Reclamação de ex-Dux da Lusófona

 Fernando Martins

Fui Dux da faculdade de Medicina Veterinária na Universidade Lusófona durante 5 anos! Como deve estar a questionar-se, afinal existia mais do que um dux na lusófona. O meu curso e faculdade dentro da instituição da ulht é completamente independente do resto da instituição, assim como a nossa comissão de praxe, o nosso código e conduta de praxe! Mas contudo não deixo de ser aluno da lusófona e sinto-me totalmente caluniado. Poderia até dizer que todos os jornalistas deste país são uma vergonha , ou mesmo, todos os blogers deste país.. Mas não… O blogue referente aos alunos da lusófona é uma VERGONHOSA, SEM CONTEUDO, FUNDAMENTO, SENSIONALISTA, [Read more…]

Faz todo o sentido

Procura-se boy com experiência em ser boy. Os filhosdaputa perderam a vergonha, toda.

Que farei quando tudo arde?

Tanja Ostojic, After Courbet

Lá diz o povo que até para ser cão é preciso ter sorte. A nós calhou-nos esta matilha. E neste grupo arraçado de gente todos querem phoder na Europa. Até a elite política chinesa já procura o prazer dos paraísos nas Ilhas Virgens. Isto anda tudo ligado, não anda?

As notícias dizem-nos que a Europa já só atrai 20 % do investimento feito em todo o mundo [Read more…]

Vida e morte de uma biblioteca

A história é longa mas prometo que tem umas passagens quase palpitantes lá mais para a frente, é terem um bocadinho de paciência. O Jardim do Marquês, no Porto, teve, durante pouco mais de 50 anos, uma biblioteca. Chamava-se Biblioteca Infantil Pedro Ivo (BIPI) e foi uma das primeiras bibliotecas de bairro do país, inaugurada em 1948. Por ela passaram umas quantas gerações de crianças (ao que parece, uma delas até é hoje um autor desta casa e não estou a falar de mim). Quando começaram as obras do metro, a biblioteca foi encerrada, todo o jardim esteve em risco (se bem me lembro, correram petições pela salvação dos plátanos centenários), e a biblioteca nunca mais reabriu.

Depois de mais uma década de abandono, um grupo de cidadãos ocupou pacificamente a BIPI e propôs-se reabrir a biblioteca à comunidade. Passou-se isto a 16 de Junho de 2012.  Três dias depois, o então presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, mandou entaipar a biblioteca. E um mês depois, a CMP decidiu promover uma hasta pública de concessão do espaço, sem que nela se tivesse em conta o carácter de serviço público do local ou sequer o fim cultural que o espaço sempre tivera. [Read more…]

Há uma ética de esquerda e uma ética de direita?

No jornal Público de 22 de Janeiro é apresentado um trabalho, pela pena do jornalista José António Cerejo, sobre a Casa Fernando Pessoa, sobre a sua directora Inês Pedrosa, e sobre adjudicações. O artigo é claro. Conheço o CCP (Código da Contratação Pública), mas sem mais pormenores sobre o que foram os ajustes directos realizados (despachos de autorização de abertura dos procedimentos, consulta/s efectuada/s, etc.) não posso dizer se os casos apontados estão ou não dentro da legalidade.

Mas uma coisa eu sei, os mais elementares princípios de ética estão ausentes deste/s caso/s referidos na notícia. Esta matéria não tem tido o mesmo “tratamento” na opinião pública à semelhança de outras mais ou menos parecidas.

E daí a minha dúvida, haverá uma ética de esquerda e uma ética de direita?

Na caixa do artigo é referido o nome de Rui Pereira, director municipal.

E pensei, este director Municipal, Rui Pereira, será a mesma pessoa que foi chefe de gabinete do Secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas (ex-director da Casa Fernando Pessoa)?

Sr. Primeiro-Ministro:

caso um dia alguém lhe parta 3 dentes, algo que poderá estar para breve, poderá continuar a mentir com uma dentição completa graças à OLX. É prá jotinha e pró jotinha ehoh!

O rosto da pobreza em Portugal

Mulher, meia-idade, desempregada, baixa escolaridade, rendimento abaixo dos 150 euros. “Amedrontada, sempre com uma forte vontade de ajudar quem está pior que ela”.

