Escolher a escola dos filhos

O Governo que (não) nos governa pode ser dividido em dois grupos:laranja-podre

– o dos boys incompetentes e sem qualquer tipo de valor ou pensamento político. Limitam-se a viver à nossa custa – passaram todos pelas jotinhas;

– o dos boys de extrema-direita que sabem muito bem o que têm para fazer e que têm tentado cumprir com eficácia a missão que têm em mãos.

Este último é claramente mais perigoso e Nuno Crato é a prova disso mesmo. Nos últimos dois anos arrumou para canto mais de vinte mil professores e até conseguiu passar a ideia que havia, na Escola Pública, professores a mais. O que ele fez foi simples: acabou com o Estudo Acompanhado, reduziu as horas de algumas disciplinas, etc… Ou seja, diminuiu a resposta da Escola Pública e o apoio aos alunos. E, como sempre, são os mais fracos que vão perder mais.

Mas, a marca ideológica de Nuno Crato, já vincada com o exame da 4ª classe, atinge agora um novo patamar. Numa proposta entregue à FENPROF abre as portas ao cheque-ensino e à liberdade de escolha da escola. Não é uma ideia nova e é mais um passo no caminho que tem vindo a ser trilhado – entregar a Educação ao deus Mercado.

Tenho a certeza que a esmagadora maioria dos eleitores do PSD estarão contra a entrega do serviço público de educação aos colégios, mas neste momento, quem tem o poder laranja está longe de ser do PSD.

Claro que um leitor menos atento (que não passam pelo Aventar, claro) poderia pensar que é excelente a possibilidade de escolher a escola do filho, ainda por cima se lhe for possível optar pelo colégio xpto lá da terra. Mas, seria mesmo uma boa ideia? [Read more…]

Nuno Crato não sabe o que é um ano lectivo

NUNO-CRATO-PORTRAIT-RETRATONão saber o que é um ano lectivo corresponde, na prática, a uma condição sine qua non para se ser Ministro da Educação em Portugal. Nisso, como em muita outras coisas, Nuno Crato tem-se mostrado à altura do cargo, não destoando dos seus antecessores.

Tentarei, de forma sumária e simples, ajudar os próximos ministros a perceber este conceito tão espantosamente simples.

Em primeiro lugar, é importante perceber que se trata de um período. Foi por isso que o inventor do conceito resolveu usar a palavra “ano”. Concedo, ainda assim, que a dificuldade do ministro não esteja neste termo. Talvez o problema esteja em “lectivo”, que os adjectivos são palavras terríveis.

Uma consulta a qualquer dicionário ajudará Nuno Crato a perceber que o adjectivo é equivalente a escolar. Poderemos, assim, concluir que “ano lectivo” se refere a um período em que há aulas. [Read more…]

Menos turmas com os mesmos alunos

Trabalhar numa escola não pode ser fácil, porque implica lidar com muitos e variados domínios do ser humano. Como se isso não bastasse, para se trabalhar numa escola, em Portugal, é-se obrigado a lidar com uma opinião pública frequentemente hostil ou indiferente e com sucessivos governos que, relativamente à Educação, baseiam as suas decisões numa mistura de incompetência, insensibilidade e ignorância que se parece demasiado com má-fé.

Uma das actividades a que as escolas se dedicam, no final do ano lectivo, apesar do mito de que está toda a gente de férias, consiste na criação de turmas. Trata-se de um serviço que envolve membros das direcções, funcionários administrativos e muitos professores. Antes disso, com a maior antecedência possível, cada escola divulga a sua oferta formativa. Graças a todo este processo trabalhoso, os alunos matriculam-se no ano e/ou nos cursos que pretendem frequentar. Assim, a pouco e pouco, é com base em matrículas e inscrições que se vão criando turmas, de cada vez que se atinge o número mínimo de alunos exigido por lei.

