Santana Lopes, o Wally e a República das Bananas

Antes de Pelé, 10 era apenas um número. Li essa frase em algum lugar, em algum momento da minha vida.

***

Santana Lopes, apesar de aparecer imenso na comunicação social portuguesa, continua a não responder ao essencial, que tentarei resumir em três perguntas:

  1. Porque é que “agora facto é igual a fato (de roupa”?
  2. Porquê esta República das Bananas ortográfica? (*)
  3. Considera que 1. poderá explicar 2.?

Votos de um óptimo 2023.

(*) A actualíssima imagem vai sem as rodinhas do costume, para Santana Lopes descobrir o Wally.

***

Hoje, quinta-feira, 29 de Dezembro de 2022,

o Presidente da República promulga o OE2023. Mas faz mal. Faz muito mal.

A São solidária e a função diacrítica

Este recheio também é óptimo para tartes.
O Livro de Pantagruel

***

Os excelentes Tradutores Contra o Acordo Ortográfico encontraram um belíssimo exemplo das consequências da base IV do Acordo Ortográfico de 1990. Ainda por cima, com potencial crase — não ocorrida e ainda bem. É a prova do crime (aliás, uma das provas do crime), ao cuidado dos incréus por conveniência.

Para quem não tiver Facebook, eis o vídeo publicado pelos Tradutores.

Muitos e bons (e.g., Castro, Duarte, Delgado Martins, Emiliano — e, deste rol, estou intencionalmente a excluir autores de ortografias autênticas, como os maravilhosos Gonçalves Vianna e Rebelo Gonçalves) indicaram a função diacrítica das letras c e p. Há uns anos, além de também me caber o papel de a indicar, dediquei algumas páginas a explicá-la, em publicação de referência, com revisão por pares (pdf). Desde então, até no Ciberdúvidas a função diacrítica (da letra c) chegou a ser mencionada. Mas sem consequências.

Fica o registo e ficam também os meus votos de uma óptima semana.

***

That’s life, pois, é a vida!

The training task is identical to the original studies and is a 2AFC identification task. In each trial, participants heard a word that is part of a minimal pair that contrasts /r/ and /l/.
— Brekelmans et al. (2022)

***

Foto: Lusa/José Sena https://bit.ly/3PijG0b

O “é a vida!” pertence a António Guterres, actual SG da ONU. E o “fujamos!” pertence originalmente ao Ega, mas aplica-se perfeitamente a Faro Ramos, o diplomata que fugiu para o Brasil, sem a pompa de D. João VI. A língua portuguesa, essa, continua a servir de pretexto para discursos de circunstância, sempre que há chouriços para encher. Assim, efectivamente, não chegamos às meias-finais do Mundial. Parabéns a Marrocos, França, Croácia e Argentina. O meu favorito? A sério? O árbitro.

O “that’s life”, por seu turno, pertence a Kay & Gordon, sendo mundialmente conhecido pelas maravilhosas versões do magnífico Sinatra. No entanto, só lá cheguei (sou novo) pouco depois do 1-3 do México 86 (visto ainda na casa da Rua de Santa Catarina), pela versão do fresquíssimo Eat’em And Smile (com o Steve Vai!!!) do extraordinário Lee Roth. Que mundo fabuloso.

De facto, that’s life.

***

O bidé e o urinol

Graças ao João Maio, percebi que o bidé é um tema da actualidade. Tenho opinião sobre o bidé (e sobre  o urinol), mas, por razões higiénicas, não a manifesto.

O Diário de Notícias armado em Folha de S. Paulo

In all of his wonderful meditations upon the ruefulness of our lives, there is always the spirit of laughter beckoning us in the art of somehow going on. His achievement is one of the enlargements of life.
Harold Bloom

***

Como é sabido, quer a Folha de S. Paulo, em particular, quer os falantes de português do Brasil na função de escreventes, em geral, escrevem *’objeto’ e é-lhes autorizada pelo AO90 a manutenção do ‘aspecto’. Pelo contrário, os escreventes de português europeu que se deixaram levar pela onda AO90 escrevem *’objeto’ em vez de ‘objecto’ e estão proibidos de escrever ‘aspecto’: escrevem *’aspeto’ (uma espécie de ‘espeto’ com <a> inicial).

