Para a urgente eliminação dos Paraísos Fiscais, assina

A CGTP tem disponível para subscrição uma petição para a urgente eliminação dos Paraísos fiscais!

Carvalho da Silva, Secretário-geral da CGTP

Carvalho da Silva, Secretário-geral da CGTP


Alguns dos acontecimentos da crise actual, como a falência de bancos, as fraudes em larga escala, como a de Madoff, têm como palco os paraísos fiscais (PF).

Muitas organizações nacionais e internacionais, incluindo a OIT e os sindicatos, diversos especialistas económicos e académicos chamaram a atenção para os perigos eminentes da “economia de casino” a qual é inseparável do agravamento das desigualdades sociais, da pobreza e da insustentabilidade do modelo económico e social seguido.

Ainda que as causas da crise sejam complexas e tenham várias nuances, não é menos verdade que um dos mecanismos essenciais utilizados, em especial empresas do sector bancário e financeiro e multinacionais, tem sido o recurso a paraísos fiscais. A actual crise financeira aí está para comprovar a viscosidade e a completa falta de transparência de muitos activos de instituições bancárias, e a própria impossibilidade de os auditar adequadamente pelas ligações existentes com os paraísos fiscais que constituem uma autêntica muralha para o apuramento das situações patrimoniais reais de muitas organizações bancárias, financeiras, seguradoras, bem como de outras actividades económicas

Estimativas de especialistas apontam para uma concentração de 26% da riqueza mundial – 31% dos lucros das empresas multinacionais americanas – nesses PF (com apenas 1,2% da população mundial), cujas actividades estão reconhecidamente associadas à economia clandestina, à evasão e fraude fiscais, ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e a muitas outras práticas ameaçadoras da estabilidade mundial, como os negócios da droga e do armamento.

As regras e recomendações de organizações como a OCDE ou a União Europeia – no essencial quanto à partilha de informação por parte dos Estados – têm tido resultados muito mitigados e muito pouco se tem avançado para a eliminação dos PF.

A CGTP-IN, e outros sectores da sociedade, ao longo dos últimos anos, têm posto em evidência a necessidade do combate à fraude e evasão fiscais e da eliminação dos PF, em particular a zona franca da Madeira, que no essencial tem servido para proteger os interesses do sector financeiro, viabilizando taxas efectivas de IRC para os bancos muito abaixo das taxas legais que seriam obrigadas a pagar. Embora se reconheça que foi percorrido algum caminho no combate à fraude e evasão fiscais, a verdade é que existe ainda muito a fazer para trazer mais equilíbrio e justiça ao nosso sistema fiscal, em que reconhecidamente, são apenas os rendimentos do trabalho que contribuem para o grosso das receitas fiscais.

Os escândalos do BCP, e mais recentemente do BPP e do BPN, evidenciaram práticas relacionadas com empresas sediadas em PF e a existência de diversos crimes – muitos deles ainda em investigação -, que lesaram muitos clientes e accionistas e penalizaram a generalidade dos cidadãos na sequência de muitas centenas de milhões de euros colocados pelo Estado em algumas dessas instituições e pagos por todos nós.

Neste contexto, faz todo o sentido, na defesa do interesse geral, dos interesses dos trabalhadores e do desenvolvimento do país, que se coloque aos decisores políticos e à sociedade portuguesa em geral a urgência da eliminação dos PF no território nacional. Não basta defender esta medida a nível europeu quando, simultaneamente, nada a faz no plano nacional. A persistência da crise e o debate acerca da urgência de uma eficaz regulação do sistema financeiro exige-o.

Os subscritores desta petição consideram que é altura das forças políticas e sociais apresentarem compromissos e propostas para a urgente eliminação dos paraísos fiscais.

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Battle For The Sun

placebo
Passavam cinco minutos da meia-noite e na minha caixa de e-mail recebia uma mensagem do iTunes: “Já pode fazer o download da sua encomenda número tal”.
Confesso, andava ansioso por receber esta encomenda. Até já tinha os bilhetes para o concerto deles no OptimusAlive 09. Há uns anitos atrás, ainda não havia Mafalda, assisti a um dos mais memoráveis concertos que o Coliseu do Porto recebeu. Sala completamente cheia. Na rua chovia a cântaros e lá dentro reinava um calor vulcânico. Um intenso cheiro a tabaco misturado com erva invadia a galeria, a tribuna e o galinheiro, o único lugar para onde tinha conseguido uns míseros dois bilhetes. O Brian Molko estava possuído ou pelo Demónio ou por Zeus, nunca cheguei a uma conclusão óbvia. O povo estava em delírio. Eu estava extasiado de todo, não sei se pela excelência do concerto se pelo intenso odor a erva que invadia as minhas narinas e me subia direitinho ao cérebro. Nessa altura, o Coliseu era uma casa de Liberdade sem igreja universal e sem proibição de fumar. A primeira nunca o conseguiu adquirir, a segunda tomou-o de assalto e os concertos, com excepção do último dos Portishead (onde, confesso, violei reiteradamente a lei, cigarro atrás de cigarro), nunca mais tiveram o mesmo sabor.
Neste dia que inicio férias, numa autêntica batalha pelo sol, escrevo estas linhas ao som do novo trabalho dos Placebo, “Battle For The Sun”. Absoluto. Puro. Rock.

Fora com o confrangedor CR7, já!

