Pedro Passos Caralho Não Acorda

Ontem, pela milésima vez diante da TV para assistir a mais um debate parlamentar, percebi como somos patetas nas francas expectativas colocadas em cada megamanifestação pacífica, repleta de insultos e pedidos de demissão que não mordem, cartazes-desabafos a vermelho contra a traição dos políticos e o terror pela miséria semeada já sentida ou iminente.

Para mudar algo, prioridades, acentos, sensibilidades governativas internas e globais externas, nem que fosse o discurso seco de um Primeiro-Ministro, remetido ao seu etéreo assento de estrelas cristalino, para qualquer coisa de mais afinado com o que sofremos, teríamos de ocupar a rua dias consecutivos, pacificamente, se conseguíssemos, ou suicidar-nos em massa, ou organizar-nos meticulosamente, descobrindo uma unidade semelhante à dos dedos de uma mão. Mas percebi sobretudo como é completamente tonto quer o que um Passos Caralho desta vida tenha a dizer quanto a isso quer o que um verdadeiro paneleiro político como Sócrates disse alguma vez em circunstâncias muito semelhantes. É que nisso são iguais. Lidam connosco, apesar de nós, e tal é imperdoável. Os mundos da rua e da decisão política, sobretudo no pico desta crise cega, mostram-se irredutíveis e não deveria ser assim. Ouvir não quer dizer ceder. Sentir com empatia a dor e a impaciência das massas não leva necessariamente à kryptonite de converter em hesitante e fraca a decisão resoluta do decisor. [Read more…]

PR, PM e manifestações: em que ficamos?

O Presidente Cavaco Silva

Recuperado de longa letargia, o PR veio a público e, a propósito das manifestações de Sábado passado, afirmou:

Uma síntese das palavras de Cavaco Silva:

Devemos ter todo o respeito àqueles que se manifestaram […] numa manifestação com aquela dimensão as vozes que se fizeram ouvir devem ser escutadas…

O Primeiro-Ministro Passos Coelho

Passos Coelho que garantiu não querer polémicas sobre manifestações, acabou por entrar em controvérsia com a oposição:

Reproduzimos algumas das afirmações do primeiro-ministro:

[…] Nenhum governo deve ficar indiferente a essas manifestações públicas e elas não podem deixar de ser tidas em conta,eu não governo em função desssas manifestações e desses protestos.

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Presidente da República: comunicação oficial após as manifestações de 2 de Março

Encontrado no canal de João Pinto.

Das Gerações à Rasca, às manifestações Que se Lixe a Troika*

Estive dois dias a “mastigar” o que foram as manifestações simultâneas do passado sábado.

Pouco tempo, eu sei, para luisproduzir o que quer que seja de uma reflexão aprofundada. Mas mesmo assim, gostaria de partilhar e, para quem o quiser fazer(coisa nada fácil de fazer no nosso mundo-chiclete), colocar a debate, algumas ideias.
Penso que a “Geração à Rasca”, há pouco menos de 2 anos, que estudei em profundidade graças à bem-aventurada aventura académica, marca uma espécie de início visível de um longo processo de re-tomada do espaço público simbólico por um “cidadão anónimo” novo, que já não coloca em campos antagónicos a “cidadania” e o “anonimato”, o que pode significar que estaremos num processo reformulador do próprio conceito de “cidadão”. Trata-se, pois, da possível emergência de algo cujas consequências políticas ainda não temos suficiente informação para perceber.
Digo que se trata da re-tomada, ou re-ocupação do “espaço público simbólico” porque, nas últimas décadas, o capitalismo (chamemos-lhe “democracia de mercado” para sermos, vá, simpáticos) desvitalizou, de facto, o espaço público como “espaço político”. Julgo que é da sua tentativa de revitalização que tratam estas manifestações, o 12 de Março de 2011, o 15 de Setembro de 2012, o 2 de Março de 2013.
Para já, estaremos num período de diagnóstico a que poderíamos chamar “a rebelião dos consumidores”.  [Read more…]

Manifestações, críticas construtivas e propostas concretas

manifestaçomUm dos tiques habituais do político que está no poder ou de quem o defende reside em criticar os críticos, afirmando que só criticam por criticar, que não fazem “críticas construtivas” ou que não têm “propostas concretas”. A cor do partido que esteja, circunstancialmente, no governo é irrelevante: a crítica só serve para ser desvalorizada.

