New York, New York

New York, New York,—a helluva town.

The Bronx is up but the Battery’s down.

***

DR11122015

Durante o fim-de-semana, já se sabe, não há Diário da República, por isso, não teremos ‘fatos’ no sítio do costume.

Todavia, há Ol’ Blue Eyes.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990: perigo iminente

Sim, iminente e não *eminente. Exactamente, acontece. Hoje, no sítio do costume.

dre 1 dezembro de 2015

De facto, são relevantes

Anteontem, na Academia das Ciências de Lisboa, recordei que, em última análise, a razão para ali nos encontrarmos, no Colóquio «Ortografia e Bom Senso», se prenderia com um ofício enviado pelo chefe do Gabinete de Revisão da Imprensa Nacional ao administrador, em 10 de Dezembro de 1910 (*):

As publicações saídas da Imprensa Nacional, quer oficiais, quer de particulares, apresentam grafias diferentes, umas discutíveis, outras porêm [sic] grosseiras e vergonhosas”.

Lembrei-me de recorrer a esta retrospectiva, a propósito de Outubro deste ano, com

Documentos comprovativos dos fatos referidos no currículo que relevem para a apreciação do seu mérito,

no dia 1,

e

Menção de que o candidato declara serem verdadeiros os fatos constantes da candidatura,

no dia 30.

Onde? No sítio do costume.

E acrescentei um aparte: “temos aqui exactamente aquilo que está a acontecer e não aquilo que querem que aconteça”

E hoje? Hoje, temos isto:

dre12112015

(*) Em breve, quando as comunicações forem publicadas, acrescentarei uma nota de rodapé (**), com hiperligação, onde poderão ser consultadas as referências. No caso em apreço, remeto para a página 207 da seguinte obra:

Castro I, I. Duarte e I. Leiria (1987). A Demanda da Ortografia Portuguesa: Comentário do Acordo Ortográfico de 1986 e subsídios para a compreensão da Questão que se lhe seguiu. 2.ª ed. Lisboa: Edições João Sá da Costa.

21 de Outubro de 2015

Efectivamente, é hoje.

Back to the ‘fatos’ and ‘contatos’

2015

Roads? Where we’re going, we don’t need roads.

Dr. Emmett Brown

***

Como muito bem recorda Jorge Mourinha, 21 de Outubro de 2015, dia emblemático do segundo  Regresso ao Futuro, está aí à porta.

Exactamente: 21 de Outubro de 2015.

Os autores do argumento não sabiam que, cinco dias antes, algures em Portugal, António Costa iria escrever uma carta a Passos Coelho (pdf) com ‘contatos’ (lá mais para a frente, sublinhe-se, aparecem ‘contacto’ e ‘contactos’) — além dos sempre interessantes ‘aspetos‘.
contatos

Zemeckis e Gale não terão previsto que, na antevéspera do dia 21 de Outubro de 2015 (isto é, hoje), se leria o seguinte, no sítio do costume:

dre19102015

De outro modo, o argumento poderia ser ligeiramente diferente:

DOC: Estamos a descer para Hill Valley, Califórnia, são 16:29… de quarta-feira, 21 de Outubro de 2015.

MARTY: 2015? Quer dizer que estamos no futuro.

JENNIFER: Que estás a dizer? Como é que podemos estar no futuro?

MARTY: Jennifer, não sei como te hei-de dizer isto, mas… estás numa máquina do tempo

JENNIFER: E estamos em 2015?

DOC: 21 de Outubro de 2015.

JENNIFER: Então, não estavam a brincar. Marty, podemos mesmo ver o nosso futuro. Disse que iríamos ter um Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em 1990, certo? Então? Correu tudo bem? Foi óptimo? Foi espectacular? Conseguiu-se a “unidade essencial da língua portuguesa“?

MARTY: Doc! Que raio está a fazer?

DOC: Calma. É um gerador de ritmo alfa para induzir o sono. Não quero que ela veja nem os ‘fatos’ e contatos’, nem a receção e a recepção e a recessão. Ninguém deve saber demasiado do seu futuro. Quando ela acordar, vai pensar que foi um sonho.

