Carta do Canadá – Setenta e um anos depois

Quanza

Navio Quanza, da Companhia Nacional de Navegação (imagem daqui)

No dia 6 de Agosto de 1945 os Estados Unidos da América arrasaram com uma bomba atómica a cidade japonesa de Hiroshima, assim retaliando o ataque que sofreram dos aéreos nipónicos sobre a sua base militar de Pearl Harbor. Aliado de Hitler, pouco depois também o Japão se rendia. Estava consumada a vitória dos aliados europeus  e americanos sobre o hediondo crime dos nazis alemães que, aliados também aos fascistas italianos e contando com a simpatia colaborante dos fascistas portugueses e espanhóis, ensombraram o século XX com milhões de mortos e fortaleceram o comunismo soviético.  Este, como se sabe, foi depois o fautor dum desastre sangrento e horrendo nos países que a Rússia agregou a si, a ferro e fogo, propagando depois o terror à China, ao Vietnam, à Coreia, a Cuba e  alguns países africanos, designadamente Angola.

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A menina-heroína da Equipa Olímpica de Refugiados

Foto retirada da Sala de Imprensa do Comité Olímpico Internacional

Foto retirada da Sala de Imprensa do Comité Olímpico Internacional

Yusra Mardini é uma miúda. Nasceu a 5 de Março de 1998. Em 2015, ela e a sua irmã Sarah fugiram do seu país, a Síria. Chegaram ao Líbano e posteriormente à Turquia de onde conseguiram fugir clandestinamente rumo à Grécia. As duas raparigas ocuparam o seu lugar entre os outros 18 refugiados num barco com capacidade para 6 ou 7 pessoas. Quando o motor do barco parou e este começou a meter água, 30 minutos depois de terem saído da Turquia, só havia uma solução: saltar para a água e puxá-lo até terra. Foi o que fizeram as únicas 4 pessoas que sabiam nadar: Yusra e a irmã e outros dois passageiros. Nadaram durante cerca de 3 horas e meia até finalmente chegarem à ilha de Lesbos, salvando-se a si e a todas as pessoas a bordo, muitas delas crianças.

Podem ver aqui (em Inglês) uma das reportagens sobre a história desta atleta olímpica.

Violência isenta de sanções

Devecser, 2012. augusztus 5. Demonstrálók vonulnak fel az Élni és élni hagyni - demonstráció a jogos magyar önvédelemért elnevezésû megmozduláson Devecserben 2012. augusztus 5-én. A Jobbik és több radikális szervezet részvételével megtartott demonstráció a katolikus templom elõtti téren kezdõdött, majd a résztvevõk felvonultak azokban az utcákban, ahol véleményük szerint cigányok laknak. A rendõrség kordonnal biztosította a felvonulók útvonalát. MTI Fotó: Nagy Lajos

É comum ouvir os apoiantes locais da extrema-direita fazer comparações com a extrema-esquerda. Como se partidos como o Bloco de Esquerda, o Syriza ou o Podemos promovessem a violência, a discriminação racial ou a xenofobia. Já foram tempos, tempos em que o reino de terror soviético ordenava e as suas marionetas no terreno abanavam a cauda. Tal como os Estados Unidos, que como ninguém promoveu golpes de Estado, armou e apoiou terroristas e invadiu estados soberanos, deixando-os, regra geral, bem pior do que estavam antes. Conspiração? Irão, Iraque e os Talibans que o digam.  [Read more…]

Uma boa solução para aqueles que não querem refugiados na Europa

Refugees

Simples, não acham?

#esefosseeu ?

Se calhar, não tenho bem a certeza, porque percebo bem a dificuldade que é sairmos de nós mesmos, esta campanha da RTP – ‪#‎esefosseeu‬ -até era bem intencionada. Isso mesmo, se calhar tinha apenas a intenção de convidar as pessoas para esse exercício difícil que é colocar-se no ‘lugar do outro’ e chamar a atenção para a questão dos refugiados.

