QUADRA DO DIA

Há torres e há loureiros
Há saltinhos imorais
Ele há machados à solta
E muitos outros que tais.

ASSOCIAÇÃO ATEISTA PORTUGUESA

Objectivos:
A Associação Ateísta Portuguesa propõe-se e constituem seus objectivos:

Fazer conhecer o ateísmo como mundividência ética, filosófica e socialmente válida;
A representação dos legítimos interesses dos ateus, agnósticos e outras pessoas sem religião no exercício da cidadania democrática;
A promoção e a defesa da laicidade do Estado e da igualdade de todos os cidadãos independentemente da sua crença ou ausência de crença no sobrenatural;
A despreconceitualização do ateísmo na legislação e nos órgãos de comunicação social;
Responder às manifestações religiosas e pseudo-científicas com uma abordagem científica, racionalista e humanista.

Manifesto
Na sequência da legalização da Associação Ateísta Portuguesa, os outorgantes da respectiva escritura saúdam todos os livres-pensadores: ateus, agnósticos e cépticos, que dispensam qualquer deus para viverem e promoverem os valores da liberdade, do humanismo, da tolerância, da solidariedade e da paz.

Os ateus e ateias que integram a Associação Ateísta Portuguesa, ou a vierem a integrar, aceitam os princípios enunciados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e respeitam a Constituição da República Portuguesa.

O objectivo da «Associação Ateísta Portuguesa» é mostrar o mérito do ateísmo enquanto premissa de uma filosofia ética e enquanto mundividência válida. Porque o ser humano é capaz de uma existência ética plena sem especular acerca do sobrenatural, e porque todas as evidências indicam que nenhum deus é real.

A Associação Ateísta Portuguesa defende também os interesses comuns a todos os que escolhem viver sem religião, defendendo o direito a essa escolha e a laicidade do Estado, e combatendo a discriminação e os preconceitos pessoais e sociais que possam desencorajar quem quiser libertar-se da religião que a sua tradição lhe impôs.

A criação da Associação Ateísta Portuguesa coincide com uma generalizada ofensiva clerical a que Portugal não ficou imune. Apesar de o ateísmo não se definir pela mera oposição à religião e ao dogmatismo, em nome da liberdade, da igualdade e da defesa dos direitos individuais a «Associação Ateísta Portuguesa» denuncia o proselitismo agressivo e a chantagem clerical sobre as sociedades democráticas. O direito de não ter religião, ou de ser contra, é igual ao direito inalienável de crer, deixar de crer ou mudar de crença, sem medos, perseguições ou constrangimentos.

O ateísmo é uma opção filosófica de quem se assume responsável pelos seus actos e pela sua forma de viver, de quem dá valor à sua vida e à dos outros, de quem cultiva a razão e confia no método científico para construir modelos da realidade, e de quem não remete as questões do bem e do mal para seres hipotéticos nem para a esperança de uma existência após a morte.

A Associação Ateísta Portuguesa representa todos os que optem por esta forma de viver e defende a sua liberdade de o fazer.

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (4ª PARTE. CONCLUSÃO)

A Exposição Ponte para o Futuro. Uma iniciativa falhada

Esta exposição, segundo o MOPTC, tinha como objectivo dar a conhecer publicamente a terceira travessia do Tejo (TTT), mais conhecida como Ponte Chelas-Barreiro e, ainda, a Nova Estação do Oriente, destinada à Alta Velocidade ferroviária.

Pretendia-se, assim, contribuir para um melhor esclarecimento público e, concomitantemente, incentivar a participação dos cidadãos na apreciação deste projecto.

Pela parte que me toca, após uma visita demorada, pude alinhavar alguns considerandos que julgo pertinentes, procurando compreende-lo na sua globalidade. Vejamos:

a) O ministério considera esta travessia indispensável para se poder cumprir o tempo de 2h e 45 m no percurso Lisboa/Madrid. Já tive ocasião de demonstrar que isso não é possível tratando-se de uma linha ferroviária mista, conforme acordado com os espanhóis (ver trabalhos anteriores neste sítio, nomeadamente os de 9 de Junho e 9 de Outubro de 2008).

b) Nessas mesmas datas também pude explicar que a componente rodoviária da ponte Chelas-Barreiro não é necessária e, pelo contrário, será mesmo prejudicial na medida em que se encontra demasiado inserida na malha urbana de Lisboa; além disso, não será uma alternativa aceitável no caso do fecho temporário da Ponte 25 de Abril para obras de conservação e manutenção, indispensáveis a mediu prazo.

Motivo este que me levou a escrever que parecia inevitável a implementação da IV Travessia do Tejo a qual, admito, poderá ser entre a Cruz Quebrada e a Trafaria (em Túnel ou em Ponte) e não entre Algés e a Trafaria, muito embora a primeira seja mais extensa; deste modo, irá entroncar na CREL e não na CRIL (hoje quase uma via urbana) permitindo, assim, uma melhor distribuição de tráfego, em Lisboa.

Contudo, a Ponte Vasco da Gama ainda se encontra muito longe de estar esgotada; actualmente, apresenta-se com um tráfego da ordem dos 65.000 veículos por dia, prevendo a RAVE que subam para 91.500 na altura da abertura do Novo Aeroporto de Lisboa, em 2017. Na Ponte 25 de Abril passam, hoje, cerca de 160.000 veículos por dia útil.

Aliás, de acordo com o investigador João Duque que participou no Relatório do LNEC e assinou a análise económico-financeira, “O acesso ao aeroporto de Alcochete pode perfeitamente ser feito pela Ponte Vasco da Gama, sem nenhum drama”; dado que, segundo o grupo de estudos de acessibilidades, “com a malha que temos, estamos garantidos para servir o aeroporto”. Opinião esta igualmente sustentada pela equipa da Associação Comercial do Porto que se debruçou sobre este assunto; e, também, pela Universidade Católica.

Pela parte que me toca chamei, então, a atenção para a possibilidade de se reforçar substancialmente o tráfego ferroviário na Ponte Chelas-Barreiro, nas horas de ponta, desde que se ponham os comboios a circular no mesmo sentido, nas duas vias, durante o período pretendido. É uma solução corrente noutros países, mas que os nossos especialistas parecem ignorar.

Com vantagens evidentes para os utentes e para o ambiente.

Assim, posso afirmar que o tráfego gerado pelo novo aeroporto estará perfeitamente assegurado até 2030, data em que expira (espera-se…) o tristemente célebre “contrato de exclusividade” com a Lusoponte. Logo, o modo rodoviário na Ponte Chelas-Barreiro é um engano, na medida em que não é indispensável para o acesso ao novo aeroporto. É, sim, mais um bom negócio em perspectiva para a Lusoponte que já viu o seu contrato de PPP alterado por três vezes, nos últimos 10 anos.

