A crise vista da Alemanha

A Helena é uma portuguesa há muitos anos a viver na Alemanha, é dá-nos no 2 Dedos de Conversa a visão de quem lá está. A leitura deste artigo parece-me muito proveitosa para entendermos o assado onde estamos metidos.

Não concordo com ela, e muito menos com os portugueses que aqui também acreditam no discurso medinocarreirista, deixo de lado a questão das dívidas históricas da Alemanha, e retenho o que me parece fundamental: se em Portugal, ou na Grécia, muitos não percebem que por cada euro recebido apenas 19 cêntimos são utilizados pelo estado grego e que na prática as ditas ajudas vão direitinhas para os bancos, na Alemanha muito menos se entenderá o mecanismo da crise. Da crise dos banqueiros e da forma ardilosa como, eles sim, estão a ser ajudados, à custa da destruição da economia dos países que levaram com a especulação em cima, da crise que nenhuma austeridade pode resolver porque impede quem a aplica de pagar dívida alguma. [Read more…]

O preço da verdade na Alemanha

é diferente do preço da verdade em Espanha!

Carta do Canadá: Lá fora e cá dentro

por Fernnanda Leitão

Ensina-me a experiência que é prudente não acreditar em pessoas que, para enriquecerem o curriculum, proclamam repetidamente que são “africanistas”.  Na prática são colonialistas de mentalidade e actos. Ficou-lhes agarrada à pele, na sua passagem pelas colónias, uma atracção encantada pelo capataz de roça. Em geral, de tudo fazem (ou julgam fazer) uma roça.

O famoso vídeo que deu a volta ao mundo, aquele minuto de conversa sussurrada entre o Ministro das Finanças de Portugal e o seu homólogo da Alemanha, cuja linguagem corporal só por si dizia tudo de servilismo e diplomacia de cócoras, vem confirmar as suspeitas que se agigantam seis meses depois da entronização do actual governo que,dizia ele, vinha para salvar os portugueses das garras da maldade  da exploração e da mentira. Escusa o cómico de serviço ao  regime, seja o governo qual for, bolsar que é o contrário disto, nos programas que os contribuintes andam a pagar, porque ninguém lhe dá crédito,também a ele.  De resto, a confirmação da bajulice vem do chefe do governo, e seus acólitos,quando trombeteia que “nós vamos além da troika”. É o que se chama querer mostrar serviço, “custe o que custar”, e está  custar fome, miséria, privação e desespero a largos milhares de portugueses, que vêem a Pátria a sucumbir às mãos de agiotas. Já pela Europa fora peritos sensatos sublinham que a receita autoritária da chanceleira Merkel não cura países aflitos, antes os mata, mas o primeiro ministro fabricado na jota mantém-se irredutível na sua fidelidade canina. Nem a opinião contrária do FMI o demove na sua obediência babada àquela Adolfa. [Read more…]

Vai trabalhar malandro

Está-lhe no sangue, a nossa direita vende Portugal por 10 reis de mel coado. Este Gaspar vende por menos, vende pelos mercados, e demonstra aqui que a crise não passa de uma oportunidade para arrasar com direitos laborais, privatizar tudo, regressar ao pior do capitalismo português. Se o deixarmos, é claro.

E a dívida alemã?

Manuel António Pina, hoje no JN

Gostaria de ver os arautos dos “mercados” que moralizam que “as dívidas são para pagar” (no caso da Grécia, com a perda da própria soberania) moralizarem igualmente acerca do pagamento da dívida de 7,1 mil milhões de dólares que, a título de reparações de guerra, a Alemanha foi condenada a pagar à Grécia na Conferência de Paris de 1946.

Segundo cálculos divulgados pelo jornal económico francês “Les Echos”, a Alemanha deverá à Grécia em resultado de obrigações decorrentes da brutal ocupação do país na II Guerra Mundial 575 mil milhões de euros a valores actuais (a dívida grega aos “mercados”, entre os quais avultam gestoras de activos, fundos soberanos, banco central e bancos comerciais alemães, é de 350 mil milhões).

