As palavras são semelhantes, as pessoas são diferentes. No entanto, uma está amarrada a outra, atada. Não amor de pai sem filho, não há filho sem mulher. Um facto é a condição do outro, como o sol que brilha no inverno e tiras-nos o frio, como as estrelas que cintilam ao longe. Não há filho sem mãe, como não há mãe sem homem nem paixão sem sol ou sem estrelas, que na intimidade da paixão, são capazes de engendrar uma nova criatura. Este triângulo de pai, mãe filho, tem um ponto de partida. A paixão diz aos que querem ser pais que sem o sol da paixão nem o cintilar das estrelas, é impossível dar da sua vida íntima e pessoal, o sopro de vida de um bebé que começa aos gritos primeiro, até o seu desejo de carinho estar calmo e satisfeito e a sua [Read more…]
A minha amiga da onça (2)
Tenho conversado muito com os meus amigos Jean-Pierre Changeux, Thomas Insel e António Damásio grandes cientistas das novas interrogações. Também Jean-Pierre se apaixonou pela arte, também ele caiu nas suas mãos traiçoeiras. Mas não se meteu propriamente com ela, foi mais esperto. Não se deixou levar pela tentação do seu corpo nem pelo calor das suas tintas, não tentou penetrá-la e possuí-la de forma séria, profunda e infinita, agarrando-a pelo sexo numa cumplicidade de tragédia. Deixou-se embevecer e atrair pela sua beleza, é certo, mas dentro de uma espécie de amor platónico, não ousando tocá-la, talvez por imposição profissional, talvez por medo, talvez por pudor. Daí o ter-se preocupado, essencialmente, com a razão estética e com a força ontológica da criação. Provavelmente, por isso, nunca lhe fora apresentada a amiga frustração, tendo-se livrado, assim, quem sabe, do valente frete que constitui a obscura consciência da inferioridade e da falsamente compensadora necessidade de uma indignada afirmação de si próprio.
A minha amiga da onça (1)

(adão cruz – pormenor)
A conversa que deveria ser com a minha amiga da onça não o é. Desta vez não quero nada, directamente, com ela. Não é que esteja zangado, mas um tanto irritado. Não quero falar com ela mas quero falar dela, ainda que me digam que é má-língua. Ouçam-me, meus caros amigos. Ouçam-me com atenção, pois a vossa compreensão é fundamental para o nosso mútuo entendimento. É com os verdadeiros amigos, independentemente do prazer e da emoção, que a nossa dialógica tarefa se pode aproximar da psicologia cognitivista contemporânea.
Eu sei que nunca pensara apaixonar-me desta forma! Lá erótica é ela! Lança as feromonas no ar, hoje e através dos séculos, e depois nada promete, nada garante e tudo atraiçoa. Tantas foram as emboscadas com que me saiu ao caminho que eu, ainda hoje, vivo aterrorizado com a hipótese de ter sido, e de ser ainda, um monte de contradições. Uma análise mais profunda e uma autocrítica mais racional parecem, finalmente, começar a libertar-me desse pesadelo. Para isso muito contribuiram os meus encontros com filósofos como Jean Pierre Changeux, Umberto Eco, Wassily Kandinsky, Alain Prochiantz, Dino Formagio, Ernst Kris, Otto Kurz, Omar Calabrese, Ortega y Gasset, Vicente Jarque e Arthur Danto, entre outros, que me ajudaram a fugir dos campos de concentração do espírito e dos gigantescos congeladores de ideias
escritores chilenos – Eduardo Barrios

os livros de este autor ensinaram-me o que eu ainda não sabia
Eduardo Barrios na sua juventude de trinta anos, 1914
Pouco ou quase nada se sabe dos escritores chilenos. Mencionam-se Pablo Neruda, Gabriela Mistral e acabou, como se no Chile não houvesse mais escritores, pessoas dedicadas às letras para compensar essa distância entre as metrópoles da escrita. É um país tão longínquo, tão austral, que as dificuldades de sair são compensadas por romances a partir de leituras feitas em casa, com muita imaginação sobre o que acontece na terra, especialmente narrativas sobre as famílias, descritas com eloquência e [Read more…]
saber dar aulas