Crónica de algumas adopções anunciadas

ggm

Gabriel García Márquez, con un ejemplar de la primera edición de ‘Cien años de soledad’ sobre la cabeza. ©Colita (via El País) http://bit.ly/1iq0cqi

 A partir de entonces ya no era consciente de lo que escribía, ni a quién le escribía a ciencia cierta, pero siguió escribiendo sin cuartel durante diecisiete años.
Gabriel García MarquezCrónica de una muerte anunciada

***

Os Tradutores Contra o Acordo Ortográfico indicam que o jornal Sol  se juntou “à lista dos que contribuem para o caos ortográfico”. Efectivamente, no dia 6 de Setembro de 2015, a notícia da Lusa acerca de Gabriel García Marquez, além de ter contagiado, por exemplo, o Correio da Manhã e o Observador, afectou o jornal Sol — isto é, dois dias depois da data anunciada: “A partir de 4 de Setembro, todos os textos respeitarão o Acordo”.

Hoje, o caos ortográfico continua no sítio do costume — contudo, além dos habituais ‘fatos’, temos outro problema grave e o problema tem um nome: chama-se Fernando [Read more…]

Um dia igual a tantos outros

Nelson Évora ganha uma medalha

e há fatos no sítio do costume.

dre2782015

Uma lagosta para para me ver

para jogo

Efectivamente, Aguero para jogo para adepto do Everton ser assistido.

Aguero para jogo para?

Exactamente, Aguero para jogo para.

Aguero para jogo?

Correcto: Aguero para jogo.

Partamos do princípio de que, “passando  diante  de  um  apelativo  lago,  Narciso  para  para  beber” (p. 101) — ou então imaginemos que “a manifestação (…) para para fazer um minuto de silêncio pelo Chile”  (p. 248), “a rádio para para dar uma notícia sensacional” (p. 196), “Londres para para funeral de Margaret Thatcher” (Público), “Universidade para para agraciar Mourinho” (JN), “Papa para para abençoar doente acamado” (CMTV) “Cervantes para para ser operado” (MR), “Ascensor para para obras de manutenção” (CMN), “Escola Secundária para para ler!” (RBO), “o Sol para para os prodígios” (p. 32)  ou, melhor ainda, “uma lagosta / para / para me ver / trincar / um cato em chamas” (*).

Para para me ver? Para para os prodígios? Para para ler? Para para obras? Para para ser operado? Para para abençoar? Para para agraciar? Para para funeral? Para para fazer? Para para beber?

Para para beber?

Agora, compare-se com “de bicicleta para para o trabalho” (Carris), “Maria Teresa Lago eleita para para comité executivo da IAU” (SPA) ou “sem ter feito para para o merecer” (TVI).

Quanto ao sítio do costume, não há novidades.

dre 25082015

Portanto, Aguero para jogo para adepto do Everton ser assistido.

***

(*) Isto é, «uma lagosta / pára / para me ver / trincar / um cacto em chamas», M. S. Lourenço, Pássaro Paradípsico, Lisboa, Perspectivas & Realidades, 1979, p. 13 (p. 292 ), com intervenção de um conversor.

Um pouco menos de tourada ortográfica, sff

05 Sep 2005, Portugal --- Portuguese bullfighter from the group, the "Forcados Amadores de Evora", Antonio Alfacinha confronts a 500 kg. bull in a "Pega", a catch, during the group's performance in Montemor. The "forcados" are considered to be the origins of bullfighting and consist of a performance of eight men in a linear formation 1:1:3:3 facing a bull soley with their bodies until the bull stops fighting. They receive no monetary compensation for their performances. The pleasure according to them lies in the benefit and pride of the group having given a good performance. | Location: Montemor, Alentejo, Portugal. --- Image by © Carlos Cazalis/Corbis

© Carlos Cazalis/Corbis (http://bit.ly/1MIeyNl)

Ao regressar a Bruxelas, leio no Expresso a ‘frase do dia‘:

Quando é que, perante a cobarde omissão do legislador, um tribunal tem a coragem de proibir estes espectáculos de degradação humana?.

