A maré cidadã em Espanha

Ontem, o povo espanhol  protestou contra ‘o golpe de Estado financeiro’. Como estoutras imagens documentam, manifestou-se de forma pacífica e em número massivo, em defesa dos direitos de cidadania. Contra o desemprego, os ataques do governo ao Estado Social e uma política de austeridade, estritamente financeira com que a CE e os governos dos países atingidos torna insuportável a vida de milhões de cidadãos.

Na forma usual,  a resposta foi  o método de repressão que consistiu em utilizar a brutalidade policial que, infelizmente, se transformou em paradigma nos países mais fragilizados pelo crime da crise, cometidos pela banca, os anónimos mercados e investidores e a conivência de políticos.

Sancionados, portanto, pelo governo de Rajoy, os acontecimentos junto da estação de ‘Atocha’, de nefastas recordações, polícias espanhóis, uma vez mais, fardados, armados e capsulados por viseiras, escudos, pistolas e bastões, investiram ao estilo de animais selvagens. Puniram cobardemente quem contestou, sem ínfimo respeito pelos direitos de cidadania, os mais atingidos foram grupos de mais jovens. Infelizmente, aqueles que são as maiores vítimas da crise a quem um futuro de perspectivas vácuas reserva inteloráveis situações de pobreza ou mesmo de miséria que, na definição de Charles Chaplin, se transforma na mais dura forma de vida humana, porque se transforma em vício.

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Os pró-Koala em defesa de Relvas

ursoSolidários e militantes activos, os ‘jotas laranjinhas’ estão no terreno em  campanha de defesa de Relvas.

Apoiados pela associação pró-Koala, e  com recurso de alegoria apropriada, estão a promover a distribuição de um autocolante, onde se lê:

Eu tenho as necessárias ‘koalaficações’

Quem andou pelo ISCTE a cantar “Grândola, Vila Morena’, a negar a liberdade de expressão do ministro e, sobretudo, a fazer juízos injustos da licenciatura e da equivalência em 32 cadeiras na ‘Lusófona’, desengane-se! O homem é mesmo “koalaficado”.

(Nota pessoal: lamento que, ao contrário do simpático Koala, não seja este tipo de ministro que esteja em vias de extinção).

BCE, o estripador dos países em crise

ecofinHá opostas visões e opiniões sobre a atitude do BCE no quadro da ‘Zona Euro’.

Para uns, seguidores do sábio e profeta falhado Gaspar, consideram ser instituição solidária, a valer nas ajudas aos necessitados – portugueses, espanhóis, irlandeses e gregos. Católicos apostólicos romanos e ortodoxos apelam: “Juntemo-nos a D. Carlos Azevedo e ao Patriarca Ortodoxo Grego e oremos, animados de profunda energia espiritual da crença na solidariedade do Draghi e do ECOFIN”.

Outros, o meu caso, estão cientes de que o BCE é um centro de agiotagem sem compaixão nem ética. O BCE, para estes, é impiedoso estripador a dizimar as condições de vida, e às vezes a própria vida, de cidadãos indefesos de países carenciados da zona da moeda maldita, designada ‘euro’.

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Chega de Relvas!

Os acontecimentos no ISCTE, escola onde me licenciei, geraram alargada polémica; nomeadamente quanto ao conceito de ‘liberdade de expressão’.

Tudo gravitou à volta de um ministro, Miguel Relvas, cujo falseado curriculum estudantil e o comportamento de governante e cidadão justificariam, há muito, o afastamento do governo – Passos Coelho, por força da mobilização do PSD de Norte a Sul (Seguro segue idêntica via), como diz o povo “tem o rabo preso” e consequentemente falta de coragem de o demitir.

A “democracia portuguesa”, no PS e PSD em especial, é prisioneira das ‘jotas’; tendo como complemento a ortodoxia do PCP e os sinuosos percursos de Portas. É o regime político que nos coube em sorte, não muito distinto de outros a vigorar na Velha Europa, onde coesão e solidariedade são referências rejeitadas. Reflicta-se no que é exposto neste site’ do Reino Unido, de que reproduzimos a tradução do 1.º parágrafo:

“Desde a década de 1980 os dramáticos diferenciais pagamentos salariais têm-se desenvolvido no Reino Unido. Até recentemente, sociedade tornou-se bastante confortável com isso como um resultado inevitável de nosso sistema económico. A introdução do salário mínimo reconheceu que o mercado nem sempre foi o melhor árbitro de salários. Apesar disso, as desigualdades continuam a levantar-se, com 1% do ‘top’ tendo um cada vez maior quota na partilha dos lucros do crescimento económico.”