a dificuldade do diálogo entre idades diferentes: as aula
Ao longo dos anos, tenho tido a experiência que dar aulas é um diálogo entre pessoas desiguais, que pensam e falam línguas diferentes, em idades e tempos diferentes. Enquanto a criança cresce, o docente também, até envelhecer.
Dar aulas é uma arte. Ainda que pareça simples, a parte mais complexa é ensinar as primeiras letras. As denominadas primeiras letras são as aprendidas cedo na vida, para os que podem ir às aulas, ou aprendem em casa onde se lê. São as palavras que abrem o mundo a um saber mais amplo e completamente alheio às formas de vida doméstica. A criança que começa a sua leitura em casa fá-lo pelo incentivo dos seus adultos que com o A, B ,C, vão soletrando o texto, com a intenção de que, juntando as palavras, elas têm um significado. A parte mais difícil de ensinar, é juntar as letras com significado. Eu diria que a parte mais difícil para um professor, pai, mãe ou irmãos mais velhos que ensinam, é dar um significado a todas as letras juntas. A título de exemplo, quando eu tinha quinze anos, quis dar uma mão aos filhos/as do operariado do meu [Read more…]
saber ensinar
Para a família Isley: May Malen que ontem fez um ano, a minha filha Camila (nascida Iturra-González), que hoje está de aniversário e para o nosso genro Felix Isley, nascido a 8 de Janeiro. No meio do mês, será o meu… Comemorações, entre 1 ano e os sessenta e muitos!

saber ensinar é saber criar, como Adão e a sua divindade por Michelangelo
É uma das tarefas mais difíceis da vida. Começamos por aprender em pequenos, passamos a estudar mais crescidos, e já adultos, somos nós que ensinamos. Mas, o quê?
Até onde eu saiba, não há escola de pais para aprender a ensinar. É uma permanente improvisação que nasce do fundo da nossa alma pelos sentimentos que criamos para as nossas crianças que, com paixão, fazemos. Eis o motivo do nome criança: são nossas, as fazemos, as amamos, as cuidamos.
Natal.mito, ritual ou processo comercial?

se for ritual, não esqueça o Orçamento de Estado de 2011...
Para os meus netos Tomas e Maira Iturra van Emden e à preciosa nova neta May Malen Iturra Isley
Em 1260, na sua obra Provérbios, Tomás de Aquino escreve elementos do que viria a ser a sua obra O Catecismo, editado pelos Frades Dominicanos e mais tarde, em 1878, pelo Papa Leão XII, nascido a 20 de Fevereiro de 1878, foi eleito sucessor do Papa Pio IX. É frequente referirem-se ao Papa Leão XIII por suas duas importantes encíclicas: Rerum Novarum, a de 1891, sobre os direitos e deveres do capital e trabalho, em que introduziu a ideia da subsidiariedade no pensamento social católico e a Aeterni Patris, de 1879, sobre a Filosofia, onde destaca a importância do retorno à Filosofia de São Tomás de Aquino do Vaticano, a sua primeira preocupação é declarar a obra de
Banksy ocupa um museu
Escritores latino-americanos e poucos europeus – 1ª parte
o recriador da escrita latinoamericana, Gabriel García Márquez, Prémio Nobel
Recebi um repto de um meu amigo sobre a literatura Universal. Perguntava quais eram os autores que eu gostava mais de entre todos os que alagam o campo das letras no nosso planeta. Respondi sem hesitar que os ingleses e os alemães. Como não vou comentar sobre nenhum deles, não é um ensaio, é apenas um depoimento. Se me apertam muito, eu diria que Victor Hugo – Victor-Marie Hugo (Besançon, 26 de Fevereiro de 1802 — Paris, 22 de Maio de 1885) foi um escritor e poeta francês de grande actuação política em seu país. É autor de Les Misérables e de Notre-Dame de Paris, entre diversas outras obras. Livros que causaram o seu exílio às Ilhas de Jersey na Grã-Bretanha, por ser adepto à Comuna de París, o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante à invasão alemã.
Uma obra heróica: Luísa Correia

