Natália de Sousa merece que saibamos o seu nome

Não conhecíamos Natália de Sousa, o seu nome nunca chegou aos jornais, nunca foi capa de revista ou tema do momento nas redes sociais. Era advogada em Estremoz, ao que parece muito conhecida e respeitada na terra por se dedicar a casos de violência doméstica, abdicando frequentemente dos seus honorários para ajudar mulheres em situação desesperada.

Ontem à tarde, o ex-marido de uma das suas clientes, a meio de um processo de divórcio tumultuoso, invadiu-lhe o escritório. Recebera dias antes o aviso de que uma providência cautelar o impedia de se aproximar da mulher. Espancou a advogada até à morte, saiu e confessou o crime ao primeiro com quem se cruzou. Quando o socorro médico chegou, já era tarde. [Read more…]

O inferno de Rosa

Por esta história terrível passam muitos dos males do país, em pinceladas largas. O desmantelamento do estado social, o mau funcionamento das instituições, a hipocrisia da igreja, a indiferença de todos nós.

Hotel Room Habitacion Lisboa UEFA Champions League

Futebol é negócio, para além de ser também um desporto. É um negócio como outro qualquer mas que, pontualmente, arrasta consigo outros negócios que pontualmente atingem taxas de lucro potencial muito superiores ao petróleo, aos diamantes, às drogas ou às putas.
É o caso, assim parece, da hotelaria em Lisboa pontualmente na noite de 24 para 25 de Maio do corrente ano. Segundo o Booking nos deixa saber, um quarto na Baixa de Lisboa num hotel de 2 estrelas pode custar entre os 1.500 e os 3.500 euros. Se o quarto for num hotel de 3 estrelas também na Baixa, os preços oscilam entre os 2.000 e os 5.000 euros.
Sim, um quarto duplo num 3 estrelas a custar mil contos.
A crise acabou e pouca-vergonha também!

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Saída Limpa

saida_limpa_troikaSonhos húmidos n’uma noite escura e limpa, limpinha.

Fujam, Fujam p’ra Longe

praxes-cecilia-goncalves

A geração que nos vai governar a seguir está em breve a sair das faculdades; é o caso desta estudante de Direito em Coimbra – uma talvez-futura-juíza ou mesmo presidente-da-assembleia, – Cecília Gonçalves. Ouvida pelo Público, a promissora doutora deita cá p’ra fora o que lhe vai na alma. Por exemplo…

– “(…) a praxe não é humilhação mas está presente” (está presente o quê?) (…) é normal, é aceitável, é compreensível”;
–  “ao longos das nossas vidas vamos ser humilhados das mais diversas formas”;
– “um dia, num futuro emprego, o meu patrão poderá chamar-me de incompetente e eu terei de saber aceitá-lo”;
– “os nossos professores chamam-nos ignorantes e nós temos de limitarmo-nos aos silêncio”;
– “a praxe ensina-nos (…) que na vida há uma hierarquia natural e que nós vamos ter de aceitá-la”;
– “a praxe ensina-nos (…) a igualdade para com os nossos semelhantes caloiros e a desigualdade perante o superior“;
– “Todos os anos morrem pessoas afogadas em rios (…) e até nas suas banheiras”;
– “Eles morreram na sequência de uma onda e não no ritual de praxe porque embora estivessem numa actividade praxista, podiam não o estar e morrerem na mesma”;
– “A praxe envolve humilhação, envolve gritos, envolve estar de quatro (…)”;

Posto isto, pergunto-me duas coisas: o que ensinaram a esta gente nas escolas secundárias? Há ainda gente sana e razoável no ensino superior ou são todos assim?

«Manda quem pode,

obedece quem deve.»

Amor de fisco

O fisco está apaixonado por mim. Escreve-me cartas de amor com intermináveis lengalengas, das quais se destaca a adorável secção “Aviso de Confidencialidade”, em bilingue, a qual só por si, tem 2289 caracteres. Por acaso, atendendo a quem são os senhorios do país, surpreende-me que não tenha também uma secção em alemão e outra em chinês mas, lá está, o amor lima as imperfeições. [Read more…]

Troca-se Ser Vivo por Dois Bilhetes de Merda

tudo-se-vendeTudo se vende, tudo se compra, é apenas uma questão de preço.