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A culpa é do incorrigível défice

Gaspar e a sorridente Albuquerque – lembre-se que esta declinou participar num filme publicitário da ‘Colgate’ – bem se esforçam a entesar a malta, a cortar nos apoios no âmbito do SNS e a complicar a vida de pais, crianças e adolescentes no acesso e permanência no ensino público. No fim de tantos cortes e contas, nem mesmo o recurso a matrizes de modelos macroeconómicos certeiros em exercícios de abstracção lhes vale, na prática, na eliminação de resultados desfavoráveis de execução orçamental; bem como em outras variáveis do desempenho económico, tal como o terrível PIB inseparável companheiro do défice – o desemprego é questão despicienda para eles.

A despeito do empenho e duro trabalho do Gaspar e da Albuquerque, possivelmente ajudados pelo Rosalino que é, no masculino, o nome da bisavó Rosalina do meu pai; apesar desse esforço desumano e repartido, pasme-se, as contas saem constantemente erradas.

De reflexão em reflexão, mediante a cooperação dos técnicos do FMI, especialistas há décadas neste género de insucessos, do Oli Rhen e do ECOFIN do princípio ao fim, lá conseguiram a procurada explicação:

Portugal é bom aluno, mesmo o mais disciplinado a cumprir o programa, mas tudo isso e a severidade de vida imposta ao povo não resultam. Porquê? Nem mais nem menos pelo comportamento do défice; é uma figura incorrigível, ninguém consegue fazer nada dele. A culpa, portanto, é do défice.’

Identificado o responsável pela desgraça, e  interpretando o raciocínio e a conclusão da equipa do Ministério das Finanças, é mais do que lógica a crença declarada por Gaspar de que os nossos generosos beneméritos amigos da ‘troika’ concederão a Portugal mais um ano para corrigir o défice. [Read more…]

Miguel Sousa Tavares ‘online’

Confesso ser leitor assíduo da coluna de Miguel Sousa Tavares no ‘Expresso’, o que, todavia, não significa estar incondicionalmente de acordo com tudo o que escreve. Em diversos artigos, e embora se exiba como detentor absoluto da verdade, comete erros, como outros. Atreve-se de volta e meia a julgamentos inexactos e reveladores de desconhecimento da matéria por si abordada.

Estou a lembrar-me de, há algum tempo, ter publicado no ‘Expresso’ uma opinião sobre as reformas. Invocou uma conversa com uma idosa que se lhe dirigiu, a queixar-se de viver com dificuldades.

Sousa Tavares, assumido sábio e polivalente em conhecimentos científicos – evite-se o epíteto de ‘tudólogo’ – fez de imediato as contas aos 11% de quotização de décadas que a senhora pagou à Segurança Social e sentenciou: “como se comprova, com este nível de descontos, é impossível ao Estado pagar-lhe um valor mais alto de reforma”.

O conhecido escritor, jornalista, comentador, seja lá o que for, esqueceu-se ou ignorou que aos 11% de quotização teria de incrementar 23,75%  correspondente à agora designada Taxa Social Única dos trabalhadores dependentes, que os empregadores entregam mensalmente ao Ministério da Segura Social, para financiar prestações sociais, como as próprias reformas, os subsídios de desemprego e outras prestações – seria útil que Tavares lesse o LBSS – Livro Branco da Segurança Social ou ‘Distribuição do Rendimento, Desigualdade e Pobreza’ de Carlos Farinha Rodrigues que, na última edição do ‘Expresso’, página 33, publicou o artigo ‘Segurança Social: quinze anos passados’. Teria, então, a oportunidade de concluir que a aritmética de que se serviu é uma base científica errada e elementar, demasiado elementar, para analisar e extrair conclusões rigorosas sobre a sustentabilidade da Segurança Social, assim como os níveis de reforma daqueles que não tiveram a sorte de passar cinco anos pelo Banco de Portugal, dezoito meses pela CGD ou uma dúzia de anos pela AR.

