Acerca das mensagens eróticas barradas

Depois de ler esta notícia do Público, fui consultar a lei e verifiquei que, segundo a “oitava alteração à Lei n.º 5/2004, de 10 de fevereiro [sic] (Lei das Comunicações Eletrónicas [sic]), alterando as regras do barramento seletivo [sic] de comunicações relativo a serviços de valor acrescentado baseados no envio de mensagem e serviço de audiotexto”,

O acesso aos serviços referidos no número anterior [“serviços que tenham conteúdo erótico ou sexual”] só pode ser ativado [sic], genérica ou seletivamente [sic], após pedido escrito efetuado [sic] pelos respetivos [sic] assinantes ou através de outro suporte durável à sua disposição.

Ao ler o número 4 deste artigo 45.º, lembrei-me de algo que escrevi há uns anos, acerca do mito da percentagem de palavras alteradas com o Acordo Ortográfico de 1990 — aproveito para repetir que lamento o aspecto, mas não tenho culpa.

Como se pode verificar, no número 4 do artigo 45.º, há quatro palavras afectadas pela base IV do AO90. Considerando que há trinta e uma palavras no número 4 do artigo 45.º , isto significa que o impacto do AO90 no número 4 do artigo 45.º é de 12,9%.

Apesar de haver quem escreva que “[n]a prática (…) 1,55% sofrem supressão destas consoantes”, é o próprio ILTEC a admitir que “[e]stes dados dizem respeito aos lemas (i.e., às formas de citação) do VOP, não equivalendo, por isso, ao número de mudanças nas formas flexionadas da nossa base de dados ou em textos”.

Post scriptumOntem, escrevi: “[e]speremos que o próximo – ou a próxima – MNE acabe, duma vez por todas, com esta vergonha“. Acabo de ler esta notícia. Se assim for, não nos esqueçamos: Nuno Melo votou contra.

Retractar-se-á Paulo Portas?

Com cê, evidentemente. Com cê. Sem cê.

“A vontade colectiva que não se verga nem desiste”

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Franz Kafka, Mann am Tisch, 1905 (http://bit.ly/12GjDdV)

Depois do ‘acto’ de Paulo Portas, desconfiei de um ‘projecto’ de Passos Coelho. Enganei-me. Ao abrigo da base IV do Acordo Ortográfico de 1990, consumou-se a supressão do cê de ‘projecto’. Contudo, o Governo é coerente, mesmo quando a crise institucional se instala. Depois do ‘acto’ de Paulo Portas, é evidente que o primeiro-ministro não poderia ficar atrás: colectivos e colectiva — apesar de *julho, *atual, *atuais e, claro, *projeto.

Quando levarem finalmente a cabo o tal “diagnóstico  relativo  aos  constrangimentos  e estrangulamentos na aplicação do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa de 1990”, não se esqueçam do Governo. Sim, deste.

Post scriptum: Parabéns, Franz!

E o próximo primeiro-ministro vai ser…

rui-rio
Depois de comprovada a falta de condições de Pedro Passos Coelho para continuar a liderar o Governo, nomeadamente devido à falta de uma base de apoio parlamentar maioritária, o Presidente da República resistirá a convocar eleições antecipadas. E tal como em Itália Mario Monti substituiu Berlusconi e na Grécia Lucas Papademos substituiu Georgios Papandreo, Cavaco Silva terá a tentação de escolher uma personalidade da área do PSD que garanta a continuidade da Legislatura até 2015.
Rui Rio é um economista com fama de rigoroso. Tendo estudado no Colégio Alemão durante 14 anos, ele próprio se considera meio alemão na defesa do rigor. Quem melhor do que um economista rigoroso meio alemão para acalmar os mercados e a Troika?
Rui Rio tem uma boa relação com o CDS-PP. Aliás, tem liderado nos últimos 12 anos uma coligação entre os 2 partidos que lhe valeu 3 vitórias eleitorais no Porto. No primeiro mandato, por ser minoritário, chegou mesmo a estabelecer uma aliança com o vereador da CDU, Rui Sá, que durou 4 anos.
Rui Rio é adepto de uma reforma profunda do regime político que envolva os vários Partidos portugueses. Isto soa a música para os ouvidos do Presidente.
Rui Rio tem um estilo e tem qualidades que são do agrado de Cavaco Silva e de alguns dos barões do PSD. De resto, foi um dos nomes falados para concorrer contra José Sócrates em 2009, tendo a escolha recaído na altura em Manuela Ferreira Leite, outra figura muito próxima de Cavaco Silva.
Todos sabemos como é que estas coisas funcionam. O país não aguenta eleições antecipadas nesta altura, os juros da dívida e a instabilidade, os prazos, o Orçamento de Estado e o conhecimento dos dossiers e por aí fora serão argumentos suficientes se não se quiser dar a voz ao povo. A verdade é que Rui Rio anda por Lisboa e nos últimos dias reuniu-se com o Presidente da República e com Paulo Portas. Não seria a primeira vez que o ainda Presidente da Câmara Municipal do Porto estaria no lugar certo à hora certa.

