O Pivot

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Passos Coelho vende BPN ao BIC por 40 M€. Estado aumenta o capital do Efisa, banco de investimento do universo SLN/BPN, em 90M€. Efisa é vendido por 38,5 M€ à Pivot SGPS, uma sociedade de capitais portugueses e angolanos da qual faz parte o ex-ministro do PSD Miguel Relvas.

Se não erra, o Correio da Manhã mente

Ontem, na sequência das suspeições lançadas pelo candidato presidencial Cândido Ferreira, num trabalho de investigação carregado de labor jornalístico, o CM noticiou que “Suiça valida falsa licenciatura de Nóvoa“.

Hoje, sob o inefável título “Nóvoa diz que tem curso na Suiça“, afirma que “Sampaio da Nóvoa confirmou ontem, em resposta enviada ao CM, que a única licenciatura que possui é o diploma em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra, na Suíça, em 1982“.

O leitor assíduo do jornal terá, perante isto, que gerir quatro caóticas dúvidas: então a falsa licenciatura foi tirada na Suiça? Ou é mesmo verdadeira mas a única que possui? Se sim, será que é preciso mais do que uma licenciatura para que um cidadão se candidate à Presidência da República? O Tino de Rans terá quantas licenciaturas?

A confusão desvanece-se um pouco com o período seguinte: “Tal como o CM avançou, em Portugal, o candidato frequentou um curso superior no Conservatório Nacional de Lisboa, em 1976, mas que não confere o grau de licenciatura.

Dirá o leitor do CM, se Sampaio da Nóvoa tem uma licenciatura em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e não tem nenhuma licenciatura em Portugal, provavelmente a lei exige que os candidatos à Presidência da República tenham concluído os seus estudos superiores em território nacional.

Não, afinal não é isso.”Sampaio da Nóvoa explica ainda que conseguiu fazer a licenciatura, na Universidade de Genebra, em apenas dois anos porque era um aluno exemplar” Diz ele ao CM que “o curso não tinha uma duração fixa. No meu caso, devido à dedicação total e exclusiva ao curso, consegui concluí-lo em dois anos. É esta, como referi, a minha única licenciatura“.

E é assim que, não havendo na realidade qualquer notícia, fica o caldinho feito para que o leitor crie a sua, fazendo a síntese: Dois anos? Ah, então a licenciatura foi uma borla. Se assim foi, não admira que o homem tenha dois doutoramentos! E que, para os conseguir, os tenha ido buscar, à sorrelfa, lá fora! O primeiro, claro, na Universidade da licenciatura, fica tudo em casa, não é?, e com classificação máxima, como convém para espantar a caça. E o segundo na Sorbonne, pois, e já sabemos como os franceses aceitam teses que nem são escritas pelos próprios. Assim também eu sou reitor, etc.

Há uma norma no Código Deontológico do Jornalista português que diz o seguinte: “5. O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas.”

Ao não corrigir a notícia da véspera (ela sim, falsa, não a licenciatura) e ao tentar endrominar os leitores apresentando os novos dados como uma confirmação daquela (“tal como o CM avançou, em Portugal, o candidato frequentou um curso superior no Conservatório Nacional de Lisboa, em 1976, mas que não confere o grau de licenciatura”, como se essa fosse a verdade do dia anterior), o CM demonstra que não faz jornalismo, antes descarada mente quando lhe dá na real gana.

 

 

No ERSEhole dos outros é refresco!

 

ARSEHOLE

A redução de 6%, ou de 13% para os consumidores “economicamente vulneráveis”, que representaria o expurgo da Contribuição para o Audiovisual (CAV) da factura da electricidade e a sua “passagem para o universo das comunicações”, almejada pela ERSE corresponderia nem mais nem menos do que ao exorbitante “desconto” de € 2,81 por mês por alojamento com consumo acima dos 400 kw anuais (os consumos inferiores estão isentos).

A medida, que surge no programa do governo após negociação do PS com o BE, PCP e Verdes, inspirada pelos spinners do sector energético como solução para diminuir o montante da factura da electricidade, teria no entanto como efeito, para manter a receita da RTP (condição de concretização inscrita naquele programa), um aumento muito maior na factura das telecomunicações, cuja universo “taxável” é muito menor e muito mais flutuante. Ou seja, os cidadãos com televisão por subscrição veriam agravado o montante actual da CAV e, juntando a factura eléctrica e a das comunicações, pagariam no total muito mais do que pagam hoje! A esperteza saloia em todo o seu esplendor…

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Debate Costa vs. Passos fez cair consumo de pornografia

Em 6%. Há que saber qual é o sucedâneo, se o debate, se a pornografia. Mas o mais intrigante é perceber porque raio 94% dos utilizadores portugueses de internet ainda preferem o softcore.

