Eu tenho horror a pobre

Aliás, e quanto aos pobres,  o ideal seria acabar de vez com a espécie.

história sintética da Galiza

bandeira da Galiza, ceibe e socialista

texto retirado do meu livro o crescimento das crianças, Profedições, 1998

O reino da Galiza tinha já sofrido diversas invasões. Como nas lembranças sociais de Victoria, nas de Pilar há também uma memória social que as repete. Mas, ao contrario que no caso de Victoria e os seus pares. Porque para Victoria, a Conquista é uma bênção que permite que um povo Nativo, seja primeiro um Reyno, depois um Estado e República independentes, autónomo. O que, como Pilar, a sua família e os seus pares, sabem que não é assim na Galiza. A Galiza é Celta, é Romana, é Sueva, é Visigótica, é Castelhana, é Lusa, é Espanhola, é autónoma, como Estado parte do Estado Espanhol, entre os séculos antes de Cristo e o dia de hoje. Quando a dita autonomia permite que a língua galega seja também língua oficial, em conjunto com a Castelhana. E a lei Galega, não o Estatuto de Castelão (1931) nunca aprovado na II República que o meu amigo Ramón Pinheiro defendeu até a sua morte. Uma lei directa, própria, sempre subordinada a lei geral do Estado Espanhol e às leis específicas que o Estado central, assina como Yo, el Rey. Embora saibam Victoria e Pilar, ou não saibam, que a Monarquia Espanhola é comum para os dois Reinos, o do Chile até 1818, e o da Galiza até hoje. Porque a invasão Napoleónica a Espanha, alastra ao Rei Fernando VII ao seu cativeiro de Paris, onde muito bem fica, faz-se revoltar ao Reyno de Chile que aderia á Coroa e á pessoa do Rei, e causa o seu afastamento de dita Madre Pátria, porque já não há proprietário, o Monarca. O que serve para basear a Independência na hoje América Latina, o que serve para começar os levantamentos contra os direitos

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A melhor resposta ao roubo nos salários: trabalhar menos 5%

Para já médicos e enfermeiros ameaçam recusar horas extraordinárias. Quem tem falado com funcionários públicos ouviu a mesma resposta ao gamanço dos ministros e ex-ministros do bloco carteirista: tiras-me 5%, trabalho menos 5%.

Sendo daquelas formas de luta que os sindicatos nunca assumirão cheira-me a que vai ser a mais praticada, e ainda antes de os salários baixarem. Discretamente, trabalhar menos 5% (os dos cortes de 10% não se metem nestas vidas) é a coisa mais simples deste mundo, até porque com a progressão na carreira congelada as avaliações passam a pura anedota.

Tivesse a função pública sindicatos a sério e chamava-se a isto greve de zelo. Quem já usou a expressão greve de zelo perante um sindicalista sabe porque não temos sindicatos a sério mas apenas carreiristas a brincar. Há excepções, confirmam a regra.

800 Pessoas ou Mais

Quantas pessoas cabem em 12 carruagens com 88 lugares cada?

Às sextas à tarde e domingos à noitinha é assim entre o Porto e Lisboa. Porque não dão carros a todos estes pobres? Já que temos auto-estradas grátis, era de aproveitar…

Acerca do novo site do PSD (Cortar na Despesa)

Em, primeiro lugar, devo afirmar que só a decepção de ver a qualidade resvalar para o fácil, me animou a publicar o que se segue.

1.- Acho a ideia boa. Qualquer tentativa de ajudar a que os Portugueses se façam ouvir, para mim é, sempre, boa. Por isso, louve-se a iniciativa.

2.- Se o autor da ideia, no caso o PSD, procedeu, anteriormente, de forma distinta para situação análoga, gabe-se o melhoramento. E ressalve-se, por obrigação ética, que, entre situações, muito mudou no partido.

3.- Porque algumas vezes se perde lucidez e perspectiva, repita-se que todos somos iguais perante a lei, perante a sociedade e perante a ética. Em democracia, não há TURBAS. Há pessoas. Há eleitores. E merecem respeito. O público não passa de soberano a turba por mero capricho do nosso desagrado.

4.- Gostaria de terminar, dizendo que a sugestão que deixei no site tinha a ver com a repulsa que me causa a existência de reformas douradas sem uma prévia, real e, minimamente, equivalente contra-prestação à Segurança Social.

Exposição de Fotografias de Vermoim, Maia (5)

Poderá ver mais fotografias AQUI

Os únicos reis bons são os reis depostos

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”.

