Eu também estive lá e vi!

Sim Francisco, o Paulo Fonseca é um treinador muito fraco. Não podemos acertar sempre! Mas esse vídeo que partilhas e ao qual o seu criador chama “O maior roubo da história do futebol” é no mínimo uma brincadeira de crianças à beira deste que agora te trago e que com certeza te lembrarás. O árbitro? O incontornável João Ferreira. E mesmo com a arbitragem escandalosa, a mais escandalosa que alguma vez vi, a melhor equipa em campo ganhou. Eu estive lá e vi! E não me lembro de ver comentários do Jorge Jesus sobre o sucedido 🙂

Praxes, Meco, loucura e morte

Uma excelente compilação de notícias, e hoje a confirmação. A praxe mata.

O lado errado da história

O Canadá mandou  uma delegação  de grande peso político ao funeral de Mandela:  o actual primeiro ministro, Steven  Harper, e três antigos primeiros ministros, os conservadores Brian Mulroney e Kim Campbell, e o liberal Jean Chrétien. A Mandela, desde que saíu da prisão e acabou com o apartheid, foi oferecida a cidadania canadiana, com passaporte e toda a parafernália burocrática inerente. Era, pois, um homem a quem o Canadá amava  e a quem honrava. O governador geral não foi ao funeral porque a chefe do estado canadiano, Raínha Isabel II,  já  estava representada pelo Príncipe Carlos. O mesmo se diga da Austrália e da Nova Zelandia. A Commonwealth não é uma treta: funciona e tem poder.

Brian Mulroney, em entrevista que todo o país viu, explicou o tratamento dado a Mandela: “em todas as situações, temos de ter o maior cuidado para não ficarmos do lado errado da história”.  E disse bem, porque é importante um país ficar do lado certo. Nenhum povo gosta de ficar do lado errado. Por uma daquelas travessuras em que a política é fértil, depois de Mulroney os barões do seu partido, o conservador, trataram de tornar impossível a eleição da primeira ministra provisória Kim Campbell, uma senhora que teria proporcionado ao país um enorme salto qualitativo, graças à sua notável qualidade política e cultural, o que representou uma garantida e duradoura estagnação. O Canadá não gostou de ter perdido o comboio da história e esse mal estar é cada vez mais evidente. [Read more…]

As Assembleias Distritais

A reforma do Estado é um tema actual e toda a gente fala disso (embora eu ache que para este  governo essa reforma seja despedir funcionários públicos, privatizar serviços/ áreas da administração e cortar nos vencimentos, mas isso são contas de outro rosário).

Assim trago hoje para aqui um exemplo de algo anacrónico na nossa administração pública, as Assembleias Distritais. São orgãos que ainda hoje existem, com património próprio e com pessoal.

Para que servem e o que fazem? Pois……..

Uma leitura rápida (são duas páginas e pouco) pelo Decreto-Lei 5/91 de 8 de Janeiro de 1991 que definem o que são, competências, etc, é esclarecedora!

Combustível Repsol nos Túneis da Madeira*


Deus protege os audazes até ao dia em que se cansa…
* ou Açores?

Ary morreu há 30 anos

As canções: Um Homem na Cidade, os Retalhos, o Cavalo à Solta. Os poemas: a Arte Peripoética, o João Ratão. Sim, foi há 30 anos.

ary

O Escravo

Maria de Almeida

adenor gondimFoto: Adenor Gondim

As previsões meteorológicas diziam que era o dia mais quente daquele verão. E a verdade é que por muito leve que fosse a roupa, o corpo teimava em produzir água para combater o estio que se sentia.

No mesmo local onde Abdul estivera, destilava-se, naquela tarde.