Por essas e por outras, Fernando, é que eu prefiro ver as imagens da televisão com o som da rádio. E pelo menos na TSF, disseram o que tinha de ser dito sobre o confrangedor CR7.
Que ninguém se iluda com esta vitória sofrida sobre a Albânia, conseguida depois da hora com um golo todo ele da escola do FC do Porto – cruzamento de Raul Meireles e entrada de rompante de Bruno Alves. Da mesma forma que o primeiro golo pertenceu também a dois jogadores que têm toda a escola do FC do Porto, Bosingwa e Hugo Almeida.
Quanto ao resto, zero. Se contra a Albânia é isto que Portugal tem para apresentar, então não vale a pena pensar em grandes cavalgadas. Enquanto continuar a ser convocado um grupo de meninos mimados, pseudo-vedetas mercenárias que só jogam à bola nos seus clubes, nada vai mudar.
Não se percebe a razão de CR 7 continuar a ser convocado, jogo após jogo, depois da péssima forma que se apresenta sempre que vem à Selecção Nacional. Hoje, pouco mais fez do que reclamar constantemente contra o árbitro, os colegas e os adversários. E consigo próprio, não reclama? Ser o pseudo-melhor do mundo não pode ser garantia de ter presença fixa.
Não joga, não quer jogar, borda fora com ele. Nem que seja aos trambolhões. Carlos Queirós, já se viu, não tem tomates para o fazer.

Um golo azul e branco

Sempre se discutiu se uma selecção deve assentar numa só equipa, aqui e ali reforçada por grandes jogadores de outras equipas ou, pelo contrário, deve ser o cunjunto dos melhores jogadores.
Este golo que salvou para já, a selecção, mostra que se os jogadores não se conhecerem, se não souberem o que os seus colegas estão a pensar,
e o que vão fazer, é muito difícil jogar bem e mais dificil ainda marcar golos.
O Meireles segurou a bola o tempo necessário para o Bruno sair de off side (fora de jogo) e voltar ao jogo, centrando a bola no exacto momento em que os defesas voltavam as costas à jogada.
O Bruno em movimento de frente para a baliza, um guarda redes parado, e o resultado está aí!
Golo azul e branco.Muito trabalhado nos treinos do …Futebol Clube do Porto!

Portugal…zinho:

A forma subserviente como Nuno Luz trata o Cristiano Ronaldo é absolutamente inacreditável para alguém que se diz jornalista.
Por sua vez, o “relato” televisivo do jogo de Portugal foi confrangedor. Um estilo monocórdico e chato como a potassa.
Pior só mesmo o jogo!

Uma selecção de vidro

Uma equipa que marca um golo e dois minutos depois sofre o golo do empate, é uma equipa de vidro, sem carácter, incapaz de tocar a reunir.
A nossa equipa que sabe, como poucas, ter a bola no pé, faze-la circular, roubá-la ao adversário, em vez disso, após estar a ganhar, abre uma avenida por onde dois jogadores adversários passearam a seu belo prazer.
Assim, não é possível acumular pontos. Nos jogos anteriores sempre que se colocou a ganhar deixou que isto acontecesse.
Só pode queixar-se de si própria!
Vamos lá sofrer os últimos 45 minutos. São mesmo os últimos, palpita-me!

Rola a bola

Por amor à Pátria!

Por amor à Pátria!

Neste momento há um grupo de Tugas na Albânia! Lá, onde a geografia física lhe chama europeu, mas a geografia humana lhe chama africano está um país que tem passado ao lado do futuro, teimosamente agarrado ao passado.
Não sei muito sobre a Albânia, mas sobre a sua equipa de futebol, sei ainda menos. São dos que há uma dúzia de anos levavam às dúzias. São dos que juntinhos, bem juntinhos não dão para uma chuteira do CR7, para uma madeixa do Simão e, digo eu, para o creme da borbulha do Deco.
Para evitar a Sinédoque (penso eu de que), não iria chamar Portugal à equipa de futebol que representa Portugal. Trata-se antes de um conjunto de meninos mimados à espera de um contrato melhor que procuram servir-se da camisola em causa própria.
São poucos, muito poucos, os casos dos actuais jogadores que, no mínimo, fazem na selecção o que fazem nos seus clubes.
É por isso que daqui a noventa minutos, mais coisa menos coisa, estará o país a fazer contas a menos uma vitória.
Eu por mim, vou ligar a Playstation, colocar o singstar junnior e cantar a Minie, o Mickey e talvez o Patinhas, no caso de ele não ter sido apanhado nesta coisa do BPP!

Nota: mas que diabo pode levar um Homem como o Carlos Q. a deixar o melhor clube do mundo para vir treinar Portugal?

Reflectir e votar

 

Não ajuda, mas mostra ser uma reflexão complexa e despida de…preconceitos

 

 

Ainda a criança Russa

Conhecer o ambiente em que uma criança vive, aquilatar do seu bem estar, ouvir da própria menina o seu querer, tudo coisas que podem (podiam) ser feitas.
Falar com os seus pais adoptivos, com os vizinhos, os seus amigos, a sua escola, o seu professor. Tudo geograficamente perto, uma criança referenciada, técnicos do Estado que conheciam e falavam com a criança.
Como é que tudo isto é trocado por uma Rússia distante, por um país cuja língua a criança não fala, por uns pais que a deram para adopção, por um ambiente oposto ao que a criança conhecia , gostava e estava habituada?
Só se percebe uma decisão destas porque o superior interesse da criança não prevalece na Lei.
Nestes casos os adultos, pais biológicos e adoptivos, técnicos, segurança social, juízes só têm um direito.Ser chamados a encontrar entre si e defender o que é melhor para a criança. Não pode haver outros direitos.
Ninguem tem o direito de tirar uma criança do ambiente em que é feliz!
Com o caso da miúda de Torres vieram à superfície sentimentos e emoções absurdos. Pareciam claques de futebol, a tomar partido por uma das partes. Ora, nestes casos, só há uma parte.
A criança!

Um ‘português’ em Tirana

Ao fim da manhã, numa reportagem da SICN vejo o repórter falar com um cidadão albanês vestido com a camisola de Portugal. Diz que é fã do Benfica e da selecção de Portugal. E fala português, bem razoável para um albanês que nunca esteve em Portugal. Pelo menos é o que ele diz.

Como aprendeu a falar português, pergunta o repórter da SIC. “A ver a SIC nos últimos 15 anos”. O homem deve ser brilhante. Sem ajuda, sem perceber nada da língua, apenas a ver a conjugação de imagens e sons aprendeu a exprimir-se em português de forma razoável para entender umas perguntas e avançar umas respostas.