É tão simples como isto. Apenas em 1910 as crianças portuguesas alcançaram este direito natural. Contra os herdeiros de tronos, herdados da violência e da jurisprudência divina, de uma monarquia que, já agora, nunca foi referendada. Contra os privilegiados  que durante séculos nos governaram por direito de nascença.

Este puto é apenas mais um puto português. Valerá pelo que fizer da sua vida, o que não será fácil com o ridículo nome que lhe deram. Foi para isso que se fez o 5 de Outubro. Faltava muito para a democracia, mas este passo era fundamental. O resto é conversa de treta.

Monarquia ou República – só mudam as moscas

Monarquia ou República – só mudam as moscas.
Claro que a República é um regime infinitamente mais justo. É o povo que escolhe o seu representante máximo e não uma família que se eterniza no poder não se sabe por que motivo. Mas na prática, na prática vai dar ao mesmo.

No dia de hoje, os «Homens da Luta» foram os únicos a estar de Parabéns.

A Rotunda do 5 de Outubro


Até há uns poucos anos, a praça que ostenta o título atribuído a Sebastião José de Carvalho e Melo, era por todos conhecida por “Rotunda”. Nome que se pensava consagrado pelo simulacro de regime político saído da bernarda de 1910, a sua menção povoava logo qualquer cérebro com imagens de tiroteios, farta vinhaça verde e tinta que correu a rodos durante uns dias e que deu as cores à bandeira, umas mulas esbaforidas e um bravo que de espada nua, comandava os improváveis futuros vencedores daquele dia do Grande Nada.

Hoje todos conhecem essa praça por “Marquês de Pombal”, mas o nome resistiu mais umas tantas décadas, fazendo justiça a um certo estado de coisas que se foi eternizando de tal forma, que Portugal bem podia hoje chamar-se Estado De Coisas” e como tal, ocupar o seu assento na ONU, NATO, UE e CPLP.

As três Repúblicas saídas daquela Rotunda, foram por isso mesmo, rotundas. Rotundas nos erros, rotundas nas manias, rotundas nas brutalidades, rotundas na incompetência prepotente, rotundas no compadrio corruptor, rotundas na mentira fácil e na má fé. Foram rotundas nos enriquecimentos suspeitos e ainda mais rotundas se evidenciaram nas vigarices escandalosas que tornaram o tal “Estado De Coisas”, no verbo parisiense portugaliser. Ficou habitual entre os “estadocoiseses”, nós todos, o costume do calar e deixa andar, pois o poder rotundo, sabe como esvaziar os bolsos daqueles que são rotundos no sim e no não. O regime da Rotunda prefere o talvez, o assim-assim e o “maijoumenos” que dá escapatória rápida, saindo-se por qualquer álea que parta da citada Rotunda em que a nossa vida se tornou.

O principal problema, já nem sequer se coloca em termos de livre expressão da imaginação, do querer aquilo que se pode ou não se pode ter. O problema rotundo que hoje enfrentamos, é circular e incomensuravelmente mais vicioso, do que todos os outros já mencionados.

Graficamente, a Rotunda pode ser representada por um ó de dor, mas talvez com mais propriedade, por um Zero. O pior de tudo, é que esse Zero significa tão só aquela rotunda mais notória, despótica e aviltante: a Rotunda das panças que controlam os nossos acessos e saídas. Aí está o republicano problema.

a República de Portugal nasceu como um país classista

o nosso futuro se as meddidas de austeridade avançam....

Bairro da Grande Lisboa, com prédios novos no fundo e bairros de lata ao pé para se sustentar dos trabalhos que resultam das construções dos prédios.

Queiram desculpar, mas sinto-me perdido. Por acaso moro num sítio de Portugal com imensas e evidentes desigualdades. Por acaso. Não encontrei outra casa no dia em que apareci em Portugal, tantos anos já, que até fui feito português, o que agradeço.

O que não agradeço nada, são as diferenças sociais, esses desencontros entre as pessoas: diferente classe social, diferentes saberes, hábitos de bisbilhotice, outros de solidariedade.

Pobreza e riqueza vivem juntas. Trabalho e falta de postos de trabalhos. Elegância e pobreza impossível de disfarçar. A arquitectura tem uma linguagem que explica que Portugal é um país classista. Há os que podem ter folga monetária, e há os que nada têm; há os que têm a esperança de um dia ter e os que sabem que esse dia nunca pode aparecer.

