Uma boa medida para os pensionistas… e para a indústria

Já as ouço ao fundo, as vozes maledicentes. Que esta medida é mais uma ideia avulsa, desenquadrada de propostas de fundo e sem articulação com soluções de apoio social. O certo é que está aí.

“Os reformados com pensões inferiores ao ordenado mínimo vão ter genéricos comparticipados a 100%”, diz o Diário de Notícias. A medida foi aprovada ontem e é anunciada hoje.

Outros podem dizer que é mais uma ajuda às empresas farmacêuticas produtoras de genéricos. Outros que é uma forma de meter a colher no recente conflito entre a Associação Nacional de Farmácias e a Ordem dos Médicos, procurando agradar a todos.

Seja como for, os pensionistas hoje têm um motivo para sorrir.

DESEMPREGO

Não param de subir o números de desempregados em Portugal. Por certo que o mesmo acontece em todo o mundo por causa da crise global
Em Portugal, que é o que nos interessa, só no último ano, subiu quase 24%. Números assustadores
O governo não parece ter resposta para esta crise, e a oposição diz que tem, mas como estamos em ano de eleições, deve ser só para votante votar. As previsões para este ano, são catastróficas, embora o nosso Primeiro entenda que estamos no bom caminho. Como se dizia há anos, Portugal estava à beira do abismo, agora, com este governo, deu um passo em frente.

O braço da lei não chega ao Braço de Prata?

Espaço frequentado por uma certa Esquerda da capital, o «Braço de Prata» é mais do que uma simples livraria. Aliás, o projecto Braço de Prata funciona com contornos algo estranhos.
Por que será que o braço da lei não chega ao Braço de Prata?
Em breve voltarei ao assunto.

O tamanho conta

Muitos têm advogado que o Estado deve ser reduzido. Então e o resto? Os problemas económicos e sociais resultantes para todas as pessoas não se resumem ao facto de existirem aglomerados, associações ou empresas totalmente psicóticas apenas motivadas pelo lucro cego. O problema é o seu tamanho. Mais particularmente é serem demasiado grandes. Gigantes. Na minha humilde opinião, seja que entidade for, deveria ser limitada em tamanho. E isso seria muito fácil de controlar, se se quisesse. Através do número de empregados. Perder-se-iam empregos? Não faço a mínima ideia. Eu consigo conceber 10 empresas de 10.000 empregados, assim como consigo conceber 1 empresa de 100.000 empregados. Aparentemente, e com as empresas gigantes presentes, o desemprego é uma realidade. Portanto, seja como for, não limitando o tamanho das empresas, aparentemente também não ajuda em nada. Fica na mesma a sugestão.
Basta consultar o número de empregados de algumas empresas. É monstruoso. É óbvio que estas entidades têm um imenso poder de influência. Podem influenciar-nos com marketing e publicidade. Podem até influenciar governos. Podem influenciar o que bem quiserem. Se eu for dono de um restaurante com 15 empregados, continuo a minha vidinha económica e tenho poder de influência sobre (com sorte) as mulheres da limpeza. Por outro lado, se eu for dono de uma rede de restaurantes com 15.000 empregados, o meu grau de influência aumenta proporcionalmente. Por uma questão lógica, deveriam ser limitadas por lei, e assim limitar e/ou retirar poder de influência (e poder corruptivo) aos seus donos. Afinal, em que é que o tamanho gigante destas entidades beneficia os consumidores finais? Quem lucra mais com isto, os consumidores finais, os empregados, ou os donos das acções? E a influência não é uma forma de corrupção? Não é a corrupção o alvo a abater?
Por exemplo, a Coca-Cola. Não tenho nada contra a Coca-Cola. É meramente um exemplo e é óptimo para tirar a ferrugem. Mas já agora: a fórmula secreta. (É que eu detesto estas empresas que apregoam fórmulas secretas para produtos que vendem. Não é um contra-censo absurdo, vender uma coisa, e não dizer de que é feita!? E detesto ainda mais anúncios com bebés e velhinhos felizes) Voltando ao tamanho. 32 biliões de dólares em receitas? 100.000 empregados, não contando obviamente com todos os empregados noutras empresas que trabalham com “Coca-cola”, que facilmente triplicará este número?
Na Coca-Cola têm tantos problemas com “mitos urbanos”, reclamações e afins que até têm um site próprio para desmascarar e negar este tipo de situações. Contra “factos” não há argumentos. Principalmente factos, no valor de 32 biliões de dólares.
E não é só o cidadão comum que tem dúvidas ou reclamações perante estes gigantes. Até presidentes de países se “metem ao barulho”. Mas parece que só levam porrada.
Não são só assuntos menores de coisas estranhas que aparecem miraculosamente em latas. São questões sociais graves. Se são questões verdadeiras ou apenas, como se costuma dizer, “dor de cotovelo” e aproveitamento, não faço a mínima ideia. E eu até tenho uma boa imagem da Coca-Cola. Tenho ideia de ser uma “empresa pacífica”. E lá bebo uma Coca-Cola de vez em quando. Aparentemente, parece-me que não o é para muita gente.
Não quer isto dizer que todas as empresas cresçam para um nível paranóico de descontrolo em busca de capital. Mas a realidade mostra, que quanto maior é uma empresa ou entidade, maior é o número de reclamações, problemas e estranhezas em que estão envolvidos. Será coincidência?
Por outro lado, não me lembro sequer de ouvir falar em problemas com a Pasta Couto, por exemplo. Por outro lado, lembro-me de situações desagradáveis envolvendo a EDP. Por outro lado também não me lembro de problemas com o Atum Ramirez. Por outro lado, a Galp tem um rol de problemas e reclamações associado que precisava de um site próprio para isso. A lista é interminável.
O problema é o tamanho! Estas empresas, estas “pessoas colectivas”, são gigantes no meio de nós. Não me lembro na História (Literária, pelo menos), de existirem gigantes ágeis e belos e bondosos. Os gigantes são quase sempre representações de seres enormes, disformes, rudes, brutos, autoritários, solitários, desajeitados, pouco inteligentes, e mesmo os poucos gigantes bons, causam danos involuntariamente. Os gigantes são aqueles que aparecem para destruir tudo e dar cabo da vida a toda a gente. O gigantismo humano é uma doença, é uma disfunção hormonal grave. Porque haveria de ser diferente numa empresa, numa “pessoa colectiva”? Mesmo o bom gigante acaba sempre por ser meio “lerdo”. Mesmo o bom gigante acaba por “esmagar” alguém sem querer. Estas empresas gigantes são elefantes a assistirem a um circo de pulgas. Eu sinto-me uma pulga perto destes gigantes. E eu (ainda) nem tenho nenhum problemas com eles.
Para terminar uma declaração do senhor dono da Coca-Cola para continuarem a acreditar nos bons resultados e que novos (bons) tempos virão. Pode ser que alguns governantes comecem a copiar o discurso. Brindemos a isso com Coca-Cola. E, já agora, um Happy Meal, por favor!

“Letter from Our President and Chief Executive Officer
Dear Fellow Shareowner:
In a year in which the world confronted extraordinary economic challenges, The Coca-Cola Company performed with great resolve, supported by proven strategies and strong execution across our business. The true power and resilience of our business was reflected in our ability to meet or exceed our long-term growth targets for the third year in a row and add a billion incremental unit cases in volume—the equivalent to adding a market the size of Japan.
While no one can truly predict how long this financial upheaval will last, we believe that our business will continue to thrive for two reasons:
– First, we are confident that we are confronting the challenges of our current reality head-on, with strategies born of experience in similarly trying times and facilitated by an ability to adapt and adjust in a focused and nimble fashion.
– Second, we know that our fundamental financial and operational model, and the wider nonalcoholic ready-to-drink beverage industry, are largely resilient to times of great stress. Furthermore, we have a long history of emerging from economic downturns as a stronger Company.”

Estamos de vermelho… porque é Abril!


A partir de hoje e até ao 1 de Maio, o Aventar está de vermelho. Porque é Abril.
É a nossa homenagem a todos os capitães e a todos os outros que fizeram o dia do nosso contentamento. O dia mais belo da história de Portugal.

A crise é só para alguns!

Da nossa comentadora Maria Monteiro, com a devida vénia:

E assim vai a crise! Mais um ensaio sobre a riqueza de alguns ….

Vaticano quer construir a maior central solar da Europa

O Estado da Cidade do Vaticano quer construir a maior central solar da Europa, que ficará localizada nos arredores de Santa Maria di Galeria, onde se situam as torres e antenas de transmissão da Rádio Vaticano.
O presidente da Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano, Cardeal Giovanni Lajolo, afirmou à Rádio Vaticano que chegou o momento de agir, porque “se tem de aproveitar a crise para tentar desenvolver essa fonte de energia renovável que, a longo prazo, trará recompensas incomparáveis”.
Muitos países europeus descartam a possibilidade de investir em energia solar, argumentando que a crise não permitiria arcar com o seu custo. O orçamento inicial da obra é de 500 milhões de euros.
Foi explicado que, uma vez completada, a central geraria 100 megawats e poderia fornecer electricidade a 40 mil lares, pelo que o Vaticano poderia exportar energia.
Em 2008, a implantação de painéis solares sobre a sala Paulo VI permitiu ao Estado do Vaticano obter de forma limpa uma percentagem considerável da energia gasta – num gesto classificado pela Santa Sé como um sinal concreto do seu “compromisso ecológico”.
Outro sinal é o facto de o próprio Estado da Cidade do Vaticano ter sido o primeiro a chegar ao objectivo de “emissões zero” de carbono, com a criação, em 2007, de uma zona florestal em território húngaro.

Em tempo de crise eu imaginava mais um agir cristão onde o Vaticano mudasse o seu estilo de vida para valores menos solares …. para isso seria mesmo pedir um milagre

Sócrates e a perseguição aos jornalistas

Não concordo com as opiniões do José Freitas, do Luís Rainha ou do Daniel Oliveira.
Não acho nada que seja a mesma coisa. Definitivamente, pôr em causa a isenção e a honestidade de uma pessoa não é igual a dar uma notícia acerca do curso das investigações. Chamar travesti a um jornalista não é igual a filmar a sede da Polícia em Londres, como fez o camera men da TVI agora processado pelo primeiro-ministro. Não. Não é a mesma coisa.
Estou à vontade para dar esta opinião, porque nem sequer concordo com os processos judiciais ao primeiro-ministro. A TVI está a dar-lhe demasiada importância. Vitimizar-se é o que ele quer.
Para José Sócrates, a direcção que a imprensa deve seguir está perfeitamente indentificada. Chama-se João Marcelino e o «Diário de Notícias». Só faltou falar dos (da) jornalistas que lá trabalham.
Ao ponto a que chega a desfaçatez! Admira-me que não se tenha lembrado também do «Jornal de Notícias» e dessoutro paladino da verdade que se chama José Leite Pereira.