Numa época de crise generalizada, o Sr. Primeiro-ministro e a sua actual equipa do MOPTC terão de explicar ao país, com toda a clareza, a opção rodoviária no viaduto Chelas-Barreiro cujo custo, aliás, aparece mal estimado na comunicação social.

Com efeito, de acordo com a Comissão Independente para a Componente Rodoviária Da Terceira Travessia do Tejo (TTT), nomeada pelo Sr. Ministro, as estimativas de custo, são:

Viaduto Chelas-Barreiro Modo ferroviário M € Modo Misto M € Diferença M €
Projecto inicial 1.000 1.700 700
Opção por tabuleiro duplo e aumentando o nº de pistas rodoviárias de 3 para 4, por sentido. 2.000 2.500 500
Nota: incluiu uma variação de 25%; assim, como hipóteses para o custo final, teremos. 2.125 3.125 1.000

Como é sabido, o MOPTC optou pelo modo misto que, a concretizar-se, os portugueses terão de pagar com língua de palmo; e, pelas minhas contas, bastante mais do que isso (3.125 M €).

Para uma melhor compreensão dos interesses em jogo, esclareço:

A Mota-Engil e a Vinci acordaram na compra da posição de 30.61% detida pela Macquire, na Lusoponte. Deste modo, a empresa portuguesa tendo adquirido uma parcela adicional de 24,19%, passou a ter uma posição maioritária de 38,02% na concessionária das pontes de 25 de Abril e Vasco da Gama.

Daí resulta que os dois ex-ministros das Obras Públicas. J. Coelho (Mota-Engil) e Ferreira do Amaral (Lusoponte) estão, agora, do mesmo lado a renegociar com o actual ministro Mário Lino as implicações do modo rodoviário na Ponte Chelas-Barreiro, nessa concessão. Segundo os franceses, “les bons esprits se rencontrent…”.

Porém, a Lusoponte detém esses poderes até 31 de Março de 2030; interessa-lhe, pois, “forçar” o modo rodoviário na Ponte Chelas-Barreiro, ainda que ele seja dispensável nesse período, uma vez que não ignora a obrigatoriedade da construção da IV Travessia rodoviária do Tejo, a médio prazo. Portanto, antes de 2030.

E, sendo assim, ficará a ganhar nos dois tabuleiros (o que não é pouco) isto de acordo com um trabalho de dois professores de Direito da Universidade de Coimbra, a que fiz referência no meu texto de 9 de Junho de 2008. Segundo eles, a localização do NAL, em Alcochete, irá gerar uma receita adicional de cerca de dois mil milhões de euros á Lusoponte (nos próximos 33 anos) devido ao aumento de tráfego que irá ser gerado nas duas pontes já citadas.

Contudo os responsáveis do MOPTC pretendem dar uma imagem de gestores eficazes e de políticos esclarecidos. Na prática, mostram claramente a sua ignorância e a subserviência aos interesses estabelecidos.

Nesta ordem de ideias recordo, com mágoa, que já tive ocasião de verberar este ministério pela sua aparente cumplicidade, face a números errados apresentados publicamente, por uma empresa de consultoria internacional, números estes que tive ocasião de emendar (v. Texto de 3 de Abril 2006 – Alguns Erros Grosseiros Quando da Apresentação da AV, e seguintes).

Infelizmente, ainda não perceberam que os altos cargos na política não dão, inevitavelmente, os conhecimentos técnicos indispensáveis; todavia, podem dar a imagem (falsa, assim o espero) de uma coligação com os grandes grupos económicos.

Marx, pelos vistos, tinha (tem) razão ao dizer – possivelmente com algum exagero – que “o governo de um Estado moderno não é mais do que um conselho de administração dos negócios comuns de toda a classe burguesa”.

c) Conforme escrevi na 1ª parte desta série de trabalhos, o Viaduto Chelas-Barreiro (além de um fortíssimo impacto ambiental) irá condicionar ou, mesmo, inviabilizar:

– A navegabilidade do rio Tejo, nomeadamente nos canais de navegação do chamado Mar da Palha; e também, dificultar bastante a acostagem dos navios nos canais de Santa. Apolónia, Xabregas e Matinha, tornando muito difícil as suas manobras, estas condicionadas, também, pelo ciclo das marés e pelas condições atmosféricas, principalmente a força do vento.

Por outro lado, muitos técnicos têm chamado a atenção para o número muito elevado de pilares – muitas centenas – que ficarão implantados neste espelho de água portuário, talvez o maior da Europa.

É de prever que provoquem um assoreamento veloz e continuado, com os resultados que se temem: a destruição de uma boa parte do porto de Lisboa. Imperdoável.

Acrescente-se que as funções dos pilares – muito embora as batimétricas no leito do rio sejam da ordem dos 10 m – terão de descer muito mais para que seja possível ultrapassar a camada de lodo e areia, por vezes muito contaminada, nomeadamente junto à zona afecta à Siderurgia.

– Inutilizar a pista WE do Montijo, segundo o comandante Joaquim Silva, a maior e a mais usada.

Este mesmo senhor informou, numa sessão realizada na Sociedade de Geografia que, no chamado mar da Palha e pouco após a II Guerra Mundial, estiveram ancorados 22 navios da VI esquadra americana; acrescentando que os pilares da ponte e a super estrutura não permitem a passagem de navios com galope acima dos 30 m do nível das águas.

Dois breves comentários:

  • Muito recentemente, tivemos ocasião de ver na TV a amarração de um “Airbus” nas águas do Rio Hudson, em Nova York; o que salvou muitas dezenas de vidas.

Pois bem: essa possibilidade ficaria posta de parte no mar da Palha, com a ideia peregrina de “plantar” pilares no rio Tejo.

  • Há muitos anos (e ainda hoje), na restinga do Lobito, em Angola, havia por vezes necessidade de proteger essa língua de areia do avanço das “calemas” – mar grosso.

A técnica utilizada era muito simples: cravavam-se estacas de madeira, com 2 a 3 metros de comprimento; para isso, eram amparadas, ao alto, por 3 ou 4 homens que forçavam a sua penetração, à medida que se dirigia um forte jacto de água na base dessas estacas, mediante uma moto-bomba.

Entravam muito facilmente e o facto é que, passado pouco tempo, elas ficavam enterradas (em parte) formando cortinas que retinham a areia transportada pelas ondas, em camadas cada vez mais espessas.

Desta forma protegia-se, com êxito, algumas das melhores zonas urbanizadas da cidade.