Sobre a manifestação de ontem já ouvi e li opiniões deste género, mesmo quando, a contragosto, reconhecem que algo está mal. [Read more…]

Não te esqueças de ficar em casa

Fica em casa, pá.  Eu sei, isto não vai lá com manifestações, pá.  Só à bomba pá, com a malta toda a cercar S. Bento. Fica em casa, é onde a tua garganta fica bem.

E tu, fica em casa. Continua com medo. Esconde-te debaixo da cama.  O medo não te dá asas, dá-te pior ainda, vais ter tudo aquilo de que tens medo, uma boa razão para que fiques em casa, à espera que venha.

Fica em casa. Não queiras saber da política. Ela continua a entrar-te por baixo da porta, mas em casa é que estás bem. Em casa podes não ter pão, mas queres lá saber, os outros que decidam da tua miséria.

Fica em casa. E não te esqueças de repetir amanhã que estás farto desta merda toda, isto não pode continuar assim, cambada de gatunos, mas repete apenas em casa, para que ninguém te ouça, o governo é para ti uma coisa de estranhos. Não aprendas a democracia que não vale a pena.

 

O 2 de Março em Língua Gestual

Uma manifestação inclusiva (penso que esta será a primeira vez que em portugal alguém se lembra de tal).

Entretanto as mobilizações crescem: já são 32 cidades com manifestação convocada.

Isto anda tudo ligado

Conduzido pela memória da Ana Matos Pires, então isto é assim: o Relvas, coitadinho que não o deixaram falar, é o mesmo Relvas que afirmou em 2008 sobre Augusto Santos Silva:

O senhor ministro tem que perceber que a barricada da liberdade, desta vez, não está do lado do PS, mas do lado dos professores e não tem que ficar indignado que estes se manifestem e reclamem os seus direitos.

Isto porque o então ministro despejou uma enormidade de insultos sobre os professores que o vaiavam em Chaves:

o mesmo Augusto Santos Silva, agora ex-ministro, que ocorre em defesa da liberdade porque o ora ministro foi vaiado. Sobre a defesa da liberdade de expressão em Augusto Santos Silva, basta ouvi-lo, é uma espécie de sindicalista dos pobres ministros do rotativismo, ofendidos pelos ultrajes da populaça; dessa parte e da sua defesa acérrima da pré-privatização da escola pública pelo governo anterior não me tinha esquecido. O Relvas e o seu governo umas vezes são, outras nem pensar nisso.

Coerentes ou incoerentes, sobre ministros de Portugal, estamos conversados.

Quem tem um 2 de Março pela frente tem medo

relvas iscte

Completamente em pânico, este mais que ilegítimo governo. Ontem Miguel Relvas, tentou uma licenciatura em Vitimizações Tipo Marinha Grande no ISCTE. Coitado, não é Mário Soares quem quer mas quem sabe e tem talento. Chumbou: agressões só vi as dos seus capangas, e a defendê-lo, meu caro Fernando, lastimo ver do teu lado esse padrão de comportamento democrático chamado Augusto Ernesto Santos Silva.

Hoje o inflexível Vítor Gaspar dobra a cerviz, num contorcionismo digno daquele italiano que retirou uma costela para lamber a própria pilinha,  e lança-se na mais espantosa acrobacia que me foi dado ver até hoje: salto mortal (era ele que nunca pediria nem mais um dia), pirueta (afinal estamos em espiral recessiva) e saída com o nariz no chão, personificando um boneco dos melhores tempos do cinema de animação americano.

Têm medo, muito medo, e em semana e meia chegarão ao pânico. [Read more…]

Os locais das manifestações do 2 de Março: o Povo é quem mais ordena

2 de marco

(40 manifestações, em actualização)

  • Angra do Heroísmo: 15:00, Praça Velha – Evento no Facebook
  • Aveiro:  16:00, Estação CP -> Praça da República – Evento no Facebook [Read more…]

Quem tem medo dos movimentos sociais?

Excelente vídeo do Ministério da Verdade. O medo que esta gente tem do povo à solta nas ruas é cá uma coisa…

Tudo preparado para a Manif

É agora mesmo em frente ao Parlamento.

por Henrique Monteiro.

