O dono do IAVE ainda não foi demitido. Compreende-se: mentir, ser insolente e cometer erros, é a cara deste governo.
A anedota do Key for Schools

As inteligências do IAVE resolveram abrir um inquérito de opinião ao exame da Cambridge, com a particularidade de qualquer pessoa poder responder, uma ou quantas vezes quiser, tenha ou não alguma relação com o exame. Será que já circulam mails em certos circuitos a apelar a simpáticas contribuições? : -) Quem quiser participar pode ir aqui.
No meio desta incapacidade organizativa, o ministério não faz ideia quando estarão disponíveis os resultados mas, pelo caminho lá lançou umas farpas, como tão bem – isto sim, sabe fazer.
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Um concurso de professores que eterniza a injustiça, divide e corrompe
Santana Castilho *
Pouco a pouco, a Educação nacional vai-se transformando num instrumento da tendência totalitária do Governo, cujo objectivo é produzir cidadãos submissos, que cumpram o desiderato da “ausência de alternativa”. Para isso, a política que emana do Ministério da Educação e Ciência tem sido sistematicamente urdida de modo a conduzir a comunidade académica para um reduto de proletários, que apenas lutem pela sobrevivência. Tratando os professores como menores mentais, que gostaria de confinar a um enorme campo de reeducação, Nuno Crato tem-se esforçado por remover a cidadania da Escola e por vestir a todos o colete-de-forças da burocracia burlesca e do centralismo castrante. Para o homem que odeia as ciências da Educação e lhes chama “ciências ocultas” (que de facto o são por referência à ignorância que sobre elas exibe), tudo o que é anterior ao seu iluminismo é lixo não científico, que trata com a angústia persecutória própria de um teocrata que venera a econometria. [Read more…]
Sim, Carolina
Na semana passada a Sílvia Caneco trouxe no i esta arrepiante história daquilo em que nos estamos a tornar, enquanto sociedade. Primeiro revoltei-me, depois angustiei-me, e depois fui tentanto digerir aquilo, enquanto olhava para o meu filho, da idade da Carolina. Só um pouco mais novo que os rapazes que lhe fizeram aquilo. Apanhei-o à porta da escola e olhei para lá. Vi as raparigas todas a saírem para a rua, tão cheias de graça e de vida. Foi nesse dia que recebi uma mensagem Mãe que Capotou, a perguntar o que poderíamos fazer. Foi também quando a Sónia Morais Santos partilhou a ideia que nascera em modo quadripolar. E foi o que me fez voltar ao Aventar, para vos dizer que é preciso devolver a vida à Carolina e aos pais dela. Depois soube que está tudo a encaminhar-se. Indignem-se, por favor, mas reajam. O mínimo que podemos fazer por nós e pelas nossas Carolinas é isso. Não permitir que voltem a pintar-lhe lagartos na saia.Dúvidas e dádivas podem ir bater ao e-mail quadripolaridades@hotmail.com
Ou de como a blogosfera continua a ser uma âncora, no meio desta tempestade.
O Estado, a Cultura e o Património
“…a função do Estado na Cultura tem de sair da mera dicotomia entre a preservação do património e o apoio à criação artística: o Estado tem de ser, cada vez mais, facilitador na relação com a referência e a experiência cultural, na fruição e acesso de cada cidadão à cultura. Este papel acrescido significa responder à procura com mais informação, com mais parcerias, com uma maior descentralização, com a colaboração – sem sobreposição, dirigismo ou substituição – com as autarquias, empresas e sociedade civil; com o apoio à criação e produção cultural e à internacionalização; e continuar a encontrar novos públicos em conjunto com as indústrias criativas, o turismo e a educação….”
Pois é. A esta citação voltaremos.
Exames de matemática (4º e 6º)
A análise mais detalhada fica para depois.
Matemática, 4º ano: Caderno 1 / Caderno 2; Matemática, 6º ano: Caderno 1 /Caderno 2.
Exames de Português
Hoje vi, ali no centro do terreno, o que este jogo faz aos putos. Mais uma vez, detestei.
Mas, aqui ficam as provas de português (formato pdf) que os meninos do ensino básico fizeram:
– 4º ano: caderno 1 | caderno 2 | critérios de classificação .
– 6º ano: prova | critérios de classificação.
Quarta-feira há mais.