Fácil é de compreender o que irá suceder, repito, no mar da Palha; aliás como já aconteceu na marina da Expo que custou largos milhões de euros e logo ficou assoreada, durante vários anos.

Haverá um pouco de bom senso? Ou será que a teimosia obstinada dos responsáveis levará a melhor? Salvo melhor opinião, às maiorias absolutas deverão corresponder responsabilidades acrescidas.

– O futuro terminal de cruzeiros de Santa. Apolónia ficará muito comprometido nas suas dimensões e capacidade, dada a proximidade da ponte e as dimensões dos grandes navios previstos. Conforme já alertei, os 675 m projectados para este cais são nitidamente insuficientes para o número de navios que os esperam.

A título de exemplo: Os navios de cruzeiro da classe Génesis têm 360 m de comprimento e 65 m de altura, acima da linha de água; os da classe Freedom, 339 m e 64 m, respectivamente.

Já para não falar no mítico RMS Queen Mary com 335 m de comprido e 72 m de altura.

A Câmara Municipal de Lisboa não terá uma palavra a dizer?

– A navegação dos grandes navios no rio Tejo, também poderá ficar comprometida devido à cota fixada para o banzo inferior do tabuleiro desta ponte, primeiramente fixada em 47 m acima das águas e, agora, sabe-se lá, até que a RAVE se digne informar pois sabe-se que está na disposição de baixar mais esta cota para poder fazer as ligações à rede rodo e ferroviária existente, como pretende.

Em meu entender – e como facilmente de depreende face aos exemplos atrás citados – a cota 47 é insuficiente e, lembro, inferior à do tabuleiro da Ponte Vasco da Gama, situada a 7 km a montante, numa zona onde não há muita navegação. Sendo assim, considero esta decisão da RAVE um acto fortemente condenável. A título de esclarecimento, a cota correspondente da Ponte 25 de Ab

ril é de 70 m acima da linha de água.

O descaramento de quem decide é tal que a maqueta apresentada na exposição “Uma Ponte Para o Futuro” interrompia a sua amarração no local pressuposto para as ligações com a linha de Cintura, Gare do Oriente e rede viária. Quer dizer: olha-se, mas fica-se sem saber como irão ser efectuadas essas ligações e, mesmo, se elas serão possíveis! Considero este modo de proceder intelectualmente desonesto e revelando uma falta de consideração pelos cidadãos, inaceitável.

Isto deve-se, calculo eu, ao desnorte da RAVE que mandou projectar a Ponte sem ainda ter chegado a uma solução definitiva, no que se refere às decisões a tomar e as implicações que daí resultam.

– O acesso à estação de Santa. Apolónia irá ficar inviabilizado e muito condicionado o do Braço de Prata e, mesmo, a Gare do Oriente. A primeira, parece-me indispensável para complementar esta última (com pouco espaço disponível), devendo também funcionar como reserva expectante dos comboios e local de manobra para os mesmos.

Desenvolvi este tema, com mais largueza, no meu texto de 9 de Junho 2008.

Não posso deixar de sublinhar o que considero um erro de palmatória do actual Presidente da C.M. Lisboa ao afirmar que “A expansão da Gare do Oriente é uma oportunidade para repensar se devemos manter o ramal ferroviário de Sta. Apolónia…” já que “a libertação deste canal é uma grande oportunidade para sanear as finanças das empresas ferroviárias e dar uso eficiente ao edifício da actual estação”.

Francamente, Sr. Presidente: acabar com a estação de Sta. Apolónia numa perspectiva meramente mercantil, é um capricho que iria custar muito caro á cidade, dada a sua localização excelente, quase no centro da mesma. Compare com o que está a ser feito noutras cidades como Paris, Londres, Colónia, etc., a título de exemplo, nas quais se recuperaram velhas estações, por vezes centenárias, à custa de trabalhos de adaptação muito importantes.

Um tráfego que tem como destino o centro da cidade é algo de precioso que justifica essas despesas. A propósito, Sr. Presidente: onde vai “despejar” as muitas dezenas de milhar de pessoas que, diariamente, tomam a linha da Azambuja?

Para terminar este capítulo, direi que serão de prever discussões muito difíceis entre o Governo e a Lusoponte (talvez nem tanto, dadas as afinidades dos 3 ex-ministros) no caso de se pretender lançar um concurso internacional – o que é incontornável – para o financiamento, construção e exploração desta Ponte; isto é, um contrato de PPP conforme parece ser o desejo do Governo.

A resolução desta questão complica-se, ainda mais, na medida em que a introdução do modo rodoviário na Ponte Chelas-Barreiro obrigará o Estado a “oferecer-lhe” uma nova concessão – em virtude do tristemente célebre contrato de exclusividade que se mantém – o que irá dificultar o lançamento de um concurso público para a construção desta nova travessia que também envolve, mais especialmente, o modo ferroviário; quer dizer, a AV e as linhas convencionais.

A não ser, claro está, que os empreiteiros escolhidos, ou então, a CIP apresentem uma solução que o Governo (quem sabe?) irá aprovar.

Os meus leitores que desculpem o desabafo. Mas tudo isto parece ser fruto de um amadorismo do 3º Mundo.

Para se evitar o impasse ou os muitos inconvenientes decorrentes das cotas a adoptar para o tabuleiro da Ponte Chelas-Barreiro e a sua ligação com as linhas ferroviárias existentes (linha de Cintura, Gare do Oriente e estação do Braço de Prata), em sua substituição sugerimos em alternativa a travessia Bobadela-Alcochete (em túnel ou ponte), muito mais coerente em termos de traçado e com acesso directo ao Novo Aeroporto de Lisboa, conforme escrevi em trabalhos anteriores. E sem os graves inconvenientes que apontei, nomeadamente nos aspectos ambientais e de navegação no rio Tejo.

Muito embora, esta não seja a solução que escolhi, conforme se verá no capítulo destinado às linhas de caminho de ferro.

Putos a 200 euros, ou o financiamento encapotado aos Bancos

O Tiago já o disse e eu brinquei com a situação.
Mas agora a sério. Com esta medida, o Governo vai transferir para os Bancos, todos os anos, 150 milhões de euros. Se esta medida se mantiver por, digamos, 18 anos, serão 2700 000 000 milhões de euros para depósitos na Banca. Depósitos de que a Banca vai usufruir pelo menos durante 18 anos.
Dizem-me que, ao fim desses anos todos, os putos já lá terão uns 500 euros. Chiça, tanto dinheiro! Nessa altura, deve dar para pagar, sei lá!, uma camisa da moda.
Mas então um Governo dito socialista «dá» dinheiro às pessoas e arroga-se no direito de dizer como é que esse dinheiro deve ser gasto?
Se isto não é financiamento encapotado, então não sei o que será. Talvez uma alma mais simplex me saiba dizer…

Cartazes das Autárquicas (Póvoa do Varzim)

(explicação da iniciativa aqui)
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Renato Matos, PS, Póvoa do Varzim.