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Caminharmos pelo nosso próprio pé…boto

É no mínimo macabro o projecto do governo para cortar, de uma penada e com consequências trágicas para os cidadãos do País, os 4 mil milhões de despesas públicas. O alvo principal é o Estado Social – reduzir o SNS a ínfima expressão, limitar o ensino público a serviços mínimos, dificultando o acesso a alunos de meios carenciados, através do encerramento de escolas e o despedimento de professores; processo este que, menos ambicioso na maldade, o PSD e CDS tanto criticaram à governação de Sócrates.

Sem ponta de coerência com as promessas feitas aos eleitores, sustentado por Portas, o ‘santo protector dos contribuintes’, Coelho, obediente ao financeiro Gaspar, banalizou a falta de ética, seguindo e excedendo os caminhos da ‘troika’; em especial, as prescrições assassinas do FMI que, em muitos outros países, curou milhões de doentes através da terapia da morte.

Em Aveiro, voltou a ser vaiado. Já se habituou e dificilmente a falta de vergonha lhe sairá da pele, do empedernido cérebro recheado de neoliberalismo e, portanto, do comportamento imoral que cultiva.

Conquanto desmascarado à exaustão por falsas e incumpridas promessas, declarou:

Não estamos a pensar a tornar permanentes os cortes [anunciados como provisórios]

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MIlhares na rua exigem demissão do governo

O povo aos milhares veio para a rua. Em Lisboa, no Porto e em Setúbal, as manifestações concentraram muita gente, naturalmente a protestar e em luta pela queda deste governo chefiado por um garoto; garoto, lembre-se, outrora tão rebelde e viciado no mal quanto sinistro e ignóbil na actual governação do País. Passaram os tempos, modificaram-se os hábitos de vida e o desfecho foi inevitável: falta de qualidade e de carácter para dirigir o País, com elevação de estadista, conhecimentos e perfil adequados. Às suas mãos Portugal afunda-se no processo de degenerescência contínua – tão infinitamente contínua como o símbolo e o traço matemático que definem a função desse género.

Sabemos que, ao livre arbítrio do trio Gaspar, Coelho e Portas, ainda por esta ordem, os reformados e pensionistas espoliados, trabalhadores da função pública, os desempregados jovens que excedem os 40%, os desempregados de longa duração e famílias inteiras destruídas – nem todos optam por abandonar mulher e filhos ou abdicam de constituir família – se conformem e aceitem pacificamente a dureza da política de austeridade que, à luz dos direitos humanos, não só é repugnante, como criminosa – há crianças com fome e idosos sem assistência médica e/ou medicamentosa. [Read more…]

O profético e preclaro Miguel Relvas

A maior parte dos portugueses estão conscientes de que os insucessos provocam no governo ataques generalizados de crendice e profecia. A situação não é inédita. Em Agosto de 2012, teve o ponto alto – origem do nome PONTAL, por efeitos de contracção – com a declaração célebre e premonitória de Passos Coelho de que 2013 seria o ano da recuperação.  Estamos a notar.

A propósito da queda superior do PIB em 2012, além do Álvaro amargurado com a Europa, tivemos o notável Miguel Relvas, a profetizar:

[…] Todos os dados apontam para que a partir de 2014 começaremos a ver indicadores nesse sentido [a recuperação]

Esclarecedor e convincente não é?  Também, em miúdo, tive um vizinho que garantia ter dados e o privilégio de, sozinho, ver OVNIS às três da madrugada. Com estas loucuras, a mulher, os dois filhos e o próprio acabaram internados no manicómio. Olha o que nos espera, a nós e ao Relvas.

‘Troika’ e Gaspar não acertam uma, porra!

gráfico da quedaSei que faltam na imagem o etíope, o careca e o alemão, como diz o Miguel Sousa Tavares. Todavia, a queda desse trio foi tão brusca, que nem tempo deu ao artista de os captar.

Os famigerados homens da ‘troika’ já estão no precipício dos objectivos falhados – por eles e pelo País. Vítor Gaspar, por cortesia, deixou-os passar e vai em acelerada queda para se juntar aos companheiros.

Explicado com detalhe, diga-se que o buraco é largo, fundo e negro. Têm de lá caber todos os erros das previsões da ‘troika’ e do Gaspar, assim como Portugal inteiro – a menos que se esqueçam do casal Silva em Belém ou no Possolo, ou ainda dos frades da Cartuxa em Évora.

