Maria Luís Albuquerque, a ‘swinger’ dos ‘swaps’

Jornal de Negócios de 29--04-2013

Jornal de Negócios de 29–04-2013

Vá lá saber-se por que razão. Reminiscências de infância?  Resíduos de subconsciência? Ignoro o motivo. Sei que cada vez que me deparei com a figura de Maria Luís Albuquerque em declarações, discursos ou debates na TV, é infalível equipará-la à pureza de imagem da noviça Maria (Julie Andrews) em ‘Musica no Coração’.

A comparação é mero fruto de incontrolado sentimento. De facto, colocando os óculos a preceito e observando em pormenor, a noviça Secretária de Estado, do cariz purificado e credível, apenas tem ilusório aspecto. O lenço bem alinhado ao pescoço favorece-a na imaculada imagem. Distanciando-se das poses e do estilo ‘négligé de Saint Germain de Pres’ dos extensos cachecóis da Teresa Leal Coelho, a jantar, por hipótese, na Cervejaria Lipp com Carla Bruni e demais amigas da sociedade ‘snob’ parisiense. [Read more…]

Um PS dos mais frágeis de sempre, desenhado à vontade de Soares

De Seguro a Passos Coelho, há alguma distância ideológica. Todavia, é insuficiente para garantir alternativa séria, corporizada em modelo e objectivos de governação de que o País carece – de resto, em acto de uma espécie de mimetismo dos masoquistas islandeses, o povo português, tudo indica, permanecerá, por teimosia e culpa, enredado no círculo dos partidos do ‘arco do poder’.

Há dias, vi a reportagem do almoço do 40.º aniversário do PS, na sede do Rato, apenas entre Soares e Seguro. O tom laudatório do patriarca socialista a louvar Seguro foi elucidativo do empenho proteccional ao reeleito secretário-geral do PS. Há afirmações pueris, apenas no aspecto: No fundo, trata-se de juízos intencionais e de uma modalidade de autoritarismo suave na aparência, mas plasmado na determinação do objectivo, semelhante à finalidade do ataque do pérfido felino a dominar a presa. E Seguro é, de facto, presa fácil.

Soares, desde sempre, nunca abdicou da prerrogativa de comandar o Partido Socialista, mesmo quando deslocado para funções incompatíveis com a militância – Presidência da República é um dos casos. Os vergonhosos afastamentos de Vasco da Gama Fernandes e Salgado Zenha são dois actos de ‘vendetta’ soarista que jamais a História deixará esquecer.

Seguro, ‘jota’, pardo ministro de Guterres e sem qualificações para chefiar a governação do País na complexa encruzilhada em que vivemos, é a réplica de um Passos Coelho para quem Mário Soares se chamou Ângelo Correia. [Read more…]

Porra!, esqueceram-se da Ruth Marlene

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João Pinto e Jorge Gabriel candidatos do PSD a freguesias do Porto. Porra!, esqueceram-se da Ruth Marlene.

25 de Abril, em tempos de governo maldito

Estou bem no interior do Alentejo. Terra de pouca gente, larga maioria de idosos, mas de memória bem viva e sólida. Jamais esquecem a data. No café da vila, à hora do café e do bagaço após o almoço, combinavam os festejos para a meia-noite. Haverá febras, pedaços de Javali caçado na reserva do clube local e mais uns petiscos, pão alentejano… ah!, e o vinho d’um cabrão oferecido pela Junta, a escorregar pelas goelas abaixo, que é uma maravilha.

Sempre foi e continuará a ser assim – juram-me – as comemorações do 25 de Abril aqui na terra. – Não nos vergamos a esta cambada que nos rouba e desgoverna – diz-me um homem de cinquenta e tal anos. – Hão-de cair, como todos os que nos atraiçoam – acrescenta, confiante.

Ouvi apenas. Sem comentar. Evitei desiludir quem comemora e sente com alegria o 25 de Abril, desde sempre. De mim para mim, penso no Passos Coelho, na Paula Teixeira da Cruz, no Relvas que já partiu e no Pedro Pinto. Todos estes e congéneres, no 25 de Abril de 1974, viviam em Angola. Sem saber sequer  das mortes, dos sacrifícios e de inúmeros riscos de militares, idos da Metrópole, para defender as vidas e patrimónios das suas famílias. Iguais a tantas da burguesia colonial.

