Ou o neo-futurismo russo explicado aos portugueses.
Postcards from Romania (21)
Elisabete Figueiredo
A igreja na colina é o lugar mais bonito do mundo
Subo, com dificuldades, os 176 degraus das escadas cobertas. São de madeira e pedra, escuras e irregulares. Mas chego ao cimo do monte. Ainda tenho folego. E subo mais ainda até à Biserica din Deal que é como quem diz, em romeno, a ‘igreja na colina’.
«Esta obra foi concluída, com a ajuda de Deus, no ano de 1488 quando, no dia de S. Gerardo (23 de setembro) um forte nevão destruiu as árvores de fruto», leio no papel que me dão com a tradução da inscrição em latim por cima da porta principal. No dia em que um forte nevão destruiu as árvores de fruto? Que descrição tão rara.
Onde estaria Deus? A ajudar nas obras, provavelmente, penso. E sorrio sozinha, diante da ideia de um deus servente de pedreiro que, no afã de concluir a obra dos homens, deixa que um forte nevão destrua as árvores de fruto.
(Sighisoara, 11 de Agosto de 2012)
Não são os ricos que criam empregos, são os consumidores
Quem o diz é o perigoso comunista capitalista Nick Hanauer. Deixando de lado a polémica sobre os critérios TED para publicação e/ou censura, fica o vídeo agora devidamente legendado. O texto já tinha sido em grande parte traduzido pelo Público.
Mães africanas
É uma delícia…
Os filhos bem juntinho à mãe que trabalha. Muitas vezes eles dormem ao «som» do trabalho que ela faz e do ambiente que a ambos cerca, no sobe e desce do corpo de sua mãe.
Isto não é pensável no nosso continente. Mas se eu pudesse tê-los, senão às costas deste jeito enquanto são pequeninos, pelos menos debaixo do mesmo tecto para puder dar uma espreitadela e um beijo ao longo do dia!
Postcards from Romania (20)
Elisabete Figueiredo
Há uma velha a vender flores nas escadas cobertas
Subo uma rua empedrada. Irregular. Há passeios direitos mas em cima deles estão, que surpresa, os automóveis. Chego à escada coberta. 176 degraus até ao Monte da Escola. Avanço. Ao avançar, reparo nela. Um pequeníssimo ramo de flores numa das mãos. Milhares de rugas na cara, como estradas num mapa para que ninguém olha. Com a outra mão mostra um dedo: 1 leu pelas flores.
Estou para lhe comprar o ramo, mas depois, que farei dele? Fico ali, à entrada das escadas a olhar para ela. E penso, outra vez, que o património da humanidade é isto, não as pedras. Estas ruas que atravessam a cara dela, para lugar nenhum. Ou para o mundo inteiro.
Não há, em nenhuma torre do mundo, uma placa que diga a que distância estou eu desta mulher.
(Sighisoara, 11 de Agosto de 2012)
O ensino profissional é um logro
Santana Castilho *
É recorrente considerar que a falta de preparação profissional responde por boa parte da falta de competitividade da economia portuguesa, embora seja astronómica a dimensão do dinheiro consumido por programas de formação, em 38 anos de democracia. Compreende-se o paradoxo quando se analisam os critérios (ou a sua ausência) que têm presidido às respectivas decisões políticas. Nuno Crato acaba de persistir na via da leviandade. Não é ele que conhece as necessidades de formação dos activos das empresas. São os próprios e as suas empresas. Não é ele que deve decidir sobre o futuro dos jovens. São os próprios e os seus pais. Mas proclamando irrelevâncias e desconhecendo realidades, acaba de desviar 600 milhões de euros, reservados à formação de activos, para financiar o sistema formal de ensino e serenar os reitores (para as universidades e uma tal “formação avançada” irão 200 milhões). A isso e a um esboço de resposta atabalhoada ao prolongamento da escolaridade obrigatória se resume o que acabou de fazer, em nome do mal tratado ensino profissional. [Read more…]
Construção em crise
Já tínhamos reparado: a construção está parada em Portugal.
“Crise levou quase 900 construtoras à falência”, faz capa do Público de hoje..
Não há dinheiro para comprar casa nova “e o Estado não tem dinheiro para fazer obra. O sector da construção aprofunda a crise e em sete meses acumula a perda de 868 empresas”.
