Eu, cigarra, me assumo

Por Noémia Pinto

Sinto-me insultada.
E não devia sentir-me assim.
Tentaram ser pedagogos e chamaram-me cigarra. Com toda a razão. Talvez tenha sido isso que me ofendeu mais. Chamarem-me preguiçosa, mandriona, gastadora, irreflectida, pouco previdente e tudo o mais implícito no termo e terem razão para o fazer.
Neste momento sou, como infelizmente o são milhares de Portugueses, uma cigarra. Vivo da ajuda de terceiros. Não sou capaz de prover ao meu sustento e ao sustento dos meus dependentes, a saber, duas crianças, dois cães e quatro gatos. Não soube poupar os ganhos exorbitantes (!!!) que tive até há algum tempo atrás e agora estou na penúria, a viver da caridade do Estado, ou seja, a viver da caridade de todos os meus compatriotas.
Mas deixem-me contar a história desta cigarra.
Comecei a trabalhar com 17 anos de idade. Como operária numa fábrica. Tinha reprovado na escola e, depois de completar o 9º ano de escolaridade, a minha mãe pôs-me a trabalhar. Já aí se notava a minha «costela» de cigarra. Eu não queria ser operária. Não queria trabalhar. E a minha mãe, formiga muito trabalhadora, obrigou-me. O Director-Geral da fábrica, também ele um homem de trabalho, uma grandessíssima formiga, disse à minha mãe que eu não queria trabalhar e, por isso, ia pôr-me na linha de produção, apesar de os meus testes psicotécnicos terem sido os melhores de todos os candidatos.
E lá comecei eu, mas como boa cigarra poliglota que sou, evidenciei-me pelos conhecimentos de Inglês. Vá-se lá saber como é que num departamento de produção se repara que uma formiga fala línguas estrangeiras… Fui observada frequentemente e prolongadamente e o novo Director-Geral achou que eu era mesmo o insecto perfeito para ser sua tradutora/ secretária. E esta formiga lá saiu do carreiro… [Read more…]

A felicidade também faz um jornal

Hoje, Miguel Esteves Cardoso (Público) sacia-nos com estas palavras, poesia perdida (?), poesia que não é um engano nos dias que correm, poesia que é a nossa maior necessidade. As suas palavras – intencionalmente encaixadas entre notícias de austeridade, troika, dívidas, TSU, pobreza, desaparecimento da classe média, etc.- que, com amor se casam uma às outras, como MEC e Maria João, falam do que verdadeiramente interessa na vida, ofuscado pela miséria que nos aparece mais visível:

O futuro contém a nossa morte e, depois dela, o infinito de nadas, chato como o ferro do cosmos, que antecedeu os nossos nascimentos.

A felicidade, se calhar, é desejar que as coisas não piorem muito, de dia para dia, para não se notarem tanto.

O presenteaquilo que ainda se tem, a começar por estar vivo e lembrarmo-nos de termos estado pior — é a felicidade maior, somada às memórias de felicidades que continuam vivas e que nos fazem sorrir, pertencer e desejar bem aos outros que ainda não as tiveram. Se não nos lembrarmos de termos estado pior ou não tivermos a esperança de ficarmos melhor, já não conta como felicidade; já não conta como presente. Não é só dizer “eu ainda consigo”: é preciso também haver a consciência de ter prazer, não em conseguir, mas nas coisas que se fazem.

Todos sabemos o que nos espera. Interessa apenas decidir não tanto o que fazer enquanto esperamos como descobrir as formas que ainda nos restam de nos distrairmos. A distracção é a forma mais exaltante da vida. Quem se pode distrair — amando, lendo, pintando, trabalhando, coleccionando, politicando — não pode ser inteiramente triste, não por não estar apenas simplesmente não-morto e vivo, mas por ter encontrado a maneira de fazer pouco do presente, em atenção ao passado ou ao futuro lembrado ou desejado, como momento e movimento em direcção a eles.

Restam as consolações.

Quando é ser momento ou movimento a única coisa, para se ser feliz, que se quer.