O homem da vermelhinha

Eu como professor de direito teria muita dificuldade em dizer duas coisas diferentes sobre a mesma questão jurídica“. Ok. Mas um Presidente da República pode dizer o que quiser. Por isso é que Marcelo já era Presidente da República antes de ser professor de direito. E de nascer.

Não é Natal, é um grande clube e um belo vídeo

Eh, eh, eh …

Admirável mundo novo

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Na Coreia do Sul, de acordo com uma reportagem da BBC, algumas empresas propõem aos seus funcionários a simulação do seu próprio funeral. A ideia pretende ser, digamos assim, generosa: ajudar os empregados a gerir o stress provocado por uma sociedade altamente competitiva e com uma das maiores taxas de suicídio do mundo, de modo a reconciliá-los com a vida, torná-los mais equilibrados e… produtivos.

O enredo desta iniciativa assenta num ritual que tem tanto de macabro como de pueril: depois de confrontarem os voluntários com vídeos que realçam a forma positiva como certas pessoas reagem a problemas muito mais graves – pessoas com cancro terminal gozando a última réstia de vida, pessoas sem membros aprendendo a nadar… -, é-lhes pedido que redijam, perante um caixão aberto, uma carta de despedida para os seus entes queridos. Terminada a tarefa, entre soluços, prantos e outras pieguices, são convidados a entrar no féretro, que será encerrado durante 10 minutos, o suficiente para se confrontarem com o sentido da vida.

Afirma um dos adeptos do método, presidente de uma firma de – é isso mesmo – recursos humanos, que “a experiência de entrar num caixão é tão chocante que lhes pode provocar um reset às suas mentes, permitindo-lhes reconfigurar totalmente as suas atitudes”.

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Uma faxina que fascina

Cavaco faz a faxina e varre a tralha passista

E assim acontece...

O How e o Know-How

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Salvador Dali, ilustração para a Imaculada Concepção

O Porto Canal descobriu um filão neste homem que tem o condão de nos colocar permanentemente em estado de estupor filosófico. Retenhamos esta sequência, a propósito da adopção por casais do mesmo sexo:

Eu sou homem. Tenho, por exemplo, órgãos genitais de homem, pénis, testículos, etc. Não fui eu que os fiz. Não fui eu, que os fiz. É claro que eu posso… se calhar foi a minha mãe. A minha mãe já faleceu. Mas eu posso facilmente imaginar-me a perguntar à minha mãe: – olha, tu sabes fazer pénis? (…) – Oh filho, eu sei lá fazer uma coisa destas. – Mas tu fizeste 4! Ela fez 4! Mas não sabe fazer pénis!” (…) Tenho aqui um problema. Ela não sabe fazer. Mas fez!“.

Bastaria tal pequeno exercício de retórica para nos apercebermos que entre os órgãos genitais do professor Pedro Arroja se encontram a cachimónia, as cordas vocais e a língua, capazes de gerar e dar à luz, como estes, pequenos sistemas de vida intelectual antecipadamente extintos (ou seja, abortos lógicos). Caramba, ninguém lhe saberá explicar a diferença entre o fazer e o saber-fazer?

Eu tenho certos órgãos, que já identifiquei. Não fui eu que os fiz. A minha mãe, também não os sabe fazer. O meu pai muito menos. Não vejo ninguém que os saiba fazer e que os tenha feito. (…) Quem foi? Quem foi? A resposta é: foi Deus. Embora o tenha feito no ventre da minha mãe“. (…)

 