Gaspar escarrado, devíamos cuspir paralelos

Depois de Vítor Gaspar ter sido escarrado num supermercado, fico com pena de não cuspirmos granito.

Este é o momento

Uma demissão de sonho:

um Presidente, um governo e uma maioria.

peça de teatro procura autores

papagueno

Notas para uma peça de teatro plagiada a reescrever urgentemente… ajuda, precisa-se!

Batatinhas

“Estamos entregues a um grupo de irresponsáveis” — Freitas do Amaral

Teresa Guilherme

Vai estar em S. Bento a acompanhar, em directo, as saídas da casa.

Alice-no-país-das-maravilhas falou ao País

Alguém lhe pode explicar que o governo acabou?

Vamos aguardar com serenidade que todo o trabalho feito pelo governo não seja destruído do dia para a noite, pode ser? Ó meus amigos, chegar a um défice de 10.6% do PIB não é para todos! E os belos dos buracos dos swaps, da Madeira, das PPP, do BPN e do BANIF são para mandar para o lixo? E o desemprego? Vamos com calma.

Depois de um governo que tanto trabalhou a aprofundar a cova, o que faltava era agora virem  aqueles que trataram de a abrir. “Qual é a pressa?”

Nada disso! Até chegarmos ao outro lado do mundo ainda há muita buraco para abrir. Lá chegados, veremos então luz ao fundo do túnel. Coragem, que demissões são coisas de menina.

Façam uma oferta…

… E eu também vou fazer comentário político. No facebook, há duas horas.

Não me demito

E vocês?

Paulo Portas, na hora da despedida

Os falantes de português do Brasil estarão ainda a matutar no significado daquelas enigmáticas palavras de Paulo Portas: “ficar no Governo seria um acto de dissimulação”. Acto? Estranho. O que quererá dizer? Rimará com pacto e impacto? Por que motivo terá Paulo Portas escrito ‘acto’, utilizando “a norma lusitana, que teimosamente conserva consoantes que não se articulam”? E por que razão terá escrito ‘efetivamente’ e ‘julho’? Será que aquela mistura de grafias tem algo a ver com a criptografia de chave pública? Já agora, ainda não percebemos: afinal, Paulo Portas é contra, a favor ou abstém-se?

Post scriptum: Gostei da carta de ontem, divulgada pelo Fernando Moreira de Sá, principalmente porque havia sequências consonânticas para todos os gostos: as minhas predilectas, confesso, são o accumsan e o consectetuer — admito que não apreciei nem o luptatum, nem o option.

Paulo Portas 272013

 

E agora o ministro mais seguro

Seguro pelo PS, preparando nova coligação, Paulo Portas demitiu-se.

Paulo Portas demite-se

Parte sem ter resolvido o problema. Paulo Portas, não nos esqueçamos, era “completamente contra o Acordo Ortográfico”. Com Nuno Crato, já se sabe, não contamos.  Esperemos que o próximo ou a próxima MNE acabe, duma vez por todas, com esta vergonha.

Atenção, Atenção: Protejam as fotocopiadoras!

Portas demite-se do Governo

Não é um governo, é um gangue

Este governo é ridículo. É absurdo. É um disparate. É inacreditável que, quando podia, mediaticamente e apenas isso, dar uma ideia pequenina de alguma mudança política, eis que nos surpreende e troika Vítor Gaspar por Maria Albuquerque, que tem o condão de ter parte do país a pedir a sua demissão mesmo antes de ser ministra. Mas será que surpreende mesmo? [Read more…]

Em promoção

Paulo Portas passa a número dois do governo. Abriram os saldos de Verão.

“Não serei exaustivo…”,

diz ele.
Às tantas, após o que pareceram horas do seu mais chato e pernóstico discurso da época – o que não é dizer pouco – Paulo Portas afirmou: …”não serei exaustivo, mas…” e continuou.