Ao início da tarde, na RTP1, o repórter enviado a Tirana encontrou, claro, o mesmo indivíduo. A pergunta da ordem recebeu a resposta esperada: “A ver a RTP todos os dias”.

Fiquei mais descansado. O homem aprendeu português não só a ver a SIC mas também a RTP. Assim já acho possível.

Com jeitinho, vai aprender a ler português se passar uns minutos por dia no Aventar.

Vídeo:

(Não encontrei online a reportagem da SIC com o mesmo protagonista)

Falando de democracia: Enquanto não somos deuses

Há 24 anos, em 1985, numa revista ligada a um grupo não-alinhado (relativamente aos partidos portugueses e também aos blocos político-militares), no nº. 4 das Questões e Alternativas, publiquei um texto com este título, do qual extraio excertos e a que fiz correcções de pormenor:
«Poderá dizer-se que a democracia começou mal, que já no seu berço da Antiga Grécia continha os estigmas que iria transportar ao longo de dois milénios e meio e que iriam chegar quase intactos até aos nossos dias. Com efeito, a democracia ateniense não abrangia nem os escravos nem as mulheres, não impondo também uma divisão equitativa da riqueza entre os cidadãos. No rescaldo da grande fogueira de 1789, a escravatura foi sendo abolida na maioria dos países europeus, embora quase nunca em obediência a um límpido sentimento de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. As mulheres, ainda que, sobretudo nas últimas décadas, tenham avançado muito na sua luta de libertação, continuam, mesmo quando a letra da lei lhes confere todas os direitos e garantias outorgados aos cidadãos em geral, a ser consideradas cidadãs de segunda. Sobre a divisão da riqueza no ocidental paraíso das democracias parlamentares, é melhor nem falarmos. Democracia – autoridade do povo; de que povo?
Nunca, em parte alguma, a não ser no território imaginário das utopias, se ouviu falar de democracia integral – sempre os governos supostamente democráticos se deixaram manchar por desigualdades sociais ou de género, por segregações étnicas, por marginalizações inomináveis. Quando mesmo, não serviram de capa ou ornamento a terríveis tiranias. Será que a verdadeira democracia é inatingível? Será que Jean-Jacques Rousseau tinha razão quando disse: «Se formos a considerar o termo na acepção mais rigorosa, nunca houve verdadeira democracia, nem nunca existirá.» (…) «Seria inconcebível estar o povo a reunir constantemente para tratar da coisa pública». (…) «Se houvesse um povo de deuses, ele se governaria democraticamente. Um governo tão aperfeiçoado não convém aos humanos».
Na realidade, a democracia directa, enquanto participação de todos os cidadãos nas tarefas do Governo, só era concebível dentro das exíguas dimensões geográficas das cidades gregas onde o estatuto de cidadão era atribuído com parcimónia. Ao querer transpor para espaços maiores, os senados, os parlamentos, foram a maneira que se encontrou para ultrapassar a impossibilidade de «estar o povo a reunir-se constantemente para tratar da coisa pública». Porém, também a respeito da solução do parlamentarismo, Jean-Jacques Rousseau se pronunciou cepticamente: «O povo inglês, crê-se livre e bem se engana; só o é enquanto dura a eleição dos membros do Parlamento; assim que estes são eleitos, é um escravo, não é coisa alguma» (…) «A ideia dos representantes é moderna; vem-nos do governo feudal» (…) «Nas antigas repúblicas, nunca o povo teve representantes; era uma palavra desconhecida» (…)» Logo que um povo se atribui representantes, deixa de ser livre; mais, deixa de ser.» (…)
Estas considerações de Rousseau sobre o parlamentarismo permanecem muito actuais . Terminado o período eleitoral em que todas as promessas se fazem, o deputado esquece-se que teoricamente só é Poder através do mandato dos seus eleitores, passando a ser um dócil peão que o secretário-geral do seu partido movimenta no tabuleiro político conforme melhor entende. E, no entanto, sente-se investido de uma indiscutível autoridade. (…) Tito de Morais, no seu discurso do 25 de Abril de 84, afirmava que se a engenharia é matéria de engenheiros, a saúde da competência dos médicos e a Igreja da responsabilidade dos sacerdotes, a política, por sua parte, é assunto de que só os políticos se devem ocupar.»
(…) «Máximo Gorki disse que o importante é que o homem se vá afastando do animal. Talvez que, num futuro certamente distante, mercê da engenharia genética ou do que em seguida vier nessa área, os seres humanos se demarquem e distanciem da cadeia evolucionária animal e constituam, de certo modo, o povo de deuses que Rousseau considerava como único destinatário de uma verdadeira democracia. O saber e a informação generalizados podem ajudar a essa mutação. Mas enquanto não somos deuses, estaremos condenados a totalitarismos assumidos ou à pobre alternativa de democracias onde os partidos e a classe política substituem com eficaz hipocrisia a despótica, inflexível e omnipresente autoridade do Grande Irmão?»