Jónsi e Alex:

No passado dia 17 de Julho foi publicado um dos mais impressionantes trabalhos do ano e fortíssimo candidato a álbum do ano: Jónsi e Alex (Riceboy sleeps). Mais um projecto soberbo nascido na Islândia e sob a batuta dos Sigur Rós e das suas Amiina. Caros amigos, estamos perante a mais pura definição da excelência e mais uma pérola da música alternativa ainda pouco conhecida em Portugal.

Ibéria?!? Ibéria, sim senhor!

Para quem não acredita que mais cedo ou mais tarde, uma Ibéria irá emergir.

Mais informações, por favor contactar o sr. Ricardo Salgado, CEO do BES e um dos donos deste país.

POEMAS DO LUSCO-FUSCO

Prendo-me a ti
muitas vezes
para alimentar
a inspiração.
A tua beleza
fere os meus sonhos
com dardos de espuma branca.

              (adão cruz)

(adão cruz)

Dedicado ao Arrebenta

Nota:

Apesar de surgir com o nome de José Freitas, este texto é, de facto, de Adalberto Mar.

Em tempos, alguns caríssimos amigos e deliciosas amigas minhas chamavam-me carinhosamente(!!!), (sabe-se lá porquê!) «The Bitch of The Beach»!
Mesmo em Madrid, a tradução adoptada ao local mantinha-se e por conseguinte chamavam-me na pisicina nudista de La Elipa e do Barrio del Pilar, de tudo: Pendón, Pícaro, Golfo, Zalamero, de lo peor de lo peor de la Peninsula Ibérica, Peligrosa (!!!)… e até… (Deus meu!!) «Guarra!!!».

cao

Hoje, lembrei-me que o Arrebenta tinha de ter também uma dedicatória… uma vez que já passámos aqui tempos sem fim com dedicatórias musicais uns aos outros, numa de «fraternidade e companheirismo bloguista de clube»…e lembrei-me também que ele tinha de dar um «tempinho» às vitimas dele….pois estamos em tempo de ir «on the beach»!!!

Então, dedico isto ao Arrebenta:

 

ON THE BEACH
CHRIS REA
Between the eyes of love I call your name
Behind the guarded walls I used to go
Upon a summer wind there’s a certain melody
Takes me back to the place that I know
Down on the beach

The secrets of the summer I will keep
The sands of time will blow a mystery
No-one but you and I
Underneath that moonlit sky
Take me back to the place that I know
On the beach

Forever in my dreams my heart will be
Hanging on to this sweet memory
A day of strange desire
And a night that burned like fire
Take me back to the place that I know
On the beach

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (4)

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (4)

Como já referi noutro post, o consumo exagerado e indiscriminado de medicamentos é hoje um problema, não só nacional como internacional. Interesses industriais e comerciais convenceram as pessoas de que a saúde se encontra exclusivamente metida em caixinhas e frasquinhos, originando uma autêntica obsessão pelos remédios, não só por parte dos doentes mas também dos médicos. Todos sabemos que há medicamentos úteis, muito úteis e indispensáveis, alguns quase “milagrosos”. Mas há outros que são inúteis, por vezes prejudiciais, potencialmente perigosos. Mas… potencialmente mais perigosos do que os remédios inúteis são, tantas vezes, os bons remédios, os remédios eficazes, quando prescritos por rotina, sem precisão diagnóstica ou terapêutica, com desconhecimento das verdadeiras indicações e dos efeitos adversos, das contra-indicações e das interacções medicamentosas. A nossa experiência tem-nos demonstrado que as receitas “à balda”, sem critério nem critérios, feitas de forma inconsciente, são responsáveis por frequentes e temíveis consequências, constituindo actos que, muitas vezes, deveriam pertencer à esfera do crime. Até o próprio doente já se apercebe facilmente dos nossos erros, das nossas insuficiências, das nossas incompetências e das nossas incapacidades.
Por outro lado, a nossa sociedade vive triturada por uma poderosíssima máquina de “mentir a verdade”. Muitas são as peças desta máquina de mentir a verdade, em todas as áreas, muitas são as injecções deste “soro universal da mentira” que cada vez mais nos induz a “precisar” da medicina, dentro de um escandaloso movimento de mercado que não olha a meios para criar a riqueza de alguns à custa da pobreza de muitos. Na ânsia desmedida do lucro, há uma imposição da “criação de saúde”, “saúde” vendida na escamoteação dos princípios e das consequências, na penumbra das consciências, fortemente sustentada no privilégio que o beneplácito público oferece à coligação de interesses que funde a medicina com a indústria.
Em particular, como também já o disse, o consumo dos remédios pelo paciente idoso é um problema actual e de importância crescente. Intencionalmente foi-se criando a ideia de que a terceira idade, essa idade que nos passa diariamente pelas mãos, é uma doença, o que não é totalmente verdade. A terceira idade é uma fase da vida carecendo de atenção específica e de cuidados sociais, humanos e diferenciados. Não pode, de forma alguma, ser uma mina a explorar pelos vendedores de falsa saúde. O coração dos oitenta não é, tantas vezes, um coração doente e não precisa de quaisquer remédios. Estes, quando prescritos inadvertidamente, podem acabar com ele, dado que a tolerância, a capacidade de adaptação e as margens de manobra e segurança são muito inferiores às de um coração jovem. Não se respeitam, muitas vezes, as regras básicas da farmacologia clínica, nem se tem em linha de conta a co-morbilidade e as alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas próprias do idoso. Há lesões cardíacas que, a despeito de serem irreversíveis, não alteram fundamentalmente o funcionamento do coração e não são modificáveis por qualquer medicamento. Não passa de perigosa fantasia convencer a pessoa a tratar o que não é tratável, fazendo-a correr riscos sem qualquer contrapartida. O saco de remédios, a receita sem observação cuidada e sem avaliação responsável do paciente, é um frequentíssimo hábito lamentavelmente institucionalizado. Isto é válido para todas as áreas da medicina. (Continua).

             (adao cruz)

(adao cruz)

Um exercício académico de um aluno medíocre

É o que é o Programa do PS !

Cobre todas as áreas com objectivos “bonzinhos ” “bem comportados”. Assenta como uma luva neste país como noutro qualquer.

