Um dos problemas do actual discurso político do PS

sobre o que fazer depois das Legislativas é que fala como se Portugal não integrasse a UE, nem houvesse uma negociação importantíssima por fazer: a do seu lugar na Europa dos alemães e dos ultras populistas do Norte.
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A verdade por trás do cartaz do PS

Cartaz PS

Os cartazes da campanha do Partido Socialista têm dado muito que falar. Depois do momento evangelista-seita, tão inspirador para uma nação em apuros à procura de uma luz ao fundo do túnel, a estratégia do partido socialista espetou-se ao comprido com o episódio em que os rostos de funcionários da junta de freguesia socialista de Arroios foram usados para figurar em cartazes que contavam histórias que aparentemente nada tinham que ver com eles. E fico-me pelo “aparentemente” pois confesso que nunca fiquei totalmente esclarecido sobre se o embuste abrangia a totalidade dos cartazes ou apenas a parte. Em todo o caso, um embuste. [Read more…]

O cartaz perfeito

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Afinal, a coligação PSD/CDS-PP também aldraba em campanha. E não é a primeira vez

PSD cartaz

O cartazgate que está a agitar a silly season atravessou a fronteira do Largo do Rato e chegou à São Caetano à Lapa e ao Caldas. Tratam-se de situações muito diferentes, gritam as claques, da blogosfera da corda até ao jornal electrónico do regime. E têm razão: são situações diferentes. No caso do PS manipularam-se os figurantes, a quem foram coladas histórias que nada tinham que ver com eles, e mentiu-se os portugueses. No caso do PSD o logro atingiu apenas os portugueses, os figurantes não são para aqui chamados porque as suas fotografias vieram de um banco de imagens. Estarei a mentir, com o intuito de iludir os meus concidadãos por motivos de estratégia política? Nada disso: não sou político nem me chamo Pedro Passos Coelho. Mas trago comigo as palavras de um político, José Matos Rosa, dirigente social-democrata encarregue de dirigir a campanha da coligaçãol, que permitirão explicar melhor onde quero chegar: [Read more…]

Deixem-se de merdas e contem a verdade aos portugueses: a direita esteve em todas as intervenções do FMI

Soares Mota Pinto

Acabemos de uma vez por todas com o mito de ter sido SEMPRE o PS o responsável pelas intervenções do FMI em Portugal. Isso é pura e simplesmente falso e não se percebe como o próprio PS, talvez enterrado na vergonha absoluta de estar sempre ligado ao problema, não se preocupa em desmistificar este conto para crianças.

Quando acontece o primeiro resgate, em 1977, o governo português é efectivamente liderado por um socialista, Mário Soares. Mas o PSD também está neste governo. Carlos Mota Pinto estava lá. Até o oráculo dos moralistas, Henrique Medina Carreira lá estava. Era ministro das Finanças. Não teve também ele responsabilidades? Para além do mais, Portugal ainda recuperava de 40 anos de ditadura e a transição, conturbada e instável ainda se fazia sentir. Para além da crise petrolífera que atingiu a Europa com violência na década de 70. Não tenho qualquer interesse em fazer a defesa de Mário Soares, desprezo-o absolutamente. Tanto quanto desprezo este tipo de propaganda barata de alguma direita velha velha velha dos tempos da União Nacional. [Read more…]

Um poço sem fundo chamado Parque Escolar

Do Grupo Lena às suspeitas de corrupção, o infame Parque Escolar vê-se agora envolvido num potencial conluio em formato de cartel no fornecimento de contentores. Quando acaba este filme?

You know nothing António Costa

Jon Sonw PS

Dedicado a todos aqueles que, tal como eu, são fãs de Game of Thrones e se vão divertindo com o nível patético a que desceu a campanha do PS. A pasokização é já a seguir.