Vasco Lourenço – Do Interior da Revolução (O Golpe Militar)*

As instalações para a reunião foram obtidas pelo capitão Bismarck, que por sua vez recorreu a um amigo que fizera a guerra com ele como oficial miliciano. O amigo cedeu-lhe a vivenda e mais, esteve à entrada da mesma, com a mulher e os quatro filhos (crianças) para despistar, para dar a entender a quem visse aquele movimento de tantas pessoas, que se tratava de uma reunião familiar. Ora acontece que, sem o dono saber, a sua irmã tinha utilizado essa vivenda para aí esconder material explosivo da LUAR. Mas o mais dramático é que, na sequência da prisão do Palma Inácio, em 22 de Novembro, dois dias antes, haviam sido feitas outras prisões de elementos da LUAR, entre os quais a irmã do nosso anfitrião. Que, nesse dia 24, ao mesmo tempo que se realizava a nossa reunião, estava a ser interrogada e torturada pela PIDE/DGS que pretendia saber onde ela guardara o tal material explosivo. A senhora portou-se muito bem, não lhes deu qualquer informação, e foi essa a nossa sorte. Está a ver o que teria acontecido se ela falasse e lhes indicasse a vivenda, e eles lá fossem, provavelmente desprevenidos, e dessem com cerca de quarenta oficiais, a maioria deles armados!
Ainda me lembro que, quando estávamos a estacionar os carros, nas proximidades da vivenda, o capitão Francisco me chamou, abriu o porta-bagagens e disse-me: “Oh Vasco, isto hoje vai à bazucada! Se eles aparecerem, levam com isto!” E apontava para duas bazucas e algumas granadas! Eu reagi de imediato: “Estás louco? Isto hoje vai à bazucada?!”
Está a ver o ambiente previamente vivido. Agora, com a enorme animação, mesmo exaltação, que se viveu durante a reunião, teria sido lindo, se os pides aparecessem…! Desconfio que não saía de lá nenhum ileso. Com as inevitáveis consequências que isso provocaria…
É extraordinário o que me conta! Porque revela os vários caminhos e as várias frentes de luta que conduziram ao 25 de Abril, assim como o contributo de muitas pessoas, tantas anónimas, para esse objectivo. Mas revela também a importância do factor sorte nos encontros, mas também nos desencontros, como foi o caso…
Aliás, essa vivenda tem uma história. Já em 1969 alguns oficiais da Armada, que se vieram a integrar no Movimento, através do Pereira de Bastos, familiar dos proprietários, a tinham utilizado para lá passarem o filme Couraçado Potemkin, proibido pela censura…
Vamos então à reunião…
Vem a ser uma reunião bastante importante, onde é feito o ponto de situação, relatada a evolução do Movimento até ali, a cisão que tinha havido, e é dito que aquela Comissão Coordenadora provisória, que tinha saído de Alcáçovas, estava dissolvida. Nós considerávamos que tinha terminado as suas funções e, portanto, era necessário escolher uma nova Comissão Coordenadora. Bem, e então decidimos que seria necessário convocar uma grande reunião onde estivessem praticamente presentes delegados de todas as unidades do país.
Mas é também muito importante por uma outra razão: é onde surge o tenente-coronel Luís Ataíde Banazol. Aparece, de forma bastante radical, mesmo brusca, a pôr a questão nestes termos: “Vocês andam para aqui a perder tempo com papéis, assinaturas para aqui, abaixo-assinados para acolá. Isto não vai lá com papéis, não vai lá com assinaturas. Isto só vai com um golpe militar. Há que fazer rapidamente um golpe militar. Bem, e eu quero dizer-vos que estou mobilizado, estou a formar batalhão em Évora. Vim aqui com o meu segundo comandante. Se não houver outra maneira, nós pegamos no batalhão, tomamos conta de Évora e avançamos sobre Lisboa e, como isto está tão podre, vai cair, porque todas as outras unidades vão aderir. Isto está podre, o Governo vai cair. Nós vimos direitos a Lisboa e vamos difundindo uma espécie de comunicado, um panfleto sobre a situação e sobre o que é necessário fazer.”
Uma acção com algumas semelhanças com o falhado golpe de Beja
em 1961…
Bem, como calcula, aquilo caiu que nem uma bomba. Autenticamente que nem uma bomba. Um burburinho dos diabos, uma grande confusão. Como moderador da reunião, tento serenar os ânimos, e decreto um intervalo, onde poderíamos acalmar, discutir, desanuviar…
Recordo que dou comigo a desabafar para o Luís Macedo: “Eh pá, isto de facto é espantoso. Ando eu aqui há não sei quanto tempo a falar na hipótese de fazer um golpe militar e ninguém me dá ouvidos. Porquê?
Porque sou capitão, igual aos outros. Chega aqui um tenente-coronel que ninguém conhece de lado nenhum” – apenas era conhecido de dois ou três que o tinham lá levado, nomeadamente, o Piteira Santos que era um capitão que estava em Évora – “chega aqui um tenente-coronel, atira com a hipótese de um golpe militar e toda a malta desata a bater palmas, só porque é tenente-coronel.”
Mas então, como é que controlaram a situação?
A verdade é que o Banazol abusou, digamos assim, dos galões de tenente-coronel para chegar a uma reunião de capitães e de majores e atirar uma bomba para cima da mesa. E, de facto, aquilo agitou e a maior parte da malta começou a pensar em termos de golpe militar em vez de andar às voltas com os documentos.
Bem, e desde logo ali foi decidido marcar uma reunião para oito dias depois, onde deviam estar delegados de todas as unidades do Movimento. Esses delegados, além de levarem a indicação de quantos elementos representavam, deviam responder a quatro questões:
Primeira – Qual das três hipóteses de acção apoiavam?
a) “Conquista do poder para, através de uma junta militar, criar no país as condições que possibilitem uma verdadeira expressão nacional”, tenho aqui entre aspas “Democratização”.
b) “Dar oportunidade ao Governo de se legitimar perante a Nação através de eleições livres, devidamente fiscalizadas pelo Exército.”
(Sabíamos bem que livres, livres, só se nós as fiscalizássemos.) “Precedidas
de um referendo sobre a política ultramarina.”
c) “Utilização das reivindicações exclusivamente militares como forma de alcançar o prestígio do Exército e de pressão sobre o Governo.”
Segunda – “Devemos circunscrever o problema só ao Exército ou devemos alargá-lo a todas as Forças Armadas?”
Terceira – “Como deve ser constituída a Comissão Coordenadora?
Por quem e quais as suas funções?”
Quarta – “Para a solução escolhida, acha que se deve contactar algum chefe? Em caso afirmativo, quem?”
Para além da informação sobre o Movimento, foi esta a agenda definida e para que pedimos respostas. É evidente que isto mostrava já um avanço qualitativo extraordinariamente grande. Foi bastante importante, de facto, a presença do Banazol para agitar as massas e para levar, desde logo, a uma aceitação do golpe militar como hipótese e que nós difundimos depois por todas as unidades. “Tragam-nos respostas a isto para Óbidos.” Organizámos, então, a reunião de Óbidos que, juntamente com mais meia dúzia foi das mais importantes.
Já agora, quais foram as outras mais importantes?
Se quisesse definir uma classificação de importância das reuniões, englobaria nas mais importantes: Alcáçovas, em 9 de Setembro de 1973; a tetrapartida na zona de Lisboa, em 6 de Outubro de 1973;  São Pedro do Estoril, em 24 de Novembro de 1973; Óbidos, em l de Dezembro de 1973; Caparica, em 5 de Dezembro de 1974; Cascais, em 5 de Março de 1974.  São talvez estas as fundamentais, a que acrescentaria, aliás, a realizada em casa do coronel Marcelino Marques em Lisboa, a 5 de Fevereiro de 1974, e a realizada em casa do capitão Candeias Valente, em Lisboa, a 24 de Março de 1974. Mas nesta, já não estive, porque tinha sido chutado para os Açores.

* PRÉ-PUBLICAÇÃO

Campanha negra.Origem FMI !

Mais uma campanha negra. O FMI vem dizer que o crescimento prevísivel do PIB é -4,1 (é verdade, onde chega o desplante, negativo!) contra os extraordinários 0,8 (sim, sim, positivos) propostos pelo governo no orçamento e em que ninguém acreditava, numa outra campanha negra sem rosto. Não contente com tal despautério o FMI (puf, onde está a credibilidade?) afirma que o desemprego vai chegar aos 9.6% e que este número vai perdurar até 2010, contra os muito mais sensatos 8.1% propostos no orçamento. Mas afinal as medidas não estão a chegar às empresas e às famílias? Quem dizia (outra campanha negra) que os bancos iam em primeiro lugar lamber as feridas e depois apertar ainda mais o crédito, anda para aí a mexer os cordelinhos? E o emprego que está, em 70%, confinado às PMEs, não recebe apoios ? Afinal as obras de proximidade é que dão emprego? As grandes obras não contam? E o déficit volta a 6.8? E a dívida externa sobe para quanto? Estes senhores há 6 meses andavam a dizer-nos que não havia crise e a haver nós estávamos muito bem preparados para a enfrentar! Não se arranja para aí um milagre ?

Jaime Neves

Brilhante, é a palavra certa para definir o artigo de opinião de Freitas do Amaral hoje, na Visão (pág. 28):
“(Jaime Neves) cumpriu o seu dever. E não exigiu recompensa. Ninguém o ouviu em 1975-76 fazer declarações políticas ou de bravata pessoal. Não deu entrevistas (que me lembre), nem escreveu livros tardios a rebaixar ou a atacar camaradas de armas. Guardou silêncio durante 33 anos. Não se lhe ouviu uma gabarolice, nem uma crítica, nem um queixume (…)É fácil imaginar, por algumas reacções infelizes de agora, os obstáculos que então se terão levantado. Já desde Camões sabemos como a inveja é uma infeliz característica dos portugueses (…) foi feita justiça” (igualmente AQUI)

Senhora Ministra: Não entreguei os meus Objectivos Individuais

Senhora Ministra,

Com todo o respeito, venho por este meio comunicar-lhe que não entreguei os meus Objectivos Individuais. Não entreguei nem vou entregar, como é lógico.
E agora? Ouvi o Secretário de Estado de V. Ex.ª dizer que ia haver consequências para quem não entregasse.
No que me diz respeito, estou à espera. Mas por via das dúvidas, para não ficar cansado, sentei-me.
Aguardo uma resposta. É que estou mesmo muito preocupado com o meu futuro profissional.