Entretanto, a definição da rede escolar deveria ter sido feita até 30 de Junho, o que não aconteceu. Quando alguém, no Ministério, se lembrou de a divulgar, as escolas ficaram surpreendidas com uma redução do número de turmas imposta com a habitual negligência de quem não perde tempo a estudar o terreno. De qualquer modo, quem trabalha nas escolas, já sabe que é em Julho e em Agosto que os ministros ditos da Educação tomam decisões que – das duas uma – ou não deviam tomar ou já deviam ter tomado. [Read more…]

O ministro da Educação-mercadoria

Santana Castilho*

As coreografias políticas de inferior qualidade, geradas pela irresponsabilidade de Gaspar, Portas, Passos e Cavaco, varreram o importante sério em função do urgente falso. O país viveu as últimas semanas à espera da salvação e acabou condenado. Os pequenos delinquentes políticos foram premiados. Tudo voltou ao princípio. Os mesmos de sempre ficaram satisfeitos. Passos Coelho, qual garoto a quem perdoaram a última traquinice, retomou a sua natureza profunda. Foi escasso o tempo necessário para o ouvir recuperar o discurso de ódio à Constituição e aos funcionários públicos. Sem vergonha, resgatou a União Nacional.

Com tal e eloquente fundo, surpreendem os dias de desespero que Nuno Crato vem laboriosamente oferecendo aos professores e à escola pública? Só a quem tem memória curta. E são, infelizmente, muitos. Atropelam-se os exemplos.

1. Repito o que já escrevi: não houve nem há qualquer concurso nacional de professores. Houve, e continua a haver, um enorme logro. [Read more…]

Fazer exame para professor

Sem prejuízo de voltar a abordar o assunto, ficam aqui algumas primeiras e más impressões acerca de mais uma invenção do Ministério da Educação (MEC): a Prova de Avaliação de Conhecimentos, Capacidades e Competências para acesso à profissão docente.

Se bem percebi, pretende o MEC que os professores contratados realizem uma prova em duas fases: uma primeira, comum a todos os professores e sob a forma de prova escrita, independentemente da área em que leccionem, que servirá para avaliar a capacidade dos candidatos para “resolver problemas em domínios não disciplinares”. Quererá isto dizer que os candidatos a professores terão de explicar, por escrito, como resolveriam uma determinada situação numa aula?

Os que passarem à fase seguinte, farão uma prova, oral ou escrita, relacionada com a área de leccionação.

As pessoas que vierem a ser sujeitas a este exame têm, na sua esmagadora maioria, e no mínimo, uma licenciatura e um estágio pedagógico, ou seja, estão habilitadas a dar aulas. Muitas dessas pessoas já dão aulas há vários anos, o que acrescenta experiência à formação inicial. Como se isso não bastasse, há cada vez mais professores a frequentar mestrados e doutoramentos. O Ministério da Educação quer, portanto, sujeitar a um exame de acesso um conjunto alargado de profissionais com provas dadas. Gostaria de realçar a expressão “provas dadas”. [Read more…]

Quem defende as pessoas com Autismo?

autismo
Ontem li este depoimento de uma mãe de um filho de 18 anos com autismo na página do Facebook de alguém. Fiquei zangada e revoltada, sentimentos que me são já muito familiares desde que este desgoverno tomou conta do país. Sem mais palavras, limito-me a transcrever o que li. Faltam-me as forças até para insultar. Amanhã vou para a rua fazer a única coisa que sei fazer: trabalhar e lutar para que a nossa classe política seja desparasitada e desinfectada.

Aqui está o depoimento e pedido de ajuda tal e qual foi publicado: [Read more…]

Explicai-me, sff

RTP excessão

De Caras, RTP, 19/6/2013 (http://bit.ly/12J0oFc)

Não havendo, em português europeu, qualquer razão para se escrever *direção em vez de direcção (ver explicações fastidiosas, lá em baixo, na Nótula I), é compreensível que o actual director do Expresso, Ricardo Costa, tenha infringido as “regras” adoptadas por uma direcção anterior à sua.