Carta ao presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia

João Teixeira Lopes

Ex.mo Senhor Presidente da FCT

As anomalias várias registadas no último concurso de atribuição de bolsas de doutoramento e de pós-doutoramento configuram um atentado grave à transparência e mesmo ao princípio de reconhecimento do mérito em igualdade de circunstâncias.
Para além dos resultados desmentirem o que foi oficialmente transmitido aos avaliadores de ciências sociais, letras e humanidades, pela anterior responsável do departamento de avaliação da FCT, em reunião plenária no Hotel Altis (nomeadamente a de que a linha de aprovação seria, em todas as áreas, correspondente a 10% do total de candidaturas apresentadas), constatou-se uma disparidade por domínios que penaliza claramente as ciências sociais, incluindo a sociologia, em cujo painel de avaliação estava inserido.
Mais grave ainda, vários resultados foram alterados pela FCT (conforme se poderá verificar pelo contraponto entre a ata assinada por todos os membros do painel e os resultados oficiais), prejudicando gravemente inúmeros candidatos.
Entendo que a política científica tenha referenciais e orientações que se alteram com o quadro do poder. Mas não posso ser cúmplice de processos de atropelo à transparência, ainda que legitimados por um qualquer fanatismo ideológico que perpassa o discurso da FCT.

Assim, enquanto a atual direção da FCT se mantiver em funções, recuso-me a desempenhar o papel de avaliador, por aquela não me merecer as condições mínimas de confiança.

Com os melhores cumprimentos
João Teixeira Lopes
Professor Catedrático da FLUP

Direita

Recomenda-se a leitura deste longo texto de António Araújo, “A cultura de direita em Portugal“.

Tem lá pérolas assim:

«O que nos interessava, afinal, não era o conteúdo mas o estilo, e estilo foi coisa que jamais faltou ao Indy – entre um bom título e a verdade, geralmente sacrificava-se a verdade.» – João Miguel Tavares

In

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Estaleiros Navais de Viana do Castelo

Egídio Santos

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© Egídio Santos. A exposição Rostos é composta por dois conjuntos de imagens. Expostas numa sala estarão as fotografias que fiz em 1991 no interior dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. São 30 imagens que mostram momentos diversos de um dia de trabalho dos Estaleiros. O outro grupo de imagens, mostradas num ecrã, realizadas nas manifestações de 7 e 13 de Dezembro de 2013, transmitem a tristeza e desilusão que assolou toda a comunidade de Viana do Castelo ao saber da decisão de fechar os ENVC, despedindo a totalidade dos trabalhadores. São rostos de revolta, tristeza. São centenas de famílias que se sentem abandonadas por um governo que as devia proteger. Esta exposição acaba por ser uma homenagem à alma dos Estaleiros de Viana: os seus trabalhadores.
A exposição inaugura dia 22 de Janeiro e encerra dia 19 de Fevereiro. Local: Casa do Vinho Verde, Rua da Restauração, 318, Porto.

Ferradosa

ferradosa_1974Antiga estação da Ferradosa, 1974, anos antes da barragem da Valeira.
O comboio cruza hoje o rio num outro local.(© desconhecido)

Estudantes da Lusófona – vocês são a vergonha dos universitários

6 de vós foram engolidos pelo mar antes do Natal. Um mês depois, mantém-se um pacto de silêncio sobre o que aconteceu. Em vez de contarem o que sabem, dando às famílias dos vossos ex-colegas a única coisa que elas desejam – respostas! – fecham-se em copas. Tudo para defenderem essa palhaçada ridícula a que chamam praxe.
Ignoram que a praxe devia ser um ritual colectivo de integração dos novos alunos e não um ritual de humilhação e de violência física e psicológica. Ignoram que na vossa Universidade não há hierarquias e que são todos iguais, tenham 5 matrículas ou sejam caloiros. Ignoram que aquilo que fazem aos outros ou que deixam que vos façam é indigno de uma sociedade civilizada e de jovens que serão o futuro deste país.
O vosso silêncio representa a segunda morte de 6 colegas. O vosso silêncio vai matando o que restou daquelas 6 famílias. Traidores da memória alheia – é o que vocês são. Confraternizaram com eles, partilharam experiências, receios e expectativas. Foram seus amigos. E agora matam-nos outra vez.
Não querem saber. Simplesmente não querem saber.
Vocês são a vergonha dos universitários portugueses. Que a vossa consciência vos deixe dormir no final de cada dia. A minha não deixaria.

Em Coimbra a 21 de Janeiro de 1974 (…) rua Antero de Quental

Uma cruz carrega-a quem quer, ou se sujeita. Faz 40 anos alombo a minha, uma delas, ainda sou do tempo – quando as cruzes também mediam o fígado -, porque me sujeitei e depois porque assim a mandei estar.

