Quase…

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Meteu dó a frustração dos jornalistas televisivos quanto à manifestação dos polícias. Criando expectativas, excitando os espectadores, agitando os espíritos, tudo fizeram para que estivéssemos preparados para o suposto clímax do acontecimento, qual seria uma grandiosa cena de pancadaria nas escadas da Assembleia da República. Azar dos Távoras. Não houve nada que se visse.

A repórter da TVI bem berrou, excitadíssima, acontecimentos que as imagens não confirmavam. Alguns repórteres, nestas andanças, fazem lembrar os relatores de futebol de outros tempos, quando, mesmo num jogo infinitamente chato, tinham de criar um espectáculo sonoro que excitasse a malta. Tal só se evidenciou quando a RTP começou a transmitir os jogos e nós pudemos comparar as imagens do que se passa no campo com a ficção do relator.

Ontem, esteve tudo “quase” para acontecer, mas não aconteceu. Com fazer render o peixe no dia seguinte?

E foi o esperado. Já que não havia noticia sumarenta nem escândalo para ruminar, era preciso encontrar sucedâneo. E encontraram? Sim, o “quase”. Assim todos os noticiários de hoje fazem variações sobre o que esteve quuuaaaaase (entoação de Alberta Marques Fernandes, ouvida há segundos) a acontecer mas – tom de reprovação – não aconteceu. Quem se julgam os polícias para desiludirem assim os nossos garbosos jornalistas e a sua honesta morbidez?

“A resistência é a coragem da liberdade”

Uma análise interessante do filósofo Costas Douzinas sobre o presente e o futuro da Grécia e da Europa em tempos de submissão ao neoliberalismo (em castelhano).

O crime compensa (novamente) e de que maneira!

Tribunal suspende por tempo indeterminado demolição da casa de ex-autarca. Podridão absoluta.

Noves fora nada

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Quando aqui se chamou a atenção para a sujeira informativa em que consistia a continuação do programa “prova dos 9” com os actuais participantes – refiro-me, naturalmente, a Paulo Rangel e Francisco Assis -, houve quem discordasse, sobretudo nos termos em que pus a questão, alegando as qualidades de Constança Cunha e Sá e Fernando Rosas.

Amigos houve que não tiveram dúvidas de que o quadro de comentadores iria mudar. Dois episódios passados e não só se confirmam todos os piores prognósticos como as coisas ainda superam as piores expectativas.

Que a questão foi abordada noutras instâncias, não tenho dúvidas. José Alberto Carvalho, director de informação da TVI, na altura em que se congratulava com a nomeação de dois dos seus comentadores para cabeças de lista dos seus partidos, advertiu que “agora temos um problema”. Intuía ele, e bem, que alguma entidade, em nome da democracia ou do mais elementar sentido de decência, iria pôr fim à festa.

Santa inocência. Como era de se esperar, é fartar vilanagem. Hoje a coisa chegou ao ponto do Rangel, agitando a sua mão como uma solha neurótica, ter repreendido uma perplexa Constança, cujo rosto transmitiu bem o que lhe ia na ponta da língua. Fernando Rosas, dir-me-ão, defende os seus pontos de vista, mas continuo a pensar que acaba por ficar ali com um papel puramente instrumental, não sendo capaz de desmontar a tramoia, como seria desejável – mas não expectável, não tenho ilusões. E assim prosseguirá a festa por todos – todos, sem excepção – os canais televisivos, meio por excelência de manipulação de consciências e vontades. Já se viu o tom e a regra:  [Read more…]

Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço

Barack Obama, Vladimir Putin

O império norte-americano, em toda a sua plenitude balofa e tentacular cujas ventosas, agarradas a meio planeta, vão sugando e destruindo tudo o que as suas ainda mais obesas corporações lhe vão exigindo, da América Central à Latina, passando pelo Médio Oriente e pela superioridade hierárquica exercida sobre a Europa, não admite comportamentos similares aos seus. Financiamento de golpes de Estado, treino de milícias terroristas ou violações constantes da soberania de qualquer país onde Tio Sam queira “penetrar” são acções que, pela sua complexidade ética e moral, deverão ser sempre um exclusivo dos norte-americanos, da NATO controlada pelos norte-americanos ou da ONU controlada pelos norte-americanos. Sempre que as elites norte-americanas assim o exigirem.

