Na Grécia, Tudo no Chão

Um comboio de via métrica na Grécia, com as rodas no chão, fotógrafo no chão, povo no chão. Corações ao alto…

 

A democracia grega

Os gregos não inventaram a democracia, quanto muito os atenienses criaram a palavra democracia para designar um regime em que menos de 10% da população decidia democraticamente da sua vida e aproveitava para decidir a vida dos outros.

Posto isto, com o notável contributo de governos locais corruptos, da Alemanha, da França, seus bancos e indústria de armamento, os gregos arriscam-se a inventar uma outra democracia, que começa nas ruas e pode acabar com a dividocracia.

Olhai para isto portugueses, já falta pouco.

Às vezes não parece, mas estamos todos no mesmo barco

Arca de Noé

 

Presidente do Eurogrupo propõe ajuda à Grécia vinda do orçamento da UE

Dividocracia

Clique na imagem para ver o filme

Este é um vídeo feito pelo público, fique descansado, não vai ver este vídeo aparecer nos media tradicionais.

Quando estiver a ver o vídeo, clique na imagem igual à que se mostra ao lado, para obter legendas em português.

 


 
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A Avenida do Centrão desemboca no FMI

Percorremos a longa ‘Avenida do Centrão’ desde 1985, com Cavaco, Guterres, Barroso e Sócrates – Santana praticamente não contou. Estafámos tudo o que houve para estafar. De bolsos vazios, andrajosos e descalços, desembocámos no abismo: FMI!.

Falar de abismo é exagero? Não, estou certo. Evitem-se comparações com o passado. O mundo hoje é muito mais complexo. Uns conselhos: leia-se o que escreveu aqui Joseph Stiglitz; tome-se em atenção o lucro do FMI gerado pelas ajudas à Grécia e Irlanda, segundo o blogue ‘Ironia d’Estado’; e ainda mais uma achega, olhe-se para a evolução dos juros de financiamentos a 10 anos aos Estados da Grécia e da Irlanda, após intervenção do FMI:

Grécia

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Irlanda

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Fonte: Bloomberg, aqui e aqui.

Depois das “ajudas” da UE e FMI – ambas em 2010, em Maio à Grécia e em Novembro à Irlanda – as taxas de juro da dívida pública de um e outro país registaram um movimento ascendente acentuado: ontem, 6 de Abril, a Grécia pagava 12,72%/ano e a Irlanda 9,37%/ano.  [Read more…]

Psssst, Washington, Please, We Have a Problem

Pois parece que nada mais nos resta do que, a partir de quarta-feira, e caso a venda de dívida corra mal, chamarmos os senhores do FMI, apesar das afirmações do sr Teixeira dos Santos e da tentativa de enganar dos mercados  na apresentação dos números de 2010 para o défice previsto. Pelo seu lado o Primeiro Ministro de Portugal diz que o FMI não é preciso por .
Nesse pressuposto, o nosso amigo Drucas, que tem estado calado e quedo, já se movimenta, perfilando-se para umas eleições antecipadas.
Também o líder do CDS pede sem cessar novas eleições.
Todos à espera do óbito oficial do ainda nosso Primeiro, que em estertor, lá nos vai dizendo que não precisamos para nada dos senhores de Washington.
O comentador Marcelo lá vai mandando as suas bitaitadas, e a pressão dos mercados e em especial da  França e da Alemanha, faz-se sentir cada vez mais. [Read more…]

A Turquia e a Grécia – problema político que dá dinheiro!

Este é um assunto político que deveria ter uma solução política. E que se saiba uma solução política não precisa de sustentar 100 000 soldados de um lado e outro, nem precisa de seis submarinos de um lado e outro.

Seria por aqui que a União Europeia deveria pegar no assunto para resolver o déficite das contas públicas da Grécia e, ao mesmo tempo, trazer a Turquia para dentro da União. É fácil, é barato e dá milhões! Mas assim, a vender armamento, temos a Alemanha a emprestar o dinheiro dos contribuintes alemães à Grécia, tão mal vista pelos alemães, os mesmos que vão lá cobrar uma taxa altíssima para remunerar as poupanças dos cidadãos alemães que estão tão zangados com a Grécia! Confusos?

