sem a cruz branca.
Tal como reclamado por alguns imigrantes islâmico-suiços de segunda geração.
Não queremos que ninguém se incomode; a pretensão tem vários anos.
A Bandeira da Suiça
Da colecção O governo que destrói recursos humanos (4)
Frio
Num extenso artigo de uma página o Público explica-nos que a crescente mortalidade invernal – que vem subindo desde 2011 e atinge números assustadores no ano corrente – tem um culpado: o frio! E umas complicadas mutações do vírus da gripe, esse sacana. Procurei diligentemente nesse estudo as razões porque diabo tantos portugueses insistem em se expor ao frio. Nada. De modo que deve ser uma nova mania. Há pessoas que desligam a luz, o gás e todos os sistemas que as poderiam aquecer. Outras que entregam as suas casas ao banco e vão viver para sítios esquisitos. Há pessoas que fazem dietas tão radicais que chegam a deixar de comer. Há até – imaginem! – pessoas que insistem em dormir na rua. Depois, acabam por ir para os hospitais que, apesar do esforço de razia…, perdão, racionalização promovida pelo ministro da tutela parecem não ser capazes de dar cabal resposta à situação. Porque será, estranho eu? O Público não explica. Devem ser os maus hábitos dos portugueses. Que esquecem que está à solta o inimigo de todos os maus costumes:o frio, bandido e único culpado. Diz o Público. É isso. O frio o frio o frio.
Olá, este é o Borat

Se o Aventar fosse cobarde como a Oxford University Press é no seu país, esta imagem do Borat não poderia ser publicada no nosso país ao abrigo das leis do país sob pena de estar a ofender pessoas de outro país, ainda que elas não sejam obrigadas a ler as coisas publicadas noutros países ao abrigo da lei desses países.
Mas o Aventar não é a maior editora académica do mundo, o Aventar é apenas, e talvez, o mais abrangente e mais plural blogue de Portugal. Rege-se pelas leis gerais da nossa República, não as do reino da Arábia Saudita.
Quer explorar uma piscina olímpica, e equipamentos anexos, pela módica quantia de 2300 euros mensais? Vá ao Porto.
António Alves
Num negócio muito pouco transparente, a Câmara do Porto cedeu os direitos de superfície sobre a Piscina de Campanhã, a título gratuito pelo período de 25 anos, ao FC Porto. Essa é condição essencial, a cedência dos direitos de superfície, para que o FC Porto pudesse ter aberto no passado dia 16 de Dezembro um concurso público urgente para a realização de obras de recuperação da infra-estrutura assumindo-se este clube desportivo como dono da obra. É também condição essencial para que o FC Porto possa candidatar-se a fundos do QREN para financiar os custos das citadas obras. [Read more…]
Democracia social, social democracia e Passos Coelho
Este Governo tem uma intenção, cada vez mais clara, de se libertar das funções sociais do estado, na medida em que para este “gentinha” o estado é mínimo, reduzido às funções de soberania: justiça, segurança, defesa.
Saúde é para privatizar (enquanto morrem pessoas nas urgências abrem privados como cogumelos); educação é para “partir” pelas autarquias, para depois chegarem também ao mercado e aos privados. A segurança social está quase “morta” e a caridade fica nas mãos das IPSS.
Esta é a matriz de Passos Coelho e dos ultra-qualquer coisa que fazem equipa com ele. Gostava muito que o verdadeiro PSD – Social Democrata fizesse alguma coisa (pequena que seja) para evitar esta tragédia. Confesso que não sei se existe esse verdadeiro PSD, mas quero acreditar que sim.
É que Democracia não é só votar de 4 em 4 anos. Democracia é não morrer na urgência. Democracia é ter proteção no desemprego e na doença. Democracia é ter uma Escola Pública que permita a mobilidade social porque quem nasceu pobre, não tem que morrer pobre.
Papá, estás aí?
Elsa Wolinsky
Papá, estás aí? Estás-me a ouvir?
Se estás aí manda-me um sinal. Faz-me um desenho.
Pois é, não me ouves, já desconfiava.
Desde que morreste, digo a mim própria que já deverás saber se Deus existe ou não.