Um dia destes, falando dessa gente ignóbil e dos ‘gaspares’ que se lhe juntaram, dizia-me um alentejano: – Eles não são retornados…são apátridas. – É isso, apenas um conjunto de apátridas, à frente da governação, por escolha de um povo sem saber, sorte e norte, é capaz de tranquilamente transformar Portugal, no País envelhecido, deserto, falido, sem rumo, que os mais novos, e portugueses legítimos, são forçados a deixar para trás. Uns com amargura e saudade, outros ressentidos e dispostos a não regressar tão depressa.

O País, por força de políticas desumanas e anti-patrióticas,  está gravemente enfermo. Sem querer quebrar o ânimo alentejano dos festejos de logo, à meia-noite, com foguetes no ar, gritos de alegria, canções que a revolução inspirou, e vice-versa, lá regarei o pedaço de pão e a febra com o vinho que, também a mim, me transportará à excitação e esperança de ver regressar o 25 de Abril, do lugar onde está amarguradamente prisioneiro, livrando-se de amarras semelhantes àquelas que aprisionavam tantos  anti-fascistas libertados na histórica data de 1974, no derrube da ditadura.

Viva o 25 de Abril!

Já um Isaltino não pode almoçar descansado

Anos a fio sem actuar, resolveram deter o homem ao almoço. Isaltino, em vez de bem almoçado, ficou exaltado, claro…

Euro evasão fiscal: Hoeness o Depardieu alemão

Controlar míseras centenas de euros dos cidadãos pobres ou remediados é fácil. Negar o direito ao trabalho e a salário mínimo é imperativo para solucionar a crise europeia. Todavia, conjugar esforços da UE com outros países desenvolvidos no sentido da desactivação dos paraísos fiscais e combate das evasões ao fisco de milhões sobre milhões transformou-se em objectivo esquecido, em prateleiras do arquivo morto. Isto, a despeito de reiteradas promessas dos dirigentes do G-20; em especial, lembro os discursos pronunciados em Nice por Obama e pelo anfitrião Sarkozy, em Novembro de 2011.

Os casos multiplicam-se por vários pontos do globo: corrupção, enriquecimento ilícito e incumprimento de obrigações fiscais constituem o prémio de uns; austeridade severa e cega, pobreza e miséria formam a penitência de outros.

À tradicional fuga de capitais – para as 20 sociedades do PSI-20 português até é legal e os autores adquirem o direito a condecorações no 10 de Junho – está a surgir um novo fenómeno. Se necessário, exportam-se os milhões e muda-se de nacionalidade. O Putin é amigo e, se complicar, terá concorrência no negócio.

O antigo internacional de futebol alemão e actual presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, denunciou às autoridades fiscais alemãs a impossibilidade de liquidar milhões de impostos, por ganhos em activos colocados na Suíça – fala-se de 20 milhões. O eixo franco-alemão, mesmo neste domínio, está funcionar em sintonia. Diz-se até que Hoeness é o Depardieu em versão germânica. [Read more…]

Portas compareceu à posse dos novos secretários de Estado

O requinte da deferência do Dr. Portas. O meu obrigado e votos de célere demissão.

Zona Euro está bem, Portugal também

O primeiro segmento deste texto parece contraditório em relação ao título, mas a razão ficará demonstrada ‘à posteriori’.

Comecemos pela parte negativa. O alemão Wolfgang Munchau, residente no Reino Unido e editor do ‘Financial Times’, afirmou ao ‘Expresso’:

Portugal vai precisar de um segundo resgate

Negando o acesso fácil de Portugal aos mercados – ponto de vista oposto ao de Gaspar e da ‘troika’ – Munchau prognostica para o nosso País um nível significativo de incumprimento da dívida, negociado ou não.

