O Equilíbrio do Terror #4 – SWIFT: a bomba atómica financeira que pode eventualmente incomodar os verdadeiros donos disto tudo

Durante estes dois longos dias, muito se tem falado na possibilidade de utilizar a bomba atómica das sanções: banir a Federação Russa do SWIFT, um sistema integrado de comunicação de transacções transnacionais, que engloba mais de 11 mil instituições financeiras. O resultado prático da utilização deste nuke, long story short, seria a exclusão da Rússia do sistema financeiro internacional, mainstream, obrigando as suas empresas e bancos, bem como os seus fornecedores internacionais, e encontrar alternativas para as suas operações.

Diz quem percebe da poda que seria inútil recorrer a este instrumento de dissuasão, na medida em que Putin poderia optar, por exemplo, por criar uma cryptomoeda, ou aproximar-se ainda mais da China, que funcionaria como seu pivot na economia internacional. Mas eu, que percebo poucos destas podas, apesar de já ter assistido a umas quantas em Sobreposta, terei a ousadia de contrariar os especialistas. Por um lado porque Putin não invadiu a Ucrânia sem ter a lição bem estudada, como de resto nos vem provando, e já terá a crypto-opção em cima da mesa. Se nós temos esta informação, ele também a terá, prévia e devidamente estudada. Por outro lado, porque a aproximação à China está mais que consumada, como revelam os acordos para compra de petróleo e gás russo, firmados esta semana, para não falar na narrativa dominante na imprensa chinesa, toda ela controlada pelo comité central do PCC, assente na ideia de uma luta comum das duas potencias contra a opressão ocidental. [Read more…]

O doutor tasqueiro

Que maravilha. Adoro este discurso intelectual de tasca. Traduzindo para linguajar da Areosa:
“O gajo violou-a mas ela estava mesmo a pedi-las, aquela mini saia….”

O professor doutor especialista e “tudólogo” Alexandre Rublo Guerreiro

As nossas televisões são uma maravilha no que toca a descobrir aves raras do comentário. Talvez por falta de atenção minha ainda não conhecia a “última bolacha do pacote” das aves raras do comentário televisivo: o Alexandre Guerreiro. Ao que parece divide o seu tempo entre vender aulas na FDUL, o comentário desportivo e agora a guerra entre a Ucrânia e a Rússia.

Bem vistas as coisas está tudo interligado. São tudo verdadeiros cenários de guerra. E, verdade seja dita, o lado bélico do comentário sobre bola nas televisões em Portugal não anda muito longe do antagonismo verbal a que se assistiu hoje de manhã na Sic Notícias entre este Alexandre “Rublo” Guerreiro e o José Milhazes. Vamos então ouvir o especialista em guerras, sejam elas no leste da Europa ou no Sporting:

Sobre Bruno de Carvalho, Ministério Público, Terrorismo e Alcochete: AQUI

Agora sobre a manifestação das forças de segurança na crónica criminal num programa da manhã da TVI e também fala de Terrorismo: AQUI

Já neste, temos o especialista, desta vez na TV Record, a falar sobre o “Terrorista” do ISCTE: AQUI

E aqui temos o benfiquista especialista Alexandre Rublo Guerreiro a falar sobre a agressão a um director de modalidades do Sporting no programa do Goucha na TVI: AQUI

Nestes exemplos temos o homem a falar como um verdadeiro especialista em terrorismo, direito, futebol, medicina, política internacional, políticas de segurança. E confesso que não coloquei aqui tudo. Estou convencido que se a minha busca fosse mais intensa ainda descobria um vídeo sobre como fazer o melhor “Bacalhau com Todos”.

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Sean Penn Blues

Sean Penn filming documentary in Ukraine about Russia’s invasion.

Sean Penn está em Kiev a gravar um documentário sobre a invasão russa.

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A piada faz-se sozinha….

Porque foi possível

A guerra, por ser sempre execrável, tem a capacidade de acordar o compromisso. Tem a capacidade de exorcizar ambiguidades. Tem a capacidade de expor carácteres. Num círculo vicioso que evidencia a fraqueza humana. Porque os pequenos males são permitidos por uns e procurados por outros até ao grande mal acontecer. E essa é a grande lição que a história diz que não é aprendida. Se a integridade fosse princípio permanente e universal, as “batotas” éticas que são relevadas em nome de uma paz que por isso mesmo nunca deixará de ser frágil, mas na verdade, em nome de uma cobardia, essa sim, pandémica e regressiva, não seriam toleradas. Porque a guerra não é mais que a soma ou o produto desses pequenos e recorrentes vícios.

