Italiano percebido por neerlandófonos — Italiano
Marcelo, o anticapitalista
Ora, salvo melhor prova em contrário, que ainda não encontrei, essa corrida liberal e ultraliberal, além de ser injusta a nível local, regional e nacional, é injusta a nível global, e cria problemas muito complicados em termos de reversibilidade.
O sistema capitalista é um sistema inigualitário, mas assumidamente inigualitário. O liberalismo assumiu-se como tal. Não nos textos, mas depois na prática social, económica e social. Foi uma construção da burguesia.
Eu comecei por dizer que o capitalismo era uma raiz das desigualdades da pobreza. Mas hoje acho que isto já se globalizou. Isto é, já não é, como diziam alguns, o capitalismo de Estado, é o capitalismo globalizado.
Não é possível. As desigualdades inevitavelmente travam quer o crescimento, quer, por maioria de razão, o desenvolvimento. E, portanto, resolver o problema das desigualdades e em particular o combate à pobreza é crucial.
Fragmentos da intervenção de ontem de Marcelo Rebelo de Sousa, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa.
Paulo Raimundo que fique atento…
Hoje, 12 de Fevereiro de 2025, ficámos a saber que, afinal, há esperança para a casa onde nasceu o glorioso escritor
Já dizia Baquílides:
Lá no alto, cortando o éter profundo com as suas ágeis asas douradas, a águia, mensageira de Zeus, intensamente trovejante e plenamente dominante, confia com bravura na sua força poderosa, e pássaros de canto delicado agacham-se com temor.
Parabéns aos Philadelphia Eagles!
Um ladrão, um bêbedo e um pedófilo entram num partido
Uma morte resultante de um crime é uma morte que não deveria ter acontecido. Quando, em Dezembro, houve um homicídio no Palácio do Gelo, em Viseu, André Ventura transformou uma morte que não deveria ter acontecido numa «onda de violência».
Calculo que a língua portuguesa, em casa do presidente do Chega, seja usada de maneira diferente. Quando se entorna um líquido, fala-se em inundação; quando batem à porta, chama-se a unidade de minas e armadilhas; os cinco minutos que dura acto sexual começam à sexta à noite e só terminam na segunda de manhã, havendo necessidade de chamar o 112 para acudir à esposa venturosa, que fica alegadamente incapacitada de reunir os joelhos.
O que têm, entretanto, em comum o homicida e André Ventura? A falta de decência. O primeiro usou uma arma para dar vazão à animalidade que o levou a matar um semelhante ; o segundo usou uma morte para atiçar a animalidade grupal.
Acontece que os moralistas, especialmente se marialvas, são peixes que morrem pela boca. Se um homicídio em Viseu faz parte de uma onda, o que diria Ventura de outro partido em que se descobrisse um ladrão de malas, um homem a conduzir com falta de sangue no álcool e um outro a quem aconteceram um ou mais actos de pedofilia? Tsunami, maremoto, ciclone, apocalipse, o Juízo Final?
Gaz-a-Lago

Trump teve uma ideia para a Faixa de Gaza. Não é uma ideia nova, Putin teve a mesma em relação à Ucrânia. E Xi Jinping tem uma parecida para Taiwan. Trata-se de ocupar e colonizar aquela área. E, no caso americanos, de expulsar os residentes que, seguramente, não terão capacidade financeira para se manter no projecto imobiliário que ali irá nascer. A Riviera de Gaza. Ou, como li por aí, Gaz-a-Lago.
Agora imaginem que Trump, Putin e Xi decidem dividir o resto do mundo em “zonas de influência”.
[Not so] Fun fact: nós ficaríamos na “zona de influência” russa.
Mas pelo menos teremos um novo destino turístico super instagramável.
Castração química
Será a castração química defendida por A. Ventura aplicável a todos os pedófilos ou poderá haver imunidade para dirigentes do Chega?
Esclarecimento (para quem for ao Reino Unido):
Em suma, um long black é mais curto do que um americano, mas há mais pormenores.
A frase italiana do dia
Chega: as malas e mamá-la
Dirigente do Chega acusado de prostuição de menores

Nuno Pardal (à esquerda na imagem), dirigente do CH acusado de recorrer a prostituição de menores, ao lado do líder da seita, André Ventura.
Camaradas artificiais