Em 2009, 63,2% não quiseram saber

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«Dizer mal no sítio certo» –, assim disse a minha amiga para falar dos portugueses que praguejam contra a classe política mas que não votam (mesmo se muitos julgando fazer bem, movidos pela estranha convicção de que desse modo combaterão os maus governantes). É isso mesmo: digam mal no sítio certo: nas eleições. «Digam mal» das decisões políticas – ou sobretudo da falta delas –, mas em vez de ser no café, nas urnas.

Em 2009 a taxa de abstenção nas Eleições para o Parlamento Europeu atingiu em Portugal a «módica» percentagem de 63,2%.

Coragem portugueses, só vos falta votar.

O 1o. de Maio por esse mundo fora…

Hoje o dia foi assim, um pouco por todo o lado:

 

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Urban String Music

urban-string-musicUrban String Music

O G… é meu amigo de infância.
Já em miúdo ele transbordava musicalidade, hoje é violoncelista e vive a existência complicada de quem almeja fazer profissão desta arte incrível que é a música.
Talvez seja ignorância minha, é verdade que estou desligado de muitas coisas consideradas comuns e normais na “nossa” sociedade, mas esta apanhou-me desprevenido: multado por não ter licença de músico de rua? Eu entendo que seja necessário ter licença para conduzir um veículo pesado, por exemplo, é potencialmente perigoso e há uma responsabilidade que tem de ser assumida pelo condutor. Mas para tocar música na rua? Há o risco de pegarem numa pandeireta ou num oboé para desatarem à pancada com o dito cujo? Ou será que têm medo que possam andar por aí fazer fortunas a tocar na rua? Epá, músicos de rua, cuidado com eles.

O G… desabafa: “país de palhaços“. Antes fosse. Mas depois teriam de arranjar licença…
Update: soube agora que avisaram o G… que teria mais problemas se postasse a foto. A censura só reforça a partilha.

Jornais

Uma das tristezas quotidianas que muitos de nós partilham é a da frustração que se segue aos momentos em que, não resistindo ao síndroma de privação adquirido desde tenra idade, que consiste na compra e leitura – cada vez mais rápida – de jornais, nos deixamos tentar pelas folhas de couve que se vendem sob essa nobre designação.

Só uma coisa é certa: seja qual for o jornal que compremos, arrependemo-nos de não ter comprado outro. Má escrita, servilismo, auto-censura, aldrabice e manipulação pura e dura é o que recebemos em troca do nosso dinheiro. Cada vez mais rareiam os bons jornalistas e mais abundam os pedantes e ignorantes. [Read more…]

O Dia do Trabalhador 40 Anos Depois

pingo-doce-1-de-maio_bNada a declarar. Obrigado.

Há descontos no Pingo Doce este 1º de Maio

pingo doce maio

Loja AKI de Braga

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Segundo informa a Rádio Universitária do Minho, a loja AKI de Braga “descarregou de forma ilegal, ao início da tarde, 20 latas de 15 litros de tinta branca no coletor de águas pluviais”. A confirmar-se, espero que o crime não passe impune.
ps: a AKI no Facebook. Foto ©

Nas mãos dos abutres

Desde a década de 1960, existem em Espanha as “Viviendas de Protección Oficial” (VPO), casas cuja renda tem um valor limitado, estabelecido por lei, e a que apenas têm acesso cidadãos que reúnem certos requisitos. O objectivo é garantir que pessoas com rendimentos baixos tenham acesso à compra ou arrendamento de habitações dignas a preços acessíveis. A gestão destas VPO depende de cada uma das comunidades autónomas.

