Fenómenos de alavancagem em Espanha

alavanca interfixa

Alavanca Interfixa

A Espanha está submetida a um processo de autoflagelação, segundo as leis da física, pelo sistema da alavancagem: cai o Rei, sobem os juros.

O Rei, diz-se, está a recuperar; mas, no reino dos juros, o ambiente é agitado e suscita enormes apreensões: para empréstimos de dívida pública a 18 meses, os juros subiram de 1,711% para 3,11%, ou seja, um acréscimo de 81,8% no espaço de um mês.

O panorama não é apenas assustador para Espanha. As densas nuvens dos custos da dívida pública já causam temores de forte contágio a Portugal, segundo afirmações de Luís Verenne do IGCP.

Parece, pois, recomendável que os nossos responsáveis políticos, a destempo, não comecem a entoar falsetes acerca da queda dos juros da dívida para compensar desvios desfavoráveis da execução orçamental. Haja honestidade, prudência e sensatez… ao menos nisto.

As mentiras pornográficas de Paulo Macedo

Eu e João Lemos Esteves pensamos igual. Quem deve estar fula é Clara Ferreira Alves, fã do Macedo. Teve uma amiga que foi mãe na MAC ao pé de seis ou sete mulheres negras… vejam só o ultraje! Já reclamou ao Ricardo Costa.

A bexiga e as cirurgias das grávidas da MAC

JMF é dos mais prolíferos tudólogos da nossa praça. De sabedoria polivalente, é um mestre sem barreiras. Agora ficou motivado pelas perfurações de bexiga e cirurgias das grávidas da MAC. Como neo-liberal de vanguarda, está permanentemente mobilizado para a propaganda e campanha em defesa do actual governo.

A fim de evitar o afogamento em argumentos inconsistentes, agarra-se à boia chamada Prof. Pita Barros, para afirmar:

O Prof. Pita Barros escavou números e mostrou-os

Do que foi aqui escrito pelo referido professor, destaque-se o texto da ‘nota final’:

…estas informações e opinião poderão ser corrigidas se entretanto se obtiver informação mais actualizada ou mais completa. Agradeço aos leitores do blog que me enviaram sugestões, mesmo que a minha opinião não vá de encontro à sua. [Read more…]

Há uns anos, vendiam a MAC ao ‘El Corte Inglés’

Carlos Monjardino, neto do fundador da MAC,  diz o ‘Público’, esteve a ver uns papéis lá em casa, manuscritos pelo avô, e concluiu que o Ministério da Saúde poderá fazer da MAC o que bem entender.

Sem atender a princípios fundamentais de ‘interesse público’, o prepotente Macedo recebeu, assim, uma chancela de cunho bem vincado para certificar a decisão abstrusa, anti-social e até anti-científica de encerrar a MAC.

Quem quiser ver com olhos de ver, facilmente percebe que MAC e Hospital de Santa Maria, com a transferência de 2.100 partos / ano, serão sacrificados em favor do Hospital de Loures, construído e explorado em regime de PPP com a Espírito Santo Saúde. A mulherzinha que preside ao negócio de saúde do BES é uma tal Isabel Vaz que, como escreveu o meu amigo João José Cardoso, é autora da célebre frase: “Melhor negócio do que a saúde só o das armas”. [Read more…]

Ex-ministro da Defesa da Grécia detido por corrupção nos submarinos

Ex-ministro da Defesa da Grécia detido por corrupção nos submarinos. Fornecedor: Ferrostaal. Países clientes: Grécia e Portugal. Outras coincidências? O processo judicial em Portugal teve início em 2006. Aguarde-se, que remédio!

‘Sor Maria’ e a relação da igreja com as crianças

Sor MariaSabemos do requinte e da suavidade utilizados pelo Vaticano nas abordagens da pedofilia e  de outros crimes de eclesiásticos contra crianças. Todavia, os pecadores internos da ICAR, contra a família e as crianças, reproduzem-se como mosquitos em estábulo de animais. Agora,  de Espanha, pelo El País e La Vanguardia, chegam-nos notícias da ‘Sor Maria’, uma freira quase octogenária, considerada a primeira acusada de 1.500 denúncias de roubo de crianças, em todo o país.

