Sou Contra a Justiça Popular

… mas sou permissivo à abertura de excepções.

A directora Conceição Bernardes é um tumor do ensino em Portugal

A directora do Agrupamento Dr.ª Laura Ayres, Quarteira, decidiu cobrar o pagamento de refeições em atraso suspendendo o almoço de crianças e deixando-as assistir ao almoço dos colegas. Por uma dívida de 30 euros falamos da completa violação de tudo a que um professor está obrigado pelos seus deveres profissionais, já não falando nos mínimos da cidadania.

Se ainda existe Ministério da Educação (o que com os cortes reais no orçamento é duvidoso), ainda hoje Conceição Bernardes terá um processo disciplinar e em breve engrossará a fila dos desempregados. Não me peçam razões jurídicas para o fazer, é um dos casos em que se não as há que se inventem, as pedagógicas chegam-me perfeitamente. Um país que tem uma Conceição Bernardes à frente de estabelecimentos de ensino bateu no fundo.

Quanto vale um professor?

No dia em que será apresentado o orçamento que empobrecerá os remediados e levará os pobres à miséria, deixo aqui um texto aparentemente corporativista, sendo que as aparências nem sempre iludem, não sendo menos certo que são insuficientes.

Os aprendizes de economista que parasitam o governo do país têm o hábito de confundir os rendimentos que os professores auferem com despesa, enchendo a boca com a necessidade de reduzir custos. Os referidos aprendizes olham para o professor e perguntam “Quanto custa?” Depois, pressionados pela necessidade de reduzir um défice e incapazes de o fazer pelo lado das PPPs ou da nacionalização dos prejuízos bancários, pegam no salário do professor e cortam, porque é despesa.

Mesmo em tempos de crise, todos conseguimos reconhecer quando um produto está a preço de saldo. Sabemos isso, quando somos capazes de dizer “Isto está muito barato!” Nessa ocasião, sempre que podemos, compramos, aproveitando o facto de que o objecto da compra custa menos do que aquilo que vale. [Read more…]

Crato a brincar com a vida dos outros

Ministério da Educação recua na questão dos exames do 12.º ano.

Deve ter percebido que ia perder em tribunal.

Podem sempre pedir um parecer à Sérvulo & associados

Supremo confirma que nota de cobrança de IMI não cumpre a lei

Roubar no ensino público para dar ao privado

Este é o bom governo de Portugal:

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) vai continuar a pagar 85 mil euros por turma às escolas do ensino particular e cooperativo com as quais tem contrato de associação.

Palavras para quê? Os donos dos colégios são pobres, precisam da solidariedade do estado, e Nuno Crato é um homem de bom coração. Tão bom que ainda dá um bónus, depois de ter aumentado esta verba o ano passado. Tão caridoso que esquece o que está no memorando da troika.

Já agora sempre gostava de saber qual o número mínimo de alunos destas turmas…

José Hermano Saraiva

Morreu o historiador. Uma oportunidade de o conhecer melhor, não obstante os «baldes de àgua fria» que às vezes apanhamos por sermos novos e não sabermos «da missa metade».

Aqui fica um exemplo de como sabemos muito pouco da nossa História (admito, mas quero aprender, com humildade).

Foi também advogado, professor do ensino liceal e ministro da Educação. É sobre este cargo que fui à procura de informação na História do Ensino em Portugal de Rómulo de Carvalho (António Gedeão), editada pela F.C.G., obra de referência: J. H. Saraiva esteve no poder enquanto ministro da Educação durante ano e meio, sucedendo a Galvão Teles.  Segundo Carvalho, Saraiva viu-se envolvido numa luta incómoda com a Academia de Coimbra:”É uma história quase anedótica mas que merece ser citada, pois teve papel preponderante no processo de renovação do ensino que então se pretendia executar.”

Um episódio triste, uma vez que foram feitas detenções a estudantes (Alberto Martins – ex-Ministro da Justiça entre 2009 e 2011-, o estudante que contestou publicamente o Governo de que José Hermano Saraiva fazia parte), violências foram praticadas, proibições aos estudantes de continuarem a estudar na Universidade, etc.