Comunicado da Comissão de Trabalhadores da RTP

Os trabalhadores da RTP têm sido objecto de um tratamento inqualificável por parte deste governo e têm, quase sempre, conseguido responder à altura! Hoje, mais uma vez, tomam posição sobre mais um caso estranho :

A RTP NÃO É FIGURANTE NAS ENCENAÇÕES DO GOVERNO

Toda a gente sabe que, no dia 14 de Novembro, a polícia foi apedrejada durante hora e meia sem reagir. Toda a gente sabe que, depois disso, a carga policial cilindrou por igual manifestantes violentos e manifestantes pacíficos, passantes acidentais em S. Bento e alguns no Cais Sodré. Toda a gente sabe que as dezenas de pessoas

detidas foram depois privadas de contacto com os seus advogados e submetidas a vexames em Monsanto. Toda a gente sabe que o ministro Miguel Macedo negou com solenidade a mesma existência de infiltrados que a PSP veio depois confirmar.A actividade dos infiltrados e a passividade da polícia, durante uma hora e meia, só podem ter servido para justificar aos olhos da opinião pública as violências e arbitrariedades policiais. Em última análise o plano só pode ter consistido em intimidar as centenas de milhares de pessoas que nos últimos meses têm participado em protestos contra o Governo e em dissuadi-las de voltarem à rua. Tudo teve os contornos de uma grande operação de guerra psicológica. [Read more…]

Não comer e calar?

Com a História nada se aprende, tudo se esquece, poder-se-ia dizer, glosando Lavoisier e negando Cícero. Diante de greves e de protestos, com pedradas mais ou menos consentidas à mistura, o governo e satélites vários atribuem a violência verbal ou mineral a agitadores e a profissionais da agitação, reduzindo o povo insatisfeito a uma manada pastoreada por comunistas, sindicalistas e outros canibais infanticidas.

Depois de anos de destruição de um tecido produtivo que nos leva a importar a fruta que poderíamos plantar, depois da especulação descarada com o dinheiro que entregámos indirectamente a uma série de gente que se alimenta das finanças públicas, depois de engenharias financeiras várias que têm transformado os orçamentos de Estado em mentiras oficiais, depois de ver notas de mil a arder nas fogueiras da Expo98 e do Euro 2004, depois de seis anos de socratismo de publicidade enganosa, depois de Passos Coelho se ter feito eleger com base em promessas que quebra todos os dias, obrigando-nos a pagar uma dívida que não contraímos, depois de sermos diariamente roubados graças ao cínico falhanço antecipadamente conhecido de todas as previsões macro e micro-económicas de um ministro das Finanças que seria despedido da garagem onde trabalha, se fosse mecânico e desconsertasse carros ao mesmo ritmo a que se engana nos valores do défice, do desemprego e da receita fiscal, depois desta merda toda e de muita outra que fica por cheirar, a culpa é de quem protesta? Cheira-me, pelo contrário, que a nossa culpa está em protestar pouco ou mal. [Read more…]

A Inaudita Guerra da Rua Correia Garção

Teria sido tudo tão simples se não passasse de gritar contra a Troyka e contra o Governo,
ouvir o Camarada Espingardante Fóssil Arménio e depois regressar ao sofá para ver as imagens, as entrevistas,
as velhas assanhadas agarradas a um cravo vermelho de papel de seda.

Mais dia, menos dia, teríamos pedras esvoaçantes nas bordas do Parlamento. Hordas minorcas à pedrada, o espectáculo que nos faltava. Para acertar em quem e obter o quê? Acertar em polícias, acicatá-los, sorver adrenalina grátis à falta pó de talco. Obter o efeito de cinema à hora nobre. Escudos furados. Viseiras visadas. Capacetes retinindo em seco a cada ricochete. Uma cena miserável, frouxa, patética, pouco ou nada portuguesa. Lapidar polícias? Nada mais estúpido! A Greve Geral foi, portanto, além de Restrita, destruída. De resto, não se poderia esperar impacto global numa greve feita pelos mesmos e para os mesmos, tendo como único alvo, não um Governo que decide manietado pelos cordéis constritivos com que os credores nos cercam, mas a generalidade dos contribuintes, na verdade aqueles que pagam o caos do passado e os remendos do presente. [Read more…]

Abraços

Amor em Tempos de Catástrofe

Definitivamente, a amargosa pílula-panorama nacional não se pode dourar. É transversal reconhecermos que, algures no início de Setembro, o Governo Passos rompeu unilateralmente um compromisso tácito e explícito com o Povo Português: havíamos aceitado abnegadamente a nossa quota parte de sacrifícios imprescindíveis para a saída rápida deste buraco monumental-colossal composto por dívida pública, por um défice galopante, a cada passo agravado pelo estalar ora dos juros altíssimos da própria dívida ora pelo início de pagamentos de negócios, contratos, PPP bombas-relógio deixados alegremente para trás em grande número pelos anteriores Governos, bombas suficientes para surpreendentemente tingir de mais incompetência a manifesta incompetência que quase todos atribuem a este Governo de Crise ele próprio em Crise.