Não estejam que eu explico outra vez. A Alemanha afunda as finanças públicas da Grécia , vendendo-lhe armamento e depois empresta-lhe o dinheiro dos seus cidadãos, para que a Grécia pague os submarinos, assim, fica a Grécia com os submarinos que não servem para nada e com a dívida e os Alemães com o dinheiro cobrado dos submarinos e o crédito. Por sua vez a Grécia pede dinheiro aos outros países europeus para pagar os juros e a dívida que, por sua vez, pedem dinheiro à Alemanha para poderem emprestar à Grécia! Confusos?

Então agora façam o mesmo racíocinio para Portugal, Irlanda, Islândia, Espanha …

PS: troquem só os submarinos pelo TGV…

A Grécia e a crise explicada aos peixes por Cohn-Bendit

Intervenção de Daniel Cohn-Bendit no Parlamento Europeu (legendada em português).  Tudo muito bem explicadinho mesmo para quem não quer perceber. Num aparte confunde Durão Barroso com Cavaco Silva, mas bem vistas as coisas o partido é o mesmo.

Impressionante como os gregos têm sido acusados de tudo e mais alguma coisa, e ninguém se lembra da particularidade de terem 100 000 soldados num país de 11 milhões de habitantes.

Da nova governança europeia, crise do euro e da Europa, ao Vidas Alternativas

A  última quinzena que vivemos foi um período dramático  para Portugal, e para a Europa.
Houve graves riscos de rupturas económico-financeiras, por via dos ataques  que centrais de especuladores lançaram contra as dívidas soberanas de alguns Estados do Sul, designadamente Portugal, Espanha,e e até  Itália.
O Banco Central Europeu  teve de intervir, injectar dinheiro no sistema, e assim, evitar algumas possíveis bancarrotas.
Ficou agora claro  que a agenda europeia,em nome da solidariedade e do Euro- que a Alemanha tem evitado – é que comanda as agendas nacionais,e os diferentes e dolorosos PEC´s que estao a ser aplicados , para os trabalhadores dos diferentes países pagarem, como se os erros fossem deles. Há  um ataque ao Estado Social, ao Estado Previdência, tal como o concebemos na Europa desde o pós guerra.
Já é nitido que vai ser necessária uma governança europeia,centralizada,   que coordene sobretudo as políticas fiscais dos diferentes países, evite os nacionalismos e os gastos excessivos que os políticos gostam de fazer ,para deixar nome, ou obra, sem cuidar do futuro.
Sócrates ou os seus ministros andam  num vai e vem,para nos trazer os recados ou ordens de Bruxelas, e o que ontem nos anunciavam como  verdade, hoje já não é face à nova conjuntura  económico -financeira, global.
 
Temos de poupar, temos de produzir mais,  temos de criar mais riqueza, moderar os hábitos de consumo justamente num momento em que tudo isto parece muito difícil e as pessoas  desmobilizadas, não acreditam no futuro.
È possível  que venham outros impostos, outros cortes,   ou haja inflação, mas o que nos fica como  amargo na boca, desde  já ,  é que nem nos EUA, nem na Europa, nem em Portugal, até ao momento,  foram encontrados culpados.
 
Desde a falência dos dois grandes bancos americanos , há cerca de dois anos que eram prevísiveis  algumas destas consequências.
Ninguem viu, ninguém se importou, ninguém avisou,ninguém tomou medidas… [Read more…]

Ironias

Um milanês interpreta “Arde Tróia” na Praça do Rei em Barcelona. Tantas ironias.

(Para quem não conhece Vinicio Capossela aqui ficam dois outros registos, completamente diferentes, de um autor com mil registos)

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Ainda vou penhorar o Partenon

foto-partenon

Não há como uns dias fora do país para, no regresso, me sentir privilegiado por viver num país rico. Não que tenha ido à Somália ou Etiópia, apenas porque no regresso descobri que Portugal é o 19º melhor país para se ser mãe. E descobri que, sem que alguém me perguntasse algo, vou emprestar 200 euros à Grécia.

Melhor, descobri que todos os portugueses, desde o António Mexia até ao mais simples receptor do rendimento de inserção, vão emprestar dinheiro, também 200 euros, à Grécia.

Dizem-me que, dentro de três anos, se correr bem, posso receber o dinheiro de volta e com juros. Aviso, pois, que quero mesmo receber esse rendimento do empréstimo. E aí da Grécia que não devolva a massa. Vou lá e penhoro o Partenon.

Portugal e Grécia, ai dos vencidos!

A Grécia vai receber uma ajuda de 110 mil milhões de euros a par com medidas  de austeridade que já estão a trazer para as ruas convulsões sociais. Neste pacote, entra Portugal com 2064 milhões de euros, a pagar nos próximos três anos.

