Do PSD para o país, financiado pela clientela e pelos otários do costume.
Ainda o erro do exame de Português de 12º
A propósito do erro no recente exame de 12º de Português, aqui ficam a sequência dos factos e algumas observações.
1 – no Grupo II, pedia-se aos alunos que classificassem o acto ilocutório presente em “Como um dia veremos.” A citação corresponde ao último período de um texto de Lídia Jorge sobre Eça de Queirós publicado na revista Camões. Na versão online, faltam os dois períodos finais: “O que não parece vir a propósito, embora venha. Como um dia veremos.”
2 – a primeira versão dos critérios de classificação do exame impunha que os professores classificadores aceitassem apenas a resposta “Acto ilocutório compromissivo”. Só nesse caso, os alunos poderiam ser contemplados com o meio valor previsto, o que, parecendo ínfimo, pode ser decisivo em diversas circunstâncias.
3 – vários professores, no entanto, afirmaram que se trataria de um acto ilocutório assertivo, o que deveria obrigar, no mínimo, a aceitar as duas respostas. Os interessados em distinguir os dois actos ilocutórios poderão, facilmente, obter a informação necessária. Se estiverem interessados na fonte oficial, poderão visitar a página do dicionário terminológico, escolher o separador “Procurar” e escrever “acto ilocutório”.
4 – o IAVE (Instituto de Avaliação Educacional), num primeiro momento, negou a existência de um erro, dando instruções para que os professores classificadores aceitassem apenas a resposta prevista nos critérios.
5 – as opiniões dividiram-se o suficiente para que o IAVE acabasse por reconhecer a existência de um problema, passando a permitir que ambas as respostas fossem consideradas correctas.
Passemos às observações: [Read more…]
O banqueiro
“O Banqueiro” poema de Craig-James Moncur, dito por Mike Daviot. O filme foi escrito, realizado e produzido por Craig-James Moncur. Tradução e legendagem do Helder Guerreiro.
Pode ver este filme e outros no canal do autor (33rddegreefilms).
Como viciar um jogo de futebol do mundial – manual de instruções
Podem-se comprar jogadores mas o mais fácil é corromper o árbitro e os seus assistentes, lê-se na reportagem resultante de uma investigação do The Telegraph e do Channel 4. Mas quem o diz é Christopher Forsythe, o facilitador do negócio, natural do Gana. Sim, essa equipa à qual só por milagre (financeiro, ao que parece) iremos ganhar por meia dúzia de golos.

Paga o que deves, Passos Coelho!
Há uns anos, o grupo de eternos rapazes de que eu fazia parte detinha, como qualquer grupo de eternos rapazes, um conjunto de frases constantemente repetidas conforme as circunstâncias. Como é típico dos eternos rapazes ou de qualquer grupo proprietário de private jokes, cada uma dessas frases era razão para sorrisos cúmplices (ou para gargalhadas desbragadas, se o consumo de álcool já fosse suficiente para que tudo tivesse imensa piada).
Uma das actividades favoritas desta minha irmandade era o extraordinário jogo da moedinha, essa modalidade amiga dos donos de cafés e propiciadora de humilhações rituais, coisa bastante saudável entre amigos. Tendo em conta que a derrota implicava o pagamento da despesa que estivesse em cima da mesa, havia um certa tendência para ligeiras desonestidades que, de tão evidentes, eram quase sempre descobertas ou reveladas. Era então que o pequeno criminoso proferia, com um contragosto cabotino, uma frase com tanto de ética como de gramática: “Se passasse, passasse…”
Nada disto, à distância de vários anos, me parece mal. Antes pelo contrário: a alienação momentânea e o alegre disparatar são tão necessários como o profissionalismo e competência, desde que sejam praticados em horários diferentes
Recentemente, dei por mim a pensar que o país é governado por um grupo de eternos rapazes, o que não seria grave se não se comportassem na governação como a comandita com que eu alinhava no jogo da moedinha. Na verdade, este mesmo governo anda, há três anos, a produzir diplomas inconstitucionais, pensando qualquer coisa como “Se passasse, passasse…” [Read more…]
Hossana
Após 5 anos de existência, o Aventar tem a honra de ter a Zazie entre os seus comentadores. Custou, mas foi.