A  religiosa compareceu ontem perante um juiz de instrução em Madrid e recusou-se a prestar declarações, conforme nos relata este trecho o ‘El País’:

Sor María Gómez Valbuena recusou-se, hoje, a depor perante o juiz por suposto envolvimento no caso de crianças roubadas e, portanto, continua a ser acusada pelo crime de detenção ilegal que originou a ordem de comparecer em tribunal. O Juiz Adolfo Carretero citou a depor como testemunhas os pais adoptivos da menina alegadamente roubada… [Read more…]

Encerramento da MAC, crime do governo

A Taxa de Mortalidade de Menores de 5 anos em Portugal e no Mundo

O gráfico acessível através do ‘link’ anterior baseia-se em dados compilados e tratados pelo Banco Mundial. É bastante elucidativo.

Aos utilizadores do  ‘site’ é permitido fazer a selecção e análise dos países que entenderem; seja a nível global, seja optando por muitíssimas combinações parciais. Para efeitos deste ‘post’, e seguindo um critério de escolha de países mais desenvolvidos, realizei a comparação combinada de indicadores de 2010,  actualizados em Março último, adiante indicada:

Taxa de mortalidade de menores de 5 anos de idade em cada 1000 

1.º Portugal ……………………………… 3,7 / 1000

2.º França e Alemanha, ex-equos…….. 4,1 / 1000

3.º Espanha ………………………………4,8 / 1000

4.º EUA ………………………………….. 7,5 / 1000

(Obs.: A taxa mundial é de 57,89 / 1000).

Portugal, é inequívoco, atingiu um lugar de primeiro plano a nível mundial. O feito é mais meritório ainda, se for realizada a avaliação do histórico: taxa de 111,7 por 1000 em 1960, a qual, em 1995, no final do consulado de Cavaco, se fixava em 10 / 1000, ou seja, perto do triplo do índice de 3,7 /100 acima indicado. [Read more…]

A Morte em Atenas

Lagarde sobre a crise da dívida grega

Há dias, Christine Lagarde, DG do FMI, concedeu uma entrevista à estação televisiva CBS, centrada no tema da dívida grega. Sumariamente, afirmou:

  • A solução correcta, neste momento, é que os responsáveis implementem as políticas “correctas e sólidas”;
  • É o momento em que os partidos políticos “responsáveis” têm de dizer ao povo a verdade;
  • Esses partidos têm de distanciar-se dos partidos populistas, marginais na vida democrática e que rejeitam o caminho correcto;
  • Em democracia, os líderes políticos devem dizer a verdade ao povo;
  • Qual é a alternativa? Mais débito?

No final, ao que se sabe pela comunicação social portuguesa, SIC em especial, Lagarde admitiu a bancarrota e a saída da Grécia do Euro.

Um farmacêutico grego, de 77 anos, suicidou-se na Praça Syntagma em Atenas. Na derradeira carta, deixou clara a razão da opção pela morte: ter sido privado de meios para a sobrevivência. O FMI, de Lagarde, lamentou. Hipocritamente.

Esta morte de Dimitris Chrisoula teve origem na pandemia das medidas do FMI. Efeito, de facto, pandémico que, surda e perfidamente, está a matar silenciosamente muitos europeus do Sul – em Portugal, em 2010, registaram-se 1195 suicídios, acima, das 1135 mortes nas  estradas. São indicadores de reflexão obrigatória. [Read more…]

Tudo certo: termo do contrato e zero de indemnização

Coisas de Rosalino. Se fosse Rosalino seria muito infeliz. Provavelmente o secretário de estado, cujo apelido é esse e altamente depressivo, pensa igual, mas não confessa. Vinga-se. Contratos a termo terão zero de indemnização por despedimento. Ó Rosalino e se fosses despedido?

