Avenida da Liberdade, em Lisboa, trocou os carros por canteiros

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Uma genial acção de marketing, apesar de nada ter a ver com produção nacional e solidariedade, como defendeu Sá Fernandes, já que encontrar frutas e legumes nacionais nas lojas do Belmiro tem sido muitas vezes missão impossível e a solidariedade não precisa de galinhas e Tony Carreira na Avenida da Liberdade. Já  os produtores de leite nacionais não viram a sua autorização de manifestação concedida pelo Governo Civil para poderem distribuir o leite que, dizem eles, as grandes superfícies não lhes compram. Isto da solidariedade não nasce igual para todos. Por outro lado, finalmente percebi para que há tanta autoestrada a desembocar em Lisboa: encher a capital de porcos a troco de 100 mil euros.

The National ao vivo em Portugal

É já amanhã, dia 23, no Coliseu do Porto e depois de amanhã, 24, no Campo Pequeno em Lisboa.

E eu a pensar que o gelo tinha quebrado ontem

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Chuva e Granizo deixam branca zona de Benfica

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A estética segundo Eduardo de Pitta

Foi pelo Nuno Castelo Branco que soube que a Câmara Municipal de Lisboa acaba de aprovar, com o beneplácito do ético António Costa, um execrável mamarracho (foto da esquerda) para o gaveto das ruas Alexandre Herculano e do Salitre, em pleno Largo do Rato.

Pelo Tiago, do 5 Dias, fiquei a saber que o grande socratista Eduardo de Pitta elogia muito o projecto e acha que o Largo do Rato ficará muito melhor do que está hoje (foto da direita).

Nada de surpreendente na forma como Eduardo de Pitta vê a arquitectura e a estética. São gostos e gostos não se discutem. Afinal, não se esqueçam de que para ele e para o seu amigo estas são lindas mansões.

Entrecampos, ano de 1968

O então apeadeiro de Entrecampos, 1968, actualmente uma das estações mais povoadas de Portugal.

A filha do ministro

Carolina Amado e Barack ObamaCarolina Amado, filha do ministro dos Negócios Estrangeiros, posou para uma foto com Barak Obama. Inesperado? Parece que sim. Mas mais surpreendente para mim foi ela fazer parte da comitiva de recepção.

Parece que a esposa do ministro o costuma acompanhar e desta vez não podia, tendo por isso ido a filha. Mas parece que a esposa de Obama também o costuma acompanhar e não estava lá. Nem as filhas dele. Nem, aliás, as esposas nem as filhas nem os filhos dos restantes membros da comitiva de recepção.

Portanto, inesperado para mim foi ver a filha do ministro lá. Aliás, ela nem constava do protocolo, o que aponta para uma frágil explicação sobre a indisponibilidade da esposa do ministro.

Lido no Facebook:

Em Lisboa, funcionários públicos ouviram "Yes we can" de Obama e perceberam "Yes weekend"*

*Aloisio M.N.

Estação da Praia dos Algarves

Santa Apolónia, padroeira dos dentistas.

O Brasil em Lisboa


No verão e antes da praia, os passeios fazem-se à beira Tejo, aproveitando para conhecer melhor as magníficas perspectivas que a cidade de Lisboa apresenta quando é vista do sempre esquecido, ou desprezado rio. Para oriente, as decrépitas edificações que a gente da Câmara Municipal quer alienar em benefício do betão dos condomínios estrangulados por rodoviárias e carris de um indesejado TGV que qual charrua, arará várias léguas de terra construída há séculos. Pouco importará a liquidação de Xabregas e antigos vales pontilhados de quintas onde ainda se descobrem palácios que viram dramas familiares e festas de estalo. Para os senhores do momento, as festas são outros e os estalos, esses, merecê-los-iam nas suas luzidias faces.

Para ocidente, as antigas glórias da expansão. Dúzias e dúzias de vezes os mesmos percursos, e os mesmos edifícios onde há sempre algo de novo que pensei jamais ter visto.