A partir daí, o que avulta é um grave divórcio Governo-Povo, a percepção geral do relvismo mega-lobista em todo o seu esplendor baço, intercontinental, tacticista, politiqueiro, e a consciência de que o Executivo se encontra inapelavelmente cindido. Na medida em que, contra todas as promessas, Passos foi surgindo como mais do mesmo, no seu labirinto por cumprir o Memorando, com movimentos perros, dados muito a medo no corte da Despesa Pública, e o peito inflado de sádica ousadia na captação selvática de receita fiscal, muito mais legitimamente toda a gente, cada um de nós, vai enchendo a serena Rua da Liberdade Exasperada. [Read more…]

Se é isto que a Igreja tem a dizer, então que esteja calada

O Cardeal-Patriarca de Lisboa, Policarpo, acha que as manifestações de rua são uma corrosão do sistema democrático.
Assim sendo, é contra as manifestações que se realizaram recentemente, do 15 de Setembro ao 13 de Outubro.
É pena que um alto representante da Igreja não saia a terreiro para defender os mais pobres. Uma instituição que, apesar de todos os crimes de que foi responsável ao longo dos séculos, tem no seu seio gente séria que diz o que tem a dizer no momento mais necessário, como o bispo D. Manuel Martins ou, mais recentemente, Januário Torgal Ferreira.
Não se pedia tanto a Policarpo. Mas ser contra as manifestações democráticas do povo português, no momento em que está a ser espezinhado, ultrapassa todos os limites.
Infelizmente, para Policarpo e para grande parte da Igreja Católica, Salazar já morreu há muitos anos. E o Cardeal Cerejeira também. Temos pena.

Manifestações, 13 de Outubro

Horas e locais em todo o país: [Read more…]

Retire o seu cartão


Ou manifeste-se amanhã.

Este sábado há mais

Com o alto patrocínio do governo, da troika e figuração especial de Marcelo, o Rebelo do Sousa.

Numa cidade perto de si, se for longe faça a sua manifestação você mesmo, chame os vizinhos. É dia de globalnoise também.

Prós e Contras: a televisão pública no seu pior

Realiza-se esta noite na RTP1 um programa “Prós e Contras” sobre o aparecimento de grandes manifestações em vários países da Europa e os desafios que elas colocam à ordem estabelecida. Alguns subscritores e subscritoras do apelo da manifestação de 15 de SetembroQue se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” foram abordados pela produção do programa para estarem na plateia esta noite, juntamente com “a jovem Adriana que abraçou um polícia”. No palco, a escalpelizarem longamente as manifestações e as suas características, foram convidados a estar o director nacional da PSP, um responsável da GNR e dois antigos ministros da Administração Interna.
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Duas leituras sobre o Terreiro do Povo

Tenham medo, muito medo… e quando a forma mata o conteúdo.

Coisas que aprendi numa semana

– Que convocar dezenas de manifestações no Facebook chega a pessoas que nem computador têm. Parece que os portugueses ainda falam uns com os outros.

– Que bem se pode lançar na imprensa uma campanha de medo e intimidação somada a um pesado silêncio sobre a realização de manifes. Como canta Liliana Filipe Nos tienen miedo porque no tenemos miedo.

– Que o número de portugueses que ainda acreditam na suposta “ajuda” da troika minguou. Para nada servem os mentirosos compulsivos que enxameiam as televisões. Apanham-se talvez mais devagar que os mancos, mas apanham-se.

– Que na PSP a indignação assume uma fantástica originalidade portuguesa: actuar com profissionalismo, ponderação e paciência perante manifestações que , pelo número de manifestantes, teriam sempre riscos de violência pontual.  Este governo deixou de ter polícia, e desconfio que tropa nunca teve.

– Que já se pode confiar na PSP para contabilizar manifestantes. Note-se que foram muito raras as divergências no meio de tantas manifestações.

– Que ainda há social-democratas no PSD e democratas-cristãos no CDS.  Gente de esquerda no PS já sabia, mas não imaginava que seriam tantos.

– Que há esperança. Os portugueses são muito pacientes, mas detestam mentirosos e assaltantes.

– Que os meninos neoliberais andam a fumar coisas maradas, embora alguns comecem a perceber o óbvio: o neoliberalismo é incompatível com a democracia. Legalização da canabis, já.

– Que é muito mais mobilizador cada um manifestar-se onde vive do que encher autocarros a caminho da capital. Isto por acaso já se sabia desde o 11 de Março, mas há quem insista.