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Chá e Biscoitos

manif_policia_sao_bentoÉ de mim ou esteve uma noite boa para um chá e biscoitos na esplanada?

Manifestação dos polícias

Os polícias estão a chamar nomes feios a Passos Coelho. Por birra, este não lhes vai responder.

Notícias geek

O criador da moeda digital bitcoin poderá ter sido identificado.

Diferenças

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O Carnaval dos hospitais

 José Xavier Ezequiel

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1 — Na primeira reunião do conselho nacional do PSD, após a recente eleição em congresso, o primus inter pares Miguel Relvas entrou mudo, sorriu para as câmaras e saiu calado. Não sem antes ter gerado, só pela sua presença pública, um carnavalesco incidente entre o sempiterno Zeca Mendonça e as canelas de um fotógrafo menos atento a golpes baixos.
No seu discuso de posse, Miguel Relvas terá declarado: “Os caminhos alternativos são cantos de sereia que levam à tragédia.”
Tendo em conta a densidade oratória e o fino recorte metafórico, suspeito que Miguel Relvas também recorra aos serviços do assessor de Assunção Esteves.

2 — Rui Machete, em lobby nas Nações Unidas, aproveitou aquele palco internacional para exortar a grande Rússia a não invadir a pequena Ucrânia. Vladimir Putin, finalmente, pôs-se em sentido.

3 — Passos Coelho é teimoso. Gosto de políticos teimosos. Porém, como ensina o Eclesiastes, há um tempo para tudo. Um tempo para teimar e um tempo para deixar de teimar. [Read more…]

No ventre da baleia

Uma vez meteram-me num aparelho de ressonância magnética para procurar uma doença que eu tinha medo de ter e afinal não tinha. Fui sozinha, vou sempre sozinha para as coisas difíceis, por feitio e por hábito de não estar acompanhada. Mandaram-me tirar a roupa e vestir um fato do hospital, depois sair para o corredor e esperar que me chamassem. As salas eram azuladas e nuas, as pessoas passavam por mim e não me viam, todas as portas tinham avisos de acesso proibido, luzes que se acendiam e apagavam. Uma central nuclear não deve ser muito diferente.

Encolhi vários centímetros e sentei-me, muito me custou trepar, na cadeira do corredor, com os pés a balouçar, e aquele sorriso falso que eu ponho quando estou cheia de medo, e só não sacudi muitas vezes o cabelo para trás, como também faço quando estou cheia de medo, porque me tinham mandado pôr uma touca. Veio uma enfermeira entregar-me um questionário, saber das minhas possíveis doenças, operações, se eu tinha próteses, parafusos, pacemakers, piercings, tatuagens. Eu não tinha nada. Ela ficou contente comigo, por eu não ter nada dessas coisas que nos complicariam a vida às duas, e disse-me que a seguir era eu, só tinha de esperar mais um bocadinho.  [Read more…]

A diferença entre ‘selecção’ e ‘seleção’

A selecção jogou com os Camarões. A seleção jogou com a África do Sul. 

O Pedro Palavras Vale-Nada e a Inconseguida Esteves

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Quando se pensa que já se viu tudo na política, há sempre alguém que inova. Desta vez, Passos Coelho reagiu à evidência com birra. Quem é que não sabe o que PPC disse na campanha eleitoral e o que ele fez a seguir? Quem é que se esqueceu dos cortes temporários que vieram para ficar? Quem é não vê que a maioria está pior e outros, uns poucos, ganharam um país que está melhor? A palavra de PPC vale zero. Diz-se e desdiz-se com toda a facilidade, até durante um mesmo discurso.

Quanto a Assunção Esteves, voltou a mostrar que não vai aos congressos do PSD apenas para ver as bandeiras. Recusou uma conferência de líderes extraordinária, para se discutir o facto do primeiro-ministro se negar responder às questões dos deputados, com o argumento de que teria apenas “uma dimensão ruidosa”, não trazendo “consequências regimentais”. Como é que ela poderia saber o que iria ser dito? Terá julgado os outros pela sua bitola?

