Fabricio Estrada – Síntesis (3 años) Gobierno Manuel Zelaya Rosales (II)

Nota: Fabricio Estrada, poeta hondurenho, envia-nos algumas informações sobre o que se passa nas Honduras. Numa altura em que na nossa comunicação social as informações são escassas, e dúbias, acreditamos que escutar os defensores do Presidente eleito é também uma forma de ultrapassar essas limitações. /continuação de aqui)
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Foto: Esto fue domingo 12, durante un concierto que organizamos! Aquí estamos de pie!!

Educación:

Al crear la matrícula gratis, fueron beneficiados más de 1 millón 750 mil niños y jóvenes en 12,977 centros educativos de todo el país.

La inversión en educación pasó a ser una de las mayores en América Latina: 9.5% del Producto Interno Bruto.

Se elevó un 11% la cobertura de Educación Pre básica.

Se albafetizó a 116,000 alumnos y a 24, 049 personas adultas egresadas de primaria.

Se entregaron 6 millones de textos en materia básicas, y por primera vez incluyendo integralmente a las lenguas indígenas

Se llevó a cabo la Auditoria Social junto a 50 mil padres y madres de familia, además de finalizar el Censo y Auditoria de Puestos y Salarios con el apoyo del Tribunal Superior de Cuentas.

Se le cumplió al magisterio erogando 18,107 millones de lempiras en pagos a maestros, en servicios, materiales, infraestructura y suministros.

116 mil alumnos alfabetizados y 26,049 personas atendidas en la Educación para Adultos
– 152,934 estudiantes beneficiados con Bono de Transporte, 30 mil estudiantes obtuvieron Becas de Excelencia Académica y 40 mil Becas Sociales, además de 2 mil

Solidaridad Social

En el marco de la Estrategia para la Reducción de la Pobreza (ERP) se dio prioridad al Programa Red Solidaria, focalizado en 200,000 familias en extrema pobreza

En un año se aprobaron 582 millones de lempiras a los municipios del país, con fondos de la Estrategia de Reducción de la Pobreza en programas de impacto productivo y social con lo que se benefició a 1 millón 156 mil hondureños.

En un acto de justicia y equidad social, en el campo laboral, se puso en marcha el Programa de Protección de las Empleadas Domésticas, que logro incorporar a los beneficios del Seguro Social a 73,315 trabajadoras del ramo.

En el programa de Red Solidaria que coordina la Primera Dama Xiomara Castro de Zelaya se atendió a 80 mil familias en extrema pobreza gracias a la ayuda de instituciones solidarias que generan oportunidades de sostenimiento con una inversión de 67 millones de Lempiras. De igual forma en el Programa de Merienda Escolar se invirtieron 260 millones de Lempiras y se atendió integralmente a más de un millón de niños y niñas en casi 14 mil centros educativos de todo el país.

– Se salvaguardó la estabilidad económica y social al lograr extender el TPS a nuestros compatriotas en EEUU

Inversión de 1 mil millones de lempiras en proyectos de agua potable en Tegucigalpa.

Se firmó y aprobó el ALBA.

Recaudación Fiscal:

Con la DEI, se logró un hito histórico al recaudar un 25% que el 2006, y esto sin crear ni un tan solo impuesto. La DEI ingresó una recaudación histórica de más de 8 mil millones de lempiras con respecto al 2006.

Seguridad:

– Creación de 3,080 mesas ciudadanas organizadas
– 300 millones de lempiras dados al Programa Comunidad segura

Acciones anticorrupción:

La implementación de la Ley de Transparencia y de Acceso a la Información Publica, tuvo la finalidad del desarrollo y ejecución de la política nacional de Transparencia, así como el ejercicio del derecho democrático y de participación ciudadana en las diferentes instancias de consulta, planificación, control, monitoreo y seguimiento de las acciones del Estado, aspectos que significan un hecho trascendental e histórico para el país.

Se inició la era de un gobierno electrónico CON TRANSPARENCIA Y PODER CIUDADANO, fomentando la eficiencia administrativa, mayor información pública y control ciudadano.

Se crearon, a través de Sinacorp, dos nuevos mecanismos anticorrupción denominados: Honducompras y Onadici.

En los programas sociales con ayuda internacional mediante el ALBA, Honduras recibió 30 millones de dólares para créditos a pequeños agricultores, 100 tractores y 100 millones de
dólares para programas de vivienda, además de otros apoyos para
programas de salud, educación y asistencia en tecnología, sobre todo
para realizar exploraciones de petróleo.

José Ferraz Alves – Empreendedorismo Social no Porto (conclusão)

Outro exemplo de aplicação do empreendedorismo social, já sugerido a propósito da questão da gestão autónoma do aeroporto do Porto, publicado no Semanário Sol em 2009.01.26:

“A Associação de Cidadãos do Porto (ACdP) defendeu hoje que não basta autonomizar a gestão do Aeroporto Sá Carneiro, sendo necessário que as mais-valias obtidas se injectem directamente no tecido económico da região. José Ferraz Alves, economista e membro da ACdP, disse à Lusa que o objectivo é concretizável através de «parceria público-privada auto-regulada», seguindo as teorias de Muhammad Yunus para os negócios sociais. Muhammad Yunus é economista e banqueiro do Bangladesh, fundador do Banco Grameen, impulsionador do micro-crédito e Nobel da Paz em 2006.

