Troy Davis, homicídio de estado

Mesmo depois de eleito um preto para presidente, nos States continuam os assassinatos de pretos, condenados à morte apenas por serem pretos. Se isto é uma democracia, eu não sou democrata.

Fotografia: Tami Chappell

Nota: antes que me venham com a música do não se diz preto, diz-se negro, de um lado ou do outro, conto uma experiência de vida: dei aulas a uma turma constituída maioritariamente por africanos, adultos. Um dia lá calhou, nunca soube policiar a linguagem, e sai-me um preto, onde deveria estar um negro. Fiquei um pouco atrapalahdo, confesso, e pedi desculpa aos presentes. Resposta imediata:

– Professor, isso não tem mal nenhum, o que conta não é a palavra, mas a maneira como a dizem. Já me insultaram chamando-me negra, e como a disse agora, aqui ninguém se ofendeu.

Isto dito com o melhor sotaque guineense.

Nova York, 17 de setembro

Americanos ocupam Wall Street (em actualização)

A acampada dos indignados de Nova York

Serão milhares? Pelas imagens, não sendo enganam muito bem.  Da parte da comunicação social o boicote é internacional (nem uma só referência no online português, até ver).

Para todos os efeitos nem que fossem só 100 manifestantes tentando acampar nas imediações de Wall Street seria notícia, mas já sabemos o que a casa gasta.

De notar que a polícia montou barreiras, “and only those could prove they lived or worked on Wall Street were allowed to enter. “

Neste artigo em actualização ao longo do dia pode ver um directo, imagens e vídeos. Faça as suas contas, e siga através do twitter, ou acompanhe por exemplo através desta página.

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Milhares de americanos ocupam Wall Street


Há quem fale em 50 000. Não sabia? nas televisões locais também não sabem. Pode ver em directo aqui,  seguir no twitter (#takewallstreet) ou na página de apoio.

Pegando o touro pelos cornos, actualizado com imagens e vídeos: [Read more…]

A Líbia e a Charia

Declarações dos novos dirigentes líbios narradas pelo El País estão a provocar uma reacção curiosa. Mustafá Abdel Yalil, antigo ministro da Justiça da ditadura, afirmou:

Buscamos un Estado de Derecho, y de prosperidad donde la sharía sea la única fuente de legislación y eso requiere unas condiciones previas.

Não é uma boa notícia, embora expectável, mas sobretudo não é uma novidade: a Líbia já incorporava a charia na sua legislaçãoMuammar al-Gaddafi teve como suposta originalidade criar uma espécie de ideologia que misturava Marx com Maomé, pendendo muito mais para o segundo que para o primeiro, que não é responsável pelas atrocidades cometidas em seu nome, na Líbia ou na China. O facto de se anunciar que a Líbia não será uma nova Arábia Saudita é tranquilizante, tanto quanto estas supostas intenções o podem ser.

Não estou à espera de uma Líbia campeã dos direitos humanos mas convém lembrar que pior do que estava é difícil. A arrogância de quem despreza as revoluções alheias, uns por islamofobia, outros por lerem Marx como quem lê o Corão, merece como resposta o lamento por não terem vivido na Líbia do ditador ora deposto.  Se no caso dos corporativistas se compreende a rápida nostalgia pelo amigo de Sócrates, se Helena Matos só descansará quando uma cruzada converter todos os infiéis, já à esquerda a cegueira é mais preocupante (e era só perceber o que Cunhal teorizou com a Revolução Democrática Nacional).