Continuou. Interminável, irrelevante, demagógico, beato. Os canais noticiosos, abjectamente servis, transmitiram, integralmente e em directo – da sede do CDS, com direito a sigla no canto superior direito, onde costuma estar sinalizado o carácter violento ou pornográfico de um conteúdo – esta imensa homilia. E, no momento em que vos escrevo, continuam a transmitir. E o homem vai-nos garantindo que o CDS é a porção de paraíso do governo. Vem-me à memória aquela frase de Russel: “Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso de tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso”.

Mais Notícias da Horta (isto anda tudo ligado)

cavaco-lavoura

Mais Notícias da Horta

(versão integral)

via João de Sousa / ergoressunt

O Clube

António José Seguro e Paulo Portas chegaram hoje a Londres para encontro anual Clube Bilderberg, “instituição” que reúne a “nata” do mundo político, financeiro, militar e lobista em geral. Este Clube, composto por gente injustamente acusada de mexer todos os cordéis por trás de todos os eventos políticos e económicos relevantes no planeta Terra, vê-se forçado, devido a toda esta injustiça, a reunir à porta fechada, sem jornalistas (em sua representação estão os CEO’s dos principais grupos de comunicação social mundiais como Rupert Murdoch, esse arauto da informação isenta e de qualidade) e, regra geral, sob forte protecção das forças de autoridade do país anfitrião. Mas mesmo que fosse permitida a presença dos jornalistas no evento, a julgar pelo tipo de destaque mediático que estes encontros têm, o mais certo era que poucos marcassem presença. Afinal de contas, que interesse tem cobrir um encontro que reúne cerca de 150 dos principais players mundiais que tomam decisões por nós sobre quase todas as dimensões da nossa vida? Pffffff! Conspiradores… [Read more…]

Quem prejudica quem?

Portugal é um país especial – conta-se uma anedota e, como se diz por aqui, ´tá a andar de mota.danca Assim, se me permite, caro leitor, vou seguir essa máxima de grande sucesso:

Um tipo com problemas de Álcool, encontra um amigo muitos anos depois do último olhos nos olhos.  Conversa para aqui, comentário para ali e a pergunta:

– Então, meu, e com a bebida?

– Está resolvido! Agora só bebo dois tipos de vinho! Estou curado!

– A sério? Nem acredito! Que bom! E que vinhos são esses?

– Portugueses e Estrangeiros.

Sim, eu sei que os discursos do Gaspar são um bocadinho mais humorados que as minhas anedotas, mas vem isto a propósito das GREVES que os Professores têm em cima da mesa: avaliações de 7 a 14 de junho e a todo o serviço no dia 17 de junho.

Os comentadores, mesmo aqueles que são pagos pelo PSD para aparecerem na Blogosfera a comentar, alinham no discurso oficial que basicamente se resume a isto: os Professores são uns malandros, uns filhos da …, porque usam as criancinhas nas suas lutas. Claro que têm direito à luta, que a Greve é um Direito Constitucional (sabemos o quanto este PSD ama esta constituição!), blá, blá, blá, batatinhas.

E, nesse mesmo registo, pergunto: não são esses mesmo comentadores profissionais e seus financiadores que recorrem permanentemente às criancinhas para a fotografia nas campanhas eleitorais? [Read more…]

Greve às reuniões de avaliação

Diz Paulo Portas que a Greve dos Professores em dia de exame não deve acontecer porque:cartaz1

“prejudicam o esforço dos alunos, inquieta as famílias e também não é bom para os professores, que durante todo o ano escolar deram o melhor, para que aqueles alunos pudessem ultrapassar os exames”

Podemos, como mero exercício de retórica, considerar como válida a opinião do senhor Ministro, lembrando no entanto que a Greve que está marcada para dia 17 não é uma Greve aos exames – é uma paragem a TODAS as actividades docentes, estando convocados TODOS os professores e educadores, quer do privado, quer do Público.

Voltemos então à opinião Portista (esta saiu bem! só não sei se coloque o acento.):

– “Prejudica o esforço dos alunos”.

Pergunto:

– trinta alunos por turma ajuda?

– fim do estudo-acompanhado e da formação cívica ajuda os alunos?

– menos horas para apoio ajudam?

– alterações programáticas a meio do ano ajudam?