Um espectáculo

Uns mandam emigrar, outros inventam emigrantes, a política em Portugal está cada vez melhor…
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António Costa é o senhô

PS

Enquanto os carrascos da social-democracia se dedicam à propaganda do costume, o PS inaugura um novo estilo de comunicação inspirado no evangelismo-seita brasileiro. Faz sentido: os Edir Macedos desta vida exploram milhões de miseráveis no Brasil (e uns quantos por cá) com a mesmo descaramento com que se deslocam de helicóptero pelos céus de São Paulo, os governos socialistas deixam atrás de si um rasto de destruição e empobrecimento com o mesmo descaramento com que ostentam estilos de vida pouco socialistas, sempre muito bem orientados nos sectores privado e empresarial do Estado ou numa qualquer fundação de utilidade duvidosa mas sempre extremamente dispendiosa.

O tempo é de confiança? Para muitos barões e uma nova geração de boys com certeza. O sol socialista, tal como o país de Luís Montenegro, não é para todos e António Costa, a julgar pelo alinhamento que tem revelado com o directório do pensamento único europeu, apesar da propaganda idiota dos PàF’s que tentam colar este PS cada vez mais liberal ao Syriza, apenas trará mais do mesmo. Quem ainda acredita nos milagres socialistas só pode ter estado transe nos últimos anos. Ou anda atrás do dízimo.

A crise: abstracção de fronteiras semânticas turvas

“O PS é que trouxe a crise para Portugal” – o argumento desonesto que serve duas carapuças principais: a dos apoiantes da coligação PSD/CDS e a dos apoiantes da coligação PCP/PEV. A que se juntam algumas outras classes anti-PS, como por exemplo os que jamais perdoaram a Mário Soares e a Almeida Santos os improvisos da descolonização e os que não esqueceram quem lhes estragou a rave do PREC (que gerou uma partezinha da crise, já agora). E no entanto, basta ver quantos foram os Governos do PSD para perceber a verdadeira natureza da crise – a que também o PS não é alheio, nem o CDS, claro está. E era isto.

O acordo é meu! Não, é meu!

patoConfesso: não gosto de humor inteligente. O humor inteligente obriga as pessoas a esperar demasiado tempo para se poderem rir, porque é preciso ouvir a piada, pensar sobre a piada, debater a piada com os amigos em tertúlias demoradas e, dois dias depois, rir da piada, já sem muita vontade, porque quem muito pensa ri pouco.

Por isso, uma das minhas anedotas preferidas é uma daquelas que qualquer cidadão de qualquer país pode usar para fingir que é superior ao de uma nação vizinha. Reza assim: um  espanhol e um português andavam à caça e dispararam, simultaneamente, contra o mesmo pato. Discussão, caído o bicho, o pato é meu, el pato es mío, e é meu, es mío, e torna e deixa. O português propõe: “Sodomizemo-nos um ao outro. Quem gemer perde o pato!” (Não tem piada nenhuma contar anedotas por escrito, especialmente em blogues respeitáveis, com crianças ainda acordadas. Como devem calcular, nunca ouvi nem utilizei o verbo “sodomizar” em anedota nenhuma.) O espanhol aceita e, com valentia, suporta sem um ai. Quando se preparava para exercer o contraditório, o português afastou-se, dizendo: “Ó pá, eu nem gosto de pato!” [Read more…]

A entrevista

Comecei, com toda a boa vontade, a ver a entrevista de António Costa. As primeiras perguntas andaram à volta de um “não ser”, a última sondagem. Independentemente da discussão que mereçam os resultados dessas operações, elas não podem ser discutidas como se representassem o ser, a realidade ela mesma. As sondagens – e não quero maçar-vos mais sobre o tema – reflectem apenas e muito vagamente uma sombra da realidade. Elas não têm estatuto ontológico. Estas perguntas atiram-nos para um lugar vazio e as que se lhe seguiram – malabarismos sobre números eleitorais – não são muito melhores. Já vi por onde isto vai e a presença de supostos representantes “do povo” não augura nada de bom. Assim, desliga-se a televisão e liga-se a música. Já está.

A tabloidização do jornalismo

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Em política (para dizer o poder político), nada é inocente. O facto de a mulher do actual primeiro-ministro ter optado por não esconder a sua doença é claramente um statement. Resta saber qual, ou quais. Que eu saiba, e até ao momento, nenhuma figura pública feminina portuguesa havia tomado tal audaz decisão. Não há, na cultura portuguesa, esse hábito. A doença esconde-se, tal como se escondem as suas marcas. As mulheres põem lenços, e procuram manter – tanto quanto possível – a sua aparência habitual. Nessa medida, que a mulher do actual primeiro-ministro apareça publicamente sem cabelo (ela que o tinha farto e bonito) significa qualquer coisa.