Contrastes: a faustosa igreja e a miséria no mundo

Papa Bento XVI(2)

fome Darfour

O ‘Público’ publica  na 1.ª página uma indecorosa exibição do fausto papal. Na senda, aliás, do que desde há séculos é a abjecta exuberância de luxo do Vaticano. Bento XVI, como outros antecessores, salvaguardando João XXIII e João Paulo I cuja morte permanece envolvida em mistério, prolonga a imoralidade da ostentação da ICAR face aos fenómenos da  desumanidade em expansão no mundo.

As imagens documentam, pois, a ignóbil vida luxuosa do Vaticano, com um papa revestido a ouro; sabemos que calça sapatos ‘Prada’ de 4.000 euros.O desprezo é total pelos milhões de crianças a morrer de fome em África e em outras paragens, como provavelmente será o caso da criança de Darfour que, à míngua de alimentos, se nutre do que encontra. Dejectos que sejam.

Doutrinário do ultramontanismo no papado de João Paulo II, Bento XVI lançou uma série de apelos e condenações à violência, num exercício de mimetismo de contestações que a sociedade laica, desestruturada, também reclama aos quatro ventos. Porque a reclamação é espontânea e assente em sentimentos óbvios. [Read more…]

O Almoço dos Senadores

O ardina ficou aprisionado no lar. Teso, sem vintém para o transporte, nem estatuto para  integrar o núcleo de membros ilustres da Câmara Alta; núcleo que se  reunirá na Invicta, Capital do Trabalho, para a pitança. Ao acto, alguém chamou ‘O Almoço dos Senadores’. Com o mar no horizonte, as elevadíssimas figuras destacar-se-ão num restaurante conhecido por ‘Transparente’. Nunca poderia ser no escuro. Para mais, no Porto, como no País, não há opacidades. E até a Noite é Branca.

Os senadores, a partir da hora combinada, começam a reunir-se. Uns vêm das cercanias, outros de mais longe. O senador ferroviário chegará em viatura própria. Compreende-se. Com tanto ‘grafitti’, extinguiram-se os comboios de verdadeiro luxo; do género do Expresso do Oriente, esse sim, recomendado a nobres e à alta burguesia. No meio dos senadores, haverá uma senadora. Sim, apenas um elemento feminino. Mas porque é citada em grupo e até a gramática é machista, o género, no colectivo, muda para o masculino.

O que comerão eles? Alguns possivelmente francesinhas. Arreigados às tradições portuenses, não as dispensam. [Read more…]

Passos e Portas, o governo dos trapaceiros

Ainda no Domingo último, vi na TVI Ângelo Correia, com o ar mais embevecido do mundo, a adular o Pedro. Assim, intima e carinhosamente. Depois lá se lembrava de que estava a falar em público e emendava para Dr. Pedro Passos Coelho ou Primeiro Ministro. Sempre a exaltar as virtudes do cidadão honesto, íntegro e sem máculas no comportamento político e cívico.

Abominei e pensei: “O País contínua entregue a vil gente, sem ética, ignóbil e  que se aglutina em grupos sem limites na vergonha…estão feitos uns com os outros”.

A despeito do meu companheiro Nabais já ter escrito sobre o tema, dada a gravidade do comportamento de trapaceiro de Passos, de que Portas não pode isentar-se, não posso deixar de juntar a minha voz contra a golpada do governo, desferida com ímpeto e sem piedade sobre os trabalhadores e reformados da função pública e pensionistas do sector privado: Subsídios só voltam a partir de 2015 e não será por inteiro. [Read more…]

O fim dos subsídios e o fim do caminho

Neste ‘post’, já havia denunciado e provado que o corte dos subsídios se tratou de uma medida voluntarista e anti-social não estabelecida no ‘memorando de entendimento’ da troika. Foi uma agressão social, da lavra de Vítor Gaspar que Passos Coelho autenticou, sem pestanejar.

Hoje, na AR o zeloso e pastoso Gaspar, tal como Moedas ontem, garantiu que o corte dos subsídios é temporário e sustentou:

… a notícia foi “artificialmente fabricada”

Fiquei perplexo com a afirmação. Quem viu e ouviu, na TV, o comissário Peter Weiss declarar que a medida do corte de subsídios poderá transformar-se em permanente, nem poderia reagir de outro modo à falácia de Gaspar.

