Os professores emigrantes: da ficção à realidade

Quando escrevi este ‘post’, ignorava em absoluto o que seria a 1.ª página do ‘Expresso’, publicada horas depois.
O meu texto foi inspirado pelo conhecimento, não digo profundo mas suficiente, da comunidade de emigrantes portugueses no Rio de Janeiro, essa cidade maravilhosa dos meus sonhos, onde visito um núcleo de familiares muito próximos.
Infelizmente, e como era meu saber de que naturalmente a condição de emigrante, mesmo dos mais qualificados, em parte considerável dos casos, redunda em fracassos de ordem profissional, pessoal e familiar. À partida foi uma estória ficcionada. Todavia, menos hiperbolizada do que imaginado por alguns.
Como sabemos, a realidade com frequência mitiga a ficção. Foi o caso. Para o provar, além do título do jornal que desmente a infeliz ideia de Passos Coelho, em relação ao Brasil e Angola, países por si citados, dominam agora partes do discurso de responsáveis brasileiros sobre a “leviana” sugestão do nosso primeiro-ministro:
Não é verdade que o Brasil esteja importando professores. Temos carências, de facto, nas áreas de Matemática, Física, Química e Biologia mas também temos problemas de absorção de mão-de-obra estrangeira, nomeadamente de ordem burocrática”
Nunzio Briguglo, assessor do Ministro de Educação Fernando Haddad
Hoje dá na net: Caminho de Ferro de Benguela, a história de uma linha de comboio
É uma história de ingleses, portugueses e angolanos.
Uma história de impérios, de colonialismos, de independências, de guerras civis, de processos de paz. Um olhar sobre o passado, o presente e o futuro de uma linha de comboio em África, a linha do C.F.B. (Caminho de Ferro de Benguela), da baía do Lobito à República Democrática do Congo.
É uma história de cidades construídas e destruídas, de gerações a olhar o “Kamakove” ou a sua ausência, de restos de viagens, de fumo e de vapor, de faúlhas, de vida e morte à beira linha.
Este documentário é composto por 11 partes. A primeira parte, tal como a última, são sequências fotográficas.
Quem o Ouvir Não é Mouco
“O pecado da Madeira foi saber aproveitar a autonomia de quem quis continuar a ser português”
Jardim entende que “o pecado da Madeira foi saber aproveitar a autonomia de quem quis continuar a ser português” no processo depois do 25 de abril.
“Porque não optámos pela independência, mas por ser portugueses, embora com autonomia própria”, frisou, acrescentando que, “se calhar, Lisboa ficou aborrecida com isso. Se pudesse queria entregar tudo. Ia a Madeira, Açores e as Berlengas”.
“Angola tem petróleo, ouro e diamantes, mas Lisboa continuou a mandar-lhes dinheiro e a pagar dívidas”
Para Jardim, “o pecado da Madeira foi primeiro ganhar autonomia política, quando as antigas colónias romperam com Lisboa”, acrescentando que o Estado português “continuou a mandar-lhes dinheiro de graça”.
Mencionou que “Angola tem petróleo, ouro e diamantes, mas Lisboa continuou a mandar-lhes dinheiro e a pagar dívidas”.
Referiu mais uma vez que decidiu aumentar a dívida da Madeira para evitar que a região parasse, destacando que esta “tem património. Tem ativos. Não comeu e bebeu o dinheiro. Não gastou em subsídios. Não está como as empresas públicas, que só têm coisas velhas no seu património”.
“Por que é que o Estado português continua a esconder a quantidade de dinheiro que direta e indiretamente dá às colónias desde 1974”
O candidato do PSD-M questionou “por que é que o Estado português continua a esconder a quantidade de dinheiro que direta e indiretamente dá às colónias desde 1974 e só fala da Madeira?”, justificando a pergunta com o argumento de que o Governo Regional “pôs tudo clarinho cá fora”: onde estão as dívidas e onde gastou o dinheiro.