À atenção do ministro Álvaro


O design da Pastelaria Semi-Industrial Portuguesa

via Tiago do 5 Dias

Morte e impostos

Hoje, no Escrito na Pedra (Público):

“Nada é mais certo neste mundo do que a morte e os impostos” – Benjamin Franklin (1706-1790)

 

 

Miguel Macedo diz que os portugueses têm de ser menos bois e mais rãs

Miguel Macedo, depois da gaffe da cigarra e da formiga, poderia estar preocupado com a imagem, mas, segundo fonte do seu gabinete, “felizmente, não tem vergonha na cara. Para além disso, como está sempre a abrir muito os olhos e tem uma voz demasiado grave, anda constantemente entontecido, pelo que não se apercebe das consequências do que diz, sendo imune ao arrependimento, o que é imprescindível num político.” [Read more…]

Caminhos da Memória: A trajectória dos Judeus em Portugal

As perseguições, as conversões e a expulsão dos Judeus, o rei D. Manuel I e a Inquisição.

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI
Unidade 5.2. – Os novos valores europeus

Les fables de La fontaine

Marie-Jo Lafontaine

Quando Não Há Dinheiro Para Torrar em Luxos

Tamel Aborim é uma pequena freguesia do concelho de Barcelos; tem cerca de 900 habitantes e aconteceu em Tamel, como em Tadim, passar o comboio.
No caso de Tamel (ao Ponto Kilométrico 60 da Linha do Minho), em direcção a Viana do Castelo e à Galiza; no caso de Tadim (ao Ponto Kilométrico 47,4 do Ramal de Braga), em direcção a Braga.
Mercê as alterações profundas no modo de exploração ferroviária na Europa e em Portugal ocorridas nas últimas décadas, acontece em Tamel o mesmo que acontece em Tadim: o(s) edifício(s) da estação deixou de ser necessário do ponto de vista operacional.
No caso de Tadim, o edifício secular que o povo chama de “a estação” perdeu mesmo qualquer utilidade ferroviária a 5 de Outubro de 2001, data do encerramento do Ramal de Braga para as profundas obras de remodelação que demorariam cerca de 18 meses a concluir-se.
No caso de Tamel, e dado que a Linha do Minho, a montante de Nine, segue sendo explorada no regime de cantonamento telefónico, a mesma encontra-se guarnecida (com trabalhadores, portanto) na maior parte das horas do dia. Isto no edifício “da estação”. O “edifício de passageiros”, para ser mais concreto.
Sucede em Tamel que outros dois edifícios contíguos, outrora para alojamento de trabalhadores, perderam há já longos anos a sua utilidade, deixaram de ser necessários ao sistema ferroviário. Desde aí até há cerca de dois anos, os edifícios estavam sós, à espera.
Entretanto, surgiu em Tamel (Aborim) a necessidade de dar uma casa à nobre instituição Junta de Freguesia. Como Tamel não aparenta ter a facilidade de acesso ao dinheiro público, proveniente dos impostos pagos pelos portugueses, em Tamel não se optou por construir um edifício de raiz para albergar a Junta de Freguesia. Em Tamel… reciclou-se um edifício secular para que a população, como anteriormente, pudesse beneficiar da sua existência.
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serviço público

Esta noite, a RTP-2 conta-nos a vida do maior poeta português vivo.

Cláudia Sarrico, uma amanuense dos estudos sobre Educação

O Ministério da Educação criou uma equipa para descobrir qual “o custo real dos alunos do ensino público por ano de escolaridade”. Num país em que a honestidade intelectual não tem imperado nos estudos encomendados pelos ministros da Educação, é de prever que as conclusões a que esta equipa chegará estarão de acordo com as expectativas de quem encomenda.

O Paulo Guinote, secundado pelo João José Cardoso, já teve oportunidade de chamar a atenção para o facto de que o presidente desta equipa desempenhou, entre 1989 e 1995, a função de Presidente do Conselho Coordenador do Ensino Particular e Cooperativo, o que pode tornar o estudo um pouco tendencioso, até porque o objectivo é proceder à “alteração do modelo de financiamento público aos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo em regime de contrato de associação.”

Entretanto, reconheci um outro nome entre os membros da mesma equipa: Cláudia Sarrico. Há cerca de dois anos, participou numa coisa a que se chamou estudo, tendo concluído que o sucesso dos alunos dependia pouco do meio socioeconómico, uma afirmação que corresponde ao sonho de todos aqueles que, na realidade, não querem resolver os problemas educativos, atirando as culpas para cima das escolas.