Por outro lado, a adensar dúvidas sobre as garantias do governo, do seio do PSD são difundidas outras opiniões em sentido algo diverso. Com efeito, o agora todo poderoso Jorge Moreira da Silva vem declarar a necessidade de haver prudência na reposição dos subsídios, sublinhando:

…o objetivo do partido é a “reintrodução de forma gradual” dos subsídios de férias e de Natal “logo que situação financeira” o permitir. [Read more…]

Os subsídios serão retomados, diz Moedas

Governo garante que o corte dos subsídios não pode ser permanente. Permanente ou temporário, esse corte nunca deveria ter sido aplicado pelo Governo. E a probabilidade de suceder o que Weiss disse é maior do que a garantia de Moedas. A CE é quem mais ordena.

Fim dos subsídios ou a eternização do roubo

O germanófilo Peter Weiss, austríaco de nascimento, comissário europeu, admite que Bruxelas venha a transformar em definitivo o corte dos subsídios de férias e de Natal a funcionários públicos, trabalhadores de algumas unidades do SEE, reformados da função pública e pensionistas do sector privado, exceptuando, no último caso, os beneficiários dos fundos de pensões da banca.

A medida do corte é de exclusiva iniciativa e responsabilidade do apóstata Passos Coelho, sob concepção e ‘design’ do sublime artista Gaspar; excessiva, lembre-se, em relação ao ‘memorando de entendimento’. Bastará rememorar elucidativos trechos desse memorando, subscrito pelas duas troikas, FMI-CE-BCE e PS-PSD-CDS; vejamos:

Da página 3:

Ponto 1.9:

  • Congelar salários do sector público em termos nominais em 2012 e 2013 e constrangimento das promoções.

Ponto 1.11:

  • Reduzir pensões acima dos 1.500,00 euros mensais em conformidade com as taxas progressivas aplicadas aos salários da função pública em Janeiro de 2011, com o objectivo de obter economias de pelo menos 445 milhões de euros.
  • Suspensão da aplicação de regras de indexação e congelamento das pensões, excepto para as pensões mais baixas, em 2012. [Read more…]

Alfredo Marceneiro, a minha freguesia

Ao contingente ministro Relvas; a todos a quem  o desfile de Sábado, em Lisboa, das freguesias de Portugal provocou perturbações neurológicas, gastrointestinais e demais patologias causadoras de insónia e de males anatómicos e fisiológicos relacionados com o sexo; aos que odeiam o fado lisboeta, por ser lisboeta; aos que se espumaram de raiva quando viram e ouviram tambores e adufes, bandas e cantares do Portugal popular e rural desfilando nas ruas alfacinhas; a todos esses, e ainda àqueles que teimam em não entender que só na capital é possível aglutinar o protesto de dezenas de milhares de habitantes de  freguesias do País inteiro, dedico, com fausto e júbilo, este fado do “Tio Alfredo”:

(Para esclarecimento geral, diga-se que o “Tio Alfredo” foi operário da CUF, com a profissão de marceneiro)

Oh! Passos vai aprender e leva o Álvaro!

Linha Sines-Badajoz não tem continuidade no lado espanhol. As promessas de Passos e do incapaz Álvaro quanto à ligação ferroviária de Sines a França e Norte da Europa, afinal, não são, assim, tão exequíveis. A necedade dos ignorantes impõe-se à necessidade do falar informado e com seriedade.

O défice na Constituição…olha m’esta hein!

Passos desafia Seguro a limitar o défice na CRP. Os jotinhas de ontem, líderes de hoje, ignoram em absoluto o racional das contas públicas. Não me supreenderá que Seguro aceite.O défice público não se resolve por artitíficios políticos – em 2004, a Alemanha excedeu o limite pela terceira vez consecutiva. “É a ecomonia, estúpidos!”, como dizia o outro.

Carmen Souza: crioulo, morna e jazz

À excepção de alguns eventos associados à minha vida pessoal e familiar em Portugal, África foi o continente onde, anos a fio, vivi as emoções mais intensas da minha vida. Umas tristes, testemunhando sofrimentos e miséria intoleráveis; outras, marcadas por momentos mágicos de espiritualidade e prazer, difíceis de descrever por palavras, mas que a pulsão dos sentidos torna arrebatadores.