A Grécia tem inutilmente tentado cobrar essa dívida desde o fim da II Guerra. Fê-lo em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987 e, após a reunificação, em 1995. Ao contrário de outros países do Eixo, a Alemanha nunca pagou. Estes dados e outros, amplamente documentados, constam de uma petição em curso na Net (http://aventadores.wpcomstaging.com/2011/12/08/peticao-sobre-a-divida-da-alemanha-a-grecia-em-reparacao-pela-invasao-na-ii-guerra-mundial) reclamando o pagamento da dívida alemã à Grécia.

Talvez seja a altura de a Grécia exigir que um comissário grego assuma a soberania orçamental alemã de modo a que a Alemanha dê, como a sra. Merkel exige à Grécia, “prioridade absoluta ao pagamento da dívida”.

O fascinante mundo dos súbditos alemães

O germanófilo de hoje acorda a sonhar com a ordem como o de ontem, mas travestido de liberal. A culpa da crise foi dos governos despesistas, acha ele enquanto faz mais uma genuflexão aos mercados, do estado social e é claro, dos povos, os verdadeiros suínos no meio disto tudo.

O facto de a Grécia não conseguir cobrar à Alemanha o que esta lhe deve, ter continuado a comprar armamento mesmo depois de entrar em vertigem financeira, a coincidência de tal como Portugal se ter metido num euro feito à medida das potências europeias, as donas da vara que agora nos pretendem meter no curral, não tem importância nenhuma.

A culpa é dos gregos, hoje, como será em meio-ano dos portugueses, esses povos com a mania das grandezas que queriam ter um estado social e outros luxos a que nem os teutónicos terão direito.

Hoje falam da Grécia, amanhã serão os primeiros a aceitar o ultimato a Portugal. Devem esperar alguma recompensa no céu dos mercados. Sucede que Roma não paga a traidores e temos, portugueses e gregos, uns costumes históricos para vendedores de pátrias muito pouco compatíveis com os direitos humanos. É melhor prepararem a vossa emigração que a partir de agora já não é a brincar.

Adolf Hitler

Ele anda por .

grécia

Nem com duas guerras mundiais lá vão!

De uma maneira geral, quando comentamos a actualidade, temos tendência para esquecer que essa mesma actualidade, num aparente paradoxo, não começa hoje. A História, por muito que não se repita, devia ser ouvida e lida, para que pudéssemos entender o presente e prever o futuro. [Read more…]

Encavacando a Alemanha

Parece uma coisita tirada a papel químico, mas este não comprou acções fora de Bolsa, nem auferiu de amizades particulares num banco P qualquer. Limitou-se a também obter vantagens na concessão de um empréstimo, além de ter amizades perigosas e por isso mesmo, agora é exigida a sua demissão.

Tal e qual como um “certo caso” encavacado em Portugal.

Ainda bem que não sou republicano!

Mexia mexe-se na EDP?

Os brasileiros e os chineses estão revoltados com aquilo que parece ser verdade: a EDP vai ser vendida aos alemães, apesar destes apresentarem a proposta de compra pelo menor valor. Os entusiastas de tudo o que venha de Berlim, tentam encontrar justificações de telejornal, como a “gestão cuidada, a inovação tecnológica”, ou rematando, a sempiterna “Europa”.

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O meu umbigo é melhor do que o teu

Celebrada por alguns, tomada como uma vitória sobre a poderosa Alemanha de Merkel, a mal sucedida cartada inglesa na cimeira de líderes europeus nada tem de europeísta, de defesa dos direitos dos europeus, ou de contributo para a ultrapassagem do impasse político com que a europa se debate. É apenas mais do mesmo e insistência no poderio desregulamentado dos mercados.