Expresso 472013

Em suma, Ricardo Costa escreve direcção porque é português. Se fosse brasileiro, escreveria direção. Contudo,até prova em contrário, o Expresso ainda não terá emigrado para o Brasil. Porque é que o Expresso determinou a adopção do AO90? Não sei. Qualquer dia, explicar-me-ão.

Quanto à imagem da entrevista a Nuno Crato, com a supressão do ‘p’ de excepção, a ocorrência de erros semelhantes àquele tenderá a aumentar — sim, a aumentar; exactamente, a aumentar (ver explicações fastidiosas, já a seguir, na Nótula II).

Ah! Podem (e devem) corrigir, como fizeram anteontem. Andam a esquecer-se é dos outros *contatos — sim, daqueles. Antes de passarmos às nótulas, aproveito para vos desejar um óptimo e espectacular fim-de-semana.

Nótula I: [Read more…]

Crato: com ou sem polícia?

Vai ou não entregar a gravação audio da reunião com a FENPROF?

A Acta dos Professores (iii): os contratados

Quando escrevo contratados no título do post estou a pensar na questão do emprego e não na condição A ou B porque, em abono da verdade, o que fez mexer a classe foi o receio pelo emprego, foi o medo de ter ou não ter trabalho. E, por isso, qualquer análise, mais ou menos apaixonada deve ter como base esta questão – o emprego.

Pergunto: a acta assinada garante ou não o mesmo nível de emprego hoje existente na profissão?

Sim e talvez até aumente o número de contratados. Como?

Simples:

– a Direcção de Turma que o MEC tinha tirado da Componente Lectiva regressa à casa de partida (3 mil horários que continuam);

– há actividades até agora por regulamentar que passam directamente para a componente lectiva, o que significa mais horários;

– 6 mil docentes com a aposentação pedida não irão ter serviço a 1 de Setembro. São mais 3 mil horários;

– a componente lectiva fica como está, ou seja, não aumenta o nosso tempo de aulas. Falava-se em 3 horas a mais na componente lectiva. Se fossem 3h por cada um dos 100 mil professores no sistema…

– a redução por idade na componente lectiva não sofre qualquer alteração.

– a componente individual fica claramente definida, algo até agora mutável ao sabor de cada Director.

– um professor só será enviado para horário zero se não tiver mesmo qualquer hora na sua escola.

Podia ser mais e melhor?

Claro. Poderia até haver um ponto sobre o aquecimento global e a caça às baleias, mas num país ditatorialmente gerido pela TROIKA, num país onde mais ninguém se levanta para dizer não, o que se conseguiu é, pelo menos, positivo. E, em termos de emprego docente, é brutal!

E, mais uma vez, os Professores foram exemplares na forma como lutaram!

A Acta dos Professores (ii): balanço

A ata negocial entre a FENPROF e o MEC não pode ser vista como uma vitória ou como uma derrota dos Professores, sendo que, pelo que escrevi antes, poderemos dizer que ela responde, em larga medida, às nossas exigências: mobilidade, componente não lectiva e direcção de turma.

Mas, esta leitura simplista exige um comentário mais detalhado, talvez um pouco chinês para quem não é prof, mas às vezes até o Aventar tem que dar um pouquinho de atenção aos stores: [Read more…]

A Acta dos Professores (i)

No sábado escrevi sobre a Greve às avaliações:

E as exigências são simples:

– a mobilidade especial (requalificação ou despedimento) não pode ser regulamentada;

– o aumento do horário de trabalho, a acontecer, deverá ser exclusivamente na componente individual (“trabalho de casa”);

– a direcção de turma tem que continuar a ser considerado serviço lectivo.