Deixo, já a seguir, algumas ligações que, no mínimo, põem em causa as conclusões dessa encomenda e, portanto, a competência de Cláudia Sarrico, pelo menos enquanto alegada estudiosa dos fenómenos educativos. Entretanto, se os restantes membros da equipa recentemente nomeada forem feitos da mesma têmpera de amanuenses que, em letra bonita, escrevem umas conclusões à medida, estamos conversados e mal pagos. [Read more…]

O Soberano

Quando um dia, de modo sério e limpo, se escrever a história deste ano de 2012 na República Portuguesa,as datas de 15 e 21 de Setembro merecerão estudo aprofundado.
A 15 foi a manifestação nacional da dignidade ferida, do orgulho nacional insultado, do direito espezinhado, da vida destruída, do grito por dar dos que foram esbulhados do que legitimamente lhes pertencia, da impotência face a uma justiça que deixa à solta gatunos e corruptos(chegando ao desvario de negar a sua existência), do imenso nojo pela partidocracia instalada, da indignação pelas seitas secretas e criminosas que estendem os tentáculos venenosos por toda a parte, da imensa raiva contida (por enquanto). [Read more…]

Pior a ementa do que o cimento

Se Portugal não pode ser “país de muitas cigarras e poucas formigas” e se as formigas são os «trabalhadores», quem são as cigarras? No Parlamento costuma-se ouvir muitas…

MEC vai negociar vinculação dos Professores?

O Ministro da Educação falou, está falado!

Apesar de ninguém lhe ter perguntado nada, o ex-comentador repetiu vezes sem conta a vontade política de vincular professores, isto é, vai “meter nos quadros” os professores que trabalham há muitos anos a contrato.

Confesso que não acredito muito (nada!) nas palavras de Nuno Crato – penso, aliás, nos milhares de docentes dos quadros que ainda estão sem horário.

Mas por economia de tempo, vamos assumir que desta vez as palavras são coerentes com a intenção e o Governo pretende mesmo “meter nos quadros” alguns professores – da última vez foram pouco mais de trezentos, mas isto poderá servir para a FNE fazer o frete do costume.

Com Nuno Crato a educação passou a viver sobre uma matriz – a do despedimento. Se o ano passado foram uns milhares, este ano não lhe fica atrás. Estão hoje em casa alguns milhares de professores com muitos anos de serviço: há dois anos estavam no sistema mais de 38 mil contratados. Este ano, nem 10 mil estão a trabalhar. [Read more…]

Quem paga(ou) a casa da formiga é(foi) a cigarra

Miguel Macedo, recebe todos os meses cerca de 1400 euros por subsídio de alojamento apesar de ter um apartamento seu na área de Lisboa.

(Renunciou depois de sair nos jornais)

A História faz-se com fontes, as estórias inventam-se

Dalila Mateus exemplifica mais uns delírios de Rui Ramos, o estoriador.

Liga Mundial é já amanhã em Lousada

Armindo de Vasconcelos

Portugal inicia amanhã, em Lousada, a sua participação na Liga Mundial, pelas 16h45, prova que, como já escrevemos, se disputa em Lousada até domingo. Pelas 14h30, teremos a “stickada” de saída do Gibraltar – Marrocos.

Numa acção promocional de grande escala, ímpar para a modalidade em Portugal, a FPH, através do seu site institucional e da página oficial da prova no Facebook, tem apelado activamente à participação da comunidade hoquista, socorrendo-se ainda da abertura concedida pelos espaços de informação da Lousada TV, Vale do Sousa TV e da MVM/RTV. [Read more…]

Meter a raposa a contar as ovelhas

Um estudo sobre custos de ensino público vs privado presidido por um ex-Presidente do Conselho Coordenador do Ensino Particular e Cooperativo. E vergonha no focinho, não há?

Nós somos as formigas que trabalham para as cigarras

Quanto aos parasitas que nos governam, aqueles que nunca trabalharam na vida, basta lembrar que num ano em que perderam metade do subsídio de Natal ainda conseguiram ter um aumento médio mensal superior a 80 euros. Sim, há cigarras a mais neste país.

A revista Colóquio agora online

Colóquio, Revista de Artes e Letras disponível online a partir de dia 24 Set 2012

A partir de hoje, a Colóquio, Revista de Artes e Letras (1959-1970) editada pela F.C.G., está acessível a todos em versão digital.

Uma boa notícia no dia em que  se inicia uma semana de luta pela Cultura, uma organização do Movimento de Defesa da Cultura.

Acorrei que matam a Cultura

Vai haver «peixeirada» ou insulto, porque é este o estado a que a Cultura chegou em Portugal, dizem os organizadores desta semana que se pretende de luta pelo sector.

