Os conselhos revolucionários de ERIC CANTONA

Os franceses cumprem hoje nova jornada de luta. Há manifestações em várias cidades, contra o aumento da idade para a reforma.

Eric Cantona, um ex-futebolista de carisma quizilento e controverso, também se referiu aos movimentos sociais contra a citada medida, decidida pelo governo francês. Diz ele que as ‘manif’s’ e greves são insuficientes para gerar uma revolução e que, para o caso, o recurso a acções armadas é igualmente desajustado.

Em alternativa, e partindo do princípio de que o sistema está construído sobre a banca, os 3 milhões de pessoas, em vez de descerem à rua em protesto, deveriam ir aos bancos levantar o dinheiro depositado. E se fossem mais, as dificuldades do sistema ainda seriam maiores.

Confesso surpresa perante esta tirada de Cantona e nem vou discutir a autoridade moral do ex-futebolista para tal conselho revolucionário. Todavia, a ser seguido massivamente em França e noutros países europeus – falemos só da Europa, agora – o conselho em causa, estou certo, provocaria uma revolução cujos efeitos totais sinto dificuldade em imaginar. Sofreria apenas a banca? Duvido e ‘aqui é que a porca torce o rabo’.

Quantos dias tem um mês, sr. primeiro-ministro?

É dia 12 de Outubro. Lá em casa, ainda não entrou o subsídio por Maternidade a que a minha mulher tem direito durante 5 meses. A Segurança Social deve ter-se esquecido.
No mês passado, o subsídio entrou no dia 7. O que significa que este mês já vai com 35 dias.
Senhor primeiro-ministro, o senhor recebe quando calha? Quantos dias têm os seus meses? 30? Ou 35? Ou 40? Ou sabe-se lá quantos?
Pois é, senhor primeiro-ministro, o seu dinheiro certamente estica. Lá em casa, infelizmente, não. Não temos cartão de crédito ilimitado, não temos almoços e jantares por conta da teta do costume, nunca nos envolvemos em negócios obscuros. Lá, quando um mês tem mais do que 30 dias, já começa a ser um problema.
Sabe que mais, senhor primeiro-ministro? Havia de ser consigo.

Vale Azevedo II?

É que o fundador de determinado grupo de alegado sucesso, não passa dum caloteiro penhorado e dum gerente tão fantástico que chegou até a ser destituído do cargo numa das empresas por onde passou (demitido e posto fora à força, leram bem).

Ler no Cinema da Febre, as penhoras de Luís Filipe Vieira, o Kadhafi  dos Pneus. De qualquer forma amanhã sai n’A Bola e é capa do Record.

a nossa esperança no dia de hoje: o resgate dos mineiros do Chile

mulher aimara, à espera do resgate do seu homem

De Isabel Matos Alves (LUSA)

Santiago do Chile, 11 Out (Lusa) — As equipas de resgate esperam começar o salvamento dos 33 mineiros presos numa mina no norte do Chile, desde Agosto último, “a partir da meia-noite de quarta-feira” (hora local), anunciou hoje o ministro das Minas chileno.

“Esperamos começar o processo de resgate a partir da meia-noite de quarta-feira (04:00 em Lisboa) “, declarou Laurence Golborne, à comunicação social nas imediações da mina de San José.

O ministro chileno referiu que os testes realizados, no domingo, à cápsula que irá transportar um a um os mineiros até à superfície foram um sucesso, referindo que o engenho conseguiu atingir os 610 metros de profundidade.



Agradeço a honra concedida de ser português. Antes fui Britânico, filho de espanhóis e outras ervas, que para este texto não interessam. Porque continuo a ser chileno de tomo e lomo, como dizemos em chileno castiço, sendo tomo a acção de aceitar, e lomo, sobre as costas. Porque é sobre as costas que aguentam não apenas os mineiros soterrados, bem como a maior parte dos chilenos que aceitam trabalhos pesados, mal pagos, moram em poblaciones callampas (bairros de lata em português), trabalhando o dia inteiro, acabam por aceitar outros trabalhos paralelos, porque os salários não permitem viver. Se a Europa está em crise económica, o Chile é crise económica permanente. Todos os homens da família vão trabalhar desde muito novos, especialmente nas minas de cobre, que têm cantos que só permitem a passagem de corpos pequenos. A escolaridade obrigatória acaba quando a criança é capaz de trabalhar. Nunca esqueço que na minha dourada juventude, todos os verões íamos às áreas rurais e mineiras para alfabetizar. [Read more…]

Aventar solidário com Ricardo Gonçalves

Bons Exemplos

O Parlamento islandês decidiu processar o ex-primeiro-ministro Geir Haarde, que governava o país na altura em que o sistema financeiro se afundou, em Outubro de 2008, por “negligência”.