A porta e a janela aberta, com a pequena corrente de ar que provocavam, não chegavam para fazer baixar a temperatura que se fazia.
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“Direção” também leva aspas

Se o Sul Informação tinha como objectivo seguir a boa prática dos jornais A BolaExpressoDiário de Notícias, ainda há determinados aspectos que devem ser melhorados. Se *espetaculares leva aspas, *Direção (Regional de Cultura) também tem de levar. Não sendo *Direção brindada com aspas, não se percebe o motivo de estas ornamentarem o *espetaculares. Tertium non datur.

sul informação

O referendo – ontem, hoje e amanhã:

No dia em que Pedro Passos Coelho apresenta a sua candidatura a presidente do PSD aos militantes do Norte de Portugal e um dia depois do que aconteceu na Assembleia da República, deixo aqui palavras antigas sobre o tema ditas por Pedro Passos Coelho. As mesmas que lhe ouvi num dos jantares com blogues realizado em Lisboa (e depois reproduzido na comunicação social):

 

Captura de ecrã 2014-01-18, às 02.49.31

 

É por isso que ainda não percebo o que se passou.

Entrega-se a quem

provar pertencer-lhe

A teocracia na Europa

parece estar a chegar.

Excepcionais: com pê, claro

Neste texto de Daniel Oliveira, encontramos, no mesmo parágrafo, ‘excepcionais’ e ‘atual’.

DOLIVEIRA

Para quem ainda tiver dúvidas (apesar das bases: quer a teórica, quer a outra) acerca de escreventes da norma portuguesa europeia intuírem a função diacrítica de consoantes não pronunciadas, a recaída excepcionais de Daniel Oliveira – apesar da aparente destreza na supressão do ‘c’ de actual (com função, sim, embora não diacrítica) – poderá ajudar a perceber que a simplificação proposta pelos negociadores do Acordo Ortográfico de 1990 lhes toldou (fiquemos pelos aspectos técnicos – aqueles que me interessam – e não enveredemos pelo labirinto político) a dimensão leitura, indissociável, em leitores/escreventes experientes, da dimensão escrita.

Dito (ou escrito) de outro modo, ao grafar ‘excecionais’, um escrevente português terá a sensação de que o -cecionais dessa palavra, em vez do [-sɛsjuˈnai̯ʃ] pretendido,  reflecte um [-sɨsjuˈnai̯ʃ] inexistente e, por isso, não abdica do ‘p’.

Sim, porque não é só no livro do Eduardo Guerra Carneiro e na canção do Sérgio Godinho que isto anda tudo ligado.

É evidente que tudo se complicará se Daniel Oliveira (ou qualquer falante de português europeu) tiver o hábito de ler textos em português do Brasil. Pois, claro, no Brasil, excepcion |-al-ais continua a existir (ide ver ao Houaiss, ide, ide) e significa “em que há exceção”. Pois. Isto do AO90 não é tão simples como andaram por aí a dizer e, claro, não é bem a meia hora vaticinada pelo antecessor de Edviges Ferreira. Sim, é muito complicado. Mais vale acabar com este imbróglio, antes que seja demasiado tarde.

Desejo-vos um óptimo e excepcional fim-de-semana.

Post scriptum: Em discussão no edge.org: “what scientific idea is ready for retirement”? Vale a pena ir lá dar uma espreitadela.

Portugal goleia no Europeu

croacia

Portugal entrou de forma assertiva no Europeu indoor, que se realiza na cidade croata de Sveti Ivan Zelina, goleando, de manhã, a Hungria (9-3) e, à tarde, a Finlândia (10-3).

A equipa das quinas ultrapassou assim um velho mito, o de se dar mal com as entradas em competições internacionais, que tantas vezes tem condicionado a classificação final. Mas convém lembrar que o dia de hoje apenas serviu para aquecer os motores. De facto, amanhã, os jogos vão ser muito renhidos, uma vez que, no papel, Portugal vai defrontar os grandes rivais no assumido papel de candidato à subida de divisão. E dizemos assumido, porque o seleccionador nacional, Mário Almeida, o asseverou à partida para a Croácia.

port_finl

Ao fim da manhã, os “linces” defrontam, então, o País de Gales e, ao fim da tarde, os anfitriões croatas, a jogarem tudo na subida.

Para a história deste primeiro dia, lugar aos marcadores: David Franco (5); André Rocha e Ricardo Teixeira (4); Ivo Moreira (2); Carlos Silva, Miguel Rodrigues, João Santos e Tiago Ventosa (1).