Ana Sá Lopes (ASL) pensa que essa coisa – mesmo se concordando que constitui uma «opção radical» – não tem significado político algum, e insurge-se contra alegados aproveitamentos por parte do PS e dos seus simpatizantes. Visando Estrela Serrano com especial agressividade, por causa de um seu texto sobre a tabloidização da doença, ASL não se esqueceu de referir que Estrela Serrano foi assessora «do Presidente da República Mário Soares, para além de professora na Escola Superior de Comunicação Social, um centro de formação das novas gerações de jornalistas.» O que significam essas escolhas, para além da continuação do combate ao PS que ASL tem protagonizado?

Tal como se me apresentam os factos, significa que o que está em cima da mesa não é a doença de Laura Ferreira, tão pouco um suposto aproveitamento político por parte de Pedro Passos Coelho. O que Estrela Serrano levou a debate é o que Ana Sá Lopes agora contesta (reeditando, aliás, o que fez há uns meses relativamente ao opaco processo contra Sócrates), mesmo se com recurso aos habituais esconderijos discursivos que põem em primeiro plano tergiversões sem sentido (e até muito questionáveis, como é o caso da que pretende escrutinar moralmente Estrela Serrano enquanto professora de jornalismo): a tabloidização do jornalismo.

O efeito Sócrates e o risco de “pasokização”

Na semana passada, o Fernando Moreira de Sá falou-nos sobre a mais recente sondagem da Católica que coloca a coligação PSD/CDS-PP à frente do PS. E apesar deste estranho alinhamento com a propaganda assente na manipulação de dados que tem caracterizado a narrativa da coligação:

O país está melhor? Está. O desemprego baixou, a economia parece estar a melhorar, o consumo das famílias a crescer (é um bom indicador de confiança económica), o sector imobiliário a mexer, o sector automóvel a vender, a banca novamente a emprestar, o Portugal 2020 a dar esperança.

penso que estamos de acordo no essencial: o problema do PS de Costa chama-se José Sócrates. Tal como daqui por outros quatro anos o problema do PSD se poderá chamar Marco António Costa caso o resultado final deste filme seja o expectável e os socialistas saibam, tal como os sociais-democratas convertidos em pseudo-neoliberais e os irrevogáveis centristas tão bem estão a saber fazer, instrumentalizar o caso. Aliás, o PSD parece mesmo querer entrar nesta arena à força com a reabilitação política em curso de Miguel Relvas.

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O Labirinto de Costa

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Olho para a sondagem de hoje da Católica para o JN/DN/Antena 1/RTP e recordo-me dos primeiros dias de António Costa na liderança do PS.

O Secretário-Geral do PS, António Costa, tinha tudo para estar a um passo de ser o próximo Primeiro-ministro. Reparem: a classe média praticamente desaparecida em parte incerta. Os jovens viviam entre a certeza do desemprego cá e a esperança de qualquer coisa lá fora. Os professores estavam revoltados. Os médicos descontentes. Os funcionários públicos (essa enorme massa eleitoral) furiosos. Os trabalhadores frustrados. As empresas no fio da navalha. Depois temos os velhos problemas e os problemas velhos: BPN, BPP, privatizações, parcerias público-privadas, justiça, listas de espera nos hospitais, etc, etc, etc. Uma tempestade perfeita.

Entretanto veio a detenção de José Sócrates. E antes dele a “tralha socrática” dentro do partido e Mário Soares a falar em barda. Depois as eleições na Grécia. Uns cartazes espalhados pelo país com uma menina em pose religiosa, ao mais puro estilo de seita brasileira. E a demora em largar o lugar de presidente da Câmara de Lisboa. E as pressões internas para falar à comunicação social sobre tudo e um par de botas. O labirinto crescia em proporções dantescas.