Sucede que Munchau e a mulher, Susanne Mundschenk, são fundadores do blogue Eurointelligence. Publicou, com sarcasmo, o ‘post’ intitulado ‘All is well in the eurozone’ (Tudo está bem na Zona Euro), a seguir traduzido:

Num texto ‘op-ed’ no New York Times, celebrando a capacidade de resolução de problemas da zona do euro, o presidente do Eurogrupo Dijsselbloem, o comissário Rehn, O conselheiro do BCE Asmusen, Regling do FEEF e Hoyer do BEI dizem que a evidência é clara e que a resposta política à crise é reequilibrar a economia e garantir a integridade do Euro. Eles explicam que a crise do Euro é a consequência da ‘falta de reforma’ do passado, levando a um acumular de desequilíbrios macroeconómicos e orçamentais que a UE está a trabalhar duramente para corrigir. A falta de uma união bancária é igualmente mencionada como uma falha de projecto estrutural, que também está a ser tratada. O ‘sério desafio social’ do ‘desemprego inaceitavelmente elevado’ é um lamentável custo das reformas necessárias, mas o BEI está expandir os seus empréstimos para solucioná-lo. O artigo também explica que as políticas do BCE não convencionais têm resolvido com sucesso a fragmentação dos mercados financeiros. [Read more…]

O romântico Coelho usa a cenoura para seduzir os socialistas

O debate desta manhã, na Assembleia da República, revelou um Primeiro-Ministro dócil, em vez de severo, terminando as intervenções com uma declaração romântica, deveras enternecedora:

Tenho felizmente namorado com a minha mulher,

Disse em resposta a Heloísa Apolónia dos ‘Verdes’, a propósito do “namoro pegado” do chefe do governo com a ‘troika’, o CDS e o PS. Creio que apenas o incontido Berlusconi, ex-PM de Itália, foi mais longe neste tipo de confidências, em actos públicos.

Todavia, nas supostas passagens mais sérias dos discursos de PPC, ressaltam dois temas de especial significado para a vida dos portugueses:

  1. A reunião extraordinária do Conselho de Ministros de 3.ª feira próxima, com o objectivo único de aprovar ‘as linhas da estratégia de crescimento e fomento industrial’, a submeter em documento aberto aos partidos, PS em especial, parceiros sociais e à sociedade em geral.
  2. A intenção de repetir o convite ao PS para debater e obter maduro consenso das medidas de ‘poupança de carácter estrutural’ – o programa da tal economia de 4 ou 4,5 mil milhões de euros na despesa pública. [Read more…]

O salário mínimo é um incentivo ao desemprego?

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A excelente  professora Merkel e o bom aluno Passos Coelho

Merkel debitou para a imprensa – através do diário Bild Zeitung citado pelo ‘Público’ – a teoria de que numerosos países europeus se confrontam com uma taxa de desemprego mais elevada do que a alemã, porque o salário mínimo garantido favorece o desemprego.

O axioma da dita teoria não constitui novidade para os portugueses. Passos Coelho, em inícios de Março passado, já havia garantido:

Medida mais sensata para combater desemprego seria baixar salário mínimo

Desconfiado de que a ignorância o obstaculiza a saber e pensar pela própria cabeça – excepto no prodígio de acções e disputas de golpes baixos – é um óptimo transmissor de recados da fonte inspiradora da ‘sensata medida’, a amiga Merkel.

Não é surpreendente que se mova e profira sentenças, sobretudo tolices, ao estilo de marioneta usada no mimetismo da figura caricata que o artista levou para divertir a criançada. O risco de Passos Coelho enveredar pelo absurdo é, de facto, muito elevado, submetendo-se ao papel de personalidade, acrítica e ignara, naturalmente manipulável e apropriada a objectivos de refinadas estratégias de especialistas da ‘realpolitik’, caso de Merkel, Schäuble e companheiros holandeses, austríacos e finlandeses, em especial. [Read more…]

O relato do funeral de Tatcher

O funeral de Tatcher já entrou na Catedral de S. Paulo. Gooolo!

Vasco e o debate da igualdade no Século XVIII

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VPV é homem de roteiros imprevisíveis. Agora queria levar-nos junto de Locke e Rousseau para debater o conceito de igualdade no séc. XVIII. Deixemos os filósofos em paz  e VPV em conversa pastosa com a Constança, à mesa do ‘Gambrinus’. Venha um John Locke de 25 anos, s,f,v.!