 

Ao ver este vídeo (e outros, como por exemplo o do Sérgio Godinho, o do Nuno Markl, o do Marcelo Rebelo de Sousa, mas sobretudo este da Joana Vasconcelos) percebemos quão difícil é esse exercício, quão difícil é sair da superficialidade com que atulhamos o quotidiano, quão difícil é imaginar que, de repente, temos de sair de casa e levar apenas o essencial. É um bocado deprimente pensar que o essencial da Joana (como o de muitos outros ‘entrevistados’) é absolutamente acessório e fútil. As ‘jóias’ diz a Joana, como se atravessar o mar, as fronteiras, deixar para trás uma vida inteira em nome do grande desconhecido, enfrentar processos absolutamente desumanos e injustos, numa situação de extraordinária vulnerabilidade, fosse o mesmo que ir a um jantar dançante ou a uma soirée no Palácio da Ajuda.

#esefosseeu até podia ter sido (se calhar em alguns sítios foi) uma boa campanha de sensibilização. Com estes exemplos, é só mais uma palhaçada.

Já agora #esefosseeu, eu mesma, quero dizer, levava-me a mim. O resto talvez se encontrasse depois. Não é o que se leva que importa, mas o que se encontra. E o que muitos dos refugiados encontram é a desumanidade e a humilhação. A espera interminável pelo futuro. E algumas vezes, como sabemos, o regresso ao sítio de onde fugiram.

O resto são futilidades.

Europa

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Miguel Szymanski

Como europeu dos quatro costados (avô português + avó meia catalã meia alemã; avô austríaco de ascendência polaca + avó da comunidade alemã checa) esta Europa começa, outra vez, a meter-me medo. Claro que a Europa dos meus quatro costados já passou por pior. A minha avó paterna dizia-me que tinha mudado três vezes de país à força das armas sem sair da cidade onde nasceu (Pilsen/ actual República Checa). O meu avô paterno, médico, passou anos a trabalhar com serras de ossos num hospital militar em Viena. A minha outra avó tomava conta das crianças no jardim de casa com uma arma automática em cima da mesa, para se defender em caso de ataque, enquanto o meu avô comandava uma companhia de soldados famélicos.
A Europa já esteve pior. Depois formou-se como cartel industrial para carvão e aço e é sobre esse cartel que assentam as actuais instituições da UE. [Read more…]

O inferno na Terra

Eis o que resta da cidade de Homs, na Síria, uma cidade fantasma feita de escombros e cadáveres onde apenas aqueles que não conseguiram fugir ficaram. Forças governamentais, rebeldes e Daesh fizeram deste reduto de oposição ao regime de Bashar al-Assad um cenário de guerra apocalíptico. As bombas russas fizeram o resto. O inferno na Terra.

Milhares de habitantes desta cidade pegaram no que puderam e fugiram. A maioria encontra-se hoje em campos de refugiados no Líbano e na Jordânia, outros arriscaram a sua sorte na Europa. A Europa da paz e da tolerância que agora quer deportar a maioria dos sobreviventes desta carnificina da volta para a Síria. Para os escombros e para a violência.

Solidariedade entre os povos?

Carta do Canadá: Não se pode ignorar

Autor desconhecido

Autor desconhecido

As televisões canadianas passam, diariamente, documentários da situação no Médio Oriente e na Europa. Quase todos com uma minúcia e um realismo que chega a ser insuportável à vista por terem dimensão apocalíptica. Pergunto a mim mesma, com inquietação crescente, se não estamos a assistir ao renascer do ovo da serpente perante a indiferença e o desinteresse dos povos cansados de má política. O nazismo e o fascismo não se implantaram de repente, na Alemanha e na Itália, passearam-se em manifestações por alguns anos, fizeram desacatos, puseram bombas, mataram pessoas, formaram partidos, foram a eleições. Deu mais do que tempo para as pessoas os travarem. Parece que só acordaram quando se consumou a tragédia em que morreram milhões de pessoas.

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Sensibilidade

O governo da Dinamarca informou que está a considerar a possibilidade de, ao revistar os refugiados para os “aliviar” dos valores que transportem consigo, lhes deixar as alianças de casamento. Quanta sensibilidade! Quanta generosidade!