Com ‘sodade’ dessa terra Cabo Verde, lembro as noites quentes de S.Vicente, rememorando também os sons de crioulo, ritmados e quase chorados, saídos da garganta da mestiça de pele de ébano e olhos verdes. Saravá Mizé!

Distante no tempo e no espaço, dou hoje um salto imaginário até lá, através voz de Carmen Souza. Uma lisboeta, filha de cabo-verdianos, hoje praticamente radicada em Londres e correndo mundo. Instrumentista e cantora de criativo talento, proporciona-me reviver o crioulo, a morna e o jazz. Uma simbiose que me delicia.

A brutalidade da PSP e o silêncio dos coniventes

Ao longo do meu percurso de vida desde a adolescência, sempre tive com a PSP uma relação de indiferença, distanciamento e de contido asco. Começou no final de tarde do dia 1 de Maio de 1962, mais precisamente. Eu e um colega de trabalho, ambos ‘teenagers’, descemos a Rua da Prata, em Lisboa, em direcção ao transporte e, de súbito, deparámo-nos com uma manifestação contra o regime salazarista, no Terreiro do Paço; a organização e a realização eram por nós ignoradas.

Sem que tivéssemos ensaiado quaisquer gestos ou brados, fomos inesperada e cobardemente agredidos por dois agentes da PSP. Pusemo-nos em fuga, um para cada lado. Todavia, o meu amigo E., soube depois, ao ser marcado por um jacto de tinta azul, lançado por uma viatura especial da PSP, acabou por ser detido e enviado para a Prisão de Caxias, cerca de 1 mês.

Com efeito, nesse dia, 1 de Maio de 1962, contraí uma espécie de virose vitalícia contra a PSP e quem a dirige. Desprezo-a sempre e, na minha vida pessoal, felizmente nunca necessitei dos seus préstimos, nem jamais tive problemas com semelhante gente, a não ser  duas ou três multas por estacionamento irregular; as quais paguei, naturalmente. [Read more…]

Direito à greve, à democracia e à crítica

O direito à greve está legitimado pelo Art.º 57.º (Direito à greve e proibição do lock-out) da CRP e subsistiu em 2005, quando da última revisão constitucional, com os votos de uma maioria qualificada; ou seja, com reiterada aprovação do PSD, agora no governo, uma vez que, em anteriores ocasiões, esse partido já havia expressado idêntico consentimento parlamentar.

Trata-se, pois, de um direito que, à luz do normal funcionamento da vida democrática e da CRP, é reconhecido aos trabalhadores. O que pode questionar-se, no âmbito direito da liberdade de expressão também constitucionalmente reconhecido, são os motivos, a oportunidade e os objectivos de realizar uma greve, mais a mais geral como a de hoje.

Na minha opinião, legitimamente diferente de outras, apenas discordo quanto à oportunidade e resultados. Tratando-se de um instrumento de luta fundamental, na conjuntura de relações laborais em revisão e favoráveis ao patronato, esse direito não deve ser utilizado gratuitamente; sob o risco de descredibilizar a acção grevista, à qual, diga-se, muitos dos trabalhadores do sector privado estão impedidos de aderir, por receio de retaliação por parte de administradores e patrões. [Read more…]

Combustíveis – as macro-análises e o pragmatismo

Os preços de venda ao consumidor (PVP) dos combustíveis em Portugal – imagino que também em outros países – é matéria frequente de polémica; em especial, em momentos de conjuntura de alta de preços do petróleo.

Neste domínio, devido a condicionalismos da localização geográfica, a imperativos de competitividade face aos espanhóis e a outros factores de carácter sócio-económico,  em vez de macro-análises à escala europeia, o pragmatismo recomenda, a meu ver, o recurso à comparação de impostos e PVP entre Portugal e Espanha.

Como é explicitamente referido na informação da Comissão Europeia, as percentagens de impostos (ISP + IVA, no caso de Portugal) correspondem a valores percentuais dos  PVP finais.