Belenenses campeão da II divisão!

Este ´post’  é dedicado ao meu amigo, Ricardo Santos Pinto, portista de ‘sete costados’, opção que respeito. O FCP, por tradição, tem uma relação de amizade com o Belenenses – a deposição de flores na estátua do Pepe no Restelo e a entrada em campo da equipa azul com a bandeira do FCP, nas Antas e agora no Dragão, são provas do bom relacionamento histórico entre dois clubes de futebol.

Clube da capital, e esmagado por Benfica e Sporting, por culpas alheias e próprias, o Belenenses sempre foi achincalhado e classificado de ‘clube de fascistas’.

Gonçalo Rapazote, benfiquista, o mais sinistro ministro do interior do Salazarismo, e uma plêiade de presidentes “leoninos” fanáticos defensores do Estado Novo – Góis Mota, Casal-Ribeiro e Brás Medeiros, por exemplo – não entram nas contas. Importa sim é identificar o clube de Belém com Américo Tomás e Tenreiro que, entre muitos oficiais, sargentos e praças da Marinha Portuguesa, de direita e de esquerda, se identificaram com o clube por efeito da simbologia das Caravelas. Sem esquecer que Belém foi o ponto de partida para a construção do Império.

Já publiquei imagem semelhante no ‘Aventar’, mas lembrar é preciso:

mariano amaro

Ambos jogadores do Belenenses,  Simões e Mariano Amaro, este operário do Alfeite, foram os únicos a contrariar a saudação fascista, de punho cerrado. [Read more…]

Vamos alombar com adjuntos

Lomba será secretário de estado adjunto do Maduro, ministro-adjunto do Desenvolvimento Regional, já agora órgão adjunto da governação. Oxalá a fórmula aditiva ajude a adjurar o governo do Coelho. E rapidamente.

Mestre expulso da ‘zona de conforto’

Substituído por um Guerreiro, Mestre foi expulso da ‘zona de conforto’. Emigrará para o Mali.

Gaspar e ‘troikas e baldroikas’

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Vítor Gaspar, como sabemos, é um  neoliberal fundamentalista. As ideias que sustenta, baseadas em modelos econométricos que, sem excepção, saem furados, convertem-no no principal responsável pelo duro projecto de empobrecimento dos portugueses – o Coelho aprova e na matéria não mete o bedelho e Cavaco, em permanente abstinência de bom senso e lucidez, coopera com as promulgações de leis iníquas.

Mas, alto lá!, Gaspar é professor. Exímio no tom do discurso causador de dormência, gosta de falar, falar, falar. Quanto mais não seja para se ouvir a si próprio.

Há um ou dois dias, foi a Dublin dar uma extensa lição (Apresentação Gaspar_Dublin_11_Abril_2013), sobre Portugal nos últimos anos e no tempo presente.

O passado é permissivo de diagnóstico, e independentemente de uma ou outra manipulação,  lá se valeu, em abundância, de números  desde 2008, sem dar importância significativa a toda a série de erros grosseiros iniciados por Cavaco e continuados por Guterres e sucessores. [Read more…]

Então e as Crianças?

unicef2Sou doador regular da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Dentro dos condicionalismos financeiros com que vivo, é evidente.

A sensibilidade à pobreza e ao sofrimento infantil vêm desde a ‘primária’. Frequentei a Escola 15 de Lisboa. Parte significativa dos alunos apresentava-se sempre descalça, esfarrapada e esfomeada. Viviam nessa autêntica favela à portuguesa, chamada então ‘Quinta dos Peixinhos’. Em parte dos terrenos, foi construída a Escola Patrício Prazeres.

Anos mais tarde, a vida profissional forçou-me a visitar diversas regiões de África. O escabroso cenário de miséria, sobretudo fome e mortalidade infantil, percorri-o vastamente. Do Mali a Moçambique.

Todavia, foi no Huambo, Angola, que em 1992 me deparei com as cenas mais trágicas de vida infantil. Meninos, nus ou de camisola branca tingida de uma espécie de tela de empedrenida sujidade, vagueavam pelas ruas e bebiam águas de poças. Como os cães dos pobres ou desprezados; sim, porque os cães dos ricos alimentam-se de ‘Royal Canin’, ‘gourmets’ de diversas variedades e ainda são mimados com certas guloseimas. [Read more…]

Dejecte à vontade, mas limpe-se ao jornal!