Toda a gente te imagina no céu, com raparigas nuas, a meterem-se contigo. Mas eu sei o que estarás a fazer. Terás pedido uma caneta para desenhares uma mesa, folhas e uma lâmpada. E depois, agora, desenhas uma sósia da mamã para que ela esteja contigo, mesmo aí em cima. Ah, e depois fizeste uma cama para a tua sesta. Para os Wolinski, a sesta é sagrada.
Sabes, durmo na tua cama. Espalhei o meu perfume pelo teu quarto que cheirava demasiado a ti. É estranho deitar-me no teu lugar. Mas estou bem contigo, entre os teus lençóis. A mamã ofereceu-te umas calças, não tiveste tempo de as experimentar. Já agora, papá, aproveito, será que posso usar as tuas camisolas de caxemira? [Read more…]
Não é verdade
aquilo que Fernanda Câncio escreve: “As pessoas provocam e há reações“. Em português europeu, quando as pessoas provocam, há reacções. Efectivamente: reacções.
Falta de sentido de amor

Carlos Ruas, http://www.umsabadoqualquer.com/
Aceito que haja pessoas sem sentido de humor. Nem todos tiveram a sorte de receber o treino adequado: é necessário interiorizar verdadeiramente a tolerância e, sobretudo, compreender, por estranho que possa parecer, que o humor não é para se levar a sério. Assim, um humorista pode ser processado ou, pior do que isso, ignorado. A partir daí, reacções como o insulto ou o homicídio que tenham por alvo os autores de piadas são casos de polícia e não se fala mais nisso. [Read more…]
1000 vezes chicoteado, a 50 barris de petróleo de cada vez
Jornalismo cidadão das primeiras cinquenta chicotadas recebidas por Raif Badawi, um blogger saudita que é mesmo liberal, como os do séc. XIX:
Convinha perceber que quando se diz fundamentalismo muçulmano se deveria dizer wahhabismo, a religião de estado na Arábia Saudita e arredores deste lado do golfo, fundada no séc. XVIII por Mohammed ben Abdelwahhab e não por Maomé mil anos antes.
A Arábia Saudita tem sido a mãe desse fundamentalismo e não passa de um califado mas com muito mais petróleo. E o petróleo é o verdadeiro deus que governa as teocracias da tal superior civilização ocidental, a nossa, dizem eles, enquanto verificam a cotação do brent.
O Expresso insiste, insiste, insiste
Viva a falta de respeito, humor não é ofensivo
Gregório Duvivier
Um dos problemas de morrer é esse: vão falar muita asneira a seu respeito. E você já nem pode se defender. Não bastou serem fuzilados, os cartunistas do “Charlie Hebdo” foram vítimas de um massacre póstumo.
Pessoas de todas as áreas de atuação lamentaram a tragédia, MAS (não entendo como alguém, nesse caso, consegue colocar um “MAS”) lembraram que o humor que eles faziam era altamente “ofensivo”.
Poucas coisas irritam mais do que a vagueza desse termo “ofensivo” quando usado intransitivamente. Ofensivo a quem? A mim, definitivamente, não era. “Eles não deviam ter brincado com o sagrado”, alegam alguns. MAS (aqui sim cabe um “mas”) o que define o humor é exatamente isso: a brincadeira com o sagrado.
Discordo de quem pede respeito pelo sagrado. Para começar, acho que a palavra respeito é uma palavra que não cabe. Uma vez, vi o Zé Celso pedir a um jovem ator que não o tratasse por “o senhor”, mas por “você”. O ator disse que não conseguia porque tinha muito respeito por ele. E ele respondeu: “Não me interessa o respeito. O que me interessa é a adoração.”.
O espaço da arte não é o espaço do respeito, mas o espaço da subversão, ou então da reverência, do culto. Do respeito, nunca.
No mais, tudo é sagrado para alguém no mundo. A maconha, a vaca, a santa de madeira, o Daime, Jesus e Maomé: tudo merece a mesma quantidade de respeito, e de falta de respeito. [Read more…]
PARSNIP
Sky Bad News

Marco Faria
A SkyNews fez uma escolha péssima: a autocensura (é, de resto, a pior forma de censura).
A Sky News deixa de ser um órgão de informação livre, a partir do momento em que já cedeu ao medo (das audiências, dos telespectadores e da influência de certas minorias).