Jamais fui apresentado à Luísa Correia, mas conheço, agradecido, a sua obsessão por nos mostrar aquilo que por muito que tentemos à vista desarmada, não conseguimos lobrigar. Todos os dias pelas ruas deambulamos quase cabisbaixos e não colhemos qualquer benefício do ambiente quase miraculoso em que vivemos. Perspectivas desconhecidas, uma quase indecente beleza que une pedras, plantas e animais, a luminosidade proporcionada por uma paleta de cores que se torna indescritível a cada foto que passa. Não há lugar para qualquer manipulação técnica, ou retoque de postal destinado ao turista. Na obra da Luísa, tudo é autêntico e sem subterfúgios, pois a autora apercebe-se do real valor que os construtores da cidade, talvez na sua maioria inconscientes da sua contribuição para um legado que nos une, foram ao longo de séculos acrescentando à nossa riqueza arquitectónica.
O Nocturno é um blogue de uma categoria dificilmente igualável, amesquinhando ou reduzindo a pó, tudo aquilo que possamos escrever acerca das aterradoras notícias que vão pingando em constantes chuviscos molha-tolos, anunciando a inevitável tempestade final que se aproxima a cada dia que passa.
Dia após dia e mercê do exaustivo trabalho da Luísa, deparamos com uma visão imperial bem diferente da regra europeia de amplas e arrebicadas avenidas, destinadas ao cerimonial que impunha o auto-satisfeito respeito interno e o temor no visitante que logo ao seu país regressava. Aqui, neste centro geográfico do Ocidente, existe essa grandeza despreocupada com convenções, denotando-se a liberdade dos edificadores e um caos organizado que nos deu afinal, a dimensão humana que outras capitais de igualmente extintos impérios, definitivamente não possuem.
A Luísa é uma benemérita e artista do maior valor, em nada ofuscada pelas obras a nós deixadas por outros amantes de Lisboa, que como Botelho ou Maluda, ofereceram sempre beleza, fazendo-nos esquecer o desleixo, a ruína, o negócio torpe e a infâmia iconoclasta de quem se alça a gestor da cidade.
Esqueçam a crise por umas horas e visitem o Nocturno. É um Museu quase desconhecido.
Solidariedade

a interacção entre seres humanos, é dar a mão a quem precissa ajuda
Foi com surpresa e com mágoa que recebi hoje uma mensagem de um suposto camarada nas lides da escrita, a advertir-me que o texto escrito por mim na Sexta 22 de Outubro, ainda em rascunho, não seria publicado mais depressa pelo facto de eu perguntar para quando estava prevista a edição. Era só uma questão para me orientar. A resposta foi dura. Aliás, esta pessoa que considero da minha intimidade por me ter salvado três vezes de postes mal escritos, o que sempre agradeci e continuo a agradecer, comentava que, caso dependesse dela, não publicaria o artigo porque estava em inglês e a língua deste país é luso português. Senti tristeza: tinha-me sido solicitado pelo manda chuvas, um Senhor que sabe ser bem-educado, que usasse as minhas habilidades em línguas não lusas, como desafio para a leitura de um maior número de pessoas. Como colaborador que me estimo, escrevi em Castelhano, língua mal denominada de Espanhol, em Inglês e em Francês. As leituras foram incrementadas.
A minha mágoa causada pelo colega de escrita é ainda uma ferida. Não vou responder, não gosto de desencontros. Mas lembrei-me deste texto que simboliza a colaboração espontânea e silenciosa entre pessoas que raramente hostilizam outros, por sim ou por não. Lembrei-me do conceito de solidariedade, essa silenciosa colaboração com outro, essa interacção social simpática e amistosa, sobre a qual já escrevi neste sítio de debate.
Este conceito não foi criado por mim. Em 1883, Émile Durkheim definia a solidariedade como o apoio e a coordenação de pessoas entre si. Nenhuma sociedade seria capaz de funcionar se não houvesse apoio mútuo. Bem sabia Durkheim, como socialista que era, que essa solidariedade era uma ilusão. Ideologia Socialista Democrata aprendida das suas leituras da obra de Karl Marx e de trabalhar com outro
diary of may malen i. isley, chapter 1
As you fly away- you are going away exactly now-, as you flight back home, I think of you, of the week we spent together, with your parents, of your happiness, of your easy laughing about, of your tongue coming in and out of your sweet mouth, running away not to be kissed. Of your free spirit and of your wanting to be always sat down on Mum’s lap, my daughter Camila, or jumping away on the immense arms of Pa, Dad Felix by name. [Read more…]
atribuição do prémio Nobel de Literatura. Mi Gabriela Mistral

