
Porque a banda desenhada também é cultura.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

Porque a banda desenhada também é cultura.

Não é aceitável que um ministro faça declarações destas. Um responsável político que ocupa as mais altas funções governativas deve ser absolutamente exemplar. Não está em questão se tem ou não motivos para ficar irritado com o que sobre ele foi escrito. Alguém na posição de João Soares tem a obrigação de saber respeitar e lidar com a liberdade de expressão, de outra forma não tem condições para exercer o cargo. E isto não invalida que não possa reagir a quem, no seu entender, o difame. Mas oferecer publicamente “um par de bofetadas” a um cronista, referindo-se ao mesmo como “personagem” e usando um estratagema cobarde para o denegrir, caracterizando-o como alcoolico e cerebralmente degradado, não é digno de um governante. Não é digno de alguém que representa a cultura, o país e os portugueses. Alguém que não tem sequer a humildade necessária para assumir a gravidade do seu erro. João Soares tem que ir para a rua, imediatamente. Só lhe pode fazer bem. A mim também.
Se calhar, não tenho bem a certeza, porque percebo bem a dificuldade que é sairmos de nós mesmos, esta campanha da RTP – #esefosseeu -até era bem intencionada. Isso mesmo, se calhar tinha apenas a intenção de convidar as pessoas para esse exercício difícil que é colocar-se no ‘lugar do outro’ e chamar a atenção para a questão dos refugiados.
Ao ver este vídeo (e outros, como por exemplo o do Sérgio Godinho, o do Nuno Markl, o do Marcelo Rebelo de Sousa, mas sobretudo este da Joana Vasconcelos) percebemos quão difícil é esse exercício, quão difícil é sair da superficialidade com que atulhamos o quotidiano, quão difícil é imaginar que, de repente, temos de sair de casa e levar apenas o essencial. É um bocado deprimente pensar que o essencial da Joana (como o de muitos outros ‘entrevistados’) é absolutamente acessório e fútil. As ‘jóias’ diz a Joana, como se atravessar o mar, as fronteiras, deixar para trás uma vida inteira em nome do grande desconhecido, enfrentar processos absolutamente desumanos e injustos, numa situação de extraordinária vulnerabilidade, fosse o mesmo que ir a um jantar dançante ou a uma soirée no Palácio da Ajuda.
#esefosseeu até podia ter sido (se calhar em alguns sítios foi) uma boa campanha de sensibilização. Com estes exemplos, é só mais uma palhaçada.
Já agora #esefosseeu, eu mesma, quero dizer, levava-me a mim. O resto talvez se encontrasse depois. Não é o que se leva que importa, mas o que se encontra. E o que muitos dos refugiados encontram é a desumanidade e a humilhação. A espera interminável pelo futuro. E algumas vezes, como sabemos, o regresso ao sítio de onde fugiram.
O resto são futilidades.

Olhos de pequeninos a brilhar de atenção alegre tão forte quanto o coração lhes está a pulsar é do mais lindo que se pode observar, não é verdade? Pois foi esse encanto que mais uma vez esteve estampado nas caritas expectantes de uma centena de crianças, de bibe laranja aos quadradinhos e sentadinhas com as pernitas a abanar nas cadeiras do Teatro Armando Cortez. No palco, foi aquela magia sempre renovada, produzida desde há 40 anos com um profissionalismo admirável pelo TIL, Teatro Infantil de Lisboa. Desta feita, a peça é a Cinderela, uma Cinderela alegre e com referências à actualidade, como aquela da lista dos convidados ao baile no ipad. [Read more…]
As declarações de João Soares são inqualificáveis. Agora, diga o mesmo quanto ao outro triste do seu partido.

Sobre as bofetadas prometidas pelo Ministro João Soares a pessoas que o criticam, acho triste, mas nada tenho a dizer. É fogo de vista. Mas tenho a lamentar que o Ministro da Cultura de Portugal não tenha cuidado com o que escreve em público. Assinalei no seu pequeno texto 4 palavras: “cuzar”, “estória”, “Publico” e “calunias”. Arrisco dizer, e de ficar na lista das bofetadas prometidas, que é um bocadinho demais para o Ministro da Cultura. Certo?
Capa da edição comemorativa dos 70 anos do Jornal do Fundão
Ou porquinhos-banqueiros, como preferirem.
Angola pede assistência financeira ao FMI. Aguarde-se, sentado, que as contas dos Santos entrem em acção.