“Onde está a dívida direta do Estado?”, interrogou.
Angola, um testemunho musical
Brigadeiro 10 pacotes contra o governo.
Não é arrependimento, cada tempo tem a sua História, mas por vezes dói-me tanto ter andado a apoiar o MPLA, como único movimento anti-colonialista consequente e decente, assim o foi em Angola, que nem imaginam.
Angola: tão poderosos e tão burrinhos
A poderosa cleptocracia angolana tremeu perante a possibilidade de uma manifestaçãozinha popular de cerca de vinte pessoas. Se não fosse triste era de rir, se não fossem tão parvos até podiam passar por inteligentes, se não fossem tão cobardolas até passariam por pró-democratas. Mas são burros e sobranceiros e borram-se com a possibilidade de o povo acordar.
Esta gente que não respeita nada nem ninguém, quando não silencia, elimina. Mas investe nas democracias ocidentais e tem posições dominantes em empresas ditas estratégicas, com os governantes de cá sempre dispostos a beijar-lhes a mão. Fazem isso com mubaraks, com kadhaffis, com zedus, com o resto da ladroagem internacional.
Mas voltemos a Angola: ainda me lembro que, no pós 25 de Abril, um dos combates do MPLA era o obscurantismo. Não sei se me apetece rir, ou chorar.
Angola nervosa com o que se passa nos países árabes
A convocatória para uma manifestação em Luanda no próximo dia 7 deste mês pôs a rapaziada emepêlista de dedo próximo do gatilho e mão no cassetete.
A convocatória, aparentemente anódina e pouco estruturada, foi o suficiente para que o MPLA anunciasse uma contra-manifestação e redobrasse a presença policial, e fez ainda com que o secretário geral do partido viesse a terreiro afirmar que não se pode confundir o que se passa no Magrebe com a situação angolana.
Não se pode confundir mas pode-se comparar e, comparando caso a caso, item a item, Angola não sai melhor na fotografia, antes pelo contrário.
Mas, se ficam nervosos apesar de não reconhecerem as razões, melhor fariam em arrepiar caminho. O dia da sua queda já esteve muito mais longe, é só uma questão de tempo. Tempo que vão utilizar para continuar a enganar o povo que os há-de apear quando, um dia, uma convocatória ou um incidente servir de rastilho e o sangue voltar a jorrar. Burro velho não aprende línguas.
Contos Proibidos: Angola, Manuel Alegre e a visão pró-americana de Soares
continuação daqui
Reunimos durante quatro dias no Palácio Presidencial com Agostinho Neto, o então primeiro-ministro, Lopo do Nascimento e o então ministro dos Negócios Estrangeiros, José Eduardo dos Santos. A reunião, que tinha uma enorme cobertura mediática internacional, começou com o pé esquerdo.
António Macedo que antes de partir para Angola se encontrara como o presidente Ramalho Eanes, transmitira a Agostinho Neto um convite do presidente português para visitar Portugal.
Tal convite não era oficial, não existiam relações diplomáticas entre os dois países e não fazia parte da agenda socialista. Nem o Tito de Morais nem eu tínhamos sido avisados, nem sabíamos que antes de partir para Angola, António Macedo se tinha encontrado com o presidente português. Naquela altura, dada a grande hostilidade que certos sectores, sobretudo entre os retornados, sentiam pelo MPLA um tal convite era altamente inconveniente para o PS. [Read more…]
Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. A independência de Angola

continuação daqui
Em meados do mês de Agosto de 1976, estava eu na Suécia a acompanhar Olof Palme e em colaboração com a campanha eleitoral do Partido Social-Democrata daquele país, quando recebi uma chamada urgente de Mário Soares com instruções para ir imediatamente para Luanda, onde me deveria juntar ao presidente do Partido António Macedo e a Manuel Tito de Morais, ainda formalmente responsável pelas relações internacionais do PS. Portugal reconhecera a República Popular de Angola a 22 de Fevereiro de 1976, mas as relações diplomáticas entre os governos dos dois países seriam suspensas dois meses depois, em Maio, pelo Governo Angolano. Este, depois de não respeitar os acordos que tinha assinado em Alvor, consideraria serem as atitudes do VI Governo Provisório inamistosas. Esta atitude derivava essencialmente da enorme e compreensível campanha na comunicação social contra Angola, naquele difícil momento das relações entre os dois países, quando centenas de milhares de portugueses regressados de Angola acusavam o MPLA de responsabilidades pelo seu dramático êxodo.