Como era previsível, e acentuei neste ‘post’, o governo vai utilizar frequente e despudoradamente o despacho das 4 inconstitucionalidades (800 a 900 milhões de euros, não mais) para justificar todas medidas restritivas de despesas do Estado; isto, a despeito de em parte substancial dos casos entrar em incumprimento da Lei n.º 66-B/2012, de 31 de Dezembro, ou seja, a Lei do OGE 2013, mesmo para condições e produtos básicos para o funcionamento dos serviços.

Neste trajecto de delírio e falácia – e já agora de reiteradíssima incompetência do MF – Gaspar exarou um despacho do seguinte teor:

O Ministério das Finanças…proíbe todas as entidades do sector público de assumir novos compromissos, sem autorização prévia da tutela.

Tanto quanto me parece, esta classificação de ‘novos’ não tem sentido literal. Tem âmbito mais vasto e aplica-se à renovação de abastecimentos contratados. Ainda há dias, ao deslocar-me de Sintra para Lisboa, ouvi na TSF esta notícia: ‘Funcionários abastecem material de higiene da Autoridade para as Condições de Trabalho’. [Read more…]

Passos Coelho: a falácia da culpa do TC

Portugal vive a fase mais dramática do período pós-25 de Abril. Teve um agitado PREC, o fervilhar da libertação de meio-século de Estado Novo; recorreu por duas vezes à ajuda externa (1983 e 1985), ambas ultrapassadas com placidez contrastante com o desassossego, a insegurança, a pobreza e a miséria em expansão com que governo e ‘troika’ atingem o País, no presente.

Ao cumprir o estabelecido na CRP quanto a deveres do Estado respeitar direitos de cidadania básicos, igualdade e proporcionalidade, o Tribunal Constitucional (TC), a meu ver, ainda ficou aquém em matéria das inconstitucionalidades da Lei n.º 66-B/2012, de 31 de Dezembro de 2012 (Lei do Orçamento do Estado para 2013, adiante LOE2013), nomeadamente na aceitação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), atingindo reformados, aposentados, pensionistas e equiparados.

Vários juízes votaram vencidos a favor da inconstitucionalidade da referida contribuição. Significa que o meu desacordo não é fenómeno de idiossincrasia, mas, ao contrário, uma visão convergente com a ideia de especialistas, neste caso juízes do TC. Reproduzo, apenas, um dos argumentos de inconstitucionalidade aduzidos pela juíza Catarina Sarmento e Castro: [Read more…]

No escuro e aos tombos

Há sempre entre intelectuais quem se recuse a aceitar e ver o mundo multicolorido, e a pluralidade de ideias que caracterizam a sociedade humana; sobretudo, na essência da chamada convivência democrática.

O Sr. Vasco Correia Guedes que, na adolescência, resolveu mudar o nome para Vasco Pulido Valente  é dos diversos míopes militantes a pronunciar-se de cátedra através de artigos de opinião em jornais – redige com fluidez e versatilidade, estando em causa não como, mas sim o que escreve.

Este fim-de-semana, o ‘Público’ divulga um artigo de VPV (ou VCG, se preferirem), intitulado ‘No escuro’. O texto, como é recorrente no autor, é um arrolamento de frases de escárnio e encontrões nos “loucos furiosos deputados de 1975 que cometeram o topete de inscrever a defesa do direito de igualdade dos cidadãos”, alastrando a fúria e os epítetos contra “senhores juízes” do Tribunal Constitucional, a quem acusa de “não saberem com certeza uma palavra de filosofia ou de história (nomeadamente na revolução francesa e na revolução russa)” – certamente esqueceu-se do nacional socialismo que igualmente elegia a igualdade como objectivo sagrado da luta da raça ariana.

