Parabéns, António Lobo Antunes
Príncipes de Portugal, suas grandezas e misérias *
Nos últimos dias, por motivo da morte de Eusébio, falou-se muito no Panteão Nacional. A Presidente da Assembleia da República, vários partidos (PS, PSD, CDS, principalmente), vários políticos, o presidente do S. L. Benfica, etc.
Todos estes intervenientes no sentido de serem transladados para o Panteão Nacional os restos mortais de Eusébio.
A comunicação social, na generalidade, deu grande destaque ao tema. Mas deu-me a impressão de que a maioria das pessoas que falou sobre o assunto não sabe o que é isso do Panteão Nacional. E ainda a qual deles se estava a referir. Confusos? A questão é simples. O Panteão Nacional, seja ele o da Igreja de Santa Engrácia, Lisboa, seja ele o do Mosteiro de Santa Cruz, Coimbra, não é um monumento, é um estatuto, uma função. Em 1916, essa função foi atribuída à Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa. E aí estão os restos mortais de escritores e ex-presidentes da República. As excepções são Amália Rodrigues e Humberto Delgado. Por outro lado, em 2003, foi atribuído ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra o mesmo estatuto/função, o de Panteão Nacional. Esta decisão foi fundamentada pelo facto de aí estarem sepultados D. Afonso Henriques** e D. Sancho I. Outros monumentos há, que também poderiam ter essa função/estatuto. Por exemplo o Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa, onde estão os restos mortais de Luís de Camões, de Vasco da Gama ou de Fernando Pessoa.
Quanto à eventual trasladação de Eusébio, e estando uma discussão em aberto, a questão deve ser muito bem ponderada, com a razão e não com o coração. Eusébio foi e será um dos maiores futebolistas de sempre? Sem dúvida! Esse estatuto foi obtido com a camisola da selecção nacional? Não me parece, apesar do Mundial de 66. Foi com a camisola do Benfica que Eusébio se mais notabilizou em todo o lado. E isto não é coisa pouca. O Benfica teve, na altura, uma das melhores equipas do mundo, e em alguns períodos foi mesmo a melhor equipa do mundo!
Mas na altura Portugal era outro país, que felizmente acabou e ao qual não quero regressar.
Se eu fosse adepto do Benfica quereria que ele fosse sepultado no Estádio da Luz.
*Título de um livro de Aquilino Ribeiro (também ele está no Panteão Nacional,Santa Engrácia, com alguma polémica à mistura), cuja leitura recomendo.
**Não há a certeza. Relembro que a investigação prevista sobre esta matéria foi proibida, isto é, não foi autorizada a abertura do túmulo e consequente análise ao seu interior por partes de investigadores da Universidade de Coimbra. Episódio onde pontuaram, entre outros, pela negativa, José Sócrates, 1º Ministro, Isabel Pires de Lima, Ministra da Cultura, Elíso Sumavielle, Director-Geral. Todos de triste memória para a nossa Cultura e para nosso Património Cultural.
Peter O’Toole
Morreu Peter O’Toole. Um dos grandes actores do nosso tempo, deixa a sensação de que não teve, no cinema, direito a tudo o que merecia. Por mim, acho-o um dos maiores de sempre. Curiosamente, numa das suas últimas aparições em filmes, o pouco interessante Tróia, na breve contracena que fez com Brad Pitt, ficou clara – até para alguns dos meus jovens alunos, que me perguntaram coisas sobre “aquele velho” – a distancia entre um actor competente e um génio.
Eu (não) quero sair – Rui Unas
Épico. Passos Coelho explicado às crianças: “teu desrespeito foi como vires ao cu a mim“.
Explicada a cara de pamonha!
A foto do dia (National Geographic)
Ricoré, a Gaiola Dourada e Pedro Abrunhosa
Numa daquelas coincidências felizes, vi o filme “Gaiola Dourada” ao mesmo tempo que no iTunes ficava disponível o novo álbum de Pedro Abrunhosa.