A nossa poetisa recebe o merecido Prémio das mãos do Rei Sueco, o primeiro ao acabar a guerra mudial
Entrega do Prémio Nobel de Literatura pelo Rei Gustavo Adolfo da Suécia, Novembro de 1945, aos 56 anos de idade
Quando se fala de Prémios Nobel de Literatura, há um que é sempre esquecido e sinto o meu dever resgatar.
A notícia de ter ganho el Nobel, a recebeu em Petrópolis, a cidade brasileira onde desempenhava a labor de cônsul desde 1941, cidade de má fama para ela: tinha-se suicidado aos 18 anhos, Yin Yin, alcunha de Juan Miguel Godoy Mendoza, seu sobrinho consanguíneo, conforme a notícia circulava, filho de um hermanastro, quem fora adoptado por ela e a sua amiga e confidente Palma Guillén, com quem vivia pelos menos desde que o garoto tinha quatro anos. Há quem diga que era filho dela, dai a cautela com que transfiro a notícia, especialmente por ser narrada a nós pelo nosso tio Higinio González Nolle de Montjeville, Ministro Conselheiro da Embaixada do Chile em Rio de Janeiro. Tinham convivido juntos, em tempos de guerra, em Portugal, onde o tio era Ministro da Embaixada e Gabriela, consulesa. Habitavam a mesma casa que hoje
Estrada de Palha
Rodrigo Areias está a terminar as filmagens de Estrada de Palha. É preciso coragem, tirar bilhete e embarcar na viagem…
Amar na Galiza e em Portugal. Ensaio de etnopsicologia da infância

Mona Lisa é a imagem de Maria Cheia de Graça:calma, serena, alegre
para o amor dos meus amores, que bem sabe quem é… serena e forte como a imagem e cheia de graça e gracejos…
Parece-me impossível falar dos sentimentos de uma rapariga que amo e me ama, sem compara-los com outra histórias de vida que uso como método de pesquisa, no que diz respeito aos sentimentos. Raparigas que, no seu tempo, eram novas e hoje em dia são senhoras com filhos. O tempo passa sem perdoar um minuto na vida dos seres humanos. No ensaio a seguir a este, vou querer comparar essas formas de emotividade, sob a ideia de que no rasto da sexualidade caminha o amor. Tenho sido amado e amo e estou certo que quem andou comigo na Galiza, ama-me também. Ser amado por uma mulher adulta e madura, é a delícia das delícias. Ainda que tenha por vezes, comportamentos ofuscados, que, por fazer o dia mais brilhante, não nos permite ver.
A. Victoria
Analisando os sentimentos de três raparigas e comparando com os meus e os dela, poso concluir o que é amor. Victoria, por causa do povo a que pertence, tem que se resignar a partilhar o amor do seu homem com outras mulheres, o que deve ser difícil, se já é difícil amar e seduzir apenas uma… Mas, o seu povo é a etnia Picunche, que amam de uma outra maneira. Pelos laços das ideias, vamos considerar Victoria com a letra A, classificando a Pilar e Anabela, com as letras B e C, para colaborar com a leitura de quem tenha a ousadia de entrar por estas linhas…
religião, a confissão do medo-I parte