Provado suicídio do Presidente Salvador Allende

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Morávamos na 6ª Carlton Terrace, em frente a Holyrood Palace, a casa da Rainha Mary Stuart, mais tarde da Monarquia Britânica. Tinha, entre 200, ganho o terceiro lugar para acabar os meus estudos de pós graduação em Antropologia e Ciências da Educação. Éramos a minha mulher, a nossa única filha Paula, hoje psicanalista, e, por parto, os nossos amigos argentinos, a família Gaudio, Ricardo e Sida e o seu filho Santiago. [Read more…]

Transformemos Portugal numa nova Inglaterra (II)

Parece que não me fiz entender aquando do meu último post, «Transformemos Portugal numa nova Inglaterra», que tantos comentários motivou. Como tive oportunidade de explicar no post, esse texto tinha como título original «Transformemos Portugal numa nova Grécia» e foi escrito há 2 meses para uma nova revista, «The Printed Blog», numa altura em que as manifestações e a revolta na Grécia estavam no auge. Publicado em papel há uns dias, julguei oportuno publicar em blogue o texto, mas ainda mais oportuno adaptá-lo à realidade que então se vivia, a da Inglaterra.
Como é óbvio, não defendo as pilhagens, as destruições e os ataques a quem foi vítima inocente disto tudo. Mas defendo a forma pacífica como tudo começou, defendo as 500 mil pessoas que se juntaram há pouco tempo para lutar contra a austeridade e as políticas dos políticos ingleses. É esse tipo de revolta que gostava de ver em Portugal – que a população em massa saísse para a rua. A revolta que se começou a gerar na Grécia e em Inglaterra e não aquela em que infelizmente se transformou nas cidades inglesas.
Para além disso, mudei de ideias depois de ler os comentários dos amáveis leitores do blogue. São comentários muito oportunos e que, na maior parte dos casos, me fizeram ver que estava errado. Os argumentos são imbatíveis, sobretudo na forma como me qualificam: efeminado (afeminado no original), ignorante, idiota, grande estúpido, palhacito, burro, verdadeiro anormal, perfeito anormal, sem-vergonha, filho da puta, atrasado mental, imbecil, canalha, irresponsável, escumalha patética e mimada – «pode ser que te fodam a boca toda», terrorista, nojento, primata da linhagem dos símios, etc.
Ufa! Com argumentos deste calibre, fiquei convencido. Definitivamente. Os amáveis comentadores têm toda a razão. O terrorista sou eu.

A Líbia já está

Para quem tivesse dúvidas a entrada quase triunfal dos rebeldes líbios em Tripoli, encontrando pela frente uma resistência minimal, demonstra que o que tem sucedido por aqueles lados tem sido uma revolução popular contra o regime despótico e corrupto que vigorou durante décadas.

Claro que lamento a presença da Nato, não há bombardeamentos grátis e os líbios vão pagá-los, a evolução das outras revoluções árabes não augura a esta mudança de regime muito mais do que uma mudança de moscas, alguma liberdade de expressão e pouco mais, sendo este pouco muito (só quem não viveu uma ditadura não o pode, ou não quer, perceber).

A seguir que caía a ditadura Síria, é o que se agradece, mas vai ser muito mais complicado.

Transformemos Portugal numa nova Inglaterra*


Aproveitemos as férias para descansar. Depois de Agosto, todas as forças vão ser necessárias para lutar. O Governo Passos Coelho / Portas já mostrou ao que vem e todos temos de estar preparados. A receita é a do costume: aumento de impostos directos e indirectos sobre os trabalhadores ao arrepio de todas as promessas eleitorais. É tão fácil ser forte com os fracos e tão difícil ser forte com os fortes! Aos poderosos, como os Bancos, os principais responsáveis pela crise, não se pede um cêntimo a mais e ainda se lhes reduz a Taxa Social Única. É por isto que urge transformar Portugal numa nova Inglaterra. Não porque gostemos de ver o nosso país a ferro e fogo nem porque sejamos adeptos da violência como solução para os problemas. Mas porque é essa a única forma de lutar contra tudo o que o Governo se prepara para fazer. Como alguém disse em forma de previsão para o futuro, nós não somos carneiros.

(* escrito para a edição de estreia de «The Printed Blog» com o título «Transformemos Portugal numa nova Grécia», daí a fotomontagem que pedi ao Jorge Fliscorno. Mas a realidade desta Europa em crise não pára, daí esta adaptação que faz todo o sentido. Publicado também no 5 Dias)

Feios, porcos, maus e tijolos

Feios, Porcos e Maus,  obra-prima de  Ettore Scola, passa hoje na televisão por enquanto pública.