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Oktoberfest

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Esta foto e mais 40 em Oktoberfest 2010 (Munique), galeria disponibilizada pelo site "The Big Picture" (que tem uma iPad App referenciada entre as 12 de topo, segundo a ZDNet). Por Lisboa, também há uma similar festa da cerveja a decorrer no Goethe-Institut).

Manifestação, somos todos ciganos

No sábado, pelas 15 e 30, frente ao Consulado da França no Porto, manifestação contra as deportações sarkonazis de ciganos. À mesma hora, em Lisboa, outra no mesmo sentido, na embaixada de França.

As manifestações têm outro sabor quando não são provincianas.

Quem não berra não come

Os fundos comunitários desviados das regiões mais pobres para Lisboa já ultrapassam 154 milhões de euros, o suficiente para construir três centros materno-infantis no Porto. Foi um aumento de seis milhões em meio ano, tendo o ritmo de aprovações abrandado.

In Jornal de Notícias

A isto não se chama desvio, concentração, opções políticas ou estratégicas. Nem sequer se chama ‘país a duas velocidades’. Chama-se uma vergonha!

Cada vez me convenço que, no seu jeito truculento, Alberto João Jardim tem razão. Quem não grita, quem não berra ou ameaça não come.

On Her Majesty's Secret Service

Filmado em alguns locais de Portugal, um filme a (re)ver, especialmente para se comparar o antes e o depois do desordenamento do território. Especialmente no que se refere à sequência de introdução, filmada no Guincho.

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Tempo de férias

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Lisboa, tarde quente. Hoje.
Devo parecer um turista pois já por duas vezes me perguntaram com sotaque ligeiramente anglo-saxónico “ache? coke?”, enquanto me deixava levar pelo destino sem ponto de chegada.
Querendo, seria fácil a polícia acabar com esta pequena (será este o qualificativo correcto?) criminalidade. Umas sandálias e um calção pirata chegariam.

A Rua do Ouro tem o encanto do anacronismo, com as suas fachadas da Viena imperial ao lado das esplanadas germinadas a partir do mobiliário de plástico.
E tem a luz. A luz de Lisboa, diz o cliché, dizemos nós que é cliché, porque luz temos em abundância.
Quem parece uma sardanisca à procura de uma réstia de sol, como os bávaros, que fazem uma grelhada nas margens do Isar, mal umas horas de sol se antecipam no horizonte, não percebe que não nos deslumbremos perante esta dádiva.
Nós também temos dificuldade em perceber como é que eles têm dinheiro para cá virem apreciar estes ares.

Uma imperial, se faz favor, que é como por cá se chama a um fino.
Deixo aquelas gotas geladas empurrarem o calor que me rodeia como um abraço.
Um fino, a luz e tempo para apreciar ambos, marcam o momento, que é de férias.
Pequenas coisas que fazem grandes dias.

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Grandes Malucos: Lisboa-Cidade do Cabo em auto-caravana

Sou amigo do Carlos Brum há muitos anos, conheço-lhe as histórias, as viagens, as aventuras, as voltas ao mundo. O Carlos é um bocado como aquela anedota que diz “Se Deus está em toda a parte, o Carlos já lá esteve”.

E, como um “grande maluco” tem sempre uma maluquice maior do que as outras, não há jogo da seleção onde o Carlos e os seus amigos Jorge e Joaquim não estejam, seja na Dinamarca, no Azerbeijão ou onde quer que a FIFA determine. Desta vez, não podia deixar de ser, vão acompanhar os jogos de Portugal na África do Sul, tal como milhares de adeptos incondicionais. Com uma pequena diferença: eles vão por estrada, de auto-caravana, sozinhos.

Partiram de Lisboa no dia 25 de Abril, numa velha mercedes que o Carlos “descobriu” na Alemanha. Aqui há dias a sua mulher contou-me que ele lhe tinha telefonado do Quénia depois de uma penosa viagem em picadas de terra batida com a velocidade máxima a atingir os vinte, trinta quilómetros à hora. Perguntei-lhe como tinha corrido a parte do trajecto que o Carlos me dissera temer mais, a travessia da Etiópia e do Sudão e a resposta foi que tudo se passara sem percalços nem incidentes.  Hoje, soube que estavam em Moçambique e que têm um blogue onde vão postando o dia-a-dia da viagem.