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Da moralidade

A ser assim então o PCP também pode continuar no Twitter

É favor avisar o SEF…

O Governo de Portugal já anunciou que estamos disponíveis para receber ucranianos.

João Oliveira, André Ventura e Putin entram num bar….

O Tribunal Constitucional já está a analisar a legalidade do PCP? Aproveitavam a análise ao Chega e era um dois em um…

Coragem

“Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não”

O Aventar, a guerra e os filhos daquela senhora

A singularidade do Aventar é mesmo esta. Aqui tanto podem ler um artigo meu com uma opinião sobre a Ucrânia como um outro do João Maio no sentido oposto e ambos conviverem livremente neste espaço sem qualquer problema. Esta casa é assim desde o seu primeiro dia mesmo que alguns dos nossos leitores/comentadores não entendam. 

O Aventar não é o blogue dos “morcões” como escrevia no outro dia um patarata na caixa de comentários. Nem dos lampiões ou dos lagartos, Nem da esquerdalhada ou direitolas. Aliás, permitam-me o aparte, ainda não percebi o facto de apelidarem portistas como “os morcões”, será que sabem o significado da palavra? Andrades até posso entender agora “morcões” é capaz de ser o contrário do que nos querem apelidar, digo eu que não sou de intrigas. Continuando.

O Aventar é a casa da liberdade na blogosfera onde convivem em harmonia direitolas, esquerdalhos, lampiões, andrades ou lagartos. Onde cada um pensa pela sua cabeça e escreve o que lhe apetece agrade ou não aos seus correligionários de blogue ou aos leitores. Daí que a única contradição entre os dois artigos inicialmente citados está na opinião que cada um dos respectivos autores sobre a matéria. E a harmonia da diferença está no Aventar. 

No caso em análise temos opiniões distintas. Ainda bem que assim é. Para uns o Maio está carregadinho de razão. Para outros a razão está do meu lado. E ainda temos os que entendem que nenhum dos dois está certo. E outros ainda que aproveitam para nos insultar naquele que é o caso mais exemplar deste blogue, o de ter masoquistas a comentarem os nossos artigos, gajos que não gostam mas andam sempre aqui a “botar faladura” ou a vomitar coisas. É assim o Aventar. 

Nesta matéria eu escolhi os “meus filhos da puta” que não são os mesmos do Maio. E alguns ainda não perceberam o sentido da expressão carinhosa com que os brindo. Porque sei bem que não são flor que se cheire. Só que o cheiro deles incomoda-me menos que o cheiro dos outros. Mas não deixam de cheirar mal. Porque eles são como o Aventar, espaços onde cabem todos. Espaços de liberdade. Mesmo com os seus defeitos mas sobretudo pelas suas virtudes. E alguns dos nossos seguidores até podem dizer, “sim, mesmo com os textos deste filho da puta”. Claro. 

O Brasil de Lula e Bolsonaro nunca…

…nos desilude😜

A realidade

Lixa-nos a realidade. Foi-se o lirismo.

Somos sempre pela paz. E nunca queremos a guerra. Por isso, entrincheiramo-nos… para fazer a guerra. Ou será a luta pela paz? Será possível querer paz fazendo a guerra? Ou é uma contradição?

Sem lirismo, a realidade: é por perpetuarmos as guerras que não atingimos a paz. E enquanto houver quem se queira entrincheirar nas guerras dos burgueses, o povo continuará a ser, apenas e só, figurante.

O lirismo

O que deve prevalecer é a paz. Somos pela paz contra a guerra. Somos, todos. Até as “miss” são sempre pela paz. Elas e o senhor cura no intervalo de ter ido com aquela criança ao canto escuro.

O problema é aqueles filhos da puta que não querem nada com ela. Hoje chamam-se Putin no que toca à Ucrânia ou Xi se estivermos a falar de Taiwan. Ontem eram outros os nomes: Hitler ou  Estaline, só para citar dois exemplos. Que catano, como foi possível entrar em guerra? Porque não tentaram negociar o caminho da paz? Foda-se, que erro pá.

Somos sempre pela paz. O que nos lixa é a realidade….

Chega e PCP – Brothers in Arms

A extrema direita europeia e o PCP, a mesma luta

Choninhas soberanos baixam as calças ao “imperialismo de bem”

Corre por aí uma tese: tens de apoiar um lado. Sim, tens de apoiar um lado mesmo que ambos os lados sejam péssimos! Nazis ou fascistas? Escolhe rápido!