Entretanto parece que os Porcos foram ultrapassados pelos Maus (sim, tudo é relativo) e os Feios começam a meter ordem nestas coisas. Ainda bem que a China tem excelentes cineastas (nem sempre na cadeia) e a Índia não é só o que parece, também no cinema.

Olha que chatice, temos de dar esta notícia

Já bem atrasado em relação aos media internacionais, escrevi aqui que em Israel também se acampa, no pretérito dia 31 do mês findado. Na altura tinha constatado, seguindo o google news, não haver uma única referência na comunicação social online portuguesa. Hoje o Público chegou lá.

Mais vale tarde do que nunca? conhecendo o poder do estado sionista de Israel, foi deliberado. O costume.

Em Israel também se acampa

Que os israelitas não são todos iguais, ou seja, sionistas, já sabíamos. Que eram capazes de vir para as ruas e acampar em defesa dos seus direitos sociais, é novidade. Aliás uma novidade que escapa à comunicação social portuguesa. Sabia que em Telaviv ainda ontem eram 100 000 nas ruas? E que escolheram a Avenida Rothschild para o fazerem?

Há coisas fantásticas não há?

Monstros bons, monstros maus.

Tenho assistido, entre a complacência e o espanto, a uma discussão, de resto estéril e estúpida, sobre a natureza do mal, representado pelo assassino da Noruega.
Mal soube que o terrorista era loiro, de olhos azuis, de extrema-direita e provavelmente um religioso fanático, a Esquerda ateia veio, nervosíssima, apontar a raiz do mal. Está ali. É aquilo.
Se fosse um árabe de turbante (que esta gente adora clichés) viria a direita invocar o problema: o fanatismo islâmico, rude, bárbaro e ignorante.
Os idiotas contam piadas ou não contam nada, que é mais razoável de todas as posições, afinal.
Meus senhores, a Noruega não é exemplo, Andres Breivik não é exemplo para ninguém. O mundo, por muito que custe aos teóricos de Esquerda, não se divide entre bons e maus, entre preto e branco, entre sim e não, entre oprimidos e opressores. Já não é assim (e alguma vez foi?).
Não podemos arranjar exemplos para um mundo de monstros bons e de monstros maus. Nem vale a pena culpar o fanatismo religioso ou Deus. Por essa ordem de ideias e para quem deus não existe a culpa não é divina, é humana. E nesse aspecto, virados do avesso somos todos iguaizinhos: uma comunhão de biologia e impulsos que fazem de nós todos possíveis Breiviks.
Menos os estúpidos que fazem as nações mais felizes. E de brandos costumes.

A melhor defesa é o ataque? fazendo batota, talvez seja

Helena Matos acordou da letargia que o carniceiro de Oslo lhe provocou. Lá deve ter pensado: atira-se com as Brigadas Vermelhas (mas esquece-se por exemplo o atentado da estação de Bolonha, onde a extrema-direita assassinou 85 pessoas e feriu 200), e finge-se que o assassinato de Aldo Moro não é uma história por esclarecer. Invoca-se a ETA, contabilizando as 829 vítimas, mas fingindo que entre elas não está por exemplo Carrero Blanco, e que aqueles que o executaram foram assassinados, já para não falar dos GAL.

Tudo isto para insinuar que toda a esquerda simpatiza, ou simpatizou, com Ulrike Meinhof e afins, já agora vitima de “suicídio” policial. É a velha estratégia de a melhor defesa é  ataque, proveniente de quem está ideologicamente de pedra e cal com Andrew Berwick, praticando a mesma neo-cruzada, num blogue onde este mapa foi publicado.

Via Rui Curado Silva, que responde com uma mapa-mundo muito pertinente.