É esse blogue que quero apresentar aos leitores do Aventar. Sigam o que resta da viagem e acompanhem-nos na estadia sul-africana. A vida de algumas pessoas é como certos filmes, são “Grandes Malucos” mas é “Tudo Bons Rapazes” com quem se pode sempre tomar “Um Chá no Deserto”. E, é claro, uma cervejinha fresquinha quando regressarem.

Bicicletas Jam Lisboa Porto e Trofa

Engarrafamento de bicicletas na confluência de várias ruas e avenidas de que ouvimos os nomes todos os dias na rádio e na televisão, calçada de carriche, marquês, icê dezanove, crel, auto-estrada de cascais, segunda circular, eixo norte-sul, vcê-i, icê vinte e quatro, avenida faria guimarães, caldas das taipas e a circular de guimarães, toda a cidade da trofa que é uma estrada só, castêlo da maia, as putas na paragem do autocarro na via norte, a rotunda da areosa aquela via rápida da costa de caparica para almada e a praça da portagem naquele ponte que já está paga quatro vezes. Há fila entre a saída de pina manique e o nó de benfica. Túnel do grilo marginal de cascais, acidente sempre mortal na recta do cabo. Nacional 3 no carregado. Carro parado na berma. eia…!

A destruição das cidades

Dizia Paulo Morais há cerca de um ano que “é evidente que as pessoas vão para os shoppings porque eles têm hoje as condições de urbanidade que as cidades já não lhes dão, onde há manutenção, onde há limpeza, onde há segurança, onde há parqueamente, etc., onde há vivencialidade urbana“.

Os excelentes trabalhos de Nuno Castelo-Branco aqui no Aventar e de Rui Valente no As Casas do Porto (de onde “roubei” a imagem que ilustra este post) são dois exemplos concretos do que se passa em Lisboa e no Porto, e de certeza que podiamos acrescentar exemplos de (quase) todas as outras cidades do país.

Os motivos que levaram a esta degradação que são habitualmente referidos são, por um lado a legislação que não apoia a renovação e incentiva a compra de casas novas e por outro a lei das rendas que continua a permitir que haja quem pague uns 5 euros por mês por uma casa.

Convém no entanto referir em relação ao segundo ponto que nem essa lei foi caso único no mundo já que outros países europeus a praticaram, nem ela se aplicou no país todo (só no Porto e em Lisboa) e não é por isso que os centros historicos de Gaia, Matosinhos, para dar dois exemplos que conheço, estão muito melhor que o do Porto.

Também o argumento da legislação, esse entrave que emperra toda a nossa sociedade e que aparentemente só se resolve com mais legislação, fica um pouco fragilizado quando olhamos por exemplo para Guimarães. Que lei especial conseguiram eles para a sua cidade que lhes permitiu uma renovação urbana elogiada por todos?

Acho que nenhuma, o segredo, segundo Souto Moura é que a reabilitação só se consegue com bons técnicos e com uma fortíssima vontade política, como houve por exemplo com a reconstrução do Chiado.

A Inês vai e vem de Falcon?

Vamos pagar, era certinho como o destino, está decidido, a Inês de Medeiros tem direito às deslocações nos fins de semana  a Paris, onde reside. Mas se reside em Paris como é ela deputada por Lisboa?

Isto dá para tudo, não se peça lógica ou racionalidade aos políticos,  isto chegou a um Estado (com letra grande?) que já perdeu a vergonha ! Não há regras, nem leis, nem fundamentos, nem nada, o que há é a prepotência de quem quer, pode e manda! Já agora seria melhor não a fazer perder tempo nos aeroportos, o falcon é porta a porta.

Não há dinheiro para os funcionários, nem para os idosos, muito menos para os doentes. Demagogia ? Pois, demagogia de quem paga tudo e mais alguma coisa e um dia destes vai preso por se indignar!

Já estivemos mais longe de nos virem buscar a casa! Mas não vai ser de Falcon!