Todavia, como o caos veio para ficar, o Diário de Notícias decidiu, a propósito deste excelente livro, armar-se em Folha de S. Paulo.

Por isso, *’objeto’ e ‘aspecto’, em vez de *’objeto’ e *’aspeto’. Obviamente, tudo se resolveria, resolvia e resolve com ‘objecto’ e ‘aspecto’. Em ortografia portuguesa europeia, com certeza.

Desejo-vos uma óptima semana.

***

Impromptu (sem itálico, porque é mesmo um impromptu), devido a Bessa-Luís e Lourenço, mas a culpa é de Saramago

Porque hoje é sábado, estava a dar uma última vista de olhos ao texto da conferência de amanhã, domingo, sobre o gigante Saramago, e a recordar Eduardo Lourenço e Agustina (*Agostina, na RTP, como podeis ver na imagem que vos apresento, e sem o – entre o Bessa e o Luís, cortesia da RTP).

Lourenço e Bessa-Luís estavam constantemente a perguntar, durante as respostas, “não é?”. E em cada frase (ou oração): “não é?”. Mais uma frase, e tal, “não é?”. É um problema português, mas dos antigos. Tão antigo como Bessa-Luís, Lourenço e as minhas avós. Problema que teria sido resolvido com jornalistas sofisticados. À pergunta “não é?”, a reacção “não, não é” ter-nos ia poupado imensas horas de indefinição e angústia. Perante o olhar de espanto dos interlocutores, a repetição: “não, não é” teria resolvido o assunto. Assunto, graças aos deuses, resolvido, teríamos menos um pseudodilema linguístico a ocupar o nosso labor. Mas ainda não chegámos lá. Nem sei se lá chegaremos. A ver vamos. Veremos.

Fonte da foto: https://www.youtube.com/watch?v=X15Eia63Qpc&t=414s

Jorge Miranda esqueceu-se do Acordo Ortográfico de 1990

For the heuristic purposes of analyzing learners’ L2 performance and L2 proficiency in SLA research, we argue that the broader notion of L2 complexity minimally consists of three components: propositional complexity, discourse-interactional complexity and linguistic complexity.
— Bulté & Housen (2012)

***

Efectivamente, Jorge Miranda esqueceu-se de mencionar o AO90, ao apresentar a lista de “muitos e muito graves problemas que a Assembleia da República deveria discutir e obrigar o Governo a enfrentar: a inflação, a lentidão da justiça, a crise nos hospitais, as distorções de serviços públicos, grandes zonas de pobreza“.

Portanto:

  • inflação,
  • lentidão da justiça,
  • crise nos hospitais,
  • distorções de serviços públicos,
  • grandes zonas de pobreza,
  • Acordo Ortográfico de 1990.

Porque Miranda não sabia, mas já sabe. No entanto, se, passado um decénio, ainda não souber, convém perguntar a quem saiba e não ao colega que fala muito, mas sabe pouco.

***

Susana Peralta pergunta:

Sabia que o Parlamento não conhece o OE que hoje vota?“.

Sim, sabia. Aliás, toda a gente sabe. Nem o que hoje vota, nem os que votou para 20122013201420152016201720182019, 20202021 e 2022 [1] e [2].

E gostei do conceito “cacofonia orçamental”: proponho que abranja os “tetos de despesa”, mencionados pela Autora. Os vinculativos, sim, mas também os indicativos.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

A sério, Expresso? Pára para?

We have to be more cautious in describing quantitative relationships. The one thing that we were just looking at, the interactive things we can do with the new methods, and we have a figure that we will keep, which shows the inflation unemployment counterclockwise spirals in the 70s and the 80s where you have to go through this bulge in unemployment to get inflation down… I mean… clockwise spirals…. Anyway… Like that ⮏. Or, from your point of view, like that ↺.
Paul Krugman

***

Pára para? Não era para para? Como em “uma lagosta para para me ver“? Ah! É pára para. OK.

Mais uma recaída. Exactamente. Efectivamente.

E qual é a explicação para factor?

Recaída? Deixaram de adoptar o AO90?

As duas coisas? Nem por isso? Que grande confusão. Tantas hipóteses, Expresso. Apesar de tanta conversa.