P. S. – Já agora, Senhora Ministra, o que vai acontecer aos outros 60 mil colegas meus que também não entregaram os Objectivos Individuais?

Um processo para mim, um processo para ti


O processo judicial anunciado por José Eduardo Moniz a José Sócrates é tão desprovido de sensatez como as queixas apresentadas pelo primeiro-ministro a jornalistas por apenas expressarem opiniões.

O chefe do Governo disse que o telejornal da TVI, de sexta-feira, é um espaço “travestido e de ataque pessoal”. É uma opinião. Haverá quem concorde, haverá quem discorde. Daniel Oliveira, no Arrastão, prefere recuperar um ditado antigo para classificar esta permuta de papelada.

Sempre achei estranhas as opções editoriais da TVI para o seu principal espaço informativo diário, embora não seja cliente regular. Na maior parte dos dias, por entre as várias notícias de faca e alguidar, a informação política e os casos relacionados com o primeiro-ministro são tratados de uma forma diversa daquela que ocorre na sexta-feira. Mas é apenas a minha opinião.

José Eduardo Moniz disse ter ouvido com “surpresa” as declarações de Sócrates. Deve ter sido uma “surpresa”, vá lá, moderada. Não gostou, referiu, acima de tudo pelo “tom impróprio”. Devia estar preparado. Aliás, tenho a certeza que estava. Não é à toa, sem estratégia, que se toma o chefe do Governo por alvo. Convenhamos que o DVD não surgiu apenas há uma semana na caixa de correio da TVI. Convenhamos que as informações que o canal tem difundido sobre o caso Freeport não apareceram no twitter dos jornalistas, nem lhes devem ter sido oferecidas numa embalagem com um lacinho.

Daí que a “surpresa” de Moniz soa a falso. E o processo, também.

IMAGENS DA MINHA TERRA

A PRETO E BRANCO

A PRETO E BRANCO

AH, AH, AH,AH

AFINAL OS CULPADOS SÃO OUTROS POR CERTO

A pequena montanha pariu um ratito dos muito pequenos. Tudo em escala reduzida!
Nada entendo da “fazedura” dos preços dos combustíveis que diariamente utilizo. Sou, como a maioria do povo Português, um ignorante neste assunto. Quanto à subida e descida do preço cobrado ao consumidor, entendo tanto como de lagares de azeite. Mas de uma coisa, eu e todo o povo do País, entendemos, porque o vivemos no dia-a-dia. Entendemos que alguma coisa deve estar mal, para que quando o preço do petróleo sobe, o preço da gasolina e do gasóleo sobem quase de imediato, e quando o petróleo desce, o preço dos combustíveis demoram muito tempo a descer. E há outra coisa que nós sabemos, é que havendo três ou quatro “marcas” de combustíveis, será muito difícil que os preços sejam exactamente iguais em qualquer uma delas, e que a partir de uma certa data, à cerca de nove meses, e por força dos protestos das pessoas e dos meios de comunicação social, esses preços começassem a variar nas milésimas, para parecer não haver concertação.
Há outra coisa ainda que eu sei, eu e todos os Portugueses, é que para se chegar à conclusão de que não há concertação de preços em Portugal,quando toda a gente vê que só pode haver, não seriam por certo necessários nove meses de estudos.
Não sei quem paga os salários aos senhores da Autoridade da concorrência, por certo somos nós todos, incluindo as horas extraordinárias do enorme trabalho que que esta Autoridade produziu, mas, dados os resultados que se encontram à vista de toda a gente, até parece que mais alguém pagou, e não terá sido pouco, para obter o relatório agora apresentado. Eu sei que não pode ter sido assim, só as conspurcadas más línguas de alguns o poderiam insinuar, todos os elementos, em especial os que mandam mais, são de uma honestidade a toda a prova, mas lá que parece que alguém, ou muita gente, enriqueceu ilicitamente, parece!
O melhor seria explicarem ao pormenor, porque é que entendem que não há cartel na fixação de preços, e a maneira exacta, em termos que eu um burro pouco inteligente perceba, das contas a fazer para que se possa subir e descer os preços da gasolina e do gasóleo.

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Gordos de todo o mundo, uni-vos

(Porque hoje é o Dia da Terra)

Juro que não sei como reagir. Não sei se devo apenas ficar triste, se me indignar, mostrar-me resignado, encolher os ombros num “que se lixe” muito português ou apenas suspirar de forma leve e seguir em frente como se nada fosse.

Há anos – muitos anos – que advogo um consumo cuidadoso da água, faço a separação do lixo e envio o papel para a reciclagem (às custas disso tenho o escritório em pantanas). Apesar disso, agora acusam-me de poluir mais do que devia. Não basta ter peso a mais, problemas em encontrar roupa à maneira e olharem-me de lado, supostamente implico maiores custos para o depauperado serviço nacional de saúde, como arrisco ser apelidado de poluidor e de contribuir mais que os anorécticos para o aquecimento global. A mim, sempre preocupado com o ambiente.

Uns senhores cientistas da London School of Hygiene and Tropical Medicine, certamente com pouco que fazer, estudaram a questão e concluíram que nós, os largos, deixamos uma pegada carbónica maior que os magricelas. Por duas razões principais: ingerimos mais paparoca, em teoria, e implicamos maior dispêndio de energia nos transportes.

Como os anafados comem mais, isso implica maior necessidade de produção de alimentos, dizem os senhores cientistas. Pois fiquem sabendo que conheço muitos magrotes que comem que nem uns alarves e nada de adiposidades. Por outro lado, tenho de me resignar ao argumento de que os pesaditos implicam maiores gastos de combustível para serem transportados. Mas, que diabo, não há-de ser assim nada de especial.

O problema, referem os especialistas, é que o número de obesos está a aumentar em todo o mundo. Sobretudo na China.

Pois, da minha parte, fiquem sabendo que farei quase tudo em prol de um mundo melhor (anda aí muito parvalhão que nem sequer pensa nisso) mas nunca irei ficar magrinho. Está na minha natureza. Gosto de comer e pronto. “É o que a gente leva desta vida”, comentam. Digo que sim. Às vezes reforço com um “nem mais” e sigo o meu caminho. Como diz o provérbio: “a magro não chego e de gordo não passo”.

Banda Zé Ninguém – Corrupção

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Corrupção
Corrupção em Portugal
Não vai nada nada mal
Este país é a loucura
Está pior que uma ditadura

O governo é uma piada
Nem o circo tem tanta palhaçada
Este país à beira mar
Vamos todos afundar

Por isso eu digo não
Por isso eu digo não
À corrupção
À corrupção

E depois, quem vai pagar!
Andamos todos a brincar!
Nem o gato nem o cão!
Eu aposto um milhão

Autarquia fraudulentas
Presidentas pestilentas
Sabem de quem estou a falar
Ou é preciso explicar?

Senhoras e senhores:
Bem vindos a Portugal!
O País mais corrupto da Europa!
Mais corrupto da Europa!
Não tenha medo, aqui ninguém vai preso!
Ninguém vai preso!
Mais corrupto da Europa!
Mais corrupto da Europa!

Este país é uma demência
É uma grande decadência
Autarquia fraudulentas
Presidentas pestilentas

E depois, quem vai pagar!
Andamos todos a brincar!
Nem o gato nem o cão!
Eu aposto um milhão

Por isso eu digo não
Por isso eu digo não
À corrupção
À corrupção
Não é o «Sem Eira nem Beira», dos Xutos, nem é dedicado ao Senhor Engenheiro.
Mas vai dar ao mesmo, não vai?

Memórias da Revolução: 22 de Abril de 1974

Ontem, o «Jornal de Notícias» noticiava um pavoroso incêndio na Reitoria da Universidade do Porto. «Um pesadelo enquanto a cidade dormia». Do Salão Nobre e do Arquivo Geral, só restam cinzas. Da primeira página, pouco mais há a reter, a não ser uma pequena referência ao almoço em Belém dos membros do Governo com o chefe de Estado.
Hoje, 22 de Abril de 1974, continua sem se saber a origem do fogo que destruíu parte da Reitoria da Universidade do Porto.
No Campeonato Nacional de Futebol, Benfica e Setúbal apertam o cerco ao líder Sporting. Yazalde e Dinis, lesionados, não vão a Magdeburgo.
A nível internacional, sobe a cotação de Miterrand na campanha para as eleições francesas. A Gioconda está no Japão. 10 segundos é quanto cada visitante tem para olhar para ela, tão grande é o número de curiosos.
Faltam 3 dias para a Revolução.

Ainda a entrevista de Sócrates, minuto a minuto

Ontem, acompanhámos aqui no Aventar, minuto a minuto, em streaming, a entrevista do primeiro-ministro à RTP.
Aqui ficam os comentários que se foram fazendo ao longo de mais de uma hora de blogue:

Aventar: Boa noite a todos. Sejam bem-vindos ao chat do Aventar para acompanhar a entrevista de José Sócrates à RTP.
20:48 Aventar: RTP recorda Gabriela, neste momento. Era bom ter Jorge Amado a comentar estes tempos.
20:50 [Comentário de José Freitas]
Boa noite.
20:50 [Comentário de José Freitas]
a entrevista vai começar atrasada.
20:50 Aventar: ai está a entrevista. começa agora
20:51 [Comentário de Ricardo]
Olha, é o José Alberto Carvalho. Que nos salve a Judite!
20:51 [Comentário de José Freitas]
O zé alberto é porreiro
20:52 Aventar: A crise para começar: investimento público em causa.
20:53 [Comentário de Ricardo]
O Presidente da República está desfocado da realidade?
20:53 [Comentário de José Freitas]
De acordo com o PR. nas estatísticas
20:53 [Comentário de Ricardo]
Não sei a que se refere o Presidente da República, diz ele.
20:54 [Comentário de José Freitas]
As divergência…
20:54 [Comentário de Ricardo]
Deixe-me acabar, deixe-me acabar – está irritadinho, o senhor …
20:54 Aventar: Cooperação Institucional.
20:55 [Comentário de José Freitas]
Tem de ser ouvido… pá. não sejas assim
20:56 Aventar: A política do recado.
20:56 [Comentário de isac]
o pessimismo é muito mau para o país
20:56 [Comentário de José Freitas]
A oposição é que é a responsável.
20:57 Aventar: Bem-vindos, Ricardo e isac
20:57 [Comentário de José Freitas]
Está a safar-se bem
20:58 [Comentário de Ricardo]
Coitadinho, querem tirar-lhe o direito de falar!
20:58 [Comentário de isac]
boa noite a todos, desculpem
20:59 José Freitas: Ainda o PR. Bem lançada
20:59 José Freitas: Olha a metáfora da bicicleta
21:00 Ricardo: Cada um tem de pedalar a sua própria bicicelta. Esta é para o PR, embora diga que é para a oposição.
21:00 José Freitas: O PR era mais de atletismo.
21:01 Aventar: PM tenta direccionar para o investimento.
21:02 José Freitas: Outra vez “não ponha na boca”. Já é a segunda.
21:02 Aventar: TGV a caminho.
21:03 isac: o PM não precisa de saber quanto custa o TGV porque está tudo no site
21:03 Ricardo: «Ó José Alberto Carvalho». Começou a dizer o nome deles. É quando começa a não gostar.
21:03 José Freitas: O TGV é um disparate. Nem são precisos estudos. Nem deste nem do anterior.
21:03 Ricardo: Dá-me licença?
21:03 José Freitas: Investimento para modernizar? Nopes.
21:03 isac: gostava de saber porque o TGV é fundamental para o país
21:04 José Freitas: Tb eu
21:04 José Freitas: Pode ter impacto mas n em toda a sociedade
21:05 Aventar: Planos anti-crise: TGV, energia e banda larga
21:05 Aventar: Investimento público, um dos pilares para combater a crise.
21:06 José Freitas: O povo paga a crise. Já estamos habituados.
21:06 Ricardo: É pena não insistirem no TGV. A linha para Madrid, o numero de passgeiros que é necessário para rentabilizar a linha.
21:06 Aventar: Ainda as declarações do PR.
21:07 José Freitas: A linha é demasiado específica
21:07 Ricardo: O que é que ele chamou ao José Alberto Carvalho?
21:07 José Freitas: se quiseres mais vai ao site
21:07 José Freitas: se me permites
21:07 Aventar: Auto-estrada para Bragança em causa…
21:07 isac: “Dizer-lhe a ela”?? Não é muito pessoal isto?
21:08 José Freitas: É. Mas são amigos.
21:08 José Freitas: Não se vai poder com o trânsito para Bragança
21:09 José Freitas: Mas concordo com a 3ª auto-estrada para o Porto
21:09 José Freitas: Encravou o PSD. Bem.
21:09 isac: Para quem não sabe o custo do TGV, sabe as paragens de serviço todas da auto-estrada
21:09 Aventar: Estamos poucos mas bons. Sai a primeira sondagem.
21:10 Ricardo: nao somos só três?
21:10 José Freitas: sim
21:10 Está Sócrates a safar-se?
Sim
( 29% )
Não.
( 43% )
Mais ou menos.
( 29% )

21:11 José Freitas: cooperação institucional já foi melhor. mas…
21:11 Aventar: Cooperação institucional. Fica para os analistas.

21:12 José Freitas: Cauteloso com o PR.
21:12 isac: Parece que a Judite está chateada e em despique… será do alinhamento previamente “arranjado”?
21:12 José Freitas: hummm, n vou pelo alinhamento
21:13 José Freitas: ele está a conseguir fugir à “crise” com o PR.
21:13 Aventar: Ainda a cooperação institucional.
21:13 isac: Judite novamente à carga com PR. Aposto no desvio (novamente) de Sócrates para o investimento
21:14 José Freitas: quer acabar com o tema
21:14 José Freitas: e está a conseguir
21:14 Aventar: Os textos do PR.
21:14 Ricardo: se era claro que vinha aí a crise, por que é que nao avisaste antes?
21:15 José Freitas: lá está
21:15 José Freitas: avisou em outubro.
21:15 Ricardo: outubro 2008 – lá é um ano de atraso
21:15 Aventar: A crise…
21:15 José Freitas: Pois, os os senhiores do BCE andaram a dormir
21:16 José Freitas: O homem é mt jeitoso para estas coisas. mesmo qd se irrita
21:17 isac: Judite novamente com o PR
21:17 Ricardo: «Está a citar muito o Presidente da República. Não sei por que é que insiste tanto nisso.»
21:17 Ricardo: só estou a avisar!
21:17 Aventar: A pior crise das nossas vidas.
21:18 Aventar: O governo foi surpreendido?
21:18 José Freitas: Há outros piores que nós. Lá isso, há.
21:19 Ricardo: É uma vítima!
21:20 Aventar: O relatório do FMI.
21:20 isac: O PM reconhece a nossa total e completa dependência externa
21:20 José Freitas: É um dos nossos problemas
21:20 José Freitas: somos pequenos e dependentes
21:20 isac: afinal a crise começou no final de 2007
21:21 José Freitas: acho q estamos em crise desde 2001
21:21 isac: vamos agora falar do passado glorioso
21:21 Aventar: A pior crise das nossas vidas. Outra vez.
21:22 José Freitas: Vamos aos resultados…
21:22 Aventar: A estratégia: emprego, famílias, emprego.
21:22 José Freitas: olha, a judite n falou do PR
21:22 isac: vai ajudar as empresas. como? não interessa, vai ajudar as empresas com medidas
21:23 José Freitas: n pode falar de todas as medidas. senão a judite fala do pr
21:23 Aventar: O plano anti-crise existe porque as contas estavam em ordem.
21:24 Ricardo: Lá vem ele com as contas públicas em ordem. Vamos ver no fim do ano
21:24 Ricardo: Não o deixam terminar o raciocínio.
21:24 José Freitas: no final do ano serão más
21:24 José Freitas: disso n há duvidas
21:24 isac: boa. a irlanda é pior que nós.
21:24 José Freitas: estamos safos
21:25 Ricardo: Sabiam? Não sabiam!
21:25 Aventar: 12 mil empregados. 9 mil jovens contratados. 9500 em estágios profissionais.
21:26 José Freitas: o zé alberto n sabia
21:26 [Comentário de Guest]
#entPM Epá O Gajo quando Deixar de Ser PM pode ir Fazer Publicidade à Nespress :))) ( é só para descomprimir
21:26 isac: PM. Paternalista-Mor. Não conhecia esta faceta. Conheciam? Não conheciam!
21:26 José Freitas: Olha o nº
21:26 Ricardo: vivemos no melhor dos mundos
21:27 Aventar: A Auto-Europa.
21:27 José Freitas: sabem o que é o lay-off?
21:27 [Comentário de João Paulo]
Biba! Somos o oásis!
21:27 isac: Despedimentos, não! Lay-off, ok!
21:27 João Paulo: Lay-off: empregado recebe
um
a parte do vencimento, na esperança de que a empresa não feche
21:28 [Comentário de Guest]
O Gajo tem dormido bem :)) Podia ser tb Entrevistador da RTP … tenho q arranjar emprego novo ao Man 😉 #entPM
21:28 Ricardo: vem aí uma novidade, uma medida adicional
21:28 Aventar: Subsídio social de desemprego.
21:28 [Comentário de @Dputamadre]
O Gajo tem dormido bem :)) Podia ser tb Entrevistador da RTP … tenho q arranjar emprego novo ao Man 😉 #entPM
21:29 Aventar: Aumentado limiar e valor do Subsídio social de desemprego
21:29 José Freitas: eis a medida
21:30 Ricardo: que bom. isto sim, é uma grande medida!
21:30 isac: Está a começar a enrolar… e a esquecer algumas coisas…
21:30 José Freitas: é apenas uma parte
21:30 [Comentário de ppedrosa]
estão sempre atentos (o governo, claro)
21:30 Aventar: 40 minutos de entrevista
21:31 Aventar: Apoio pré-Natal e a nova geração de políticas sociais.
21:31 Ricardo: nao há idosos pobres em portugal. chama mentirosaa a judite de sousa
21:31 José Freitas: n foi bem assim. e disse desculpe
21:32 isac: agora vai explicar as regras do complemento solidário para idosos (CSI)
21:32 José Freitas: vocês n querem
21:32 Ricardo: Freeport
21:32 Aventar: O Freeport.
21:32 Ricardo: Já a desculpa-lo , o entrevistador, a dizer que é ano de campanha. Vergonha!
21:32 José Freitas: mt reserva, até
21:32 isac: O país pára.
21:32 [Comentário de @Dputamadre]
@Apdeites ehehe O Homem fala das minudências como se fossem os Milhões Dados de bandeja aos Bancos :)) #entPM
21:33 isac: 2 minutos de introdução
21:33 Ricardo: tentativa de assassinato politico.
21:33 José Freitas: é a campanha negra
21:34 isac: a culpa é do secretário de estado
21:34 Ricardo: Mentiroso! Delegou no Sec. de Estado, mas avocou o processo na parte do licenciamento . Mentiroso!
21:34 Aventar: Frepôr_licenciamento ambiental correcto, diz PM
21:34 isac: e é Freeporte! e não freepore!
21:34 [Comentário de @Dputamadre]
Aqui tb é fixe … cortar o Fato Armani ao Socrates, o nosso G. Clooney http://tinyurl.com/cmp8u2
21:35 Ricardo: que demagógico!
21:35 isac: a culpa de ser aprovado à ultima é do PR
21:35 Ricardo: odos os Governos seguintes aprovam o que vem de trás.
21:35 Aventar: O novo Governo disse “sim”.
21:35 Ricardo: dizem sempre sim!
21:35 José Freitas: “odos os Governos seguintes aprovam o que vem de trás.” mas aprovam, é o que é
21:35 João Paulo: Perguntem-lhe o que acha da música dos Xutos. Perguntem!
21:36 Ricardo: Não lhe pergunta pelo DVD e pelo Charlwes Smith?
21:36 José Freitas: assume responsabilidade política
21:36 isac: não é do licenciamento que se trata. é de dinheiro debaixo da mesa e corrupção
21:36 José Freitas: alto… lá vem o MP
21:37 José Freitas: as mãos no fogo? ninguém põe!
21:37 isac: pergunta judite: “recebeu dinheiro ou compensações?”
21:37 Ricardo: E o DVD? Não perguntam???????????????
21:37 isac: põe as mãos no fogo pelos secretários de estado, mas não por ele
21:37 Ricardo: Está nervoso.
21:38 José Freitas: alguyém q tenha usado o meu nome
21:38 isac: está a dizer o que vai acontecer
21:38 José Freitas: está ai o caso do dvd
21:38 Ricardo: está a dar a enenteder que processou o charles smith
21:38 José Freitas: se alguém utilizou o meu nome… smith
21:38 Aventar: O caso DVD.
21:39 Ricardo: DVD, ei-lo.
21:39 José Freitas: ai está o smith
21:39 isac: a linguagem corporal denunciou-o
21:39 José Freitas: o sr. PM conhece-me
21:39 José Freitas: confirmou queixa c ontra smith
21:39 Ricardo: O João Cabral também vai ter queixa???
21:39 [Comentário de @Dputamadre]
@dtcnunes O gajo é Jeitoso, Cabrão … savo seja… é só expressão … n vá a f. pensar q é 1 indirecta … #entPM
21:39 [Comentário de ppedrosa]
é só minha a sensação ou ele achincalha com os senhores jornalistas sem pudores…
21:40 [Comentário de @Dputamadre]
Olha como ele Diz “eu sabia q iamos cair aí” RT @dtcnunes: Pergunta: “O Sr. PM recebeu luvas no caso Freeport?” #entPM
21:40 Ricardo: A Judite queria repetir, ele reparou.
21:40 José Freitas: pois
21:40 isac: A judite vai ser expulsa da rtp. nota-se a chispa
21:40 Aventar: Processo judicial por difamação e injúrias.
21:40 isac: o josé alberto carvalho nem abre a boca
21:41 José Freitas: entregue à justiça e confia. nervoso.
21:41 isac: nao insultem mais o homem… senao ainda têm problemas
21:41 Aventar: Freeport: investigação em curso. Que chegue ao fim, porque sou um dos interessados. Como nasceu o Freeport…
21:42 José Freitas: alto. vamos ter caso
21:42 [Comentário de @Dputamadre]
@ssspray ehehe Todos gostariamos mais do Café do que Dele ;))) #entPM
21:42 Ricardo: está a falar doeferino boal, que fez a denuncia.
21:42 Ricardo: zeferino boal
21:43 José Freitas: a carta anónima. o trunfo do PM. inteligente forma de divergir no caso.
21:43 Ricardo: Mudo o meu voto na sondagem para não
21:43 Ricardo: olha que mudou de assunto para a carta anonima
21:44 isac: isto é tudo político! Não é, é um caso de polícia!
21:44 José Freitas: é político, pois. pode ser de polícia mas tb é político
21:44 José Freitas: a história… ui
21:45 isac: tchh. roupa suja. vergonha. vergonha.
21:45 Aventar: Reuniões da PJ com com. social e políticos no caso Freeport. Informação sobre o processo terão sido passadas. PJ abre inquérito.
21:46 José Freitas: as datas e os casos. deixa as suspeitas.
21:46 [Comentário de ppedrosa]
todos estão contra mim! vou repetir! todos estão contra mim!
21:46 Aventar: O tio, o primo e os emails.
21:47 isac: processos contra políticos? onde é que alguma vez se assistiu a isto na História?
21:47 José Freitas: confiança na justiça. fica bem
21:47 isac: basicamente: se o nome dele aparecer no caso vai ser processado
21:47 Ricardo: claro que confia, nao lhe vai acontecer nada.
21:47 Aventar: O processo kafkiano.
21:48 José Freitas: à judite n ocorreu!
21:48 José Freitas: excelente
21:48 isac: quem o mencionar neste caso vai ser processado
21:48 [Comentário de @Dputamadre]
@numitwite Eu O Bode espiatório diz antes assim … Não degolamos o Gajo na Páscoa fica para o Corpo de Deus :))) #entPM
21:48 isac: chateado! e a judite vai-se passar também!
21:49 isac: processos contra jornalistas
21:49 isac: desculpem, é contra pessoas que por acaso sao jornalistas
21:49 Ricardo: até o camara men que filmou a sede da policia inglesa ja foi processado
21:49 Aventar: Processos judiciais contra pessoas que difamaram, não contra jornalistas.
21:49 [Comentário de @Dputamadre]
@Apdeites Ele ainda não saiu debaixo da saia da Srª. Logo, ainda chama pela madre 😉 #entPM
21:49 Ricardo: Começaram as ameaças!!!
21:49 Ricardo: O tipo treme
21:50 José Freitas: n esteve bem agora no caso dos jornalistas
21:50 José Freitas: perdeu pontos.
21:50 [Comentário de @Dputamadre]
Até o Mata-Dragões dá Palpite 😉 RT @CRSete: Parece que estou a ver os jornais amanhã: “Judite ataca Sócrates”
21:51 José Freitas: Caça ao homem e ataque pessoal.
21:51 [Comentário de ppedrosa]
ahahahah TVI é a caça ao homem = sócrates!
21:51 isac: a tvi é travestido e demente e que faz caça ao homem.
21:51 Ricardo: Caça ao homem, ódio e perseguição pessoal
21:51 Ricardo: Calro, o Diário de Noticias. E a namorada também, não?
21:51 Ave