La Pietá, Michelagelo Buonarroti, 1499
Por ser um texto longo, o publico em três partes, em datas diferentes
Para o meu neto mais velho, Tomas Mauro van Emden
1.- Definições
Parece-me necessário definir certas palavras do título, para torná-las conceitos. É a regra mínima de hermenêutica ou de interpretação do sentido das palavras. No meu ver, este título precisa de vários esclarecimentos.
Talvez, o primeiro, seja essa minha obsessão de escrever sobre a temática É bem conhecido que não sou um homem de fé e, no entanto, ando sempre a perguntar-me o porquê dos seres humanos procurarem a religião. Especialmente em Antropologia, essa ciência que estuda o pensamento humano em sociedade, no meio do social ou da interacção social. É um facto tão evidente, o objectivo da nossa ciência aparece em todo e qualquer livro de Antropologia, em dezenas de páginas ou num capítulo especial, que torna a redefinir esta ciência sempre em crescimento. Ciência que, normalmente, tem dentro da análise do social, a palavra religião como pano de fundo. Eu próprio tenho escrito livros, ensaios, textos atrevidos, que juntam a religião com a economia, especialmente nos livros de 2002[1], de 1991[2]a e 1991b[3] e na obra colectiva de 2004[4]. [Read more…]
Aventador Expõe na Maia
Assim reza o press:
José Magalhães nasceu no Porto em 1952. Escreve e fotografa desde a adolescência.
Fez diversas exposições de fotografia, colectivas e individuais, em inúmeras cidades portuguesas (Porto, Braga, Coimbra, entre outras) e chega agora à Maia onde vai apresentar um conjunto de dezasseis trabalhos fotográficos intitulados “Imagens e Bocados”.
A exposição estará patente no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim, a partir de hoje 25 de Setembro, data da sua inauguração (pelas 21h30). A entrada é livre.
Pois, mas agora vamos falar de um amigo. O José Magalhães é meu companheiro de blogosfera aqui no Aventar e um tipo cinco estrelas. Como se tal não fosse pouco, ainda consegue ser um fotógrafo e peras! Ele diz que é amador. Pois. Amador? Não! Quem consegue fotografar o Porto como ele o faz não é amador. É um Poeta.
Eu vou lá estar. Orgulhoso por o contar entre os meus amigos.
Convite

Caros amigos
Foi editado o meu sétimo livro, o meu quarto livro de pintura, e o terceiro deste conjunto de três, com idêntico formato, mas de cores e subtítulos diferentes. “ADÃO CRUZ um gesto de silêncio”. Teve o apoio da Fundação Ilídio Pinho, da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e da Ordem dos Médicos. Faremos uma pequena apresentação, o Prof. Doutor Cassiano Abreu Lima e eu próprio, na Ordem dos Médicos, Rua Delfim Maia, 405, Porto, (junto ao jardim de Arca d’ Água), no dia 2 de Outubro (um sábado), pelas 17,30 horas. Como sempre, a vossa honrosa presença é para mim muito importante e um grande motivo de orgulho.
Adão Cruz
os filhos e as suas mães

...tempos em que o Manuel era bebé...com a sua mãe a acaricia-lo
…para Manuel Melo…
Deve ser a primeira vez que falo contigo. Deve ser a primeira vez que me endereço a ti. Nunca nos temos visto, jamais olhado uma foto tua. Mas atrevo-me a endereçar-te estas palavras. A ti, enquanto penso na tua mãe. Bem sei que já és quase um menino que oferece presentes à mamã. Tomas conta dela, te enterneces quando a vês aparecer, como eu próprio, avô como sou agora, gritava de alegria quando estava coma mãe que me dera a vida
Não há ternura maior, que dar a vida a outro, cria-lo, amamenta-lo, lutar para ser ela quem trate de ti.
Bem sabes que nem sempre pode estar contigo, mas faz todos os esforços possíveis para sair cedo de casa e tornar cedo e estar contigo. Cansada do trabalho, acaba por se encostar um pouco em casa para ouvir-te, tratar dos teus trabalhos, ou brincar comigo.
Penso que a tua mãe não te mima, é apenas carinhosa e gosta que andes limpo e vestido como pensas. Como a minha mãe fazia comigo: se descalço, sem sapatos pois, se nadar, ir para a praia, pois, se andar com amigos, uma tarte esperava por nós, pois.
as crianças, essa pequenada que nos faz rir e manda em nós