*
O restante do texto é muito datado e, fazendo algum sentido em 1985, seria hoje pouco mais do que irrelevante, pelo que optei por não o reproduzir (mas existe e pode ser consultado por quem tiver curiosidade de o conhecer na sua versão original). Os vinte e quatro anos que decorreram sobre a publicação destas palavras foram férteis em modificações: o socialismo real, como alternativa ao capitalismo, esfumou-se; o islamismo emergiu como mais uma ameaça a juntar-se à da guerra nuclear , a expansão das novas tecnologias – internet, telemóvel, CDs e DVDs, a controversa integração europeia, o fenómeno da globalização, positivo em princípio, mas com muitos efeitos perversos, não esquecendo a falência do não-alinhamento, ideal que enformava a revista e o grupo que a editava, e, finalmente, uma nova crise do capitalismo, transformaram o mundo em que vivemos em algo de impensável, mesmo para os futurologistas de há duas décadas e meia. Vivemos num mundo diferente, que, exceptuando um ou outro avanço e melhoria (por exemplo, no que se refere à condição feminina, deram-se passos importantes no sentido de acertar a realidade pela legislação), podemos considerar pior, mais degradado, sobretudo em termos éticos.
Pode dizer-se que vivemos numa versão empobrecida da democracia onde monstros do passado, tal como a miséria e a repressão, sobrevivem. Como diz Saramago, «não progredimos, retrocedemos». E, neste particular da repressão, nem sequer estou a falar de Guantánamo e das torturas infligidas aos alegados terroristas islâmicos, onde a criatividade norte-americana mais não fez do que ressuscitar velhos métodos da Inquisição. Por exemplo, a touca que se aplicava a judeus e a judaizantes, aparece ali com o nome de waterboarding. O que, ao assumir uma designação que nos leva a pensar num qualquer desporto radical, branqueia, de certo modo, a monstruosidade do procedimento.
Numa sociedade em que a Liberdade vai sendo devorada pelas «liberdades», a repressão é exercida pela permanente ameaça da marginalidade. O lado negro, ou seja, os monstros criados pela sociedade capitalista, pela exclusão social, pela xenofobia, pela intolerância religiosa, aí estão sob a forma de carjacking, na versão moderada, e de assassínio em massa, passando por assaltos, limpezas étnicas, sequestros, violações… Terroristas, islâmicos ou não, marginais vindos dos subterrâneos que subjazem sob as resplandecentes catedrais do consumo, tarados de todas as espécies, incluindo violadores e pedófilos, aí temos ao dispor um vasto e aterrador bestiário. Fugindo destes monstros criados pela sociedade capitalista, vamos refugiar-nos onde? Obviamente, nos braços salvadores do capitalismo. É com um cenário dantesco como fundo, que os parlamentos dos chamados «regimes democráticos» continuam a proceder como se tudo decorresse normalmente, um pouco como os dois jogadores de xadrez de que nos fala Fernando Pessoa, pela voz de Ricardo Reis, que continuavam a jogar «o seu jogo contínuo» enquanto a cidade ardia, as crianças eram assassinadas, as mulheres violadas… O sistema parlamentar é anacrónico e disfuncional, tal como o são os sindicatos e os partidos. Na era da informática, continuamos a usar instrumentos políticos que nos vêm da Revolução Francesa e do tempo da máquina a vapor. E neste labirinto de anacronismos e de aberrações, onde fica a Democracia? Percorrendo este dédalo criado pelos cérebros d
oe
ntes que nos dirigem desde há muito tempo, será a Democracia que nos espera? Não creio que os nossos filhos, os nossos netos estejam a caminhar para a Democracia. Levados nas asas do consumismo, o caminho que percorrem, com a ilusão de quem está a desbravar uma selva virgem, irão dar não ao prado resplandecente do Eden, mas sim ao velho sótão onde se arrumam todos os detritos que a História tem vindo a acumular.
Não estou, portanto, a falar de aprofundar o estudo da democracia que temos e que se perde na espiral descendente de corrupção, clientelas, contas em offshores, em exibições mediáticas, em tudo o que constitui o circo a que diariamente assistimos. Esta «democracia» não justifica o esforço de ser aprofundada. Falo de reinventar uma Democracia com que sonhamos há séculos, mas que não temos. Porque a democracia tem de ser permanentemente reinventada. Enquanto não somos deuses, teremos de percorrer, com a imaginação e a audácia de quem necessita de inventar o futuro, o caminho até uma Democracia luminosa, autêntica e que esteja, de facto, ao nosso alcance.

E AGORA, COMO VAI SER?

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A ÚLTIMA DAS HIPÓTESES

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É hoje.
Lá para o fim da tarde já se sabe. Ou passamos e estamos no Mundial, e o benefício da dúvida mantêm-se, ou comprova-se o que já tenho dito, este treinador não serve!
Não sou treinador nem nada de semelhante, e percebo pouco de futebol e de tácticas ainda menos, mas percebo de resultados, e quando eles não surgem, a culpa ou é do treinador ou da qualidade dos jogadores. Ora, como os jogadores são os melhores do mundo, e temos até o melhor dos melhores, a culpa só tem um sítio para cair.
A tolerância, é zero. Temos, todos nós se ele não o conseguir, de encontrar a grande equipa que este treinador tarda em encontrar, arranjando um treinador em condições.
Mas no fundo, os jogadores não estarão fora das culpas, já que todos se consideram craques e alguns até jogam a olhar para a câmara de televisão.
Resta-nos a esperança do senhor Madaíl, e a esperança de que ele tenha razão.

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Aposta-se : Que selecção ?

Aqui vai a minha previsão :

Eduardo

Bowsingua Bruno Ricardo Duda

Pepe

Nani Deco Simão

Ronaldo Hugo

PS: Meireles no lugar de Nani

A selecção já não mora aqui

A selecção nacional de futebol joga hoje na Albânia uma das ‘cinco finais’ de acesso ao Mundial de 2010. Todos os jogos serão fundamentais e em todos eles a equipa de Carlos Queiroz está obrigada a vencer.

Ontem o Sporting teve eleições para a direcção e o vencedor estava, à partida, encontrado, tal a disparidade de apoios demonstrada.

Hoje, os jornais desportivos nacional, dão a capa ao novo líder leonino. Compreensível. Mas na capa de todos eles há apenas uma linha, quase envergonhada, para o jogo da selecção.

Noutros tempos, as opções teriam sido inversas, com grandes parangonas, as histórias sobre as chuteiras de Ronaldo, a borbulha de Deco que o poderia impedir de dar o melhor rendimento, o penteado que Simão prometia apresentar à hora do jogo, entre outros pormenores de grande importância. Mesmo que o jogo da selecção não fosse decisivo, mesmo que fosse um vulgar particular, seria assim que as coisas aconteceriam.

Algo mudou entre os jornais e a selecção nacional.

O Estado Português ignorou Luís Cabral

Luís Cabral, então PR da Guiné-Bissau, foi deposto por um golpe militar em 1980, sob o comando de Nino Vieira, entretanto também já falecido.

