A mobilidade social à distância de um balido

Congresso

Tenho pouca paciência para congressos partidários. São exercícios algo hipócritas, onde tudo aparenta ser maravilhosamente belo e convergente, apesar das facas em anexo. O líder tende a surgir perante as massas como uma espécie de Deus, os notáveis fazem fila para polir o seu calçado, os aspirantes voltam para casa com as línguas inchadas e as manifestações de discordância, quando há lugar a tal atrevimento, primam pela timidez e pela contenção politicamente correcta. Salvo raras excepções. No fundo, os congressos acabam por ser um pouco o espelho daquilo que temos na Assembleia da República: elegemos deputados para nos representarem mas os seus braços votam em função daquilo que o topo da pirâmide partidária decide. Como um rebanho que segue o seu pastor. [Read more…]

Quiosque Regional, #2, O Notícias da Trofa

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O Notícias da Trofa
Há 13 anos a contar histórias

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PONTE SALAZAR – Tenhamos a CORAGEM de lhe devolver o nome original.

Ponte Salazar

É este o nome de uma petição que circula na internet e que conta já com a assinatura de cerca de 1700 simpatizantes do fascismo. A petição, lançada na passada Quarta-feira, propõe alterar o nome da Ponte 25 de Abril para o original Ponte Salazar, devolvendo, desta forma, aos fascistas, o saudoso culto do chefe. Mas existe o risco de se tratar de uma jogada humorística, pelo menos a julgar por parte do conteúdo, feito de verdadeiras anedotas. Vejamos algumas: [Read more…]

Era uma vez uma proposta pelo Banif que o anterior governou escondeu

MLA VF

Correndo o risco de ser meramente redundante e eventualmente abalroado por um marido violento em fúria, uso novamente este espaço para informar o país que Maria Luís Albuquerque mentiu ao país. E não, não estou a falar de swaps, da sobretaxa que ia ser devolvida ou do BES que não teria custos para os contribuintes. Desta vez o assunto é o Banif. Parece que não há matéria de relevo que envolva esta ex-ministra que não venha manchada de aldrabice. [Read more…]

Mais do mesmo?

Anunciado o próximo Secretário de Estado da Juventude e Desporto. Mais do mesmo outra vez?

Paraíso fiscal

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Se o paraíso fiscal existe, então também existirá o inferno fiscal, do qual teremos um vislumbre durante este mês ao entregarmos a declaração de IRS. A propósito, de acordo com o que tem sido noticiado, o processo tem laivos de via sacra, tendo como estações declarações mal pré-preenchidas e bugs no software de suporte.

Mas voltando à tese inicial, a semântica associada à expressão usada para classificar os bordéis onde se pratica a fuga ao fisco pode se alargada de forma extensiva. Quem são o deus fiscal e o diabo dos impostos? E os anjos, os demónios e os santos? Cada qual não terá, certamente, dificuldade em atribuir nomes a estes cargos. Mas há casos complicados. Por exemplo, aqueles que agora se mostram chocados, como Junker, que foi primeiro-ministro de um desses paraísos, são judas fiscais ou madalenas que atraem pecadores?

Por outro lado, não sendo claro quem seja o papa fiscal, representante do deus fisco na terra dos capitais, já a existência de bulas fiscais é factual, chamado-se, apropriadamente, perdão fiscal.

Falta saber se as declarações de vários apóstolos sobre fecharem os paraísos fiscais são para ser tomadas a sério e se, simultaneamente, os infernos fiscais também são para acabar. Mas, mais importante ainda, sobra a grande questão: há vida para além do fisco?

Bilhete do Canadá

Grande tem sido o alarido na comunicação social por causa da prestação gratuita que Diogo Lacerda Machado tem dado a vários dossiers quentes da economia, a pedido do ministro António Costa.

Para tudo é preciso sorte, até para andar na política.

Que o diga Passos Coelho, entronizado secretário geral do PSD pela diligência (proclamada) de Marco António Costa, e que levou para o governo Miguel Relvas quando subiu a primeiro ministro.  Marco António tem um farfalhudo rabo de palha na Câmara de Gaia e Miguel Relvas, para além de ter vigarizado uma licenciatura, tem rabos de palha vistosos em vários sectores do país, do Brasil e de Angola.

Que o diga, também, Paulo Portas que, depois de tantas trapalhadas que arranjou pela vida fora, é agora vice-presidente duma organização representativa dos industriais, diz que de borla. Como se essa corista da política, que só aceita trabalhar em palácios, vivesse do ar.

Em nenhum dos dois casos houve alarido na comunicação social nem deputados apareceram a exigir provas.

Moral da história: Pedro Passos Coelho e Portas são uns sortudos, porque a comunicação social é uma lástima e o parlamento um pátio.