Há também os que moram em bairros de lata e os que possuem tantas casas, que têm que inventar sítios para se entreter além das contabilidades a que estão obrigados para calcular entradas e gastos, para um melhor gerir da sua riqueza, saber onde ir cobrar rendas e melhorar as suas posses.

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Ilusão

(adão cruz)

Na máquina de sujar em que estamos metidos, o stress é o glutão mais eficaz. Tira a mais pequena nódoa de limpeza num abrir e fechar de olhos. Com a desvantagem de que nem é preciso comprar. Ele vende-se. É completo. Produto e promotor, tudo incorporado, dois-em-um que divide como quem corta relva e une como quem varre o chão. Sem darmos por ela, fez de nós seus aliados na luta contra o tempo: nós crentes de que a luta era contra a passagem do tempo, ele ciente de que a luta era contra o seu aparecimento. Uma coisa e outra, claro, são inúteis. No limite, tudo é: o stress não vive menos iludido do que nós. Ele, como o tempo, como nós, também passa. E talvez a melhor maneira de lhe mostrar isso seja fazê-lo crer, como ele nos faz em relação ao tempo, que lutamos contra a sua passagem, estando cientes de que lutamos contra o seu aparecimento. Por outras palavras, viver bem na sua companhia. Dar-lhe o melhor. Dar-lhe amor. Dar-lhe tempo. [Read more…]

O Republicano Com Fome

Ricardo Gonçalves, democraticamente imposto pela máquina pelo povo para o representar na Assembleia da República, anda com fome. A crise toca a todos, ao Governo e ao povo e a Ricardo Gonçalves, que é da “província” sabe bem o que isso é, viver com um salário de 700 contos e 12 contos de ajudas por dia. Oh Ricardo, desculpa lá esta familiaridade: achas que o povo de Melgaço, terra de forte emigração, concorda contigo? Fazemos a troca? Tu dás-me as tuas ajudas de custo e eu dou-te o meu salário, sim?Agora percebo melhor o alcance das palavras de Maria José Nogueira Pinto. Viva a República…!

Dilma e Serra vão a 2.ª volta

 

O jornal “i” e “Público” admitem que Dilma Roussef, dada como favorita na 1.ª volta por sondagem à boca das urnas, acabe por ser forçada a defrontar José Serra em 2.ª ronda das eleições presidenciais no Brasil.

O Jornal o Globo, por sua vez, à hora em que escrevemos este texto, 00h55, com 90,07% de urnas apuradas, indica que, para os 3 candidatos principais, se registam os seguintes resultados

Dilma Roussef PT 45,81%
José Serra PSDB 33,10%
Marina Silva PV 19,91%

A probabilidade de 2.ª volta é, de facto, elevada, como sublinha o ‘Globo’ na edição ‘on line’. Consequentemente, a candidata apoiada por Lula, Dilma, vai continuar o confronto com José Serra.

A imprensa desta manhã, dia 4 de Outubro, confirma que Dilma (46,90% do votos) e Serra (32,60%) voltam a defrontar-se na 2ª ronda, marcada para 31 de Outubro próximo. Segundo os analistas, a vitória de Dilma Rousseff, no acto eleitoral inicial, deve-se à votação mais alta do que esperado em Marina Silva (19,30%) que desempenhou cargo de Ministra do governo de Lula e é dissidente do PT.   

 

U2 ao Vivo em Coimbra:

É o meu primeiro vídeo no Youtube e dedico-o ao JJC pois foi nessa sua terra, Coimbra, que assisti ontem a um dos melhores concertos da minha vida:

a tristeza no centenário republicano

a república começou perturbada e hoje continua conturbada

…com a colaboração de Graça Pimentel e Eduarda Fernandes…

Não consigo esquecer duas frases, talhadas na minha memória desde o dia que troquei a minha Universidade Britânica pela Universidade de Lisboa, o ISCTE, hoje Instituto Universitário de Lisboa. Essas ideais talhadas eram, primeiro, que o 5 de Outubro era uma festa Nacional, mesmo em dias de tormenta como hoje, em que o povo se regozijava por sermos um país livre e soberano, garantida dada pela Constituição do Estado, cada vez mais avançada para proteger a soberania que o povo depositava nos seus governantes eleitos por sufrágio universal. Havia tanta coisa a fazer dentro da República para a eelevar à estatura de outras nações da Europa, republicanas ou monarquias. O 5 de Outubro era sempre o 5 de Outubro, com festas e alegrias.