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Teatro de fantoches

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Passos e Portas consultam um batalhão de médicos que lhe confirma o diagnóstico: estão efectivamente a ser vítimas. De alucinação. Passos e Portas trocam um olhar cúmplice, gesticulam com movimentos amplos, abrem muito os olhos e saltitam duas vezes, partindo uma enorme lâmpada fundida que se formara sobre as suas cabeças. Com o susto, desatam a correr em grande algazarra e lançam-se para um lamaçal onde encontram um grupo de lesmas. Estas perguntam-lhe em uníssono: “mas, mas, mas, mas… qual é a pressa, qual é a pressa?”. Passos e Portas desenroscam e extraem as respectivas línguas, enroscando no seu lugar duas gordas e luzidias lesmas. Passos experimenta a sua, a rappar em loop: “flato lento em água mole bate mais que rock’n’roll, flato mole em água benta tanto dá que arrebenta”, enquanto Portas vai cantando, com swing: “agora não, que estou em indie gestão; agora não, que estou em indie gestão”. Nisto aparece, a arrastar-se sinuosamente, como um réptil, uma pequena banana madeirense. “É uma canção de engonhaaaaaar, tanto sono, vou dormiiiiiiiiiir, tão bela como as dentolas de uma vaquinha a sorriiiiiiiiiir”. Os médicos, que assistiram a tudo, concordam: “Meninos, afinal, a nossa Constituição é mesmo inconstitucional! Como permitiu que estes malucos sequestrassem Portugal?”. A história termina com um certo boneco do Bordalo a distribuir Pedrada e Paulada às personagens correspondentes. E aos médicos delas carenciados, folhas de beladona q.b….

Fc porto quer arrendar antiga sede para hotel de charme

Será aí que a equipa de futebol passa a encontrar-se às 5 com adeptos para degustar scones e beber chá. Parafraseando o Frank (Dennis Hopper) do Blue Velvet, Oh, suave, man! You’ re so fucking suave! We love FC Oporto! Here’s to FC Oporto!

Ah, afinal perdemos? Repete-se o jogo e não se fala mais nisso

Não integrando propriamente o sector acéfalo do PSD, Paulo Mota Pinto (PMP), ex-deputado, ex-juíz do Tribunal Constitucional e julgo que ainda Professor na Faculdade de Direito de Coimbra, sai-se recentemente com esta:

A solução de governo pretendida pelo PS, PCP, BE e PEV sofre, como tenho dito, de uma ilegitimidade democrática substancial, pois a sua probabilidade foi realmente ocultada ao eleitorado e desmentida pelo PS antes das eleições de 4 de outubro. Ela é ainda precária e inconsistente, e contrária à identidade, valores e interesses de longo prazo dos partidos subscritores.

Sucede que, pela mesma ordem de ideias, sofreria de “ilegitimidade democrática substancial” um governo que antes das eleições “oculta” do eleitorado os seus verdadeiros propósitos, “desmentindo” questões muito objectivas e concretas sobre aumento de impostos ou cortes salariais, qualificando-as peremptoriamente de “um disparate”, e fazendo o exacto oposto de quase tudo o que disse que faria durante a campanha eleitoral. Ilegitimidade, por sinal, bastante acentuada e, como se tem visto, insanável. Mas sobre isto, PMP nem pia. [Read more…]

Portugueses,

O Aventar apresenta, em primeiríssima mão, um rascunho do discurso que Sua Excelência o Presidente da República proferirá aos portugueses após a rejeição do programa do Governo na Assembleia da República! Este documento foi-nos sigilosamente facultado por um amigo do Aventar ligado ao partido que ainda suporta (sublinhamos o termo) o Senhor Presidente e que integra a sua casa civil. Não garantindo que espelhará a intervenção que fará nos próximos dias, o Aventar está assim em condições de assegurar a sua autenticidade enquanto rascunho. [Read more…]

Assim seja, caralho*

Liberdade. Ser livre não é para todos. Primeiro, é preciso a consciência e a vontade de ser livre. Não se é livre sem saber que se é livre e sem assumir essa responsabilidade: as crianças, seres nefelibatas, não são verdadeiramente livres; não se é livre abdicando de o ser, o que sucede muitas vezes, entre outros motivos, por falta de coragem, por fragilidade de carácter, por cálculo de compromisso; não se é livre se, em prol de outros valores, mais ou menos venais, se aliena total ou parcialmente a possibilidade de ser livre. Para ser livre é preciso ainda contexto político e jurídico, ou fugir. A tudo acresce a medida. Muita gente seria, em hipotética igualdade de circunstâncias, intrínsecas e extrínsecas, diferentemente livre consoante o quantum de liberdade que lhe bastasse.

Acredito que poucos saberão dizer se são livres ou reféns das teias da sua liberdade. Embora lhes seja fácil identificar nos outros os traços de liberdade que admiram.