Parece-me, pois, importante extrair as seguintes conclusões:

  1. A carga fiscal em Portugal é maior do que em Espanha (+17,39% na Gasolina e +7,39% no Gasóleo);
  2. Os PVP líquidos de impostos equivalem-se, i.e., na gasolina em Portugal cobra-se menos 1 cêntimo por litro (- 1,89%) e, no gasóleo, os valores são idênticos. [Read more…]

Passos e os combustíveis

Subida de preço dos combustíveis pode intensificar-se, palavras sábias do visionário Passos Coelho. Quem mais teria capacidade intelectual de antecipar tal evolução. Passos, com a sua devoção ao Estado mínimo e inerte, excepto para o amigo Borges e outros que tais, argumenta: “É uma matéria que não depende da Intervenção do Governo”. E a flexibilização (redução) do ISP – Imposto sobre os Produtos Petrolíferos depende de quem? Do objectivo do défice, claro. O que, a cada dia, se consolida como utópica miragem, por insuficiência das receitas fiscais.

Vítor Gaspar: viagem inútil aos EUA

O ministro Gaspar decidiu ir aos EUA explicar o ajustamento português Em época de contenção de gastos, de que é o actor principal, o ministro infrige as regras da austeridade e vai por aí fora, até aos EUA. Sem proveito, nem utilidade para o País. Todavia, encontrar Timothy Geithner e outros “men from Goldman Sachs” poderá ser uma vantagem para a sua carreira. Há que aproveitar os tempos de poder.

Basta sorrir!

Somos os mais tristes da Europa. Garantido por estudos, estatísticas, trabalhos de sociólogos, psicólogos, psicossociológos e mais uma horda de académicos europeus, dedicados teóricos dessas coisas, da alegria e da tristeza dos povos.

Internamente, e com antecipado perdão de citar apenas ínfima parte dos especialistas, a tese é compartilhada pelo Valente e o Maltez, pela Mónica e a Alexandra, pelo Barreto e o Freire, e outros, muitos outros, gente prócere em saberes, todos escritores, comentadores e, sobretudo,  estudiosos com eloquentes dissertações.

Amaldiçoado País este, geneticamente triste e que, nesta tormentosa crise, vê crescer o sortilégio de maiores desgraças. Para esbater a opacidade das nossas vidas, faltam os Santanas, os Silvas, os Salvadores, os Vianas, as Ivones e as Beatrizes a exorcizar angústias e mágoas, em ‘Teatro da Revista’. Hoje, temos bobos a mais e talentos a menos para a confecção da lusa comédia.

Era de adversidades. Tempo escasso de recursos, até os mais simples de combate à tristeza; mas, a despeito da fatal desdita,  de volta e meia, necessitamos de rir, ou pelo menos sorrir. À falta de melhor, e porque é fim-de-semana, tente não rir, porque sorrir basta:

A Irlanda de Olli Rhen e a autêntica

A verdadeira Irlanda descrita pelo Guardian, segundo esta tradução da PRESSEUROP, é bastante diferente daquela que o Comissário Europeu, Olli Rhen, caracterizou há dias em Lisboa.

Quem se enganou? Passos não, SMS sim

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Do ‘Sol’, em primeira página, provém a luz e conclui-se: como Passos jamais se engana, quem enganou foi o SMS.

Trata-se, de facto, de demonstração inquestionável de que a lógica é a ciência do estudo formal dos princípios de inferência válida. Desde Aristóteles, em “Organon”, jamais se havia sido produzido um raciocínio de tamanho valor científico, no domínio da lógica. Nem mesmo Bertrand Russel logrou aproximar-se do mérito do ‘Sol’, sintetizado no título.

Sim, de facto, é recomendável restringirmo-nos ao título, porque o texto da notícia já não diz bem a mesma coisa:

Um SMS enviado pelo secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações ao primeiro-ministro, durante a discussão no Parlamento sobre o caso do duplo pagamento à Lusoponte, esteve na origem do erro cometido por Passos Coelho numa resposta a Francisco Louçã. «Se não fosse esse erro, o caso teria morrido ali», diz ao SOL uma fonte governamental.