Como VPV me deu o mote, e o conteúdo do texto o reitera, foi fácil chegar a um título apropriado para este ‘post’: ‘No escuro e aos tombos’. O uso da expressão ‘tombos’ fundamenta-se na sinuosidade da retórica agressiva do autor – longe a ideia de pensar em desvios de ortolexia de VPV em prestações televisivas. [Read more…]

Eurogrupo – comentário de valor acrescentado

É justo e gratificante saber que o ‘Aventar’ é lido em vários cantos do mundo – o mérito, necessariamente partilhado, deve ser reconhecido a vários companheiros do blogue, esses sim, activos ‘aventadores’ que abordam com perspicácia vários temas de interesse geral ou, em outros casos, beneficiam de fértil imaginação que lhes permite ficcionar histórias que, bem vistas as coisas, reflectem episódios da vida real e colhem o natural proveito de vastas audiências – não é o meu caso, nem refiro nomes.

Ontem publiquei um ‘post’ sobre o sinistro Eurogrupo. Como habitualmente, recebi comentários diversos. Com o respeito devido a quem, em desacordo ou concordando, se referiu de forma civilizada ao conteúdo do ‘post’, permito-me destacar as palavras de um deles: o comentário feito por um português, residente algures na Europa, que escreveu exactamente o seguinte:

Há um pequeno detalhe que merece ser lembrado:

 O Art.º 63 do tratado da UE estabelece o princípio do livre-trânsito de pessoas e bens (financeiros) entre os Estados-membros:

«…On the basis of these provisions and of those liberalizing banking, stock-exchange and insurance services [see sections 6.6.1, 6.6.2 and 6.6.3], the EC/EU financial market has been completely liberalized since January 1, 1993. European businesses and individuals have access to the full range of options available in the Member States as regards banking services, mortgage loans, securities and insurance. They are able to choose what is best suited to their specific needs or requirements for their daily lives and for their professional activities in the large market…. » [Read more…]

Eurogrupo: conjunto de imbecis às ordens de Schäuble e participado por Gaspar

De Manuela Ferreira Leite a Paul de Grauwe, passando por Paul Krugman e outros académicos e especialistas, há um numeroso grupo de economistas que se pronunciou, em uníssono, pela contestação  da medida imposta a Chipre e sua generalização de confiscar depósitos bancários em situação de resgate financeiro de qualquer País da Zona Euro que, no futuro, venha a recorrer à tóxica ajuda da ‘troika’ – depósitos superiores a 100.000 euros, entenda-se.

A generalização da medida foi anunciada por Jeroen Dijsselbloem, o holandês agora presidente do Eurogrupo, eleito para a função; segundo o suplemento económico do ‘Expresso’ (pg. 5), os critérios de selecção foram os seguintes:

Foi escolhido não pela sua experiência política e económica mas por ser um guardião das ideias mais ortodoxas do norte da Europa relativamente ao sul.

Esta frase não se limita a definir o mandarete holandês. Caracteriza claramente a subserviência à Alemanha – personalizada em Schäuble – a que o belga Paul da Grauwe, Prof. da ‘London School of Economics’, no mesmo suplemento (pg. 9) se refere nos seguintes termos:

[…] A Alemanha nunca aceitaria que os seus bancos fossem tratados como os bancos cipriotas foram. E usam o dinheiro dos contribuintes se necessário. [Read more…]

O Zé é a pitança do momento

Sempre manifestei reprovação em relação à maioria das políticas de Sócrates. Contudo, recuso liminarmente colocar no regressado emigrante de luxo  as integrais responsabilidades pela situação a que o País chegou.

A nível interno, existem outros co-autores do desastre. Cavaco, fundador do ciclo das PPP, e Guterres foram dos mais responsáveis. Dispuseram de abundantes fundos comunitários, a maior parte desperdiçada em obras de fachada (CCB, Expo 98, Mercados Abastecedores, pontes, viadutos e autoestradas); fundos de tal monta que, diga-se, qualquer PM jamais desfrutou posteriormente. Barroso, outro PM refractário, da aquisição dos submarinos alemães, aos contratos das ‘Pandur’  (Paulo Portas sabe disso muito, muito mais do que eu) deixou o Estado com défice de 3% em 2004; mas, logo de seguida, em 2005, o governo do generoso Santana Lopes permitiu que o défice disparasse para 6%. [Read more…]

El País e os ‘paraísos fiscais’: um texto pedagógico

FABER-Fiscal-paradiseVamos destruir os paraísos fiscais!