Entretanto, apenas dois meses após o corte de relações com Portugal, Agostinho Neto compreenderia que tal acto acabaria por atirar ainda mais o seu país para uma quase total dependência da União Soviética. [Read more…]
Angola pagará as dívidas às PME portuguesas em 2 meses?
As visitas de Estado ficam frequentemente marcadas pela cordialidade e declarações de boas intenções. Não surpreende, pois, que o presidente José Eduardo Santos tenha anunciado o propósito de Angola pagar as dívidas às PME portuguesas em 2 meses. O Prof. Cavaco Silva ouviu e ficou convencido. Os pequenos e médios empresários credores, penso eu, torceram o nariz. Outras empresas, as ditas grandes, ficam sujeitas a planos de pagamento até 2 anos.
Trazemos à memória o que aqui escrevemos a respeito da ‘visita surpresa’, àquele país, do ministro Teixeira dos Santos, em Abril passado. Tomou a decisão de distorcer a utilização de uma linha de crédito de 500 milhões de euros, para regularizar dívidas passadas a empresas portuguesas – uma linha de crédito, sublinhe-se, tem como objectivo normal apoiar negócios futuros e não acudir ao sufoco de tesouraria de operações anteriores.
No decurso da tal visita de Teixeira dos Santos, o seu homólogo angolano, Carlos Alberto Lopes, também assumiu o compromisso de dar prioridade ao pagamento às PME portuguesas. Devido à alta rotação de governantes em Angola, ignoro se, na presente viagem de Cavaco Silva, o citado ministro ainda se mantém em funções; e desconheço igualmente se o compromisso de prioridade foi cumprido. Aparentemente não.
Por notícias de fontes fidedignas, sei, isso sim, que as empresas portuguesas, incluindo PME, ainda são credoras de vários milhares de milhões de euros. E também sou conhecedor por experiência própria de que, neste jogo de capitais em dívida por Angola, quando há dinheiro, os vencedores são, em primeiro lugar, as grandes construtoras. As PME ficam com os trocos.
O futuro, neste caso restringido a 60 dias, vai dizer-nos se, desta vez, Eduardo dos Santos falou verdade ou iludiu o congénere Cavaco Silva, homem que nunca tem dúvidas e raramente se engana. Ao contrário dele, sofro de incerteza: ver para crer.
"Dentro do Carro de Ocasião"
Angola, apesar de tudo, deve ser um sítio com um piadão. Nem que seja pimba dentro de um carro de ocasião.
Almirante Rosa Coutinho – testemunho de Vasco Lourenço
Caros(o)s associada(o)s
Porque fui solicitado por vários órgãos de informação, a quem prestei declarações sobre a morte do almirante Rosa Coutinho, venho dar-vos conhecimento do teor dessas declarações:
Com a morte do almirante Rosa Coutinho, pessoalmente perdi um amigo, a Associação 25 de Abril perdeu um militante. Portugal perdeu um patriota.
Altamente prestigiado, como oficial de Marinha e engenheiro hidrográfico, é escolhido pelos seus camaradas mais jovens da Armada, para integrar a Junta de Salvação Nacional.
O seu profundo patriotismo leva-o a colocar sempre, acima de tudo, os interesses de Portugal.