A pergunta óbvia, que Sam Altman não antecipou que se colocasse, quando escreveu no Washignton Post há mais de seis meses, mas que se coloca agora, depois da eleição de Trump, da proximidade das grandes tecnológicas americanas com o novo presidente, do que Elon Musk tem feito, mas também do que outras grandes tecnológicas têm feito, é óbvia e trágica para a América e o Ocidente: entre uma Inteligência Artificial que nos oferece as verdades de Xi Jinping e do Partido Comunista Chinês e outra que não sabemos se um dia não nos oferecerá a verdade de Elon Musk, Trump ou companhia, a escolha democrática é assim tão óbvia? Obviamente que não.
FdP(II)
Eu já estava convicto que ser de esquerda, implicava, em grande parte dos casos, uma insuficiência cognitiva, uma espécie de “deficit” intelectual e ético. Mas não esperava que fosse tão óbvia e tão estúpida e facilmente assumida. É que nem conseguem perceber que o que argumentam só faz sentido numa perspectiva muito curta, muito superficial ou então, na cabeça deles (o que é basicamente uma clara equivalência).
Ser de esquerda e ao contrário do que pretendem fazer crer nada tem a ver com solidariedade, empatia, generosidade, etc. Não, não são donos desses valores. Nem de perto nem de longe. Isso são apenas vertentes humanas que não definem nenhuma ideologia e, seguramente, não definem de certeza qualquer tese de influência socialista. Até porque quer a teoria quer a prática demonstram que aqueles princípios só são trafulhamente usados pela esquerda como isco para “lorpas”. Porque solidariedade, empatia e generosidade só fazem sentido se reconhecermos “a priori” evidências como, por exemplo, a natural e legítima aspiração à propriedade individual. Só se pode ser verdadeiramente generoso com o que é nosso. Ser generoso com o que é de outros ou maioritariamente de outros… acho que tem um nome diferente.
Ser de esquerda parece ser uma opção (ainda é permitido dizer “opção”, não é) pelo uso voluntário de antolhos (para quem não sabe, são aquelas palas que se colocam perto dos olhos dos cavalos para lhes reduzir a amplitude da visão). Parece que há uma qualquer cerimónia iniciática onde se jura pelas “barbas do Marx” que nunca mais se atreverão a pensar sem estarem autorizados (e quase nunca estão) e principalmente quando raramente o forem, não pensar coisas proibidas. E aqui surge a enorme confissão de “pequenez” da esquerda: saber o que é proibido? E a resposta que se dão a si próprios é sovieticamente automática: proibido é o que o comité central respectivo disser que é proibido porque eu não consigo (ou, no mínimo, escolho não conseguir) por mim próprio estabelecer as minhas linhas vermelhas.
Lêem alguém a supostamente criticar “o dinheiro” e assumem: ah, carago, este é dos nossos, é de esquerda. Porra lá para a “curteza” de raciocínio. Primeiro, e se lerem com cuidado, no meu post anterior não pretendi exactamente criticar o dinheiro. Critico, sim, muito e de forma radical a importância que damos ao dinheiro e a aceitação generalizada que uma mera ferramenta pode ser um objectivo ou pior ainda, “o” objectivo que nos classifica socialmente. Ver nisto algum indício de “esquerdalhismo” é o mesmo que ver um comunista no psiquiatra que diagnostica um “acumulador doentio” ou um marxista dos “quatro costados” no crítico da ganância sem sentido ou da cupidez infinita. É claro que para perceberem isto, teriam de colocar o vosso 2º neurónio a funcionar e, enfim, digamos que é algo que não vos é fácil.
Mesmo tendo começado por tentar que lessem o que escrevi livres de preconceitos ideológicos, mesmo tendo solicitado que percebessem que a questão não era de direita ou de esquerda, mas sim humana, não adiantou. Já sabem o que são antolhos, não sabem? Pois. E vá lá que me lembrei de meter a “bicada final” ao comunismo (mesmo que isso não deixe de constituir uma contradição à minha tentativa inicial de assepsia ideológica). Se não o tivesse feito, já estaria inundado de propostas para militante do BE (mais conhecidos por “olhem para o que eu digo e não para o que eu faço”), do PC ou outra qualquer agremiação digna de ser apoiada pela Cercigaia.
Eu sei que não compreendem que um liberal ouse criticar uma ideia aparentemente liberal. E esta (eu sei que não é fácil compreender) é quase exógena ao liberalismo. Cruzes, canhoto. Criticar a nossa ideologia??? Isso na esquerda é pura blasfémia e razão suficiente para umas férias “desvoluntárias” num qualquer resort siberiano em regime TI(mmmpedpeg), Tudo Incluído, mas é mesmo muito pouco, enfim, dá para emagrecer à grande. Com regresso assegurado em transfer organizado por um qualquer cangalheiro lá do sitio.
No fundo é mais ou menos como um liberal ser acusado de recorrer ao SNS em vez de ir ao privado. Numa conclusão (só compreensível para a “genial” esquerda) que o liberal por ser liberal tem as mesmas obrigações fiscais que os outros, mas muito menos direitos. Do género, chegar à bomba de gasolina em “pré-pagamento”, ir ao balcão protestar com o preço da gasolina, pagar um depósito cheio e ir embora sem atestar porque fazê-lo era contradizer-se.
Vamos lá ver se conseguem compreender (peço desculpa por não conseguir mesmo fazer uma escrita mais pausada, uma escrita quase soletrada). Eu não sou contra o dinheiro. Acho uma ferramenta essencial à organização social. Sou contra a veneração avassaladora que se tem por uma mera ferramenta. Sou contra a avidez acumuladora para lá do saudável. Isto não deviam ser valores políticos. Deviam ser meramente humanos. Mais, nada tenho pessoalmente contra os ricos e contra quem busca incessantemente ganhar mais dinheiro todos os dias. Tenho contra as pessoas que valorizam desmedidamente essas situações. Pior, ao contrário da frugal intelectualidade da esquerda, eu não quero proibir nada. Não quero repressão legal. Quero mudar consciências. Mesmo que seja difícil ou quase impossível. Quero pôr as pessoas a pensarem por si próprias e a questionarem algo que aceitam sem discussão. A humanidade, a bondade, a empatia não se impõem por decreto. Ou, pelo menos, não são eficientes se forem impostas por decreto. Têm de ser sentidas e só o podem ser se forem conclusão dum processo individual lógico.
Provavelmente faltar-me-á o talento mínimo para conseguir mesmo “agitar” consciências. Mas, pelo menos, tento. Sem proibições. Apenas a pedir às pessoas que pensem. Só isso. Mas eu sei que esse objectivo, que essa liberdade é um conceito que vos é estranho. Como quase todas as liberdades.
Aliás percebam uma inelutável evidência: se antes de discutirmos política, discutíssemos humanismo quando chegássemos ao momento de discutir política, compreenderíamos de imediato que o socialismo não faz qualquer sentido. Compreenderíamos que é “contra natura”. Que é um factor catalizador de pobreza, de miséria, de desgraça, de injustiça e de autoritarismo. Porque o cuidado primordial com os menos favorecidos já estava assegurado. Que esse cuidado só tinha valor quando era espontânea, livre e individualmente decidido. Que o mirífico “estado social socialista” só era um convite arrasador e destrutivo ao demérito, à iniquidade e sobretudo à inibição de liberdades.
Desenganem-se: a esquerda não é a dona dos essenciais valores humanos. Pelo contrário e se teoricamente já o era possível compreender de forma prévia, a história tem demonstrado que a esquerda é mesmo a maior algoz daqueles princípios.
Atinem. Tentem pensar, por favor.
Independentemente da propaganda, a ruptura prova que o jornal A Bola não adopta o Acordo Ortográfico de 1990