Luís Cabral era, de facto, um homem ilustre, pertencente a uma geração de políticos africanos que colheu e cultivou valores e referências políticas e sociais em Portugal. Não admira, pois, que tenha escolhido o nosso País para um exílio de 30 anos, sendo, até à data da sua morte, no fim-de-semana último, o mais antigo dos exilados políticos em terras portuguesas.

Ao contrário de Nino Vieira, que usufruiu de amizades e conluios em Portugal, com o Major Loureiro à cabeça, Luís Cabral foi um homem que teve sempre um comportamento sóbrio e próprio de personalidade de elevada dignidade.

Estamos no momento quente das europeias, mas, ainda assim, não posso deixar de expressar a minha revolta face à indiferença do Estado Português em relação à morte de Luís Cabral. PR e PM comportaram-se de forma nada digna, valendo, na circunstância, o General Ramalho Eanes que, por iniciativa própria, fez o merecido elogio fúnebre do 1.º PR da Guiné-Bissau.

00.01 – Estamos em reflexão

Campanha eleitoral falhou, agora votemos

Boas noites,
pergunto, permita-me caro leitor, de forma clara: a campanha eleitoral que neste preciso momento terminou, serviu para quê?
E a pergunta faz sentido porque de tão óbvia, parece inútil. Mas, pensemos!
Uma campanha eleitoral é um momento em que os partidos ou movimentos se apresentam ao eleitorado com o objectivo de apresentar propostas e de receber, em troca, o seu apoio. Obviamente, palavras sábias as de Louça, que costuma dizer que o voto não é do político, é do cidadão. Claro. E talvez por isso, no próximo Domingo tantos portugueses vão optar por ficar em casa – porque sendo donos do seu voto não conseguiram encontrar nenhum político a quem o entregar.
Quer pela ausência de propostas, quer pelo grau zero de discussão política que houve, atribuo o nível Maria de Lurdes a esta campanha.
O troféu Valter Lemos para o pior da Campanha vai direitinho para a tentativa do Sr. Moreira em associar o PSD à roubalheira nos bancos.
O troféu Jorge Pedreira vai direitinho para os sonhos do Dr. Paulo Rangel – a ele, que ninguém o pára!
E o pior dos piores, o prémio José Sócrates ao próprio!

Perante tudo isto permitam-se a contradição – só nos resta uma atitude! VOTAR!

Comentário genial ao João Galamba

Na Jugular, diz o comentador Rui Lima:
«Diferença abissal entre o BPN e o Freeport:
BPN – dinheiro privado!
Freeport – dinheiro público!»
O João Galamba tem razão. Não há analogia possível!
PS: É preciso ler os textos “Vamos Brincar às Analogias” e ” BPN e Freeport, alegadamente diferentes”.

Disseminação de boatos…

1959bressonpickpocket

Existe um tipo de “notícias” que deixam no ar a dúvida se são boatos, pura invenção para ocupar aquele espaço vago na paginação do jornal ou porque não havia nada para dizer e tem que se dizer alguma coisa:

Correio da Manhã – 26 Maio 2009 – 15h23
Supostamente responsável pelo sector de comunicação internacional da rede terrorista
– Polícia brasileira detém líder da Al-Qaida

A Polícia Federal brasileira informou esta terça-feira a detenção de um alegado membro da alta hierarquia da rede terrorista Al-Qaida, supostamente responsável pelo sector de comunicação internacional da organização terrorista, em São Paulo.
Ainda não foram avançados detalhes da operação sigilosa, resultado de uma acção iniciada há cinco dias, com a participação de agentes do FBI dos Estados Unidos. A Polícia não avançou se o suspeito detido planeava acções terroristas no Brasil.”

Eu interpreto assim: Um desconhecido, alegadamente ligado à Al-qaeda, supostamente um dos líderes, provavelmente responsável pela comunicação do grupo, que não se sabe se ia fazer alguma coisa, foi preso no Brasil com ajuda do FBI, mas não se sabe como. Palmas para o Correio da Manhã. Palmas para as não-notícias. Não entendo isto. Provavelmente esta “notícia” morre aqui, à nascença. Com alguma sorte, daqui por seis meses, corre o boato que o FBI tem o Bin-Laden preso em segredo no Brasil! E nunca ninguém irá perceber como nasceu.

Os boatos sempre me intrigaram. Segundo o Dicionário Koogan Larousse, boato é uma notícia falsa ou uma notícia não confirmada sem origem conhecida que cai em domínio público. Num mundo notoriamente evolucionista que pôs de parte as teorias da geração espontânea, o boato é assim um facto inexplicável. Até certo ponto, diga-se, porque em alguns casos a origem da disseminação de um boato torna-se conhecida. Notei isso há pouco tempo, quando li que o conselheiro de Gordon Brown para a imprensa, se demitiu devido à disseminação de boatos. O ilustre desconhecido Damien McBride fabricou uma série de notícias com sexo, drogas e vídeos, envolvendo o líder dos Conservadores, David Cameron, que teria a imprensa como destino final. Segundo o Expresso, a coisa correu mal, porque o blog Guido Fawkes denunciou a situação quando interceptou os e-mails com os boatos anexados. Os blogs como up-grade ao 4.º Poder! O boato sempre conseguiu ver a luz do dia, mas foi para o sítio errado! Afinal, está sempre alguém atento… é o outro lado do Big Brother…
Admira-me a nossa comunicação social não ter dado grande cobertura a uma situação destas, visto hoje em dia se falar tanto em “campanhas negras” criadas com intuitos políticos, denúncias anónimas, fabrico e manipulação de informação, atraso ou retenção de notícias e afins. O próprio Gabinete da Propaganda do Governo poderia ter aproveitado a oportunidade para vir a público dizer: “Estão a ver? A nós fizeram-nos o mesmo! Eles inventam coisas e mentem sobre o Freeport e outras calúnias, só para nos prejudicarem, mas é tudo falso! É uma cabala montada contra nós!” Bem, já perderam a oportunidade para isso! Deviam estar mais atentos. Ou então não é mesmo nenhuma “campanha negra”! Agora estamos em eleições, por isso há que ser sério e não se deve falar destas coisas. É a chamada altura de tréguas e respeito eleitoral no que respeita a boatos.