Convém é não esquecer que continuam lá os megaprojectos do TGV e do Aeroporto e da Terceira Ponte que ninguem percebe como se pagam quando não há dinheiro ; convem é não esquecer que não há uma palavra para a dimensão do Estado e do seu cada vez maior intervencionismo na economia; convem é não esquecer que não há lá uma palavra para a maior dinamização da Sociedade Civil, para uma maior responsabilização dos eleitos perante os eleitores .

Descobre as Pequenas e Médias Empresas após quatro anos de intervencionismo no BCP, no BPN, no BPP, na OPA da PT, com o dinheiro da CGD a servir para fazer negócios “finos” e entrar nos jogos de poder das grandes empresas.

É um exercício de alguem que quer ter um 10, envergonhado, tirou uns apontamentos aqui e ali e tenta desesperadamente que o professor não se lembre do que fez durante o ano.

O PS não tem ideias, está esgotado, todos os dias inventa, em desespero, novas medidas que ninguem controla porque já ninguem acredita.

E este programa não tem uma só ideia para o principal problema do país, que é a falta de confiança que separa governantes e contribuintes. Não tem nada a dizer sobre “os ajustes directos” aos amigos ? Sobre os concursos públicos que desapareceram? Sobre os subsídios a quem é da cor ? Sobre as Contas Públicas que se escondem?

Não tem uma palavra para os 150 000 empregos que não se criaram mas prometidos? Para os sugadouros de dinheiro público da RTP, da CP e de uma maneira geral das empresas públicas de transporte?

E a Escola Pública Autónoma de burocracias do Ministério e dos Sindicaros? E o financiamento ajustado do SNS e dizer fim à sua subalternização ante os privados? E a Justiça mais célere e livre de pressões do poder político?

O PS enrolado num lodaçal não tem uma palavra para a transparência, para o tráfico de influências para a igualdade de oportunidades!

DEUS COMO PROBLEMA OU A COMPLEXA SIMPLICIDADE DA EVIDÊNCIA (6)

Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (6)

“Ainda não consegui que alguém que não acredita no prolongamento da vida para além da morte me desse um argumento válido para ser bom para o meu semelhante”. Isto diz o tal meu amigo, que insiste no prémio, no prémio à dimensão da imaginação humana, porque não pode ser outra, um prémio que consiste na ausência de dor, de sofrimento, de fome, de frio, eventualmente com música celestial, um novo género de música infalivelmente feita de notas iguais às de cá, porque não concebemos outras, por enquanto, possivelmente com asas para dar umas voltas pelos céus do céu, e para os mais cultos que exigem um toque transcendental, a felicidade eterna de estar, finalmente, na magnífica presença de Deus, sorridente e afável, nunca mais temido nem ameaçador, porque, entrados no céu é trigo limpo, nunca mais de lá saímos. O prémio que é indispensável receber além da morte para que seja paga e justificada a procura do equilíbrio da justiça e da verdade da vida! Apesar das diferenças entre o Deus de cá e o Deus de lá, e dos diferentes prémios celestiais post-mortem, parece que nem dum lado nem doutro o facto de se acreditar no céu consegue argumentos válidos para se ser bom para o seu semelhante. A vida e a história mostram-no frontalmente. Julgo que nesta civilização do petróleo a que Saramago alude, com poços cheios para uns, e para outros apenas a gotícula para o isqueiro, o amigo a que atrás me refiro já está desfasado. O prolongamento da vida para além da morte, em que acreditam ou fingem que acreditam os únicos que, a seu ver, lhe podem dar um argumento para se ser bom para o semelhante, pouco os incomoda. É certo que a maior parte dos que acreditam não têm poços de petróleo. Mas os que têm poços de petróleo não deixam de louvar e agradecer a Deus e de fingir que acreditam no prémio celestial. Os que não acreditam, os que, a seu ver, não têm argumentos para se ser bom e solidário, são os que mais proclamam que a lastimável situação deste mundo não engana a mais singela das evidências e sempre lutaram e deram a vida para que se saiba que essa mesma situação decorre, exactamente, não da bondade mas da crueldade dos que, em nome de Deus, fazem a guerra e sempre mataram em nome da paz. (Continua).

              (adao cruz)

(adao cruz)

QUADRA DO DIA

Com tais loureiros à solta
Tem cuidado c’oa sardinha
Ficas a zero meu santo
Não te deixam nem a espinha.

Nos 80 anos do nascimento de José Afonso (V)

(continuação daqui)

E. Subitamente, Grândola

Em 1964 é editado um novo disco – Coro dos Caídos, Maria, Vila de Olhão, Canção do Mar. Na noite de 17 de Maio desse ano, actua na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, a «Música Velha», como a colectividade é designada pelas gentes da terra. Aqui se inspira para a criação de Grândola, Vila Morena (que dedica à colectividade), canção que viria a estrear num récita que realizará em Maio de 1972, em Santiago de Compostela. Aliás, essa noite de Maio de 1964, pode dizer-se, muda a sua vida. Canta perante uma assistência constituída maioritariamente por gente pobre, mas faminta de cultura – trabalhadores da indústria corticeira, amadores de música, ceifeiras, alguns clandestinos ligados ao Partido Comunista… José Saramago, então um escritor quase desconhecido, está também entre a assistência. Mais tarde, após a morte de Zeca, Saramago interroga-se sobre o que José Afonso sentiria se pudesse observar o rumo social e político do Portugal dos nossos dias – «Creio que estaria, pelo menos, tão desanimado como eu», conclui o Nobel. Nesta sessão conhece Carlos Paredes, o prodigioso guitarrista – «o que esse bicho faz com a guitarra!», exclama Zeca numa carta aos pais. Compra uma pequena parcela de terreno em Grândola, com uma modesta casa, onde gosta de passar os seus tempos livres. Grândola cativara-o definitivamente pelo ambiente fraterno que envolvia as suas gentes. Pedro Martins da Costa, militante do PCP e, a partir de 1974, vice-presidente do município durante mais de 25 anos, presente no famoso concerto de 1964, diz que ao Zeca agradou sobretudo a igualdade que ali existia antes e depois da Revolução de Abril – continuaram a ser «tão igualitários que nem se sabia quem era o presidente». A letra da canção não constitui, portanto, um conjunto de simples metáforas… Durante anos, na placa toponímica da vila, fechando o círculo de interacções entre a «cidade» e o seu cantor, lia-se. Grândola, Vila Morena – Grândola mudou a vida de Zeca e Zeca alterou a vida e a história da vila (actualmente, a placa foi retirada – decisão política?) Como se diz numa reportagem de Miguel Mora publicada no El País (9 de Agosto de 2007): «Hoje, em pleno centro de Grândola, a Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, continua de pé, sóbria e austera. Resiste, embora tenha estado durante algum tempo fechada e rodeada de tapumes para reconstrução. O tijolo, a construção civil, foram substituindo a pouco e pouco a cortiça, o arroz como fonte de riqueza do concelho». No interior vazio da Música Velha, subsistem, pelo menos no imaginário dos que amam a liberdade, os ecos nostálgicos do que ali ocorreu naquela noite mágica de Maio de 1964.