Cameron nada acrescentou (nem sequer tentou), excepto nacionalismo, liberalismo e autismo a uma conjuntura que sofre precisamente do excesso desses males. Louvá-lo é apostar no desmembramento da europa e na predominância dos mercados sobre os interesses dos povos e dos estados. Persistir nos erros que conduziram a este túnel cada vez mais apertado é estúpido e, na prática, não passa da outra face da moeda Merkozy. Não há nada a festejar quando as coisas são como estão.

Petição sobre a dívida da Alemanha à Grécia em reparação pela invasão na II Guerra Mundial

Justification – In Detail

Germany Should Pay its Long-overdue Obligations to Greece

In the summer of 1940, Mussolini, perceiving the presence of German soldiers in the oilfields of Romania (an ally of Germany) as a sign of a dangerous expansion of German influence in the Balkans, decided to invade Greece. In October 1940, Greece was dragged into the Second World War by the invasion of its territory by Mussolini. To save Mussolini from a humiliating defeat, Hitler invaded Greece in April 1941.

Greece was looted and devastated by the Germans as no other country under their occupation. The German minister of Economics, Walter Funk, said Greece suffered the tribulations of war like no other country in Europe.

Justificação – em detalhe

A Alemanha devia pagar as suas obrigações à Grécia, há muito em dívida

No Verão de 1940 Mussolini, apercebendo-se da presença de soldados alemães nos campos petrolíferos da Roménia (um aliado da Alemanha), considerou isso um sinal perigoso da expansão da influência alemã nos Balcãs e decidiu invadir a Grécia. Em Outubro de 1940, a Grécia foi arrastada para a Segunda Guerra Mundial pela invasão do seu território. Para salvar Mussolini de uma humilhante derrota, Hitler invadiu a Grécia em Abril de 1941.

A Grécia foi saqueada e devastada pelos alemães como nenhum outro país durante a ocupação alemã. O Ministro Alemão da Economia, Walter Funk, assumiu que a Grécia sofreu as atribulações da guerra como nenhum outro país da Europa.

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A Alemanha e a sacanice soberana

Beneficiando da migração em massa do capital dos investidores para paragens mais seguras, os países mais ricos da zona euro têm poupado somas milionárias com a crise do euro. É o caso da Alemanha e da Holanda que têm usufruído de condições de financiamento muito mais favoráveis, face aos valores que os investidores exigiam em 2008 e 2009 para emprestarem dinheiro aos dois países.

De acordo com cálculos do Diário Económico, as 136 emissões de dívida da Alemanha realizadas entre 2010 e 2011 já permitiram ao Tesouro alemão poupar 1.587 milhões de euros nos últimos dois anos e assumir uma poupança de 11.451 milhões de euros até 2041, em resultado de uma correcção de quase 40% do custo médio de financiamento da Alemanha nos mercados desde 2009. Isto significa que a crise da dívida soberana já permitiu a Berlim acumular uma poupança média de 13.038 milhões de euros, o equivalente a 159 euros por cada alemão ou 0,52% do PIB do país.

Leitura recomendada depois de tomar uma pastilha contra o enjoo. Isto dá vómitos

Miguel de Vasconcelos dixit

Tem havido certas acusações às minhas posições sobre a Europa, procurando colá-las à senhora Merkel, ou à Alemanha. Não é
verdade. (…) A nossa posição — não somos os unicos — é a de que
aqueles que foram indisciplinados devem — quando requerem a
solidariedade dos outros países — devolver essa solidariedade com
responsabilidade. Parece-me um contrato muito correcto. Ora como
a senhora Merkel tem insistido nesta matéria, em vez de colagem
há coincidência de posições, o que é diferente.