É aqui que me situo, eu que procuro ainda, desta forma analítica e ociosa, digerir a morte prematura de alguém que foi, para mim, sinónimo de liberdade e talvez o meu melhor amigo. [Read more…]

Quem matou o bambi?


Apesar dos pólenes, nunca me assoo em público quando chega a páscoa. [Read more…]

Remanso informativo

Anda para aí um processo branqueador do caso tecnoforma que é uma delícia. Sabe-se agora, vejam lá, que o homem da regisconta não tinha obrigações de exclusividade quando ocupou o lugar de deputado entre 1995 e 1999, altura em que terá recebido pagamentos da malfadada empresa. E a comunicação social não tinha maneira de saber isto antes de ter alimentado a putativa incompatibilidade que marinou na imprensa durante uns dias?

Sucede que o caso tecnoforma não tem nada a ver come ssa questão menor, mas com uma inacreditável situação de nepotismo envolvendo o governante relvas com responsabilidades sobre os fundos públicos entregues à tecnoforma e o seu técnico coelho, actual primeiro-ministro. Assim, quando transpirarem novos dados do processo de investigação aberto pelo MP a essa “joint-venture” (porque vão transpirar, passaram 3 convenientes anos e as eleições já se avistam…), o povão já estará remetido ao tecnofórmico remanso informativo.

Tratamento semiótico

“Os mercados norte-americanos abriram e fecharam ensombrados pelas dúvidas em relação à saúde da banca na Europa e a digerir as últimas declarações de membros da Reserva Federal sobre o aumento das taxas de juro.”

Está mesmo a dizer: à sombra, os mercados constipam-se e ficam mais ou menos ruminantes. Ou seja, o crime afinal kompensan! Já viram o tratamento semiótico a que é preciso submeter estes textos jorna holísticos?

Isto vai assim

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Maduro acha que se os efeitos da decisão do Tribunal Constitucional só valem a partir de 31 de maio, as parcelas dos subsídios de férias já pagas com os cortes inconstitucionais não devem ser reconstituídas de acordo com a decisão.

Tribunal Constitucional chumba Maduro, pedindo implicitamente a aclaração do seu doutoramento. Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, diz cinicamente que a decisão do TC gera desigualdades mas deve ser respeitada, insinuando que é a decisão que é inconstitucional.
Cavaco pensa dizer que só fala depois do Mundial mas mantém o silêncio para não se antecipar. São as instituições a funcionar regularmente como um intestino inflamado.

Simulação optimista do esquema de pensamento do funcionário público

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 reciclado pelo senhor dos passos e pela senhora das portas:

Mais 6%, pá? Ora mais 12% de castigo sobre o estatuto, o corte dos subsídios de férias e de natal, a reposição de um deles subtraída do aumento do IRS e reduzida pela revisão da dedução à colecta e dos escalões, a sobretaxa e a taxa de solidariedade, o congelamento salarial e a inflação, o IVA… Isso dá… Bem, é fazer as contas…

Os outros sacanas é que tiveram culpa, é muita despesa pública. Nos outros países não há concerteza esta despesa com os salários no Estado, aqui é que é o regabofe. O que vale é que há cada vez menos funcionários públicos, bem, postos de trabalho. Mas o pior é que quem fica passa a trabalhar por si e pelos despedidos… É a economia, pá. Não há dinheiro, pé… Temos que compreender, pi. E Deus nos guarde de ficar desempregados, pó. E se for eu a seguir, pu? Ta que pariu, não seria melhor trocar de camisa de forças, que esta já cheira mal?

O mais completo aldrabão de que há memória em Portugal

Hoje estive na Universidade Nova a tentar explicar aos alunos de direito o que é o serviço público de media, para que serve e em que se distingue dos serviços estritamente comerciais. O direito de antena fora dos períodos eleitorais é obrigação do serviço público e só por isso esta peça informativa montada pelo principal partido da oposição, mas que poderia ter sido feita, com os devidos ajustes quanto ao prisma partidário, por qualquer órgão de informação independente, foi concerteza exibida pela RTP.