Carro-chefe à deriva

merkelFoi consensual que, no período em que a crise das dívidas soberanas estava no centro das atenções da UE e do público, foi Merkel, através do seu Ministro das Finanças, Schäuble, quem impôs o rumo da austeridade; a Alemanha, com a força do seu peso económico, obrigou os países cuja dívida era insustentável às eufemísticas “reformas” – algumas até necessárias (p. ex. medidas contra a fuga ao fisco), mas outras absolutamente inaceitáveis (p. ex. privatizações, cortes na saúde pública, etc.). Bem clara foi a tomada de partido em favor do capital e contra os cidadãos, aquando dos resgates bancários. O que se mostra agora também claramente, é que a posição da Alemanha só prevaleceu porque era isso mesmo que os outros membros do clube queriam, os governos europeus de maioria conservadora, que mais não fizeram do que aproveitar para se encarrilarem atrás da locomotiva que não temia assumir o papel de mazona. A Grécia, que ousou entrar no ringue para mudar esse estado de coisas, viu-se pura e simplesmente isolada e foi reduzida à sua insignificância. [Read more…]

A luta pela sobrevivência

Madaya

Imagine que vivia numa cidade sitiada. De um lado as forças de um regime opressor, do outro um grupo de rebeldes, que apesar de se oporem ao regime estão dispostos às mais monstruosas atrocidades. Como se tudo isto não fosse já mau demais, existe um terceiro grupo, bárbaro e radical, que luta pela abolição absoluta de qualquer tipo de liberdade. [Read more…]

Jesus Cristo, o refugiado

Menino praia turca

Nesta época, mais de dois mil milhões de cristãos celebram o nascimento de uma criança refugiada, que, segundo os Evangelhos, foi levada da Galileia para o Egipto, fugindo da perseguição e da morte certa em Belém.

via Uma Página Num Rede Social

O refugiado sírio que o Ocidente não rejeitaria

Banksy

Banksy volta a atacar, desta vez no campo de refugiados em Calais, no norte de França. Na parede surge um Steve Jobs de saco ao ombro e um Macintosh pré-histórico na mão, numa referência ao pai biológico do guru da tecnologia, Abdulfattah Jandali, um sírio abastado que trocou a Síria pelo Líbano para fazer o seu percurso universitário em Beirute, onde se tornou activista político, tendo sido preso na sequência da participação num protesto a favor da independência da Algéria, acabando por fugir do país como refugiado político, em direcção aos Estados Unidos, onde ainda vive. É legítimo afirmar que, caso os Estados Unidos não tivessem permitido a entrada de Jandali no país, o país teria sido privado de um dos seus maiores génios, fundador da imponente Apple, um dos símbolos do poderio económico norte-americano dos nossos dias. Felizmente, para os Estados Unidos, existe Donald Trump.

Foto: Associated Press@CBCnews

Verdades que podem incomodar os mais fanáticos

Esmagar o Daesh é uma prioridade absoluta. Mas se as armas forem a resposta, e até pode ser que sejam, o discurso vingativo apenas nos pode pôr de pé atrás. Da última vez que nos venderam esse remédio para a dor contribuímos para o caos de onde se ergueu este monstro. Uma das respostas da Europa aos assassinos deve ser reafirmar o valor da solidariedade, recebendo as primeiras vítimas da sua loucura ainda com mais determinação. Os que tentam, na Europa, virar a consternação com a carnificina contra os refugiados que nos procuram são, queiram ou não, cúmplices políticos da matança, ajudando o Daesh a impor a sua agenda de ódio.

Daniel Oliveira “Não tememos, não cedemos, não odiamos” @Expresso

A crise dos refugiados explicada para lá da jihad nas redes sociais

As redes sociais têm esse problema: amplificam tudo, da eloquência à estupidez, da tolerância à violência, sem que a maior parte dos receptores tenham o cuidado de verificar fontes e enquadramentos. A crise dos refugiados e o acolhimento de que estão a ser alvo na Europa tem despertado o que de melhor e de pior existe no ser humano.

O melhor temo-lo visto nas TV’s e nos jornais: comitivas de boas-vindas, da Alemanha a Portugal, que recebem os refugiados com palavras de motivação, comida e brinquedos para as crianças. Famílias que se disponibilizam a acolher estas pessoas, instituições que procuram minimizar o seu sofrimento e apelos que se multiplicam no sentido de unir esforços para evitar que a tragédia assuma proporções bíblicas. Muitos têm sido inexcedíveis mas outros, movidos por sentimentos xenófobos ou apenas por pouco ou nada saber sobre o que realmente se passa e por se deixaram levar pela jihad que tomou conta das redes sociais e de muitas conversas de café, em larga medida alimentada por uma extrema-direita que encontra no medo instigado pela crise dos refugiados uma forma de crescer eleitoralmente, têm contribuído para uma campanha de desinformação que contraria a raiz democrática e humanitária que (supostamente) deveria nortear a União Europeia.