Ao ouvir a fantástica “Para os Braços da Minha Mãe” (dueto entre Abrunhosa e Camané) e ao ver a “Gaiola Dourada” dei por mim a pensar nos milhões de portugueses que vivem e trabalham fora de Portugal.
Música, vídeo e cultura
Imaginem uma vacaria ser palco de um concerto acústico de uma banda de hip-hop, os “sessentaeum”. Ou uma banda de música experimental, The Model, a tocar numa serralharia…
É um projecto novo que está a ser desenvolvido no concelho da Trofa (numa primeira fase) e que pretende a curto/médio prazo alargar a toda a região Norte e à Galiza. Chama-se “SpinSuave by Correio da Trofa“.
Um projecto que junta bandas, um jornal local e uma empresa. Onde todos ganham e se promovem. Promovendo, igualmente, a cultura e o respectivo concelho. Para já está a acontecer na Trofa. Em breve noutras paragens. Serviço público.
Aqui fica o último vídeo, lançado hoje:
A destruição do Odeon

Esse inimigo do património que se chama António Costa prepara-se para lançar novamente o seu cutelo sobre um edifício de elevado valor arquitectónico de Lisboa. Ao que parece, o Odeon tem os seus dias contados. Ao que parece, para ali instalar um centro comercial com o respectivo parque de estacionamento.
Porque a corrupção campeia neste país de bandidos, o palco, o tecto de madeira do Brasil, a iluminação de neon ou os varandins metálicos são elementos únicos que vão à vida.
E ninguém se indigna?
Bomtempo e má grafia
Há sete meses, escrevi umas inócuas linhas sobre o Tribunal Constitucional. Desde então, sempre que o Palácio Ratton vem à baila, lembro-me de Bomtempo. Ontem, a hora do almoço, no Café Portugal, com um silencioso televisor sintonizado na SIC e a discorrer sobre esta notícia, não foi excepção.
Ao chegar a casa, decidi verificar a rectidão gráfica de uma das imagens transmitidas por esse televisor. Encontrei este vídeo e debrucei-me sobre o texto com a referência a “decisões de não inconstitucionalidade”, feita por Joaquim Sousa Ribeiro:
[O]s contribuintes para os sistemas de segurança social não possuem qualquer expectativa legítima na pura e simples manutenção do status quo vigente em matéria de pensões.
Nótula intercalar: Na citação da SIC, sem espanto meu, não surge o precioso ‘(…)’, no lugar do omitido “para os sistemas de segurança social”. Fim da nótula: siga. [Read more…]
“1% para a Cultura” II
1% pára a Cultura? Não, não pára. Para. Sim, preposição: para. Claro.
Então sejemos fracos com a língua
É oficial: o governo reformou o verbo ser. O estado também ficará assim?
Tai chi, Lou Reed????
Acabadinho de ler no JN: A viúva de Lou Reed revelou que o músico morreu no domingo em Nova Iorque a olhar para as árvores e a praticar tai chi, segundo uma carta divulgada pela agência AFP.
É pá, e eu que pensava que uma estrela destas morria por, eu sei lá, uma valente overdose, acidente de mota ou algo mais radical. Agora, Tai Chi??? Nunca mais vou olhar para o Lou Reed com os mesmos olhos…
Laurie e Lou

«Aos nossos vizinhos: Que belo Outono! Tudo cintilante e dourado e toda esta suave e incrível luz. Água em torno de nós. Lou e eu passámos muito do nosso tempo aqui nos últimos anos, e muito embora sejamos gente da cidade, esta é a nossa casa espiritual. Na semana passada, prometi ao Lou tirá-lo do hospital e regressar a casa em Springs. E conseguimos! Lou era um mestre em tai chi e passou os seus últimos dias aqui a ser feliz deslumbrado pela beleza, o poder e a suavidade da natureza. Ele expirou no Domingo de manhã a olhar para as árvores e fazendo o famoso exercício 21 do tai-chi apenas com as suas mãos de músico movendo-se através do ar. Lou era um príncipe e um guerreiro e eu sei que as suas canções acerca da dor e da beleza no mundo repletarão muitas pessoas com a incrível alegria e o prazer que ele mesmo sentia pela vida. Viva para sempre a beleza que vem sobre, através e para cada um de nós.»