***

Hoje, quinta-feira, 24 de Novembro de 2022, jogam

a selecção e a seleção. Efectivamente. Porque ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.

«Os alunos de língua portuguesa e a língua portuguesa»:

os comentários.

Ninguém PÁRA este Benfica

Ninguém para? Não! Ninguém pára. Efectivamente. Na primeira página, para que não haja dúvidas.

Pequeno apontamento para aulas de literatura contemporânea em língua portuguesa

Cada um dos rios que lhe corriam nas veias trazia seus encantos e lamentos de outras terras, outras gentes e povos. Por isso ele se possuía de tudo e reflectia o modo de ser e de estar de todas aquelas gentes com seus sonhos e poesias em tons de lira.
Boaventura Cardoso

***

O escritor angolano Boaventura Cardoso recebeu o Prémio de Literatura dstangola/Camões, promovido pelo dstgroup, em parceria com o Instituto Camões, pela obra “Margens e Travessias”, de 2021.

 

Todavia, segundo o Correio da Manhã de ontem, Boaventura de Sousa Santos terá recebido exactamente o mesmo prémio.

Esperemos que o assunto se resolva pacificamente.

Nótula: A pareceria não é a actriz principal desta indicação, mas fica o registo, para arquivo.

Agradecimento: A Jorge Nuno Silva.

***

 

Ex-governador do Banco de Portugal não tirou uma selfie “nem pediu desculpas”, revela António Costa

Ex-governador do Banco de Portugal “não se retratou nem pediu desculpas”, revela António Costa.

Foto: E. Vives-Rubio (https://bit.ly/3GnsOhZ)

Eu e Pinto da Costa: a mesma luta

“Rejeito qualquer ato de violência“. Exactamente. Contra atos de violência e, já agora, também contra aCtos de violência.

Dentro de um quadro de Hopper

A música

00:00 intermezzo (charlie spivak) 04:28 charmaine (mantovani) 08:35 melody of love (wayne king) 11:46 auld lang syne (guy lombardo) 15:15 body and soul (coleman hawkins) 18:54 poinciana ‘song of the tree’ (david rose) 22:48 do you believe in dreams (francis craig) 26:56 twilight time (three suns) 30:31 intermezzo aka ‘souvenir de vienne’ (wayne king) 34:39 orchids in the moonlight (enric madriguera) 39:12 warsaw concerto (freddy martin/jack fina) 43:24 deep in my heart dear (troubadours) 48:00 dancing in the dark (artie shaw) [Read more…]

Chomsky e a doentia obsessão dos portugueses por Marcelo Rebelo de Sousa

“You can’t go to a physics conference and say: I’ve got a great theory.  It accounts for everything and is so simple it can be captured in two words: “Anything goes.””
Noam Chomsky, 15 May 2022

The Yorkists defeated and dispersed, their leader butchered on the field, it seemed, for a very brief season in the winter following upon the events already recorded, as if the House of Lancaster had finally triumphed over its foes.
R.L. Stevenson, The Black Arrow

*

Em primeiro lugar, convém distinguir obsessão e afins de obcecado e afins. Por causa do <s> e do <c>. E afins. Convém, de vez em quando, ser lexicalmente pouco sofisticado (os meus convém e afins), em nome da coerência.

Nada tenho contra Marcelo Rebelo de Sousa — nada! — , embora tenha recusado uma selfie com ele (sugerida por outrem note-se), por dispersão e insensivelmente, enfim, como finados o Império Romano e o Reno (obrigado, Eça e Ega) — e a recusa está devidamente documentada. Claro, também há o AO9O. Pois é. O AO90. Siga.

Felizmente, há vida além de Marcelo. Graças aos deuses. Infelizmente, no entanto, continuamos no espírito marcelista da ponte Salazar. Venha a geração do Eduardo (e do Ernesto). Não há pachorra (nem tempo, cf. infra) para parolices e cultos de personalidade.

Nas últimas semanas, [Read more…]

Formal oral, informal oral, formal escrito, informal escrito

Tenho alguns comentários formais (e informais), mas fica aqui à vossa disposição e consideração o modelo de Szmrecsanyi & Engel (2022):

We specifically cover the following registers:

  1. Spoken informal: conversations between family members and friends

  2. Spoken formal: parliamentary debates

  3. Written informal: blogs/chats

  4. Written formal: quality newspaper articles.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Sobre o novo álbum de Alexandre Soares,

eis um artigo bem escrito: projectos, Um Projecto Global (tenho-o em vinil), colectivo, eléctrica e electrónica.