Por aquilo que me deu conhecer, J.H.S. terá, em Abril de 1969, reorganizado o Instituto de Meios Audiovisuais, de que fazia parte a Telescola. Não me consta nada mais de significativo, a partir da leitura daquela obra.

Apesar do episódio que Rómulo de Carvalho refere, não deixo de admirar o comunicador e o amante da nossa História, que foi José Hermano Saraiva. Isso ainda não vi em mais ninguém…Teremos outro?

Um homem não é só o seu passado!

Se o Ministério da Educação fosse uma pessoa, seria viciado em drogas duras

O João Paulo, recentemente, chamou a atenção para o facto de que não é aceitável ou compreensível uma empresa da dimensão do Ministério da Educação não ter, ainda, o próximo ano lectivo completamente organizado.

O Paulo Prudêncio, nas centenas de textos que já escreveu sobre gestão escolar, ainda não se cansou de repetir que um ano lectivo tem de estar preparado com vários meses de antecedência, continuando, ainda, a insistir na importância de um valor como a estabilidade, nomeadamente no que se refere à produção legislativa. [Read more…]

Alguém no Ministério da Educação não está a ver bem a coisa

Alertado pelo Arlindo, fiz umas perguntas durante a tarde, e passo a explicar: hoje sem mais nem ontem o Ministério da Educação avisou os Directores das escolas de que têm até sexta-feira para declararem quantos professores não vão ter horário no próximo ano.

Ora sei de escolas que começaram as matriculas hoje e as têm marcadas até 6ª feira, novos agrupamentos que ainda não têm Comissão Administrativa Provisórias, isto já para não falar de escolas onde ainda não está decidido se as aulas vão ser de 45 ou 50 minutos, de este ano as matrículas não serem obrigatoriamente na escola de residência (o que em algumas cidades levará a muita mudança), e ainda arranjava aqui uns etceteras, mas chega.

Note-se que no caso dos novos agrupamentos ainda sem CAP o que este prazo provoca vira-se contra a intenção de através dos muito mega agrupamentos se pouparem horários…

Donde e há falta de melhor argumento o melhor é o Gaspar das finanças meter esta gente na ordem e mandar prolongar o prazo. É certo que pessoalmente me dá jeito, mas a poupança da pátria acima de tudo.

Não mudaram de assessores jurídicos

no Ministério da Educação. Ou então agora o estado é o Crato.

O despacho revogado antes de feito

Acabada de publicar a revogação de uma coisa que sairá em Agosto. No Ministério da Educação não se brinca em serviço; prepara-se o futuro com rigor e perfeição.

Nos próximos dias os professores portugueses vão revogar mentalmente o governo (tirando os adesivos do costume). É que isto de ganhar menos e trabalhar mais, sendo certo que já estamos habituados, tem limites. Quero ver as sondagens, quando isto for percebido, engolido e digerido pelas vítimas.

Para quem está de fora ter uma ideia, soube disto por mail sindical só uma hora depois de circular nos blogues dos zecos. Um fenómeno.

Detalhe via Ricardo Montes.

Honra aos Conselhos Gerais das Escolas de Gaia!

Gaia: DREN acusada de violar lei na agregação de escolas, visada nega

Comunicado Dos Presidentes Dos Conselhos Gerais Das Escolas Agrupadas E Não Agrupadas Do Concelho De Vila Nova de Gaia

A simples ideia de fundir escolas, sempre com intuitos meramente financeiros, é, em si mesma, vergonhosa, contrária à proximidade que a comunidade escolar deve cultivar entre aqueles que a constituem. Como se isso não bastasse, o processo fingidamente democrático imposto pelo Ministério da Educação acrescenta vergonha à vergonha.

O Conselho Geral foi um dos muitos monstros criados por Maria de Lurdes Rodrigues para retirar poder aos professores. Ainda assim, como muitas más ideias, há quem saiba utilizá-lo em defesa da comunidade.

Estão de parabéns os conselhos gerais das escolas de Vila Nova de Gaia, porque souberam transformar-se em instrumentos a favor da Educação. Esta atitude torna ainda mais escandaloso o silêncio cúmplice dos conselhos gerais do resto do país.