Não discordo de Marisa Matias, mas acrescento…
Marisa Matias esteve em Peniche, onde afirmou perante empresários ligados à modalidade, que o ensino de surf deveria fazer parte do currículo escolar. Faz sentido em Peniche ou Ericeira, mas seria completamente desajustado noutras regiões do país. A escola deveria servir populações, preparar alunos para o mercado de trabalho que vão encontrar, na sua zona geográfica, pois em primeiro lugar é aí que as pessoas se procuram fixar. Para que tal aconteça, a escola teria que ser descentralizada. Autarquias, pais, professores, seguramente conhecem melhor as necessidades num pequeno Concelho, que um burocrata sentado à secretária no ministério ou Direcção Regional. Desde a definição dos currículos à formação do próprio corpo docente. Tenho é sérias dúvidas que a coordenadora do Bloco possa ser tão radical no que diz respeito à reforma do eduques…
Surf? E a lerpa?
A candidata do BE às eleições europeias defende a inclusão do surf nos currículos escolares. Como disse?
Grande aposta! Cavaco fala do mar, Rangel idem, e agora é a vez de Marisa Matias. Surf nos currículos escolares?
E já agora porque não a lerpa? E o pião? E a macaca?
Que triste sina!
Fujam, Fujam p’ra Longe

A geração que nos vai governar a seguir está em breve a sair das faculdades; é o caso desta estudante de Direito em Coimbra – uma talvez-futura-juíza ou mesmo presidente-da-assembleia, – Cecília Gonçalves. Ouvida pelo Público, a promissora doutora deita cá p’ra fora o que lhe vai na alma. Por exemplo…
– “(…) a praxe não é humilhação mas está presente” (está presente o quê?) (…) é normal, é aceitável, é compreensível”;
– “ao longos das nossas vidas vamos ser humilhados das mais diversas formas”;
– “um dia, num futuro emprego, o meu patrão poderá chamar-me de incompetente e eu terei de saber aceitá-lo”;
– “os nossos professores chamam-nos ignorantes e nós temos de limitarmo-nos aos silêncio”;
– “a praxe ensina-nos (…) que na vida há uma hierarquia natural e que nós vamos ter de aceitá-la”;
– “a praxe ensina-nos (…) a igualdade para com os nossos semelhantes caloiros e a desigualdade perante o superior“;
– “Todos os anos morrem pessoas afogadas em rios (…) e até nas suas banheiras”;
– “Eles morreram na sequência de uma onda e não no ritual de praxe porque embora estivessem numa actividade praxista, podiam não o estar e morrerem na mesma”;
– “A praxe envolve humilhação, envolve gritos, envolve estar de quatro (…)”;
Posto isto, pergunto-me duas coisas: o que ensinaram a esta gente nas escolas secundárias? Há ainda gente sana e razoável no ensino superior ou são todos assim?
A fraude do ensino privado
Qualquer professor com colégios por perto o sabe, os pais também, a compra de médias mais alta é um objectivo declarado de muitos. Eis que agora nos chega a demonstração matemática: as notas no ensino privado são inflacionadas, favorecendo os seus alunos no acesso ao superior e não só.
Esta vigarice, a que se acrescenta a realização das provas de exame nos colégios contrariando a tradição do ensino em Portugal e o bom senso, é conhecida, aceite, sacudida, suportada por todos nós.
Se do lado de quem pratica a desonestidade não espanta, seja a de quem compra porque instiga os seus a que passem por cima dos outros, fruto de um individualismo exacerbado e imoral, seja de quem o proporciona, porque o seu objectivo é apenas o lucro e o ranking, já o silêncio do estado e sucessivos governos diz tudo sobre onde chegámos, neste caso a bem pior que há 40 anos.
Estas respostas não afetaram?
Paulo Francisco
Sou um dos alunos que hoje fez o teste do Key for Schools, uma seca, na minha sala tivemos de esperar meia hora para entregar, o teste era tão fácil que se fez num instante.
Tinha uma folha, em português, onde antes das perguntas estava escrito: Estas respostas não afetaram o resultado do exame de forma alguma.
Eu ainda não acabei o 9º ano, mas parece-me que a minha prof de Português se eu escrevesse isto me chumbava num instante.
Os alunos chegam à universidade sem saber ler nem escrever
O Paulo Guinote publicou uns recortes do Independente de 28 de Fevereiro de 1992, de onde imprimi isto:
Calha ser do Vasco Pulido Valente, é detalhe, toda a gente o dizia, reparem no ano: 1992.