“Aqueles também são filhos da puta, mas são os meus filhos da puta”, dizem por aí.

Os choninhas portugueses, soberanos, fazem sempre a mesma escolha: dar o cu a quem o quiser. Assim é, também, neste caso.

Deixem-se de merdas; não tens de escolher um lado entre EUA/NATO e Rússia coisa nenhuma. Se num cenário como este, o que te dão a escolher é entre o vómito e a diarreia, foge. O lado que tens de escolher é: PAZ ou GUERRA?

Por tal, Portugal agora tem uma missão. A saber:

Revogar os vistos gold dos oligarcas russos (1), acolher os refugiados ucranianos que fogem da guerra (2) e apoiar as várias sanções à Rússia (3).

Por fim, ficar bem longe das intenções de resposta de instituições nazis como a NATO (4) que só perpetuam a guerra. Escolher a paz.

Caros senhores da guerra,

Não há imperialismo bom e imperialismo mau.

Existe Rússia, China, EUA, UE e NATO. As ententes da guerra. Espero que se fodam todos bem fodidos.

Só o povo salva o povo.

Protesto anti-guerra. Estados Unidos da América, 1970. Autor desconhecido.

O Equilíbrio do Terror #3 – Putin, o querido líder da extrema-direita internacional

O partido do Putin, o Rússia Unida, é um partido de extrema-direita, que se rege pela mesma cartilha da extrema-direita europeia: é nacionalista, securitarista, ultraconservador, tradicionalista e apoia-se na Igreja Ortodoxa como a extrema-direita ocidental se apoia na Católica. Anti-progressista, o Rússia Unida é profundamente racista e xenófobo, intolerante em relação a minorias étnicas, absolutamente intolerante em relação à comunidade LGTB, anti-aborto, anti-eutanásia, anti-ideologia de género e usa slogans estilo “Rússia Primeiro” ou frases como “vai para a tua terra”, dirigida a pessoas de outras nacionalidades.

Rejeita, em absoluto, a luta de classes, basilar para qualquer partido comunista, e, em certa medida, transversal à generalidade das correntes de esquerda. Aliás, no seu discurso de há dois dias, quando anunciou ao mundo o reconhecimento das “repúblicas” de Lugansk e Donetsk, Putin foi muito crítico de Lenine, que seria a mesma coisa que o Papa ser muito crítico de Deus.

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A Europa volta a estar em Guerra

Como foi possível? Algo que só tínhamos noção através de livros ou filmes. Voltou a acontecer. Depois da desgraça que representou o fim da Jugoslávia, depois dos horrores da Tchetchénia, a Europa enfrenta agora um conflito de proporções inimagináveis.

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Polónia e Estados Bálticos accionam artigo 4° do Tratado do Atlântico Norte

Via Associated Press

O Equilíbrio do Terror #2 – Ucrânia: correr atrás do prejuízo, depois de duas décadas de normalização ocidental de Vladimir Putin

Um dia triste para a humanidade. Putin fez aquilo que eu e muitos outros não acreditavam ser possivel e lançou um ataque em larga escala contra o território ucraniano, em toda a sua extensão. A guerra está às portas da União Europeia e, parece-me, uma nova cortina de ferro voltará a dividir a Europa. A Ucrânia está entregue à sua sorte e Putin já deixou implícito que qualquer interferência externa elevará o conflito para o patamar nuclear.

As democracias têm agora a obrigação moral de se unir em torno de um embargo total à Federação Russa, sem excepções, como pretendem alguns sectores económicos, insensíveis ao drama ucraniano. Fecho imediato de fronteiras, congelamento de todos os activos russos no nosso território, suspensão de qualquer troca comercial, corte de vias de comunicação ao mínimo indispensável para manter aberta a via diplomática de serviço mínimo. Não podemos contribuir com um cêntimo que seja para o esforço de guerra russo.

Foram muitos anos, anos demais, a normalizar Putin e o seu regime. O resultado está à vista. Que nos sirva de lição para que percebamos a ameaça que a extrema-direita contemporânea representa. É por isso que não, não podem mesmo passar.

Yaremchuk, o craque

Foto: Getty Images.

Começou?

“Bom dia Europa. Adoro o cheiro a napalm logo pela manhã” – acaba de dizer #Putin #Ucrania #Ucrainarussia

Muito pior

Arresto provisório de bens em três casas do antigo ministro Manuel Pinho, no âmbito do processo EDP/CMEC

A corrupção é nojenta, mas quando é perpetrada por um responsável político, é-o ao cubo.