Todos os dias temos matéria a afundar-se e a lançar-nos no profundo precipício – ontem foi o agravamento da taxa de desemprego para 16,9% em Dezembro; hoje sabe-se, pelo INE e a comunicação social, que o PIB contraiu 3,2% em 2012.

Se apenas hoje foi divulgado o número efectivo do PIB, pergunto eu:  como é que o governo há semanas asseverou que o défice do último ano correspondia a 5% do PIB? Embuste? Qual a dúvida?

Quer a ‘troika’, quer Vítor Gaspar não acertam uma; falhas atrás de falhas, com a particularidade de desmitificarem técnicos arrogantes e de incompetência demonstrada, suscitando maior revolta, pelo elevado preço da austeridade que estamos a pagar.

Pior do que nós, só a Grécia.  Afinal somos os mais próximos do caminho helénico. De pedra e cal na cauda da Europa. ‘Troika’ e  Gaspar não acertam uma, porra!

O flagelo do desemprego e as contas à FMI e à Gaspar

gráfico da Eurostat (2)

Tive de rasurar o gráfico com os dados do Eurostat, publicado apenas há doze dias (01-Fev-2013), relativos ao desemprego em Portugal. A taxa de 16,5% em Dezembro de 2012 agravou-se para os 16,9%, o que, segundo o ‘Público’, corresponde a mais de 923.000 desempregados. O INE, de forma mais analítica, precisa que a taxa hoje divulgada reflecte um aumento homólogo (Dez-2011) de 19,7% (+ 151.939 desempregados); aumento este que não reflecte as várias dezenas de milhar que, em 2012, resolveram emigrar e evitar a Vítor Gaspar uma dimensão maior dos erros que comete – em Junho de 2012 dizia a sábia figura que, em 2013, a taxa ficaria pelos 16%, tendo posteriormente o ajudante Pedro Martins,  entretanto afastado do Ministério da Economia e do (Des)Emprego, que o pressuposto do governo para o OGE deste ano ficaria pelos 16,4%.

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Draghi, estrela do Carnaval em Madrid

Draghi em sinal aberto: discurso integral em Madrid

Terra de Carnaval é o Brasil. Terra quente para ‘xuxu’. Onde o Dorival, mascarado de marinheiro, canta, samba e toca o pandeiro, olhando o traseiro da cabrocha que, na frente, se abana e rebola ao som da banda que passa.

Portugal tem um Carnaval de chuva e frio. Do encharcado corso, ficaram as jovens engripadas, atacadas de febre e tosse, pela chuvada e enregelamento que lhes congelou o dorso.

Em Espanha, o Carnaval ainda é mais incipiente. Comemora-se mais no Sul – Cádis, Múrcia e Valência – e nas Ilhas Canárias. Todavia, Madrid este ano fez questão de contratar uma vedeta de renome, Mário Draghi, presidente do BCE e ex-Goldman Sachs. De resto, ao serviço desta sinistra instituição financeira, ficou inscrito no ‘curriculum’ de Draghi como se deturparam as contas na Grécia. O feito deixa orgulhoso qualquer financeiro especialista em trapalhadas; não sendo excepção o italiano, nascido em Roma. Se fosse natural de Palermo, ninguém ficaria apalermado.

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Défice comercial e défice das condições de vida

O Banco de Portugal já tinha revisto em baixa, para – 1,9%, a evolução do PIB para 2013, no ‘Boletim Económico’ de 15 de Janeiro:

banco de portugal_boletim económico_15_01_2013

Segundo dados do INE, publicados aqui e também divulgados pela comunicação social,  no último trimestre de 2012 e em relação ao período homólogo de 2011, as exportações subiram 1% e as importações registaram uma redução de 3%.

De resto, e tomando como base a comparação de períodos anuais (2012 v 2011), sabe-se que as exportações subiram, de facto, 5,8%, contra uma quebra das importações de 5,4% – calcula-se que tivemos um défice comercial de 10.668 milhões na transacção de bens com o exterior.