De uma forma simples, este vídeo ajuda a perceber aquilo que se está a passar. Verdade absoluta? Isso é coisa que não existe. Cabe a cada um dos caros leitores retirar as suas próprias conclusões.

 

 

A Europa frente ao espelho

“Algum de nós poderá perder a vida. Não importa.” O repórter Vicent Montagud conta a passagem de um grupo de refugiados pela Eslovénia, no seu blogue (em espanhol) “Hotel Palestina”.

Determinação para o mal e para o bem e um país dividido

Angela Merkel é um fenómeno. Surpreendeu-nos com o abandono da energia nuclear na sequência de Fukushima. Indignou-nos – e indigna-nos!!! – pela sua posição quanto à dívida pública. E agora é essa mesma figura que se revela uma humanista intransigente, tudo arriscando e tudo fazendo em nome e em prol da defesa da universalidade da dignidade humana. Na sua política para os refugiados, Merkel não se cansa de repetir que estamos perante um desafio histórico, uma tarefa imensa, mas obrigatória. Tanto a nível europeu como a nível nacional, vem travando uma luta incansável e firme. Não é possível solucionar de imediato problemas que foram sendo criados ao longo de décadas e cujas causas são múltiplas e profundas (até Blair acabou de “apresentar as suas desculpas” admitindo que “os erros” na invasão do Iraque podem ter contribuído para o surgimento do grupo terrorista Estado Islâmico). De momento, resta gerir o imenso desafio de prestar assistência a milhões de refugiados.

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Os Irredutíveis

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@ Ulystrations

Tony Blair pede desculpa

pelas consequências dos «erros da guerra do Iraque». Mas pede desculpa a quem? Aos refugiados que acorrem neste momento à Europa? Será preciso julgar estes crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional.
[Expresso e International Business Times]
blair

Refugiados: de que é que a Europa está à espera?

Enquanto esperamos, a União Europeia faz aquilo que melhor sabe fazer: nada. Espera. Mas espera o quê? Que o Inverno chegue à costa do Mediterrâneo? Que os refugiados que chegam maciçamente à Turquia vindos da Síria morram de frio? Que Erdogan ganhe as eleições e mande construir campos de concentração para os refugiados sírios? Se a UE fosse uma associação, a Eslováquia, a Hungria e a República Checa já teriam sido expulsas há muito tempo – por não respeitarem os objectivos da associação.
Kai Littmann

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(photo) DFID UK Department for International Development / Wikimedia Commons / CC-BY 2.0

Ainda nos lembramos da cimeira em Bruxelas. Angela Merkel e François Hollande comprometiam-se a fundo na tentativa de alcançar um acordo sobre a distribuição de 160 mil refugiados pelos 28 Estados-membros da União Europeia (de fora ficavam a Inglaterra, a Irlanda e a Dinamarca, desse modo isentadas da responsabilidade de solidariedade europeia, por razões que aliás  permanecem de difícil compreensão). No fim da maratona negocial que durou uma noite inteira, os poderosos da política europeia pareciam satisfeitos: o acordo havia sido alcançado, apesar dos protestos da Hungria, da Eslováquia e da República Checa, que consideraram que o acolhimento aos refugiados ultrapassava as suas capacidades. Hoje, um mês depois desse anúncio, apenas 19 refugiados puderam ser enviados para um outro país. Dezanove. Em 160 mil. E esses 160 mil constituem apenas uma pequena parte dos refugiados que até ao final deste ano hão-de chegar à Europa. [Read more…]

Avós gregas

Circula por aí esta foto que não só é parte relevante de um grande retrato que aos poucos se vai compondo, o do drama dos refugiados que tentam chegar à Europa, mas é também dessas que nos fazem sorrir e renovar a esperança nessa frágil possibilidade de entendimento entre as criaturas humanas.

Lefteris Partsalis, fotógrafo grego, chegou a Lesbos e encontrou os barcos, a gente desesperada, as crianças a tremer de frio, o choro contínuo, os corpos naufragados, e foi isso que fotografou. Ou nem fotografou, porque, como contam muitos repórteres, o mais frequente é ter de pousar a câmara para poder ajudar quem chega. [Read more…]

Os “paradoxos” de Schengen

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Grupo de cientistas sociais da área das migrações toma posição pública.
[Observatório da Emigração]

Alemanha endurece posição

Kai Littmann

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Ontem, o Bundestag [o parlamento alemão] debateu a proposta de reforma da lei do asilo actualmente em vigor na Alemanha. A lei será sem dúvida votada favoravelmente pela chamada Grande Coligação, o que deverá acontecer em Novembro. Mas a reforma apresenta aspectos preocupantes e até mesmo anti-constitucionais.