Dantzig ≠ Danzig

Tal como selecção ≠ seleção. Danzig é Gdansk em alemão e Dantzig era o matemático. A propósito deste artigo de Severiano Teixeira.

Agora, vou ver o Benfica-Ajax.

Um elefante na sala

Temos um elefante na sala e não é possível continuar a assobiar para o lado. Aliás, assobiar para o lado é engrossar as hostes daqueles senhores sentados na extrema direita do hemiciclo.

Agora foi em Famalicão. É fundamental analisar o que se passa e tomar medidas dentro do quadro legal. É preciso reflectir e actuar. Vamos continuar a assobiar para o lado? O caso de Famalicão foi o último mas não foi o único. Existe um padrão. Seja na forma como ocupam propriedades privadas, seja como tratam as suas mulheres seja como não cumprem as regras mínimas de um Estado de Direito. Todos? Claro que não.

Vamos deixar campo livre à extrema direita para capitalizar e aceitar o medo como algo natural?

A língua portuguesa e a coboiada

«Uso de português em debate de candidatos presidenciais timorenses causa polémica».

O ataque das empresas à minha liberdade

Os (neo)liberais sentem-se sempre muito coarctados na sua selvática noção de liberdade por tudo aquilo que vem do Estado, por regulamentações dos governos. Pois eu acho isso estranho, porque no meu dia a dia só pontualmente sinto esses incómodos estatais. Eu até acho que pagar impostos é útil à sociedade e necessário, para serem garantidos os serviços públicos e diminuídas as desigualdades.

O que me incomoda sobremaneira e atenta contra a minha liberdade, é a forma invasiva e abusiva com que as empresas, que esses (neo)liberais tanto idolatram, me obrigam a usar coisas que não quero e se intrometem na minha vida para roubar os meus dados pessoais e fazerem os seus negócios. [Read more…]

Putin e alguma esquerda portuguesa e a União Nacional entram num bar – A ironia do destino – Crónicas do Rochedo 51

A 12 de Março de 1938 Hitler anexa a Áustria. Afinal a maioria da população até era alemã, justificavam os nazis. Anos antes, em 1918, a Alemanha assinara um tratado em que assumia nunca anexar este seu vizinho mesmo sabendo que uma parte dos seus habitantes falavam alemão.

Por essa altura, anos 30, a mesma Alemanha nazi afirmava que as populações de etnia alemã na Checoslováquia e em especial na chamada região dos Sudetas, eram perseguidos e mal tratados. Por isso, explicavam, a Alemanha via-se forçada a anexar essa região. Foi o primeiro passo para a posterior anexação de toda a Checoslováquia.

Por essa altura, as entranhas do Estado Novo olhavam para as investidas de Hitler com uma visão utilitarista. Se, por um lado, Salazar preferia Mussolini a Hitler, por outro lado via em Hitler e no nazismo uma forma de impedir o crescimento do comunismo. Mas não é sobre esta matéria que quero falar. Prefiro abordar aquilo a que chamo de “uma ironia do destino” de alguma da nossa esquerda actual na sua relação com Putin.

Voltando então aos anos 30 do século passado: a maioria dos apoiantes de Salazar olhavam para estas iniciativas de Hitler em 1938 com fascínio. Entendiam que o homem até tinha razão, os austríacos até eram uma espécie de bávaros. E os sudetas eram maioritariamente habitados por alemães, caramba. Mais, gostavam de relembrar que a Alemanha tinha sido humilhada pelas potencias ocidentais no final da I Guerra Mundial e que reinava a hipocrisia por parte destas. E nem era verdade que Hitler fosse entrar em guerra com o resto da Europa, ele não era parvo. Foi de tudo isto que me lembrei quando vi, nos últimos dias, o discurso tanto do PCP como de certos “intelectuais” da nossa esquerda, um discurso entre o apoio a Putin ou o justificativo da sua acção: afinal, a culpa é dos Aliados que humilharam a “Mãe Rússia” após a queda da União Soviética e, sublinharam o facto de tanto a Crimeia como as duas outras regiões hoje “anexadas” são de maioria étnica russa. E o Kosovo, pá, o Kosovo”. Ontem a União Nacional, hoje a esquerda intelectual. A mesma luta.

Este discurso não é apenas estúpido.

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E é isto….

#amigosaenviarcoisasboas