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Pago, custou caro, teve seu tempo. Pago o preço de fiel na seita, acreditando em deuses miraculosos que eram filhosdaputa fabulosos. Como todos os deuses em todas as seitas. Como se fecha um puto de 14 anos com dois polícias, uma tarde, num vão de escada com a luz de Janeiro a passar sobre a Praça, ali mesmo abaixo, e a máquina de escrever, seu peculiar silêncio e som, a banda sonora do interrogatório, tarde fora. [Read more…]

Conjugação

Eu trabalho / Tu trabalhas/ Ele trabalha/ Nós trabalhamos / Vós trabalhais/ Eles lucram.

Lusofonia Games 2014

Yeah, yeah: Lusofonia Games.

Lamento a grafia *aspetos da notícia apontada. Aliás, ‘aspetos’ é palavra extremamente interessante  — do ponto de vista da “unidade essencial da língua portuguesa”, claro.

Língua portuguesa: aquela que não é ‘primeira língua’ nos Jogos da Lusofonia. Sim, da Lusofonia.

O responsável [Artur Lopes] referiu que, tratando-se dos Jogos da Lusofonia, não se entende que a primeira língua não seja o português, com uma tradução em inglês: “Aqui é o inglês e, às vezes, existe uma tradução portuguesa”.

Actualização (22/1/2014): Recomendo a consulta desta nótula, na página da ILC contra o Acordo Ortográfico.

Um jornal que ainda não foi inventado

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© Jorge Colombo

Vi (ouvi) com interesse os participantes no Prós&Contras de ontem, dedicado aos «conteúdos» jornalísticos do futuro (devir próximo, sem dúvida). Mas também com tristeza, por verificar a que ponto os jornalistas profissionais da minha geração andam de facto «aos papéis», como bem disse Ana Sá Lopes. E andam aos papéis porque, creio eu, têm andado demasiadamente preocupados com o «modelo de negócio» e insuficientemente com o jornalismo propriamente dito. O que é compreensível, atendendo àquela que tem sido a realidade da generalidade dos jornalistas desde a morte anunciada da imprensa que constituiu a massificação do acesso à Internet.

De costas largas, a Internet tem desde há vários anos servido para justificar a destruição dos jornais, o despedimento de jornalistas, a reconstituição das redacções com recurso a jornalistas precários e estagiários, a redução de todos os meios, humanos uns e financeiros outros, a dispensa de revisores (tão importantes para a manutenção da qualidade dos textos) e outras etapas que paulatinamente têm vindo a ser queimadas, suprimidas no processo de produção da informação jornalística. Acrescente-se a esse panorama, já de si desolador, o «tráfico» de crónicas, por vezes a soldo zero, que cria espaço nos jornais para a defesa de interesses particulares e/ou de classes específicas da sociedade portuguesa.

Mas mais largas ainda do que as da Internet serão as costas do «novo paradigma», à boleia do qual se têm cometido todo o tipo de «erros estratégicos», [Read more…]

Remendos

Um dos sinais da crise é o regresso dos sapateiros. Não sei que fizeram durante aqueles 10 ou 15 anos em que nem quisemos ouvir falar de semelhante coisa, pôr meias-solas, que miserabilismo, mas aí estão eles de novo. Nunca deixei de ir aos sapateiros, sobretudo por causa daquele prodigioso alicate de estrela que abre furos nos cintos, mas nem sempre foi fácil encontrá-los na cidade.

Custa a crer que, na minha infância, o sapateiro mais importante da zona tivesse uns quantos ajudantes, que não eram mais que futuros profissionais que os pais entregavam nas mãos do sapateiro experiente para que ele os formasse ao longo dos anos. A oficina do Faria, o tal sapateiro, parecia saída de um romance de Dickens. Os clientes não entravam na oficina, assomavam-se ao balcão, e daí via-se todo o espaço. No centro, estava o Faria, ocupadíssimo, sem nunca se permitir uma brincadeira, segurando com os lábios finos os pregos que ia cravando num tacão, e com olhos inquietos, controlando tudo o que acontecia na oficina, sem nunca poder tranquilizar-se. Vestia uma bata que eu recordo azulada e cheia de remendos, usava óculos de lentes grossas e tinha um cabelo ralo e triste, muito pegado à cabeça. [Read more…]

Queres que te faça um desenho? Então, toma

sacrifícios

Estudo calcula que bancos europeus têm necessidades de capital de 767 mil milhões de euros

E esta, hein?