Mas uma segunda ideia talhou o meu pensamento: Portugal não era apenas esse sol quente do verão e o frio do inverno, com neve, às vezes, até em Lisboa. Essa proeza de construir uma nação, passava por construir o que a monarquia de Bragança, em mais de trezentos anos de reinado, nunca fez: construir indústrias transformadoras da imensa riqueza que o Universo tinha oferecido à República. Bem sabemos que o marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo (Lisboa, 13 de Maio de 1699Pombal, 8 de Maio de 1782) casado com uma alemã, tentou enquanto era secretário de Estado do Reino durante o reinado de D. José I (17501777), sendo considerado, ainda hoje, uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa. As suas visitas ao estrangeiro, a sua observação da construção de indústrias manufactureiras e transformadoras de matérias-primas na Grã-Bretanha, na Alemanha e na Suécia, resultantes da Revolução Industrial, levaram-no a pensar que Portugal podia construir uma riqueza semelhante. Começou por construir Escolas Politécnicas, para os operários executarem com saber o seu ofício e acumular riqueza investidas em indústrias. Para nossa infelicidade, prevaleceu a preguiça de Reis, Marqueses, Barões, enfim, dos proprietários das terras, aliada ao pensamento que seria sujo e desalmado desfazerem as suas lindas terras, o acusaram-no de espoliador, sendo assim que de Ministro do Rei foi para a cadeia e, a seguir, confinado às suas terras de Pombal.

A falta de Indústrias transformadoras causaram um recuo de centos de anos no desenvolvimento da, hoje, nossa República Portugueza (não é gralha, é como se escrevia nesses tempos o nome da Nação, habitada por portuguezes).

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De volta

(adão cruz)

(Texto de Marcos Cruz)
Saio da cama a pensar que já pensei muito. Reflicto sobre a complexidade dos meus sonhos e concluo que a vida é aquilo que estivermos dispostos a receber. Levanto o corpo decidido a deitar a mente. Ainda no limbo vem-me à imagem uma autoestrada engarrafada de um lado e totalmente vazia do outro. Olho para a baba na almofada e constato que ainda salivo, mas por momentos ocorre-me a dúvida sobre se a saliva que agora tenho na boca não se deverá ao súbito e intenso desejo que sinto de passar para o outro lado da autoestrada. Penso então que não faz sentido esta confusão entre a cama e a vida. Seria um terceiro sentido. Não existe. Mas atrai-me. Fico a imaginar para onde iria ele e deparo-me com duas possibilidades: para cima ou para baixo. O que me leva a admitir um quarto sentido. O som da palavra quarto traz-me de volta ao meu. Reprimo-me por ter frustrado o projecto de não pensar e penso se não o terei feito no preciso momento em que o formulei.

U2 em Coimbra, hoje com uma novidade no reportório

http://www.dailymotion.com/swf/video/x76bf2_gene-kelly-i-m-singing-in-the-rain_music?additionalInfos=0
Gene Kelly – I’m Singing in the Rain

Nunca na minha aldeia tinha visto tanto cota como ontem. Até me senti mais novo.

Pausa para o Fado

O meu companheiro de blogue, Pedro, há uma semana trouxe até aqui a música popular francesa. Hoje, particularmente nostálgico – nem eu sei por que razão – apeteceu-me revisitar o ‘fado’, adorado por uns e amaldiçoado por outros.

Inspirado pelo programa de Carlos do Carmo, na RTP1, relembro as minhas deambulações – emborcações, seria o mais exacto – por Alfama e a voz de Argentina dos Santos, na interpretação do fado menor, “Vida Vivida”:

Como diz a letra, afinal o tempo fica e a gente é que vai passando”.

U2 em Coimbra

Vi-os em Vilar de Mouros, jovens e desconhecidos, creio que pelos idos de 82. Em Coimbra, esta noite, quase trinta anos depois, apresenta-se um super-grupo, provavelmente o maior da actualidade, uma marca planetária a anos-luz dos rapazes de Vilar de Mouros e das ruas de Dublin. Nunca mais os vi e hoje também não calha. Devem estar a tocar à hora a que escrevo este poste. Há três dias, em Sevilha, o início foi como se vê:

e continuou assim: [Read more…]

Lúcio Tomé Feteira – uma história de limas

A vida e a morte de Lúcio Tomé Feteira remanescerão para a história como peças limadas. Desde o sémen, foram as limas que o acolheram e lançaram na vida. Seu pai, Joaquim, fundou a Empresa de Limas União Tomé Feteira Lda., ainda no século XIX, em Vieira de Leiria.