Destinar 1% do Orçamento de Estado para a Cultura é um insulto e isso não se percebe num país civilizado, ou que se espera civilizado, disse Pedro Penilo à Antena 2 esta manhã.

O Manifesto em Defesa da Cultura, redigido pelo Movimento em Defesa da Cultura, é um documento contra  as medidas impostas pela “troika” e para exigir aumento do investimento público no sector.

Não aceitam o discurso da crise. Vão fazer uma semana de luta pela cultura, a Cultura que em Portugal já nem merece Ministro nem lugar na mesa das decisões políticas.

Continuar a roubar os mesmos

Agora em fundo azul, com ar triste, mas as trapalhadas são as de sempre. O roubo organizado vai continuar.

Concursos de Professores: As ofertas de escola

A maior empresa do nosso país, o Ministério da Educação e Ciência, tem por hábito fazer a contratação dos seus quadros através de um concurso nacional, onde à nota de curso (formação inicial ou estágio profissional) se junta o tempo de serviço, à razão de um valor por cada 365 dias de trabalho. Ou seja, um Professor faz uma licenciatura em ensino com classificação final de 13, quando trabalhar 365 dias, essa graduação profissional sobe para 14 e assim sucessivamente.

Nos tempos de Maria de Lurdes pelo Ministério foi sendo feito um ensaio de modo a transferir parte deste processo de colocação de professores para as Escolas – argumentava-se à época que seria completamente irracional, do ponto de vista da gestão de recursos humanos, que fosse um computador a atribuir o professor à realidade escolar b, quando esta precisava era de um professor com as características b. Ajustar a oferta (professores) à procura (escolas) era a ideia. [Read more…]

A América zela pela liberdade dos europeus

Que os Estados Unidos controlem quem vai viajar para os Estados Unidos através de um acordo com a UE, vá que não vá, enfim, se querem impedir alguém de ali entrar estão no seu direito e soberania.

Agora descobriu-se em Madrid que o tal acordo permite controlar também quem faz viagens que passem pelo espaço aéreo dos EUA, ou seja, para Cuba, Canadá e México. Ora as rotas devem ser as mesmas, e portanto isto também afecta voos com partida de Lisboa. Se está nas listas negras do FBI está impedido de voar para  estes países.

Era mais simples a UE firmar um acordo assim: os nossos cidadãos só viajam para onde Washington quiser. E fechar aquilo em Bruxelas, o Capitólio chega perfeitamente.

A frase que não está no texto do Conselho de Estado

Não têm pão? comam pastéis de nata.

Miguel Cigarra Macedo


[a notícia]

O Poço e o Pêndulo

Baseado num conto de Edgar Allan Poe, O Poço e o Pêndulo é um filme de 1961 que retrata a Espanha no período da Inquisição através de um homem julgado e condenado por inquisidores. Os últimos 10 minutos do filme têm muito interesse, pois mostram os instrumentos de tortura utilizados na época.
É um filme de terror, mas para quem estiver interessado em fazer uma abordagem diferente do tema, pode sempre optar pelos Monthy Pyton e a Inquisição Espanhola.

Ficha IMDb

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Indiferença

Fotografia conceptual por Dave Nitsche

Preso aos 21

Levado para uma prisão no estrangeiro, nunca acusado, submetido a toda a sorte de maus tratos, nunca libertado. Adnan Farhan Abdul Latif morre após 11 anos de cativeiro em Guantanamo (Em inglês).

Marcelo, spin doctor

Hoje na TVI Marcelo procurou lançar umas quantas ideias na arena  mediática. Por um lado, usou e abusou do imaginário de médicos, doentes e curas para se referir à actual situação de crise que vivemos. Deve-lhe parecer que se a ideia da doença/cura pegar sempre é melhor do que a do pacto de agressão. Esperemos é que os médicos não sejam como aqueles que há tempos cegaram os doentes com remédio errado. E também repetiu que não podia dizer o que se passou no Conselho de Estado mas… que era só ler o comunicado que estava lá tudo. Como spin doctor já o vi em melhor forma. De tanto exercício de medicina, se calhar constipou-se.

 

Foi por amor

Passos e Portas terão concretizado os votos perante Cavaco:

– “Sim, é nosso mútuo interesse manter este projecto que levará o país à ruína.”

– “Interesse?”, perguntou o Homem da Maria, acrescentando:

– “Mas, Sr. Portas, o sr. está casado por amor ou por interesse?”

– “Tem que ser por amor, sr. Presidente”. Eu não tenho interesse nenhum nisto”…