Em 1992 já levava meia-dúzia de lectivos em sala de professores, recomendava aos meus alunos que lessem o Expresso para se prepararem a prazo para a PGA, uma tentativa cavaquista de regresso do exame de admissão nas universidades que se escafedeu a si própria, já estava portanto habituado, conversa favorita de profe velho depois repetida pela sociedade em geral ainda mais ciosa dos seus diplomas da 4ª classe antiga do que hoje: os alunos de agora são uma desgraça e a futura desgraça da nação. [Read more…]
O 25 de Abril e a escola de Durão Barroso e Nuno Crato
Santana Castilho *
Tornou-se um lugar-comum dizer que a história da Educação da democracia é a história de sucessivas reformas avulsas, quase sempre descontextualizadas e elaboradas sem o concurso dos docentes. Mas a esta característica consensual veio acrescentar-se a desolação dos anos de Crato. Os constrangimentos impostos pela crise sofreram a interpretação de um fanático dos resultados quantitativos que, incapaz de ponderar os efeitos das suas políticas, está a produzir sérias disfunções no sistema de ensino, que nos reconduzem à escola de 24 de Abril, aquela que Durão Barroso evocou e celebrou há pouco, no antigo Liceu Camões. Porque ambos nos querem fazer acreditar que o sonho de modernizar o país foi um erro, que estava acima das nossas possibilidades, que devíamos ter continuado pobres e sem ambições, a eles e a todos os que olham a Educação como mercadoria, aos que ainda não tinham nascido em Abril de 74 e hoje destroem Abril com a liberdade que Abril lhes trouxe, importa recordar, serenamente, o que Abril fez: [Read more…]
O Aluno, essa “Hostia” sagrada
Francisco da Cunha Ribeiro
Li num jornal sério que uma “professora, agredida por um aluno, acabou suspensa das suas funções”. Quanto ao agressor, nem uma palavra. Quero crer, porém, que não o aplaudiram pela cobarde agressão; que o não repreenderam por não ter ido mais além na violência da sua agressão; ou que lhe não subiram de imediato a nota à disciplina de Moral.
Mas a notícia esclarece ainda que “ a professora fez dezanove participações disciplinares relativas à mesma turma, desde o início do ano letivo”. Ora, dezanove participações disciplinares, ao longo do ano, serão de facto muitas participações… A Sra professora que me desculpe, mas não deve saber o que anda a fazer… A turma em questão “certamente repleta de bons rapazes e boas raparigas ” não merece tanta participação disciplinar… É que com esta resma de participações sabe-se lá se os meninos e as meninas não ficam traumatizados… Coitados! Mas há mais: ” a Escola pediu avaliação médica da professora…” Pediu, e, a meu ver, fez muito bem! A sra professora só pode sofrer da caixa dos pirolitos! Admite-se lá fazer participações disciplinares a alunos tão disciplinados! Noutros tempos, sim, era normal os professores despacharem os alunos com participações disciplinares, hoje em dia não é necessário, visto o comportamento exemplar dos nossos alunos. Nos dias de hoje, em que os pais educam tão bem os seus filhos, ninguém irá entender que, em vez de uma participação disciplinar, não se dê ao aluno uma decisiva e eficaz lamparina.
O Estado Novo II, o Atlas e um truque com chancela de Cambridge
Santana Castilho *
1. A associação Empresários Pela Inclusão Social (EPIS) encomendou ao Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova (CESNOVA) um Atlas da Educação. Fiz leitura suficiente para encontrar informação importante e útil. Mas há três aspectos (custo dos “chumbos”, denominada “cultura de retenção” e responsabilização do centralismo pelo falhanço de sucessivas políticas reformistas) que são abordados com uma narrativa pouco cuidada, indutora de leituras menos rigorosas e, uma vez mais, responsabilizando implicitamente, por falta de uma clarificação que era exigível, os mesmos de sempre: os professores.
De todo o documento, o que foi “puxado” para título por dois jornais de referência (Público e Jornal de Notícias) foi o alegado valor anual do custo da “cultura de retenção” vigente. A leitura apressada das notícias poderá levar a inferir que professores pouco diligentes preferem chumbar os alunos a maçarem-se demasiado. Mas não é isso que se retira da produção académica das ciências sociais (universo a que pertencem os autores do estudo) e da própria OCDE, que consideram as variáveis de natureza cultural e socioeconómica como influenciadoras decisivas no desempenho dos alunos, contrariamente ao discurso oficial, que desvaloriza o peso dessas variáveis e privilegia indicadores de eficiência e eficácia. Os titereiros do Estado Novo II, em véspera de mais cortes na Educação (já anunciados pelo arauto das novidades, Marques Mendes), devem ter ficado agradados com os “sound bites” que o Atlas proporcionou: 250 milhões anuais de “gorduras”, que podem ser poupados se as relapsas escolas forem reeducadas e libertadas da “cultura de retenção”. [Read more…]
Os alunos do ensino artístico especializado e o seu acesso ao ensino superior
Rui Jorge Galiza Matos Naldinho
Os alunos do estão sujeitos, desde o ano letivo 2012/2013, a um regime de acesso ao ensino superior diverso do vigente até então, introduzido pelo Decreto-Lei nº139/2012 de 5 de julho e suas portarias (243-A/2012 alterada pela 419-A/2012 e pela 59-A/2014).