Caso se fundamente no título, o Ministério Público poderá instaurar um processo ao SMS. Se avançar mais longe na leitura, concluirá que o erro  foi cometido por Passos Coelho… e, então, o melhor é ficar parado e calado.

Coisas que vamos sabendo, graças ao jornalismo rigoroso e independente.

Onde andará Duarte Lima?

O DN anuncia que Duarte Lima é dos homens mais procurados no mundo, por iniciativa da justiça brasileira junto da Interpol. Que intrigante! Segundo julgo saber, o homem está detido pelas autoridades portugueses, por deliberação reiterada pelo Tribunal da Relação no passado dia 27 de Fevereiro, devido à suspeita de crimes de burla qualificada.

Menos de um mês depois, a Interpol lança este apelo, “wanted”, para localizar o Lima:

www.interpol.int_001

Fonte: http://www.interpol.int/Wanted-Persons/(wanted_id)/2012-13800

O sistema de justiça do Brasil, sem peias e os artificiais obstáculos usados na justiça à portuguesa, considera  haver suspeitas sobre o ex-deputado no suicídio de Rosalina Ribeiro, incluindo-se no processo actos de crime organizado e outros referidos pelo DN.

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BCE e o risco de falência dos bancos europeus

O fútil e a polémica pela polémica – propositadamente, creio eu – ocupam tempos e espaços consideráveis nos ‘media’ e, consequentemente, no debate público, blogosfera incluída. Todavia, de volta e meia, há alguém que resolve evadir-se do superficial e da conversa para pacóvios. Um exemplo: o excelente trabalho de Ana Rita Faria no jornal ‘Público’, sob o título “BCE – o ponto de refúgio do euro está a tornar-se tóxico?”.

Do artigo, destaco o último parágrafo:

“Em momentos de crise, o banco central tem de escolher entre dois demónios. O primeiro é o colapso iminente do sistema bancário, o outro é um risco moral futuro. Um banco central responsável quererá sempre evitar o primeiro demónio”, defende Paul De Grauwe. Para o economista, o BCE devia, desde o início da crise, ter assumido o papel de “credor de último recurso”, comprando ilimitadamente dívida pública e impedindo que as taxas de juro dos países periféricos subissem acima de determinado patamar. Um papel que parece demasiado desafiador, até mesmo para o “Super-Mario”.

Devido aos motivos invocados pelo professor da Universidade de Lovaina, o sistema bancário europeu está seriamente ameaçado de falência, podendo vir a revelar-se inúteis os esforços, de certo modo desesperados, do BCE, dirigido por Mario Draghi; muito contestados, de resto, pelo líder do Bundesbank, Jens Weidmann.

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A propósito de deslealdades

Confesso a incómoda náusea causada por essa espécie de epístola cavaquista, endereçada aos portugueses no prefácio do livro “Roteiros VI”. Ao estilo de carpideira, que chora o que não sente, o mais oco dos presidentes da actual república lamenta-se agora ter sido alvo de infame deslealdade por parte de José Sócrates. Invoca a violação do Art.º 201.º pelo ex-PM, ao omitir-lhe  a negociação e existência do PEC IV.

Sei desde longa data o que foi Sócrates, que Cavaco não demitiu. Tive o privilégio de nunca ter sido  seu apoiante ou votante. Ao contrário, fui crítico, aqui por exemplo.

Sinto-me livre de poder dizer que este enredo ao jeito de novela mexicana, a que ainda ultimamente o PR voltou a dar vida na visita ao navio-escola “Sagres”, é, como muitas outras novelas, um passatempo de mau gosto  e uma desforra política inoportuna e ofensiva para os portugueses.

Imagino Sócrates instalado em qualquer “bistrot” de luxo do Boulevard Saint-Michel, a saborear o revivalismo das tropelias passadas, em divertida tele-conversa com Silva Pereira. Como outros anteriores, incluindo o próprio Cavaco Silva, goza do estatuto de inimputável. Não é, de facto, o único.

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