-…

E a lista poderia continuar, mas penso que será mais interessante colocar duas ideias em cima da mesa: os motivos e a Greve. [Read more…]

Eles estão com medo da greve

ColigaçãoO primeiro-ministro, de acordo com a SIC Notícias, “garante que não vai pôr professores efetivos na mobilidade especial.”   É claro que Passos Coelho se refere a efectivos, mas isso é outra questão. Muitos jornalistas insistem em usar o verbo “garantir”, quando, na realidade, só se sabe que alguém “declarou”. Como se isso não bastasse, é do conhecimento geral que, de qualquer modo, as garantias de Passos Coelho são enfeites eleitorais.

A mobilidade, prática usual no mundo do trabalho, é, nos dias que correm, um acto de pura e simples selvajaria, imposta cegamente por empregadores que se limitam a olhar para os empregados como peões de xadrez. É, aliás, importante, numa sociedade que de sociedade só tem o nome, lutar pela manutenção e recuperação de direitos laborais.

A mobilidade, no entanto, está longe de ser a única razão para que os professores lutem e seria bom que a classe deixasse isso claro: o problema está, também, nos milhares de profissionais do ensino que foram artificialmente colocados no desemprego, graças a uma série de medidas contrárias ao interesse dos alunos.

Paulo Portas, com o ar compungido de quem está a recitar a “Balada da Neve”, veio pedir aos professores que não façam greve, porque isso prejudicará os alunos, os pais e os próprios professores. É claro que Portas nunca perceberá que é o governo que está a prejudicar toda essa gente. [Read more…]

Fátima minha

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      Um caso de James Marlowe, Chico Nelo para os inimigos.

O meu nome é James Marlowe, embora toda a gente me chame Chico Nelo, porque fui baptizado Francisco Manuel. As pessoas não percebem que isso me pode retirar credibilidade como detective privado, mas velhos hábitos são difíceis de matar.

Aquele era um dia igual aos outros, talvez um bocado mais quente. O sol estava abrasador e, apesar do meu esforço por passar despercebido, as pessoas riam-se, quando passavam por mim, e algumas chegavam a inventar piadas sobre o facto de caminhar pela rua de gabardina apertada, como se fosse possível ser-se um verdadeiro detective privado de t-shirt e calções.

Quando cheguei ao prédio onde ficava o meu escritório, acendi mais um cigarro, a fim de estar preparado para subir quatro andares pelas escadas. Antes de entrar, olhei para o edifício onde era obrigado a conviver com a pior escumalha à face da terra: havia ali vários escritórios de advogados e duas sedes de partidos políticos. Iniciei a subida, sempre preparado para o pior, sentindo, ainda, um calafrio na espinha, ao lembrar-me de que me tinha cruzado com dois ministros na semana anterior, o que me fez ficar dois dias com vontade de fazer promessas e quebrá-las, porque apanho doenças com muita facilidade. [Read more…]

Diplomacia funerária

Paulo Portas visitou o túmulo de Chavez. Aguarda-se uma  manifestação de protesto, caturra, dos seus eleitores.

A prosa de Paulo Portas embotada pelo Expresso

Estava o meu fim-de-semana (com hífenes, claro) a decorrer tranquilamente, quando alguém teve a excepcional ideia de me dar a ler um texto publicado hoje, na Revista do Expresso, em que Filipe Santos Costa nos indica que Paulo Portas terá escrito,

em Agosto de 1988, sobre Miguel Cadilhe,

Quem promete números tem de os cumprir. Quem fala algarismos tem de ser exato. Quem faz a política do rigor não pode desconversar.

em 1992, sobre o Tratado de Maastricht,

(…) é a própria conceção de uma Europa de negociação e respeito que está em causa dando lugar à chantagem dos mais fortes sobre os mais fracos (…)

em 1993, sobre Braga de Macedo,

Não há um número certo não há uma conta exata não há uma previsão verificada.

e, no último texto como director d’O Independente, em 1995,

O objetivo do défice obriga a renúncias sociais que o eleitor nem sonha ou então a uma vaga de despedimentos na administração pública.

Terei começado a ler episodicamente O Independente poucos meses depois das linhas sobre Cadilhe [Read more…]

Ou… Ou

de duas uma, ou o Dr. Portas, o novo grande reformador do estado português, consegue com os seus ciclópicos trabalhos encontrar receita alternativa, ou…

Conselheiro   Matrimonial

Para que serve Cavaco Silva?