Tal alteração parece ser mais motivada por razões políticas do que pedagógicas. O que está aqui em causa é que estes alunos, que concorrem ao ensino superior com os alunos de artes visuais do ensino dito regular (cursos científico-humanísticos) são discriminados, tendo-se instalado entre os dois regimes legalmente aceites para conclusão do secundário uma discrepância resultante de regras que os distinguem de forma arbitrária, sem qualquer razão ou fundamento, criando profundas injustiças na hora de concorrer ao ensino superior. [Read more…]
Key for businesses

Ando estupefacto com tudo isto que diz respeito ao novo teste de “diagnóstico” da Cambridge (Key for Schools). O Estado está a patrocinar a introdução de um exame privado no ensino público através, por exemplo, do pagamento de despesas associadas, assessoria e gastando parte do horário laboral dos professores nisto.
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Os juízes também não correm risco irremediável de desemprego
Podem sempre desenvolver outras actividades. Ir dar o cu, por exemplo.
Será possível o consenso?
Santana Castilho*
1. Poiares Maduro foi recentemente ouvido na Comissão Parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local. Entre outras coisas, falou de educação como se, digo eu, não existisse ministro dessa pasta. E que disse? Que pretende que, no próximo ano lectivo, dez municípios-piloto sejam responsáveis pela gestão da educação. Não clarificou, ele que invocou a transparência, o que é isso de “gestão da educação” que, assim deixada na nebulosidade, pode ser tudo e nada. Mas foi assertivo quando afirmou que iria descentralizar. Ora descentralizar, verbo transitivo que significa afastar do centro, distribuir pelas localidades ou corporações locais, pode nada resolver e tudo piorar. A gestão da educação nacional não precisa que substituamos o monolitismo do ministério por outros tantos monolitismos, um em cada câmara. Há coisas que devem continuar concentradas (concursos de professores, por exemplo, onde o experimentalismo descentralizador dos últimos anos gerou aberrações inomináveis) e outras que, ao invés de serem desconcentradas por câmaras, devem, outrossim, ser disseminadas pelas escolas e pelos professores (a gestão pedagógica, por exemplo). Ao ministro Maduro (e ao da Educação, se existisse) conviria reler a história da I República (a descentralização/municipalização da educação foi definida pela primeira vez em decreto de 29 de Março de 1911) para perceber que não é de descentralização municipalista mas de autonomia que as escolas e os professores necessitam.
A irresistível atracção pelos números das pessoas que não gostam de pessoas
As pessoas que não gostam de pessoas outrora adoravam o deserto, compraziam-se com outros animais, eremitavam e alguns tinham a Deus e rezavam-lhe; hoje preferem os números, ajoelham-se no Excel e, gente dada à prestidigitação, divertem-se na acrobacia de uma tabela com mortal encarpado à retaguarda de um gráfico. Tenho por eles uma sedução próxima da que Herberto Helder manifestou pelos poliglotas tradutores de poesia, incapazes do parir de um verso mas infatigáveis no afã de o traduzir.
Se ando saudoso deles é certo e sabido que vou ao ermitério do costume, o Blasfémias, visitar o Vítor Cunha a quem aguarda nas hagiografias uma página próxima de um S. Antão. E que vejo desta vez? um quadro publicado pelo Paulo Guinote com dados sobre alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). E que visão teve e atormenta S. Cunha? a de que misteriosamente estes se reduzem entre o básico e o secundário, o que só pode. diz ele, ter duas explicações:
Ligações Perigosas na Escola Pública

Como convencer famílias carenciadas a assinarem contratos de fidelização de 36 meses?
O “esquema” é simples:
– com a conivência de alguns Directores de Escolas Públicas, as famílias dos alunos começam por ser contactadas telefonicamente;
– “doutoras” extremamente simpáticas convidam as famílias a comparecerem na escola, durante o fim de semana e no horário mais conveniente;
– com tamanha disponibilidade e simpatia, debaixo do tecto da Escola Pública, ninguém duvida da idoneidade das empresas envolvidas e muito menos dos objectivos que se propõem atingir;
– com a promessa de soluções milagrosas para o insucesso escolar dos seus filhos e de os preparar convenientemente para o “importantíssimo” Exame de Inglês do Cambridge, utilizando técnicas de marketing irresistíveis, os pais quase assinam de cruz um contrato de fidelização de 36 meses com pagamentos por débito directo!