Penso que Portugal, para poder pensar alto, terá de defender melhor na situação de canto curto já que, dos seis golos sofridos, cinco foram permitidos nessa situação. Muito trabalho de laboratório é necessário hoje, como nos confidenciava, minutos depois do jogo, Mário Almeida.

Alto, eles vêm aí

M. Python santo graal

A generalidade dos deputados europeus está de acordo sobre a falta de transparência e de controlo democrático da troika

É como nos filmes, quando chega a cavalaria já estão todos mortos. Mas, olha, mais vale tarde do que nunca. E até aposto que não tem nada que ver com as eleições europeias que aí se aproximam, pois não?

[imagem: “Monty Python e o Cálice Sagrado“, (1975)]

Já diziam os antigos

Com referendo à vista, não se olha o resgate.

Que horror!

Existe ‘um’ campanha! Fujam!

Antes de ter as costas quentes

Paulo Fonseca dizia assim. Depois de ter as costas quentes, diz assado. Problemas de memória? Estive lá e vi. Comentários de Fonseca sobre isto? Não ouvi.

Sabe o que é o “rolezinho”?

É flashmob de pobre.” Ou os ex-excluídos “metendo o pé na porta”.

“A felicidade pública é um desígnio da política”

Assim nos ensina a aposentada Assunção Esteves, com medo do “inconseguimento” de uma Europa não conseguida, sem o “soft power sagrado“, o medo do não conseguimento… em francês, “re-ur-sir”.

A banca ganha sempre

A notícia dá conta de que o Tribunal da Relação de Évora decidiu que a entrega de um imóvel ao banco não extingue o empréstimo para habitação quando a venda do imóvel é inferior ao valor em divida, e ordenou a penhora de salários.

Sem conhecer o caso, e apenas com base no que a notícia conta, constata-se a perfeição do sistema, qual engrenagem sofisticada de relojoaria suíça. Reparem: foi o próprio banco, o BCP, a comprar a casa que os antigos proprietários não podiam continuar a pagar. E como era o único interessado, comprou-a, claro está, abaixo do valor do empréstimo e até abaixo do valor da sua própria avaliação. Resultado: os devedores ficam sem casa, com uma dívida de 25.500 euros e os salários penhorados.

A cereja em cima do bolo: o valor do processo não permite recorrer para um tribunal superior.

Caso encerrado, a banca voltou a ganhar.

Foto: André Pais

Os Mirós, o Património Cultural e a hipocrisia

A sra. deputada Gabriela Canavilhas, ex-Ministra da Cultura do 2º governo de José Sócrates (2009-2011), vem insurgir-se contra a venda dos badalados Mirós, por parte do Estado Português. Argumenta com a eventual inventariação e classificação dos quadros, baseando-se na Lei de Bases do Património Cultural (Lei 107/2001).

A sra. deputada alega que a referida Lei de Bases estabelece de forma clara princípios fundamentais e estruturantes que atribuem ao Estado responsabilidades inequívocas na salvaguarda e valorização do património cultural”.

E continua, “Se não der seguimento à inventariação, tal como a lei prevê, então [o Estado] estará a contornar a lei e a afirmar publicamente que pretende deixar alienar bens públicos sem sequer os inventariar, o que é muito grave. E só temos duas semanas para travar este processo”.

Pois, digo eu. Isto é tudo muito bonito, mas pergunto, o que andou a sra. deputada Gabriela Canavilhas a fazer quando foi Ministra da Cultura? Uma coisa é certa, achou que a área do Património Cultural e dos Museus não era importante, pois delegou no seu Secretário de Estado essas matérias. O que desde 1980 até 2011 (sim, em 31 anos) nunca tal tinha sido feito por parte de todos os Secretários de Estado da Cultura (quando não havia Ministério) nem por parte de todos os Ministros da Cultura!

 

Zelig

A história de Leonard Zelig, o homem-camaleão que consegue transformar a sua aparência na das pessoas à sua volta, é Woody Allen no seu melhor.

Ficha IMDB. Legendado em português.