Sob este título, o ‘site’ Presseurop divulga um artigo, publicado no ‘El País’, por Xavier Vidal-Foch, cujo preâmbulo é o seguinte:

A crise cipriota pôs a nu o estatuto fiscal especial da ilha no interior da zona euro. Mas esse estatuto não é muito diferente do de outros países europeus, como o Luxemburgo ou das ilhas do Canal da Mancha: aberrações a que seria preciso pura e simplesmente pôr termo.

Recomendo a leitura do artigo. Sempre ficamos a saber que Chipre não é modelo recomendável, mas também ganhamos a consciência de que não está só nesse oceano imenso, onde outros territórios – alguns muito prestigiados – florescem na imoralidade de fortunas espúrias, seguindo, a rigor, as regras dos perversos ‘paraísos fiscais’ dominadores do mundo sujo e podre que habitamos.

Ocorre-me citar uma frase de Fernando Pessoa:

 Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…

Para desgraça da humanidade, aqui e no resto do universo, o domínio das grandes fortunas, das obscenas indiferenças de milionários e políticos perante a miséria, a fome e a  sofrida morte de milhões de crianças assumem, de facto, o tamanho do que vejo e ainda do que não logro fitar, sem que escapem, porém, ao sofrimento do que penso e sinto à minha volta. Daqui até aos antípodas deste local.

 

Coelho pressiona Tribunal Constitucional

Nas décadas vividas de democracia, não me lembro de ter havido um  primeiro-ministro a  pressionar, aberta ou dissimuladamente, o Tribunal Constitucional, no sentido de obter a rejeição das inconstitucionalidades no Orçamento Geral do Estado (2013, no caso) em favor do seu governo – três tópicos: eliminação de subsídios, contribuição extraordinária de solidariedade e sobretaxa de 3,5% em matéria de IRS foram remetidos ao TC pelo aliado de Belém, em decisão “pérfida” de Cavaco que Coelho perdoa, por devota e confessada amizade.

Não esqueço a submissão do País ao ‘memorando de entendimento’ da ‘troika’, assim como estou consciente de que a retirada dos subsídios não constava do programa e o limite mínimo para aplicação da CES era de 1.500,00 euros (ponto 1.11, página 3, do memorando); para cúmulo o lançamento da sobretaxa de 3,5% de IRS constitui uma medida do lado da receita, em vez da opção por corte de despesas preconizado pela ‘troika’. [Read more…]

As incoerências de Cavaco Silva

O Presidente da República, o Mais Alto Magistrado da Nação, tem estado a exercer uma função marcada por níveis qualitativos de desempenho e imagem dos mais baixos, no conjunto das ‘performances’ de todos os Chefes de Estado pós-estabilização da democracia – bem sei que sondagens são meras sondagens, como argumentam políticos e comentadores; porém, se este conceito é verdadeiro para o actual presidente, também o deveria ter sido para os antecessores no cargo.

Na visita a uma empresa de peixe congelado, criticou:

jogadas político-partidárias que não acrescentam um cêntimo [à economia] [Read more…]

Zona Euro, o frenético desatino

Por imperativos de ordem familiar, mas profissionais, lembro-me do relato de comportamentos de doentes mentais hospitalizados. Um dos que me ocorre é o desassossego intenso e colectivo, despoletado subitamente por um único dos internados – na altura seriam no mínimo 40, por enfermaria.

Toda aquela gente é atacada por violenta perturbação. Os incidentes fundavam-se, é evidente, em razões patológicas mentais: o grupo era, pois, atormentado a partir de um pesadelo, de alguém que gritava, gesticulava, ofendia e chegava a agredir os companheiros, incluindo os enfermeiros e outros profissionais.