“Tudo o que temíamos acerca do comunismo – que perderíamos as nossas casas e poupanças e nos obrigariam a trabalhar eternamente por escassos salários e sem ter voz no sistema – converteu-se em realidade sob o capitalismo” – Jeff Sparrow

Privatiza, filho, privatiza!

Miró

Exactamente: “by decision of the Portuguese Republic“.

 

Leitões, ladrões e aldrabões.

Leitão

Muito resumidamente, a coisa foi assim: havia um congresso do CDS-PP em Oliveira do Bairro e, como seria de esperar, alguns congressistas estavam com fome no final do certame. A comitiva do CDS-Algarve, no seu percurso de volta a casa, decidiu parar na Mealhada para se deliciar com o famoso leitão à bairrada. Local? O conhecido restaurante Meta dos Leitões.

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A família

o-padrinho

Exacto, a família.

“Department of Corrections”,

escreve hoje Paul Krugman. Se isto vai parar a uns sítios que eu cá sei, é possível que apareçam umas *corretions.

Calma, é só fumaça

Tipología, por Jorge Alaminos, Tlaxcala

Apenas nos últimos dias:

1. Fisco apanha Marques Mendes em venda ilegal de acções

2. Agostinho Branquinho, Secretário de Estado fez lobbying durante dois anos para conseguir abrir hospital privado

3. Empresa que levou a demissão no MAI custou mil euros

Não há aqui um padrão qualquer? [Read more…]

O Triângulo de Lousado

comboio_lousadoComboio Guimarães-Famalicão, anos 70. (© desconhecido)

Arrastão fecha as portas

Como tudo na vida, também a vida de um blog tem um fim. Digo ‘adeus’ ao Arrastão com um ligeiro sentimento de nostalgia mas sem sentimentalismos. Já foi um blog imprenscindível da esquerda mas, ao longo dos últimos tempos, perdeu fulgor e estava a mirrar.

Há uns anos atrás, frequentava-o com aguma frequência. Não diária mas pontual. Não lia tudo, mas alguma coisa. Não concordava com tudo, aliás discordava de muita coisa, mas era importante para perceber argumentos de alguma esquerda no debate de temas relevantes da sociedade portuguesa.

Agora o Arrastão fecha as portas. Até ao próximo.

Claudio Abbado (1933 – 2014)

Precioso

Um mapa histórico animado  com 3000 anos da Península Ibérica, ou de como iberos nos arrumámos no nariz da Europa, e arrumaremos, num universo de séculos nenhuma fronteira é imutável.

Mapas originais em diapositivos podem ser vistas por exemplo nesta História de Espanha em 8 minutos:

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Hoje, lembrei-me de Djavan

A que propósito? Já lá vamos.

Através do jornal O Estado de S. Paulo, ficámos a saber que Cavaco Silva se pronunciou acerca de Eusébio, nos seguintes termos: “uma pessoa de qualidades humanas excepcionais“.

Exactamente:

estadao

Curiosamente, sabendo nós aquilo que muito bem sabemos, o presidente da República terá de facto escrito excepcionais e a máquina devoradora de consoantes gerou este ‘excecionais’.

excecionais cavaco

Isto é, só recorrendo a um jornal brasileiro é que podemos ter uma ideia daquilo que o presidente da República Portuguesa efectivamente escreveu.

Sim, sem AO90, em Portugal e no Brasil, escreve-se ‘excepcionais’. Sim, com o AO90, no Brasil escreve-se excepcionais e em Portugal escreve-se excecionais — é um paradoxo, eu sei, mas a culpa não é minha.

***

Agora, Djavan.

Lembrei-me de Djavan, por causa [Read more…]

Portugal é campeão europeu

selnac

Portugal regressou hoje à segunda divisão europeia de hóquei indoor, ao conquistar o título de campeão da terceira divisão, disputado em Zelina, na Croácia. Escrevemos há alguns anos que o lugar de Portugal, em função da sua realidade, será na segunda divisão, podendo, em boas safras, ir esporadicamente à primeira divisão, onde pendulam as oito potências da modalidade. Por um conjunto de circunstâncias fortuitas, não ousávamos fixar-nos. Agora, que conquistámos esse desiderato, há que trabalhar para nos mantermos.

Portugal começou bem a prova, como escrevemos na sexta-feira, cilindrando a Hungria e a Finlândia. Ora, o segundo dia de prova mostrava-se à partida muito complicado, dado que iríamos defrontar o País de Gales e a Croácia, apontados á partida como os favoritos. [Read more…]