“A religião muçulmana proíbe qualquer representação pictórica de Alá ou do seu profeta, Maomé”, lê-se. Sim, mas estamos na Europa, não?
O Reino Unido, até que as placas tectónicas mudem de posição, fica na Europa. Amanhã, será o quê? Que não se mostre no ecrã uma mulher a conduzir um Rover, porque isso é ultrajante? Ou que uma mulher tire um doutoramento, porque devia ter a escolaridade mínima ou ficar-se pelo bê-a-bá? Quem escolhe a Europa para viver tem de conhecer as regras e tradições europeias. Vêm do tempo das Luzes e da Tolerância (o túmulo de John Locke deve estar a dar voltas). O que fazemos quando nos deslocamos a um país muçulmano, quando temos de respeitar os seus costumes (nalguns casos, levar uma bíblia ou um crucifixo é um crime, e convidam-nos a deixar os nosso símbolos no aeroporto, sob pena de nos ser vedada a entrada no seu território). Ninguém é obrigado a comprar o “Charlie Hebdo” ou a ver blocos de notícias. Há o poder de escolha. Já a escolha da Sky News aproxima-se de linhas perigosas.
O Tempo e a Barbárie

No início do século XVI (1506), numa Igreja de Lisboa, em tempos de crise, esperava-se um milagre que aliviasse as duras dores do tempo. Ao notar que um raio de luz se projectava no crucifixo da igreja, a multidão logo bradou por milagre. Porém, um cristão-novo (judeu obrigado à conversão ao catolicismo – para os mais esquecidos da História) fez notar que se tratava apenas do reflexo da luz que iluminava o templo. Começou aqui um dos mais arrepiantes e sangrentos episódios da nossa História. Arrastado o “blasfemo” para a rua, logo ali foi brutalmente espancado. Foi o início de uma chacina que se espalhou pela cidade e soltou a mais fanática barbaridade.
O grande Damião de Góis, cronista do reino e um espírito livre, relatou assim este horroroso episódio: [Read more…]
Outros tempos
Gostava de lembrar os mais jovens – ou os mais distraídos – que há um popular – sim, popular! – poeta português chamado Guerra Junqueiro que escreveu, entre outras obras, “A Velhice do Padre Eterno”. E que lhe fizeram os seus contemporâneos de há um século atrás? Sepultaram-no. No Panteão Nacional.
Nigéria em sangue
Continua o horror na Nigéria e os ataques do Boko Haram continuam a fazer vítimas inocentes aos milhares. É o terrorismo puro e duro – com a inconcebível justificação de purificar o país e os seus costumes e espalhar a sharia a todo o território e mesmo aos países vizinhos – usando todos os habituais métodos, desde a guerra de ocupação até aos bombistas suicidas, como aconteceu este fim de semana em que até uma criança de dez anos foi usada. Mas, contrariamente a outros casos de terrorismo, o da Nigéria está fortemente territorializado, configurando uma fase avançada de operações que se aproxima da guerra clássica que, dizem os manuais, é a fase final destes processos. Repare-se, porém, que estes movimentos têm tanto mais hipóteses de sucesso quanto maior for o apoio da população. Aqui, porém, também esse apoio é procurado pelo terror ou, se tal não resulta, pelo puro extermínio. E, chegados aqui, é altura de perguntar o que fazem as forças armadas da Nigéria e que cooperação existe com os Camarões, que também já foram vítimas de ataques. É também tempo de perguntar à comunidade internacional porque permanece em sossego neste caso. Estamos perante o que é, provavelmente, o mais violento campo de batalha do delírio fundamentalista – o que, nos tempos que correm, não é dizer pouco. Mas África parece ser o continente abandonado pelos deuses. E, o que verdadeiramente conta, pelos homens de bem. Com as poucas excepções que conhecemos.
Municipalização: o extermínio da Educação
Está em curso uma inflexão no projecto de municipalização das escolas. Os novos documentos foram publicados pelo Paulo Guinote e o Ricardo Montes considera preocupante aquilo que já se vai sabendo.