Exactamente. Efectivamente. Independentemente da propaganda e apesar da alegada resistência silenciosa, a ruptura não engana.
Deepfucked

Os chineses criaram o seu próprio ChatGPT. Chama-se Deepseek. A ferramenta é de tal forma eficaz que o sector tecnológico norte-americano caiu desamparado na bolsa de Wall Street e perdeu mais de 600 mil milhões de euros. Afinal, o poder das tecnológicas não é assim tão grande.
O que se passou ontem ajuda a explicar a deriva autoritária do capitalismo, sobretudo nos EUA. É que, para o grande capital, para usar a expressão do PCP, os lucros tendem a sobrepor-se à democracia e aos direitos humanos.
Foi assim quando os grandes empresários alemães se aliaram a Hitler, é assim quando bilionários como Elon Musk atacam sindicatos e políticas sociais, e usam os seus recursos quase infinitos para financiar e promover forças de extrema-direita. [Read more…]
Vladimir Trump e a separação de poderes
Trump mandou despedir os procuradores que o investigaram. A oficialização da natureza autoritária dos EUA segue imparável.
Amigos de Elon, por Philipe Low
“I have known Elon Musk at a deep level for 14 years, well before he was a household name. We used to text frequently. He would come to my birthday party and invite me to his parties. He would tell me everything about his women problems. As sons of highly accomplished men who married venuses, were violent and lost their fortunes, and who were bullied in high school, we had a number of things in common most people cannot relate to. We would hang out together late in Los Angeles. He would visit my San Diego lab. He invested in my company.
Elon is not a Nazi, per se.
He is something much better, or much worse, depending on how you look at it. [Read more…]
Pergunta dominical
Pergunto-vos: qual a diferença entre “foi Bruno Lage esclarecedor na conferência de imprensa?” e “Bruno Lage foi esclarecedor na conferência de imprensa?”?
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Tive pena do Chega, mas guardo a compaixão