as crianças gostam reir e mandam em nós
Excerto da Introdução do meu livro O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral, 1ª edição, Escher, Lisboa 1997, 2ª edição, Fim de Século, Lisboa. Para alegrar a vida após tanto debate sobre política educativa…
“Olá padrinho!”, diz a pequena quando lhe telefono para saber dela. Uma voz entusiasta que me cumprimenta com um carinho que, certamente, aprendeu dos seus pais e avós. Pais e avós que, por seu lado, aprenderam o entusiasmo pela vida e pelas pessoas dos seus próprios pais, bem como de toda a sua ancestralidade. [Read more…]
gracinha
minha maria da graça
As Três Graças, de Carle Van Loo (1763)
….para Graça Pimentel Lemos…
Todos sabemos que existe, na mitologia grega, três deusas chamadas Graças.
As Graças (Cárites na Mitologia Grega) são as deusas da dança, dos modos e da graça do amor, são seguidoras de Vênus e dançarinas do Olimpo.
Apesar de pouco relevantes na mitologia greco-romana, a partir do Renascimento as Graças se tornaram símbolo da idílica harmonia do mundo clássico.
Graças, nome latino das Cárites gregas, eram as deusas da fertilidade, do encantamento, da beleza e da amizade. Ao que parece seu culto se iniciou na Beócia, onde eram consideradas deusas da vegetação. O nome de cada uma delas varia nas diferentes lendas. Na Ilíada de Homero aparece uma só Cárite, esposa do deus Hefesto.
Este meu saber sobre os mitos gregos, adquirido aos sete anos de idade, estava baseado nos originais em língua inglesa, nos escritos de Homero, citado antes, e em Flávio Josefo.
la amistad es una relación cultivada

…para Sérgio Aurélio, que me ensina informática, com paciência e simpatia….
Acabo de volver a mi país, después de una ausencia prolongada. El motivo no era ni ferias ni paseo, era reunir datos para mi nuevo libro, que acabé hoy en la tarde. Libro dedicado a una querida amiga quién, para mí, es la Reina de Galicia. Comencé a escribirlo en el sitio en que me hospedé, su casa, que también es mi casa: los considero parte de mi familia. Esa familia Medela, el pastor de cabras y ovejas y agricultor a la antigua, que no sabía que era primo del Conde de Lemos y de la Duquesa de Alba, hechos descubiertos por mí en otro viaje de feliz memoria, al final de los años 90 del siglo pasado. [Read more…]
A águia, o milhafre e a borboleta
—
Andreia

(Águia de Bonelli)

(Milhafre real)

(Inachis io)
não se importe, não fica obrigado

a solidão do escritor
Para os amigos que apresentaram os meus novos livros… e para os que ouviram a apresentação, essa, a minha família inventada… em memória desse dias em que eu tinha amigos…
É comovente, é difícil de entender, e voltar a ser criança, é uma festa que parece não ser merecida. É um presente. Esses embrulhos amados pelas crianças. Especialmente na época do Natal. Essa impaciência pela surpresa do que deve estar dentro dos pacotes/embrulhos ai. Impaciência que nem deixa dormir em paz. Impaciência do imaginário. O que será, o que há dentro do pacote? Uma carícia, um mimo, uma maré de seres humanos? Os mais novos sempre ficam à espera dessa noite de Natal, com ou sem consoada. Os mais velhos voltam a ser crianças a partir do momento que sabem, como eu, que deve haver uma festa, tudo por causa de livros. Ideias usadas apenas pelos que têm esse pensamento, por mim denominado doutoral e não pensamento do povo ou vulgar. Povo ou vulgar, por outras palavras, pensamento válido da mente cultural, outro conceito criado por mim, o que me dá direito de autor.
Quem deve aparecer, o que vão dizer? Parece-me que os livros são bons, têm sido muito trabalhados, muito pesquisados, muito provados. Dos dois que vão ser apresentados, há um que parece ser igual a um anterior, só por causa do título. Será que vão ler o conteúdo para reparar que é substancialmente diferente? A impaciência do adulto feito criança perante o segredo e o silêncio eterno dos que preparam a festa.
Allentejo em Aljustrel
Inaugurou no passado sábado, em Aljustrel, a exposição “Allentejo”, cujo texto de apresentação é o seguinte:
Convidaram-nos a expor no Alentejo.
A nossa vontade, enquanto colectivo sedeado no Algarve ( todo o artista é o criador e a sua circunstância ), seria levar todo o Algarve –Allgarve, falando português turístico– ao Alentejo.
Mas somos o Laboratório de Actividades Criativas, de Lagos, e a exposição acontece em Aljustrel, parte de um Alentejo remoto, a braços com a desertificação, com o esquecimento e arredado das preocupações dos príncipes e estrelas urbanas da cultura.
Nós, contra a desertificação, contra a exclusão, contra a centralidade metropolitana, contra o pretenso elitismo dominante, acreditamos na contaminação e o nosso desejo seria contaminar, a partir de uma pequena semente em Aljustrel, todo o Alentejo –Allentejo.
As questões que cada um dos artistas presentes levanta, o seu talento, a sua arte, a sua entrega, ficam vincadas nesta tentativa irónica e solidária de trazer o mar ao centro do Alentejo, mimetizando a mentalidade reinante de que tudo o que não é litoral é apenas paisagem e, neste caso, um imenso mapa, vazio mar e de contemporaneidade.
Por todas as razões, e por acharmos que assim não é, seduz-nos mais o Allentejo.
Artistas presentes – A.Pedro Correia, Henrique Pereira, Jorge Pereira, Pedro Glória, Raymond Dumas e Sofia Fortunato. Mais informação aqui e aqui.
Também publicado no liberatura
Mais um 2010