Andei o dia todo a fazer filhos

São 19.00 horas. Peço desculpa aos meus colegas de blogue por só agora ter chegado, mas é que andei o dia todo a fazer filhos.
Entusiasmado com os 200 euros que o nosso Governo vai entregar aos Bancos por cada puto nascido, desatei a montar tudo o que encontrava à frente. Daqui a dezoito anos, vou ser milionário.
Mulheres, saiam-me da frente!

A arte dos livros

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Su Blackwell é britânica. A sua missão é construir modelos a partir de papel de livros. É um trabalho fascinante e brilhante. E merece ser visto.

O governo safou-nos de boa…

Francisco Louçã : ” Qualquer governo que ocorra depois de 27 de Setembro é um governo muito transitório”

Paquete de Oliveira : ” Venha quem vier para governar o país, após as próximas eleições … tem de ter a consciência de que para o país sair deste estado financeiramente comatoso, de momento, as cancelas de passagem de nível estão fechadas. E a espera para o sinal vermelho se apagar vai ser longa “

Abel Mateus : “O próximo governo vai herdar uma situação económica sem paralelo.”

João Paulo Guerra . ” Portugal nem dará pela saída da crise economica pois já estará metido na seguinte crise orçamental”

Luis Moreira : “Se José Sócrates não sair rapidamente de Primeiro Ministro o país empobrecerá com os megainvestimentos lançados no actual quadro economico-financeiro”

Prof Bambo : ” Isto não está fácil”

Aventar : Dassss….

A IDEIA ATÉ É BOA, MAS…

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PORQUE SERÁ QUE SÓ SE LEMBRAM DAS CRIANÇAS EM ANO DE ELEIÇÕES?.

. .A ideia do ainda nosso Primeiro, na pele de Primeiro ou de candidato a Primeiro, ou ainda de chefe dos candidatos, até que é boa.
Não servirá de muito, convenhamos (são só 200 euros, não serve mesmo para nada), se nos lembrarmos que há Autarquias que oferecem 750 e até 1000, e Zapatero (eu sei que o homem está num País rico, eu sei), anos atrás oferecia 2500. Mas é uma ajuda, importante!
Não favorece a natalidade, como eles dizem, uma vez que não haverá ninguém que queira ter filhos, ou que os vá fazer a correr, para ganhar 200 euros, dinheiro que o puto só poderá levantar aos 18 anos. Mas é uma ajuda, importante!
Nas famílias mais carenciadas não haverá hipóteses de ver acrescentadas entradas de dinheiro a essa conta, mas de qualquer forma sempre vai gerando juros, e é uma ajuda, importante!
Só não é importante o “timming” da ajuda, seja ele do próximo governo PS (coisa que não vai ser) ou do próximo governo de outro qualquer partido. Só aparece agora para captar votos dos paizinhos que irão ser, ou querer ser. Só aparece agora por motivos políticos, que têm a ver com as próximas eleições. Se assim não fosse, ninguém se lembraria (qualquer que fosse o partido) dos jovens.
Mas como diz o outro senhor de que eu até gosto muito, se a medida proposta é assim tão boa e exequível, implementem-na agora, já! Ainda têm tempo, ainda vão estar na governação mais dois meses inteirinhos. ou esta proposta, como muitas das outras é só para votante ver?

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Eu sou ateu graças a Deus

Não sabia que existia uma Associação Ateísta Portuguesa. E mais surpreso fiquei quando li a sua comunicação. É que a matéria que lá se trata nada tem a ver com o facto de se acreditar ou não na existência de Deus. O que lá se trata é da Laicidade do Estado! Coisas bem distintas!

Acreditar que o Estado e a religião ( qualquer religião) devem estar separados, segundo a velha máxima, A Deus o que é de Deus, a César o que é de César, é o caminho que foi seguido pelas sociedades ocidentais. Identificar o Estado com Deus e com uma determinada religião é o caminho que foi seguido pelas sociedades Muçulmanas.

Nestas a religião e a hierarquia religiosa fazem parte do aparelho de Estado, o que tem contribuído para o apagamento de uma civilização outrora pujante e criadora. Veja-se a luta que se travou nos USA na era de Busch, entre o executivo e a ciência, com Busch a impedir a utilização de técnicas científicas por razões religiosas. E isto nos USA que é um Estado laico!

No Ocidente a força da hierarquia religiosa, com principal enfoque na hierarquia Católica, resulta de séculos de doutrina e advem da profissão da fé, de milhões de pessoas. Hoje a Igreja Católica não participa do poder político, embora tenha a influência de ser uma força decisiva na constituição do Estado Ocidental moderno.

Convem, pois, não confundir conceitos e não partir para conclusões que vão sempre no sentido de “a galinha do vizinho” é melhor que a minha!

Cartazes das Autárquicas (Gondomar e Rio Tinto)

(explicação da iniciativa aqui)
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Valentim Loureiro (actual presidente), candidato independente, Gondomar.
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RTC, Movimento Rio Tinto a Concelho

Eu já desconfiava…

“Os funcionários públicos portugueses são os que, na União Europeia, menos horas de trabalho fazem, segundo o estudo Eurofound citado pelo "Jornal de Negócios"
Em 2008, os funcionários do Estado trabalharam em média 35 horas, enquanto a média da União Europeia se situou em 38,3 horas semanais”, escreve o Público.

Eu já desconfiava. Aguardo agora por um estudo sobre a produtividade de cerca de 650 mil portugueses.

Merce Cunningham (1929-2009)

(obrigada ao João Soares, do Bioterra, por ter partilhado este video)

Cartazes das Autárquicas (Porto)

(explicação da iniciativa aqui)
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Elisa Ferreira, PS, Porto.

Quem está a mentir? Que raio de pergunta!

 
Soube deste «post» pelo «5 Dias».
O Rui Herbon pergunta, no Simplex, por que razão se acha que é Joana Amaral Dias que está a falar verdade e não o contrário.
Com toda a amizade, Rui, que raio de pergunta! Ora, acha-se que é Joana Amaral Dias que está a falar verdade porque José Sócrates é mentiroso. Nem sequer percebo a lógica da pergunta.