Passos Coelho

O Sonho e a Europa

A Alemanha liderada por A. Merkel anda a brincar com o fogo. O fogo, neste caso, é a União Europeia. É por isso que sou levado a concordar, em boa parte, com o que afirmou Mário Soares:

A Europa deixou de ter líderes”, disse Mário Soares – ele que foi também eurodeputado -, sustentando que Angela Merkel “é uma pessoa que tem grandes responsabilidades na decadência da Europa” e na situação vivida pela Grécia

Nos primórdios da nossa adesão à CEE torci o nariz. Talvez fruto da adolescência e, certamente, de muito desconhecimento da história e enorme falta de experiência de vida, aliada à natural irreverência da idade, navegava em águas de exagerado nacionalismo. O passar dos anos bastou para perceber o equívoco. A Europa “quase” sem fronteiras, a evolução das pátrias para as regiões e um maior conhecimento do passado e da realidade foram essenciais. Sem esquecer algo que considero fundamental: quanto mais “mundo” se conhece menos se gosta de fronteiras. Quem sabe se não será uma utopia mas, para mim, a Europa “continental” vai de Sagres até para lá dos Urais sem esquecer a Turquia. É essa a Europa que defendo. Uma utopia? Talvez. É a minha. E olho para ela como um primeiro passo para o fim global das fronteiras. Se os mercados são globais, podem as velhas pátrias sê-lo plenamente.

 

Somos a geração das redes sociais sem fronteiras. Somos a civilização que acompanha, a par e passo, a eleição de Obama como se fossem as nossas eleições presidenciais. Somos o planeta que pára para ver a final do campeonato do Mundo de Futebol ou o atentado terrorista nas Torres Gémeas. Somos os filhos do Live Aid, os netos dos jeans e, sobretudo, os herdeiros da Democracia, da Liberdade de Expressão e da Igualdade entre os Povos. Nós somos, todos e em toda a parte, o resultado das aventuras e desventuras do filho de Laertes.

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Pull Up Those PIIGS! Gotta save our banks!

Martha Rosler e o seu filho, Josh Neufeld, decoraram assim um edifício em Berlim, onde Marta se encontra numa residência artística.

É certo que o trabalho foi comissionado por uma organização alemã e está na Alemanha, mas daí às legendas com que tem sido brindado entre nós vai uma certa distância. Estas coisas googlam-se, até porque se tivesse sido feito por alemães o texto não apareceria em inglês e a lona estava mais esticadinha.

Como trabalho de street art tem a sua graça, mas é fraquinho.


Post Scriptum: como não podia deixar de ser no artigo de Josh de onde retirei esta informação aparece um comentador tuga que não percebeu a ironia e acha que Cristovão Colombo nasceu em Portugal.  Tristeza.

A Alemanha é caloteira

Os americanos adiaram o pagamento da dívida para depois da Segunda Grande Guerra, até terem imposto em 1953 aos seus aliados o acordo para a dívida de Londres, um exercício de perdão da dívida da Alemanha em termos bastante generosos. O milagre económico da RFA, a estabilidade do marco alemão e a saúde das suas finanças públicas foram o resultado deste generoso perdão.

(…)

Na verdade, o acordo de dívida de Londres adiou a questão das indeminizações – incluindo o pagamento de dívidas de guerra e o dinheiro dos impostos nos países ocupados pela Alemanha durante a guerra – para uma conferência a ter lugar depois da reunificação. Esta conferência não chegou a acontecer: desde 1990, os alemães teimosamente têm-se recusado a abrir esta caixa de Pandora. As poucas indemnizações pagas, a maior parte a trabalhadores escravizados, foram canalizadas através de ONG’s, sobretudo para não ser aberto um precedente. Apenas um país se tem oposto abertamente a este procedimento, tendo tentado ser compensado através dos tribunais: a Grécia.

Leia o artigo completo do Guardian no Arrastão

Como um grego ensina a um alemão a História das dívidas

Cartaz americano de apoio à Grécia durante a II Guerra Mundial

Um cidadão alemão escreveu uma carta aberta aos gregos, publicada na revista Stern. Um grego, Georgios P. Psomas respondeu-lhe pondo os pontos em todos os iis.