O misógino Pedro Arroja na vanguarda da modernidade, sempre.
Santana Castilho*
Na penúltima semana de Março, o Governo falou ao povo. A 24, Tiago Rodrigues deu-nos a conhecer o resultado de um Conselho de Ministros dedicado à Educação. São cinco as epígrafes que sintetizam outras tantas políticas definidoras do rumo para a legislatura:
1. “Sucesso escolar”, com o anúncio de mais um Programa Nacional (este não é “integrado”) visando envolver toda a gente, menos, significativamente, os alunos e recuperando os mais gastos e vulgares lugares comuns sobre a matéria.
2. “Orçamento participativo”, isto é, demagogia primária e gongorismo cívico, que consistirá em atribuir, no dia do estudante do próximo ano (desta feita Marcelo não poderá invocar falta de previsibilidade), aos alunos do Secundário e do último ciclo do Básico, uma verba adicional, que será gasta segundo decisão deles, em prol da escola, entenda-se.
3. “Formação de adultos”, ou seja mais um programa, este “integrado”, como manda o prontuário de serviço, que recupera e elogia as Novas Oportunidades, de má memória (adiante fundamentarei).
4. “Educação inclusiva”, decidindo-se nesta sede a criação de um grupo de trabalho para reorganizar leis (como se o problema não fosse cumpri-las) e juntar aos diplomas dos graus não superiores um suplemento que ateste o que os titulares fizeram em contexto extra-curricular (admitindo eu que torneios de caricas não sejam elegíveis).
5. “Parcerias”. Sim, parcerias. Uma com o Ministério da Saúde, para habilitar os alunos do 10º ano com competências em Suporte Básico de Vida. A outra, com o Ministério da Economia, a cargo de estudantes do Ensino Artístico, tratará da “animação turística” das ruas das nossas cidades.
Aos que achem que estou a ser sarcástico em excesso, peço que leiam o documento com que o ministro comunicou com o país. Confiram a linguagem redonda, as formulações gastas, a pobreza de frases sem sentido. Reparem nesta, que explica o Programa Integrado de Educação e Formação de Adultos (PIEFA): [Read more…]
Se Passos aponta o dedo aos powerpoint de Costa, é bom não esquecer que quem aponta tem 3 dedos a apontar para si mesmo.
O Jornal de Negócios traz hoje uma peça titulada “O programa de ajustamento de Portugal em cinco gráficos“. Olhando para os gráficos incluídos, para os títulos para eles escolhidos e para as respectivas legendas só se pode concluir que o dito programa de ajustamento e, consequentemente, o anterior governo, se coroaram de sucesso. Deve ser o tal país que está melhor, apesar das pessoas estarem pior.
Esta peça, ao apresentar números sem contexto, martelados até, é uma obra de propaganda, à semelhança de outras que este jornal tem feito sair em prol das políticas de direita.
Vejamos brevemente o que está em causa.

É o que indica Brian Kilmartin, do Irish Times (via). O Expresso tem acesso aos materiais, mas continua sem divulgar nada de jeito. Limita-se à auto-promoção. Lêem-se neste jornal algumas banalidades, justificadas por, dizem, ainda estarem a investigar.
Entre esses nomes, cujas ligações o Expresso ainda está a investigar, estão beneficiários últimos, acionistas das sociedades offshore, intermediários e clientes. Grande parte dos nomes não são figuras públicas, mas entre eles estão vários empresários e gestores nacionais.
A questão que se coloca é porque é que continua o segredo. Lembram-se do que fez o Expresso com os telegramas do Wikileaks, dos quais o jornal adquiriu o exclusivo de divulgação? Para quem não se lembre, o que se passou foi o seguinte:

Paralelamente aos múltiplos encantos com que se deleita o visitante em Portugal, ele não deixará, também, de constatar certas especificidades que dificultam a vida, acima de tudo a dos habitantes locais, sem que isso a estes provoque a menor agitação. Será por indiferença? Resignação estoica? Propensão natural?
Uma dessas especificidades é a falta de capacidade de organização portuguesa; eu chamar-lhe-ia uma incapacidade endémica e iria até mais longe, aventando que poderá tratar-se de uma rejeição alérgica da população portuguesa à organização.
É ela visível por todo lado, mas há alturas em que uma pessoa colide em força, como é o caso daquela abominável estação de Entrecampos. Primeiro, temos o abalo provocado pela perversidade da construção, cujo arquitecto deveria ser forçado a utilizar todos os dias, inclusive fins de semana, para se poder aperceber em toda a extensão da monstruosidade que projectou. Porque aquilo é um bofetão em forma de feiúra. [Read more…]

Os textos ontem publicados por mim e pelo Ricardo Santos Pinto sobre o colaboracionismo do PCP com a ditadura angolana levaram à revolta de alguns dos nossos leitores afectos ao partido. De todos os argumentos usados, há um que se destaca e que, convenhamos, não é assim tão descabido. Trata-se do financiamento que o jornal Maka Angola, próximo das posições assumidas pelos activistas agora presos, recebeu da norte-americana National Endowment for Democracy, uma organização sombria com ligações à CIA que, sob o pretexto da solidariedade e da luta pelos direitos humanos, procura exportar a “democracia” do Tio Sam para outras paragens. [Read more…]