157 Anos
De caminho de ferro em Portugal.
Na foto, um comboio internacional Medina del Campo-Porto via Linha do Douro [188?-189?].
Foto Guedes, Arquivo Municipal do Porto.
Oração Para as Minhas Horas de Êxtase
Senhor, meu Deus,
Criador de Todas as Coisas, Visíveis e Invisíveis,
todos os dias vou, com esta minha carne, este meu suor,
estes meus olhos, à procura da Tua Face a fim de entrar em Êxtase.
À brisa do fim da tarde, após ter morto todas as agitações estéreis,
e todas as queixas pelo desconcerto do Mundo e o meu,
sei que Te encontrarei com toda a certeza
no silêncio da grande luz crepuscular
sob o rumor marinho. Só. A sós. [Read more…]
Tinha de ser num Domingo de manhã

Podia escrever a minha vida com canções do Lou Reed. Toda? não, mas quase.
Lamentamos a morte dos que nos deixaram a sua obra, choro quem esteve sempre aqui, quando foi preciso. A minha elegia, em forma de legendas:
Astérix de saias?
Tenho o Aventar em boa conta e creio que não podemos continuar a ver esta casa como a melhor da Blogosfera sem uma
referência ao Astérix. Apesar da enorme quantidade de historiadores que por cá habitam, Astérix não é um tema com muitas referências, mas está na hora de alterar isso.
Chegou a hora do Aventar se render aos baixinhos e aos gordos, pelas mãos do puto da Escola do Cerco. Lembro-me de subir aquelas escadas em caracol até à biblioteca. Lá conseguia encontrar umas almofadas mesmo à medida para umas horas de leitura.
Confesso que gostava especialmente dos piratas e não resistia a ir à última página ver o que acontecia ao bardo…
Com a publicação de um novo álbum ficamos a saber que Astérix e Obélix viajaram até à Escócia. Ainda não tive tempo de verificar se as risquinhas tripeiras do Obélix e o vermelho do Astérix foram trocadas por umas saias, mas já me disseram que o monstro da Escócia anda por lá.
Fica a sugestão de leitura a que junto uma outra.
Nós, a malta da aldeia:
Obrigado, muito obrigado pelo reconhecimento.
Sim, nós aqui somos uma aldeia. Aliás, uma espécie de aldeia do Asterix. Claro, a malta entende a vossa estranheza. Não é normal, sobretudo para quem vive numa espécie de capital do império, compreender os motivos de sermos (e gostarmos de ser) uma aldeia.
Como toda a aldeia, sabemos receber quem nos visita. Quem o faz com educação, simpatia e amizade, é tratado como um rei. Quem nos visita com tiques imperialistas, arrogância e de forma malcriada, é tratado a pontapé. Somos assim, uns orgulhosos aldeolas.
Muito senhores do nosso nariz, de antes quebrar que torcer e, sobretudo, citando um dos nossos maiores vultos, “se na nossa aldeia há muito quem troque o B por V, há muito pouco quem troque a liberdade pela servidão”. É a grande diferença entre nós e os meninos do cartaz.
As manifestações Vasconcelos, uma tradição anal portuguesa
Não entendo algum espanto pela realização de uma manif designada por “Obrigado Troika“ promovida pela Senhora Dona Rita Ferreira de Vasconcelos. Trata-se de uma tradição nacional, a nossa aristocracia, mais tarde a burguesia, nunca se sentiu muito bem na pele portuguesa e adora ser protectorada, sobretudo se for por trás e sem vaselinas.