Ambas foram traduzidas pelo Sérgio Ribeiro e encontrei uma versão em inglês. Esta troca de correspondência  já data de 2010. Georgios conta-nos aquilo que toda a imprensa europeia cala. Merece ser lida, sobretudo por todos aqueles que têm tratado os gregos como culpados de tudo, incluindo o pecado original. e vou aqui transcrever os dois textos. [Read more…]

A nossa querida Grande Berta

Bastou o canhão alemão troar umas tantas bordadas e logo o hoplita grego bateu em retirada. A nossa Grande Bertha tem destas coisas, quando prevê uma ameaça de concentração de adversários na frente de combate europeia, logo procede à descarga, pressurosamente assistida pelos serventes-municiadores franceses.

A dívida oculta da Alemanha, ou um Alberto João Jardim de saias

A verdade” – é o título do Handelsblatt, que baseando-se em números espantosos, põe termo ao mito da alegada parcimónia do Estado alemão. Oficialmente, a dívida alemã, em 2011, é de 2 biliões de euros. Mas isso é apenas uma meia verdade, porque a maior parte das despesas previstas com reformados, doentes e pessoas dependentes não foram incluídas nesse cálculo. De acordo com os novos números, a dívida real ascende a mais 5 biliões de euros. Por conseguinte, a dívida da Alemanha atingiria 185% do seu produto interno bruto e não os 83% oficialmente anunciados. Como termo de comparação, a dívida grega em 2012 deverá ascender a 186% do PIB da Grécia e a dívida italiana é atualmente de 120%. O limitar [sic] crítico a partir do qual a dívida esmaga o crescimento é de 90%. Desde que chegou ao poder, em 2005, Angela Merkel “criou tantas novas dívidas como todos os Chanceleres das quatro últimas décadas juntos”, refere o economista principal deste diário económico.Estes 7 biliões de euros são um cheque sem provisão que nós assinámos e que os nossos filhos e netos terão que pagar.” in Presseurop, sublinhados meus

Comentários para quê? A confirmar-se esta notícia, além de a CE acabar nos próximos dias estaríamos perante o final da III Guerra Mundial, esta discreta e convenhamos que com muito menos mortos. Mas ficaria explicada muita coisa, nomeadamente que a preocupação em salvar os bancos alemães afinal era mesmo uma tentativa de salvar a própria Alemanha.

E agora os PIIGS passarão a PIIGGS?

Uma foto quase desconhecida


A Comissão Oficial do Centenário da República, tem divulgado muitas fotos de exaltação da bandeira do seu amado regime. Aqui está uma imagem praticamente desconhecida, tirada pelo exército alemão na antiga União Soviética, há uns setenta anos. Num momento de ajudas da Alemanha, convém amansar os espíritos dos generosos patronos.

22 de Junho de 1941

Apesar do Pacto Germano-Soviético de 23 de Agosto de 1939 e das vantagens que ambos os regimes retiraram dessa cooperação, Hitler ordenou o ataque à URSS. Às 3.15H da madrugada de 22 de Junho, iniciou-se o ataque. Uma campanha mal preparada e executada segundo as “visões, palpites e infalíveis instintos” do Führer e que chegando ao fim, marcaria um catastrófico resultado para o germanismo, cuja fronteira recuou de uma forma sem precedentes. Essa queda arrastaria a Europa inteira, apagando-se o seu predomínio sobre o planeta Terra.

São precisamente 3.15H de 22 de Junho de 2011. Há precisamente setenta anos, começou a Operação Barbaruiva.

Recado da Comissão Europeia à Alemanha

A linguagem não é esta, mas o conteúdo é o seguinte:

Srs teutónicos,

Sabemos que sois um povo cerebral, amante das ciências precisas, terra de filósofos, falantes de uma língua que nomeia com exactidão, cultores da clareza, exigentes com os pormenores, buscadores de perfeição técnica, maníacos da higiene, demandadores de análise, inimigos da precipitação.

Sabemos que desprezais o improviso, abominais a imprecisão, detestais a desorganização, desvalorizais o desenrascanço, substimais mentalidades diversas, menorizais países pouco rigorosos.

Parai, portanto, de dizer asneiras, de fazer merda e de ser terceiro-mundistas.