A honra e a bondade
Em memória do General Silva Cardoso
Não sei de nada mais sério do que a terra a que pertencemos, no sentido literal. A terra onde abrimos os olhos para o mundo, aprendemos as plantas e os animais, o sentido do vento, a água que nela brota. Podemos andar pelo mundo, mas aquela terra está-nos gravada no coração. Por ela sofremos e lutamos. Pela terra podemos até matar em situações limite impostas por estrangeiros. E a ela voltamos quando a vida se nos acaba. [Read more…]
À Porta d’Um Congresso
Partidário qualquer, este Domingo em Ermesinde, cidade da periferia norte do Porto a que se pode aceder por centenas de comboios e autocarros urbanos a partir do Porto, Douro e Minho.
Viva o estacionamento ad hoc!
É uma questão de tempo
A equipa portuguesa deixou de jogar 5 minutos depois do jogo ter começado.
Coimbra é uma lição
Outono de 1570: o jovem rei Sebastião viaja até Coimbra, entra numa aula, e é recebido com uma enorme pateada. De imediato mete a mão à espada mas é serenado: tratava-se de uma tradição académica de reverência a sua majestade, uma honraria rara, uma praxe, dir-se-ia tempos mais tarde, e o rei sorriu, agradeceu, e segundo um cronista voltou todos os dias repetindo-se o enxovalho.
Verão de 2014: numa comemoração os governantes são interrompidos por
um grupo de estudantes repúblicos, empunhando cartazes e interpelando e interrompendo os oradores, recorrendo a linguagem rude e até a insultos.
As “provocações” estudantis fizeram-se sentir com particular intensidade durante a intervenção do presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado. Neste contexto, o orador seguinte – o secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier – recusou-se a falar.
A enxovalhar governantes desde o séc. XVI, isto é que é uma tradição académica, centenária, património da Humanidade. Mai nada.
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Temos campeão
Final da última etapa da Volta à Suiça, terceira vitória de Rui Costa, preparando-se agora para o Tour.
É este ano, acredito, que o 3º lugar de Joaquim Agostinho em 1978 e 79 merece ser atacado, o nosso recorde mundial no ciclismo de estrada pela pedalada do agora campeão mundial.
Há desportos, populares, onde até somos campeões do mundo, o que há é menos gente a dar por isso.
Mais uma vez, os exames
Por Santana Castilho
Nuno Crato chamou ocultas às ciências da Educação. Compreende-se, por isso, que trate crianças de 9/10 anos de idade como adultos pequenos a quem, em sede de exames nacionais, pediu uma declaração escrita, por honra delas. Compreende-se que à revelia do que se faz na Europa e do que as neurociências e a psicologia do desenvolvimento descrevem como características fundamentais dessa idade as obrigue a um exame nacional, com os contornos daquele que actualmente existe.
Na semana passada, o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgou os resultados dos exames a que se submeteram 220 mil alunos do 4º e 6º anos de escolaridade. Aproximadamente 95.000 reprovaram em Matemática e cerca de 46.000 em Português. Para estes, desde que os pais o queiram, haverá mais três semanas de aulas extraordinárias, seguidas de novo exame. É pertinente perguntar se o expediente compensa o efeito pernicioso do aumento do número de alunos por turma, da falta de dispositivos de apoio ao longo do ano, designadamente docentes, de metas curriculares rígidas, inibidoras da acomodação das diferenças entre as crianças e de um calendário escolar inapropriado, desequilibrado relativamente à duração dos períodos lectivos e onde a antecipação do exame significa uma grande perturbação das aulas dos 5º, 7º, 8º e 9º anos. [Read more…]
Os pensadores e os carrapatos
Está por aí a tentar fazer caminho, com a ajuda de esforçados comentadores televisivos, a ideia de que há uma geração de intelectuais de direita a “sair do armário” ou lá que raio é – a imagem não é lá grande coisa, mas é lá com eles.