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Há assaltantes menos iguais do que outros

FPF Notícia do dia:

Sede da Federação Portuguesa de Futebol foi assaltada

Segundo o divulgado, os assaltantes rapinaram apenas os computadores do presidente, Fernando Gomes, e da sua assistente, Materialmente pouca coisa, digo eu. O pior é o furto dos ficheiros. Sim, que dados, informação e conteúdos terão? Comprometedores ou não?

Mas, também questiono: a ‘sede e outros poderes da FPF’ andam a ser assaltados há décadas, sem que tais violações tenham sido objecto de notícia, em qualquer órgão da comunicação social.

Das duas, uma: ou, adaptando o conceito de George Orwell: “ Todos os assaltantes são iguais mas alguns são menos iguais do que os outros’; ou, outra hipótese, todos pertencem a históricos gangues, calhando aos autores deste roubo o ‘óscar’ dos 1.ºs denunciados.

Moedas, o mensageiro

Carlos MoedasComo se depreendia, e ao contrário do afirmado previamente por Passos Coelho no estilo de torpeza que lhe é próprio, a reunião deste Sábado do Conselho de Ministros teve, como principal ponto da ordem de trabalhos, ‘o corte dos 4 mil milhões de euros para efectivação da ‘reforma do Estado’.

No final, e desta vez sem o auxílio da censora Galvão, lá apareceu o Moedas na função de ‘mensageiro’. O jovem engenheiro-financeiro, a quem até nem ficaria desajustada a designação de ‘moço de recados’, traz-me à memória ‘O Mensageiro’, de Oren Moverman.

No filme, dois oficiais estão incumbidos de anunciar às famílias a morte de soldados em combate. A Carlos Moedas também foi cometida pelos chefes, Gaspar e Coelho, a tarefa de anunciar desgraças às famílias portuguesas. Haverá apenas uma ínfima coincidência sinóptica. Moedas não foi autorizado a divulgar pormenores do ‘dossier’. –Assuste-os apenas! – ter-lhe-ão ordenado os chefes.

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O governo reune Sábado e os portugueses ficarão mais lixados

CMDo ‘Público’:

Reunião foi adiada apenas porque na quinta-feira não havia ministros de Estado em Portugal que conduzissem a reunião no lugar de Passos Coelho.

Poderia dizer: – Bem feito! Vão trabalhar Sábado que se lixam! – Expressão elevada e muito cara a Passos Coelho.
Porém, quem, no final do filme, acabará por se lixar seremos nós, os cidadãos comuns. Isto é, quem está desempregado, para o ano permanecerá desempregado; os idosos de reduzidas reformas, desde que sobrevivam, dentro de um ano, comerão as mesmas sopinhas, uns pãezinhos barrados a margarina e umas peças de fruta ‘tocada’, da IPSS que deles cuida, continuando, embora, sem dinheiro para medicamentos, sofram de diabetes, do coração ou de patologias mais graves; o futuro dos miúdos será menos alegre, privados de novos ‘jeans’ ou ‘Nikes’, limitados a festas de aniversário com o máximo de três amigos e a ida às destes que impliquem gastos com prendas, nem pensar!; outras crianças no máximo enchem a barriguinha de fome, aqui e ali mitigada por um bocado de casqueiro;  para os outros cidadãos, já bem esbulhados, Sábado próximo começa a saga tortuosa das matrizes macroeconómicas, do Gaspar e do Moedas, com cortes sobre cortes, incluindo os custos com pessoal e consequentes ingressos no desemprego. Os sem-abrigo, esses esperarão em vão que o Ulrich se lhes junte.

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E se os filhos de Mota Soares lhe fossem retirados para adopção?

À partida, declaro que votei a favor da IVG. Tratou-se de decisão, aliás, em que tive em grande conta a opinião dominante e sustentada de mulheres da minha família, de outras de relações de amizade pessoal ou de carácter profissional. Na maioria, jovens.    

Recusei, pois, encarar o aborto como tema da velha clivagem ‘esquerda-direita’. Entendi-o como questão fundamentalmente feminina, subordinada à visão, condições e princípios com que cada mulher se orienta nas grandes opções da vida.

Conceder às mulheres o direito de opção do aborto é, entendo também, uma questão de cidadania. Impor-lhes, de forma institucional e autoritária, a obrigação de abortar ou parir é acto de violência contra a liberdade individual feminina.