Duvido. Na dúvida, vou à fonte. Confirma-se. A palavra do dia: espectáculo. Por um lado (aquele que efectivamente interessa), compreende-se: espectáculo [ʃpɛˈtakuɫu] ≠ espetáculo [ʃpɨˈtakuɫu]. Contudo, por outro lado, não se percebe: atira pedras de “conservadorismo ortográfico” aos outros, para, no fim de contas, adoptar a ortografia que passa a vida a atacar e, obviamente, misturar duas grafias:

vm

Um pouco mais de coerência e de rigor, sff.

Se não gosta de *espetáculos, é assinar, recolher e enviar. Como diria o Alberto, “não há nada mais simples“. Claro que pode cruzar os braços e assistir à tourada ortográfica, no sítio do costume.

Sim, hoje, no Diário da República.

dre 2482015

Agora, regresso ao Weinberg.

Efectivamente: mais do mesmo

Hoje de manhã, fiquei a saber que o Parlamento iria fazer “maratona antes das férias” e que, nessa maratona, seriam votados quer o “Projeto de Resolução n.º 1021/XII/3.ª (PCP) – Sobre o sector da Assistência em Escala (Handling) no transporte aéreo”, quer o “Texto Final apresentado pela Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública relativo à Proposta de Lei n.º 326/XII/4.ª (GOV)” que aprova, por exemplo, “os regimes processuais aplicáveis aos crimes especiais do sector segurador”, quer ainda o “Projeto de Resolução n.º 1522/XII/4.ª (PS) – Recomenda ao Governo um conjunto de melhorias que promovam uma maior equidade e eficiência no acesso aos fundos comunitários pelo setor agro-rural”.

Isto é, ‘sector’, ‘sector’ e ‘setor’. Ou seja, sector e setor. Portanto, é mesmo facultativo. No fim de contas, é tudo à vontade do freguês.

O jornalista da Lusa refere-se a “mais do mesmo”, relativamente aos trabalhos desta tarde, na Assembleia da República. Foi exactamente isso que pensei, ao ler o Diário da República de ontem. Efectivamente, mais do mesmo.

Houve fato?

Sim, houve fato.

fato dre2172015

E fatos? Houve fatos? [Read more…]

Referendo, grexit e orthographexit

Βρισκόμαστε σε μια κρίσιμη καμπή που αφορά το μέλλον του τόπου.

Αλέξης Τσίπρας

***

Aqui em Bruxelas, há reuniões que duram 17 horas e nas quais se procura encontrar uma solução para resolver um problema.

Aí em Portugal, nem 17 minutos são dedicados à resolução de um problema denunciado há muito tempo e criado pelo poder político.

A solução, neste caso, é mesmo a saída.

Post scriptum: Curiosamente, lembrei-me de orthographexit, no mesmo dia em que Jérôme Godefroy cunhou o termo. Há dias assim.

dre 13072015

A balada do Acordo Ortográfico de 1990

atual actriz

New York Cops – NYPD Blue: Season X, Episode Y
AO90 (08 Jul. 2015)
“NYPD Blue” AO90 (original title)

Versão portuguesa da sinopse:

Neste episódio, um leitor é atacado por ‘atual‘ e por ‘actriz‘, ao ler um texto publicado no Expressoem que se conta algo de insólito ocorrido na cidade que nunca dorme, antes de uma representação da peça “Hand to God“, de Robert Askins, no teatro Booth  para quem não souber, este teatro fica a cerca de vinte minutos a pé de um edifício nosso conhecido.

O detective (efectivamente: detective) Sipowicz, depois de descobrir que algo de semelhante aconteceu ao mesmo leitor, exactamente no mesmo local e há muito pouco tempo, encontra um júri que pode exigir a candidatos a apresentação de documentos comprovativos de fatos. Sim, comprovativos de fatos. Hoje, no sítio do costume.

dre 872015

Jorge Jesus: o conforto e o risco

Jorge Jesus, em entrevista à SIC Notícias, explicou que trocou “o conforto pelo risco”. Não está só. Há cinco anos, o Expresso também trocou o conforto de uma ortografia adequada à realidade do português europeu pelo risco. Um dos resultados patentes é esta mistela:

expresso672015

Como Jesus e como o Expresso, também o Governo decidiu trocar o conforto de uma ortografia adequada à realidade do português europeu pelo risco. Eis aquilo que acontece no sítio do costume:

dre 6072015

E eis a solução.