Os restantes 80% dos 110 mil milhões de euros serão assegurados por acordos bilaterais dos países do euro. Estes empréstimos serão remunerados a uma taxa média de 5%, o que nos leva a esta questão que faz toda a diferença. Portugal, após a recente classificação no raking financeiro internacional, paga os seus empréstimos a 6%, os restantes países pagam os seus empréstimos a 3%!

Isto é, Portugal e a Grécia perdem, pagando taxas de juros mais altas do que a dos restantes países ! Os ricos ganham 2%, mas a verdade é que se não fossem competentes não eram países ricos!

Raios Partam os Gregos

Estou cada vez mais em sintonia com o nosso governo e com alguma da nossa oposição. A nossa oposição não se ‘oposiciona’ e o nosso governo não nos governa.

E a culpa de quem é? DOS GREGOS!

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A bancarrota do milagre socrático

O animal feroz com o rabinho entre as pernas

O PEC – Programa de Empobrecimento Comum, foi aprovado com uma série de avisos mais que suficientes para preocupar alguem responsável. Mas os nossos estadistas, preferiram contar mentiras que é o seu habitat natural, ou mentem mesmo ou não dizem a verdade toda que é o mesmo numa situação tão delicada como a que levaram o país.

Em primeiro lugar, grande parte das medida vêm pela parte das receitas, a partir duma mentira em que só eles acreditam. Que o PIB vai crescer mais que 0.4%. Não cresce e, por isso, as receitas não atingem o valor calculado. Nas despesas, para além do aumento do IRS e do congelamento dos salários, não toca no que é fundamental e que tem influência decisiva. Os megaprojectos, que não são necessários, para os quais não temos dinheiro e que a fazerem-se vão ser pagos com empréstimos a taxas proíbitivas a acrescer à tragédia que já é a nossa dívida pública global que já vai nos 130% do PIB! ( a EDP do suprasumo Mexia contribui e de que maneira…)

Grécia e Portugal, os países mais pobres da UE, estão agora nas mãos de terceiros, da Alemanha que não ajuda enquanto estiver em eleições internas e dos especuladores que atacam sem piedade o milagre socrático. As empresas de “rating” fazem o trabalhinho de sapa, como se nada tivesse acontecido nos dois últimos anos.

O TGV , o Aeroporto, as Autoestradas, as dez Barragens vão já a seguir…

Como é que este homem chegou a primeiro ministro?

PEC – ajudar a Grécia

Bruxelas já anda a dizer que as medidas do PEC não são suficientes, quer medidas mais duras, mas a verdade é que com estas medidas já se atrofia a economia, a economia não cresce, e não crescendo não aumenta a receita. As previsões para o PIB são em baixa vamos crescer menos que o previsto que já é muito pouco, e abaixo da média europeia. Vamos empobrecer todos nos próximos anos!

Entretanto, vamos ter que ajudar a Grécia com 774 milhões de euros o que dá 73 euros por cada um de nós, o que é mais uma machadada na já muito endividada economia portuguesa. Mas Portugal não está em condições de dizer que não, tudo o que vem aí indica que a seguir aos gregos vamos ser nós a precisar da ajuda europeia, convém desde já mostrar solidariedade, agora pelos gregos amanhã pelos portugueses, eis a razão porque emprestamos o que não temos.

Sócrates e Teixeira dos Santos com uma mão atrás e a outra à frente…

Deixem de bater no ceguinho…

Hoje, temos mais uma socratice (sinónimo de chatice…) com os 21 projectos que foram assinados pelo então deputado. São tão maus que o ex-presidente da Câmara lhe chamou a atenção para o mau trabalho e para a preguiça.

Sócrates, ainda será mais recordado, daqui a dois ou três anos, como o pior primeiro ministro de sempre, o que vai ser revelado com o que ainda está fechado a sete chaves, vai mostrar o estado a que ele levou o país. É o que chamo, sindroma “Vale e Azevedo”, quando Sócrates deixar de controlar a agenda política ( o que inclui a Justiça e parte da comunicação social) vamos saber tudo. Hoje o vice- primeiro ministro da Grécia já vem dizer que Portugal vai ser a próxima vítima ( se é que a Grécia foi a primeira..) e isso diz muito das más notícias que lá fora esperam sobre o nosso país.