A Espuma dos Dias

Ontem foi um dia intenso. Em menos de 10 horas fiz pouco mais de 600km o que não me permitiu dar a devida atenção ao Aventar. Mas fiquem os aventadores a saber que, mesmo assim, estive a trabalhar igualmente para este espaço através do “recrutamento” de mais-valias.

Entretanto, pelo caminho, fiquei a saber que ganhei mais uma medalha. Sim, quando nos atacam anonimamente é mais uma medalha que se ganha e a demonstração da importância que, pelos vistos, temos e nem sabemos. Antes assim. Como disse no Facebook, “não expliques, os amigos não precisam e os inimigos não acreditam“. Eu gosto muito e prezo ainda mais os meus amigos mas tenho um certo gozo pelos inimigos que vou coleccionando. É sinal que não sou indiferente. E como isso nos sabe bem. Freud e os seus companheiros explicam.

Ora, ontem foi dia de jantar em Lisboa com amigos, com companheiros “de luta”, e o reconhecimento de um trabalho bem feito. No fundo, nunca se pensa nestas coisas quando se está empenhado a trabalhar, mas neste estranho país é tão raro reconhecerem o nosso trabalho (e aqui nosso significa colectivo, pois fomos um grande colectivo) que quando o fazem ficamos sem palavras.

E hoje segue-se mais um encontro e jantar de amigos naquele que será um regresso a uma casa onde passei dias felizes e que, por força de inúmeras circunstâncias, deixei abandonada por meia dúzia de anos. Lentamente, regresso. Calmamente. Definitivamente.

É a espuma dos dias.

Como Se Fora Um Conto – Na capital do País que um dia foi um Império

“Assim, tratei dos papeis, tomei as vacinas, fiz as malas e rumei à capital.”

Quem me conhece saberá, por certo, o quanto me terá custado esta viagem. Ou melhor dizendo o quanto me terá custado aceitar fazê-la.

Isto de descer a sul de Coimbra tem sido, nos últimos anos, uma impossibilidade para mim. No entanto, depois de mais de três lustres, lá me decidi a aceitar a ideia de ir até lá, e mais do que isso, ficar para o dia seguinte.

Porém, antes de mais, tenho de me desculpar perante os amigos que por lá tenho. Alguns, que antes de o serem já o eram, e outros, que antes de o serem já o são. A Maria, o Luís, os Carlos, o Nuno, para só citar aqueles com quem mantenho um maior contacto, entenderão, tenho a certeza, o meu silêncio e o secretismo da viagem, que foi decidida em cima da hora e teve como objectivo curar alguns pequenos males familiares, e uma tristeza em mim instalada. Outra oportunidade haverá.

Assim, decisão tomada, tratei dos papeis, tomei as vacinas, fiz as malas e rumei à capital. [Read more…]

Uma Marina na Capital

Do meu quarto, via-se assim

Descobrimentos

Violência em alvalade!

Depois de um almoço na Ericeira com a água a beijar-me os pés rumei a Alvalade. onde encontrei violência à solta, por causa da boca do dirigente do Sporting que quer os adeptos a receberem mal o Simão.

Uma multidão, tudo à porrada, e ainda tinha que pagar 25.00 Euros. Não estive para apertos, iniciei um passeio a pé e dei comigo à porta do Museu da Cidade. Um palácio lindo, jardins maravilhosos com a arte de Bordalo Pinheiro, quadros, azulejos, manuscritos, estátuas, desenhos e arquitectura de Lisboa centenária (noutra altura vou contar)

E o faccioso trocou a loucura clubistica pela pacatez e beleza do museu. Saiu-me a sorte grande, belo fim de tarde.