Lúcio, todavia, acabaria por recusar o trajecto industrial paterno. Dotado de personalidade controversa, mas de firme convicção quanto à acção e à afirmação autónoma, esquivou-se das limas. Estudou no Porto, partiu para África, regressou a Portugal e, com o financiamento do sogro Dâmaso, seu conterrâneo, acabaria por fundar, em 1936, a indústria mecânica de chapa de vidro nacional, corporizada na Covina.

Teve uma vida longa, 99 anos até 2000, ano da morte. Preenchida de episódios políticos, sociais e privados, controversos. Faleceu na companhia de Rosalina Ribeiro, secretária e última companheira, também ela polémica – foi assassinada, em 7 Dezembro de 2009, duas horas após um encontro com o seu advogado, Duarte Lima.

Naturalmente que, no processo de investigação da polícia brasileira, o testemunho de Duarte Lima é capítulo fundamental. Porém, o conhecido advogado recusou responder às 193 perguntas que a polícia brasileira havia remetido ao DIAP, por carta rogatória. Diz a imprensa que Lima “rejeita depor sobre questões que podem incriminá-lo com garantias inferiores àquelas que teria se fosse ouvido no Brasil”. É expectável, obviamente, que um dia destes vá até ao Rio de Janeiro prestar o testemunho, salvaguardado pelas garantias reclamadas.

De toda esta novela, extraímos, entre outras, uma conclusão: à semelhança da vida embrionária, a vida póstuma de Lúcio Tomé Feteira está a decorrer sob o signo da lima; essa ferramenta utilizada para desbastar, mas que, de tanto o fazer, também acaba desgastada. Resta, pois, saber qual dos objectos ficará primeiramente desbastado: a peça trabalhada ou a própria lima? Será que vamos ter a resposta exacta?  

a soberania e os seus descontamentos. À nossa República!

a república portuguesa que nunca mais acaba de se organizar, velha como é!

….para o povo português obrigado ao empobrecimento pela cultura doutural…

O subtítulo tem dois significados. O primeiro, é simples: escrevo este texto no dia 2 de Outubro e o debate do orçamento será a 15 de Outubro deste ano de 2010.

Não sou bruxo, tenho palpites. Palpite que me diz que deve ganhar o debate quem melhor se entenda com a crise financeira que se vive na Europa, essa praga de Portugal. Como no Chile. Faz pouco tempo, começara a corrida para a Presidência da República. No tempo da ditadura, todos os partidos democratas juntaram forças para derrubarem um ditador que faleceu réu de crimes de sangue, mas faleceu réu. Nas mãos da justiça. Com a democracia restabelecida, os partidos deram aos seus candidatos poderes muito pessoais e a Concertação Social começa a diluir-ser, após o mandato de quatro excelentes Presidentes da República. Será que esta arrogância precipitada vai abrir as portas a quem sempre ficou em segundo nas presidenciais e que une todo o fascismo que governou o país durante 20 anos? Precipitações pouco esclarecidas. E a diferença entre facções é imensa. A concertação, une; o fascismo desune e mata.

Em Portugal, em carta enviada por mim ao actual Primeiro-ministro, admoesto denuncio e na parte final do texto digo que o PSD e o PS não me parecem andar de mãos

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a república

de súbdito a cidadão, por causa da implantação da República

 …para a minha mulher, que edita os meus textos

É História bem conhecida que a República portuguesa não foi uma opção do povo bem como uma implantação por um grupo do Partido Republicano, pelos maçons e um largo número de apoiantes populares que estavam cansados de serem explorados no trabalho das terras dos Condes, Duques e Barões, que viviam uma rica vida, ou em Lisboa, ou em Paris. De facto, a sublevação contra a monarquia, como em todos os países da Europa que passaram de reis a presidentes, foi sempre iniciada nas áreas rurais. Trabalhavam e trabalhavam os obreiros agrícolas, em troca de dois ou três hectares de terra trabalhadas pela sua família, enquanto o senhor da casa dava a sua força de trabalho ao proprietário das fazendas ou das terras extensas com vinhas, as primeiras ao sul do país de Afonso Henriques, as segundas, no norte da mesma terra.