Público

o regato e o moinho

(Foto de José Magalhães e poema de adão cruz)

Se eu soubesse dar às palavras
que tenho dentro de mim
o cantar deste regato
se entre as pedras do meu leito
saltitassem estas águas
que me fizeram criança
se fosse de menino este chão
que tenho dentro de mim
numa caixinha de esperança
e de sonho fosse o moinho
que mói o trigo da ilusão
não queria outro moinho
para a farinha do meu pão.

Prós-prós-prós-prós e… póf!


A RTP, como mandam as boas regras de “dar graxa a dez tostões a caixa”, convidou os três ex para uma tertúlia, cujo tema foi de difícil compreensão, além do beija-pé à recentemente comemorada semi-defunta senhora. Em termos jornalísticos, isto chamar-se-ia um “encarte”, ou seja, o afinfar de uma “notícia” para preencher o espaço. Pelo que parece, a coisa vai mesmo mal. Houve festarola Honoris Causa e à noite, com a ausência do presunto candidato ainda em comando, os antecessores foram à TV. Além das maravilhas do porvir que deve ser construído com muito sacrifício – pois…-, lá vieram as habituais evocações auto-gratificantes. Apelando ao “combates contra o desânimo”, atribuíram-se as culpas que afinal são mesmo nossas, de “todos” – nem sequer tiveram a coragem de dizer “vossas” – e a já clássica acusação aos pérfidos estrangeiros, os causadores do rol de desgraças que sobre Portugal se abateu. Enfim, este programa consistiu em mais um exercício de pressão sobre Passos Coelho, o “único, exclusivo e identificado responsável” pela calamidade que se avizinha.
Há uns anos, surgiu nos cinemas um filme alemão que desfiava o rosário de ilusões e manias de um chanceler enfiado no seu bunker, teimando em brincar com exércitos imaginários, os salvadores de uma causa há muito desfeita. Entre bolinhos de creme e planos de obras públicas “em grande”, aproveitava para vociferar diatribes diante de temerosos e atentos subalternos.

Hoje, lá estava o mesmo quadro de atentos ouvintes e a sra. dª Campos Ferreira fazia a vez do sr. ministro da Propaganda do Reich, apenas faltando uma mesa com mapas e gráficos. O Prós e Prós foi o perfeito sucedâneo daquele A Queda.

Ao cuidado da selecção nacional (de futebol)


Um país que tem músicos para isto, um país que depois de cair no mais liberal dos liberalismos soube levantar-se e votar no mais à esquerda que tinha, um país que mete o seu Geir Haarde (em português: de Cavaco a Sócrates), ex-governante responsável directo pela sua bancarrota em tribunal, um país assim não merece uma grande abada.

Só uma abadazita. Amanhã não passem dos 4 ou 5 sff.

Obrigado.

Medidas Potentes Para o PEC 4 (grátis)

De borla que foi a anterior medida para o PEC 4, venho hoje dar mais duas.  De graça, também.

1) cobrar taxas moderadoras aos portugueses que não têm médico de família. São cada vez mais. Cobrar 80 cêntimos por não-consulta.

2) cobrar direitos de autor sobre frases célebres proferidas por certa estirpe elevada de  eleitos (sempre em eleições não-nominais, curiosamente). Por exemplo, a frasequase não temos dinheiro para comer” passaria a pagar 50 cêntimos de cada vez que fosse escrita num blogue, de cada vez que fosse lida: 25 cêntimos. Era garantido: o Aventar deixar-se-ia de palhaçadas, não obstante pretensos desmentidos.

Porto Canal e a Marktest: a verdadeira história

O Porto Canal decidiu sair do sistema de medições de audiências da Marktest Audiometria desde hoje.