Red Bull: Eh eh, Lisboa não tem dinheiro?

in i.olhares

Então não ia ser em Lisboa? Então o retorno do investimento já não estava totalmente assegurado?
Então vai ser no Porto a que propósito?
Eh eh, Lisboa não tem dinheiro?
Bem, lá vou ter de levar outra vez com aquele barulho irritante dos aviões…

O Terramoto de 1755 e a cultura europeia da época

Em textos anteriores, vimos já que se perdeu muita coisa importante no Terramoto de 1755 – os seis hospitais da cidade, incluindo o de Todos-os-Santos, 33 palácios da grande nobreza, o Palácio Real, a Patriarcal, o Arquivo Real, a Casa da Índia, o Cais da Pedra, a Alfândega palácios, igrejas, bibliotecas, a faustosa Ópera do Tejo, inaugurada sete meses antes… Na «Gazeta de Lisboa» do dia 6 de Novembro, afirmava-se que «O dia primeiro do corrente mês ficará memorável pelos terremotos e incêndios que arruinaram uma grande parte desta cidade». Diga-se, de passagem, que a «Gazeta» nunca interrompeu a sua publicação devido ao sismo, constituindo uma importante fonte de informação sobre o que aconteceu. Vimos já, como dizia, o que se perdeu, relação enriquecida com um excelente comentário do aventador Nuno Castelo-Branco.

O que se ganhou, também sabemos: uma cidade nova, muito moderna para a época em que foi construída e, pormenor importante, edificada de acordo com um sistema anti-sísmico – a famosa estrutura flexível de madeira dos edifícios, «em gaiola». Como disse José Augusto França, a nova Lisboa saída do inspirado traço de Eugénio dos Santos, surge como uma autêntica «cidade das luzes», uma obra emblemática do espírito do iluminismo. [Read more…]

A Revolta de Fevereiro de 1927 – Lisboa – a «Revolução do remorso» (Memória descritiva).

A partir de 5 de Fevereiro de 1927 começaram a verificar-se em Lisboa greves e agitação nos meios operários, solidários com os revoltosos do Porto. Os trabalhadores, pelo menos os mais politizados, sentiam-se revoltados com a imobilidade dos militares que, sabendo o que se estava a passar no Porto, salvo raras excepções, se mantinham nos quartéis. Operários socialistas, anarquistas, comunistas, de uma forma geral, organizados na Confederação Geral dos Trabalhadores, incitaram os militares a sair para as ruas.

Na verdade, o que estava planeado era que, 12 horas depois do levantamento militar do Porto, a revolta deveria eclodir em Lisboa, onde as unidades militares apoiadas por civis enquadrados pelas organizações operárias e democráticas, deveriam boicotar o envio de reforços às tropas governamentais no Norte, e imobilizar o aparelho militar e repressivo, dando tempo a que se consolidasse a situação no Porto o movimento se estendesse a unidades de outras regiões. Nada disso aconteceu [Read more…]

As interpretações dadas, na época, às causas do terremoto de 1 de Novembro de 1755 #3

Comunicação apresentada à Classe de Ciências da Academia das Ciências de Lisboa, na sessão de 29 de Outubro de 1987 pelo Académico efectivo Rómulo de Carvalho (também conhecido como António Gedeão).
Continuação daqui

Analisando as opiniões dos diversos autores setecentistas sobre a génese dos terramotos, recolhe-se a impressão de que todos eles dizem a mesma coisa embora, na aparência, se mostrem em discordância entre si, desfavorecendo certos pormenores e enaltecendo outros. Na verdade reconhece-se que é o fogo que em todas as teorias expostas se apresenta como o elemento indispensável à eclosão do abalo de terra, ou actuando directamente ou inflamando as terras combustíveis ou vaporizando a água ou dilatando o ar. Acreditava-se na existência de um fogo, contido nas tais cavernas denominadas pirofilácios, que poderia comunicar, através de uma rede de canais subterrâneos, com as cavernas onde se continham os outros elementos, e nelas provocar os seus efeitos. Mas, que poderia ser esse fogo? Não seria ele o próprio Inferno de que fala a Sagrada Escritura? Veríssimo de Mendonça, irmão do autor da História Universal dos Terremotos, não tem hesitações a esse respeito: «He sem duvida,» – escreve – «que no centro da terra há o fogo do Inferno, que tantas vezes nos lembra a Escriptura Sagrada. E ainda que este fogo seja destinado para o tormento das almas dos condemnados, e eterna satisfação das Divinas offensas, sempre he verdadeiro fogo, e da mesma natureza, que o elementar; bem que pela matéria sulphurea, e betuminoza seja mais denso, e abrazador». [Read more…]

As interpretações dadas, na época , às causas do terremoto de 1 de Novembro de 1755 #2

Comunicação apresentada à Classe de Ciências da Academia das Ciências de Lisboa, na sessão de 29 de Outubro de 1987 pelo Académico efectivo Rómulo de Carvalho (também conhecido como António Gedeão).