No entanto, essa rebelião foi mansa e serena. Tiveram que ser os intelectuais, maçons e liberais, que optaram por derrubar a família real, nesses anos da casa de Bragança, matar o rei Carlos I de Bragança e o príncipe da coroa, o herdeiro Dom Luís Filipe. Acontecimentos ocorridos no dia 1 de Fevereiro de 1908. Sem saber como, o filho mais novo, Dom Manuel, passou a ser rei, sem preparação nenhuma, como confessou ao Concelho de Estado solicitando orientações.

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O meu bocado

(adão cruz)

(Texto de Marcos Cruz)

Muitas vezes tive a tentação de me juntar a alguém com sucesso, alguém que me pudesse atrelar, por piedade ou, de preferência, por me reconhecer valor, e levar-me aonde eu sozinho nunca conseguiria chegar. Mas algo, nessas alturas, me dizia que, uma vez cometido esse acto de compaixão, eu ficaria com uma dívida de gratidão para com a pessoa em causa e moralmente obrigado a não a deixar ficar mal, o que transportaria o padrão de sucesso da operação para ela e não para mim, ou seja, todo o meu percurso a partir daí se mediria pelos passos do meu salvador e não pelos meus. [Read more…]

Perguntas ao Centenário


A “república” não é para todos. Acaba de ser adquirida, mais uma viatura para os “traseiros de luxo”. Desta vez, trata-se de um Mercedes S450 CDI, ao módico preço de 134 mil Euros. Será inaugurado na próxima cimeira da OTAN e destina-se ao transporte de Durão Barroso.

O que tem isto a ver com a contenção da despesa?

Leiam mais aqui.

Oh Faxavor

– Eu liguei para o outro número mas ninguém atendeu.

– É, às sextas-feiras ninguém trabalha de tarde na Câmara.

– Ah.

– Ligue na próxima semana depois das nove mas não à hora de almoço, também não há lá ninguém.

– Ah…

O mexilhão

Já ontem aqui citei esta frase de Sócrates:

Estas medidas só são tomadas quando um político entende em consciência que não há nenhuma outra alternativa. Foi essa a conclusão a que cheguei agora e não em maio.

Pois, o problema é esse, não percebem e disfarçam tudo com desculpas porque estão mais preocupados com a maquilhagem do que com a realidade. Tivessem começado em Maio, pelos sítios onde deviam ter começado, e não chegariam a esta dramática situação de Setembro em diante.

O Aventar – tal como muitos outros portugueses – avisou em Abril. Na altura, a desculpa era a fragilidade do euro. Portugal, esse, estava forte e bem governado, tudo cheirava a rosas, ninguém afronta, amedronta ou derrota o pessoal do Largo do Rato (e se o fizerem, maquilha-se).

Agora paga o mexilhão, pois claro.

Não te preocupes, eu pago!


Mas se não te importares, terá de ser apenas uns 5% por mês.

Diz lá quanto é que pagaste por essa entrevista


Ou melhor, quanto é que nos fizeste pagar?

Perguntas do Centenário da República


Sabia que em 22 de Abril de 1924, foi dada a ordem de venda, em Londres, de uma montanha de 146 toneladas de prata, guardada e amontoada pela “ruinosa e falida” monarquia deposta em 1910?

Serviu para estabilizar o Escudo em queda livre nos mercados cambiais. Durou pouco, essa estabilidade. Voltaria rapidamente à desvalorização, empurrando o país para a ditadura da 2ª República. Nada que não se saiba.

O Sócrates que vai e que volta

O primeiro-ministro é, de facto, uma figura desconcertante. Sem rumo e ideias coerentes, degrada, a cada dia e aceleradamente, a imagem de político. Um dia diz isto, e no imediatamente seguinte, proclama o contrário. Brinca com a vida económica e social do país, com o mesmo à-vontade utilizado para penalizar os cidadãos mais fragilizados.

Ao contrário do afirmado à saída da AR: “Nunca me passou pela cabeça ir embora”; hoje, segundo declarações do gabinete do PM à TVI, Sócrates diz-se disposto a demitir-se se o OGE para 2011 não for aprovado.

As referidas declarações são, já por si, negativas para a imagem do País. Mas as contradições de Sócrates não se ficam pelo que dizer que vai e que volta. Hoje, segundo entrevistas ao ‘The New York Times’ e ‘The Wall Street Journal’, o Eng.º Sócrates garante que as ‘medidas de austeridade’ foram tomadas para acabar com “dúvidas dos mercados”.

E eu pergunto: “O que é que os tais mercados pensarão de todo este desconcerto de declarações?” Que Portugal é governado pela irresponsabilidade – é uma certeza, não uma dúvida.