É isto a política da actualidade. Zero de debate, polítiquice q.b.

‘Tá Mar!

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As ondas estão altas e a marés duras, mais alta e dura está a estupidez de quem se apresta a insistir nas mesmas soluções falhadas que transformaram a costa portuguesa num gigantesco catálogo de insanidade urbanística, ecológica e estética. Parece que os arrogantes domesticadores da natureza do século passado não aprenderam nada. Não compreendem que os ciclos da natureza respiram fundo e o facto de um pedaço de areal ter uma, duas ou três décadas alguma estabilidade não é garantia que ali se tenha uma praia para a eternidade. Hoje concessionam-se praias e infraestruturas como se não houvesse amanhã.

Dá-se como certo o que, pela sua natureza, é variável. Lembro-me de, em miúdo, ouvir os protestos desconfiados dos velhos (do Restelo, chamavam-lhes) chamando a atenção:”isto não é praia, o mar aqui é um cão, tenham juízo”. Qual quê? Inventaram-se praias por toda a costa e construíram-se edifícios onde antes só havia palheiros onde os pescadores guardavam as artes. [Read more…]

Que lata!

Ver John Kerry afirmar convictamente que é inaceitável usar as armas como instrumento de política internacional é hilariante. Disse-o há dias, voltou ao tema hoje em comunicação transmitida em directo (“traduzida” em tempo real pelo locutor de serviço, com os disparates habituais, que se repetirão até as televisões descobrirem que há tradutores profissionais) em que foi comunicada a gorjeta que os EUA vão dar à Ucrânia. Só mil milhões, ó John? Isso não é lance que se apresente neste leilão. Não chega para pagar a conta do gás deste ano.

Revelada a camisola oficial da selecção brasileira

 

Record diz-nos que foi “revelada a camisola oficial da Seleção [sic] para o Mundial“. Aparentemente, os jogadores da selecção brasileira passarão a envergar uma camisola igualzinha à dos colegas que jogam na selecção portuguesa. Sim, porque ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.

 

Olhem por vossa casa

“Há muito mais homicídios em Chicago que baixas na guerra do Afeganistão” (frase com que abre um bom documentário americano; na tvi24, programa “Observatório do Mundo”).

Porque será?

Um país (Rússia) invadiu outro (Ucrania).

Mas estou a estranhar uma coisa, não está a decorrer, nem  prevista, qualquer manifestação junto da embaixada russa em Lisboa, em protesto contra essa invasão.

Porque será?

 

Os fretes explicam-se

Fatima-Pinheiro_Passos-coelho

Mesmo que a “Carta a Miguel Relvas“, publicada ontem no Expresso por Fátima Pinheiro, tenha mil palavras, esta foto diz muito mais. Isto num jornal que se diz de referência – mas como nos chapéus, referências há muitas.

Foto via “L´obéissance est morte

O Acordo Ortografico de 1990 deve

– Manter-se
– Ser anulado
– Ser revisto
Através de Viva! O grande Porto online.

ao90

Manual para assessores de imprensa do PSD

Assessor do partido social-democrata agrediu a pontapé repórter fotográfico que tentava fotografar Miguel Relvas à chegada do Conselho Nacional do PSD.

via

Ensino público

“Passos Coelho não presta para nada”

O programa é o Portugal no Coração da RTP e o tema, pelo que consigo retirar deste curto excerto, terá a ver com a multiculturalidade no nosso país. A responsável à conversa com José Carlos Malato refere-se às vantagens dessa multiculturalidade, apontando como exemplo as adoráveis crianças que naquele momento a acompanham e que, acredita, poderão um dia acrescentar valor ao futuro do país.

Depois de uma breve consideração final por parte da responsável, o jovem Francisco decide ter os seus segundos de fama e apresentar a Portugal algum do conhecimento que acumulou ao longo da sua ainda curta existência. Depois de uma rápida incursão pelo seu conhecimento sobre a história de Portugal, o pequeno Francisco parece experienciar um momento de epifania, que rapidamente percebemos ser apenas a constatação de um facto consumado cuja percepção é, segundo a criança, partilhada com os seus colegas do comentário televisivo: “Passos Coelho não presta para nada. Tal constatação não deverá causar surpresa ou estranheza. Afinal de contas, e regressando às declarações recentes de Luís Montenegro, que afirmava que “a vida das pessoas não está melhor“, podemos daqui concluir que, à semelhança do que acontecia no passado (recente ou não), Pedro Passos Coelho continua a não prestar para nada.