Por isso se empenha fortemente nas missões que lhe são cometidas, como militar de Abril, nomeadamente na Junta de Salvação Nacional, no Conselho da Revolução e na presidência da Junta Governativa de Angola.
Rosa Coutinho é, por ventura, o militar de Abril mais caluniado, sobre quem inventaram uma série de falsidades, conseguindo criar-lhe uma imagem muito distorcida, principalmente na sua acção em Angola, onde Rosa Coutinho se portou sempre como Português e nunca como agente ao serviço de qualquer potência estrangeira.
Apesar de claramente desmontadas, esclarecidas e desmentidas, ainda hoje correm falsidades a seu respeito, sendo previsível que, com a sua morte, voltem a ser difundidas.
Quero, por isso, manifestar o meu total repúdio por essas calúnias e enaltecer a acção de Rosa Coutinho, como Militar de Abril e cidadão, e as suas qualidades humanas.Cordiais saudações
Vasco Lourenço
Negócios do coração !
Angola pura e simplesmente não paga às empresas portuguesas que labutam no seu território. Teixeira dos Santos, lá foi ,mão à frente outra atrás, solicitar que o nosso dinheiro de uma linha de crédito aberta para utilização nas importações dos nossos produtos, fosse utilizada no pagamento às empresas portuguesas. Fomos lá pedir o que é nosso para pagar o que nos devem.! Isto sim, são negócios!
Entretanto, o nosso amigo do “coraçon” que subjuga a Venezuela, recebeu de braços amigos o seu amigo José, e concedeu que vai libertar o dinheiro que os 600 000 portuguese que lá vivem, reuniram para a ajuda humanitária à Madeira. Os termos, que são públicos, com que Sócrates se dirigiu a Chavez, solicitando as dávidas dos cidadãos portugueses, fazem corar o mais empedernido patriota.
Mas sempre que regressa destas viagens de “estado” com comitivas de dezenas de empresários, o sucesso é sempre fantástico, são assinados dezenas de acordos que, espremidos, não dão sumo para um refresco. Agora está na Argélia e Marrocos e é ver as assinaturas, os abraços, a fidelidade eterna, o incremento nas relações , enfim, preparem-se que vem aí a solução do desemprego .
O FMI anda por aí, cada vez mais perto e, Sócrates, à sua maneira, foge da realidade como o diabo da Cruz. Cresce o desemprego continuamente? Sócrates descobre negócios em Marrocos. A situação é muito pior do que ele alguma vez sonhou? Descobrem-se milionários negócios na Venezuela. Os negócios são os mesmos de há dois anos, que não se concretizaram? Nada que preocupe, fazem-se outra vez. As empresas portuguesas fazem negócios e depois são pagas pelo nosso dinheiro? Nada que atrapalhe, temos que ajudar quem está em dificuldades e, além disso, são nossos amigos do coração.
O ridiculo mata, mas ninguem dá por isso!
Angola, Construtoras e Dinheiros Públicos
Procuro em mil e um pensamentos as justificações para a visita surpresa do Ministro de Finanças a Angola, nestes últimos dias. Haverá, certamente, interesses para a rodear de algum secretismo e mistério – Quais? Ninguém me consegue explicar. Assim sendo, e porque teimo em procurar a verdade, sou compelido a fazer o diagnóstico através da agenda de trabalhos cumprida.
À parte, soube há dias, de fonte fiável, ter sido executada uma operação fraudulenta, por um alto responsável da banca local, que causou o desvio de Angola de muitos milhões de dólares. Agora, segundo Jornal “i” o Ministro da Construção angolano, Silva Ferreira, alega que falta de liquidez do País é causada pela quebra das receitas do petróleo em 2009. Enfim, por uma razão ou por outra, o Estado de Angola confronta-se com um problema de reduzida liquidez.