Mário Nogueira, em nome da FENPROF, assinou uma acta que resulta do processo negocial com o MEC. Nessa acta:

– a mobilidade é atirada para 2015,

– o aumento do horário de trabalho é colocado apenas na componente não lectiva individual, isto é, conta apenas para o trabalho de casa dos professores,

– a direcção de turma continua a ser serviço lectivo.

Creio que não haverá muito mais para comentar?
Ou há?
Se conseguisse acertar assim nos números do euromilhões!

Greve às avaliações suspensa

por isto! (pdf)

Ouvi dizer

Que a coisa continua amanhã porque não havia dinheiro para pizzas.

O MEC quer manter a Mobilidade Especial ou requalificação, mais conhecida por despedimento – parece que será só para entrar em 2015, mas é a maior das divergências neste momento.

O horário de trabalho aumenta para 40h, mas as cinco a mais entrariam totalmente na componente não lectiva individual. Por outro lado o MEC mostrou abertura para regular o que é ou não componente lectiva.

Dito isto, será de realçar a ENORME GREVE que temos vindo a fazer – mais de duas semanas depois dos fim das aulas e as reuniões continuam a zero – e ter bem presente uma certeza: foi a GREVE que trouxe o MEC à negociação.

Da nossa parte, só podemos continuar a fazer uma coisa: GREVE TOTAL às reuniões de avaliação. A começar já esta terça-feira!

Negociações com o Ministério da Educação

Enquanto decorrem as negociações entre o Ministério da Educação e os Sindicatos, há algumas preocupações nas redes sociais.

Anda a circular a notícia de que os professores do quadro que venham a ser sujeitos à mobilidade especial não possam ser colocados a mais de 60 quilómetros da sua escola. Há quem pergunte por que razão os professores de quadro de zona pedagógica e os professores contratados não estão abrangidos pela mesma regra.

O alargamento do horário semanal de trabalho para 40 horas será considerado inaceitável, a não ser que recaia exclusivamente sobre o tempo individual de trabalho.

Para além disso, a promessa de que o referido alargamento não incidirá sobre a componente lectiva dos professores já está posta em causa a partir do momento em que o tempo reservado para a direcção de turma deixe de estar integrada nessa componente.

Uma outra preocupação mais ou menos silenciosa reside, no entanto, no facto de estarmos a lidar com um governo que está sempre disposto a cometer ilegalidades e a quebrar promessas.

Greve: é para continuar

Ou seja, nada de reuniões, nada de notas, nada de avaliações… E o CAOS no país cada vez mais perto.

Crato obnubilado pela coisa turva

«Nunca deixei de me espantar com a desfilada insana de certos homens para o abismo da sua perdição moral e intelectual» diz Baptista Bastos numa sua crónica recente, atento ao gato escondido com o rabo de fora que constitui efectivamente esta guerra do ministro da Educação Nuno Crato aos professores e à Escola. Mas a desinformação prossegue, e esta manhã no Fórum da TSF debatia-se acaloradamente a questão dos direitos dos alunos, falava-se do respeito que merecem, das suas expectativas e do seu futuro, como se a greve às avaliações fosse na génese e no seu fim um ataque aos alunos, que assim vêem as suas férias estragadas coitados, e o seu futuro ameaçado – e a palavra futuro é aquela bandeira desarmante para os incautos sempre confiantes nele, como se não dependesse da sua acção presente, os incautos e adormecidos à sombra do destino sempre prontos para defendê-lo na sua abstracção bestial, enquanto outros o enformam numa coisa esquisita onde o Estado não tem responsabilidades sociais, o futuro tornado algo cujos desfechos dependeriam essencialmente do Altíssimo, pois tratando-se de governação, e da governação dos homens, Ele, que os criou, é que sabe e é capaz de tomar as melhores decisões.