Insisto: um dos grande problemas da Educação em Portugal é a abstenção quotidiana. Quando os cidadãos deixarem de se abster, em favor do bem comum, os governos serão obrigados a mudar.

Acordo Ortográfico: erro no “dictado”

O texto comentado já tem uns anos, mas serve para ilustrar alguns dos mitos criados pelo Acordo Ortográfico, que continuam em vigor.

Em declarações a este portal, Carlos Alberto Xavier, então assessor especial do ministro da Educação do Brasil, defendeu o Acordo Ortográfico:

Para facilitar a cooperação na África e no Timor, por exemplo, é fundamental essa ‘universalização’. Não dá para uma professora dizer ‘dictado’, seguindo um livro de Portugal e ‘ditado’ quando utilizar um livro do Brasil.

Não comento a possível insinuação machista ou feminista que reserva a docência às mulheres, mas a verdade é que um assessor especial de um ministro da Educação que queira pronunciar-se sobre as diferenças ortográficas não pode cair no erro de afirmar que em Portugal se escreva “dictado”.

Para além disso, seria interessante que o mesmo assessor especial do ministro da Educação explicasse o que deve fazer “uma professora” quando, após a aplicação do AO, deparar com diferenças como antônimo (Brasil)/antónimo (Portugal) ou recepção (Brasil)/receção (Portugal). Aproveitando, ainda, o texto do portal em que surgem estas declarações, o que deverá a mesma professora quando tiver de escolher entre registro (Brasil) e registo (Portugal)? Finalmente, como é possível uma professora conviver com expressões como “no Timor” (Brasil) e “em Timor” (Portugal)?

Quanto à afirmação de que “a existência de duas ortografias oficiais dificulta sua capacidade de difusão internacional.” seria importante que o assessor especial do ministro da Educação tivesse explicado como conseguiu o Inglês atingir essa mesma capacidade, tendo em conta tantas diferenças também ortográficas.

É, ainda, curioso confirmar, no mesmo texto, que o AO deveria ter sido ratificado por oito países, mas, para “agilizar a aprovação”, permitiu-se que o número passasse para três, o que não é mais do que a universalização do chico-espertismo, essa característica tão portuguesa.

A Prevaricadora Maria de Lurdes Rodrigues


Ao contrário do Pedro, não tenho qualquer problema em comentar casos que estão a decorrer nos Tribunais.
Neste caso concreto, a verdade é que Maria de Lurdes Rodrigues foi constituída arguida há alguns meses pela sua actuação enquanto Ministra da Educação e agora vai mesmo ser julgada por Prevaricação.
O caso deu muito que falar à época e é de fácil explicação. Em 2005, Maria de Lurdes Rodrigues, através de um Ajuste Directo, assinou com João Pedroso, irmão do deputado do PS Paulo Pedroso, um contrato pelo qual o Minsitério pagou quase 300 mil euros. O objecto do contrato era a compilação e sistematização das leis relativas à Educação. Dado que esse contrato não foi cumprido, o Ministério celebrou um segundo contrato com João Pedroso, também milionário, para que pudesse terminar o trabalho. Voltou a não cumprir e desta vez o Ministério exigiu-lhe a devolução de metade do valor pago. Afinal, o trabalho milionário não passa de um conjunto de fotocópias de Diários da República, armazenadas em caixotões de uma cave da 5 de Outubro e nunca utilizadas. [Read more…]