São várias as razões para uma decisão destas:

1. O número de audímetros que medem a audiência do Porto Canal é inferior a 50. O que quer dizer que para um projecto desta dimensão um único indivíduo representa 2% do total, o que neste momento, segundo os dados da Marktest, significa mais do 100% da nossa audiência.

2. Um exemplo recente de como com o número actual de lares é impossível ter uma ideia real da audiência do Porto Canal:

– Sexta-feira dia 1 de Outubro, share 6,6%

– Sexta-feira dia 8 de Outubro, share 0,6% com a mesma programação

Até ao mês de Fevereiro de 2010 tinha no Grande Porto (área de maior influência) um share médio de aproximadamente 2%, desde Fevereiro de 2010 o valor desceu 50% , para um share médio diário de 1%, sem ter existido qualquer alteração significativa na programação. Esta redução coincide com uma mudança do painel de espectadores acordada entre a CAEM (Comissão de Análise de Estudos do Meio) e os grandes canais generalistas. Coincidência.

Em Julho de 2010 o Porto Canal começa a ser distribuído pelo MEO.  Segundo dados da Anacom estamos a falar de uma quota na casa dos 30% dos serviços de distribuição por subscrição. Este incremento na divulgação não se traduz na audiência, pelo contrário, as medições indicam menos espectadores. Em Junho o share médio era de 1% e no último mês de Setembro foi de 0,9%. No mínimo estranho.

A distribuição regional dos lares da Marktest não é em nada representativa do espaço de influência do Porto Canal. O Norte está dividido em 3 partes. Além do Grande Porto existem 2 espaços, Litoral Norte e Interior, que abarcam áreas que correspondem sobretudo a região centro, o que prejudica o canal.

Motivos mais que suficientes para o Porto Canal bater com a porta. Fez muito bem. A minha experiência profissional prova exactamente o contrário. O feedback de boa parte dos programas do Porto Canal são hoje bem maiores que no passado e sempre em crescendo durante 2009 e 2010. Não sou caso único. E nem me atrevo a falar sobre os dados da Marktest (empresa privada) no tocante a rádios e a alguns surpreendentes altos e baixos repentinos de algumas audiências. No mínimo, esquisito.

Chega de Orçamento! Conheça o Roberto Marroquino

Poderia chamar-se Roberto e ser guarda-redes em Portugal. Mas não. É marroquino, o seu nome é Khalid Askri e defende – ou deveria defender – a baliza do FAR Rabat. Esteve na origem da eliminação da sua equipa diante do Mahgreb Fez, por 1-0. Esqueça, por instantes, o OGE e distraia-se. Observe que, no futebol, o catálogo dos “frangos” passou a incluir um celebrado pelo próprio guarda-redes que o consente:    

 

Alguém votou neste governo?

Abro os jornais e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos criticam este governo.

Ligo a televisão e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos dizem mal deste governo.

Vou ao café e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos detestam este governo.

Ponho gasolina e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos odeiam este governo.

Na mercearia do meu bairro, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos abominam este governo.

Entro no hospital e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos sofrem com este governo.

Nos jogos da seleção, do Benfica, do FCP e do Sporting, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos assobiam este governo.

Tento ir à pesca e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos perdem a paciência com este governo.

Dirijo-me a uma repartição pública e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos lamentam este governo.

Participo num velório e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS, alguns presidentes de câmara e o falecido, todos choram por causa deste governo.

Agora, e por em nenhum desses sítios ter encontrado alguém capaz de responder afirmativamente, pergunto aqui no Aventar com a tranquilidade de quem também não o fez: exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS, alguns presidentes de câmara e uns tantos falecidos, alguém votou neste governo?

A China é mesmo um tigre de papel

Han Han anuncia o Nobel da Paz...

Até há umas semanas atrás era para mim um mistério que vários PC’s que viveram à sombra do PCUS durante o conflito sino-soviético, combatendo ferozmente o maoísmo, tenham virado adeptos da maior farsa da História do marxismo, o “socialismo” capitalista da China. Como hoje o fez o português, juntando-se ao cubano.

Havia aquela explicação parva de ser uma força anti-imperialista, como se o imperialismo americano não estivesse em decadência e em vésperas de ser substituído pelo do Império do Meio, a emergência salvadora do capitalismo no seu estádio supremo. Não chegava.