TEXTO RECEBIDO DA ASSOCIAÇÃO ATEISTA PORTUGUESA

Prezado consócio:

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) está indignada com a forma como a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) se infiltrou no aparelho de Estado e conseguiu privilégios intoleráveis num Estado de Direito e indignos de um país laico.

A chantagem que a Igreja exerce sobre o Governo é da sua natureza, mas a capitulação do Estado é uma indignidade. Os bispos rejubilam com o acordo a que chegaram sobre a assistência religiosa.

Durante a ditadura salazarista havia assistência religiosa nos hospitais e nas forças armadas, agora foi alargada às forças de segurança. Só ficaram de fora os polícias municipais e os bombeiros. Um indivíduo com farda, um simples porteiro de cabaré, arrisca-se a ser borrifado com o hissope, na sequência do acordo sobre assistência religiosa assinado com o Estado Português.

O País paga à peça. A assistência passa a ser uma espécie de prestação de serviços ao Estado, sendo pagos segundo a tabela em vigor e tendo em conta o número de pessoas assistidas. Assim, se um bispo rezar pelas Forças Armadas e de Segurança, teremos de pagar dezenas de milhares de actos pios. Resta saber se um presidiário que se confesse a prestações, 10 vezes por dia, custa 10 vezes mais do que outro que pede a remissão dos pecados a pronto. Tudo isto sem taxa moderadora.

Há uma frase que me deixa perplexo, no telegrama da Lusa, referido no DN: «Um dos aspectos que ressaltou diz respeito ao artigo 16.º. Desta forma, quando um casamento for declarado nulo perante a Igreja, o Estado terá de o reconhecer». Fica a dúvida se esse «O» é pronome pessoal ou demonstrativo. Não sei, se em caso de anulação de um casamento pela Igreja – embora caro e difícil – o Estado tem de «O» reconhecer (a «ele», casamento, ou a «isso», anulação).

Como me parece uma monstruosidade a integração do direito canónico no ordenamento jurídico português, penso que é um pronome pessoal, mas tudo é possível de uma Igreja que pôs o PR e o presidente da AR a fazerem parte de uma comissão de honra da canonização de D. Nuno. Quando a ICAR obtém a conivência de Cavaco e Jaime Gama para o reconhecimento da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com óleo de fritar peixe, por intercessão do espectro de D. Nuno, Portugal deixa de ser um país e torna-se um pântano de água benta.

Caro Consócio, enquanto não averiguo se o tal «O» é pronome pessoal ou demonstrativo, chamo a sua atenção para a regulamentação de matérias como o património da Igreja, a fiscalidade e o ensino da moral e da religião católica cujo acordo temo para breve. Aguardo os seus comentários e sugestões.

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) não deixará de denunciar e repudiar esta escalada beata e os atropelos cometidos contra a laicidade, na proximidade das eleições e no período de férias.

Saudações ateístas e votos de boas férias
Odivelas, 28 de Setembro de 2009
Carlos Esperança TM – 917322645

Os Índios da Meia Praia

A determinada altura tentou-se uma espécie de “reabilitação” do Zeca, que não seria apenas um cantor de intervenção, que as suas canções de amor, por exemplo, seriam recicláveis, uma ladainha que esquecia o facto de estarmos em presença de um poeta maior, e sobretudo de alguém capaz de transformar qualquer estória numa grande canção.

Mesmo a mais “datada” das suas cantigas vale por si, em qualquer dia da semana, em qualquer ano de um século, em qualquer década de um milénio.

Os Índios da Meia Praia, escrita para o filme de Cunha Teles, onde se narra como o povo fez de um quase deserto um sítio para viver, antes de dela fazerem o actual supermercado para turista curtir, é o melhor exemplo disso.

Nela pegaram as Vozes da Rádio e também Dulce Pontes, popularizando uma cantiga que verdade se diga quando foi lançada nem teve um sucesso assinalável.

Claro que se trata de uma cantiga de amor. De amor à humanidade e à justiça. E “quem diz o contrário é tolo“.

Segue a letra completa, parcialmente cantada na versão original em disco, e duas dessas versões.

Aldeia da Meia-Praia

Ali mesmo ao pé de Lagos

Vou fazer-te uma cantiga

Da melhor que sei e faço

De Monte-Gordo vieram

Alguns por seu próprio pé

Um chegou de bicicleta

Outro foi de marcha a ré

Houve até quem estendesse

A mão a mãe caridade

Para comprar um bilhete

De paragem para a cidade

Oh mar que tanto forcejas

Pescador de peixe ingrato

Trabalhaste noite e dia

Para ganhares um pataco

Quando os teus olhos tropeçam

No voo duma gaivota

Em vez de peixe vê peças

De ouro caindo na lota

Quem aqui vier morar

Não traga mesa nem cama

Com sete palmos de terra

Se constrói uma cabana

Uma cabana de colmo

E viva a comunidade

Quando a gente está unida

Tudo se faz de vontade Tudo se faz de vontade

Mas não chega a nossa voz

Só do mar tem o proveito

Quem se aproveita de nós

Tu trabalhas todo o ano

Na lota deixam-te mudo

Chupam-te até ao tutano

Chupam-te o couro cab’ludo

Quem dera que a gente tenha

De Agostinho a valentia

Para alimentar a sanha

De esganar a burguesia

Diz o amigo no aperto

Pouco ganho, muita léria

Hei-de fazer uma casa

Feita de pau e de pedra

Adeus disse a Monte-Gordo

(Nada o prende ao mal passado)

Mas nada o prende ao presente

Se só ele é o enganado

Foram “ficando ficando”

Quando um dia um cidadão

Não sei nem como nem quando

Veio à baila a habitação

Mas quem tem calos no rabo

– E isto não é segredo –

É sempre desconfiado

Põe-se atrás do arvoredo

Oito mil horas contadas

Laboraram a preceito

Até que veio o primeiro

Documento autenticado

Veio um cheque pelo correio

E alguns pedreiros amigos

Disse o pescador consigo

Só quem trabalha é honrado

Quem aqui vier morar

Não traga mesa nem cama

Com sete palmos de terra

Se constrói uma cabana

Eram mulheres e crianças

Cada um c’o seu tijolo

“Isto aqui era uma orquestra”

Quem diz o contrário é tolo

E toda a gente interessada

Colaborou a preceito

– Vamos trabalhar a eito

Dizia a rapaziada

Não basta pregar um prego

Para ter um bairro novo

Só “unidos venceremos”