Em Julho de 2013, a Comunidade Autónoma de Madrid, vendeu 1.860 (um terço) das VPO que possuía em regime de arrendamento à norte-americana Magic Real Estate-Blackstone Group International Partners, por 125.5 milhões de euros. A Blackstone é aquilo a que se chama “fundo abutre”, fundos de capital de risco que investem em dívida pública de estados ou empresas em risco de falência. Compram títulos de dívida por valores abaixo do seu valor nominal num mercado secundário para depois pressionar as entidades devedoras a pagar o valor restante. [Read more…]

Sobre o racismo no futebol

Aproveitando o destaque de que o tema do racismo no futebol tem sido alvo, deixo-vos aqui uma outra forma, igualmente muito elevada e digna, de responder às tristes manifestações racistas que infelizmente (ainda) acontecem no desporto-rei. Aqui, o acto de comer a banana protagonizado por Dani Alves é substituído por um míssil teleguiado de Givanildo Vieira de Souza, o Incrível Hulk que tantas saudades deixou por estes lados.

#somostodosboys

tacho

A propósito do polémico arremesso da banana contra o futebolista do Barcelona Dani Alves, que não só reagiu com elevação como a situação em si acabou por desencadear uma enorme onda de apoio, que inclusive já se estendeu a casos semelhantes como aquele relatado hoje por Nélson Évora na discoteca Urban Beach (onde o grupo no qual se inseria foi barrado à entrada por aparentemente ter “demasiados pretos”, apesar de terem mesas reservadas), ocorreu-me um pensamento curioso.

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Os 40 anos do 25 de Abril, três dias depois

Hoje soube que era avó. Bem, avó avó não é bem assim, o meu DNA ainda só se esticou uma geração mas avó de afecto ou avó porque ele teve um filho e ele é quase meu filho, ou assim uma coisa do género.

Às vezes puxam de um formulário qualquer e perguntam-me como é a minha família e eu começo a desenrolar enquanto antecipo as setas e os rasurados e os asteriscos e lá vou debitando que sou solteira, que tenho duas filhas, que as minhas filhas têm 3 irmãos, que cada irmão tem uma mãe diferente e as setas acumulam-se na folhinha e os asteriscos são em barda. Pedem-me para ir mais devagar enquanto tiram notas e riscam quadrados e viram a folha para poderem escrever o que na folha não permite ser escrito. Explico que conheço as outras mães todas, são minhas amigas, que as minhas filhas têm mais três irmãos e que se algum dia os irmãos estiveram todos juntos foi na nossa casa quando fizemos um Natal em Agosto, que o nosso lar somos nós três mais quem venha, até uma neta que não é neta mas fez das minhas filhas tias e dele pai portanto é neta sim senhores.

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Quando o fisco colide nos bits

Experimente você mesmo, mas primeiro instale as actualizações do seu sistema operativo, do anti-vírus, do Java, etc. Em suma, faça aquilo que é suposto fazer, mantendo o seu computador o mais protegido possível.

Agora sim, experimente instalar o software que lhe permitirá entregar o IRS sem estar permanentemente ligado à Internet. É neste momento que a surpresa começa. 

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uma contagem pessoal dos 40 dias para os 40 anos do 25 de Abril

Sob motes diversos, usando quase sempre um poema, uma canção e uma imagem, comecei a contar os dias que faltavam para os 40 anos do 25 de Abril, a 16 de Março.

Contei 40 dias.

Estão aqui.

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Fraudes piramidais:

numa zona franca perto de si.

“Roteiros Aventura”

invasao-via-ferreaRoteiros Aventura” – a levar gente desprevenida por caminhos ilegais… com estilo! [via maquinistas]

é uma casa inglesa, com certeza…

tenda nos arbustos do separador da circular interna em Wolverhampton 2

… é com certeza uma casa inglesa!

Paredes de nylon azul,
um jardim de relva cortada
uma porta virada a sul
e mesmo à borda da estrada!