Continuação de uma óptima semana.

Το δημοψήφισμα

Κι αν πτωχική την βρεις, η Ιθάκη δεν σε γέλασε.

– Κ.Π. Καβάφης

Μα γι’ αυτό και μου συνέβη.

– Φερνάντο Πεσσόα

***

Η διατήρηση της υφιστάµενης κατάστασης δεν αποτελεί επιλογή υπό τις παρούσες συνθήκες. Αυτή η εξαιρετικά επικίνδυνη στρατηγική θα στοιχειώνει και πάλι την Πορτογαλία και την πορτογαλική γλώσσα στο εγγύς και το απώτερο μέλλον.

Ναι ή όχι;

Λοιπόν, η απάντηση είναι πολύ απλή. Θα μιλήσουμε για αυτό αργότερα, κατά τη συζήτηση – το λεγόμενο “discussão mais focada“.

Θα τελειώσω με μια φράση του Αλέξη Τσίπρα:

Βρισκόμαστε σε μια κρίσιμη καμπή που αφορά το μέλλον του τόπου.

Καλό Σαββατοκύριακο.

dre 03072015

Aznavour, BB, Cloclo e o Diário da República

Retirez-moi cette poussière sidérale
Contact
Contact
BB

***

Como escreveu ontem Paul Krugman, “OK, this is real“. Não, não é formidable. Sim, é comme d’habitude.

dre 2962015

De olhos bem tapados

11 Jun 2015, São Paulo, Brazil --- A TAP plane departs Guarulhos international airport in Sao Paulo, Brazil, June 11, 2015. A consortium led by American-Brazilian investor David Neeleman will take control of indebted Portuguese state airline TAP, ending a drawn-out sales process that has faced strong opposition from many unions. REUTERS/Paulo Whitaker --- Image by © PAULO WHITAKER/Reuters/Corbis

© PAULO WHITAKER/Reuters/Corbis (http://bit.ly/1cYx1qt)

Nicolau Santos pergunta se faz sentido o Estado português vender “parte da posição acionista” da TAP “a um banco público brasileiro, ou seja, ao Estado brasileiro”. Creio que sim. Se fosse ‘accionista‘, teríamos outra conversa. Sendo ‘acionista‘, obviamente, o Brasil é o destino mais indicado.

Por falar em Brasil, sempre que leio o Diário da República, lembro-me do Diário Oficial da União. Porquê? Por causa das coisas que acontecem no sítio do costume. Hoje, temos mais do mesmo.

dre 16062015

Selecção dominou, mas Seleção venceu

epa joel ford

© EPA|Joel Ford (http://bit.ly/1cVJP11)

De facto, como podemos ler no Público de ontem: “Portugal dominou mas Brasil venceu nos penáltis por 1-3“. Por qualquer motivo, na redacção do jornal O Jogo há quem, apesar do título (Portugal eliminado pelo Brasil), creia que o Brasil perdeu: “A Seleção Nacional de Sub-20 perdeu“. Convém sempre recordar que ‘selecção’ ≠ ‘seleção’ — por exemplo, há pouco mais de um ano, selecção jogou com os Camarões e a seleção jogou com a África do Sul.

Também convirá, durante a tal “discussão mais focada sobre as matérias mais controversas“, explicar que, em português europeu, Contact Mechanics and Lubrication não corresponde exactamente a Mecânica do Contato e Lubrificação. Exactamente: hoje, no sítio do costume.

mecanica contato

Miguel Relvas, o cabeça-de-lista

To give you an example of the magnitude of the error, to believe that the world is less than 10,000 years old, when in fact we know the world is 4.6 billion years old, is equivalent to believing that the width of North America from New York to San Francisco is less than 10 yards.

Richard Dawkins

***

Através do Jornal de Negócios, fiquei a saber que

A EDP lançou a campanha “Um século de energia”, o único trabalho publicitário realizado por Manoel de Oliveira na sua carreira com oito décadas. Este foi o ponto de partida para a energética lançar um concurso cujo vencedor vai ser premiado com a oferta de 100 anos de energia – electricidade e gás natural.