De uma panela

No vídeo seguinte, um suposto político denúncia casos de corrupção envolvendo todos os partidos. Mas, ao polícia que o ouve, só lhe importa um dos lados, encontrando em jogos fonéticos as razões para as prisões que queria realizar.

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A Bósnia como exemplo da Realpolitik

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Renato Gonçalves

Em 2013 estive na Bósnia, passando a fronteira terrestre com a Croácia, e percorri ao anoitecer a estrada até Bihać, cidade de maioria muçulmana situada a Noroeste. Ficou-me na memória os vultos constantes de homens sentados à beira da estrada, como se estivessem sempre ali, e as casas degradas, ou em (re)construção, dos Bósnios na diáspora. O ambiente na cidade, com pouca luz, era desconfortável e o único local possível para aconchegar o estômago foi no maior e mais central hotel da cidade, o Hotel Park. Qualquer moeda forte, além do oficial marco-convertido, era aceite (Euro, Dólar, Kuna croata, etc…). Uma refeição completa, tudo incluído, ficou por 3 euros, cera de 6 Marcos-Convertidos.
Com o luar era possível ver as silhuetas dos minaretes. Nos cafés o contraste entre os jovens muçulmanos e os restantes era significativo. Raparigas cobertas, e com véu, caminhavam lado a lado com outras cujas mini-saias de tão curtas se assemelhavam a cintos. Havia tensão e sentia-se a existência de ‘máfias’ em cada bar e clube nocturno. [Read more…]

O carreto contra balanço e o correto balanço

Je n’ignore pas combien il est malpropre de parler de soi, et quel blâme on s’attire. Mais, en parlant de moi, ce n’est pas de moi que je parle.

— Jean Cocteau, Démarche d’un poète (introduction, édition et notes par David Gullentops), Paris, Éditions Grasset & Fasquelle,  2013, p. 103

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Algures, no Facebook (sim, está na moda), Maltez refere-se a “correto balanço“. Curiosamente, até hoje, em português europeu, só encontrara “carreto contra balanço”.

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Exactamente: carreto contra balanço. Correto balanço, em português europeu? Não conhecia.

No mesmo texto, Maltez escreve: «desenha a respetiva estratégia de autoridade». Efectivamente, respetiva/respectiva. Sim, isso já conhecia.

Rir ou punir, eis a questão!

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É sabido que os ditadores ou candidatos a tal têm pouco sentido de humor e adoram triturar quem arranja maneira de fazer humor sobre a sua falta de humor. Estamos a assistir a um caso apimentado que se enquadra nessa problemática humorística e tem honras de destaque nos média alemães de hoje. Um humorista alemão apresentou, num programa satírico, um poema com uma forte sátira ao presidente turco Erdogan. Segundo consta, chamou-lhe de tudo (não pude ver o vídeo porque já foi retirado da net; existe um outro vídeo, de outro programa de sátira política alemão, com legendas em inglês, que (ainda) não foi retirado). [Read more…]

Fundação offshore

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É uma história batida. A história do empresário multimilionário que às tantas decide criar uma fundação para onde transfere parte significativa do seu património, obtendo desta forma uma série de isenções fiscais que lhe permite, entre outras coisas, adquirir mais património. Carros, imobiliário, participações financeiras. Já vimos este filme. Bem vistas as coisas, muitas fundações acabam por funcionar como paraísos fiscais: transferem-se para lá milhões, escapando-se desta forma ao pagamento dos devidos impostos. E funciona. [Read more…]

O Pravda de Luanda

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Devido à forma como o pedido de ajuda do governo angolano ao FMI foi noticiado em Portugal, o pasquim estatal de Angola voltou a apontar o dedo à imprensa portuguesa, que acusou de estar articulada com a oposição ao regime de Luanda. Tais declarações apenas servem para ilustrar, com requintada ironia, a natureza manipuladora da ditadura angolana: um jornal financiado com dinheiro público angolano, silencioso sobre a forma como a cúpula do regime se apoderou dos recursos do país, percebe que, fruto da má gestão e da quebra do preço do petróleo, as contas do país estão numa situação delicada. O FMI entra em cena para aplicar um dos seus famosos resgates e a melhor manobra de diversão que o pasquim encontra para desviar atenções é apontar o dedo à imprensa ao serviço dos interesses da UNITA, dos inimigos portugueses de Angola e dos activistas desta vida que tem a ousadia de ler livros demasiadamente progressistas. Orgulhosamente sós!

Fotomontagem@Folha8

Os bancos não são pessoas de bem

Mais uma multa para o Goldman Sachs, cinco mil milhões por fraude.

Praguejar não chega:

Petição pública para extinguir paraísos fiscais está online! 

Alma Lusa, minha gente, nossa terra!

Victor Melo


(clicar nas fotos para aumentar)

Os ficheiros Banif – Cronologia

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Esta é a 1ª versão da Cronologia de “Os ficheiros Banif”.