Há dias encontrei uma lógica, porque até as barbaridades têm lógicas, rebuscada e fascinante: o erro de Mao Tsé Tung (recuso-me a mudar esta grafia) teria sido o de tentar a passagem do feudalismo para o capitalismo. Agora os camaradas (deles que não meus) estão  empenhados em construir o capitalismo, para mais tarde passar ao socialismo, tudo nos conformes com os mandamentos da religião e seguindo os cânones do materialismo pré-histórico.

Digamos, e por falar em religião, que ainda se pode distinguir um fundamentalista de alguém que se limita a ter e praticar a sua fé. Esta fica ao nível dos tipos que em nome da vida vão para a porta de clínicas matar médicos.

A imagem (obtida via Rue89) é uma captura de ecrã do blogue de Han Han, o mais lido no mundo, que desta forma anunciou entre aspas a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiabo ultrapassando a censura chinesa.

o dia da hispanidade e os mineiros do Chile

o dia da hispanidade começa no Chile no rescate dos 33 mineiros soterrados numa mina

Mineiros do Chile soterrados na mina Esperanza do norte do Chile 

Terra, terra, foi a primeira palavra espanhola que se ouviu no que parecia ser um mundo novo. Cristóvão Colombo acabava de provar a sua teoria de que o mundo era redondo, apesar de ele próprio, por morte, não ter assistido à comprovação da sua hipótese. Aliás, nem ele estava certo se era como ele pensava este mundo em que habitamos. Estava convicto de que navegando para oriente encurtava o caminho marítimo para a Índia, daí a designação, Índias orientais, dadas às novas terras. Quem viu pela primeira vez essas terras das Índias orientais, permitindo à coroa de Castela concorrer com os portugueses, que no Século XV eram os seus rivais nas descobertas de todas as terras além Europa, foi o navegador por nome Rodrigo de Triana. Esse grito do marinheiro foi lançado a 12 de Outubro de 1492, às 2 horas, como consta no diário de Cristóvão Colombo, texto editado pela casa Anaya, Madrid, 1985.

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Ainda vale a pena ser sério neste País?

Factos:

1.- Em Maio, segundo as contas do Governo, eram necessários cerca de 1,7 mil milhões de euros para baixar o valor do deficit de 8,3% para 7,3% do PIB.

2.- Através do PEC II o Estado conseguiria alcançar um valor orçamental adicional, para 2010, superior a 2 mil milhões de euros, metade através do aumento de receita (impostos) e a outra metade através da redução de despesa. Entre o montante necessário para atingir os 7,3% e o conseguido com o PEC II, existia uma almofada de cerca de 300 milhões de euros para eventuais contrariedades.

3.- Com o PEC II foram também previstas medidas cuja execução em 2011 e nos anos seguintes levariam à redução do deficit para os valores exigidos pela União Europeia e pelo Sistema Monetário Europeu.

4.- O Governo através do PM assegurou, então, que tal era suficiente para obter a consolidação orçamental pretendida em 2010 e nos anos seguintes.

5.- O Governo prometeu, também naquela data, que criaria os mecanismos necessários para a efectiva apresentação intercalar da execução orçamental, sendo que, está obviamente obrigado a prestar contas quer pela Constituição quer pela lei do enquadramento orçamental.

6.- Não foi criado qualquer mecanismo. À comissão parlamentar de acompanhamento do orçamento não foram disponibilizados quaisquer documentos, estudos ou análises que permitissem a fiscalização necessária, legal e obrigatória. O único documento que existe é um Boletim de Execução Orçamental de Agosto de 2010 cujos elementos não são, minimamente, suficientes para avaliar as contas do Estado. (Para perceber como está a contabilidade através daquele Boletim, além de economistas precisamos de uma cartomante – esta parte não é um facto, mas quase). [Read more…]

Centenário "Simplex"


A Ilustração Portuguesa (1908), é um inesgotável manancial de curiosidades. Neste ano de Centenário, aqui deixamos um anúncio, que decerto fará com que muitos sorriam. Ora leiam o texto, verifiquem do que se trata e… a quem pertencia a lojinha “Simplex”. Há coisas que não mudam e tomem especial nota do facto de as tais “Simplex” serem …”discos double face, com o mais variado e moderno reportorio em musica e canto dos melhores auctores nacionaes e estrangeiros. Grande depósito de machinas fallantes”.