E este sector não pode apostar agora na recuperação, restauro e reabilitação de casas habitadas e outras tantas e tão bonitas pela sua antiguidade que se encontram por toda a parte?
Foram muitos anos a pensar no «novo» e em construir de raíz a uma velocidade exagerada…
É só um reparo de uma leiga…
Postcards from Romania (19)
Elisabete Figueiredo
Os olhos do Drácula
Desço da torre sem dificuldades. Haverei de ter algumas um pouco mais tarde. Atravesso a rua que vai dar à praça principal de Sighisoara, passo a casa onde supostamente nasceu e viveu Vlad Dracul, no século XV e dou de caras – estamos no século XXI, portanto – com um homem vestido de Drácula.
Falemos de folclore, então, se vos apetecer.
Tiro uma fotografia ao homem. Há no olhar dele qualquer coisa de profundamente triste, talvez não triste afinal, mas há nestes olhos qualquer coisa difícil de compreender, enquanto encara a máquina que lhe aponto. Chego a envergonhar-me. Hei-de cruzar-me com ele, mais três ou quatro vezes neste dia e reparar sempre na dificuldade daqueles olhos.
Se eu tivesse que me vestir de Drácula, todos os dias, como seria o meu olhar? Ainda bem que, assim como assim, prefiro o Rato Mickey.
(Sighisoara, 11 de Agosto de 2012)
O sabor português vale ouro em Inglaterra
Parabéns ao queijo da Beira Interior que acaba de ganhar medalha de ouro em Inglaterra. Entre cerca de 9000 sabores, o queijo de Castelo Branco conquistou os 300 elementos do júri do Concurso Internacional Great Taste Awards 2012 que os avaliaram em provas cegas.
Vai o queijinho da Beira Baixa acompanhado com um copo de vinho tinto alentejano e um pedacinho de pão de Ul (Oliveira de Azeméis)?
Prémio internacional de teatro para Portugal
O Marcelo Lafontana é, provavelmente, o mais vila-condense dos brasileiros e é, há vários anos, a alma do Teatro de Formas Animadas. O espectáculo Prometeu recebeu o prémio de melhor espectáculo para a infância da XV Feira de Teatro de Castilla y León. Não sei se Portugal o merece, mas o Marcelo, graças ao que faz pelo teatro em Portugal e devido à qualidade com que o faz, merece, também, este prémio, tal como todos aqueles que são seus cúmplices nestas andanças.
Por falar em cúmplices, a fotografia que ilustra este texto é do Pedro Martins. A seguir ao corte, têm direito, ainda, à notícia sobre o prémio, à ficha técnica do espectáculo e a um vídeo. Aqui é de graça; quando puderem, não percam o privilégio de pagar bilhete.
Postcards from Romania (18)
Elisabete Figueiredo
Do cimo das torres vê-se o mundo inteiro.
Não podia ser mais verdade isto. Placas no varandim informam-nos das distâncias a Londres, Paris, Baden-Baden, Sydney, Nova Iorque… a Lisboa não. Do cimo das torres vê-se (quase) o mundo inteiro.
Uma das placas informa-me que me encontro a 3975 km do Pólo Norte. Coisa pouca, se pensarmos que o Pólo Sul dista 14025 km daqui.
Tenho amigos mais longe de mim do que daqui ao Pólo Norte. No entanto, não conheço ninguém em nenhum destes sítios e decido que o melhor é ficar por ali. Ver o mundo inteiro, esta pequena vila, a partir da torre.
Reparo num homem e num miúdo. Terá 5 ou 6 anos. Pergunto ao senhor se me tira uma fotografia. Diz-me que até duas. E ri-se. O puto olha para mim e diz muito alto: ‘germania, germania?’ Respondo-lhe que não. Volta a repetir, tão alto como a torre, numa expetativa que me custa não cumprir: ‘germania, germania?’. Digo: Portugal. Encolhe os ombros. Vira-me as costas. [Read more…]
Portugal no tempo das Descobertas: India e Brasil
Súmula útil destes dois pontos do programa do 8.º ano de História.
Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI.