Os casos são tantos sobre o passado de Sócrates que começa a haver o perigo de se tornarem banais e isso seria a pior notícia, achar que os “pecados” se resolvem com um encolher de ombros. Quando os submarinos estão sob investigação, os aviões não voam e os carros do exército não andam, o melhor mesmo é esquecer Sócrates. Ninguem o quer como se pode ver no PS cada vez mais desafinado.

A anedota do século!

Sócrates à saída do Conselho de Ministros da União Europeia anunciou ao Mundo  que Portugal será um dos países que vai ajudar a Grécia a sair da crise!

Ministros há que ainda se estão a rebolar de riso, e há portugueses que reforçaram o Xanax, mas a verdade é que a Grécia não está a conseguir ir buscar aos mercados internacionais o dinheiro que precisa. E se a Grécia nos bate à porta?

Eu temo que Sócrates arranje uma daquelas desculpas de que só ele é capaz, como dizer que os Gregos não perceberam bem, ou que foi Durão que lhe deu indicações falsas ou ainda, que não sabia a verdadeira dimensão da crise portuguesa.

Eu confesso, não gosto do homem, mas caramba ver o primeiro ministro não ter a noção do rídiculo, envergonha-me!

Almoços gratuítos desagradáveis

Primeiro todos ganharam com o endividamento da Grécia (e não só), manipuladores e manipulados. Uns sugeriram que a CEE significava almoços gratuitos para sempre e os outros acreditaram.

E agora os manipulados vêm-se “gregos”. São eles os primeiros a ter que passar pelas armas. Os manipuladores seguir-se-ão mais tarde. É assim quando o inútil se junta ao desagradável. [Read more…]

Noticias boas para nós

Grécia salva da falência, não há riscos na zona euro

Peritos franceses da escola de Paris de Ciências Politicas, OFCE, como Francesco Saraceno afirmam que hoje não há risco algum de banca rota na” zona euro” , o que é uma boa noticia para os portugueses também .
O que é preciso é retirar as lições do caso grego, e isso significa que a Europa precisa de um governo económico forte .
A Grécia cuja situação vai ser desbloqueada graças à Alemanha estava em dificuldades por causa de comportamentos irresponsáveis que chegaram a levar a falsificar contas públicas, que com a crise se agravaram muito mais ,quando se viu a braços com ataques especulativos muito fortes. [Read more…]

Não tenham medo!

Não tenham medo! Ouvi esta frase da boca de João Paulo ll e fiquei impressionado, havia qualquer coisa que só ele sabia, e esta emoção que me transmitiu, não a coloquei em dúvida. Soube-me bem, apaziguou-me.

Mas que pensar desta coisa extraordinária que é sabermos que quer a Irlanda, quer a Grécia, souberam que estavam na bancarrota pelo Financial Times? E isto em dois países em que a democracia está instalada, onde a comunicação social deveria ser livre, onde os governos deveriam falar verdade .

Na comunicação do Presidente da República os perigos apontados, a situação caracterizada, é de tal forma diferente da apresentada pelo governo, que um deles está a mentir. O que temos certo é que há instituições internacionais que nos andam a avisar, sabemos que há a velha máxima : “se há alguma coisa que possa correr mal, corre mesmo ” , há mesmo quem desconfie que ainda há grandes “buracos negros” não descobertos, que 2010 será um manancial de más notícias…

E agora ? Tenho medo ou não?

E se tiver medo faço o quê? O governo anda a anunciar o fim da crise desde o dia em que ela começou, os partidos da oposição estão à espera que tudo corra mal para então, conversarem com o PS, sem Sócrates. E nós, lemos o Financial Times?

Não sai aí mais um “escândalo socrático” para que possamos ter direito à verdade? O homem ía à vida e nós podíamos dormir descansados!

Coisas do Diabo – cozê-lo em lume brando

O plano do PSD é manter o lume depois do orçamento “Queremos demonstrar na Assembleia o descontentamento e descrédito a que o actual governo chegou. Se as pessoas na rua o comentam, deve ser o maior partido da oposição a carrear para esta câmara esses sentimentos e reacções”

O Magalhães, os Contentores de Alcântara, a gestão do QREN, o “Face Oculta” e o estado da Justiça, serão temas que o PSD não largará.

Outra questão, nada pacifica dentro do PS, é a eleição do Presidente da República, crentes como estão os sociais democratas que Cavaco Silva se vai recandidatar, e que no PS se perfilam Alegre, Vitorino,Gama,Guterres…

Depois vai haver as candidaturas de Passos Coelho e Aguiar Branco, durante o próximo mês de Março, altura para mais fogo cruzado sobre Sócrates e o PS!