Podem estar certos de que estão errados

Por SANTANA CASTILHO*

O ministro da Educação referiu a revisão da estrutura curricular que concebeu como um primeiro passo de alterações mais profundas, que ainda irão ser estudadas. Quando fixou horas de leccionação antes de estabelecer metas e programas, errou. Agiu como um curioso. Mas a este erro técnico, grave, acrescenta-se um erro político de base, bem maior: Passos Coelho teve um discurso e um programa para a Educação até pouco tempo antes das eleições.
Era um todo coerente, servido por uma política que acomodava as imposições financeiras da troika, a breve prazo, sem sacrificar uma via de desenvolvimento estratégico, a médio e longo. Estava alicerçado em estudos sólidos e fundamentados, financeiros e pedagógicos, e tinha uma visão política de profunda mudança estrutural.
Mentindo aos professores e mentindo ao país, Passos Coelho abandonou esse programa e assumiu a Educação como mero adereço do xadrez contabilístico em que se move. A montante das intervenções casuísticas que têm sido feitas, os verdadeiros problemas jazem na paz dos anestesiados.
Vejamos um exemplo. Sabemos que, até agora, cerca de metade dos alunos que terminam o 9º ano se “perdem” pelo caminho e não concluem o 12º. Mas este ano vão chegar ao ensino secundário os primeiros a quem se aplica a escolaridade obrigatória de 12 anos. Significa isso que duplicará o número daqueles que se vão “arrastar”, algures, entre o 10º, 11º e 12º anos.
Será um desastre nacional manter coercivamente no sistema quem não quer estudar mais. [Read more…]

Coitus Interruptus

Senhor ministro da educação,

Imagine que lhe prometem um prémio (por exemplo, uma reforma antecipada por bons serviços prestados ao Bem da Nação) se atingir determinado objectivo à frente do seu ministério. Por exemplo, se conseguir aumentar o nível de credibilidade do sistema de ensino, o Estado entrega-lhe um prémio (qualquer, ainda que de valor pouco mais que simbólico) em mãos, numa cerimónia perante a comunidade escolar.

Volvido todo um ano de empenho, esforço e expectativa, o senhor ministro sai de casa, apanha o transporte público para chegar à escola que o viu dedicado durante todo o ano lectivo já vencido; sai de casa animado porque vai receber um prémio prometido e merecido porque cumpriu e até superou objectivos.

O senhor ministro da educação entra na escola para receber o prémio e descobre que um ministro da educação, que ali está para lhe entregar o merecido prémio, deliberara entretanto suspender a entrega dos prémios já conquistados no ano lectivo anterior.

Como se sentiria o senhor ministro?

Português Língua Não Materna – mais um disparate do Ministério da Educação

O que está a passar na minha escola deverá ser igual ao que acontece em muitas outras. Durante os últimos dois anos, nos 10º e 11º anos, uma aluna estrangeira frequentou a disciplina de Português Língua Não Materna, tendo direito a três blocos de noventa minutos que ficavam a cargo de um professor. Quando a aluna julgava, legitimamente, poder contar com mais um ano nas mesmas condições, eis que “esclarecimentos” vindos da DGIDC atiram com a referida aluna para uma turma de Português de 12º, criando uma de duas situações: ou a aluna fica sujeita ao programa de Português de 12º, para o qual não está preparada, sendo que, ainda por cima, irá realizar o exame de Português Língua Não Materna, ou o professor da turma será obrigado a leccionar duas disciplinas ao mesmo tempo, o que não faz sentido, ainda para mais, em ano de exame nacional. Segundo as referidas instruções, só seria possível formar uma turma de Português Língua Não Materna, caso houvesse, na escola, um conjunto de dez alunos estrangeiros, independentemente de estarem ou não no mesmo nível, o que também teria a sua graça, em termos pedagógicos.

Os responsáveis por ter criado esta situação quiseram apenas poupar dinheiro, com a habitual insensibilidade dos burocratas de gabinete e baseados naquilo que, de acordo com a terminologia do Ministério da Educação, se designa por “As escolas que se desunhem!”. Neste caso, haverá um professor que irá dar apoio à aluna, resolvendo, à custa do seu tempo particular, uma situação que nunca deveria ter sido criada, se vivêssemos num país civilizado. Para os burocratas, ter um professor ocupado apenas com uma aluna estrangeira durante três blocos de noventa minutos semanais constitui um gesto demasiado humanista. Era o que faltava permitir que uma sociedade receba as crianças estrangeiras como gostaria de ver os seus filhos recebidos em terras alheias.