Reza um ditado do Povo

E se a má lingua não cessa

Eu daqui vivo não saia

Pois nada apaga a nobreza

Dos índios da Meia-Praia

Foi sempre a tua figura

Tubarão de mil aparas

Deixar tudo à dependura

Quando na presa reparas

Das eleições acabadas

Do resultado previsto

Saiu o que tendes visto

Muitas obras embargadas

Quem vê na praia o turista

Para jogar na roleta

Vestir a casaca preta

Do malfrão capitalista

Mas não por vontade própria

Porque a luta continua

Pois é dele a sua história

E o povo saiu à rua

Mandadores de alta finança

Fazem tudo andar pra trás

Dizem que o mundo só anda

Tendo à frente um capataz

E toca de papelada

No vaivém dos ministérios

Mas hão-de fugir aos berros

Inda a banda vai na estrada

Eram mulheres e crianças

Cada um c’o seu tijolo

“Isto aqui era uma orquestra”

Quem diz o contrário é tolo

Para o Miguel

Caro Miguel
Como podes não ir lá ver, deixo aqui como post, o último comentário.
Cá em Portugal, há muito que a igreja devia estar no seu lugar. Ninguém a quer tirar do lugar que lhe pertence, dentro de um estado laico democrático. Sejamos sérios. Ninguém quer mandar a igreja para a fogueira, como ela sempre fez. E hoje, apesar do vaticano ainda o fazer, por outros meios, a igreja não o faz às escâncaras porque não pode, senão a inquisição era de novo realidade. Ninguém tenha dúvidas sobre isto. Há neste momento uns laivos medrosos de intenção governamental de definir os dois papéis. É um passo, muito pequenino mas é. A igreja esperneia, como qualquer um esperneia se lhe mexem nos privilégios. Que esperneie à vontade. Veja-se o que aconteceu em Espanha. É necessário firmeza, razão, compreensão e humanidade por parte do estado, e aceitação da mais democrática lógica por parte da igreja. Sem qualquer tipo de violência. E eu acredito piamente, que a haver violência ela não virá de um estado cauteloso em matéria tão delicada, mas será, não tenho dúvidas, instigada pela própria igreja. David Yallop, um dos mais creditados jornalistas de intervenção, diz, na última página do seu livro, e após inúmeras provas, que é prática corrente do vaticano”encobrir, mentir, prevaricar e negar” para atingir os seus fins.

Entrega as suas poupanças a Manuela ou a Sócrates?

Hoje no i António Capucho coloca a pergunta que se tornou incontornável, na nossa vida política.

O caminho a percorrer seja qual for o governo, é muito estreito, não dá para floreados nem para erros. Precisamos de um governo capaz tecnicamente mas, sobretudo, um governo composto por gente impoluta, ética e moralmente inatacável que mereça a total confiança dos cidadãos.

Precisamos de um governo que perceba que acima dos interesses instalados, ávidos dos megainvestimentos, dos subsídios estatais e dos contratos sem risco mas ruinosos para o Estado, dê prioridade às Pequenas e Médias Empresas, produtoras de bens e serviços transaccionáveis, exportadoras, inovadoras e criadoras de emprego e de valor.

Não podemos continuar a ter dois países, o que vive sumptuosamente no aparelho de Estado e nas Empresas Públicas, nos Bancos e nos grandes Grupos Económicos que vivem dos negócios que fazem com o Estado, e outro, do ordenado mínimo, da pensão miserável, do desemprego, da falta de oportunidades…

Temos que votar e dar a confiança a alguem que não ande nas bocas do mundo pelas más razões, que nos assegure que cada contrato que o Estado subscreva não seja um “roubo de igreja”, que voltem os concursos públicos que se diga não aos “ajustes directos” aos amigos, que diga não aos contratos tipo ” contentores de Alcântara”!

Temos que ter a certeza que cada Euro é um euro bem gasto, que foram definidas as prioridades, feitos os estudos necessários e que não se gaste mais do que o valor contratado.

E precisamos de saber que o Primeiro Ministro de Portugal não vê o seu nome envolvido em casos escuros, em histórias mal contadas e que, por isso, seja pressionável em tomadas de decisão que se podem revelar catastróficas para as gerações vindouras.

Temos que dormir descansados sabendo que o nosso dinheiro está a bom recato!

Vamos entregá-lo a Manuela Ferreira Leite ou a José Sócrates ?

É, no essencial, o que está em jogo nas eleições Legislativas de 27 de Setembro!

DEUS COMO PROBLEMA OU A COMPLEXA SIMPLICIDADE DA EVIDÊNCIA (5)

Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (5)

Por que razão o Papa apelou aos muçulmanos “para que recusem rancores, intolerância e violência como via para suster a propagação do terrorismo e frenar a vaga de fanatismo cruel que põe em causa o progresso e a paz”, e não apelou aos cristãos do lado de cá para pararem as agressões, os assassínios, os assaltos e as invasões? A evidência é demasiado evidente para ser contornada e camuflada.
Quando Saramago fala “nos motivos de natureza política, económica, social, psicológica, estratégica e até moral em que se presume terem ganho raízes os movimentos islamistas agressivos, motivos que levaram à colocação de bombas transportadas às costas em mochilas, e que foram suficientes para que os alicerces da nossa tão luminosa civilização estremecessem e abrissem fendas, criando o mais extremo terror”, só mostra que os pés desta civilização não só são, realmente, de barro, como perderam a mais sólida base de apoio, a mais segura das seguranças, o sentido do Direito, da Moral e da Justiça. Por isso eu não concordo muito com José Saramago quando dá a entender que o problema do Deus de lá e o problema do Deus de cá, o deles e o ocidental são idênticos. Penso que o não são, sobretudo nos tempos que correm. Aquilo que o Deus de cá permite é muito mais terrível, cruel, injusto e sanguinário. Já não falo em Hiroshima e nos muitos Vietnams, ou no quase milhão de vítimas do Iraque, mas lembro apenas, como exemplo, o que se passou no tenebroso massacre de Faluja e no selvagem, bárbaro, irracional e desumano esmagamento de Gaza, que nem os próprios algozes conseguem calar. (Continua).

           (adao cruz)

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MORALES NÃO QUER A IGREJA CATÓLICA

MORALES NÃO QUER A IGREJA CATÓLICA

Evo Morales não quer a igreja católica na Bolívia, ou, pelo menos, quer que a sua actividade seja controlada pelo Estado e reduzida ao mínimo. Diz ele que a igreja católica é um “símbolo vivo” do colonialismo europeu. Mas não é só isso. A igreja católica é um símbolo, infelizmente vivo, da apoplexia mental, da epidemia da ignorância, da anulação da razão, do agrilhoamento das liberdades e da exploração dos povos em qualquer parte do mundo. Se tivesse havido e houvesse muitos Morales a pensar como este, o mundo era outro, e bem melhor, não tenhamos dúvidas.

               (adao cruz)

(adao cruz)