Descubra as semelhanças e as diferenças

Richard Dawkins. Foto: Hazel Thompson, para o The New York Times, 20/10/2009 (https://nyti.ms/3TIoUDP)

 

Greta Thunberg. Fonte da foto: Claudia Carvalho Silva (entrevista) e Tiago Lopes (vídeo), Público, 27/10/2022 (https://bit.ly/3DjjCaS)

Nótula: O ‘Claudia’ não é gralha. Esclarece a própria: “Nasci em Neuchâtel, na Suíça – daí que escreva o meu nome sem acento.”

***

Hoje de manhã, enquanto preparava o meu café, lembrei-me de Foucault e de Atenodoro

Time, 16 de Novembro de 1981 (pdf) (fonte)

Il semble en particulier que dans l’entourage même d’Auguste, tout à fait au début de l’Empire, le problème [se posait] de savoir si la philosophie, en se présentant comme un art de soi-même et en invitant les gens à s’occuper d’eux-mêmes, était ou non utile. Jean-Marie André, qui a publié, sur l”otium’ et sur le personnage de Mécène, deux études très intéressantes, [a émis un certain nombre] d’hypothèses. En suivant ce qu’il dit, il semble qu’il y ait eu, autour d’Auguste, des tendances différentes, avec des changements d’attitude de la part des uns et des autres, de la part d’Auguste lui-même. Il semble qu’Athénodore, par exemple, représentait un courant de dépolitisation assez net: ne vous occupez de politique que vraiment si vous le devez, si vous en avez envie, si les circonstances l’imposent, mais le plus vite possible retirez-vous de la politique. Et il semble que, à un moment donné au moins, Auguste ait été favorable à cette sorte de dépolitisation.

— Michel Foucault, “L’herméneutique du sujet. Cours au Collège de France (1981-1982)“, p. 145.

***

Ser portista é horrível

Agora, eis a questão: portista ou portista?

Há um problema no Spotify (e outro, mais grave, no Diário da República)

In that summerRoll back to mother
IA/BD

***

O problema no Spotify é o seguinte: o Sea and Sky dos The Cult está no Go West (crazy spinning circles) do Rare Cult e o Go West (crazy spinning circles) está no Sea and Sky do single e do Rare Cult. Já agora, o novo álbum dos The Cult (aqui anunciado há poucas semanas e presente na epígrafe) é excelente.

Agora, vamos ao que interessa.

Efectivamente, como é dia útil, há festa. Porquê? Porque há Diário da República.

Exactamente.

Aliás, a formulação “não dispensa o contacto regular do trabalhador com o serviço” está padronizada e encontra-se há muitos anos consagrada em diplomas portugueses.

Encontra-se? Encontrava-se!

Desejo-vos uma óptima semana.

***

Croniqueta acerca do calimerismo

C’est vraiment trop injuste…
— Calimero

***

Não pretendo meter foice em seara alheia, pois há abundante literatura acerca do fenómeno de não se aceitar um resultado negativo, na perspectiva de, obviamente (o obviamente é, por definição, indiscutível), sermos os maiores e, logo, se perdemos, como somos os maiores, é claro que fomos prejudicados por algum menino mau. Eis um esclarecedor texto do Nabais.

Um recente episódio [Read more…]

Foi uma óptima sexta-feira desportiva

FC Porto 0-1 Benfica e Knicks 130-106 Pistons.

O fato e o fat

The popular view that scientists proceed inexorably from well-established fact to well-established fact, never being influenced by any improved conjecture, is quite mistaken. Provided it is made clear which are proved facts and which are conjectures, no harm can result. Conjectures are of great importance since they suggest useful lines of research.
Alan Turing

***

Imaginemos que estamos a deliciar-nos com um artigo científico em língua inglesa. Subitamente, damos de caras com o seguinte trecho:

The fat that the dip does not go to zero is fully accounted for by the fat that in the pair creation process there is some amplitude to have 2 atoms rather than 1 in an elementary mode.