Remonta a 1128, quando tivemos o movimento “Obrigado, Teresa, amamos-te Galiza” que mais tarde deu origem ao “Amamos-te Afonso VII, és um Leão“, durando este até 1143.
Em 1383-85 foram frequentes os desfiles sob o lema “Gracias Castilla, Gracias Juan“, onde pontificava Pedro Álvares Pereira.
A partir daqui ocorreram com frequência manifestações mais matrimoniais, que culminaram em 1580 com o vitorioso “Gracias, Filipe“, vitorioso até 1640, quando Miguel de Vasconcelos, grande patrono destes movimentos cívicos, enfrentou a lei da gravidade. [Read more…]
A câmara do Porto tem vergonha de si mesma
A companhia de teatro Seiva Trupe foi despejada de madrugada.
Os Bloguesíadas
Despropósito autopropositivo: Não me falte pachorra para dar à luz uma viva, nova a merecida DesEpopeia de um desPortugal inglório, porra que afinal é, apesar do que foi ou possa ter sido. E ao mesmo tempo enaltecer grandiloquente os feitos da bloga que vai mudando a face do País político mais escrutinado, batido e sovado, fustigando a velha geração de rapaces profissionais da política sem mais vida que a política, vergônteas tortas sem profissão e sem trabalho, ancorados nos negócios de milhões só para eles de que ninguém, especialmente o País Profundo, sente o cheiro. Veremos se introduzirei na minha betesga desÉpica em dez desCantos e faço igualmente grandiloquente não só a vontade de chorar, mas também a noção de que isto, sem a palavra ferina da bloga, seria infinitamente pior. Camões, o portuense, será o meu exclusivo interlocutor, muso, santo, aparição, profeta finado, alma gigantesca a abraçar com as pernas a miséria mesma com lhe pagaram o amor pátrio, enquanto deambulava perdido, atónito, pelas vesgas vielas caolhas de Lisboa, à espera da tença e da morte. Sou outro Camões a imprecar o primeiro, íntimo dele,desterrado como ele da migalha mínima, perante o deserto da vil tristeza.
Canto I
Estância I
Inveja, meu velho Camões, fez-se afinal húmus e sementeira do Povo que cantaste, último lastro que arrasou as tuas armas e os teus barões assinalados, inveja irmã da sanha ávida do ganho que um punhado de cabrões atoleimados, contra o Povo e contra o Povo, perpetrou à pala da democracia. Uns pelo saque Chupcialista. Outros pela cobrança confiscatória liberal e literal sobre quem não saqueou, Povo corneado duas vezes. O que partiu da tua ocidental praia Lusitana, por mares nunca de antes navegados desnavegou. E o que passou ainda além da Taprobana, em perigos e guerras esforçados, mais, muito mais do que prometia a força humana, e entre gente remota edificou Novo Reino, que tanto sublimou, ficou aquém, muito aquém do cantável, entre a penumbrosa névoa da Hora e o esvaimento das gentes que daqui se vão para mais longe, morrer longe.
chamar burros aos políticos é insultar, obviamente, os burros
(Serapicos, Vimioso)
Desde que me conheço que gosto de burros. Estes animais não merecem, de todo, a utilização do seu bom nome para designar políticos e afins. Os burros têm direito ao seu bom nome e à sua dignidade.
Os burros são animais muito inteligentes, dóceis e solidários (sim, também têm os seus momentos de teimosia, inquietação e desvario o que, uma vez mais, só revela a sua inteligência), o que é bastante mais do que se pode dizer de muitas pessoas, especificamente dos políticos que nos (des)governam no momento.
Agradeço, por isso, em nome do meu amor aos burros e em nome da dignidade dos mesmos, que evitem, pelo menos na minha presença, fazer comparações entre estes animais e essa gente que nem merece que lhe chamem gente, quanto mais burros!


















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