Tudo isto vem a propósito das declarações de Jeroen Dijsselbloem, novo presidente do Eurogrupo, ao assegurar que ‘o modelo aplicado em Chipre de confisco de 30 a 40% de depósitos acima dos 100.000 se tornará regra para outros países com bancos em situações semelhantes’ – a D. Merkel para escaldar a polémica, e em clara defesa dos investidores alemães, valeu-se do argumento de falsa solidariedade com os contribuintes… enfim, disparates e desconchavadas justificações mal sintonizadas. [Read more…]

Ó redundante Sr. Costa 2,3% ainda é curto, upa!, upa!

carlos costaCarlos Costa, governador, apresentou o Boletim Económico da Primavera do BdP, destacando a previsão de queda de – 2,3% no PIB para este ano. O ‘Público’ adita algumas informações de pormenor, mas relevantes.

Impressiona-me observar que,  várias instituições e  os sábios líderes, apoiados por técnicos e estruturas de dimensão considerável, saiam a público para transmitir com estridência informação que já sabíamos – além da ‘troika’, Vítor Gaspar também já havia anunciado a previsão de quebra este ano de – 2,3% para o PIB.

A este  repetir de comunicação do que outro tinha comunicado chama-se redundância. No mínimo, é censurável e controverso que, de várias fontes pagas pelos contribuintes, existam diversas entidades a realizar o mesmo trabalho. O facto é ainda mais controverso, porque os líderes comunicadores, em outras ocasiões, não se fatigam de reclamar que o grande desafio a empresários e trabalhadores portugueses se centra no aumento da produtividade. [Read more…]

O mais perigoso dos Euro-loucos & Cia.

três loucos

Holandês louco e burro

Jeroen Dijsselbloem, holandês na figura ladeado por Lagarde e Oli Rhen, depois de aprovada a operação de resgate do Chipre, garantiu:

O programa de emergência acordado para Chipre, segunda-feira, representa um novo modelo para a resolução de problemas de bancos da Zona Euro e de outros países que possam ter de reestruturar o sector bancário…

Consiste em penalizar com o corte de 30% os depósitos de valor acima dos 100.000 euros  – estima-se que 37% dos depositantes afectados sejam russos; porém, não devem ignorar-se que, no Chipre, existem cerca de 70.000 residentes britânicos, permanentes, intermitentes ou fictícios, assim como cidadãos de outras origens – espanhóis, italianos ou mesmo portugueses.

Não é despiciendo que, entre os visados, existam muitos cidadãos cipriotas que, com poupanças de 110.000 ou 120.000 euros, por exemplo, sofrerão substanciais reduções nas poupanças, no momento em que o Chipre entrará, fatalmente, em crescente e profunda recessão. Nada garante que, nos impactos desta e das habituais medidas da ‘troika’, haja reformados que, além do confisco da poupança, venham a ser atingidos por cortes de prestações sociais – pensões, reformas e outros subsídios. [Read more…]

O pequeno Chipre e as imensas trevas do ‘euro’

Houve 1,2 milhões de Austríacos que prestaram serviço durante a guerra nas unidades alemãs. Os Austríacos estavam sobre-representados nas SS e nas administrações dos campos de concentração. A vida pública e alta cultura austríacas estavam cheias de simpatizantes do nazismo. Por exemplo, 45 dos 117 membros da Orquestra Filarmónica de Viena eram nazis (enquanto a Filarmónica de Berlim tinha apenas 8 membros do Partido Nazi em 110 músicos).

Tony Judt em ‘Pós-Guerra – História da Europa desde 1945’, página 77

Esta citação, destinada em especial aos mal-informados ou mal-intencionados, serve para demonstrar que a sintonia e a concertação entre Austríacos e Alemães têm constituído, de facto, um fenómeno da História desde há muito – o próprio Thomas Mann, alemão e Nobel da Literatura, faz referência a essa cumplicidade em ‘A Montanha Mágica’.

Consequentemente, e na voracidade com que os actuais líderes Alemães e Austríacos estão empenhados em alimentar a turbulência da UE e da Zona Euro, a partir da descapitalização e necessidades de financiamento da banca cipriota, não é surpreendente a seguinte revelação do ‘Expresso’:

Marcando já terreno, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, afirma  no “Welt am Sonntag” que “não será chantageado por Chipre”. Entretanto, também,  Ewald Nowotny, o, o governador do Banco Central da Áustria, repetiu, na edição de  fim de semana do jornal “Oesterreich”, o argumento da chanceler alemã Ângela  Merkel que o “modelo de negócio” de Chipre é insustentável. [Read more…]