(leitor devidamente identificado)

Limite

Estamos de volta. O ME passou os limites – hoje, em muitas escolas do nosso país, há alunos que ficam sem apoios, sem clubes, sem aulas para se tratar da trapalhada da avaliação. Agora que o ME passou o LIMITE sagrado do trabalho com os alunos, estamos de volta…

Educação: ainda a influência do meio socioeconómico

Aqui há tempos, alguns aventadores manifestaram a sua perplexidade relativamente a uma espécie de estudo que, com base na análise de resultados de exames de 12º ano, chegava à conclusão de que cabia à Escola 70% da responsabilidade do sucesso dos alunos, ficando os restantes 30% a cargo de tudo o que fosse exterior à Escola, incluindo, portanto, o meio socioeconómico das famílias dos alunos.

Numa outra polémica que também passou aqui pela casa, alguns de nós referiram que o sucesso de muitas escolas privadas está ligado à selecção de alunos, com o estatuto socioeconómico a ter grande influência na respectiva vida escolar. Entre alguns comentadores levantou-se um pé-de-vento, vendo nisso a afirmação simplista de que ser pobre era o mesmo que ser burro. [Read more…]

Pedro Adão e Silva junta-se aos Gato Fedorento

Vale a pena ler com atenção a crónica de Pedro Adão e Silva, publicada hoje no Expresso, acessível a todos nós, graças aos bons ofícios do Paulo Guinote. Só vos digo isto: adivinha-se a substituição dos Magalhães pela Playstation. Para além disso, será possível acabar com o Ministério da Educação, despedir os professores e, até, dispensar os pais. Não riam, que o rapaz escreveu aquilo a sério. Vá lá, a sério!

As transferências do Ministério da Educação para as escolas privadas

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Na Declaração n.º14/2011, de 17 de Janeiro, o Ministério da Educação publica as transferências efectuadas para diversas entidades ligadas ao ensino, a maior parte das quais colégios e externatos privados. Ali, há de tudo: contratos de associação, contratos simples, contratos de patrocínio, contratos de desenvolvimento, contratos-programa e por aí fora. E há colégios que se inscrevem em várias destas rubricas ao mesmo tempo.
Há casos que se compreendem e outros que não. No segundo semestre de 2010, em Lisboa, o Colégio de S. João de Brito recebeu do Ministério da Educação mais de 700 mil euros; o Colégio Mira-Rio mais de 36 mil euros; o Colégio Valsassina quase 25 mil; no Porto, o Colégio Paulo VI recebeu mais de 740 mil + 36 mil euros + 236 mil (?); o Colégio dos Cedros, instituição da Opus Dei que só admite rapazes, mais de 33 mil; o Colégio Luso-Francês e o o Colégio de Nossa Senhora do Rosário, na zona mais rica da cidade, quase 90 mil e 60 mil, respectivamente; o Externato Ribadouro, onde os alunos vão para subir as notas no Secundário, quase 25 mil; o Colégio Liverpool e o Colégio de Nossa Senhora da Esperança, duas das piores escolas do país, 130 mil e 120 mil euros respectivamente.
Alguém me explica estes números?

Ainda o sucesso dos alunos

A jornalista Bárbara Wong, autora da notícia aqui comentada, teve a paciência suficiente para responder à crítica/provocação que deixei no Educar em Português, de que é co-autora. Devo dizer que não li apenas a edição on-line.

Mantenho a crítica de falta de trabalho jornalístico, porque não é questão de somenos conhecer o currículo das autoras do estudo, entre outros aspectos. O texto limita-se a indicar em que Universidade trabalham. É pouco. O facto de Cláudia Sarrico ter feito parte do grupo de trabalho que preparou a avaliação externa das escolas não me deixa mais descansado, pelo que explicitarei a seguir

As escolas confrontam-se com vários problemas resultantes das ideias que circulam pelos meios políticos e universitários que presidem às políticas educativas. O pouco que conheço deste estudo leva-me a entrever duas dessas ideias: a imposição acrítica de conceitos vindos das áreas da gestão e da economia e, sobretudo, a diminuta influência da origem social nos resultados escolares. [Read more…]

GAVE & PISA

COMO SE FORA UM CONTO

Há por aí algumas coisas que me baralham.