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O santo do pau oco

João Paulo II abençoa o padre Marcial Maciel, um dos maiores pedófilos da história da Igreja, com casos documentados desde os anos 50

João Paulo II abençoa o padre Marcial Maciel, um dos maiores pedófilos da história da Igreja, com casos documentados desde os anos 50


Ao que parece, João XXIII foi hoje canonizado sem cumprir as regras da própria Igreja Católica. Não havia qualquer milagre que lhe fosse atribuído, mas a voz do Papa Francisco foi suficiente. E voz de Papa, como se sabe, é sagrada.
Já o Papa João Paulo II conta com 2 factos sobrenaturais comprovados, um aneurisma e uma doença de Parkinson. O facto de ele já ter morrido quando estes 2 prodígios aconteceram não deve significar nada. Santo que é santo faz milagres até depois de morto.
Mas o maior milagre de João Paulo II foi ter governado o Vaticano durante quase 30 anos sem nunca ter reparado nos milhares de padres pedófilos que por todo o mundo católico espalhavam o terror entre as criancinhas que alguém tinha deixado ao seu cuidado. Esse sim, é um milagre autêntico que devia ser suficiente para a sua canonização.

Viral (todos os episódios)

Vale a pena assistir, estes tipos estão muito bons.

Pode encontrar aqui o Episódio 2, Episódio 3, Episódio 4.

Desinteresse perante o rumo político do país?

novo-clube-politico

Em vez de partidos políticos na vida política, transfira-se para os clubes de futebol esta actividade. De qualquer das formas, a Assembleia da República já tem bancadas como nos estádios e a maioria dos deputados não se afasta do seu papel de claque partidária. “Muito bem! Apoiado” será o hino da nova Assembleia, com a vantagem de já ser perfeitamente conhecido por parte dos deputados.

Agora imaginem as vantagens. Às segundas-feiras teremos intensos debates sobre cada palavra jogada nos discursos do anterior fim-de-semana, estes, por sua vez, transmitidos em directo pelas televisões e com relatos flamejantes na Antena 1 e na TSF. “E meteu uma interjeição, baralha-o com uma catacrese, e avança, avança, mete uma metáfora, remata o discurso com um oxímoro e é golo. Goooooooollllooooooo.” Não haverá medida que não seja sujeita a apertado escrutino  e todos as sextas, sábados e domingos teremos parlamento cheio.

O novo parlamento-estádio é a solução para trazer as pessoas para a política. E com o bónus de já estarem construídos os parlamentos regionais graças aos, até agora inúteis, estádios do Euro 2004. É só vantagens.

O regresso do medo

euronews

Ontem à noite, na RTP 2, o 25 de Abril foi notícia na Euronews numa reportagem onde uma parte, a entrevista a José Gil, teve por sub-título “The Lost Carnation Revolution” (A revolução dos cravos perdida). Escapou-me o sentido desta adjectivação e hoje fui rever a reportagem no site da Euronews. Além de nela não ter encontrado matéria que justificasse esta titulação, não encontrei o próprio título inclusivamente. Nem na edição portuguesa, nem na edição em inglês. Porquê a revolução perdida? E porque razão a reportagem é diferente, só aparecendo este título na emissão da RTP 2?

Salva-se a entrevista a José Gil, que afirma que “a política de austeridade está a fazer com que, cada vez mais, se tenha medo.” E é isso. Não é o regresso do medo da acção do Estado directamente sobre o indivíduo, como acontecia com a PIDE, mas das consequências da acção do Estado nos meios de subsistência desse mesmo indivíduo. Tal como há várias formas de se esfolar um coelho, para seguir a semiótica introduzida por Passos Coelho, também há muita forma de perder a liberdade. Sem pão não há democracia, que se dilui no medo de se perder o emprego, entreabrindo a porta para a aceitação de limitações e condições que antes seriam impensáveis.

A seguir, a entrevista em causa. [Read more…]

Passatempos reaccionários

Carlos Guimarães Pinto, num esforço de demonstrar a tese Lains do fantástico crescimento económico salazarista, também conhecida pela falácia do acima de zero é sempre a subir, ou nada como menos um milhão de habitantes (e suas remessas de emigrantes) para subir o PIB per capita, arranjou uns gráficos giros, que demonstrariam como alguns indicadores sociais estavam já em crescimento antes de 1974.

Vamos lá ser sérios: mortalidade infantil compara-se:

MORTALIDADE INFANTIL COMPARADA

e escolaridade observa-se em  todos os graus de ensino: [Read more…]

25 de Abril no Porto – Avenida dos Aliados