André Ventura e o seu ex-subordinado, o agora deputado não-inscrito Miguel Arruda
Quando rebentou a polémica, bateu aquele quentinho no coração. O Chega. Um deputado ladrão. Os cheganos feitos baratas tontas, primeiro, defendiam o homem com unhas e dentes; depois, confirmado o furto, “agarrem-me que eu vou-me a ele”. No fim, o larápio pegou nos pés e pôs-se a andar, enquanto os acheganados espumavam com afinco, por não terem tido a oportunidade de serem eles a expulsar “o malas”.
Rimos. Rimos novamente. E rimos outra vez. Voltámos a rir. E rimos novamente. Agora, bate aquela pena. É que ver deputados do Chega sem argumentos, usando aquele chavão político de topo que é “vamos partir-te a cara aos bocadinhos” e, sobretudo, as olheiras do Querido-líder André que, tão patriota que é, estava nos Estados Unidos e que de tão bom líder que é, reuniu com os seus deputados via Estados Unidos (se calhar o Trump prometeu-lhe um gabinete, sei lá… mal por mal, pode ficar por lá), deu aquele gostinho a justiça poética.
Aquela carinha de totó que nem roubar sabe do deputado Arruda, a carinha de flatulência do deputado sem pescoço (aquele que se senta ao lado do Querido-líder a bater palmas com muita força), a já referida cara de sono de Ventura, a fronha de funeral das Matias e dos Frazões… deu gozo? Deu muito. Agora, mete pena. E a pena é um sentimento muito feio. E dá pena porque essa gente é tão indigente que, ao mínimo escândalo, viram-se todos uns contra os outros. O Chega prometeu “levar as pessoas comuns para o Parlamento”, não tinha dito é que também levava os criminosos comuns… e não ficará por aqui, pois sabemos que 35% da bancada parlamentar do Chega está a braços com a Justiça e que o Arruda é a ponta de um iceberg. O Chega é um titanic, vai navegando e deslumbrando por onde passa, mas um dia vai esbarrar. [Read more…]
O padrão Musk

Ninguém votou em Elon Musk.
No entanto, il consigliere tem neste momento mais poder e exposição mediática que JD Vance. E ombreia com Trump.
Aliás, a saudação nazi – sim, foi uma saudação nazi, e foi intencional, mas já lá vamos – roubou claramente o protagonismo a Donald Trump. No dia seguinte ao mais importante da vida do outra vez presidente dos EUA, o maior comeback da história da política americana, o tema não foi Trump. Foi a actuação do Adolfo de Pretoria. E Trump, dono do mais pedante ego à face da Terra, não deve ter ficado nada contente. A Soberba é pecado mortal, mas Donald é muito cristão. Enviado por Deus.
Esta é uma das minhas esperanças: que os gigantescos egos de Trump e Musk colidam. Sem retorno. A seguir abasteço-me de pipocas e vou assistir ao combate entre nativistas e broligharcs no octógono, com Joe Rogan a comentar e Trump a tirar selfies com Dana White na fila da frente. Se tivesse que apostar, apostava nos segundos. In America, cash rules. Ou como muito oportunamente o colocaram os Wu-Tang Clan: C.R.E.A.M. Dolla dolla bill, y’all.
Adiante.
Títulos internacionais

Lembra o El País.
O Chega já tem mais títulos internacionais do que o Benfica nos últimos 50 anos.
Isto não se inventa
Dá-me um especial gozo ver o argumentário de defesa a favor do Arruda, pela voz do chefe do Chega dos Açores.
Essa de tese de levar malas por engano, possibilita que nos telejornais possamos ouvir vezes sem conta a expressão “Uma mala por engano“.
Os equívocos do jornal A Bola
André Villas-Boas não pede desculpa aos adeptos do FC Porto. André Villas-Boas pede desculpa à massa associativa do FC Porto. Exactamente como ‘selecção’ ≠ ‘seleção’, ‘massa associativa’ ≠ ‘adeptos’.










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