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A venda da TAP e um criminoso chamado Pedro Passos Coelho

Crime PPC

Fotomontagem@Uma Página Numa Rede Social

Muito se tem discutido a privatização da TAP. Na arena ideológica, a contenda divide-se essencialmente entre três facções: a direita ultraliberal, sedenta por privatizar todo o país excepto, por enquanto, o solo, o oxigénio e a ZEE (sublinhe-se o “por enquanto”), a esquerda mesmo esquerda, que se opõe ferozmente a esta e a qualquer outra privatização e o PS, que igual a si mesmo se limita a fazer campanha eleitoral, actividade que neste momento passa por ser contra a privatização, apesar de um passado privatizador altamente prejudicial ao país que tenta, sem sucesso, branquear.

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Sobre portugueses que vivem acima das suas possibilidades

PS em situação de falência técnica. E viva o rigor socialista!

Conversas encomendadas entre um caloteiro desonesto e um maçon alucinado

Passos Montenegro

Foto@Lusa/TVI24

Na foto em cima podemos encontrar um caloteiro fiscal com gosto pela mentira, um maçon que alucina com realidades sociais inexistentes e um companheiro de ambos sob investigação por ser o alegado cérebro de uma complexa rede de tráfico de influências que terá lesado o país em alguns milhões de euros, com esquemas de ajustes directos e favorecimentos variados à mistura. Os dois primeiros protagonizaram hoje, no Parlamento, um exercício de aldrabice pré-eleitoral, área em que pelo menos o primeiro é uma das maiores autoridades nacionais, ao voltar a tentar colar os seus pares socialistas aos gregos do Syriza. Isto é estúpido por vários motivos, fáceis de perceber, mas destacaria apenas o facto do Syriza ser um partido de esquerda enquanto que o PS é uma espécie de híbrido do centrão que consegue conciliar belos poemas de Manuel Alegre com o apoio envergonhado à austeridade e um programa eleitoral coordenado por um liberal.

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Rosa amarela

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Alguém havia de avisar António Costa sobre o design que estão a escolher para os cartazes. Não é que me preocupe, mas, caramba, ninguém lá pelo Rato tem olhos na cara para ver que aquele amarelo do Costa não se vê na rua? Já para não falar dos anteriores cartazes que pareciam saídos duma reunião da IURD. Passa-se algo por aqueles lados, sem dúvida.

Uma perguntinha singela

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Apesar de compreender (e sem pingo de anti-comunismo primário, faço notar), a posição histórica do PCP relativamente ao PS, cuja social-democracia os comunistas teimam em encarar como um mal maior do que o liberalismo económico do PSD (e estas designações precisariam de mudar, pois claro), não conheço presentemente outra solução governativa com verdadeiro interesse para o povo que não seja a de ajudar o PS das PPPs, coitado, a governar à esquerda. Assim, pergunto: vai o PCP chegar-se à frente para um acordo pré-eleitoral com o PS, ou bastar-lhe-á continuar a fazer oposição (sem resultados que o povo veja na sua vida concreta) e esperar (apesar da grande fé que põe na espera) pela “sublevação histórica” das massas indignadas, num dia qualquer de um futuro sem horizonte à vista no tempo útil da vida das actuais gerações? A pergunta é extensiva ao Bloco de Esquerda e a todos os partidos e movimentos emanados da utopia socialista do século XX.

Os voluntários por António Costa

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Parece que este ano as campanhas eleitorais se mudam com armas e bagagens para o Facebook (e em fórmula cérebro reduzido a uma sms para o Twitter). Natural, portanto, que surjam páginas com a função de distribuir propaganda, nada contra, tendo-me hoje cruzado com uma designada Voluntários por António Costa.

Começaram por vender o seu programa económico numa série a que se poderia dar o título Diz-me quem o elogia e dir-te-ei o que é.

Esgotado aí, e ganho por KO técnico, o combate para o lado direito, viraram-se para a esquerda. E sai isto: [Read more…]

Ainda não perceberam a figura ridícula que fazem?

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Desafio é coisa de criançada ou, usando o termo técnico apropriado, de putos.

“Nhã, nhã, nhã, nhã, não és capaz, nhã, nhã, nhã. E agora embrulha, que já levas, nhã, nhã, nhã.”