São 94 páginas de novas medidas que o Governo alemão pretende fazer passar no Bundestag o mais depressa possível. O problema é que o pacote legislativo contém elementos que ferem os princípios da dignidade humana e até mesmo os direitos humanos universalmente consagrados. Se por um lado asseguram cuidados de saúde e formação em Língua e civilização alemãs para os refugiados, por outro suprimem direitos que a actual lei assegura: o existente pequeno subsídio de sobrevivência (uma média de 143 euros/pessoa/mês), que a proposta de lei pretende fazer substituir por uma «prestações em géneros». Assim fazendo, a nova lei, pelo reforço do papel assistencialista do Estado, vai dificultar a integração dos refugiados, manietando a sua autonomia e remetendo-os à indigência.

A reforma da referida lei favorece também a expulsão rápida dos refugiados cujos pedidos sejam indeferidos pelo sistema. A Amnistia Internacional e a ONG ProAsyl consideram que ela boicota o trabalho das organizações humanitárias e que favorece a criminalidade. [Eurojournalist]

Love wins

love wins

Na Hungria, apesar da política de ódio, neste momento capturado por Yannis Androulidakis, o amor vence.

Não é só na Hungria que há fascismo

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[Calais Migrant Solidarity]

Em Calais, ontem de manhã, cerca de 300 sírios foram expulsos da cidade pela polícia. Como tentassem resistir, foram agredidos com matracas e gás pimenta e obrigados a seguir caminho para The jungle – um campo de refugiados situado num pântano baldio e infecto da periferia de Calais. A polícia francesa tem ordens para manter os refugiados afastados dos itinerários turísticos.

Heil Orban!

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Governantes radicais na Europa, como sabemos, só existem na Grécia. Aquela malta do Tsipras é uma ameaça qualquer que ainda não sabemos bem em que consiste mas é gente perigosa, não tenhamos dúvidas.

Viktor Orbán é gente boa e lidera um partido conservador que até faz parte do Partido Popular Europeu, o mesmo de PSD e CDS-PP. Por falar em PP, aposto que o ditador primeiro-ministro húngaro já deve ter tido a oportunidade de saudar Paulo Portas pela sua intervenção sobre o papel procriador e doméstico das mulheres. Haja quem defenda o respeitinho, a moral e os bons costumes. [Read more…]

Por que não voltam os refugiados para o seu país?

Refugiados UPNRS

Oferece-se barco de borracha com quatro coletes salva-vidas a quem adivinhar quem vendeu a maioria das armas que deixaram a Síria neste estado, muitas delas hoje ao serviço do Estado Islâmico.

Como tudo era tão simples quando alguns ditadores tinham os amigos certos.

Imagem@Uma Página Numa Rede Social

Refugiados: tenham medo,

muito medo de Laszlo Toroczkai, o presidente da câmara de Asotthalom, pequena cidade na fronteira entre a Hungria e a Sérvia. «Se a Hungria é uma má escolha, Asotthalom é a pior».
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Hungria tem agora uma fronteira humana,

esta literal.
[Tweet de Pedro Moreira, repórter da TVI]

Qual é a pressa?

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(c) Mstyslav Chernov / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0

8 de Outubro: é a data da próxima reunião do Conselho Europeu dos ministros do Interior para debater as quotas de acolhimento de refugiados em cada país – determinadas em função do número de habitantes, performance económica, taxa de desemprego e número de pedidos de asilo em pendência. Será que não sabem que os refugiados já chegaram? Que há 15 mil bloqueados na Áustria? Que é preciso o quanto antes repartir entre todos os perto de 120 mil refugiados que estão neste momento em Itália, na Grécia e na Hungria? O Plano Juncker, sustentado numa alínea do Tratado de Lisboa, fracassou. Por sabotagem de vários países do Leste, apoiados por exemplo pela Eslováquia, que leva o racismo ao ponto de excluir refugiados que não sejam cristãos.

Perante isto (e sem esquecer o verdadeiro rosto do poder na Hungria, que esta crise destapou), a existência da União Europeia deixou de fazer qualquer sentido, remata o jornalista alemão Kai Littmann. [Eurojournalist]