Está em permanente construção e será atualizada diariamente.

 

Panama Papers: o jihadismo financeiro explicado em 5 minutos

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Os fanáticos do directório liberal têm feito das tripas coração para defender a existência destas verdadeiras organizações terroristas mas depois dos vários escândalos a que temos assistidos nos últimos anos, com o caso Panama Papers a assumir-se como cereja no topo do bolo, poucos argumentos restarão para defender a continuidade destes esquemas potenciadores de corrupção, evasão fiscal, branqueamento e crime generalizado. [Read more…]

Carta do Canadá – A Espuma dos Dias

L'écume des jours

Não surpreende excessivamente o fervilhar da fétida situação internacional, e principalmente europeia, se tivermos memória. Lembro que, em sucessivas reuniões da UCIDT (União Católica dos Industriais e Dirigentes do Trabalho), há 40 anos, se debatia o que então era designado por “desarmamento moral da Europa”.

Em plena Guerra Fria, e estando Portugal a viver a sua própria revolução, a Europa inquietava por estar a desfazer-se dos seus valores morais e tradicionais como quem, por desespero ou leviandade, deitasse ao lixo as jóias da família. Percebia-se que o vazio deixado por esse deslize era ocupado pela finança. Entrava-se na era de tudo ter um preço. De tudo ser objecto de compra e venda. Incluindo as consciências. [Read more…]

Pontapear a imprensa, um padrão no seio do PSD

ZMPSD

O comportamento inaceitável de João Soares, honra lhe seja feita, terminou com alguma réstia dignidade: apesar da falta de humildade para pedir desculpa aos portugueses, o esbofeteador lá acabou por se demitir. Era o mínimo que podia fazer. Um Relvas por geração é mais do que suficiente.

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Panama Papers: revelados os nomes de mais três portugueses envolvidos

PPMF

À medida que mais documentos vão sendo processados, a dimensão do escândalo Panama Papers vai tomando proporções cada vez mais significativas. Caiu o governo islandês, famílias reais da Europa ao Médio Oriente foram levadas pela enxurrada e nem os órgãos de soberania britânicos ficaram imunes aos estilhaços. A cada dia que passa, a lista aumenta a uma velocidade que não parece querer abrandar. Estranhamente, nem um tubarão norte-americano foi ainda apanhado pela tempestade. Ainda. [Read more…]

O irrevogável e o esbofeteador

Retrato_oficial_João_SoaresAmeaçar críticos com umas bofetadas não fica bem a um ministro e não me escandaliza que seja causa para a sua demissão, porque, apesar de tudo, é bom distinguir uma conversa entre amigos de uma proclamação. Ora a promessa de umas estaladas no facebook não é uma conversa entre amigos, ao contrário do que se pensa, especialmente num mundo em que os jornais e as televisões escrutinam, ao milímetro, o que se escreve nas redes sociais.

Confesso que também não me escandalizaria que João Soares ficasse no governo, após um pedido de desculpas, mesmo que não fosse sincero, até porque isso da sinceridade, no fundo, só pode ser verdadeiramente medido por quem fala. Nas nossas relações sociais, passamos a vida a representar papéis, o que nos obriga, muitas vezes, ao exercício de uma saudável hipocrisia, patente em mentiras piedosas ou prudentes. Aproveito, a propósito, para recomendar o filme A Invenção da Mentira, passado num mundo em que todos diziam a verdade.200px-Retrato_oficial_Paulo_Portas

Mesmo sabendo que um erro de um lado não desculpa um erro do lado contrário, não consigo, contudo, deixar de pensar que a ameaça boçal de agredir dois críticos é muito menos grave do que a apresentação de uma demissão considerada “irrevogável” com efeitos directos sobre a estabilidade política e sobre a economia do país.

Alguns poderão dizer que não são situações comparáveis. Têm razão: Paulo Portas não teve sequer a dignidade de manter a sua decisão e colaborou, despudoradamente, no empobrecimento de milhares de portugueses; João Soares foi só pateta.

Número de alunos por turma? Depois vemos isso!

GroeningCartoonNos últimos dez a quinze anos, várias vozes – com uma desfaçatez cada vez maior – têm defendido que a qualidade dos professores é o principal (ou o único) factor de que depende o sucesso dos alunos (mesmo que não haja sequer a preocupação de se saber exactamente o que é o “sucesso dos alunos”).

Na realidade, a repetição dessa ladainha tem servido para justificar várias medidas que deveriam escandalizar qualquer cidadão que se preocupe verdadeiramente com a educação dos jovens.