E pronto, estamos nisto – no debate ao lado, enquanto Nuno Crato prossegue a sua caminhada, de bandeira na mão e de peito aberto às balas, como um verdadeiro revolucionário, empenhado em defender o que ainda quero acreditar ser algo que não compreendeu inteiramente, obnubilado que parece estar pela coisa sempre turva do exercício do poder, esse corruptor de homens vacilantes, como parece ser Crato. Ou, como diz Baptista Bastos, «a vontade de ser ministro de um desprezível Governo como este parece tê-lo obnubilado.»

Declaração de derrota

Apreciem a mímica das duas personagens que compõem o cenário. Em Portugal para se chegar a ajudante de ministro basta uma vida sexual passiva nos meandros do poder.

Quanto à argumentação de Nuno Crato, no seu tempo, tinha-lhe garantido uma viagem a Tirana. Sim, a capital da sua Albânia do coração. Os que se piram da esquerda para a direita cultivam, é curioso, os tiques da juventude.

A maior derrota laboral deste governo. Qualquer resto de dignidade que restasse a Nuno Crato e teria aproveitado para se demitir.

Hoje somos todos professores!

A radicalização das posições começa no Governo e na sua obediência ao programa de cortes a eito do FMI. E Nuno Crato, professor, prestou-se a esse lamentável papel de timoneiro da luta contra a Escola pública – pois é disso que esta greve trata. Marioneta, aparentemente incapaz de perceber o que verdadeiramente está em causa (Pacheco Pereira, historiador das resistências, explica com clareza o que se passa), Crato já perdeu: a greve dos professores (greve a todo o serviço, note-se) está a ser muito participada.

Inovação jurídico-política: o Estado de (en)Direito

 

Inovação jurídico-política: o Estado de (en)Direito.

via Inovação jurídico-política: o Estado de (en)Direito.

“Os professores estão muito divididos”

O título deste texto corresponde a uma afirmação de Nuno Crato, em mais uma tentativa de intoxicar a opinião pública e de semear a dúvida entre os professores.

A grande maioria das reuniões de avaliação marcadas para a semana passada não se realizou. A manifestação de ontem levou a Lisboa 80 000 professores, num universo de 100 000 profissionais.

A notícia de que os professores estão muito divididos é, portanto, manifestamente exagerada.

Nuno Crato utiliza tudo o que possa servir para demonizar os professores. Para isso, cultiva, com grande habilidade, as declarações e os silêncios.

Assim, não hesitou em afirmar que os professores transformaram os alunos em reféns e apelou a que não fizessem greve aos exames, depois de ter falhado a exigência dos serviços mínimos.

No que se refere aos silêncios, hoje, na SIC, recusou-se a dizer o que poderá acontecer aos alunos que possam ser impedidos de fazer exame, amanhã, em consequência da greve. Com esta atitude, tenta amedrontar os professores mais hesitantes, ao mesmo tempo que mantém os pais e os alunos sob tensão, lançando-os, mais uma vez, contra os professores. Bastaria que tivesse afirmado que os alunos que não fizerem exames não serão prejudicados, mas isso seria contrário ao maquiavelismo que norteia a sua actuação. [Read more…]

Nuno Crato, a dama de lata

nuno thatcher

Por entre a pura e madura mentira, a Nuno Crato coube a tarefa governativa de partir a espinha aos professores, o maior corpo profissional da função pública. A ideia é simples: derrotados estes não haverá mais resistência à minimalização do estado e  abertura do ensino, da saúde e não só às maravilhas do mercado e das negociatas à sombra do governos.

Chegamos a um ponto em que se estica a corda, cantando uma vitória de Pirro antecipada: com uns 5000 professores, de todos os graus de ensino, a maior parte dos exames vão-se realizar amanhã, desvalorizando uma greve que nesse caso chegaria aos 95% de adesão.