ntar: Uma hora de entrevista sem intervalo.
21:52 [Comentário de @Dputamadre]
eheh Telefornal Travestido!!! O Homem é Inspirado :))))) Andou a ter Aulas de ensaio Geral com o ASSilva 😉 #entPM
21:52 isac: “isto é uma cruz que terei de carregar”
21:52 José Freitas: Uma cruz? a parte final foi má
21:52 Ricardo: Não se safou nada bem no Freeport, mas também não puxaram por ele.
21:52 José Freitas: a campanha negra regressou
21:52 [Comentário de ppedrosa]
tenho pouco jeito para servir de vítima… esta provação por que estou a passar
21:52 Ricardo: vitimizou-se.
21:52 João Paulo: Cruz?Mas a Páscoa já foi? Será que temos um novo Messias?
21:53 José Freitas: estava até a correr bem, mas nesta recta final derrapou
21:53 Aventar: Eleições europeias.
21:54 Ricardo: Deu a entender que processou o Smith, mas não o disse. Havia de ser bonito, um processo em tribunal entre os dois.
21:54 [Comentário de @Dputamadre]
Ele “Duvido” Fia-te nas dúvidas y não Concorras!!! Era melhor para Todos! Passa o Testemunho ao ASSilva!! #entPM
21:54 Aventar: Entrevista no final.
21:54 Aventar: Acabou.
21:54 Ricardo: Balanço negativo.
21:54 Aventar: Meus caros… vamos ao balanço.
21:54 Ricardo: Venha a sondagem.
21:55 Aventar: Sondagem final a caminho.
21:55 Como correu a entrevista a José Sócrates?
Bem
( 0% )
Mal
( 20% )
Assim-assim
( 80% )
Humpppff!
( 0% )
Muito mal
( 0% )
Muito bem
( 0% )
21:55 isac: mais do mesmo. gostava de ver esta entrevista no Jornal transvestido e demente da TVI, com a Manuela Moura Guedes
21:56 José Freitas: Correu-lhe mais ou menos. Estave melhor na primeira parte
21:56 José Freitas: até ao freeport.
21:56 Ricardo: Isso, gostava de ver a Manuela Moura Guedses a entrevistá-lo.
21:56 José Freitas: nessa altura dispotou-se
21:57 Ricardo: Obrigado a todos os que participaram. Obrigado, Zé.
21:57 Aventar: Comentários na RTPN para quem quiser.
21:58 Aventar: Desta forma fechamos este fórum.
21:58 isac: abraços para todos
21:58 Aventar: Até uma próxima oportunidade. Aventar agradece a quem participou.
21:58 [Comentário de @Dputamadre]
? RT @CRSete: Só tenho mais 1coisa a dizer sobre este debate: Se a selecção tivesse 1 gajo como este no meio campo não perdiamos um jogo 🙂

Paulo Morais em Matosinhos?

Paulo Morais é um homem sério. É a opinião que tenho dele. Talvez por isso seja ainda uma figura de segundo plano no partido do qual é militante. Frontal e directo, não tem problemas em apontar os erros e os “desvios” provocados por relações perigosas entre políticos e empresas.

Ficaram-me, do passado, as críticas que proferiu a propósito das asneiras urbanísticas de muitas cidades, provocadas por negócios obscuros, como lhes chamou, entre autarquias e empresas de construção civil.

Por mim, sempre achei as críticas como um pouco exageradas. Muitas das situações existentes são fruto de um simples, embora assustador, mau gosto e de falta de higiene urbanística.

Não espantou ter ficado de fora da lista de Rui Rio para o actual mandato na Câmara do Porto, depois de ter sido vice-presidente nos primeiros quatro anos. Nem surpreende se aceitou, de facto, a candidatura à Câmara de Matosinhos. O que surpreende é o convite ter sido formulado.

Se ganhar as eleições poderá ser um bom presidente de câmara. Já tenho dúvidas é se será um bom candidato. Ainda para mais num concelho tão complexo sociologicamente como Matosinhos e com as duas candidaturas que estão no terreno.