Em teoria, MPLA e PSD professam da mesma ideologia: ambos se assumem como social-democratas. No mundo real, os primeiros agem como os colonos que outrora combateram, explorando um país vasto em recursos, enquanto a esmagadora maioria da população definha. Os segundos, reféns de uma variante muito particular de liberalismo, sacrificaram o Estado Social em detrimento dos apetites do capital privado. Muito mais é o que os une, do que aquilo que os separa.
Sem surpresas, o PSD integrou a coligação (im)provável que chumbou os votos de condenação apresentados por PS e BE contra a prisão dos activistas angolanos que ousaram debater e lutar pela liberdade. Tal como o CDS-PP, a argumentação dos “social-democratas” não difere muito da argumentação dos comunistas: soberania e não-ingerência nos assuntos internos de Angola. [Read more…]
Personalidades como José Sócrates, Armando Vara, Duarte Lima, José Penedos, Dias Loureiro, Paulo Portas, Miguel Relvas, Marco António Costa ou Manuel Godinho ainda não foram indiciados nos Panamá Papers?

Que PSD e CDS-PP beijem o anel a José Eduardo dos Santos ou a qualquer outro ditador, não é algo que me deixe particularmente admirado. A realpolitik da vassalagem ao capital está-lhes no ADN. Já o caso do PCP é diferente. Perturbadoramente diferente. É que falamos de um partido que, pelo menos em Portugal, combateu activamente a ditadura e foi uma peça fundamental na queda do Estado Novo. Como português, um português nascido bem depois de Abril de 74, tenho uma dívida enorme para com os comunistas. [Read more…]
.. que em Portugal passou pela Acona International Investments Limited
Na despedida de Fabian Cancellara da Volta à Flandres (com muita pena nossa, a bom da verdade; assim como também lamento a despedida da equipa Tinkoff no final desta temporada) Spartacus, alcunha carinhosa pela qual é conhecido este suíço nascido nos arredores de Berna há 35 anos, julgava-se no direito de despedir-se da prova com mais uma vitória, aquela que seria a 4ª da sua carreira no Tour de Flandres, um dos designados 5 monumentos do ciclismo. Numa prova novamente marcada pelas quedas, Spartacus bem tentou anular a diferença para Sagan nos 12 km finais mas o eslovaco, campeão do mundo em título provou que é neste momento o ciclista em melhor período de forma para abordar as clássicas, resistindo à perseguição do suíço e do holandês Sep Vanmarcke da Lotto-Jumbo-NL.

Neste escândalo das offshores do Panamá, espero não ouvir uma palavra que seja do PCP. Um Partido que defende uma ditadura abjecta e corrupta como a de Angola não tem moral para falar seja sobre o que for.
Por estas e por outras é que nas últimas eleições, ao fim de muitos anos, deixei de votar no PCP e nos seus aliados-fantoche dos Verdes e passei-me para o Bloco. Dificilmente voltarei. Porque dificilmente o PCP mudará.

Café Paraíso, encontrado no Boas Notícias
Há poucas semanas a minha velha amiga Gisélia (Constantino de solteira), que há 50 anos geme saudades de Tomar em Angra do Heroísmo, fez o habitual telefonema que me faz reviver os tempos do bibe aos quadradinhos vermelhos e brancos, as botas de atanado e a pasta cheia de ilusões. O pai da Gisélia, muito moreno e cortês, era dono de uma perfumaria pequenina mesmo ao lado do Café Paraíso. Tinham família na Estrada da Serra, onde eu vivia com os meus pais, pessoas que eu conhecia desde Angola. Acho que conheci a Gisélia e o rio Nabão ao mesmo tempo. Depois, crescemos e cada uma foi para seu lado. A Gisélia acabou por me descobrir no Canadá e quando telefona, dá-me sempre novidades: ou está nos Açores o filho do António Campos, o farmacêutico de Santa Cita, ou terminaram as obras do mercado, ou caiu de vez o eucalipto dos Silveiras. Há semanas, dizia eu, comunicou que o Graça, do Café Paraíso, me mandava um beijo e tinha ficado com pena de não me ver quando fui a Portugal. Fiquei tão contente! Falámos do outro Graça do Paraíso, o Joaquim. E do Artur.

Não se preocupem, está tudo bem. É só mais um esquema de fraude fiscal e desvio de dinheiro em quantidades industriais. É só mais uma história protagonizada por banqueiros, políticos, monarcas, celebridades, terroristas e uns quantos outros criminosos, corruptos e burlões que usaram os liberalíssimos offshores para fintar a lei, lavar dinheiro e fugir às suas responsabilidades fiscais. É só mais um episódio que completa uma trilogia que promete não ficar por aqui e que já deu ao mundo enormes sucessos como Luxleaks (2014) e Swissleaks (2015). Bem-vindos ao admirável mundo trafulha dos Panama Papers. [Read more…]
A próxima bomba já rebentou. 12 antigos e actuais lideres mundiais, 128 políticos, desportistas e famosos foram associados por controlo de empresas offshore por parte da maior fuga de informação da história, a “Panama Papers”, numa investigação conduzida por mais de um centena de órgãos de comunicação social mundiais, pelo jornal alemão Suddeutsch Zeitsung e pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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