Afinal eram rebentos de soja…

…cultivados na Alemanha. Ninguém me tira da cabeça que os pepinos ibéricos foram vítimas do clássico racismo alemão, uma coisa quase genética. A E. coli e a probabilidade de se ter espalhado por falta de higiene nunca podia ter origem num país onde a arrogância não tem limites. Não, não precisam de um Hitler: quem tramou os países do Sul e agora aproveita para os chupar até ao tutano não tem emenda. Nem nas bactérias.

A Europa das grandes ilusões

A situação parece adensar-se a cada dia que passa. Notícias da Grécia que já a ninguém surpreendem, manobras de diversão como o caso dos pepinos (não) envenenados e um país, este em que vivemos, onde todos os agentes políticos continuam numa normalíssima campanha eleitoral, como se nada de extraordinário se passasse.

Uma notícia quase despercebida, será um indício muito claro de um subterrâneo movimento de pânico que vai alastrando, mesmo naqueles países que exemplarmente geridos, em princípio escapariam aos tortuosos processos de aclimatização aos novos tempos de penúria. A Dinamarca é o exemplo mais recente e os seus ricos habitantes, tomaram a iniciativa de cortar o consumo, na esteira dos cortes operados pelo executivo. Outra situação inédita deste os tempos da II Guerra Mundial, consiste na actual situação grega, com uma rápida tomada de posição comunitária, pretendendo assumir a cobrança de impostos e o plano de privatizações dos activos do Estado helénico, sem descurar o previsível contratempo da reestruturação da dívida grega. Como bem diz Camilo Lourenço, o patamar parece já ser outro, pois se a condição de “Protectorado” parecia ter sido aceite tacitamente, hoje já podemos assumir uma nova forma de colonização. A U.E., ou melhor, a Alemanha, paga e assim pode exigir aquela implementação de reformas que reconduzam o todo europeu ao chumbado caminho do federalismo à medida alemã. Este é o verdadeiro cerne da questão, um antigo projecto que vem dos tempos do senhor na foto que abre este texto, o Kaiser Guilherme II, que numa carta escrita  em 1940 à sua irmã Margarida, dizia: …”a mão de Deus está a criar um novo mundo e a produzir milagres. Estamos a tornar-nos nos Estados Unidos da Europa sob a liderança alemã, um continente europeu unificado”. O mesmo tipo de pensamento era partilhado por Hermann Göring que muito a sério previa uma Europa a duas velocidades, mas infalivelmente unida sob a égide de Berlim. Importante nota de rodapé, “com ou sem a vitória” militar do III Reich.

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A Alemanha tem as mãos sujas, também de pepinos

A irresponsabilidade de atribuir, sem provas, um surto infeccioso que se vai espalhando pela Alemanha a pepinos importado de Espanha é um episódio revelador de como vai a Europa.

Alguém imagina a Espanha a acusar sem mais nem menos salsichas alemãs pela difusão de uma qualquer doença?

A doença imperial de que sofre a Alemanha não tem cura.  A hipótese de afinal tudo não passar de um problema de higiene na manipulação alemã dos vegetais importados seria a suprema das ironias: a Alemanha tem as mãos sujas, já sabemos, e para isso a forma como está a lidar com a crise grega, e o mesmo fará a Portugal e à Irlanda, já chegava como prova. Não havia necessidade de uma doença fatal para darmos por isso.

Os apaga-fogos do Reichstag

Os bombeiros do belo edifício do  Reichstag decidiram-se a defender aquilo que tudo indica ser do interesse da Alemanha, ou seja, o chamado “resgate a Portugal“. O mais surpreendente consiste na sugestão de Gysi, antigo membro do SED da anexada RDA, quando propõe um novo Plano Marshall destinado aos países em risco de colapso.