Se bem que, com cartas de amor, ainda vai haver ciumeira no casamento.

Hipocrisias de Abril

Depois da proposta conjunta apresentada pelo seu partido, PSD e CDS para controlar a cobertura eleitoral feita pela imprensa, António Costa aproveitou o 25 de Abril para nos presentear com a sua hipocrisia.

Custou mas foi

Há anos que designo os neoliberais que tomaram conta do PSD/CDS como extrema-direita. Tenho levado como reacção que é um exagero, onde meto o (inexistente) PNR, etc, etc.

Há anos que coloco o PS na direita, vá lá, centro-direita, como o social-liberalismo à moda de Blair que representa. Insulto, queixam-se uns, é de centro-esquerda, és um exagerado, levei como resposta.

Até que um dia os insuspeitos Abrantes falam de erro de paralaxe: “O que já vinha a acontecer na década anterior, e se aprofundou nestes últimos quatro anos, foi uma transformação do PSD num partido da direita radical, abdicando até de se reclamar da «social-democracia».” E segue-se que, depois de lido o documento macro-neoliberal do PS (austeridade com vaselina, submissão ao euro e à ortodoxia europeia), a extrema-direita lá chega, basta ler o Pedro Romano:

Francisco Louçã tem um excelente texto no Público, que toca mais ou menos nos mesmos pontos, embora de forma detalhada. Lido do princípio ao fim, penso que só divergimos na forma como encaramos a essência do programa do PS: Louçã com repulsa, eu com alívio.

O texto de Louçã realmente desmonta como o PS se prepara para mais do mesmo, pasokismo que o há-de partir ao meio; deixemos o governo grego sair do euro e demonstrar como algum tempo de sacrifício prova  haver alternativa, e valer a pena. A dívida é impagável, o euro é uma moeda alemã, o resto é conversa de treta.

Finalmente, obrigado António Costa, por outras razões, é certo, também fiquei  aliviado.

Leituras

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Ando a ler o relatório dos economistas liberais para o PASOK, perdão, para o PS. Uma suavidade.

Dez orçamentos de estado

A grande tese do governo quanto à estratégia do PS ontem apresentada resume-se a dizer que o PS provocará o desequilíbrio das contas públicas.

Isto é uma falácia,  pois o governo não equilibrou as contas públicas. Reduziu alguma coisa no défice à conta de enormes aumentos de impostos, do descontrolo na dívida e de um aumento brutal do desemprego. 

Quanto às ideias do PS, é de recordar que António Costa afirmou há tempos que se se pensasse como o governo, acabar-se-ia a agir como o governo. Ao insistirem no tema TSU e numa versão light da austeridade torna-se claro que foram incapazes de pensar fora da caixa e, pela lógica do próprio, acabarão a agir como este governo.

Ainda pior, do ponto de vista político, o PS deu um enorme tiro no pé. Confirmou a pretensa pertinência de Passos Coelho em ter voltado ao tema TSU e, ao apresentar uma versão moderada da estratégia do PSD, acabou a validar a acção governativa destes 4 anos, deixando espaço para nos interrogarmos se este prometido ligeiro alívio da austeridade só existe por se estar na oposição. Por fim, para quem tem afirmado prometer o que possa cumprir, basearam o  cenário num contexto macroeconómico  que nunca atingimos. Muito credível, sem dúvida.

Ainda quanto à TSU, o PS diz que compensará a quebra de receitas através de reformas menores a pagar no futuro. Tal como Passos Coelho, António Costa, parece não perceber que a Segurança Social não é um sistema onde se tenha uma conta corrente. A quebra de receitas terá consequências no presente e coloca em risco o seu futuro.

Quanto ao resto, registei que a educação é um sub-capítulo da economia, o que, em si mesmo, já é um programa político. Curiosamente, não encontrei nenhum capítulo sobre o Serviço Nacional de Saúde, este mesmo que está actualmente em pré-falência.

A agenda da década socialista consiste, sobretudo, na gestão financeira do país. Se não era para apresentar uma visão estratégica para o país, mais valia terem apresentado dez esboços de orçamento de estado.