Sempre a banca, ainda o BPN

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Vai este buraco alguma vez ter fim? Tudo o que se refira a BPN queima – mas os contribuintes apenas. Ainda Vitor Constâncio era – e foi durante muito tempo – governador do Banco de Portugal e já os sinais lá estavam. Deu-se a precipitadísima nacionalização, seguiu-se a duvidosa gestão pública, culminou na vergonhosa privatização e teima este buraco em não nos largar. Tudo no BPN cheira a podre.

Os nomes dos envolvidos aparecem volta e meia na comunicação social, alguns até chegam a altos cargos governativos mas a impunidade é absoluta. O assalto ao bolso dos que pagam, sem nada mais poderem fazer do que gemer, é constante. Decididamente, a máfia instalou-se no poder. Não se pode confiar no Estado, ou mais correctamente, naqueles que dominam o Estado, o que para o caso vai dar no mesmo.

Só há um caminho, a revolta dos contribuintes.

Guerra da Crimeia

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Roger Fenton, O Vale da Sombra da Morte. Estrada com balas de canhão, 1855.

Parece mentira…

… mas, a meses de fazer 100 anos,  os conflitos anteriores à primeira guerra mundial parecem de novo erguer-se.

“Erros meus, má fortuna, amor ardente”

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… murmurava poeticamente, com os seus botões, o banqueiro, olhando o desastroso resumo dos resultados do seu banco. Atirou com o papel, abeirou-se da janela do 20º andar, limpou uma imaginária impureza do seu casaco de seda, abriu a janela. Acendeu um havano, sorriu e, entre dentes, saiu-lhe: ” Que se lixe, alguém há-de pagar”.

Imagem: George Grosz, Swamp Flowers of Capitalism, 1919.

Mensagem a Telma Monteiro, de novo campeã europeia de judo

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Presada Telma:
Tendo acabado de assistir à sua gloriosa (mais uma!) jornada de Varsóvia, vendo como fez voar a sua adversária, que ousou agarrá-la “pelos colarinhos”, confesso que, para além de aplaudir e a felicitar do coração, me ocorreram ideias patrióticas. Ao ver a bandeira nacional subir, pensei para comigo: o Passos Coelho ou o Cavaco não vão perder esta oportunidade. Vão querer condecorá-la!

Ora, querida Telma, se tal acontecer, ocorrerá um momento em que estará a centímetros de um destes senhores, os quais estarão a pregar-lhe uma medalha nos mesmíssimos colarinhos. Nesse momento, oh sim, nesse momento, lembre-se que sentimos que nos representa a todos, lembre-se do modo como venceu todos os combates do torneio. Lembre-se do golpe da vitória final. E faça aquilo que 90% dos seus concidadãos gostariam de fazer se estivessem no seu lugar. Se tem dúvidas, qualquer do nós, seus amigos e admiradores, terá muito prazer em fazer as devidas sugestões.

A bem da Nação.

Apontamento em sábado de Carnaval

Se não fosse a RTP nem me apercebia que é Carnaval, tão ausente essa tradição está do Canadá inglês. Assim, tomei o pequeno almoço ao fim da manhã e de seguida fui ao cineminha do meu bairro ver O Filho de Deus, ontem estreado, confesso que curiosa de ver Diogo Morgado num filme sério de grande fôlego. Gostei, da interpretação dele e do filme. É natural, sou cristã, o filme sensibilizou-me. Mas se o não fosse, ninguém me poderia tirar a simpatia e o orgulho  por um compatriota jovem que, a exemplo de milhares doutros, teve de rumar ao estrangeiro porque na Pátria os chamados poderes públicos são exercidos por gente ignara, bronca, tosca, que tem vindo a espezinhar tudo quanto lhe cheire a Cultura, a Ciência, a Pensamento. Oxalá todos os nossos jovens encontrem a sua hora de oportunidade no estrangeiro. Ao menos isso.
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Lena d’Água em 1976

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