A cena, passada na Comissão da Assembleia da República em que era ouvido Paulo Macedo e em que estavam presentes doentes e familiares de doentes de hepatite C, deixou-nos imagens pungentes de uma televisão-verdade que, por raras – sobretudo no âmbito da AR e dos seus protocolos -, nos despertam como bofetadas.
Um doente que vê esgotar-se-lhe a vida por falta de tratamento, qual náufrago que se sente morrer à vista da praia, interpelou e invectivou o ministro da saúde e, pedindo desculpa aos deputados, retirou-se. Deixou, olhos nos olhos, uma velada ameaça no ar – “a si, eu vou encontrá-lo” – que, se não é caminho para a solução da sua vida e dificilmente poderá ser apoiado como via justa de luta, não deixa de nos motivar empatia e fazer-nos sentir como nosso o drama daquele homem que ali surge como uma figura viva, individual, irredutível, como que emergindo das estéreis estatísticas em que o poder tenta dissolver as pessoas e mantê-las à distância. As pessoas.










Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que 






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