A EDP, segundo o Público, apresenta a curta-metragem

como “uma obra inédita”, “o último trabalho realizado pelo mestre Manoel de Oliveira”, e que deu origem à “única campanha de publicidade” na carreira do realizador.

Vejamos, então, o contributo desta curta-metragem para a ortografia portuguesa: direção, diretor, projeções, Abril, electricista e hidroeléctrica.

energia

Quanto ao sítio do costume, hoje, não há grandes novidades.

contatar

 

Quem quiser novidades, pode encontrá-las no Diário de Notícias[Read more…]

A reafectação dos factores

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Stephen Antonakos (1926–2013): Incomplete Circle (five-unit drawing with blue and red incomplete circles), 1975. Copyright:© 2015 Stephen Antonakos (http://bit.ly/1HIjMoX)

Como sabemos, foi recentemente apresentada a versão para debate público do Projeto (sic) de Programa Eleitoral do Partido Socialista. Entretanto, durante uma conferência de imprensa, António Costa afirmou que as medidas apresentadas num relatório coordenado por Mário Centeno “inspiram e vão motivar a elaboração do programa do Governo”.

É preocupante que determinadas opções apresentadas no relatório possam inspirar a elaboração do programa do Governo do Partido Socialista.

Na página 9 do relatório, podemos ler “adequada reafectação dos fatores produtivos”. Um forte aplauso para a adopção de ‘reafectação‘ quer nesta página 9, quer na página 65 — “reafectação territorial e funcional de funcionários públicos” e “reafectação de funcionários excedentários” — e uma vaia monumental às ‘afetação‘ das páginas 14, 25, 64, 73 e 74 .

Sejamos claros: a grafia ‘fatores‘, além de não pertencer ao repertório ortográfico português europeu, não é companhia que se recomende a uma reafectação. Em português europeu, como sabemos, “reafetação dos fatores” *[ʀjɐfɨtɐˌsɐ̃ũ̯ duʃ fɐˈtoɾɨʃ] não existe: a formulação grafemicamente satisfatória é “reafectação dos factores” [ʀjɐfɛtɐˌsɐ̃ũ̯ duʃ faˈtoɾɨʃ]. [Read more…]

Fatos de manifesto e relevante interesse para a Freguesia

É verdade, João José Cardoso: “o drama, o horror, a tragédia“. Efectivamente, no dia 13 de Maio de 2015, no sítio do costume.

O drama:

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O horror:

dre 13052015b

A tragédia:

dre 13052015

A segurança ortográfica

É de admirar, portanto, que na moção aprovada pelo fórum-colóquio Pela Língua Portuguesa, diga NÃO ao ‘Acordo Ortográfico’ de 1990, realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 14 de abril [sic] p. p. […], se considere que a nova ortografia traz «total insegurança ortográfica»

Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 20 de Abril de 2015

dre 20 de Abril de 2015

A população deve ser avisada e mantida informada durante a ocorrência

Sim, porque houve ocorrências. Quando? Hoje. Onde? No sítio do costume.

Houve contato,

contato dre

houve mais contato e houve [Read more…]

Diário da República, 24 de Março de 2015

De facto, é preciso enfrentar o fato:

Processar prestações de invalidez, velhice e morte e outras
que com elas se relacionem ou sejam determinadas pelo mesmo fato e se insiram na área de atuação do respetivo núcleo.

Efectivamente, “em Portugal, as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos” e “sem problemas de maior”:

Certificar os fatos e atos que constem dos arquivos municipais, sem prejuízo da competência nesta matéria confiada a outros serviços.

dre2432015Post scriptum: Foi há cem anos: [Read more…]

Os espetadores, os espectadores, o fato e os “contristas”

Segunda-feira, 16 de Março de 2015.

A Bola

espetadores

Diário da República

dre 1632015

A semana promete.

Post scriptum: A pergunta do fim-de-semana: “os contristas ainda mexem“?

Efectivamente: hoje, no sítio do costume

dre 432015

A presente resolução do Conselho de Ministros determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano lectivo de 2011 -2012 e, a partir de 1 de Janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo, bem como à publicação do Diário da República.

Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011

Teoria da Tradução: temos de enfrentar o fato

Expresso, ao traduzir excertos do discurso de James Comey na Universidade de Georgetown, apresentou (há cerca de uma semana) uma proposta, no mínimo, ousada.