As comissões de inquérito e as chamadas de ministros ao Parlamento são outras das estratégias a aprofundar. O estado a que chegou a Grécia, com políticas muito semelhantes às do PS, dívida elevada, obras públicas e déficite a cescer será outro filão a explorar.

Sócrates, cada vez mais, faz parte do problema. Para o PS e para o país!

A política económica virtual…

Quando não se cria riqueza, como acontece ao nosso país, há pelo menos cinco anos, a política económica é a do exemplo que segue:

A uma aldeia, perdida na raia portuguesa, chega um visitante que se instala na única pensão existente. A diária são cinco euros que o hóspede paga à cabeça, logo que chega.

O dono da pensão paga o vencimento atrasado ao único empregado que, por sua vez, paga ao mercieiro, que por sua vez, paga ao fornecedor, que por sua vez, paga à pensão por lá viver em permanência.

Entretanto, o visitante tem que voltar e não utiliza os serviços da pensão que lhe devolve o dinheiro, isto é, os cinco euros!

Todos saldaram a sua dívida mas a aldeia está tão pobre como antes. Até que o merceiro já não consegue crédito do fornecedor e fecha, o fornecedor já não consegue crédito do produtor (o único que verdadeiramente cria riqueza) e já não pode dormir na pensão, que também fecha…

É o que está a acontecer à Grécia e para onde caminha o paraíso socrático, viver à custa da dívida tem sempre um fim e cada vez mais pobre.

A Grécia a ver-se grega…

Em 06.04.2009 o magazine DER SPIEGEL ONLINE publicou um artigo com o título “A Grécia cambaleia à beira da bancarrota” que na altura alguém se lembrou traduzir para o português para um site que eu só hoje descobri na internet.

Hoje, na sua versão impressa, o magazine alemão volta ao assunto sob o título “Bomba ao retardador para o Euro ”

Volta o medo de uma bancarrota de estado em plena zona euro: endividamento da Grécia atingiu dimensões dramáticas. Os ministros das finanças europeus e chefes dos bancos emissores estão alarmados – e desamparados.

Aqui só a tradução de uma pequena mas decisiva passagem do texto: “(…) Além disso, ameaça o perigo de um efeito dominó. Se cair um membro do euro, os especuladores testarão a estabilidade de outros candidatos tremeliques. Isto poderia ser o fim da União Monetária (…)”.

A notícia fez-me lembrar o meu artigo – “O EURO: COMO TRANSFORMAR PERIGOS EM OPORTUNIDADES” – publicado há 11 anos no Semanário Económico.

Rolf Dahmer- convidado

PS – Como é que a Grécia chegou aqui? Grandes investimentos públicos, divida colossal, crescimento do PIB medíocre. Lembra quem ?

Há tempestade no horizonte

O Dubai anda com uma mão atrás e outra à frente, vale-lhe pertencer aos Reinos Árabes Unidos que podem muito financeiramente, e não o deixam cair. Muitos investimentos públicos, muitos serviços financeiros e de lazer, muita economia de casino, uma dívida colossal que não consegue pagar.

Agora está aí a Grécia, com uma dívida maior que a nossa, sem indústria e agricultura que dê consistência à sua economia. Vive dos serviços, turismo e pouco mais. Se a Grécia não se aguentar no euro quem se perfila a seguir? O paraíso socrático!

A UE não vai deixar, porque isso seria uma machada no Euro e na coesão da UE, mas a situação da Grécia, não pode deixar esquecer a Islândia cheia de serviços e que tambem anda com uma mão à frente e outra atrás. E a pedir para entrar no UE!

Portugal está numa situação muito pior que a que nos pintaram nos últimos quatro anos. O déficite está nos 8.7%, a dívida nos 100%, o crescimento é abaixo de zero, o desemprego está acima da barreira mítica dos 10%.

E é nesta situação que querem construir o TGV, autoestradas e outros megainvestimentos, com recurso à dívida externa que não conseguimos pagar. A notação financeira de Portugal já baixou para medíocre o que quer dizer que os investidores olham para o país como potencialmente, incapaz de cumprir e, como sinal que o dinheiro, se o emprestarem, vai ser mais caro. Mais risco de incumprimento, mais caro!

Como é que se paga a dívida se não crescemos? Criar riqueza é que é o ponto, pedir dinheiro emprestado e fazer obras de betão todos fazem. Todos andam preocupados menos o Primeiro Ministro que, qual tolinho, salta de alegria no meio dos escombros…