A língua portuguesa, era, de facto, mais bonita.

PCP de olhos em bico


Após as declarações do sr. Bernardino Gomes (AR) acerca da democraticidade norte-coreana, aqui está mais um exemplo da coerência do sempre updated Comité Central do PCP. Desta vez, insurge-se com a atribuição do Nobel ao dissidente Liu Xiaobo, decerto um “perigoso agente do imperialismo”, um “desviacionista burguês”, “provocador do cosmopolitismo”, “espião reaccionário”, e sabe-se lá o que mais. O argumento utilizado como justificação para o descrédito deste Prémio, será a anterior atribuição ao sr. Obama. Esperteza saloia, mas uma tirada com a qual, quase todos facilmente concordarão, sr. Obama incluído.

Diz ainda o PCP, que este galardão é “inseparável das pressões económicas e políticas dos EUA à República Popular da China”. Fazendo de conta ignorar os fortíssimos laços existentes entre a superestrutura político-industrial do PCC e a gente da Wall Street e da city nova-iorquina, o PCP ainda acrescenta que o Nobel devia “deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz, da solidariedade e da amizade entre povos”.

Conhecida a “grande amizade” entre a URSS e a China, nos bons tempos em que alinhavam dezenas de milhar de canhões em ambos os lados da fronteira, esta declaração não pode deixar de ser mais uma excentricidade. É que os canhões não se amontoavam para a “luta final contra o imperialismo”. Estavam mutuamente apontados para os “irmãos proletários”.

Andará o PCP à cata de subsídios em Yuan, ou terá entrado numa deriva maoísta?

Estrada de Palha

Rodrigo Areias está a terminar as filmagens de Estrada de Palha. É preciso coragem, tirar bilhete e embarcar na viagem…

Domínio Público, Hoje:

Para avisar que hoje, no Domínio Público (Porto Canal, 19h) se vai falar de Presidenciais, de um perigoso centralista, das eleições no PS Porto e do Orçamento de Estado. Fujam!!!

Promete:

O novo blogue de Francisco Moita Flores. É favor passar por lá.

Amar na Galiza e em Portugal. Ensaio de etnopsicologia da infância

Mona Lisa é a imagem de Maria Cheia de Graça:calma, serena, alegre

para o amor dos meus amores, que bem sabe quem é… serena e forte como a imagem e cheia de graça e gracejos…

Parece-me impossível falar dos sentimentos de uma rapariga que amo e me ama, sem compara-los com outra histórias de vida que uso como método de pesquisa, no que diz respeito aos sentimentos. Raparigas que, no seu tempo, eram novas e hoje em dia são senhoras com filhos. O tempo passa sem perdoar um minuto na vida dos seres humanos. No ensaio a seguir a este, vou querer comparar essas formas de emotividade, sob a ideia de que no rasto da sexualidade caminha o amor. Tenho sido amado e amo e estou certo que quem andou comigo na Galiza, ama-me também. Ser amado por uma mulher adulta e madura, é a delícia das delícias. Ainda que tenha por vezes, comportamentos ofuscados, que, por fazer o dia mais brilhante, não nos permite ver.

A. Victoria

Analisando os sentimentos de três raparigas e comparando com os meus e os dela, poso concluir o que é amor. Victoria, por causa do povo a que pertence, tem que se resignar a partilhar o amor do seu homem com outras mulheres, o que deve ser difícil, se já é difícil amar e seduzir apenas uma… Mas, o seu povo é a etnia Picunche, que amam de uma outra maneira. Pelos laços das ideias, vamos considerar Victoria com a letra A, classificando a Pilar e Anabela, com as letras B e C, para colaborar com a leitura de quem tenha a ousadia de entrar por estas linhas…

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O PS de Sócrates visto da minha aldeia

O Victor Baptista poderia ser hoje, assim o tivesse querido em 2005, tal como aconteceu em 1995, Presidente do IEFP, Presidente do Metro, da Segurança Social, Governador Civil, para não falar de outros lugares em Lisboa. Todos eles a ganhar bem mais dinheiro e com mais tempo disponível para se dedicar e influenciar as lutas internas no PS.
Não quis e fez bem, porque tem sido mais útil no Parlamento a defender o Governo do PS, conforme demonstra o estudo feito por entendidos e publicado nas Beiras.