Sendo pai de vários filhos, em diversos sectores etários, vejo-me confrontado com diversas realidades. Uns, os mais velhos, são já formados, estão empregados, ganham mal, mas vão sendo dos que, privilegiados, arranjaram trabalho remunerado nestes dias tão difíceis. Um outro, já no segundo ano da faculdade, é um aluno quase brilhante, pelo menos se comparado com os seus pares. O mais novo, actualmente no sétimo ano de escolaridade é um aluno médio/bom. São pessoas que sabem falar sobre qualquer assunto, dependendo do nível da sua formação e que não dão pontapés na gramática Portuguesa. Para tal, tive ao longo dos anos, uma especial atenção à forma como se expressavam, como escreviam e como elaboravam as suas ideias. A par disso, a minha atenção virou-se muito e também para a compreensão dos números. [Read more…]

Dantes já era mesmo a sério, mas agora é que vai ser mesmo mais a sério

Desde que criou a crise, o governo define a sua atitude mais ou menos assim: “nós sempre fomos muito rigorosos e justos e planeámos tudo muito cuidadosamente, mas agora é que vamos ser ainda mais rigorosos e justos e vamos planear tudo ainda mais muito cuidadosamente.”

Foi graças a uma capacidade de planeamento que atravessa todo o aparelho governativo que a Saúde conseguiu gastar 21 milhões em consultoria, em 2009, para exclusivo benefício de três empresas privadas de consultoria e gestão. Os estudos encomendados a estas três empresas, contratadas sem passar por concurso público, serviram apenas para o habitual: lucros privados e prejuízos públicos. [Read more…]

A nova imagem do site do ME é muito EVT…

Há ironias e ironias.
O Ministério da Educação, o tal que muda, muda, muda… sempre para pior, resolveu mudar de imagem.

Obviamente, o ME é livre de recorrer ao botox. Se até a Lili Caneças o faz…

A ironia está na imagem da página da Associação de Professores de EVT.

Para um Ministério que quer acabar com a disciplina, até nem está mal…

Arranque do ano lectivo – a confusão continua (ou contínua)…


O dia de hoje (8 de Setembro de 2010) é assinalado pelo Governo com o arranque do ano lectivo.
Ninguém estranha que o Primeiro Ministro apareça num centro escolar novo cheio de MG2 – a versão mais recente do Magalhães. É parte da herança Maria de Lurdes que continua bem presente quer pela presença do Sr. Secretário de Estado, Doutorando em Sociologia no ISCTE, quer pela ausência da Srª Ministra Maria Vilar.
A agenda educativa tem sido muito marcada pelas questões em torno da carreira dos professores e sobre essa será significativo dizer que desde 2004… nunca mais fui objecto de qualquer tipo de avaliação – Sócrates tomou posse em 2005 e até agora… zero! [Read more…]

O que o miserável Ministério da Educação está a fazer aos professores contratados

Não pode ser qualificado de outra forma senão desta: miserável. O que o Ministério da Educação, que por acaso é quem me paga, está a fazer aos professores contratados deste país ultrapassa todos os limites. Contratados inicialmente até 31 de Agosto, está a ser-lhes comunicado nesta altura que afinal o contrato não vai até 31 de Agosto e que terminou no momento da última reunião de avaliação.
Ou seja: assinas um contrato com uma entidade patronal até uma determinada data, mas de repente o patrão decide unilateralmente que o contrato vai terminar mais cedo. E avisa-te já depois dele ter terminado. E só te vai pagar até àquele dia. Qual direito a férias, qual direito aos prazos legais (aviso com uma semana de antecedência para contratos superiores a 6 meses), quais direitos laborais!
Num caso que me é muito próximo, a professora foi avisada que 5 dias antes, no dia exacto em que decorrera a última reunião de avaliação, o contrato tinha terminado. E ficou sem poder gozar férias porque o contrato acabou repentinamente. E por acaso estava em licença de maternidade.
Como é óbvio, os Sindicatos já entraram em acção.
Espera-se que algumas empresas privadas ajam dessa forma, aquelas de quem se espera tudo. Não se esperaria que fosse o próprio Estado a subverter desta maneira as regras do jogo. Há quem se esqueça que já foi professor, como a Ministra Isabel Alçada ou o director-regional do Norte, António Leite, que simplesmente ignorou as questões colocadas pelo Aventar – fosse um Encarregado de Educação a questioná-lo e o homem respondia no próprio dia.
É o mundo que muitos gostavam de ver concretizado. Trabalhadores sem qualquer direito e sindicatos simplesmente inexistentes. A Direita em todo o seu esplendor. Então não se vê, por este exemplo, como é forte a corporação dos professores?