Braga TV Procura Mamífero Bípede

estagiario-gratis

que faça o lugar de estagiário curricular durante três meses (depois vem outro e outro). Grátis, portanto.
Ah, convém que possua “excelente domínio do Português (verbal e ortografia)“, faça umas entrevistas, edite vídeo, more em Braga e tenha também “responsabilidade nas suas funções”.
Se são “funções”, porque é que têm que ser desempenhadas gratuitamente? Se até os broches na lapela se pagam…

Na morte de Juan Gelman

Recorde-se a belíssima carta que endereçou à neta que a ditadura militar lhe roubou e que demoraria 24 anos a encontrar.

Fingidor

relógio

não conhecem o meu sentido de missão (…) a crise foi superada (…) Sou de ficar, não sou de abandonar

não poderemos voltar à irresponsabilidade, não poderemos viver na excepcionalidade teremos que dizer à sociedade os limites até onde ir (…) O reino dos demagogos terminou

No tempo em que ainda não havia internet, vi uma capa na banca dos jornais que gostaria de relembrar. Vivíamos em pleno cavaquismo. Sim, esse mesmo, a lapa de Belém, o tal que diz que não é político, mas que não larga o poder. Ao lado dos jornais desportivos lá aparecia regularmente a famosa revista do Vilhena (seria talvez a “Fala barato”). Nessa capa, Roberto Carneiro, na altura ministro da Educação, aparecia rodeado de um rancho de filhos e dizia: “O que é que posso fazer? Gosto de foder” e encolhia os ombros. [Read more…]

Um estranho referendo

Existem matérias onde o confronto “direita vs esquerda” não entra. A co-adopção é um deles. Por isso mesmo, subscrevo este artigo da deputada Isabel Moreira (do PS).

Sem que tal possa servir de justificação para o Blasfémias apelidar esta casa de “blogue neo-esquerdista”. Meu caro Amigo Rui, um blogue onde escrevem, entre outros, perigosos gajos de direita (que são leitores do Blasfémias) como o Carlos Osório, o José Magalhães ou mesmo eu, nunca será “neo-esquerdista” 🙂

Projecto Troika

Não números em folhas de excel, mas rostos, nomes, histórias, vidas. Oito fotógrafos e um realizador propõem-se mostrar um país sob o domínio da troika. Uma plataforma online, um livro e um filme serão o legado que esperam deixar, um retrato do país ao longo deste período, uma memória perene de quanto nos tem acontecido como povo.

Adriano Miranda, António Pedrosa, Bruno Simões Castanheira, José Carlos Carvalho, Lara Jacinto, Paulo Pimenta,  Pedro Neves, Rodrigo Cabrita e Vasco Célio são os autores.  Quem quiser contribuir para o financiamento do projecto com um donativo (a partir de 1 euro) poderá fazê-lo  através da plataforma Projecto Troika. [Read more…]

(re)Lembrando Eugénio de Andrade

cartaz comemoracoes Eugénio de Andrade

Se eu estivesse aí no Porto, e lá não estivesse o gelo que por aqui faz e está, até que talvez me apanhassem lá… ler o resto

Os Mirós do Japão*

        Nos últimos dias, alguns jornais, nomeadamente o Público, noticiavam que havia uma petição on-line no sentido de impedir que uma colecção de cerca de 85 pinturas de Juan Miró, propriedade do Estado Português, fosse vendida. Desde logo apareceram os “bitaiteiros” do costume. Que sim, o Estado não tem capacidade para ser proprietário de tal colecção, e o montante da venda serviria para abater ao prejuízo daquele banco. Que não, a venda da colecção é um crime de lesa pátria. E por aí fora.

Por aquilo que fui lendo, o assunto incomoda, e parece que ninguém (da comunicação social a responsáveis do BPN, passando pelo Ministério das Finanças, etc.) esclarece o que de facto se passou. Felizmente há alguém que tem escrito sobre o assunto, e de forma acutilante. Lendo o que Manuel de Castro Nunes escreve (vários posts)  percebe-se tudo. [Read more…]

Nestas casas houve gente

imoveis da banca
Imóveis da banca, retratos arrepiantes de casas penhoradas por André Pais, via P3.