O ovo da serpente

Nem 3 dias passaram, e já se escreve isto:

Só lamento ter acontecido na Noruega e não em Portugal, mas há-de chegar o dia…

numa caixa de comentários (este não apaguei para amostra). Depois digam que foi um acto isolado de um tresloucado. E continuem a pregar o mesmo discurso “anti-multiculturalista”. Na década de 30, muitos também não acreditavam. Os ovos da serpente são transparentes, antes de eclodirem já sabemos quem lá está.

Anders Behring Breivik não é um terrorista, é um cristão

Anders Behring Breivik não é muçulmano, não é de esquerda, mas assassinou 91 compatriotas. Temos agora um complexo problema de linguagem atormentando as redacções.

No Público uma alma benzeu-se e conseguiu utilizar a palavra:

Este é o mais grave atentado terrorista na Europa desde que 52 pessoas perderam a vida em Londres em 2005, num ataque levado a cabo por terroristas islâmicos.

Bom esforço: escreve-se terrorista, mas enfia-se islâmico no mesmo parágrafo. No Expresso procuro, e não encontro: atentado, vá lá. Nas primeiras horas ainda se vendeu o peixe do “grupo islâmico”. Ninguém comprou.

Anders Behring Breivik é um filhodaputa de um cristão fundamentalista, com a mania das armas e politicamente de direita. Mas os terroristas só podem existir no outro lado da guerra santa.

Para quem vê o mundo a preto e branco é assim. O perigo vem sempre de Meca, agora que já não vem de Moscovo. São sempre os outros. 91 humanos foram vítimas de “um atentado”.  Nos próximo dias vão convencer-nos  que foi cometido por um “tresloucado”, o que não deixa de ser verdade mas também se aplica aos outros.

Aquilo que está entre o preto o o branco não existe, existe a comunicação social que o apaga, apagando-nos a massa cinzenta.

Cresci a ouvir todos os dias a palavra terrorista associada sempre aos movimentos de libertação. O nosso exército era santo, Wiriamu nunca existiu. Estou habituado.

Prova do suicídio de Salvador Allende – Heróis do Chile

Hortênsia Bussi de Allende

Sua Excelência Salvador Allende e a Primeira-dama Hortênsia Soto Bussi de Allende, no dia de começar o seu mandato, 4 de Outubro de 1970

A notícia recebida hoje de madrugada, deixou-me como alma em pena. É verdade que morei poucos anos no Chile, mas tive essa alegria de conhecer ao persistente candidato à Presidência do Chile, o médico político Salvador Allende. Aliás, o conheci em circunstâncias especiais: não lhe era permitido entrar na nossa terra, terra de agricultura e de indústria, com imenso operariado que, sem poder falar porque a esquerda era perseguida no Chile, até a volta a democracia em 1990. Mal soube a notícia, esse mando do proprietário a polícia, nada falei em casa, fui de imediato aos Carabineros (Guarda Civil) e mandei abrir as portas, acusando a esses guardas de atropelar a Soberania da República por não deixar entrar em propriedade privada, a um Senador da República. Os guardas não sabiam o que fazer, mandei, porém, que se encerrassem na sua caserna e dizer que nunca nada tinham visto. Filho de patrão, obedeceram. Abri as portas, pedi desculpas ao Senador, quem ripostou que estava habituado. Calei, o agarrei do braço e fomos de casa em casa dos 300 operários, apresentei ao Senador, fiz um discurso sobre uma cadeira. Toda de esquerda, saiu de imediato a rua, asilados no meu patronato. Foi o melhor discurso que lhe ouvi na minha vida: reivindicações, a terra é para quem a trabalha, as indústrias também, incremento de ordenado e de segurança social, liberdade de expressão, que era a falha do Chile. Passei uma tarde em grande. Despedi-me dele às portas da indústria, ficaram certos os operários que deste assunto nunca mais se falaria, apoiada a minha palavra pela do Senador. Anos mais tarde, comigo já na Grã-Bretanha, fui investigar o que era uma República com um Presidente marxista. A pedida de Fidel Castro de organizar, por ser um país católico militante, organizamos o movimento Cristãos para o Socialismo. Já Presidente, a Sua Excelência agradeceu e nunca falou contra nenhuma confissão, como nunca o tinha feito antes: o povo era protestante e católico, mas os seus votos o fariam Presidente para ele ter a oportunidade de fazer-nos a todos iguais. Os romanos, os Bispos, queriam nós enviar ao inferno. Nem curto nem preguiçoso, convoquei os Bispos e usei a sua teoria de que o Espírito Santo habitava em todos nós, citando o Apocalipses de João e a teoria gregoriana do Século VI em frente. Impressionados, calaram, sabia menos que nós. [Read more…]