O artigo é este (pdf) e o autor, além de ser dono de um invejável apelido (Alain Aspect) e de ter sido um dos vencedores do Nobel da Física deste ano, não escreveu obviamente a barbaridade que indiquei ali em cima, deixada à nossa fértil imaginação colectiva. Efectivamente, aquilo que Aspect escreveu foi isto:

The fact that the dip does not go to zero is fully accounted for by the fact that in the pair creation process there is some amplitude to have 2 atoms rather than 1 in an elementary mode.

Se Aspect tivesse grafado fat em vez de fact, teria tanta credibilidade como aquela que o Diário da República vem demonstrando desde Janeiro de 2012, ao grafar (grafar e não gralhar, como alguns querem fazer crer) as asneiras habituais. Eis um exemplo fresquíssimo:

No sítio do costume.

Desejo-vos um excelente FC Porto — Benfica (viva o Benfica!), um maravilhoso novo álbum (o segundo deste ano) dos Chili Peppers e, claro, um óptimo fim-de-semana.

***

Decadência

Ao ter conhecimento do “apego a um qualquer animal de estimação, típico das sociedades decadentes“, do bispo Linda, lembrei-me disto, lido há cerca de 33 anos:

— Não posso dispensar-me aqui duma psicologia da «fé» e dos «crentes» em benefício dos próprios «crentes».  Se, ainda hoje, alguns deles (crentes) ignoram até que ponto é indecente ser «crente»—ou então quanto isso é sinónimo de decadência, de vontade de vida quebrada—, já amanhã o saberão.
—Nietzsche

No original, lido cerca de treze anos depois:

— Ich erlasse mir an dieser Stelle eine Psychologie des „Glaubens“, der „Gläubigen“ nicht, zum Nutzen, wie billig, gerade der „Gläubigen“. Wenn es heute noch an solchen nicht fehlt, die es nicht wissen, inwiefern es unanständig ist, „gläubig“ zu sein — oder ein Abzeichen von décadence, von gebrochnem Willen zum Leben —, morgen schon werden sie es wissen.
—Nietzsche

Nótula: Felizmente, estou durante uns dias na casa da aldeia, onde guardo estas preciosidades (a segunda edição, de 1988). Já agora, o amigo que me apresentou ao Frederico Guilherme e o próprio Frederico Guilherme fazem anos amanhã, 15 de Outubro. Ainda bem que há coincidências.

Contra o Orçamento do Estado para 2023

Mantém-se um mistério o motivo pelo qual gente alfabetizada votou favoravelmente documentos redigidos nos termos de 20122013201420152016201720182019, 2020, 2021 e 2022 [1] e [2]. Uma hipótese que me parece plausível é a de estes documentos não terem sido lidos por quem os votou. E isso, a ser verdade, é grave. Mas não sabemos se é verdade. Só sabemos que é uma hipótese.

Debrucemo-nos então sobre o documento hoje depositado por Fernando Medina nas mãos de Augusto Santos Silva.

Foto: Nuno Ferreira Santos (https://bit.ly/3CpJfXc)

Vejamos, pois, uma amostra do conteúdo do Relatório (pdf): [Read more…]

Royale with cheese

La langue, un français écorché, mêlé de patois, était indissociable des voix puissantes et vigoureuses, des corps serrés dans les blouses et les bleus de travail, des maisons basses avec jardinet, de l’aboiement des chiens l’après midi et du silence qui précède les disputes, de même que les règles de grammaire et le français correct étaient liés aux intonations neutres et aux mains blanches de la maîtresse d’école.
Annie Ernaux (efectivamente)

***

Por causa da Mary Royall /rɔɪəl/, lembrei-me do royale /rɔiˈæl/ (with cheese). Trata-se sobretudo de tonicidade, sim, por isso, muito mais do que da velha história da selecção e da *selessão, perdão, da *seleção, lembrei-me da facção e do façam. É exactamente por isto que a linearidade não pode — não deve, OK — servir nem como forma de orientação nem como princípio norteador. Por falar em nortear e orientar (todavia, go west, porque the west is the best), há álbum novo dos The Cult e, na segunda, tereis os GNR de há 30 anos na rtp memória.

No sítio do costume? O costume.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***