Aprendi mais coisas. Vi gente como não via desde 1974. Coisas muito bonitas. Mas sobre isso se escrevesse seria um poema, e falta-me para tal o engenho e a arte.

(segue-se um vídeo muito interessante: quase 15 minutos a ver passar manifestantes em Coimbra. note-se que isto é filmado já fora do percurso oficial que teve de ser prolongado por razões de segurança, o que levou muita gente a ir logo para casa, e começa já depois da passagem da cabeça da manifestação) [Read more…]

Bem vindos ao 15 de Setembro


Atenção, este mapa tem erros. Em Coimbra a manifestação está marcada para as 17h.  Lista incompleta, mas com horas e locais corrigidos.

Quando uma imagem vale por muitas palavras

A quem espalha o medo, responder com coragem

Era fatal como o destino: quem tem medo das manifestações de amanhã tinha de espalhar o medo de incidentes. Claro que em todas as multidões pode haver confusões e violência, mas não vejo notícias destas quando, por exemplo, as pessoas se juntam para celebrar uma vitória num jogo de futebol.

Nem de propósito, este comunicado de um insuspeito sindicato de polícias parece-me ser uma boa resposta. Até os polícias lá vão estar, manifestando-se.

Tenham medo, muito medo, Portugal vai sair à rua.


Adenda: Ana Nicolau desmente o Público.

Manuela Ferreira Leite anuncia o fim de Passos Coelho nas manifestações de 15 de Setembro

Manuela Ferreira Leite considera que a manifestação do próximo sábado é uma «legítima reação das pessoas» e revelou que «ainda é cedo» para confirmar se vai estar presente.

«Desde que sejam manifestações pacíficas, eu acho que podem demonstrar aos poderes públicos que as pessoas não aceitam determinado tipo de medidas», afirmou, em entrevista à TVI24.

Depois de Passos Coelho na sexta, e Vítor Gaspar ontem, terem mobilizado para as manifestações de sábado, só faltava Manuela Ferreira Leite (e Cavaco Silva por tabela) juntarem-se à já longa lista  de personalidades da direita inteligente na preparação do velório que se inicia este sábado.

É claro que MFL se está a posicionar para presidir a um governo de iniciativa presidencial (cada vez mais Portugal e Grécia seguem o mesmo percurso). É óbvio que a inteligência e algum bom senso não chegam para mudar de rumo. Mas pelo menos Relvas terá uma oportunidade para ir estudar, livramo-nos de um governo que conseguiu ultrapassar Santana Lopes em imbecilidade pura, e Portugal ficando mais asseado demonstra dar pouco tempo à estupidez e incompetência em estado puro.

15 de Setembro vai estar para Passos Coelho como o 12 de Março esteve para Sócrates. Saindo à rua enquanto povo, espero que com a mesma tranquilidade, lembramos porque somos o único país independente da Ibéria (precisamente num dia em que as manifestações decorrerão por toda a península), com o detalhe de numa ter estado gente do PSD e nesta ser óbvio que vai aparecer gente do PS, e pelos vistos também do mesmo PSD. Não me incomoda absolutamente nada. A política é isto, juntam-se pessoas muito diferentes quando o que está em causa é a salubridade pública. Todos temos nariz, todos sofremos com o mau cheiro.

Já são 26 manifestações em 26 cidades, pode consultar a lista aqui.

Cavaleiro Marcelo Mendes vai avançar novamente contra manifestantes

Depois de ter avançado com o cavalo contra manifestantes, o cavaleiro Marcelo Mendes vai avançar também com uma queixa.

Nuno Crato e a obsessão pelo tamanho

Como qualquer político profissional, Nuno Crato sabe que o tamanho tem importância, porque substitui argumentos. Um homem inteligente deveria saber que não chega dizer que a contestação dos professores “não é tão grande assim”: importante é saber se essa contestação faz sentido e perceber se a demonstração pública dessa mesma contestação não será apenas uma pequena parte visível.

A pobreza das afirmações de Nuno Crato, no entanto, não deve servir para que os professores deixem de reflectir sobre a quantidade e a validade das manifestações públicas de contestação e é sempre importante relembrar que é preciso ir além das reivindicações, das vigílias e das manifestações, que podem ser meios, mas nunca poderão ser fins. E Setembro é já amanhã.

A propósito, ainda, de Setembro, só um ministro incompetente e incapaz (ou cultor) de capacidade de planeamento é que se pode orgulhar de que dados fundamentais para o início do próximo ano lectivo sejam conhecidos no início desse mesmo ano lectivo.