Já não há maus da fita como antigamente

As figuras lendárias e românticas dos grandes vilões perderam-se no tempo. Ficaram os registos históricos e os mitos cinematográficos feitos à medida da grandeza de James Cagney, George Raft, Humphrey Bogart, Edward G. Robinson e outros, nas suas interpretações de maus da fita.

Nos dias de hoje, não há estrela da sétima arte que consiga dar corpo e voz aos grandes maus da fita da actualidade. Porque estes não têm propriamente um rosto: são corporações cujos bairros e cartéis que dominam são nações inteiras, onde estabelecem as regras de jogo por ratios, taxas, indexes, cotações e notações, e traficam aquilo que tornou o mundo inteiro dependente: financiamento.

O domínio das mortes sangrentas a tiros de metralhadora num beco, ou em ambientes de fumo e devaneio do jogo ou da prostituição, acabou. Agora assassina-se identidades nacionais com séculos de história, esmaga-se a dignidade de um povo, instiga-se à escravidão e à fome.

Com todo o brilhantismo que se lhes reconhece, como poderão Robert De Niro ou Al Pacino marcar na tela a sua representação dos grandes maus da fita de hoje?

Não podem. Porque já não há maus da fita como antigamente.

O Iraque explicado aos ingénuos

Documentário “Let’s make money” – Ex-assassino económico John Perkins

Disponível  aqui.   via spectrum

Às vezes não parece, mas estamos todos no mesmo barco

Arca de Noé

 

Presidente do Eurogrupo propõe ajuda à Grécia vinda do orçamento da UE

Allende, Neruda e Frei: mortes programadas

Salvador Allende

O meu prolongado exílio do país em que nasci, filho de espanhóis e a minha vagabundagem por vários países e continentes, por motivos científicos, têm-me ensinado a ser cauteloso. Uma notícia de jornal, comentários televisivos, nada prova, excepto esse ser o primeiro de proporcionar uma informação que estala como uma bomba. Notícia que nos alarma e procuramos as fontes. Por enquanto, fontes que provem factos, não há. Há notícias que parecem verdades certas, as que nos temos habituado e acreditamos nelas como no Pai Nosso.

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Eduardo Galeano en la #acampadaBCN

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Adivinhem quem vai a Bildberg 2011

O clube de Bildeberg está reunido na Suiça. Sem especular muito sobre este clube, que segundo várias teorias mais ou menos conspirativas governa o mundo, de facto e de fato, é sempre interessante saber quem acompanha Pinto Balsemão ao evento. Normalmente nos anos seguintes acabam a governar Portugal, ou dito de outra forma, são nomeados ali.

Seguindo esta fonte, a presença de António Nogueira Leite, “da José de Mello Investimentos, SGPS, SA” parece natural. Já Clara Ferreira Alves, “CEO, Claref LDA; writer” me deixa um pouco perplexo. Terá ido em reportagem?

A História não é do Povo, nem de Moscovo.