Continuação daqui

O terramoto de 1755 deu origem a grande número de escritos que imediatamente vieram a público e em que os seus autores procuraram interpretar as causas do acontecimento. É interessante notar-se que tendo a cidade de Lisboa ficado praticamente destruída, logo as tipografias surgiram do caos para se entregarem à composição e à impressão dos textos que lhes eram apresentados para o efeito. Não é uma só mas diversas oficinas tipográficas lisboetas que recomeçam de imediato o seu labor tão tragicamente interrompido, o que se explica pelo hábil aproveitamento de uma oportunidade excepcional de comerciar colocando nas mãos do público, fortemente sensibilizado, notícias do terramoto. Poderíamos citar cerca de quatro dezenas de trabalhos escritos sobre o sismo, publicados em 1756. O interesse público por tais trabalhos prolongou-se até ao fim da década dos anos sessenta. [Read more…]

As interpretações dadas, na época , às causas do terremoto de 1 de Novembro de 1755 #1

Comunicação apresentada à Classe de Ciências da Academia das Ciências de Lisboa, na sessão de 29 de Outubro de 1987 pelo Académico efectivo Rómulo de Carvalho (também conhecido como António Gedeão).

Em 1 de Novembro de 1755, pelas nove horas e três quartos da manhã, começaram a sentir os habitantes de Lisboa, com espanto e angústia, que o chão lhes tremia por debaixo dos pés. O tremor fora antecedido de um ruído tumultuoso que vinha do interior da terra e que, por si só, não seria assustador, de acordo com a descrição de um contemporâneo que o comparou ao «de muitos coches correndo». E acrescenta: «de modo que os que estávamos na Igreja da Senhora das Necessidades, onde os Soberanos costumão ir aos sabbados, julgámos que chegava Sua Majestade».

Em breves instantes o tremor, que se iniciara por uma sacudidela lenta, cresceu com grande intensidade. As paredes dos edifícios começaram a dar de si, a estalar, a abrir fendas e em breve se desmoronaram abatendo-se sobre as pessoas que alucinadamente fugiam de suas casas, correndo pelas ruas. Era um sábado, e dia santificado, dia de Todos-os-Santos. Por ser dia de especial devoção, e por ser de manhã, estavam as igrejas a transbordar de fiéis que assistiam às missas, o que foi causa de grande mortandade. As pedras das abóbadas dos templos, as colunas dos altares, as paredes em redor, abateram-se abruptamente sobre as pessoas desvairadas e indefesas, erguendo nuvens de poeira que sufocavam os poucos que ainda conseguiam fugir a tempo. [Read more…]

O grande terramoto de 1755

O sismo que conhecemos como o Terramoto de 1755, é por muitos considerado como o maior sismo de que há notícia histórica. Lisboa, por ser a mais importante cidade atingida, deu-lhe o nome, mas o abalo foi sentido com violência também no Algarve, no Sul de Espanha e em Marrocos. Sem causar prejuízos, sentiu-se em toda a Europa, nos Açores e na Madeira. Para Norte de Lisboa, a intensidade foi sendo menor, embora registando-se danos em Alenquer, Torres Vedras e Óbidos.

Em Lisboa, no dia um de Novembro, um sábado, o tempo estava quente para a época, atribuindo-se essa circunstância a uma antecipação do Verão de São Martinho. A temperatura andava na ordem do 14 graus centígrados. Em 31 de Outubro a maré atrasara-se mais de duas horas. A hora a que o sismo teve início é objecto de alguma controvérsia, podendo ser calculado entre as 9,30 e as 9,45. [Read more…]