O problema desta gente é que toma os outros por parvos, ou seja, coloca-os ao seu nível. E como se pensa acima da lei (é significativo que vários comentadores tenham passado à descarada defesa da proibição das greves), imagina que tudo lhes é permitido. Chega a meter dó o esforço que se faz por encontrar “provas” de que esta greve prejudica os alunos, como se um exame adiado fosse um problema para quem arranja mais tempo para estudar. [Read more…]

A lindíssima voz de um professor

Crónica de uma greve lavrada em português suave – Manuel Fontão

GREVE GERAL de Todos os Professores

Maria de Lurdes foi um marco! Como ela nunca haverá…

Ups! Calma! Correcção, afinal há e para pior.

Então agora o tribunal diz que não há serviço mínimos e suas excelências mandam um mero serviço técnico assumir uma ordem política que o Ministro teve receio em assumir?

A ordem é simples: todos os professores de todos os sectores de ensino estão convocados para ir vigiar o exame do 12º de Português, isto é, os educadores de infância de um Agrupamento vão ser chamados para estar na escola Grande, ficando, por isso, os mais pequenos em casa.

Não se trata de qualquer tipo de limitação: não são serviços mínimos e não se trata de uma requisição. É apenas uma oportunidade, agora alargada a todos, de participar na GREVE

A convocatória do MEC é Geral, mas a que convocou a GREVE também é. Segunda-feira, sem medos e sem qualquer tipo de limitações formais, é a nossa vez de ir a EXAME!

Ou fazemos ou não fazemos. Mas, pelo que vou vendo, vamos mesmo fazer!

Quanto a Nuno Crato, percebo a vontade de ganhar na secretaria, mas a sua história está escrita e agora é de tombo em tombo até à queda final! E aposto que é antes das férias!

Greve as avaliações: mais esclarecimentos

Os professores estão a ser muito afirmativos na concretização da GREVE às avaliações – os números apontam para adesões muito próximas dos 100% e, obviamente, com esta realidade a confusão nas escolas está instalada.

Na próxima semana temos o exame de Português (6º e 9º) e as escolas não sabem quem são os alunos que podem ou não ir a exame, o que equivale a dizer que os alunos e as famílias também não. Apesar disso, continuo a ficar surpreendido com algumas Direcções que teimam em estar do lado errado da história. Será que o comportamento vergonhoso no tempo de Maria de Lurdes não foi suficiente?

Estou a falar de duas coisas: da remarcação das reuniões e do desconto no salário dos Professores que aderirem à GREVE. [Read more…]

Acordo Cacográfico da Língua Portuguesa de 1990

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Luís Nunes/Demoticon (http://bit.ly/1688Tde)

Acerca desta notícia, uma consideração intempestiva, cinco perguntas de algibeira e respectivas reacções irreflectidas (respostas), durante um curto intervalo para café.

Consideração:

Trata-se de inaceitável ingerência no processo de avaliação actualmente levado a cabo pelo Grupo de Trabalho — Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico, da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República. Para já, é tudo o que tenho a considerar. Se mais considerasse, correria o risco de pressionar os deputados e de perturbar indecentemente o processo de avaliação em curso. Em suma, de ter um comportamento semelhante ao do Governo português.

Pergunta:  É possível, em Declaração Conjunta de uma Cimeira Brasil-Portugal, que as grafias *Arquitetura (duas vezes, uma com ‘A’ inicial, outra com ‘a’ inicial), *Projeto [Read more…]

Se fazes GREVE

Aqui está o texto.

Passos faz de Nogueira

Eu pensei que já tinha visto tudo, mas afinal não!

Então agora o sr. Coelho é que marca as lutas sindicais?

O Sr. Coelho é que faz a gestão da agenda dos  Professores?

Valha-me Santo António. Esta gentinha perdeu completamente o tino!

Vamos lá ver se a gente esclarece de uma vez por todas o Sr. Coelho, o Sr. Portas, os seus boys e os imbecis que enchem as caixas de comentários de insultos:

– as Greves são marcadas pelas Direcções Sindicais, democraticamente eleitas pelos seus sócios. Se são no dia x ou no dia y, com ou sem exame, às avaliações ou às reuniões, são questões que só os Professores têm que avaliar.