Unidade 5.1. – A Abertura ao Mundo
Fotografias imaginadas: Frida e Maiakovsky
Frida Kahlo e Mayakovsky juntos depois de falecidos. Veja os originais: [Read more…]
Este mundo não é para velhos
Postcards from Romania (17)
Elisabete Figueiredo
Em Sighisoara, vila medieval, património da humanidade
Andava aos dias a pensar que ainda não tinha subido a uma torre. Em mim, é estranho. Uma vez na Estónia, em Tallinn, num dia, hei-de ter subido a umas cinco torres. Tenho a mania das alturas, apesar, como já disse, das vertigens.
Eis a torre do relógio. Uma torre para subir. E eu subo. 120 degraus, nada de mais. Sobretudo se comparado com os quase 400 degraus que uma vez subi em Praga. Quando cheguei lá acima, andava tudo à roda e eu sem folego. Aqui não. Os degraus sobem-se bem e, apesar dos cigarros, digamos, que poderia estar em piores condições.
(Sighisoara, 11 de Agosto de 2012)
Já saíram as listas de colocação de Professores, vamos para a rua
São conhecidas as listas de colocação dos docentes que concorreram aos Açores.
Mas esta será a mensagem sobre o concurso para o Continente que todos vão querer ouvir e ler nos próximos dias.
A data prevista é a próxima sexta-feira, 31 de agosto e são muitos os milhares de professores que não fazem, ainda, a mais pequena ideia do que vai ser a sua vida na próxima segunda-feira.
Se para uns a questão é saber em que escola vão trabalhar, que alunos e anos vão ter, para a maioria a questão é bem mais grave – há ou não emprego?
Por mais que se concentrem nas ofertas de escola que estão a decorrer, essa é também uma solução pouco interessante porque as vagas podem (e serão!) ocupadas por colegas dos quadros que ainda estão sem serviço atribuído. O que deveria ter acontecido era um bocadinho mais de dignidade do MEC – publicavam as listas de colocações no dia 31 e no dia 3 abriam as vagas, em oferta de escola, que realmente o são.
É que quase todo o trabalho (imenso!!!) que estão a ter agora será simplesmente para nada.
Até por isso e porque 6ªfeira vai ser um dia bem especial penso que fará sentido que todos os professores se juntem, na rua, ao fim da tarde. É o momento de mostrar ao país o que nos vai na alma!
Vais?
O Meu Movimento
O governo já deu início à 2ª edição de O Meu Movimento. Qualquer cidadão pode criar um movimento, baseado numa causa que considere popular. O mais votado será recebido por sua excelência o Primeiro-Ministro.
Reparo que no Top 5 estão movimentos pró-animais. Em cinco, 4 estão associados aos animais. E mais uma vez as touradas vêm à baila… Um apenas está preocupado com as PESSOAS (defende a limitação do número de alunos por turma), e está muito bem.
Crie o seu movimento. É muito fácil, eu própria o fiz na 1ª edição (mas não deu em nada, claro). Se defender as pessoas e os seus direitos, tem o meu voto!
E já agora, o que é uma causa popular para si? Que o levasse a criar um movimento «de jeito»?
Regresso ao ruído hertziano
Boa noite, meus senhores, minhas senhoras, lindas flores
Que aqui estais neste salão,
Eu p’ra todos vou cantar e a todos quero saudar,
Do fundo do coração.
Conheceis esta charamba? Se não, ide ouvi-la aqui e lê-la aqui.
Andei uns tempos por lusas terras sem radiações e, confesso, sinto-me muito, muito, mais saudável. Mas olhem que não foi pela ausência das malvadas ondas hertzianas do wi-fi mas porque não vi televisão, não ouvi rádio, não li jornais e não tive net. E sabeis que mais? Não me fez falta nenhuma e, ao que parece, a vida continuou no seu habitual (e fadado) ritmo.
Mas voltei, voltei de lá. E descobri que anda tudo histérico com a RTP, com taxas e quejandos. Devem ser as saudades do Prós&Prós ou do Preço Certo. Disso ou de uma empresa que estoirou mais dinheiro do que os transportes públicos, é usada por todos os governos para propaganda e ainda para mais recebe um maravilhoso imposto cobrado na factura da luz, veja-se ou não a dita. Mas, é em prol da cóltura, logo, vale a pena – é isso, não é?
Ai, ai, ai. Era para só para dar as boas noites e já me estou a esticar pela politiquice. Bem se vê que as férias já se foram.