Se bem que Vital Moreira criou o boato da criação de um Imposto Europeu. Em que moldes? Vamos pagar mais? Sim? Não? Como é que vai ser? Não se sabe. Quando ele souber, avisa-nos. E Almeida Santos vai até ao Imposto Mundial. Será que já está a ser “criado” um Imposto Mundial? Um Imposto Europeu? Será que isto são só boatos? Gostava era que não existissem tantos boatos…

Os boatos preocupam-me porque são o resultado de más intenções embrulhadas na mais pura falta de informação. A força de um boato resiste precisamente na combinação destes dois factores: (muita) intenção e (pouca) informação. Não contando com o boato de fim-de-rua, que se gera por vezes sem intencionalidade, os boatos “grandes”, os políticos, os da alta-finança ou os empresariais são fabricados obviamente com objectiva intenção de servir um qualquer propósito. Os boatos são o fumo de escape de um motor de manipulação em movimento. A comunicação social como principal meio divulgador da informação tem um papel importantíssimo neste processo. Dando-lhe força, ou enterrando logo ali o assunto. Arrisco afirmar que a quantidade de boatos que circulam na opinião pública são um barómetro para avaliação da qualidade da comunicaçao social e num aspecto mais geral, da própria sociedade. Hoje em dia, tudo se sabe, mas com contornos muito pouco definidos, ou seja, sabe-se muito pouco ou nada. Neste momento, correm imensos boatos em Portugal, a todos os níveis da sociedade, o que me parece ser um sinal muito mau do estado geral do País…

Mas fica a grande dúvida: será mais positivo termos pouca e imprecisa informação ou nenhuma informação?

O caso Beltrónica

Há dois dias, publiquei um «post» com o título «O Banco Efisa, a Beltrónica e o ex-Secretário de Estado do PS». Ontem, no Blasfémias, Carlos Abreu Amorim perguntava-se se seria verdade.
Soube deste caso quando navegava pela net em busca das «ligações perigosas» de «figuras gradas» do PS com a Banca, nomeadamente o BPN e o BPP. A certa altura, deparei-me com o blogue «Mistura Grossa», escrito por Fernando Rocha, alguém que dá a cara e o nome e que é funcionário da Direcção-Geral das Contribuições e Impostos.

O BPN e o Freeport alegadamente diferentes

O João Galamba, na Jugular, recusa-se a comparar o caso BPN, que pertence à esfera de pessoas perto do PSD, com todos os casos que pertencem à esfera de pessoas que estão perto do PS!
Quanto ao caso Casa Pia, o nojo é de tal ordem que se recusa a fazer comentários!
Tem razã! O caso Casa Pia devia ter proporcionado uma limpeza geral em todos quantos se aproveitaram sexualmente das crianças. Há muitos socialistas que não se livram das suspeitas, mas não há provas concludentes e nenhum foi considerado culpado em tribunal.
No caso Freeport há arguidos e muitas suspeitas sustentadas por documentos, declarações e um DVD. Além disso, há provas de que foram cometidos delitos quanto ao ambiente e à ocupação de terrenos protegidos, tudo numa fase da governação final do governo socialista. Com facilidades inusitadas e a uma velocidade incomum.
Há, pois, crimes, só não sabemos se o Ministério Socialista do Ambiente na pessoa do actual Primeiro Ministro, recebeu ou não luvas.
A polícia Inglesa investiga e está convencida que sim!
Há crimes no concurso do Aterro da Cova da Beira, só não sabemos se o Ministério Socialista do Ambiente na pessoa do actual Primeiro-Ministro recebeu ou não luvas. Foi investigado!
Este caso até está em Tribunal e José Sócrates viu o seu processo arquivado. Foi chamado a testemunhar por escrito.
Afinal, qual é a diferença para o BPN? Dias Loureiro não foi constituído arguido, e ao que se sabe, ninguém conotado com o PSD.
A diferença é que nos casos socialistas (para usar a terminologia de Vital), estão envolvidos familiares do Primeiro-Ministro, amigos, um seu professor que tem currículo. Envolvido um Magistrado que é Presidente do Eurojust e que está sujeito a inquérito disciplinar por ter sido acusado, por colegas seus, de pressões para encerrar o caso Freeport!
Lopes da Mota, não esqueçamos, é militante socialista e já foi investigado no caso Fatinha de Felgueiras. Além disso, ocupa um lugar internacional pela mão de um partido socialista e a sua manutenção depende tambem do governo actual.
Os casos existem realmente todos, alegadamente é que estão todos sob suspeita!
O Dias Loureiro é que, com um bocado de vergonha na cara, pediu a renúncia do cargo sem prova nenhuma apresentada em Tribunal.
O João Galamba é capaz de ter razão. Não há aqui comparação possível!

Menos é mais

david_img18a_400 David, Miguel Ângelo

Pode parecer estranho mas foi de Mies van der Roeh que me lembrei quando li a curta história de Konstantin. O arquitecto germano-americano foi o grande defensor do minimalismo na arquitectura , optando por linhas simples e claras, sem artefactos. Ficou famoso pela descrição que fez do seu trabalho e das suas opções estéticas: “Less is more” (Menos é mais). A frase pode parecer contraditória mas exprime na perfeição as opções do minimalismo.

Konstantin, conta a revista russa “Life”, preferiu complicar. O cidadão russo, senhor de um pénis de 15 centímetros quis mais. Foi, em Fevereiro, a clínica de Moscovo e aumentou o tamanho do seu membro viril em 10 centímetros, passando para os 25. Ao contrário do que esperava, a reacção das mulheres com quem quis confraternizar não foram positivas e Konstantin quis voltar atrás.

Um mês após a primeira cirurgia, regressou à clínica para reverter a operação. Os médicos dizem que não pode ser, tem de esperar seis a oito meses para fazer nova operação, esperando que as coisas corram bem.