Tenho a convicção de que este governo, estruturado e vocacionado para a tecnocracia dos números, seja destituído de qualquer sensibilidade humana. Consequentemente, minimizar o número de nados-vivos e incrementar a morte de idosos – os dados da PORDATA, a qualquer instante, comprovam estar Portugal nesse caminho – são factores de facilitação das metas do dos ideais financeiros do OGE: um Estado Social mínimo ou, se possível, dizimado.

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Um Charlatão

Deu uma das entrevistas mais interessantes que ouvi nos últimos tempos. Pouco profissionalismo por parte de todos os que nem sequer questionaram a idoneidade do senhor? Pura ingenuidade? Ou o desejo, ainda que insconsciente, de fazer passar a mensagem? Não sei, mas gostei. Muito. Desde a entrevista ao caricato da situação. Parabéns, Artur Baptista da Silva!

Portugal não é a Grécia, mas Lisboa e Madrid são Atenas

O infundado, quanto estafado, argumento de que ‘Portugal não é a Grécia’, propalado com ridícula presunção, fica-se pela dimensão manipuladora e falsa que o gerou : PROPAGANDA DESONESTA!
Recatamente, testemunhei o que se passou em frente à Assembleia da República.
Sem dificuldade, concluí que nos percursos da existência humana, dos estilos de vida confortáveis à pobreza, ou mesmo à miséria, o comportamento dos povos, ainda por cima numa Europa de cultura e níveis vanguardistas de civilização, é mais predominante o que os identifica daquilo que os distingue.
Histórica e socialmente, os movimentos de contestação, com actos de maior ou menor revolta anti-poder, registam o mesmo estado de ebulição, desde que provocados pela mesma super-temperatura ultraneoliberal da ilimitada austeridade. Chame-se ‘troika’ ou outra designação de sentido nefasto.
Para comprovar que, uma vez programados e consumados os processos anti-humanitários, a geografia da contestação não se sujeita a condicionalismos de qualquer espécie, excepto a efervescência social. Madrid viveu hoje cenas idênticas às de Lisboa: [Read more…]

Isaltino amigo, o Tribunal da Relação está contigo

Isaltino pode não ser preso nos próximos dias. Reconhecendo motivos para reduzir a condenação a 2 anos, o Tribunal da Relação,por motivos pouco claros, tranquiliza Isaltino. Surpresa? Não!, justiça para endinheirados corruptos.

A geração rasca e o 25 de Abril

Da geração rasca, como de todas as gerações, na evolução do tempo, sobejam os resquícios. Tal geração foi-se diluindo socialmente e volatizando-se através de comportamentos de cidadania múltiplos e distintos.  Passados os  anos de ‘charros’, gritos e euforias nos concertos de Abrunhosa, parte substantiva desmobilizou, carregada de desencantos e frustrações ou motivada por projectos de vida individual.

No entanto, na espuma do tempo, permanecem sempre redutos remanescentes cristalizados à volta de diferentes polos ideológicos. Subsiste, por exemplo, uma parcela, imberbe ou mesmo sem existência à data de 25 de Abril de 1974, do tempo que verdadeiramente não teve consciência de viver, que assimilou e propagou no futuro as ideias conservadoras de progenitores e educadores, normalmente adeptos do Estado Novo. Uns viviam em África, sob a protecção de jovens da minha geração, idos daqui – “África é aqui”, era a palavra de ordem da soberba que exibiam nas visitas à metrópole, nesse tempo.

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Crespo na RTP Washington!, manda o Relvas

Só mudam as moscas, a merda continua a mesma

Frase de Brito Camacho

Manuel de Brito Camacho, alentejano de Aljustrel, médico, militar e político célebre da 1.ª República, deixou um legado de declarações intemporais, à semelhança de Eça de Queiroz em ‘Os Maias’ com a sentença: “Isto não é um país, é um local sujo e mal frequentado”.

Crespo, um impoluto e acérrimo defensor da justiça e da liberdade, em Portugal

Tem cumprido aos políticos, a maioria gente de ralé oportunista e tecnocrática, promovida nas últimas décadas a personagens influentes e com poderes de decisão, a formatação e o conteúdo do modelo de organização política, económica e social da Nação – conceito em crescente consolidação na Europa, como demonstraram os votantes em Marine Le Pen.