Sim, leu bem, 36 (trinta e seis) meses!!! [Read more…]
As 500 condenações do MEC e a saga dos contratados
Santana Castilho*
A história é conhecida e o problema é velho. Já em 1982, quando passei pelo Governo e me empenhei em o resolver, separando a profissionalização da formação e integrando nos quadros todos os professores com três contratos anuais completos, encontrei, entre outras, oposição sindical. Rolaram os anos e o anacronismo aumentou com as sucessivas alterações aos concursos para provisão de lugares de quadro. Somaram-se as injustiças e criaram-se castas. Há professores contratados com mais de duas dezenas de contratos, que satisfizeram sempre, passe a redundância, necessidades permanentes de ensino, referidos como assalariados de necessidades temporárias. Podem ter mais tempo de serviço que os colegas do quadro, as mesmas ou habilitações superiores até, deveres e responsabilidades idênticas. Mas têm menor salário e mais horas de componente lectiva. Porque não pertencem aos quadros, não têm qualquer horizonte de progressão profissional. Porque são escravos novos, não podem aspirar a vida familiar estável e são classificados anualmente sem hipótese de acederem à notação máxima. [Read more…]
Cursos vocacionais: e agora?
Já muito se escreveu sobre os cursos vocacionais e o que há para escrever servirá apenas para tornar ainda mais negras as cores deste fundamentalismo ideológico de Nuno Crato. O modelo escolar alemão claramente dividido em duas vias está mais do que experimentado e muito longe de produzir os resultados esperados, isto dando de barato que é possível importar modelos organizacionais tal como se importa um opel ou uma salsicha.
Os cursos vocacionais estão a ser espaços para as coisas mais absurdas, nomeadamente, agressões bárbaras a colegas de escola, a professores e a funcionários. A coisa está em tal estado que já há diretores a pedir a colegas que aguentem as coisas até ao fim do ano porque não há nada mais a fazer.
Aprendizagens zero, com taxas de insucesso muito perto dos 100%.
Só que agora, temos um problema. Alguns cursos do 2º ciclo chegam agora ao fim do equivalente ao 6º ano e a estes alunos só resta uma de duas coisas:
– passam nos exames nacionais e podem transitar de via, entrando no ensino regular (7º ano);
– não passando, ficam retidos no 2ºciclo ou então a escola é obrigada a criar um vocacional de 3º ciclo (equivalência a 7º, 8º e 9º) para continuar a desgraça.
A primeira hipótese é tão provável como o Porto ser prejudicado por um árbitro – é uma hipótese possível, mas apenas académica.
No segundo caso, fazer avançar a cangada para o terceiro ciclo resulta apenas numa forma de continuar a fazer de conta. Manter o grupo no 2ºciclo é apenas repetir o erro.
E, enquanto isso, professores, funcionários e direções desesperam com um retrocesso aos anos 80, ao tempo em que a minha geração abandonou a escola algures entre o 7º e o 8º…
Repare caro leitor que estes vocacionais são claramente promotores (indutores!) de abandono escolar, num país que tem uma escolaridade de 12 anos. Dirão os menos atentos que quem não quer estar na escola, deve sair.
Pois, mas saindo, vão para algum lado, não?
Para as prisões? Ou para as Juventudes Partidárias?
Palpita-me que estamos perante a quadratura do círculo.
Os coelhos que Crato tira da cartola são passos eleitorais
Santana Castilho*
Com um sorriso pérfido, tão impróprio quanto significativo, Passos Coelho referiu-se assim ao sofrimento que já causou e continuará a causar aos portugueses: “… Quando se começa a levar pancada, as primeiras, que podem ser as mais fortes, não são, necessariamente, as que doem mais …”.
Há circunstâncias em que a leitura das imagens pode ser dúbia. Não é o caso. O primeiro-ministro fez chacota com o anúncio de mais sacrifícios e a justeza do que afirmo poderá ser confirmada por quem me ler. Basta visionar a gravação deste momento abjecto do Congresso do PSD. Surpreende que a falta de recato verbal e decoro expressivo, por parte de quem impôs o empobrecimento forçado de milhões de portugueses, não tenha provocado incómodo nos congressistas? Nada disso! A parada do Coliseu foi agradecer prebendas e aquecer motores para as campanhas eleitorais que se seguem. [Read more…]











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