Konstantin foi movido pela ganância sexual. Quis mais que aquilo que a natureza lhe deu e arrependeu-se.

Mandam as ‘regras não escritas’ do mundo dos blogues que esta história tenha de terminar com uma lição de moral, como as fábulas que inventaram no passado para transmitir valores às crianças. Não me lembro de nenhuma lição. Muito menos de carácter político ou social.

Opto apenas por lembrar, de novo, Mies van der Roeh e mais uma das suas máximas que são verdadeiros tratados filosóficos: “Deus está nos detalhes”. O arquitecto era, de facto, genial.

António Vitorino aceita voto em branco

Em artigo de hoje no DN, António Vitorino (AV) manifesta abertura ao voto em branco, condenando, em contrapartida, a abstenção. Se a autoria do artigo não fosse de um destacado membro do “establishement” do Partido Socialista, que de forma pública e semanal exprime, na RTP, louvores à governação de José Sócrates, eu acharia estar diante de uma tomada de posição isenta e natural. Porém, é justamente a contradição entre aquilo que AV sempre tem afirmado e o texto que agora escreve que me causa uma grande interrogação.

Efectivamente, parece-me legítimo duvidar tanto da sinceridade da declaração como do estado de alma que leva o ex-comissário europeu, nesta fase, a defender o menor dos males. Imagino que Vitorino prefira intimamente o voto em branco ao voto em qualquer partido adversário do PS nas europeias; e nesta lógica, argumenta: “o voto em branco exprime com maior clareza a vontade de participar, mas a rejeição das alternativas”.

AV, provavelmente, terá motivos para desconfiança nas projecções do socialista e socrático Rui Oliveira e Costa. Eu também desconfio, sobretudo depois de ter sido sistematicamente ludibriado pela Eurosondagem nas presidenciais. Publicitou sempre percentagens muito divergentes dos resultados efectivos de Manuel Alegre e Mário Soares – Oliveira e Costa era apoiante deste último.

A confiança nas pessoas e nas instituições é um sentimento de enorme fragilidade. Uma vez quebrado, é difícil recuperá-lo. E, melhor do que eu, AV disporá de informação conducente a cepticismos. Vamos esperar para ver. Como no desporto, fico-me pela verdade de La Palisse: ‘no fim do jogo, direi o resultado’.

O "abraço" de Menezes

Já teve as oportunidades todas vá lá saber-se as razões. Como secretário-geral, um desastre absoluto, aguentou um par de meses.
Não lhe chega a Presidência da Câmara de uma das maiores cidades do país. Pega-se com o colega da cidade do outro lado do Rio. Odeia o Rio que o separa e mais ainda a ponte que os une.
Mas nunca tem culpa de nada. Qual “calimero” passa a vida a chorar. Sempre de mal consigo e com os outros, incapaz de um momento de lúcidez que o leve a apoiar quem já fez muito mais do que ele.
Lá esteve a fazer o número para as camaras, o apoio sem entusiasmo, logo seguido do abandono puro e simples do candidato do seu partido.
Com um ego do tamanho dos armazéns do vinho do Porto que ,placidamente, se encostam ao rio, e que afinal são de Gaia, este homem não perde uma oportunidade de dizer mal, de querer mal.
O PSD deu-lhe tudo, o que foi uma pena, porque se perdeu um pediatra e não se ganhou nada, ou antes, ganhou-se um político em tudo igual aos outros.
Mas vai continuar a chorar, atirar as culpas para cima de tudo e de todos,
como se o partido tudo lhe deva e ele nada deva ao PSD.
A ingratidão é um sentimento muito feio!

SNS – Saúde para todos


Bloco Operatório da Maternidade Júlio Dinis (Porto)

LISTAS DE ESPERA EM CIRURGIA

Colaborando com uma instituição hospitalar, tenho conhecimento que foi proposto ao Ministério da Saúde a realização de umas dezenas de cirurgias para recuperação de atrasos. A resposta é que é necessário poupar meios financeiros para se poder percorrer esse caminho.O da recuperação das listas de espera.
O parque instalado, em instalações, equipamentos e meios humanos é
suficiente para responder ao esforço de recuperação das listas de
espera. É preciso mais dinheiro para pagar mais horas de trabalho às
equipas médicas e cirurgicas.
Uma das hipóteses é aumentar a rentabilidade das equipas cirurgicas
existentes no SNS.A outra hipótese é pagar aos privados. Como a primeira hipótese não é exequível a curto prazo resta a segunda.
Sabemos pela imprensa que há doentes que enchem aviões para serem
operados em Cuba! E ali na zona da raia os portugueses fazem-se operar em Badajoz e em outras cidades espanholas.
E nada disto é gratuito. Bem pelo contrário, o bilhete de ida e volta a
Cuba paga várias operações às cataratas ou às varizes. Então porque não se concretizam acordos, não se articulam interesses privados e públicos para responder ás necessidades dos doentes?
Na minha opinião, porque quem opera na pública tambem opera na
privada, havendo aqui um conflito de interesses insanável.
Uma das hipóteses que se explorou foi autorizar os médicos de um determinado hospital poder utilizar as instalações,a troco de uma renda,para operar os seus doentes privados.
Julgo que esta solução levantou questões éticas e não vingou.
Tinha algumas vantagens como seja o médico trabalhar com a sua
equipa a que está habituado, bem como o bloco operatório, e não perder tempo em viagens entre hospitais.
Estou em crer, que a solução passará por acordos com a privada, a preços que leve em conta a rentabilidade de equipas que constituem custos de estrutura e, a exclusividade do vínculo das equipas do SNS, com uma remuneração assente em objectivos negociados!
Há, naturalmente, operações que são muito caras devido ao material
utilizado. Nestes casos o que será necessário é que os utentes que pagam seguros de saúde privados não sejam “empurrados” para o SNS! E se “empurrados”, os seguros devem pagar !