Na hora actual, e em resultado da miopia de centrarem em Sócrates todas as responsabilidades dos nossos males, a técnica de escolher um inimigo comum – e fui sempre crítico duro de José Sócrates – não passa de um discurso retórico doentio, estafado, redutor e sectário, porque se é verdade que endividou o país em quase 50% do PIB, também é inegável que, antes dele, já havia outra fatia de 50% de endividamento público da responsabilidade de terceiros.

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É sexta-feira!

Não é original? Pois não. Todavia, repetida e infinitamente, em todas as semanas há uma sexta-feira para monárquicos, republicanos, democratas, não-democratas, católicos, judeus, muçulmanos e outros – cada religião vive-a à sua maneira. Hoje, com falta de empregos e abundante trabalho precário, deu-me para fazer o coro com os ‘Boss AC’: “Sexta-feira, emprego, já”. O humor é sempre um bem para o espírito.

(Jorge: tu foste o inspirador)

Gaspar: o falhado executor orçamental

Receitas fiscais em queda e agravamento das contas públicas. Gaspar, de facto, é um descarado embusteiro. Agora, os números voltaram a desmentir o pastoso ministro. A síntese de execução orçamental de Março-2012 evidencia um défice de – 414,5 milhões no 1.º T de 2012, comparável com + 558,4 milhões do 1.ºT de 2011. Ó Gaspar não adianta mentir no FMI, aos portugueses e ao mundo.

A cruz nos subsídios, por Paula Teixeira da… Cruz

“A cruz nos subsídios” bem poderia constituir o título de uma peça de teatro trágico. O argumento recairia inevitavelmente sobre o roubo, perpetrado pelo governo de Passos Coelho; neste caso, sem prescrição do memorando de entendimento da ‘troika’, lembre-se.

Paula Teixeira da Cruz desmente Passos Coelho

Do vilão governo, coube agora à Ministra da Justiça vir a público  colocar a cruz nos subsídios e declarar que não está garantido o retorno dos pagamentos em 2015; coisa diferente e mais grave do que havia prometido o seu chefe Passos com a ideia da reposição gradual a partir de 2015, ratificada por ditos e contraditos do pastoso Gaspar – desprezemos ainda uma afirmação de Miguel Relvas de que a suspensão dos subsídios apenas vigoraria em 2012 e 2013.

Paula Teixeira da Cruz, também uma ex-jotinha feita nessa escola de talentosos políticos que é a Secção do PSD do Campo Pequeno, em Lisboa, desculpa-se agora com a Europa para justificar o roubo. Aguardemos que um outro ministro se venha a pronunciar e enuncie nova razão.

Faço-lhes um apelo: que se calem e acabem com este tipo de exercício macabro de adensar a mágoa das centenas de milhares de espoliados de remunerações que, de forma unilateral e arbitrária, o governo lhes retirou indevidamente.

Richard Swartz: o crescimento não se compra assim

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Fonte: Presseurop

Observação

O título deste ‘post’ e o ‘cartoon’ foram retirados do ‘site’ da Presseurope, com o objectivo de utilizar um lúcido e perspicaz artigo de Richard Swartz, no jornal sueco ‘Dagens Nyheter’, fundado em 1864.

A propósito do artigo

Reproduzo o texto do último parágrafo:

     A questão está em saber de que irá viver uma série de países europeus no futuro, no contexto atual de globalização. Ninguém parece ter uma resposta. Tudo o que se sabe é que vai ser preciso mudar radicalmente de estilo de vida. E que a China, muito mais do que a Alemanha, se encarregará disso.

Com efeito, a enorme dúvida é, de facto, esta, perante a evidente incapacidade dos líderes europeus actuais.

O conteúdo do artigo é consistente e preciso, ao destacar o desmantelamento de economias europeias. Sobretudo no Leste, e no Sul em que nos integramos.

Há uma visão e uma torrente de opiniões limitada aos tempos de Sócrates, no decantar dos disparates do ex-PM, que sempre combati e denunciei. Ainda agora o pastoso monetarista Gaspar, numa reunião do FMI e Banco Mundial em Washington, demonstrou não querer manifestar ou não saber que, a somar a Sócrates, existiram continuados desmandos contra a Economia Portuguesa, desde as políticas de Cavaco Silva, replicadas por Guterres e governos seguintes.