Vasco Lourenço – Do Interior da Revolução (A Kaulzada)*

A ideia era a eliminação física de Spínola e Costa Gomes?
É mais natural que fosse só eliminação política ou militar… Não sei exactamente. Nunca conseguimos definir isso porque, felizmente, as coisas não avançaram nesse sentido. Portanto, o Sousa e Castro vem em pânico e diz-nos: “Pronto, a situação é esta, pá. Tenho aqui o documento que o homem nos entregou para justificar o alto patriotismo do Kaúlza.”
O facto é que a situação era altamente perigosa. A nossa precária
organização, a grande indefinição ideológica, que ainda se verificava,
obrigavam a uma actuação rápida, sem recorrer a grandes reuniões…
Bem e o que é facto é que decidi não reunir a Direcção e actuar de
imediato. Combinei com os elementos que estavam nessa subcomissão
do estudo de situação, que eram capitães da minha inteira confiança,
fazer abortar o golpe. Rapidamente, contactei um capitão que estava no Estado-Maior General das Forças Armadas, a quem já tinha pedido, em tempos, para me preparar uma entrevista com o Costa Gomes…
Quem era esse oficial?
O capitão Machado de Oliveira. Pedi-lhe: “Arranja-me, com urgência,
para ontem, uma audiência com o general Costa Gomes.” Passado pouco tempo: “Pronto. Recebe-te amanhã.” Era numa sexta-feira, avancei para falar com o general Costa Gomes. Lembro-me de que levava uma pistolazita pequena, e quando cheguei pedi para ma guardarem, para não ir para o gabinete do Costa Gomes armado, e, então, tenho uma conversa com ele. Não o conhecia, ele também não me conhecia de lado nenhum. Disse-lhe ao que ia: “Estou aqui para lhe denunciar um golpe militar que está em marcha, um golpe de Estado dirigido por estes quatro generais. Portanto, a situação é esta: O senhor e o general Spínola são os dois inimigos principais a eliminar, não sabemos se fisicamente se não. E nós estamos em pânico porque não sabemos que fazer e estamos sem capacidade de nos opormos a isto, portanto, é preciso fazer abortar isto imediatamente.”
Eu confesso que a reacção do Costa Gomes foi uma enorme desilusão: “Ah, muito bem, com que então um golpe!” E eu: “Estou a pensar falar com o general Spínola também. Vim primeiro falar com o meu general, agora penso falar com o general Spínola.”
“Sim senhor. Acho muito bem que fale também com o general Spínola. Sim senhor. Muito obrigado pela vossa confiança. Muito obrigado por ter vindo contar-me isso. Sim, senhor. Eu vou ver. Muito obrigado.”
Estou ali dez minutos e saio absolutamente aparvalhado e a pensar: “Mas o que é isto? Venho eu ao chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, trago-lhe estes elementos, há um golpe de Estado que está em marcha, quatro generais metidos, ele é um dos alvos principais a eliminar e recebe-me como se estivesse a tomar um cafezito, uma bica!”
Então e foi logo falar com Spínola?
Primeiro, encontro-me com o Fabião. Ele estava, na altura, a tirar o curso do EPOSE, em Pedrouços, ali no Instituto de Altos Estudos Militares. Era, aliás, o chefe de curso. E combinámos, então, um encontro. Ele iria de comboio até à estação de Pedrouços e eu iria buscá-lo lá. Fomos para a zona em frente dos Jerónimos, saímos com receio que pudesse haver algum microfone dentro do meu próprio carro, e conto-lhe:
“A situação é esta. Extraordinariamente grave. Eu preciso de falar com o Spínola. Você ponha-me imediatamente em contacto com ele.” Bem, eu já lhe contei qual era a minha relação com o Spínola. Nunca mais tínhamos falado…O Fabião foi à cabine telefónica que havia ali próximo, telefonou para casa do Spínola, que mandou dizer pela mulher que sim, que falava com ele, para o esperar na Cova da Moura.
Nós arrancámos para a Cova da Moura e ficámos dentro do meu carro à espera, no largo, quase em frente do portão. Passado um bocado, chegou o Spínola, que assim que me viu, não esconde o espanto: “Você aqui?” e o Fabião diz: “Oh meu general, aqui o capitão Vasco Lourenço precisa de falar consigo sobre um assunto importante.” E eu: “Oh meu general, vamos esquecer o que se passou porque neste momento, há um assunto mais importante do que tudo o resto. Está em marcha um golpe, quatro generais [e refiro os nomes], o senhor e o general Costa Gomes são os dois inimigos principais a eliminar. O general Costa Gomes, pelo passado dele e por 61; o senhor porque foi contactado pelo general Kaúlza de Arriaga para entrar no golpe e recusou, respondendo a certa altura, que tivesse cuidado, porque o senhor, só à sua conta tinha a Calçada da Ajuda toda.”
E o Spínola reage e diz: “Ai ele disse isso? Tem piada, mas isso é verdade. Eu, de facto, disse-lhe isso. Tem piada.” “Como vê, não estamos a inventar nada, o senhor confirma a conversa, portanto, nós
estamos a contar-lhe aqui o que é que se passa. E é preciso intervir. É preciso actuar. Eu já estive, ontem, com o general Costa Gomes, e disse-lhe que vinha falar consigo, ele achou muito bem.”
“Ah, já falou com o Costa Gomes? Ah, está bem, muito bem, sim senhor. Sim senhor! Bom, como vocês sabem, eu fui nomeado vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. Eu vou tomar posse em princípios de Janeiro, lá para dia 10 ou 12… Vocês estejam atentos que eu vou tomar uma posição firme no meu discurso.” Eu olhei para ele e digo: “O quê, meu general?
Desculpe. Daqui a um mês? Tomar posse…?” “Sim, sim. Estejam descansados.”
“Não. Mas oiça, o que eu lhe estou a denunciar é um golpe que está em marcha. Pode ser amanhã. Pode ser daqui a dois ou três dias. Está em marcha. Qual daqui a um mês! Qual ir tomar posse!” “Estejam atentos que eu vou tomar posse. Pronto. Obrigado, prazer em vê-lo.
Prazer em vê-lo, oh Fabião.”
Bem, e foi-se embora. O Fabião e eu ficámos com cara de parvos a olhar um para o outro: “O que é que se passa? Mas que é isto? Que raio de generais é que nós temos? O outro, ontem, recebeu-me com um cafezito, e tudo bem. Este, hoje, manda-nos esperar pelo discurso daqui a um mês!
Eh pá, como é que é? Isto é o fim! Nós temos que fazer qualquer coisa porque isto assim não pode ser!” E diz-me o Fabião: “Bem, eu tenho uma possibilidade… Acho que temos que ser nós a fazer isto. Vamos fazer o seguinte: eu segunda-feira em Pedrouços, encarrego-me de denunciar publicamente o golpe. É o local óptimo, mais do que indicado.”
E eu digo: “Óptimo! Força! Você denuncia isso em Pedrouços e eu vou pôr a ligação a funcionar, dentro do possível”. E diz-me o Fabião: “O irónico é que nunca ninguém se vai convencer de que eu não vou fazer a mando do ‘Velho’, e ele nunca mais na vida me vai perdoar esta”. E, de facto, toda a gente ficou convencida de que isso fora iniciativa do Spínola. Quando não foi absolutamente nada.
O episódio é conhecido. Mas não resisto a pedir-lhe a sua versão, dada a extraordinária memória que tem…
Então, na segunda-feira de manhã, como estava combinado, na primeira aula que, ainda por cima, era uma aula com todo o curso presente (acho que eram para cima de duzentos majores que estavam a tirar o curso EPOSE, um estágio para oficial superior), o Fabião, que era o chefe de curso, quando chega o primeiro professor:
“Dá licença? Eu tinha uma informação para prestar ao curso.” E o professor convence-se de que é uma informação escolar: “Sim, senhor. Faz favor.” O Fabião levanta-se e diz mais ou menos isto: “Camaradas, quero informar-vos que, neste momento, está em marcha um golpe de estado liderado pelos generais Kaúlza de Arriaga, Joaquim Luz Cunha, Silvino Silvério Marques e Henrique Troni. Os dois inimigos principais a eliminar são os generais Costa Gomes e Spínola.” Bem, uma bomba no meio da sala, não teria provocad
o maior efeito. Aquilo foi, como calcula, o fim. Uma confusão dos diabos. Interromperam-se as aulas. Interrompeu-se o curso. Mandaram-nos todos para casa. Pronto, o Fabião foi corrido, depois, para o Distrito de Recrutamento de Braga. O Kaúlza negou, participou, queria que o Fabião fosse punido, enfim…
Ao mesmo tempo eu, na Trafaria, no BRT, que era a minha unidade, na sala de oficiais a fazer as ligações com as unidades e a gritar-lhes ao telefone: “Está em marcha um golpe militar do Kaúlza. Se acontecer
qualquer coisa não temos nada que ver com isso. Isso não é nosso. Alerta a malta toda que não temos nada a ver com isso, antes pelo contrário.”
Como disse, o nosso receio era que o golpe fosse lançado e houvesse
unidades nossas que aderissem, convencidas de que o golpe era o nosso.

* PRÉ-PUBLICAÇÃO

O PS já ganhou, ou uma gigantesca fraude eleitoral a caminho

Da maneira que as coisas estão, já não me admira que o PS, sem vencer, vença na mesma. E se calhar com maioria absoluta. Salazar fê-lo muitas vezes.
Sim, falo de fraudes eleitorais em massa. Falo de corrupção das mesas eleitorais. Falo de duplos e triplos votos de eleitores-fantasmas. Falo de votos por «correspondência». Falo de cadernos eleitorais falsificados.
Sim. Estou convencido de que, sem fiscalização de entidades internacionais independentes, o PS já ganhou.

PS, onze anos de maioria absoluta

É incontornável! O PS está, nos últimos catorze anos, há onze anos no poder! Sócrates e os socialistas não podem fazer de conta que não têm nada a ver com a situaçao do país!É uma falácia falar em crise internacional quando, desde que o PS foi para o governo, o crescimento económico foi sempre inferior ao da média dos países da UE! Os 20% mais ricos da população se tornaram mais ricos e os 20% mais pobres se tornaram mais pobres!Que seja um dos países mais pobres da UE! Que tenha uma das maiores cargas fiscais e mesmo assim não consiga equilibrar o rendimento das famílias.Uma Justiça que muito apropriadamente não funciona!Uma Educação de pernas para o ar com milagres tirados do “Magalhães” como se tiram coelhos da cartola!Os milhões que todos os dias grita ao entrar pelas nossas casas dentro, não chegam ás famílias e ás PMEs com já hoje é evidente!Não podemos aceitar que um homem que tem tantos casos da sua vida pessoal mal explicados, abra o Congresso do partido dizendo que é preciso transparência na vida política ( a vida de Sócrates nunca foi outra se não a de fazer politica).Não podemos aceitar que o clorofórmio que contínuamente nos atira para cima nos adormeça! Sócrates trata-nos como crianças, como mentecaptos, não conhece o respeito que o povo lhe deve merecer.Mente permanentemente!A crise que não atingiria o país, que todos viam menos ele, é hoje utilizada como desculpa.Não, sr. Primeiro Ministro, a culpa é toda sua!