PS: para evitar julgamentos por quem leia mais do que o que está escrito no post, desde já declaro que as notícias plantadas na comunicação social sobre a forma de vender a RTP demonstram uma enorme demência governativa.
Saia uma equivalência em Linguística Petrolífera para Miguel Relvas
aquilo que nos une a todos é a língua e a língua é o petróleo desta relação, é o que nos dá força, é o combustível desta relação e nós temos de continuar nesse caminho
Relvas dixit, em Timor.
Postcards from Romania (16)
Postcards from Romania (15)
Elisabete Figueiredo
As aldeias da Roménia
As aldeias da Roménia, já o disse, existem para além da minha imaginação. Reparem que não estamos num país inefável (como dizia o Sena), mas sim num país da União Europeia. Venho de Brasov, uma cidadezinha encantadora, se excluirmos os blocos de apartamentos dos arredores, as estações de autocarros e de comboio. Vou para Sighisoara, uma vila – diz-me o meu guia (atualizado, acabei por comprar um novo, em francês) – património mundial da UNESCO. E no meio, esta Roménia. [Read more…]
A múmia seca de uma democracia
O jornalista José Vitor Malheiros já nos habituou aos bons textos e às pertinentes perguntas. Hoje, no Público, sublinho o que escreveu, que é quase:
1- O exercício da cidadania numa democracia não se esgota na prática do voto durante as eleições;
2- Espera-se de um cidadão responsável que, na medida das suas possibilidades e interesses, aja politicamente;
3- que participe nos debates políticos onde estão em causa os princípios que moldam a vida pública e as normas da vida em sociedade;
4- que tome posição;
5- que defenda os seus pontos de vista e os seus interesses usando os meios à sua disposição, da discussão pública no café ou no Facebook ao uso dos meios de comunicação clássicos e de outros fóruns;
6- que interpele os poderes;
7- que participe nas organizações profissionais e sindicais que lhe dizem respeito; que lute por condições que garantam maior equidade, justiça e bem-estar para si, para os seus camaradas de trabalho e para a sociedade em geral. [Read more…]
Herói nacional com 100 anos de perdão
Carteiristas: um português foi ao bolso da troika. Albert Jaeger, representante do FMI, ficou sem a carteira no eléctrico 28.
Aborto mental
No Estado do Arizona, EUA, as mulheres ficam grávidas duas semanas antes de todas as outras mulheres do planeta Terra.
Siga.
Oferta de Emprego para a Vera Pereira
Confesso que pensava já ter visto tudo, mas há sempre uma surpresa a caminho.
Então o IEFP divulga uma oferta de emprego com o nome do destinatário?
E, para melhorar a situação o IEFP comenta que foi um:
“lapso registado no procedimento” mas afirma que “a situação identificada é perfeitamente normal”
Eu, tal como a notícia de serviço público da RTP, apetece-me perguntar como é que um candidato faz para poder mudar de nome?
Comecem por visitar uma Conservatória e mudar, então, o nome para Vera Pereira. Têm é que andar depressa para ir a tempo de apanhar a oferta…
Nota (23h): parece que a coisa não é, afinal, o que parece. O diz que disse e o explica sem explicar vai já em várias versões… Até próxima informação fica a informação disponível no Jornal Público.
Pergunta muito ingénua
Marques Mendes já foi preso ou ainda anda por aí a defender a privatização da RTP ?
Pergunta para a Procuradoria Geral da República
Destruir deliberadamente um bem público para benefício de privados não é crime? ou já prescreveu?
Foto da II Guerra Mundial
Frente de Leninegrado. Na imagem, um grupo de oficiais alemães e portugueses observam um capturado ou destruído tanque russo do tipo KV1. Eram normais estas visitas de elementos de exércitos de países neutrais, às frentes de combate do Eixo e dos Aliados e neste caso, conhecemos bem um dos oficiais portugueses. Em último plano, à esquerda e entre dois militares da Wehrmacht, vestindo um sobretudo e de bivaque escuro na cabeça, está aquele que mais tarde seria o Marechal Spínola. Na foto não conseguimos vislumbrar o famoso monóculo. Terá adoptado a moda nessa visita à Frente Leste?


















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