Como no passado, em que havia guerra e preços do petróleo limitados, há empresas portuguesas, fornecedoras de bens e serviços, credoras de montantes em mora. Também como no passado, neste jogo empresarial luso-angolano, quem melhor se mexia e mexe são as grandes construtoras: Mota-Engil, Soares da Costa e Teixeira Duarte, em particular. Américo Amorim – não me esqueceu – nada em águas diferentes.
Na “visita surpresa”, Teixeira de Santos assentiu que o Estado Angola faça o pagamento das dívidas através da Linha de Crédito de 2009, de 500 milhões de euros, criada para objectivos totalmente distintos; e mais, o Sr. Ministro estabeleceu também que “competirá às autoridades angolanas identificar as empresas que deverão prioritariamente ver essas regularizações feitas e que não será de estranhar que a construção seja uma das áreas contempladas”. Saliente-se que, por norma, nestes casos a força dos ‘lobbies’ é que ditará o itinerário do prioritário; por outro lado, a dívida total é de 1,7 mil milhões de euros e atinge muitas PME cujos casos, certamente, serão atirados para as ‘calendas gregas’.
Sabido, desta maneira, o resultado da visita, é natural inferir que, por influência das grandes construtoras, o ministro Teixeira dos Santos tenha ido a Angola decidir da utilização de 500 milhões de euros de fundos públicos para pagar dívidas do corrupto Estado angolano às grandes construtoras; as quais, agora como no passado, constituem um ‘lobby’ de negócios sem risco. O Estado paga sempre, mesmo que a dívida seja de Angola ou que o Tribunal de Contas não dê aprovação. É típico do sector privado português, o tal que serve de contra-ponto a um sector empresarial do estado carregado de manhosos ‘boys’ e ‘girls’. Do ‘Privado’ ao ‘Público’, em termos empresariais, a dificuldade está em escolher qual dos dois é o pior.
Ganga – o sábio das calças rotas
Da passagem do Zé por terras de Angola, não ficou apenas o irónico episódio “Rikamba”. Outras histórias houve, como as de um par de calças que no dia em que ele chegou a Luanda, deu tanta confusão.
Tudo porque ele estava no mercado de Kinaxixi, em Luanda, acabado de chegar de barco àquelas terras numa docemente quente tarde de Novembro de 1970. Acompanhava-o Manuel, já há muito de vida instalada na Fazenda Tentativa sita no Alto Dande, a nordeste de Luanda, onde era Fiel Auxiliar num dos armazéns do açúcar, e que lhe arranjara um lugar de motorista na Companhia.
O Zé queria comprar umas calças, pois as jardineiras que trazia, tinham feito o favor de se rasgarem de puídas que estavam, a começar entre-pernas mas já a ameaçar a denúncia traseiro acima.
“Que raio!” disse o Zé. “Não vou chegar nesta figura à Companhia. O que vão os patrões pensar de mim?”.
Manuel ria-se: “Não te preocupes que aqui encontras tudo o que precisas”. “Olha aqui esta banca de roupa”.
Movido pelos nervos, Zé tomou logo palavra com o vendedor, um negro ainda moço, de corpo franzino e de sorriso estampado na cara: “Preciso de umas calças”, puxando pelo peitilho das suas jardineiras, afirmou de modo peremptório “Ganga!” Ganga!”.
O olhar do imberbe vendedor alterou-se, transitando da alegria para o espanto “Ganga?!” disse ele “Nganga!”
“Sim, isso!” disse o Zé enquanto puxava pelas alças das suas jardineiras, “Ganga, ou Nganga, ou lá que merda chamam a isto”.
Alma errante
Durante o almoço do Aventar, no Porto, falou-se de Angola e de um novo correspondente que se prepara para nos enriquecer com novas da antiga jóia da Coroa lusitana.
Ao ouvir falar de Angola, como que revisitei esta minha alma, amaldiçoada a ser errante, por entre caminhos, pousos e, também, rótulos.