Luís Vilar  As Beiras.

O autor desta declaração de apoio a Victor Baptista à Federação Distrital de Coimbra do PS está presentemente a ser julgado juntamente com Domingos Névoa por um toma-lá-dá-cá que inclui financiamento partidário ilícito. Em breve será também julgado no processo dos amigos dos Correios. Nada disto impediu o diligente deputado Baptista de o ter mantido como responsável pela captação de fundos no distrito nos processos eleitorais do ano passado, e não me venham com a presunção da inocência, que quem mexe com dinheiros deve ser como a mulher de César.

O bom senso impediu-me de publicar este desabafo até ao contar dos votos no PS de Coimbra. Não me meto em searas alheias mas conheci o Mário Ruivo na AAC e guardei dele a imagem de alguém honesto, o que nos tempos que correm não é fácil de encontrar num aparelho partidário. Parabéns Mário.

Baptista perdeu ontem as eleições (notando-se que até Sócrates estava farto deste muito contraproducente apoiante) e como é óbvio vai impugná-las.

Foto roubada ao Diário As Beiras

Paulo Guilherme d'Eça Leal 1932-2010

Paulo Guilherme d’Eça Leal morreu ontem aos setenta e oito anos. A atual imprensa portuguesa dedica-lhe uma nota de rodapé, copiada palavra por palavra e replicada por quase todos os jornais. Faz mal, Paulo Guilherme foi muito mais, fez muito mais, merecia muito mais.

Na biografia de seu pai – Olavo d’Eça Leal, também artista multifacetado e um dos colaboradores da revista Presença – encontramos esta referência a Paulo Guilherme:

“Paulo-Guilherme d’Eça Leal (b.21.07.1932, Lisbon), Olavo’s eldest son, is an incredibly proliphic graphic designer (more than 3000 illustrations printed in books, magazines, book covers, posters, billboards, etc…), stage designer (in Paris, Rome, Madrid, Lisbon), painter, draughtsman, architect (Lisbon Airport, 1985-2000), chef, restaurateur and night club owner and designer. Caixote, 3 Porquinhos, Snob, Snobissimo, Cabaretissimo, etc., in Lisbon and Cascais, Coutada in Oporto…

…But his eclectic list of talents goes on. Interior designer (headquarters of Banco Totta & Azores in Avenida dos Aliados, Oporto was, probably, his most outstanding achievement, commissioned directly by Antonio Champalimaud when he first bought the bank, a tour de force in massive blocks of glass and stone and cement within a 19th century palace…), photographer and photo journalist, poet, short stories writer, journalist, historian and researcher on exoteric subjects such as the Templar (The Treasure of the Templar) and the pyramids (The Secret of Keops). Film director. More than a dozen books published.”

Capa de Paulo Guilherme

É um pouco mais, mas não é tudo. Faltaria falar do dandy, do boémio, do provocador, do editor, do inventor do logotipo da Contraponto de Luiz Pacheco, do autor de algumas das mais belas capas de livros editados em Portugal, do escultor, do gravador e criador de medalhalhística, do colecionador, do conferencista, etc., etc.

Debilitado há longo tempo, finou-se ontem em Lisboa.

À J., ao Francisco e aos mais próximos, um abraço amigo nesta hora difícil.

Falar sozinho no Plano Inclinado é uma coisa, debater a sério era uma maçada

Há um, dois anos, pensei em candidatar-me à Presidência da República, e disse-o a uma ou outra pessoa de família. Mas depois comecei a pensar: para quê? Primeiro, não sou eleito, não tenho nenhum partido a apoiar-me e, portanto, ia andar 90 dias (…) a dizer umas coisas. A minha intenção não era propriamente chegar a Belém, e por uma razão que eu referi ao professor Cavaco Silva antes de ele se candidatar: o Presidente da República não tem poderes para pôr ordem neste país. Com estes poderes, não quereria. E ia ter uma série de maçadas só para discutir outros assuntos diferentes dos habituais.