Se defendem o direito à GREVE não podem e não devem questionar qualquer tipo de condição.

Se entendem que a GREVE deve ser limitada, então assumam essa postura ditatorial. Com Salazar não havia GREVES – se voltaram os exames da 4ª classe e a fome, talvez …

Ao governo compete negociar para levar à suspensão da GREVE ou, caso seja incompetente como no caso em apreço, gerir os danos.

E, para quem tinha dúvidas sobre a mobilização dos Professores, aqui ficam os resultados!

 

Cavaco Silva critica Nuno Crato

Cavaco Silva afirmou, hoje, que “estudantes não podem ser meios para atingir fins”. Embora pertença a outro quadrante político, não posso concordar mais com o Presidente da República.

Nuno Crato quer baixar os salários dos professores, despedir professores e entregar a Educação a privados que poderão contar com uma classe docente tão precária que estará disposta a fazer tudo o que lhe mandarem, com medo de perder o emprego.

Para isso, Nuno Crato tem usado os alunos, pondo de parte qualquer preocupação com a qualidade das suas aprendizagens: continuou a criação de mega-agrupamentos que desumanizam as escolas, impedindo que os profissionais de Educação possam estar o mais próximos possível dos alunos; aumentou o número de alunos por turma, o que impede os professores de dar o melhor acompanhamento possível aos que têm mais dificuldades; impôs alterações curriculares que empobrecem as aprendizagens dos alunos; prepara-se para aumentar a carga horária dos professores, retirando-lhes o tempo necessário para a preparação de aulas e para a formação individual.

Em resumo, Nuno Crato amontoa alunos para dispensar professores. A crítica de Cavaco a quem usa os estudantes como meios para atingir fins revela-se, portanto, justíssima.

Crato: tens um dia!

A GREVE dos Professores começa amanhã!

greves

Nuno Crato tem uma oportunidade, quem sabe a última de se aguentar com a cabeça de fora.

Na imagem que acompanha o post e que pedi emprestada ao Público podemos verificar a sequência do protesto docente:

– de 7 a 14 GREVE ao serviço de avaliações;

– dia 15: manifestação em Lisboa;

– dia 17: Greve de TODOS os professores (a todo o tipo de serviço).

Para além da habitual falta de chá dos Governantes – é uma imbecilidade que os Sindicatos conheçam um documento tão importante como o da Organização do ano lectivo através da Comunicação Social – fica patente uma completa incapacidade de gerir uma negociação. Focar o problema nos exames e dizer que a classe está a fazer mal aos alunos só ajuda à mobilização. [Read more…]

A excitação de Nuno Crato

NunoCratoSer entrevistado por um jornal estrangeiro de fora liberta o que há de mais profundo num governante. Foi o que sucedeu com Nuno Crato perante a jornalista Nathália Butti, da brasileiraVeja: foi um desfiar de fetiches a caminho da privatização do ensino, o que passa pela contratação de professores a cargo do gestor da escola, a cunha, o chicote, a perseguição política, o fim da escola pública como a conhecemos desde 1974 (antes já se saneavam os ideologicamente indesejáveis ou moralmente suspeitos, por exemplo). Pelo meio o mais miserável discurso anti-eduquês, capaz de nos deixar com saudades da Ana Benavente.

Muito aborrecido em vésperas de uma greve docente foi a entrevista ter chegado cá, primeiro elogiada no Blasfémias, olha quem, e ontem sintetizada nos jornais.

Correndo atrás do prejuízo sabemos agora que “o ministro foi mal interpretado“, são planos para 10 anos (eles vieram para ficar, só falta um Gomes da Costa).

Lost in translation, certamente. Para a próxima Nuno Crato não prescindirá dos serviços de um intérprete de confiança.