No meu aniversário

A julgar pela estruturação etária convencional, restam-me dois anos de juventude. Agora que a contagem decrescente se acelera e começa a provocar as primeiras vertigens, cabe-me listar os grandes feitos de juventude que ainda me estão por acontecer. Uma volta ao mundo, a grande experiência iniciática, uma epifania?
E que dizer do caminho já feito? O infame primeiro cabelo branco já se anunciou há muito, e não veio só. Já não creio na invencibilidade do corpo. Do tabaco já só guardo a memória de alguns cigarros nocturnos, os que vieram preencher silêncios. Faço a cada dia o meu luto, cada vez mais leve, pelos cigarros que já não fumo, e contento-me com a recém-adquirida capacidade de subir escadarias intermináveis sem claudicar.
Elegi novos mandamentos: o trabalho não é tudo; o protector solar é um aliado; nem sempre as oportunidades se repetem; também é possível escrever de manhã.
Conheço a fragilidade do instante. Desfruto dos benefícios da memória, dos seus consolos e das suas armadilhas. A eternidade tem os seus embustes, mas aceitemos o que nos oferece.
A cada aniversário reencontro as esperanças guardadas em velhas caixas de cartão no sótão imaginário da minha memória. As expectativas, os impulsos de mudança, as aspirações improváveis e aquelas que parecem ao alcance dos dedos.
Quais as esperanças vãs e quais aquelas que apenas requerem um pouco mais de esforço? Em dias como este, alinhavam-se planos para deixar para trás tudo aquilo de que já não precisamos, largar lastro para seguir caminho com renovada resolução.
Guiados pelas estrelas, pelo vento, pelo canto dos pássaros ou por essa bússola interna que resiste a todo o desnorte, aí vamos.

Sondagens

São como o Natal – é sempre que o Homem quiser!
Viva a Matemática.
Já agora, quem paga as sondagens? Os jornais?

Europeias: CDU ultrapassa Bloco de Esquerda

Da arruada de ontem da CDU, no Porto, registe-se a enchente que se verificou e que até fez esquecer a azeda troca de palavras entre Ilda Figueiredo e uma transeunte que vociferava contra os políticos em geral.
No último dia da campanha, ficamos a saber que, na sondagem realizada pela Universidade Católica para o JN, para além do empate técnico entre PS e PSD, a CDU ultrapassa o Bloco de Esquerda como terceira força política, passando de 7 para 11% nas intenções de voto.
Ao que parece, a mensagem de Ilda e Jerónimo está a passar, pondo em causa o tal voto útil que aqui defendi. Os dois Partidos de Esquerda, juntos, chegam aos 20%.
Quanto a Francisco Louçã, que disse que só discutia com PS e PSD, parece ter falado cedo demais.

O "beijo" de Passos Coelho

Passos Coelho saiu do remanso do seu “fare niente” em termos partidários para ir dar o “beijo de Judas” a Rangel.
Juntou a vítima com as televisões e ali osculou o PSD garantindo que não pode haver outro resultado que não ganhar as eleições.
Como mais tarde Ferreira Leite sublinhou, “outro resultado que não ganhar” não existe em Democracia.
Há ganhar, perder e empatar!
Só não perde quem, como Passos Coelho, nunca foi a eleições nacionais. Foi sempre eleito em listas com um cabeça de lista de um partido que lhe garantia um lugar de deputado bem remunerado. Se lá não estivesse era igual, os votos seriam os mesmos.
Mas o mais terrível disto tudo é o que este homem, que até parecia ser uma alternativa de políticas no PSD, pensa dos eleitores. Julgará ele que ganhou um voto que seja ? Que alguem apreciou a “filha de putice”? Que alguem se esquecerá do que é capaz de fazer? Mesmo que venha a ser secretário-geral do PSD?
Só há duas espécies de pessoas que alcançam os cumes. As que rastejam e as que voam!
Passos Coelho já escolheu!

Eleições Europeias:

Antigamente não perdia uma destas por nada deste mundo. O José Freitas bem sabe que era assim. Arruadas, almoços, jantares, debates, comícios e outros “santoinhos” da campanha eleitoral.
A carne e o lombo assado eram uma das minhas companhias. Fosse com batata assada ou com arroz branco pegajoso. O que importava era enganar a fome e preparar as forças para o resto da caminhada. Vejam lá, até corri o país de lés a lés. Ainda imberbe e sem carta, palmava sorrateiramente o VW Polo dos papás só para participar nas caravanas. Antes ainda, na pré-adolescência, participei no “roubo” de uma camioneta de passageiros da Resende só para um comício no Palácio de Cristal. O condutor, o falecido e saudoso amigo Pedro Resende, tinha uns 15 anos mas guiava a carripana como poucos. Era no tempo em que se colava cartazes e colocava pendões. Depois veio a profissionalização da coisa e assim se perdeu metade da piada.
Aos gritos de P-P-Dê-P-S-D e noutra fase P-P, P-P, com regresso a casa mas já no tempo do P-S-D, P-S-D. Lembro o “Sá Carneiro amigo, o Povo está contigo” tinha eu 6/7 anos e o “Prá frente Portugal com o Freitas do Amaral” e ainda “Cavaco vai em frente tens aqui a tua gente” sem esquecer o “Para o que der e vier temos Lobo Xavier” rapidamente alterado: “Para o que der e vier não contes com o Xavier”.

Agora só obrigado participo. Foi o que aconteceu hoje. Para fazer a vontade à patroa e cumprir, tardiamente, a minha obrigação para com o Aventar, rumei à Fundação Cupertino de Miranda para o jantar com o Paulo Rangel. Felizmente, eram tantos e tantas, mas mesmo tantos e tantas, que não consegui passar da porta. Só consegui ouvir qualquer coisa sobre Sá Carneiro e o Porto. Por isso, peguei na “Maria” e toca a pousar o rabo numa cadeira da cervejaria “Dupark” mesmo ali ao lado. Que delícia de presunto e magnifico bife!
Pois, ficou o Aventar a perder. É que eu, agora, só se for eleições locais. As restantes não me dizem nada, não há um só líder que me chame, que me faça correr a minha rua quanto mais…