(adão cruz)
O mais recente trabalho, que eu dedico à dignidade do ser humano.
A Cultura em África
(ou a Ministra da Incoerência)
“A Cultura é um elemento indispensável para o desenvolvimento das capacidades intelectuais e para a qualidade de vida, factor de cidadania e instrumento fulcral para a compreensão e conhecimento crítico da realidade.”
É assim a Cultura. Eu ainda sou do tempo em que a cultura em Portugal era uma coisa autêntica, das pessoas e dos sítios, ancestral. Depois criaram-lhe uma Secretaria de Estado da mesma cultura. Mais tarde, a Cultura passou a ser um ministério, o Ministério da Cultura. E eu a pensar que a Cultura seria sempre um insuspeito ministério, o dos artistas, sempre lá seu mundo de artistas, alheado das vagabundices terrenas, sublime, espiritual, etérea, cultural, a Cultura…
Foi-me preciso acordar na África Negra para descobrir uma Cultura que financia (via RTP) as touradas, que diz, à tarde, que o vale do Côa não é património de Foz Côa ou de Portugal, Foz Côa é Património da Humanidade!!!! (colocar ênfase lisboeta na leitura, pf) quando, de manhã, a mesma “Cultura” diz que a classificação do vale do Tua como monumento nacional não impedirá a construção de uma barragem que, ooops, apagará o vale em vias de classificação cultural…
Feneceu uma talentosa Ministra da Cultura. Ganhámos, ao menos, uma Mercenária by EDP. Vergonha…
Vende-se Pedra Monumental
procriarás, para teres filhos

o extâsis da procriação
1. O problema.
Sabemos que os Mandamentos, cristãos romanos, presbiterianos, ortodoxos, calvinistas; judaicos, ortodoxos, rabínicos, outros; muçulmanos de diversos clãs; teístas, ateus, agnósticos, monárquicos ou republicanos, são apenas Dez. Leis para o comportamento da interacção entre seres humanos e os bens. Daí, os Dez Mandamentos. Peça fundamental da nossa cultura ou formas de pensar para materializar as nossas ideias em pessoas, emoções, ideias, recursos. (…) Amarmos e sermos amados. É a síntese final dos Dez Mandamentos. (…) Amar e honrar os pais, é um antigo ditado correlacionado com as posses, as curtas vidas, a vida em família, e vizinhança certa. Épocas certas com relações certas em tempos certos. (…) O certo é apenas que a pirâmide das relações sociais virou do avesso. Aí onde sempre soubemos que a pater -maternidade era uma forma de amar e sermos amados. Tenho-o assim observado, ao analisar as interacções entre ancestrais e descendentes: esses que nunca mais morrem, esses que nunca mais crescem. E os Dez Mandamentos ficaram curtos demais para definir actividades autónomas, individuais e segredos, que a cultura da época de Moisés não pensou.

Apareceu-me no 


![Convite[allentejo]](https://i0.wp.com/aventadores.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2010/08/conviteallentejo1.jpg?resize=125%2C300)










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