Colocar quase exclusivamente a responsabilidade do sucesso dos alunos no desempenho dos professores serve, antes de mais, para esconder a importância de muitos outros agentes sociais e individuais (entidades oficiais, meio socioeconómico, encarregados de educação, etc.). A própria interpretação dos rankings torna-se, deste modo, muito mais fácil, permitindo aos simplistas de serviço falar, com a descontracção dos ignorantes, em “escolas melhores” e “escolas piores”. [Read more…]

O banano, o sopapo e a solha

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Era uma vez um banano que andava às lostras. Muito entretido, distribuía tabefes pelas chapadas do reino quando se deparou com um imponente sopapo nas ventas que não hesitou em esbofeteá-lo com acinte: “Pfff, isso lá são bofatadas? Que saudades da pífia PAF, esses é que eram de estalo e gritos”. Abananado, o banano ainda ensaiou uma lamparina. Porém, perante a tapona da solha, abandonou e tudo voltou à normalidade no reino da bolachada.

Os ficheiros Banif

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Este espaço agrupa a informação disponível sobre o Caso Banif. Toda a equipa do Aventar está a acompanhar atentamente este caso, nomeadamente a Comissão de Inquérito Parlamentar ao Banif, e promete colocar aqui, de forma sistemática e organizada, a informação disponível. É uma forma de ajudar na recolha de informação e apelar à transparência num caso que é muito grave pela dimensão do buraco financeira, mas também pelo que revela sobre o funcionamento do Estado e das relações entre Estado e Economia.  [Read more…]

Elísio Summavielle, o menino órfão

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Já é preciso ter azar. Foi nomeado Secretário de Estado da Cultura no segundo Governo Sócrates, mas o Governo durou pouco mais de um ano. No Governo seguinte, o Secretário de Estado Francisco José Viegas nomeou-o Director-Geral do Património, mas meia dúzia de meses depois o próprio Francisco José Viegas demitiu-se. Agora que estava tudo encarreirado, como Presidente do Centro Cultural de Belém, acaba de se demitir o Ministro da Cultura, João Soares, que o nomeara há um mês.
Nada que preocupe Elísio Summavielle, claro. A orfandade em política é algo de muito relativo e muito dependente de múltiplos factores aparentemente desligados entre si. Com sorte, arranja por aí mais um ministro com a mesma indumentária.
A verdade é que, depois de mais este post, estou habilitado a levar umas bofetadas do menino da lágrima. Pois bem, que venha ele, mas de preferência sem avental.

Uma sugestão para o povo angolano

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Depois do empréstimo do Banco Mundial, o governo angolano anunciou que irá agora pedir ajuda ao FMI. O petróleo está em baixa e o dinheiro para manter as elites balofas de Luanda começa a escassear, apesar das fortunas fabulosas que os apaniguados do regime continuam a deter e que hoje crescem e se multiplicam por diferentes lavandarias por esse mundo fora, como é o caso do nosso país. [Read more…]

João Soares demite-se de ministro

“O estranho caso da bofetada apenas prometida, mas que ricocheteou e atingiu o esbofeteador”, romance de cordel, edições João Soares.

Se João Soares tem a confiança política de Costa?

Era a questão que ouvi hoje na Antena 1. E, também, deve ser nova causa da direita. Por isso, vejamos. Em primeiro lugar, não é uma questão de confiança política, mas sim de (mau) carácter. Em segundo, se se insiste na confiança política, é de sublinhar que tendo Relvas  se aguentando no governo de Passos quase três anos, apesar das palhaçadas (e outras coisas menos sérias) que fez, então Soares tem todas as  condições para continuar.

Mas isto é argumentação para chamar à atenção esses paladinos da pureza, que agora guincham por sangue e que têm telhados de vidro muito mais fino do que os de Soares, apesar de antes terem ficado calados e, até, feito os possíveis por defender a sua donzela.

Eu cá acho que Soares é parvo, o que não chega para demissões. Já a forma como conduziu o boy Summavielle ao CCB é algo vergonhoso e devia ser suficiente para correr com ele do governo. Isto é o que devia ser o padrão de comportamento quanto a cargos públicos. Se tivesse sido seguido ipsis verbis no governo anterior, é de sublinhar que não haveria governo passado alguns meses, a começar pelo idiota que foi primeiro-ministro, o qual teve a lata de falar daqueles que perderam o emprego como alguém que tinha uma oportunidade pela frente e que precisava de sair da sua zona de conforto. Perceberam, ó laranjinhas ululantes?

Panama Papers: deixem-se de conspirações

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Estou estupefacto com muito do que se tem dito sobre o caso Panama Papers. Não me admira a defesa exaustiva que a direita ultraliberal tem feito dos paraísos fiscais, até porque muitos destes paladinos da selvajaria financeira são beneficiários directos destes esquemas de evasão fiscal e corrupção. Mas surpreende-me ver aqueles que, assumindo-se de esquerda e activamente contra a existência de offshores, olham para este caso como uma mera conspiração para destabilizar países como a Rússia e outros opositores do status quo ocidental. [Read more…]