Quem não se consegue governar a si próprio…

Acaba vivendo acima das possibilidades, avançando com teorias que as dívidas não são para se pagarem mas para serem geridas. O pior é que para suceder aos incompetentes que nos (des)governam já se perfilam os incompetentes que nos (des)governaram. A alternância está garantida, mas a mediocridade permanecerá imutável. O Estado a que a choldra chegou, ou uma versão sec. XXI para “de vez em quando é preciso mudar algo para que tudo fique na mesma”. Em Portugal mudamos de governo…

Ilusionismo socialista pré-eleitoral

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Foto@Expresso

A fotografia da autoria de José Carlos Carvalho, publicada no jornal Expresso a propósito do périplo de António Costa pelo país, encerra em si todo um cenário onde o idílico se mistura com o que de mais belo e poético existe na propaganda política pré-eleitoral. Um cenário cinzento onde um tímido arco-íris tenta sobressair das trevas e um António Costa sorridente remetem-nos para o imaginário da utopia socialista de um novo Portugal que ganha forma pela mão de um líder confiante e optimista com uma mão cheia de nada e outra repleta de coisa nenhuma. Vem-me imediatamente à memória aquele Pedro Passos Coelho que, triunfante e auspicioso, viajava pelo Portugal pós-chumbo do PEC IV, vendendo ilusões e fazendo promessas que todos sabemos como acabaram.

A anunciada primavera socialista mais não será do que a continuação daquilo a que hoje assistimos. Mudam-se caras, recuperam-se dinossauros e, com o tempo, novos boys infestarão a administração pública. A vassalagem a Berlim será total, o compadrio público-privado continuará e a “irreverência” de alguns sectores ditos mais à esquerda do Partido Socialista acabará por desvanecer e por ser silenciada em nome de uma suposta estabilidade que pouco ou nada se distinguirá daquilo que é a governação da coligação no poder. Infelizmente, centenas de milhares de portugueses acreditam que António Costa, o mudo, traz na cartola um conjunto de truques que darão a Portugal um novo Portugal. Mas como qualquer ilusionista do bloco central, Costa terá apenas mais do mesmo para oferecer, faça ele quantos périplos fizer. Não esperem fazer a mesma escolha e obter resultados diferentes. Isso só em contos para crianças.

A sobrevivência do mais apto

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Em Portugal como no resto do mundo, os partidos não são todos iguais. O cliché é bastante útil para as elites dirigentes, mas a verdade é que o nosso regime tem duas faces: PS e PSD. Às vezes, como é o caso actual, o regime traz um CDS-PP atrelado que, por ter um líder mais hábil do que praticamente todos os militantes dos dois outros partidos, consegue ter mais poder do que seria de esperar de um partido cuja base eleitoral ronda os 10%. Uma reduzida expressão eleitoral que contrasta com o poder de um partido com dirigentes de topo envolvidos em quase tudo o que é falcatrua neste país sem que um único seja sequer beliscado pela lei. Abençoado São Jacinto Leite Capelo Rego.

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A memória e a cultura

Há uma “corrente de opinião”, especialmente na capital e nos meios  “culturais”, ou ditos culturais, de que a esquerda é que é capaz de tratar a cultura e o património como deve ser.

Relembro a promessa de António Costa, recente, de, se  fôr  1º Ministro, dotar o seu governo de Ministério da Cultura como se isso fosse a solução para tudo e mais alguma coisa (erradamente, os  ilustres órgãos da comunicação social continuam a referir-se a esta área da governação como Secretaria de Estado da Cultura, que não existe na orgânica deste governo).

Por outro lado, a maior parte das pessoas ligadas ao PSD aceita essa  narrativa (como se diz agora), com muita dose de vergonha. São uns nabos. Nem sequer conhecem o que o seu próprio partido fez nos últimos trinta anos (claro que exemplos como os de Rui Rio e Francisco José Viegas, por exemplo, não ajudam). Isto a propósito da foto que publico, e que diz respeito à inauguração de Serralves em 1987.

Sim, a Casa de Serralves (o conjunto todo) foi comprada pelo Estado. Era governo o  PSD (a Secretária de Estado da Cultura era Teresa Patrício Gouveia e o 1º Ministro era Cavaco Silva).

É fodido.

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