Caso não houvesse o direito de antena, o milhão de portugueses que a viu em directo permaneceria, acossado sob o jugo da propaganda do governo e da inércia da comunicação social, com a temerosa ideia de que a catástrofe que tombou sobre o país foi herdada e não criada por um governo corrupto e incompetente. [Read more…]

O Pelotiqueiro

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No seu artigo no Público de sábado, Pacheco Pereira entende as mentiras do Primeiro Ministro e a densidade que o mesmo concede à sua própria palavra como fruto de uma geração de políticos que se caracteriza por um “amoralismo que não é um pragmatismo”, nem sequer “um oportunismo”, mas “uma ignorância e uma indiferença, um egoísmo obsessivo, mas de muito pouco alcance”. Mais tarde, salientando que a sua vigarice vocabular não é sequer muito sofisticada e que “o dolo é muitas vezes grosseiro”, conclui que é obsceno e imoral o Primeiro Ministro tratar assim as pessoas.

Pacheco Pereira é um esteta e a sua insuficiência enquanto político nesse simples facto radica. A geração de políticos a que se refere quando pensa no Primeiro Ministro não é propriamente amoral porque a ideologia que subscreve é todo um programa de vida que se tece numa extensa rede de cumplicidades. Passos Coelho e os seus acólitos obedecem a um preciso código recheado de imoralidades, nos termos do qual os fins justificam os meios e os meios justificam qualquer fim,independentemente da vítima e mesmo do resultado. [Read more…]

Memória

Morreu o corpo de Mandela e a ideia que os fracos faziam dele, que não lhe percamos a memória…

No autocarro

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Num autocarro de serviço urbano, cujos passageiros terão, todos, mandado uma pinocada há menos de uma hora, à pinha, uma mulher de meia idade, flácida, de aspecto descuidado, ocupa um lugar sentado, praticamente adormecida, mal segurando com uma das mãos um saco com compras. No corredor e a seu lado, um homem de meia idade, flácido, de aspecto descuidado, desperta do embrutecimento rodoviário típico porque um líquido pastoso encharca-lhe a meia do pé esquerdo – o seu melhor pé. [Read more…]

Serviço público e TDT

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Como é do conhecimento público, a transição para a televisão digital terrestre (TDT) em Portugal não foi exactamente exemplar. Depois de um falso arranque em 2001, o modelo que viria a ser lançado em 2008, contemplando uma componente gratuita irrisória face à oferta paga, continha os ingredientes certos para falhar. Falhanço anunciado não só pela experiência estrangeira (a falência dos modelos pagos em Espanha e em Inglaterra e a sua rápida substituição por bem sucedidos modelos de TDT gratuita, verdadeiramente atractivos e alternativos às implantadas plataformas de satélite e de cabo) como pela ausência de autênticos incentivos à migração ao nível da oferta básica. [Read more…]

A anedota do dia

O corte de 10% será devolvido se o crescimento do PIB for de 3%, se o saldo orçamental for positivo em 0,5% e se a arara roxa do zoo declamar o primeiro canto dos lusíadas

E pode-se insultá-lo?

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E agora uma pitada de doutrina jurídica.

Ponto 1: a Constituição não prevê, enquanto bem jurídico passível de protecção pelo direito penal, a “honra” de quem quer que seja mas, o que faz toda a diferença, o bom nome e a reputação das pessoas.

2 – Não é por isso o conceito que cada um tem de si, ou que dele têm os outros, que é objecto da protecção penal, mas o respeito que a qualquer um é socialmente devido, tendo como referência a dignidade humana. [Read more…]

Queixa feita ao provedor do DN

Caro provedor,

Fui leitor e comprador do DN desde que o José Manuel Fernandes liquidou o “Público”. Até hoje. Um jornal que se permite publicar um retrato biográfico/perfil de Hugo Chávez sob o título, na versão on-line, de “Chávez: um caudillo dos tempos modernos” e, na versão  impressa, de “o caudilho do pós-guerra fria que criou a nova Venezuela”, da autoria de Albano Matos, indicia uma falta de seriedade, rigor e isenção com a qual não posso, atento o estatuto editorial do jornal, conviver. Pois uma coisa é opinar acerca da figura de Hugo Chávez ou reportar o modo como alguma opinião pública e publicada o via ou vê, outra é,  desrespeitando não só os valores jornalísticos acima referidos, como o povo que nele livremente votou e por isso a própria democracia, associá-lo a um ditador fascista que se perpetuou no poder pela subjugação violenta.

Sabendo que outros leitores do DN partilham esta opinião (atentos os comentários on-line recolhidos pela dita peça jornalística) e porque não deixarei de manter acesso a recortes de imprensa na área dos media, passando a ler o DN apenas por dever de ofício, gostaria de obter a sua opinião sobre o que entendo ser um atropelo deontológico significativo que põe em causa a integridade do jornal, visto que nos permite pensar que  outros assuntos não serão por ele tratados com a equidistância que se exige.