P. S. – A propósito, na escola de um amigo, o funcionário encarregue dos vencimentos enganou-se no cálculo do vencimento de um professor e pagou-lhe 600 euros a menos. E agora? Pois, agora vai ter de esperar um mês para receber (sem juros) o que é seu por direito. E quem é que lhe vai pagar as contas durante o mês? Pois, os professores enquanto corporação são mesmo poderosos.

90% de chumbos ! E do grosso!

Na Ordem dos Advogados os candidatos a estagiários foram corridos a chumbo grosso!

Os alunos dizem que é assim porque a Ordem quer limitar o acesso à profissão. O bastonário diz que os alunos estão mal preparados!

E o que dirá quem passa a licença de abertura dos cursos e autoriza o número de vagas? O Ministério da Educação!

Em outros países decentes costuma funcionar o mercado, mas como o mercado não tem “mão invisivel” os interessados resposáveis regulamentam, analisam e verificam se andam a vender gato por lebre. Aqui quem se lixa é o aluno, o que tem menos força, não está organizado nem tem voz, atraem-no a um curso e depois verifica que o tão desejado curso não tem saídas profissionais.

E se estes alunos todos accionassem judicialmente o Ministério da Educação, exigindo compensações pecuniárias pelos prejuízos? E as Universidades? Seria que todos estes irresponsáveis não teriam mais cuidado em abrir cursos que sabem à partida não terem futuro?

Ou o melhor é os alunos inscreverem-se nas Juventudes partidárias?

Acim naum pode cer

(a propósito disto)

Cenhor premeiro menistro:

Tenho kinse anus e tou no oitavo anu e axo muinto enjusto esta envenssão da cenhora menistra de paçar para o déssimo anu purque tou cançado da escola e kero ir kurtir cos meos amigus cem ter tpsês e eças tretas a xatiar. Com kinse anus devião dar um deploma há jente e prontos, deichavão a jente em pás a kurtir na boa emvês de irmos otra vês para a escola apanhar ceca. tãobem pudião dar um subecidio há jente para tar na boa envês de cermos obrigadus a gamar para mamar umas begecas e fomar umas brokas. Convenssa a cenhora menistra que acim naum pode cer e eu convensso o meu pai a vutar em ci e ponho uma coiza no facebok a diser bem do cenhor. Tá serto?

Obrigado

Kikas

Educação ou a vão glória de destruir um país

Há muito que o Ministério da Educação (?) trabalha mais para a estatística que para o futuro dos jovens e, claro, o futuro do país. Por entre algumas medidas positivas, aquela que foi a paixão de António Guterres foi desbaratada pelos seus camaradas de partido em nome dos números que surgem nos relatórios internacionais. Mas só mesmo os estrangeiros poderão ficar impressionados. Por cá, já percebemos que é tudo uma mentira.

Desde a contínua e progressiva perda de autoridade dos professores nas salas de aula, passando pela enorme vontade de pais de meninos minados quererem mandar na escola, continuando no facilitismo dos exames (sem falar das provas de aferição) e das avaliações (sem esquecer a celebre questão das faltas), e terminando nas fantásticas Novas Oportunidades que permitem fazer três anos de escolaridade em apenas um (e ganhar um computador portátil de presente, vá lá).

Terminando, não, porque agora o Governo quer dar aos petizes a oportunidade de fazer gazeta ao 9º ano, passando do 8º para o 10º. Diz o jornal i que para evitar a maçada de cumprir o 9º ano, os jovens lusos, graças aos inúmeros conhecimentos, terão de se autopropor às provas nacionais de Português e de Matemática do final do 3º ciclo, em Julho, e fazer os exames a nível de escola em todas as disciplinas do 9º ano. Já se imagina o terror dos adolescentes perante os perigosos exames que poderão enfrentar, atendendo aos exemplos recentes de exames.
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