Comey disse:

We need to come to grips with the fact that this behavior complicates the relationship between police and the communities they serve.

Expresso traduziu:

Temos de enfrentar o fato de que esse comportamento dificulta a relação entre a polícia e as comunidades que servem.

enfrentar o fato

Muito bem.

Por seu turno, o Diário da República continua em excelente forma.

o fato

Felizmente, “em Portugal, as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos“.

Óptimo

Há cerca de dois anos, elaborei uma “pequena amostra de levantamento acessório“.

Entretanto, pelos vistos, segundo Barreto Xavier, “em Portugal, as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos“.

Óptimo. “Sem atropelos” e “sem problemas de maior“.

Ficamos todos muito mais descansados.

dre 26012015

Zeinal Bava e a irrelevância

bava

© Mário Proença/Bloomberg (http://bloom.bg/14NfApG)

Apesar de continuar sem conhecer – e sem querer conhecer – a resposta à pergunta “Quem tramou Zeinal Bava?”, o meu interesse na tese da irrelevância mantém-se. Gostei de ler as notícias de ontem, acerca dos esclarecimentos que a Oi vai pedir a Zeinal Bava, pois estes podem ser extremamente importantes para dissipar algumas dúvidas que possa ainda haver nas cabeças daqueles que nos governam.

Por exemplo, quando é feita a transcrição de excertos de um texto escrito em português do Brasil, [Read more…]

O fato em conta

MRS

© António Cotrim/Lusa (http://bit.ly/1tZqizf)

Segundo Record, Marcelo Rebelo de Sousa, “adepto do Sp. Braga”, reagiu “às manifestações de alegria na redação da TVI”. Acontece que a TVI não tem *redação. Se ouvirmos atentamente a reacção de Rebelo de Sousa, percebemos que “o adepto do Sp. Braga” diz «pelo eco aqui da redacção». Efectivamente: [ʀɨdaˈsɐ̃ũ]. Rebelo de Sousa não referiu qualquer *redação [ʀɨdɐˈsɐ̃ũ̯]. Porquê? Porque a TVI não tem *redação. A vida (como determinadas regências) é extremamente simples. Tomai esse *fato em conta. Fato? Hoje? No sítio do costume? Exactamente.

dre 1212015

A excelente forma de Ricardo Salgado

Sed cum legebat, oculi ducebantur per paginas et cor intellectum rimabatur, vox autem et lingua quiescebant.

Santo Agostinho (354430)

***

Gostei imenso do discurso que Ricardo Salgado proferiu ontem na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES. Por motivos profissionais, não pude assistir à audição. Contudo, o Público e o Expresso publicaram o excelente texto do ex-presidente do Banco Espírito Santo.

Vejamos alguns (sim, só alguns) dos melhores momentos:

Acção, Abril, accionistas, acções, actas, actividade, activos, actuação, actuações, afectava, afecto, correctas, Dezembro, directa, directamente, directo, efectivamente, efectuar, incorrecto, injectar, interacção, Janeiro, Julho, Junho, Maio, Março, Novembro, objectivo, objecto, Outubro, percepção, perspectiva, perspectivas, projecção, projecto, protecção, protectora, respectiva, respectivos, ruptura, Setembro.

Aliás, até proponho que Salgado seja distinguido com uma menção honrosa, devido à destreza com que adoptou grafias extremamente perigosas, como percepção, perspectiva, perspectivas, respectiva, respectivos e ruptura.

Muito bem, Ricardo Salgado. Óptimo. Excelente.

É evidente que estes “muito bem”, “menção honrosa”, “óptimo” e “excelente” devem ser lidos à luz da máxima atribuída por Daniel Dennett (p.21) a Gore Vidal: “It is not enough to succeed. Others must fail“.

“Others must fail”. Pois, claro. Sim, ‘others’. Efectivamente, os do costume.

Depois de apreciado o desempenho ortográfico de Salgado, debrucemo-nos sobre a habitual salgalhada do Diário da República:

dre 9122014Exactamente: ontem, no sítio do costume.

Actualização (11/12/2014): Sim, sim, reparei no *eminente. Contudo, atenhamo-nos ao AO90.