Sócrates, Comunicação e Fé:

Confesso, devo ter sido dos poucos bloggers que não viu a entrevista do PM.
Estava a assistir a um debate sobre o QREN. Paciência, terei de ver a gravação.
Mesmo assim, fui recebendo uns sms. Num deles, o escriba de serviço colocou: “Espectacular, o homem domina as técnicas de comunicação”. Escrito por um perigoso “fassista” da minha área profissional, a comunicação. Por sinal, um PSD daqueles que sabe o hino e tudo.
Curioso, nesta palestra, a dada altura, um dos oradores decidiu falar de comunicação, aproveitando o embalo para criticar os jornalistas. Não querendo maçar os leitores e não pretendendo entrar em polémicas (já bastou a minha opinião sobre o Vasco Lourenço, ehehehe) dei por mim a concluir que o orador em causa percebia tanto de comunicação como eu de física quântica. Queixava-se de uma medida avançada pelo PM que, na realidade, é puramente virtual e mera propaganda, algo que ele denunciou e que a imprensa não lhe ligou. No ar pairou uma qualquer estratégia de censura pró-governamental. Escusado será dizer que a Manuela Moura Guedes desmente, religiosa e cabalmente, todas as sextas-feiras, mas enfim. Ficou a suspeita. Eu deveria ter explicado mas não o fiz. Não estava em minha casa e era mero acompanhante de convidado.
É fácil culpar os outros. E aqui chamo um bom exemplo que o desmente.
Recentemente passou um ano sobre uma campanha de comunicação feita com pés e cabeça. Pensada ao detalhe e que pretendia chamar a atenção para uma injustiça que este governo se preparava para cometer. Muitos diziam que não valia a pena, que a comunicação social não lhe pegaria pois estava “vendida” ao Governo (o caso Freeport ainda não estava em antena e o estado de graça de Sócrates perdurava) e, pasme-se, outros já tinham tentado. Esqueciam que mandar uns bitaites não conta. A campanha avançou na mesma.
Resultado: todos os órgãos de comunicação social lhe pegaram, deram o devido destaque, directos incluídos. A partir daí foi sempre sem parar, a população mexeu-se criando movimentos cívicos e o erro não foi cometido.
O problema é outro. A Comunicação está pejada de amadores que enganam os clientes convencendo-os que os jornalistas se compram com uma boa jantarada e um JB 15 ou resmas de páginas de publicidade. O cliente, por sua vez, pensa que com um powerpoint feito pelo estagiário-escravo de serviço e uma daquelas sessões de massagem cerebral a que chamam “conferência de imprensa” se consegue. É como aquele doente que prefere ir ao bruxo em vez de marcar consulta no médico. Depois, quando a enfermidade não passa culpam o médico ou, no caso presente, os jornalistas.
Na verdade, alguns ainda acreditam (ou preferem acreditar) que é com papas e bolos. Olhem, o Sócrates é que a sabe toda. Em questões de Comunicação não brinca. Claro está que um dia vai deixar de resultar pois “milagres” é domínio da fé e não da Comunicação.
(também AQUI)

O SR PRIMEIRO NÃO CALA JORNALISTAS

SÓCRATES PROCESSADO
.
Coitado do nosso Primeiro. Na brilhante entrevista (só quem não viu pode dizer o contrário) que deu à televisão do estado, parece ter injuriado os jornalistas do jornal da noite da TVI. Foi por certo sem querer, que o homem não é destas coisas. Mas a d. Manuela M Guedes, não gostou nada e não está pelos ajustes e vai processá-lo.
Caramba, não param as campanhas de várias cores contra o pobre do homem.
Entretanto durante a entrevista, ficou-se a saber como está bem o nosso País, e como temos a sorte de ter tão magnífico estadista a dirigi-lo. Decididamente, se o sr Primeiro continua assim, ainda acabo a votar nele.

Comente a entrevista de José Sócrates

Acompanhe e comente a entrevista de José Sócrates, hoje, na RTP1. Aqui no Aventar.

A entrevista pode ser vista também AQUI.

Junte-se ao nosso “Aventar Chat” :

Entrevista ao primeiro-ministro em directo – já a seguir

Já a seguir, depois do Telejornal, vamos ter, aqui no Aventar, a entrevista em directo ao primeiro-ministro José Sócrates.
Através de streaming, os autores e os leitores do blogue poderão comentar em tempo real, em chat, momento a momento, aquilo que o nosso primeiro tem para dizer.
Estão todos convidados.

Vasco Lourenço – Do interior da REvolução (O Regime reage)*

Qual foi o critério da escolha de quatro capitães para uma primeira admoestação por parte do regime?
Como já referi, eu era o coordenador de toda a ligação. O Antero Ribeiro da Silva e o Carlos Clemente eram dois dos meus elementos intermédios de ligação. O Martelo era o elemento de ligação em Águeda, na Escola Central de Sargentos. Houve lá um documento que eles não conseguiram destruir que tinha os nossos nomes e um oficial leva-o ao comandante. Há a participação para a Região Militar, vem para o Estado-Maior. E eles, com base nisso, resolvem transferir os quatro.
Levantam-nos um processo de averiguações e depois um processo criminal. A ideia era expulsarem-nos do Exército.
Bem, eu, no dia 8, por acaso, estou na carreira de tiro interna da minha unidade o BRT – agora BIRT – na Trafaria. Estava a treinar tiro de pistola, para os torneios internos da Região Militar e chegou a ordenança do comandante que me diz: “Meu capitão, o nosso comandante pede para ir ao gabinete dele.” Sensivelmente ao meio-dia. Bem, interrompi o tiro, e encontro-me com o comandante que estava com cara de comprometido e, ao mesmo tempo, preocupado. Sem me dizer nada, estende-me um papel, assim um pouco a medo. Era uma mensagem do Estado-Maior do Exército a dizer que eu, por razões de serviço, era transferido, imediatamente, para o Quartel-General da Zona Militar dos Açores, em Ponta Delgada. Olhei para ele e digo: “Mas, que é isto?! A que propósito?!” Ainda por cima, eu estava numa situação militar de inamovível.
Portanto, não podia ser transferido fora do meu serviço. E ele: “Recebi
esta ordem… é para seguir amanhã! O embarque é daqui a 24 horas.”
“Estão malucos! Estão doidos! Não vou! Não vou! Era o que faltava!
Não estou para os aturar! Não vou, não vou!” E começa o comandante:
“Eh pá, isso é uma chatice. É uma chatice. Se me dizes que não vais… Eu recebi essa ordem, eu tenho que a fazer cumprir. Portanto, se me dizes que não cumpres a ordem, eu … sou obrigado, regulamentarmente, a fazer-te cumprir a ordem. Portanto, como é que é?” Olho para ele e digo: “Então e se eu disser que vou?” “Bem, se disseres que vais… vais embora e amanhã vem cá buscar o bilhete do avião e a guia de marcha.”
“Então, eu vou. Eu vou.” Ele olha para mim: “Mas vai mesmo?” “Vou! Estou-lhe a dizer que vou!” “Mas vai mesmo?” “Oh homem! Já não é a primeira vez que isto acontece. Não me faça perguntas esquisitas para não receber respostas esquisitas! A minha posição para si é: eu vou!”
E, desta vez o “Baptistinha”, como o tratávamos, terá alternado mais que nunca o tratamento por tu e por você, que já costumava fazer…
A minha ideia era ir buscar a guia de marcha, mesmo que depois não fosse, para não comprometer o comandante. Era, de facto, a minha ideia quando saí dali. Bem, simplesmente, saí dali e fui, rapidamente, convocar uma reunião da Direcção o mais alargada possível. Entretanto, soubemos das outras três transferências. Foi em casa do Pinto Soares. Apareceu também o Antero Ribeiro da Silva, e decidimos fazer uma reunião à noite, da Comissão Coordenadora, com elementos da Marinha e da Força Aérea, em casa do pai do Luís Macedo. Mais uma vez fomos para a casa do brigadeiro, que mal sonhava que nós estávamos em casa dele a conspirar.
Eu estou a ver aqui o rascunho do Otelo. Havia vários pontos a discutir, mas o mais importante era o estudo da reacção a tomar face às retaliações que se estavam a verificar. Era o ponto fulcral da discussão. Duas posições fundamentais se levantam ali: Uma, “pronto, paciência… o importante é continuar a conspiração e a preparação.” Outra, “não senhor, não vamos deixar passar isto em branco e vamos fazer algo de muito duro, e responder à retaliação”. Eu e os outros dois (porque dos transferidos só não estava o Martelo) tentámos alhear-nos, digamos assim, da decisão, assumindo: “Nós aceitamos a decisão que aqui for tomada pelo colectivo.” Decidiu-se não ir: o Movimento iria raptar-nos e impedir o nosso embarque.
De quem é que surge essa ideia no mínimo original?
Francamente, não lhe sei dizer quem é que tem a ideia de que a solução seria raptar-nos – defendendo a posição individual dos transferidos, pois eles queriam ir mas não os deixavam –, evitar o embarque e no dia seguinte fazer uma concentração, às quatro da tarde, no Terreiro do Paço, junto do Ministério do Exército, todos fardados. E aí, lá vem a tal manifestação.
Aí decide-se mesmo fazer uma manifestação. Todos fardados de número um, com condecorações, tudo junto do Ministério do Exército, para forçar a revogação do despacho do ministro.
No entanto, os marinheiros presentes, (lembro-me que o Contreiras, era um deles), diziam que tinham muito boas relações com o Ministro da Marinha: “Nós temos boas relações com o Ministro da Marinha. O tipo é um gajo porreiro. Nós propomos ir falar com ele. Deixem-nos falar com ele.” Uma grande discussão. “Isso só vai alertá-los. Isso não…”
Mas depois de muita discussão, decidiu-se: “Pronto. Vão lá falar com o ministro da Marinha, mas isto não nos faz parar.” E eles foram falar com o ministro, foram-no acordar às 3 da manhã, e dizer-lhe qualquer coisa como isto: “Os oficiais do Exército não admitem essa situação. Vão-se opor a ela, portanto, para evitar problemas mais complicados, fale lá com o ministro do Exército e convença-o a revogar a decisão.”
Bem, eu saí dali, eram 4 e meia da manhã, dizendo-lhes que me informassem do evoluir da situação, com a decisão de às 7 da manhã, ser raptado, pelo Otelo. Cheguei a casa por volta das 5 e, está claro, como andava a cair de sono, adormeci profundamente Passada uma meia hora, acorda-me a minha mulher… Estava o telefone a tocar. Atendo e oiço do outro lado (e é bom frisar isto, porque eu e quem me estava a telefonar, sabia que o telefone estava sob escuta da PIDE).
“Daqui fala o Sanches Osório. Sai imediatamente de casa porque houve bronca.” “Houve bronca?” “Pois, aquela diligência da malta da Marinha.
Está tudo de prevenção rigorosa. As Forças Armadas entraram de
prevenção rigorosa, portanto, sai imediatamente de casa.” A prevenção rigorosa é uma situação militar que não existia em Portugal desde 1962, quando foi da tentativa do Golpe de Beja…
Permita-me aqui um parêntesis para falar da sua mulher, pois sei que pelo meio da conspiração ainda arranjou tempo para casar…
Sim, nós casámos em plena conspiração, a 29 de Setembro de 1973. Casámos num sábado e na segunda-feira estava a chegar a casa às 5 da manhã. Aliás, logo nessa primeira semana foram cinco reuniões conspirativas. Portanto, ela estava mais do que habituada a isso, assumia perfeitamente e apoiava-me bastante. Então e informou-a do que se estava a passar?
Sim, genericamente, para não a assustar demasiado. Dissera-lhe da decisão de me transferirem para os Açores, e quando cheguei da reunião, onde ela sabia irmos discutir o que fazer, disse-lhe “não vou! Vamos opor-nos à transferência.” E, ela “já calculava isso. Nunca
tive dúvidas, que era isso que iam fazer.” Bem, despedi-me, com a promessa de a contactar assim que fosse possível.
Saí e fui direito à casa do Otelo. Em vez de o raptor me ir raptar a mim, fui eu ter com ele. Chego a Oeiras, aí às seis e meia da manhã, e vejo um Mercedes lá perto da casa dele. Um Mercedes oficial, penso:
“Que é isto? haverá aqui algum problema? Terão vindo prender o Otelo
em vez de me irem prender a mim? Como é que é isto?!” Escondi-me
no carro, estive a observar, até que vejo sair um tipo lá de casa, meter-se no carro e arrancar. Logo de seguida chega outro Mercedes. Bo
m, eram dois fulanos ligados ao Governo, que viviam ali e que, devido à situação, também foram chamados. Deixei-os sair, lá toquei à campainha do Otelo. Ele aparece-me e quando lhe digo que ele também iria ser chamado à sua unidade, responde: “Sim, sim. Já me chamaram. Já me contactaram para me apresentar na unidade.” Isto porque, na situação de prevenção rigorosa, os efectivos estavam a 100 por cento nas unidades.
Daí que os que lá não pernoitavam, caso dos oficiais e sargentos, eram
imediatamente chamados. Fico ainda um bocado em casa dele, enquanto ele faz alguns contactos, e passado algum tempo, é o Monge que arranja um sítio para eu me esconder. Fui para uma casa desabitada de uma tia dele, em Miraflores, no mesmo prédio em que ele vivia.
Depois, apareceu-me o Dinis de Almeida, que estava colocado em Penafiel. Tinha recebido ordem para se apresentar imediatamente na
unidade. Como não regressou imediatamente, porque andou ainda aqui
na conspiração, foi punido e foi transferido para a Figueira da Foz.
Portanto, no 25 de Abril já não estava em Penafiel mas na Figueira da
Foz. Esta transferência, que já era a segunda do Dinis de Almeida, e as transferências motivadas pelo 16 de Março – nomeadamente dos
oficiais de Lamego – viraram-se claramente contra o regime e foram-
-nos bastante úteis. Em unidades onde o Movimento não tinha força
(caso do Regimento de Cavalaria de Estremoz), a ida forçada de oficiais
nossos para lá, permitiu a intervenção dessas unidades no 25 de Abril.
Como costumo dizer, ao castigarem-nos e transferirem-nos, ajudaram-
-nos a espalhar a conspiração…
Quanto ao Dinis de Almeida, arranjou-me comida, foi colher informações, e assim nos fomos mantendo em contacto, uns com os outros.
Rapidamente se chegou à conclusão de que não havia possibilidades
de fazer a tal manifestação que estava prevista. Porque os oficiais tinham ido todos para as unidades. E, face a essa nova situação, foi decidido, então, que os oficiais do Movimento fizessem manifestações – entre aspas – junto do comandante da unidade, mostrando o seu desacordo com o que se estava a passar, o apoio aos camaradas transferidos e a exigência da revogação da ordem do ministro.
Isso no dia seguinte? Dia 9?
No dia 9. Que era o dia do embarque e da manifestação. Entretanto,
o Pinto Soares, que estava de baixa no hospital, não tinha unidade que
o chamasse e não se apercebeu bem desta nova situação. De maneira
que, apareceu de farda número um (foi aliás o único) para a manifestação no Terreiro do Paço. Quando se inteirou do que se estava a passar, decidiu apresentar um pedido de demissão de oficial, por não concordar com a retaliação em relação aos capitães, na direcção da Arma de Engenharia.
Mas isso não foi uma atitude demasiado voluntarista?
Sim, mesmo quixotesca. Mas o Pinto Soares é um homem de carácter,
que preza muito determinados valores, é um homem para se atirar para
atitudes desta natureza. E daí, ficou, desde logo, denunciado… Era mais um a prender na primeira oportunidade, não é?
E essas manifestações junto dos comandantes chegaram a fazer-se?
Claro. E eu conheço em pormenor – porque me contaram – o que se passou na EPI. Em Mafra, havia, na altura, uns quarenta e dois ou
quarenta e quatro oficiais do Movimento. Que nomearam uma delegação de dois capitães e um tenente, com este, que era o Marques Júnior como porta-voz, dado que pertencia à Comissão Coordenadora. Foram falar com o comandante em nome dos outros todos. A Escola Prática de Infantaria de Mafra era a única unidade do Exército comandada por um brigadeiro. Normalmente, as unidades são comandadas por coronéis.
Era, de facto, uma unidade bastante importante. E a conversa passa-se, mais ou menos, desta maneira: “Meu comandante, queremos falar consigo, e a primeira questão é esta: nós estamos de prevenção rigorosa?”
“Pois, estamos de prevenção rigorosa.” “A ordem foi dada por quem?”
“Foi o ministro do Exército que deu a ordem, através da Região Militar.”
“Mas o meu Comandante sabe porque é que nós estamos de prevenção
rigorosa?” “Não, não sei.” “O meu comandante não sabe? Mas nós sabemos” Aí o homem começou: “Mas como é que é?! Eu não sei e vocês sabem? Então porque é que foi?” “É que houve três camaradas
nossos, três capitães do Movimento (falava-se sempre no Movimento)
que foram transferidos para as ilhas, por ordem do ministro do Exército,
e não embarcaram, porque o Movimento não os deixou embarcar.”
Vasco Lourenço esperem lá, eu não estou a perceber bem. Quem é que deu a ordem de transferência?” “Foi o ministro do Exército.” “O ministro do Exército, deu uma ordem, e houve três capitães que não embarcaram, que não cumpriram essa ordem?” “Pois… Quer dizer, eles até queriam cumprir mas o Movimento é que não os deixou.” “O Movimento?! Mas quê…”
“Os outros capitães… Os outros oficiais do Movimento não os deixaram.”
“O quê?! Mas vão contra uma ordem do ministro do Exército?!
Não, não estou a perceber nada disto.” “Sim, e nós estamos aqui para
dizer ao meu comandante que estamos de acordo com o Movimento em
ter impedido o embarque desses três oficiais e estamos contra a ordem
do ministro” “Hã? Mas como é que é? Vocês, oficiais da minha unidade,
não aceitam a ordem do ministro?” “Sim, sim. Mas, queremos frisar bem.
Não somos nós os três. Nós estamos aqui a falar em nome de quarenta
e quatro oficiais da unidade.” E, aí, o comandante começa a ficar aflito:
“Bem, mas então eu tenho que comunicar isso superiormente. Isso é muito grave. Eu tenho que participar superiormente.” “Pois, é precisamente por isso que nós estamos aqui, porque queremos que o senhor participe superiormente, exigindo a revogação da ordem do ministro.” Bem, aí o Comandante não se aguentou, desatou a chorar que nem uma criança.
Começou a ver o mundo dele todo a ruir…
Bom, o que é facto é que nós, os transferidos, decidimos reunir-nos em casa do Pinto Soares. Só dois, porque entretanto o Carlos Clemente
não tinha saído a tempo de casa e tinha sido apanhado pelo tenente-
-coronel Ferrand de Almeida, (o mesmo que vem a ter aquela cena no
Terreiro do Paço com o Salgueiro Maia, a quem se rende) que o leva até ao avião e ele embarca mesmo para Angra do Heroísmo.
Como estava tudo nas unidades, fizemos uma espécie de reunião pelo telefone, contactando os outros membros da Direcção e da Comissão Coordenadora. Optámos por nos entregar porque já tínhamos atingido os objectivos principais, já os tínhamos posto em situações complicadas, decretando uma medida excepcional de segurança, todos
aflitos, à nossa procura…