Dada a consabida fragilidade dos afloramentos reflexivos de tal gente, apesar da sua promoção mediática (o deserto de ideias que são, hoje, as televisões, é propício, como outros desertos, à sobrevivência de tais espécies), resta aos mais atrevidos alegarem convictamente a sua condição de herdeiros de Edmund Burke e C.K. Chesterton. Assim, pensam eles, à sombra tutelar destes vultos, talvez os levem a sério. ‘Taditos. E infelizes de nós.
Diferença no detalhe
No confronto entre Seguro e Costa é, hoje, consensual a constatação do vazio de propostas concretas ou de um debate conceptualmente interessante. Como era de esperar, os discursos de Costa no American Club e no Tivoli foram simples exercícios de oratória em que a ausência de ideias se escondia sob a muralha das palavras. Todavia, por ser de justiça, gostaria de relevar uma das pouquíssimas diferenças de substância entre eles: interpelado pela torpe golpaça eleitoral tentada por Seguro (redução para 180 deputados na Assembleia da República e alteração “ao conveniente” das leis eleitorais), Costa refutou e rejeitou tal proposta, garantindo que, na sua perspectiva, ela era inaceitável por ferir o principio da proporcionalidade – que considerou intocável – e consistir numa ilegítima tentativa de “ganhar na secretaria o que se perdeu nas urnas”. Mau grado a pobreza da analogia futebolística, louve-se e grave-se na pedra esta declaração de António Costa, já que aquele vai ser um caminho tentado pelos sectores mais golpistas do “bloco central”, com previsível efeito catastrófico sobre a legitimidade da representação parlamentar.
Hoje começou o Verão
A baixa temperatura que se regista só tem uma explicação: o governo cortou no calor.
O estranho caso de Élsio Menau
No país onde o Presidente da República hasteou alegremente a bandeira de pernas para o ar, um artista de street art algarvio, Élsio Menau, vai responder em tribunal por um trabalho de fim de curso que, apesar de ter recebido a classificação de 17 valores, foi considerado pelas autoridades como crime de ultraje à bandeira.
A imagem que podem ver em cima é talvez a que melhor ilustra este caso: procurando representar um país com a corda no pescoço, algo que corresponde, mais do que nunca, à realidade da esmagadora maioria da população portuguesa, Menau deu esta forma à sua ideia. Será que alguém realmente acredita que o objectivo seria o enxovalho deste símbolo da nação? Só por má fé ou pura estupidez.
A composição foi inicialmente instalada num terreno baldio, às portas de Faro, tendo sido removida 2 dias depois pelas autoridades. Estávamos em Junho de 2012. Apesar do sucedido, a obra esteve em exposição na Galeria de Arte do Convento de Santo António, em Loulé, entre Setembro e Outubro do mesmo ano. Curiosamente (ou não), Menau foi chamado a apresentar-se nas instalações da Polícia Judiciária da Quarteira apenas depois do insólito episódio do 5 de Outubro em que o senhor Aníbal hasteou a bandeira ao contrário. [Read more…]
Não há dinheiro
Crise tirou 3,6 mil milhões aos salários e deu 2,6 mil milhões ao capital.
«O governo actual
manteve todas as práticas de co-governação com a banca e as instituições financeiras que já vinham do governo anterior (…)» Pacheco Pereira hoje no Público, a pretexto da «crise» no BES.
O Libório na cidade dos 3 P’s
Como dizia um parvalhão qualquer numa rádio de Braga, a corrida do porco Libório foi a recuperação de uma tradição medieval. E todos sabemos como eram suaves as tradições medievais…
Ao Libório, o porco, empurraram-no, puxaram-lhe o rabo e as orelhas e arrastaram-no durante 500 metros aos pontapés.
São corajosas, as pessoas que vivem na cidade dos 3 P´s. Enfrentam o porco!
E se esses P’s todos que lá vivem fossem brincar com o caralhinho? Sabemos que gostam, todos eles sem excepção. Era boa ideia, porque porcos já eles são.
O “acordo ortográfico”
não unifica, não simplifica, nem reflecte qualquer evolução natural da Língua. «Ele foi antes orquestrado por um número muito reduzido de pessoas, em circunstâncias verdadeiramente penosas, para não dizer fraudulentas.»






Em nome da “





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