O assunto merece uma análise mais detalhada, mas uma leitura superficial permite confirmar que a pouca autonomia das escolas está cada vez mais próxima do extermínio absoluto, a proletarização dos professores continuará a acentuar-se, a politiquice terá as portas escancaradas para ocupar ainda mais espaço na vida das escolas e a análise dos problemas será substituída por um arremedo de empresarialês, porque vivemos num mundo em que o gestor modernaço é o novo enciclopedista.
Da parte das autarquias, é apenas uma questão de dinheiro. O próximo governo poderá ter uma cor diferente, mas não mudará nada, mesmo que tenha de fazer de conta que está contrariado. De resto, PS, PSD e CDS poderiam abrir uma loja e colocar na tabuleta “A destruir a Educação desde 2005”.
Os professores estão mais preocupados em sobreviver, o que lhes retira tempo ou vontade para combater. Por isso, continuam contra a Educação.
A insegurança ortográfica
Fernando Venâncio*
Eu não devia, nós não devíamos, publicar estas listas. A própria visão duma grafia errada vai criar, pouco que seja, uma habituação. Os nossos neurónios não são parvos.
Mas silenciar também não é opção. Há uma justificada esperança de que a acumulação de destemperos gere algum susto. Não, definitivamente, os nossos neurónios não são parvos.
Entretanto, da parte dos responsáveis, sim, objectiva ou subjectivamente responsáveis, nem um pio. Onde está o comunicado do ILTEC, onde a nota da Academia, onde o sussurro de João Malaca Casteleiro e colegas, fazendo saber o mínimo dos mínimos: que «não foi isto o que quisemos»?
Senhores e amigos: tem de haver uma maneira de tirar estes cidadãos da zona de conforto em que, desde há anos, se acoitam. Aceitam-se sugestões com tino. Dispensam-se brados d’alma. [Read more…]
Um lápis por Charlie
Na mais antiga escola pública portuguesa caíram lápis pelo Charlie Hebdo. Para que depois se levantem e desenhem a liberdade. Desde o séc. XVI a resistir, contra qualquer inquisição.
Charlie Hebdo, o pdf
Eu também comprava um, se tivesse onde. E comprarei, se encontrar. Para o povo que lê línguas de deus, como diria um romano, e não ficou viciado em línguas bárbaras, como diria o mesmo romano, há a outra parte, ler mesmo o nº 1178 do Charlie Hebdo (como tenho constatado nos últimos dias ver só os bnécos não dá, estou farto de fazer traduções de bd), o número que saiu hoje.
Podem descarregar o pdf: Charlie Hebdo #1178. [Read more…]
Todo o merchandising será perdoado

Nas Filipinas, assinala-se a visita do pontífice que se tem manifestado contra o capitalismo com a venda do “boneco Papa Francisco”.
Prontos para o apocalipse
A história de uma “ilha utopia de inspiração pirata”, preparada para a grande crise.
De como se confunde a opinião pública
Santana Castilho*
Depois dos finlandeses terem decidido substituir nas suas escolas papel e lápis por teclado de computador, para as crianças aprenderem as primeiras letras, foi anunciado novo contributo insólito: o governo do Reino Unido quereria que educadores de infância e professores identificassem crianças potencialmente terroristas. Nem os bebés escapariam a tão estranha teorização pedagógico-securitária. Os educadores, que lá como cá já são tudo e mais alguma coisa, passariam agora a espiões dos espíritos dos recém-nascidos e das circunvoluções, eventualmente radicais, dos seus cérebros em formação. A confirmar-se esta aberração, estaria mais que justificado o título do Público de 4.1.15:
“Governo britânico quer infantários a detectar crianças em risco de se tornarem terroristas”. Ou o do I, de 9.1.15:
“Creio que em Portugal não se aprovaria tal idiotice”. [Read more…]
Solidariedade com o Estabelecimento Prisional de Évora
Sei que José Sócrates é culpado, mas o único castigo para a má governação consiste em não ser reeleito, à excepção do que tem acontecido com Alberto João Jardim. A má governação castiga, também, os governados, mas há quem o mereça, sobretudo se usar o voto da mesma maneira que usa o cachecol de um clube de futebol. Penso, a propósito, que faria sentido que o voto deixasse de ser secreto, para que os eleitores das maiorias pudessem ser os únicos a sofrer com as medidas tomadas pelos governos que elegeram, mesmo que indirectamente. [Read more…]










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