Grato desde já

E com os melhores cumprimentos

João Pedro Figueiredo

La java des bombes atomiques

“Merda Louca”, mais tarde “Merda Louca, o Lobo Branco”, é a tradução livre do nome do colectivo musical francês que integrou o alinhamento do primeiro concerto Rock In Opposition (RIO), em 12 de Março de 1978, no New London Theatre, uma iniciativa dos ingleses Henry Cow que juntaria ainda os italianos Stormy Six, os suecos Samla Mammas Mana e os belgas Univers Zero, sob o lema “a música que a indústria discográfica não quer que oiçam”.

La java des bombes atomiques, canção de Alain Goraguer e de Boris Vian, conta a história de um bricoleur que construía bombas atómicas em casa, tentando continuamente melhorá-las visto que o seu raio de acção não ultrapassava o perímetro de um quarto. Durante muito tempo trabalhou nas suas criações, interiorizando as limitações e o potencial das suas descobertas. Quando souberam que as suas pesquisas estavam prestes a dar resultados, os grandes chefes de Estado decidiram fazer-lhe uma visita. O autodidacta recebeu-os o melhor que pôde no seu atelier, onde acto contínuo os trancou e fez detonar a bomba. Em tribunal, defendeu-se com eloquência e com a consciência do dever cumprido. Primeiro condenado, depois amnistiado, viria – justiça lhe sendo feita – a ser eleito chefe do Governo.
Os Etron Fou Leloublan (inicialmente Chris Chanet, Ferdinand Richard e Guigou Chenevier) gravaram cinco álbuns de estúdio e os seus membros continuam a poder ser seguidos, a solo ou em grupo, por quem procura o improvável na música.

Getatchew Mekurya com The Ex

Getatchew Mekurya, sax tenor, nasceu em Adis Abeba em 1935. Em 2004, os ex- punk holandeses The Ex, depois de terem conhecido a reedição, na série Éthiopiques, do álbum de 1970 “Negus of Ethiopian Sax“, convidaram o septuagenário músico a participar no espectáculo do seu 25.º aniversário. Mekurya retribuiu, propondo-lhes colaboração no seu álbum de 2006, “Moa Anbessa“, e posteriormente no seu álbum do ano passado, “Y’Anbessaw Tezeta“, no qual se lhe juntaram alguns músicos de jazz contemporâneos (incluindo o excelso Ken Vandermark) – Wiki dixit.
Neste clip, Mekurya, com outros músicos e performers etíopes, junta-se aos The Ex, aqui com Mats Gustafsson e Paul Nielsen-Love, em concerto no Centro Cultural da Universidade de Addis Abeba, em 21 de Fevereiro de 2011.

A lista de Relvas

De acordo com uma antiga Recomendação do Conselho de Europa e ao abrigo da Directiva sobre Serviços de Comunicação Social Audiovisual e da Lei da Televisão, o governo publica anualmente uma lista dos “acontecimentos de interesse generalizado do público” que não podem ser apropriados por operadores de televisão cujas emissões sejam pagas. A ideia é permitir que o valor económico de determinados eventos não seja explorado em detrimento do interesse que suscitam no grande público, permitindo aos operadores de televisão free-to-air de âmbito nacional solicitar aos canais por subscrição detentores dos respectivos direitos de transmissão, a preços não especulativos, o acesso à transmissão televisiva desses acontecimentos.

As características e o valor económico dos espectáculos desportivos fazem deles candidatos preferenciais a integrar aquela lista, sendo o futebol o que concita a maior adesão popular. Não estranha por isso que cerca de metade dos eventos habitualmente listados se refira ao futebol, sendo a parte restante preenchida com outras provas desportivas com tradição em Portugal (Volta a Portugal em Bicicleta) ou que envolvam a participação de atletas portugueses (nos jogos olímpicos, todas as participações; nos campeonatos da Europa e do Mundo das diversas modalidades desportivas, as participações na fase final; nas outras competições internacionais oficiais entre clubes nas modalidades de andebol, basquetebol, hóquei em patins e voleibol, apenas as finais). Os únicos eventos não desportivos integrados usualmente nestas listas são as cerimónias de abertura e de encerramento… dos jogos olímpicos. [Read more…]