Por ter nascido em Angola, fui rotulado de “branco de segunda”. Essa tão iluminada condecoração, dada pelo provincialismo reinante no colonialismo português. Tal como, uma vez cá, tentaram catalogar-me de “retornado”. Estatuto que sempre repudiei. O resto da família, sim. Eu, não. Pois que “retornado” seria no dia em que retornasse aonde nasci: Angola. Era uma questão de semântica. E o meu refúgio, e também o meu tormento, desde então, foi esse: o da língua portuguesa, o das palavras.
Em Portugal não me sinto “retornado”, pois não parti de cá. Disso, tenho safado a pele. Do “branco de segunda”, é que não, embora a pele ateste o contrário. Mas, disso, pouco importa.
O problema maior, é estar como que preso no tempo, e perdido no espaço. Pois que a terra onde nasci mantém-se no espaço, mas perdeu-se no tempo. E o país onde vivo, é diferente do que me contam de outrora, e diferente, também, do que me disseram que ia ser.
Entre o passado suspirado e o presente entristecido, a memória e a dúvida, o sonho e desalento, algures, ruma a minha alma, errante, como que em busca de si mesma.
Um dia ela há-de reencontrar-se, entre a saudade viva e o desalento sentido. Como portuguesa que é.
4 de Fevereiro de 1961 – Acontecimentos de Luanda
Na Madrugada do dia 4 de Fevereiro de 1961, grupos de guerrilheiros angolanos, comandados por Neves Bendinha, Paiva Domingos da Silva, Domingos Manuel Mateus e Imperial Santana, num total de cerca de duzentos homens, armados com catanas, desencadearam uma série de acções na cidade de Luanda,
Um desses grupos montou uma emboscada a uma patrulha da Polícia Militar, neutralizando os quatro soldados, tomando-lhes as armas e as munições. Com o objectivo de libertar os presos políticos, assaltaram a Casa da Reclusão Militar, o que não conseguiram.
Outros alvos foram a cadeia da PIDE, no Bairro de São Paulo e a cadeia da 7ª Esquadra da PSP, onde havia também presos políticos. Tentaram igualmente ocupar a «Emissora Oficial de Angola», estação de rádio ao serviço da propaganda do Estado.
Nestas acções, morreram quarenta guerrilheiros, seis agentes da polícia e um cabo do Exército Português, junto da Casa da Reclusão.
O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), considera o 4 de Fevereiro como data do início da luta armada em Angola. No entanto, na origem desta rebelião esteve o cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves (1896-1966), mestiço, natural da vila do Golungo-Alto, missionário secular da arquidiocese de Luanda, o qual não estava ligado ao MPLA.
(Fonte; BRANDÃO, José, «Cronologia da Guerra Colonial», Prefácio Editora).
Economia e Finanças:
Eu não percebo muito de finanças mas gostaria de saber as reais contrapartidas para a Madeira de todo ESTE acordo. É que não há almoços grátis. Sobretudo quando alguns terão de se sacrificar em nome de todos. Mas continuando a afirmar que nada percebo de economia e finanças, não deixo de ficar surpreendido ao ler que Portugal vai emprestar dinheiro a Angola. De certeza? Não será ao contrário?
Centenário da República: o Ultimato
Um dos acontecimentos que mais contribuiu para o desgaste e descrédito da instituição monárquica foi a questão do Ultimato que, em 11 de Janeiro de 1890, faz hoje 120 anos, o governo britânico (que designava o documento por «Memorando») entregou ao governo português exigindo a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola, a maior parte nos actuais Zimbabué e Zâmbia), a pretexto de um incidente ocorrido entre portugueses e Macololos. A zona era reclamada por Portugal, que a havia incluído no famoso Mapa Cor-de-Rosa (que vemos acima), editado pela Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1881, reivindicando, a partir da Conferência de Berlim de 1884/5, uma faixa de território que ia de Angola a Moçambique. Vejamos o mapa em versão simplificada.
Seleção do Togo volta para casa
A máquina do tempo: ainda as origens do fado

.








Recent Comments