A despesa externa pública e também a privada, que é sempre omitida, foram amontoadas ao longo do tempo por capitulação e interesses em beneficiar construtores civis, grandes operadores de obras públicas e, finalmente, a banca que integrou, desde sempre, todos os consórcios criados, desde o Centro Cultural de Belém à Expo 98, das auto-estradas aos aterros sanitários, dos mercados abastecedores aos estádios do Euro 2004, de hospitais a outras estruturas criadas em regime de PPP… enfim, de tudo o que foi obra, desde um esgoto às abundantes rotundas.

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O Programa de Estabilidade e Crescimento do Governo

Actividade económica acentua queda em Fevereiro. O ministro da economia acaba de prometer que agora é que a coisa vai: ‘flexibilidade da lei laboral e esperar pelos investimentos. Entretanto, nos EUA e a propósito de governações, Gaspar fez uma declaração que nesta perspectiva também se aplica: “Portugal é um exemplo a evitar”.

Desmontar as teorias de Luís Cunha Ribeiro, presidente da ARSLVT

royal marsden hospitalroyal brompton hospitalO presidente da ARSLVT, Luís Cunha Ribeiro, declarou  em audição parlamentar:

 O edifício da MAC não tem as condições a que as nossas grávidas têm direito.

Revelou ainda uma despesa de um milhão de euros para reparar o telhado e canalizações da maternidade. A seguir utilizou argumentos reveladores de falta de bom senso – ou de vergonha? – de quem é responsável supremo da gestão de unidades e actividades na Área Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Teve, por exemplo, as seguintes tiradas:

[…] o Hospital de Santa Maria perdeu partos, por causa da abertura do Hospital de Loures…

ou estoutra:

[…] a MAC faz cerca de cinco mil partos e o previsto para o Hospital de Todos os Santos são três mil. “Se hoje fazem 5400 partos, é possível irem todos as equipas para o futuro Hospital de Todos os Santos? Não me parece.”

Paremos aqui, porque o conjunto de topetes e incoerências já é suficiente.

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Passos e Seguro, a peregrinação “low cost”

conversa tretaA política real, débil fruto de pobres mentes, transformou-se na endemia a que estamos condenados. Em Portugal, porque é do nosso País que falo, os principais agentes portadores e difusores de tal surto endémico são naturalmente os políticos, em especial destaque no Séc. XXI.

Manufacturados nas jotas, de Barroso a Sócrates, de Santana a Portas, de Passos a Seguro, temos um lote de enormes talentos da linguagem gestual e da palavra solta. Verdadeiros mestres a cuidar e bem das suas vidinhas, tramando a pacífica e bem comportada horda de infelizes, alguns dos quais, neste momento, se envergonham da pobreza para que foram arremessados.

Todavia, os ilustres ex-jotinhas não esgotam a actividade na mexeriquice interna. Gostam de viajar, falar com os homónimos estrangeiros e mostrar aos companheiros ou camaradas europeus que também são gente. Passos e Seguro, os dois chefes do ‘bloco central’ decidiram, pois, ir até Londres e Madrid – Portas, por inerência do cargo, tem as viagens de serviço asseguradas, como antes para a compra de submarinos. [Read more…]

PPP e o Petróleo Argentino, um combustível original

Uma PPP, sabe-se, é  suportada por contratos legais, fortemente blindados. Independentemente dos serviços abrangidos, vias de comunicação, transporte, unidades de saúde ou outros, é objectivo dominante o sector público garantir resultados lucrativos aos privados, sob esquemas e condições pré-estabelecidos na blindagem contratual.

Portugal, infelizmente, tornou-se um ávido e insaciável utilizador do modelo, desde os tempos de Cavaco Silva, apontado como excelente aluno de Margaret Thatcher, a fundadora e catedrática na matéria, na Europa e no Mundo.

Sabemos, pois, o que é de facto uma PPP e que esta não tem a mínima analogia com processos de nacionalização ou de privatização. Apenas por desconhecimento ou má-fé, se pode afirmar que renegociar PPP é equivalente à deliberação da Presidente Argentina nacionalizar 51% de capital da YTF, propriedade da Repsol. Mas a manifestação de falta de bom senso ainda se torna mais acentuada, quando o autor reincide num raciocínio idêntico em relação à Venezuela. A mistura de PPP com Petróleo Argentino já seria um combustível original, para fazer arder a paciência a alguém ajuizado. [Read more…]