Não existe História asséptica, nem imparcial. Existe coerência, interpretação e bom senso. Infelizmente ainda não possuímos um código deontológico para Historiadores, pelo simples facto de que não existe, também, qualquer instituição que superintenda a escrita da História ou (superintender é capaz de ser inadequado) zele pela boa historiografia em Portugal. O panorama é comum a muitos países, embora em Portugal seja mais confrangedor, dado que a facilidade com que qualquer um toma para si a denominação de historiador, desacredita a boa história, a História com H grande, escrita segundo o método científico que esta disciplina exige. Por outro lado, como a História é pedagogia e a escola tornou-se um laboratório de conceitos fúteis, aplicados a pressupostos de progresso social e meta-social (o que quer que isso seja), o lugar das humanidades foi sendo substituído por «ciências» realmente «verdadeiras», por «números», por «conceitos» galicistas e anglo-saxónicos inventados por alguém, num gabinete esterilizado mas pouco ventilado, lá longe, em Bruxelas. A História tornou-se um adereço difícil de justificar. De tal forma que o Passado se torna, dia após dia, uma montra de clichés que perduram enquanto existirem a wikipédia e os humoristas. [Read more…]

Tratado de Semiótica da Imagem

O que vê nesta fotografia?

 

Eu, penitente pelo impostor Obama

Obama e sua mulher, Michelle, dedicaram esta semana a um périplo pela Europa. Convencido, mas não convincente, o presidente americano assevera que o mundo actual continuará a obedecer à liderança dos EUA e seus aliados europeus; isto, a despeito da China e Índia se revelarem duas potências económicas pujantes e de crescente domínio global, na companhia de outros ‘BRICS’.

Eu, ao ter publicado no ‘Aventar’ este ‘post’, sou compelido a declarar-me penitente pelo impostor Obama que, no vídeo a seguir exibido, recebeu a humilhação merecida de sua majestade a rainha Elizabeth II:

Obama teve o castigo devido, da imoral e decrépita realeza britânica; acerca da qual, de resto, me dispenso de fazer comentários.

Obama é, pois, mais uma das muitíssimas figuras políticas que me desiludiram. Não apenas a mim. Também a muitos mais, como a minha ex-companheira do ‘Aventar’, Carla Romualdo, que afirma: “em tempos recentes acreditei neste gajo”.

Do filme-documentário ‘Inside Job’, já tinha tido sinais de desencanto. Agora, com esta cerimónia no Buckingham Palace, humilhado por gente que sempre viveu à grande da crendice no ideal monárquico, fiquei definitivamente convencido. Neste caso, sim, Obama foi convincente e eu transformei-me em penitente.

Dividocracia

Clique na imagem para ver o filme

Este é um vídeo feito pelo público, fique descansado, não vai ver este vídeo aparecer nos media tradicionais.

Quando estiver a ver o vídeo, clique na imagem igual à que se mostra ao lado, para obter legendas em português.

 


 
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Junta eleitoral proíbe protestos no fim de semana

Barcelona

Perto das duas da madrugada (hora de Portugal) a Junta Eleitoral de Espanha proibiu, numa renhida votação 4 contra 5, os protestos que ocorrem um pouco por todo o país. Os protestos continuam pela madrugada dentro e podem ser vistos em directo aqui. Mesmo antes desta decisão havia sido decidido em assembleia que a manifestação na Porta do Sol em Madrid também iria continuar no Sábado.


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São cravos, senhor, são cravos. E apodrecem.

A única coisa que me atrai nas revoluções, é a carga anímica. É o romantismo! É o imaginar que o colectivo tudo consegue, quando sai à rua! Vejo o Maio de 68, os combates nas ruas de Paris, os estudantes e aquela bela aristocrata francesa (a Caroline de Bendern) encavalitada, envergando a bandeira da libertação. E sonho com revoluções diárias, com o uso daquela extraordinária força para, todos os dias e todas as horas, construirmos um mundo melhor, mais justo e mais solidário. Infelizmente, uma multidão tão facilmente usa os punhos para depor governos, como para linchar “criminosos”. E o romantismo acaba aqui. Pior, só sai à rua por egoísmo, quando se acaba o emprego, tem fome ou lhe falta dinheiro para comprar o novo modelo de telemóvel. As revoluções são como os cravos que estão outra vez em moda: ou se plantam num vaso e se regam ou, cortados, murcham, apodrecem e deixam de ser importantes.

Ontem em Espanha

Lutam pelo mesmo que leva as pessoas à rua um pouco por todo o mundo.

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