* PRÉ-PUBLICAÇÃO

PS aperta PSD


O PS vai mesmo apresentar Jorge Miranda como candidato ao cargo de Provedor de Justiça. Já se sabia, desde há algumas semanas, que assim seria. Bastava que o especialista em direito Constitucional aceitasse ir a votos sem garantias de ser eleito.

Falta saber o que fará o PSD e Manuela Ferreira Leite. O partido de São Caetano à Lapa (sempre achei piada a esta morada) pode acenar com um nome que tinha apresentado há muito mais tempo, pode refutar argumentos, berrar que não é assim que as coisas se fazem ou deveriam fazer. No fim, terá muitas dificuldades para não aceitar o nome de Jorge Miranda.

LEI CONTRA A CORRUPÇÃO

O BLOCO FEZ, O PS APROVOU
.
Na realidade não tinha percebido muito bem a razão da aprovação da proposta sobre o sigilo bancário feita pelo BE, pelo PS. Outras propostas, apresentadas por outros partidos, e que não tinham esta leitura, não foram aprovadas.
Agora entendi. Tira-se com uma mão, e dá-se com a outra. Finge-se com toda a desfaçatez do mundo que se faz o que se não faz. Só os contribuintes individuais terão as suas contas bancárias sobre o escrutínio do Fisco. As empresas, ficarão mais protegidas do que com a lei actual, não podendo a DGCI aceder às suas contas sem autorização de um tribunal.
Foi aprovada na generalidade, e só se espera que na especialidade, esta proposta obtenha tantas alterações que fique irreconhecível.
Toda a gente sabe das manobras em que o nosso primeiro é perito, aqui mais uma vez demonstradas à saciedade.
Querem enganar quem? Querem proteger quem?
Isto é de um gozo tremendo, que me faria rir, se esta anedota não fosse infelizmente verdadeira.
Mais uma vez pergunto:
– Vamos ou não fazer com que o sr Primeiro saia pelo seu pé? Ou, será preciso dar-lhe um pontapé?

30% dos Madeirenses são pobres

Diz o Boletim do Banco de Portugal! Chefiado por um comunista diz, como não podia deixar de ser, o “sr.das ilhas”. Ora, a verdade, é que todos sabemos que em Portugal há dois milhões de pobres o que dá 20% da população. É um número aterrador, em cada 5 portugueses um é pobre. Na ilha da “obra feita” dos trintra anos de maiorias absolutas aí está a medida social das políticas de Jardim. Bolsas de profunda pobreza como não se encontram em mais nenhum país da UE, depois de vinte anos de milhões de fundos comunitários, o “bom aluno” está, como sempre esteve, no fundo da vergonha. Onde a relação entre o rendimento dos mais pobres para os dos mais ricos é de 1 para 8! Um Estado que já absorve 50% do rendimento nacional não consegue largar este lastro de injustiça. O mesmo Estado que controla empresas monopolistas em conluio com o grande capital, que fecha os olhos aos gigantescos negócios sem risco e sem concorrência e que insiste no lançamento dos megas investimentos públicos. Esta política tem aí o resultado bem à vista de todos, governo após governo , de cócoras perante o CENTRÃO dos negócios insiste em remédios que não resultam!Enquanto as Galp,  EDP, CGD apresentam lucros de milhões à custa dos preços mais altos pagos pelos contribuintes o país empobrece inexoràvelmente! É tempo de dizer basta!