

O governo espanhol proibiu a produção de electricidade a partir de fonte solar para consumo próprio e, cinicamente, o governo português fez o mesmo, vendendo uma restrição como sendo uma libertação.

«Até agora, a produção de electricidade com vista ao autoconsumo era “uma realidade que não estava legislada”, explicou o governante sobre o diploma que também introduz alterações ao regime da microprodução.» (i online)

Meu deus, vivíamos na ilegalidade! Mas agora estamos melhor. Por exemplo, havendo lei, poderão existir multas a aplicar. É só vantagens.
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Sugestão musical

A minha primeira sugestão musical em 2015 vai para o 3º single daquele que foi para mim o melhor álbum de 2014. Infelizmente não consegui estar em Portugal no passado mês de Novembro…

Urgência$

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O governo anunciou, de surpresa, que vai começar a drenar doentes das urgências públicas para os hospitais privados. Estou espantado, já que o que costuma acontecer é exactamente o contrário: sempre que um doente precisa de intervenção urgente e diferenciada, se está num hospital privado é, geralmente, despachado para os serviços públicos. Até o conspícuo Osório dos privados ficou espantado com o brinde, declarando que ninguém do governo lhe tinha dito nada. Pois é, perante a pressão mediática o governo, como é costume, atira lérias para o ar. E tanta vontade tem de servir os amos que nem repara que estes não têm meios de aproveitar a prenda.

Não entendi nada. Não entendo nada

Vanda Pereira

Há dias, o PS votou contra o quociente familiar no IRS.
Isto é, o PS votou contra SUBSTITUIR o atual quociente conjugal, por um quociente familiar em que o rendimento do agregado familiar, para determinação das taxas do IRS passe também a ser DIVIDIDO pelo número de filhos – valendo cada dependente 0,3 na equação.
O PS não pensou nas famílias. Apenas e só. Não pensou. Ao votar contra, o PS mostrou que tanto lhe faz. Tanto lhe faz, que uma família não tenha filhos, que uma família tenha 1 filho, 2 filhos, 3 filhos, é tudo igual.
Dias depois, o mesmo PS voltou. E voltou preocupado com as famílias

Batam com o Portas!

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Passamos o dia a ouvir o Paulo Portas (com vossa licença) a falar na imensa generosidade do governo. Fez-se o ajustamento, diz ele. Aumentam as pensões e os vencimentos dos Funcionários Públicos ( e os descontos do IRS, na armadilha dos escalões) graças à devolução de parte dos cortes dos salários e da CES,diz ele.
Feitas por imposição do Tribunal Constitucional e não pelo teu gang governante, digo eu, oh cara de ovo escalfado!
O Portas ali está de novo! O Portas é diarreia visual! O Portas é um percevejo político! Se o Portas é português, eu quero ser esquimó. Se o Portas é terráqueo, eu quero ser marciano! Fora com o Portas, fora, PIM!

Portugal no seu melhor…

O fisco não perdoa.