Tendo sido o Plano Marshall um dos cavalos de batalha da luta que Estaline travava contra os vitoriosos Aliados do Ocidente, os novos tempos parecem fazer dissipar as nuvens de outrora e Gysi está absolutamente certo, quando se insurge contra os esmagadores juros que serão impostos a Portugal. Sincero ou piedoso impulso, ou apenas um recurso na luta política parlamentar alemã – os “bons” e os “maus” -, esta sugestão vem ao encontro dos nossos interesses. Oxalá pudesse ser implantada, mas no extremo Ocidente da península europeia, não se vislumbra um único agente político com credibilidade para gerir um hercúleo plano que deverá ser rapidamente implementado.

Estórias de um Reichsprotektorat

…o dito-cujo ainda não confirmou a aceitação do pedido de demissão. Dado que o demissionário está exultante pelos elogios, palmadinhas nas costas, beijos e abraços solidários em Bruxelas. Dado que a sopeira da Pomerânia já disse o que tinha para dizer, não nos admiremos muito, se:

a) o dito-cujo não lhe conceder a demissão, “patrioticamente instando” para formação de um novo governo mais “abrangente e de salvação” (de todos eles).

b) o suspiroso “Calimero do povo” cabisbaixamente aceite, ainda atordoado pela trovoada de aplausos comunitários (e profundo alívio por evitar que cheguem penetras de fora).

c) a sopeira da Pomerânia – a tal que chefia o país que paga o orçamento comunitário – confirme a sua posição de Führerin, servindo os seus subalternos em Portugal como meros Reichsprotektors de serviço (garantindo a venda de mais salsichas do Lidl e ainda mais sucata para as nossas autobahn).

d) os outros, precisamente aqueles que já contavam com um render da guarda, obedeçam às befehl que de longe chegam, desde já manifestando “o mais sincero e arreigado patriotismo”.

Esta gente é capaz de tudo (e mais alguma coisa).

 

As regras da zona euro passam a boas intenções

Na sequência do post anterior, mais uma tradução caseira sobre o que se diz na Alemanha, novamente segundo o Frankfurter Allgemeiner Zeitung.

A reforma da união monetária

O pacto de Merkel já não é pacto

A União Europeia baixa as exigências alemãs para a competitividade dos estados da zona-euro: os países devem comprometer-se reciprocamente a algumas reformas gerais e availá-las anualmente.

A União Europeia vai absorver alguns elementos do “pacto de competitividade” apresentado há quatro semanas pela chanceler Angela Merkel no seu pacote de reforma para a união monetária, mas formulando-os da forma mais vaga possível. As sanções por incumprimento das exigências formuladas por Merkel (e que foram apoiadas presidente francês Nicolas Sarkozy) não existirão. Em vez disso, os países da zona euro vão-se comprometer reciprocamente com algumas reformas gerais e discuti-las anualmente. É esta a orientação que vai ser defendida no próximo encontro dos chefes de estado e governo da zona euro no dia 11 de Março em Bruxelas. (…)

1.Março.2011

Boas notícias para estados disciplinados e com grande rigor orçamental como é o caso de Portugal. É de sublinhar que a própria Alemanha passou a fasquia dos 3% de défice do produto interno bruto (em 2010 ficaram nos 3.3%).

Portugal visto pelos alemães, segundo o olhar do Frankfurter Allgemeiner Zeitung

Por cá, o discurso que passa como uma cassete é que a Alemanha, com as suas indecisões, é a culpada das nossas maleitas. E os alemães, o que dizem eles? O texto que se segue é uma tradução caseira de um artigo publicado Frankfurter Allgemeiner Zeitung a 20 de Fevereiro passado.

Socorro, vêm aí os investidores privados

Nos mercados cresce a desconfiança

(…)

Portugal está de novo na mira dos mercados pois o país encontra-se numa recessão e além disso há boatos nos mercados de que a Alemanha esteja a empurrar o governo português para pedir um programa de ajuda, tal como a Irlanda. Aparentemente, Lisboa oferece resistência. Mas embora os portugueses garantam que já tenham assegurado um terço da necessidade de financiamento para o corrente ano e até se tenham oferecido oferecido para pagar antecipadamente as dívidas que irão vencer no início do Verão, a desconfiança dos mercados cresce.

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