Medina Carreira, em entrevista ao Marcelino dos Tablóides

É toda uma tradição nacional: Salazar fez-se eleger para o parlamento republicano (pela vila de Arganil onde nunca meteu as botas) mas não usou o cargo de deputado. Era uma maçada. Mais tarde soube chegar a chefe do governo com todos os poderes para por ordem no país. É o sonho do Merdina Carreira. Valha-nos que a idade já não lhe perdoa, e a tropa anda sossegada, mas tenhamos em conta que este é amigo do Passos. O que somado ao Ângelo das Inventonas começa a ser uma ameaça. Ou pelo menos uma maçada.

Em plena Lapa?!


Com tanta gente chique da extrema-direita e do BE, com tantos bem falantes e pensantes devoradores de sushi que moram por aquelas redondezas… Este prédio situa-se na Lapa e como podem ver, não é feio. Está escandalosamente abandonado e esquecido. A CML lá deixa andar as coisas, neste caso, o cuidadoso Plano Director Municipal de Degradação. Depois, lá chegará a vez do camartelo e a construção de mais uma pocilga em betão e vidro, mas com garagem e jacuzzi no projecto. É só esperarmos um pouco mais.

Guns n' Roses no Pavilhão Atlântico. Tocaram esta?


A música que me faz recordar a primeira turma da minha vida de professor. A turma da minha vida. Rio Tinto, 1993. O Tiago lembra-se.

PEC 4 – Ideias

Do tanto que nos vão continuar a foder, sugiro a instauração do Imposto Sobre o Orgasmo no pacote de medidas do PEC 4.

Sobre as Praças de Marrocos

Mogador

Baluarte da muralha de Mogador. autor desconhecido

“Ficávamos nas praças de Marrocos como a bordo das nossas naus; porém as naus iam, vinham, livremente pelos mares, multiplicando a força, distribuindo o castigo; ao passo que as praças de África eram pontões imóveis, ancorados, constantemente batidos pelas vagas da mourama tempestuosa” Oliveira Martins (MARTINS, 1947, pág. 258-259)

As Praças-fortes portuguesas em Marrocos eram um problema para o país. Rodeadas de inimigos, encontravam-se isoladas e dependiam da metrópole ao nível do abastecimento e víveres. Portugal fazia esforços para celebrar acordos com os mouros que habitavam as áreas circundantes. Esses acordos davam origem a uma relação de vassalagem entre os mouros e a coroa portuguesa. No seu âmbito Portugal garantia protecção aos seus vassalos, bem como o direito de livre circulação e exercício de actividade comercial nos seus domínios. Em troca assegurava um clima de paz com as áreas circundantes às praças e cobrava tributos em espécie, principalmente cereais e gado. As tribos que aceitavam a vassalagem à coroa portuguesa eram chamadas de “Mouros de Pazes” ou “Mouros de Sinal”.

A situação tinha contornos completamente diferentes nas praças do Norte e nas praças do Sul, resultados das características das duas regiões, fosse ao nível geográfico, climático, do povoamento ou políticas, fosse pela própria forma como Portugal implementou o seu estabelecimento em cada uma delas. [Read more…]

Bibiana Steinhaus, a árbitra do próximo F.C.Porto – Benfica

A Liga Portuguesa de Futebol, por força de compulsivo acordo entre Pinto da Costa e de Luís Filipe Vieira, já escolheu a equipa de arbitragem para o jogo F.C.Porto – Benfica da 10.ª jornada, em 7 de Novembro próximo. Será dirigida pela alemã Bibiana Steinhaus. Em princípio, não haverá lances duvidosos. Jogadas surpreendentes talvez, mas certamente, nos episódios polémicos, dirigentes e treinadores serão vencidos pelo ‘charme’ do ‘eterno feminino’. É apalpar e jogar. Marcar e ganhar é secundário.

Aguardamos com expectativa as declarações de Jorge Jesus e de Villas Boas, no final da partida. Sabemos desde já que o benfiquista iniciará sempre as afirmações com “e pertanto…”. O Villas Boas, desta vez, não reclamará grandes penalidades por marcar. Evitará pedir desculpa a posteriori pelo erro – à Passos Coelho. Como os presidentes, ambos vão venerar Bibiana, mesmo na derrota.