De acordo com o modelo proposto, a propriedade e gestão do aeroporto seria privada e das autarquias, mas o seu objecto social não seria a maximização dos seus lucros, antes o desenvolvimento da região, medido por indicadores económicos concretos. Após a recuperação do capital investido pelos accionistas, o aeroporto passaria a ser «a verdadeira fonte de rendimentos para as acções de desenvolvimento da região». José Ferraz Alves disse que o modelo é «perfeitamente exequível» e acrescentou que «o próprio caderno de encargos pode prever que se premeie quem opte por essas soluções inovadoras».

A ACdP entende que estruturas de importância estratégica não podem ser geridas para visar o lucro, mas para injectar as mais-valias obtidas directamente no tecido económico da região. Em gestão autónoma, o aeroporto geraria receitas adicionais na ordem dos 400 milhões de euros, aumentando a competitividade das empresas exportadoras e a criação de 25.000 empregos, segundo estudos de uma empresa de consultoria. «Aplicando os princípios que defendemos, esses valores seriam superiores», acredita a ACdP, para quem o Aeroporto Sá Carneiro deve ser um instrumento estruturante ao serviço do Noroeste Peninsular e de duas das regiões mais deprimidas da Europa». «Não é suposto que seja apenas parte de um negócio lucrativo para quem o explorar a partir de Alcochete», acrescenta.

Junta Metropolitana do Porto, o Conselho Empresarial do Norte e outros agentes do Norte têm reivindicado a separação do Aeroporto Sá Carneiro daANA – Aeroportos e Navegação Aérea, que será alvo de privatização, autonomizando o seu destino do futuro aeroporto de Lisboa e permitindo a sua utilização para potenciar o desenvolvimento da região. – Lusa/SOL”

Enquanto o Empreendedorismo é individual, produz bens e serviços, tem o foco no mercado, a sua medida de desempenho é o lucro e visa satisfazer necessidades dos clientes e ampliar as potencialidades do negócio, o empreendedorismo social é colectivo, produz bens e serviços à comunidade, tem o foco na busca de soluções para os problemas sociais, a sua medida de desempenho é o impacto social e visa respeitar e resgatar as pessoas de situação de risco social e a promovê-las em gerar capital social, inclusão e emancipação social. No médio e longo prazos, esta postura irá influenciar radicalmente a elaboração e execução de projectos sociais, que deverão, cada vez mais, apresentar, como nos negócios empresariais, propostas que demonstrem efectividade, eficiência e eficácia quanto à aplicação dos recursos solicitados, além de apresentar maneiras de aferir os resultados de forma clara e transparente. Que lições se podem extrair?

  • 1. Em primeiro lugar, os empreendedores sociais precisam de criar legitimidade para as suas ideias e abordagens, dado que é preciso uma enorme quantidade de energia para convencer os outros de que as suas propostas transformarão sistemas e práticas injustos e ineficazes.
  • 2. Em segundo lugar, esses empreendedores devem encontrar formas de acesso a líderes políticos, corporativos e filosóficos que abraçarão essas abordagens inovadoras e depois alavancarão os seus contactos de forma a fomentar uma implementação mais ampla.
  • 3. Em terceiro lugar, esses empreendedores também terão de descobrir como atrair capital financeiro, humano e social para apoiar os seus projectos.

Pelo que sugiro a criação a nível autárquico de um Pelouro para o Empreendedorismo Social e de um Fundo de Capital para o Empreendedorismo Social, que junte as fontes de financiamento possíveis (Fundações, Estado, Parcerias Empresariais, Capital de Risco, Business Angels, Doações em dinheiro, em espécie, donativos do IRS e Receitas Próprias dos vários projectos), que responda e seja facilitadora dos projectos isolados e em conjunto que existem e existirão na cidade. Que desenvolva parcerias técnicas com Fundações Internacionais com know-how neste domínio, para fazer o que Bill Drayton e a sua Fundação procuram:

  • – Encontrar os projectos que procuram de forma inovadora resolver problemas sociais e reconhecer o seu mérito.
  • – Em seguida, promover as suas iniciativas, organizando conferências e encontros que juntavam esses empreendedores sociais, ajudando-os a aprender com as experiências mútuas, apoiando-os com pequenas doações, apresentando-os aos doadores, documentando as suas actividades e divulgando os tipos de trabalho desempenhados e respectivas filosofias.
  • – Apoiar a melhor estruturação do seu financiamento e funcionamento sustentável.

Porque não integrar a dimensão social na teoria económica? A generalidade das pessoas preocupa-se com o mundo e com os outros. Os seres humanos têm o desejo instintivo e natural de melhorar a vida dos outros, caso tenham oportunidade. Se pudessem escolher, prefeririam viver num mundo sem pobreza e doença, livre da ignorância e do sofrimento desnecessário. Porque não construir empresas que tenham por objectivo pagar decentemente aos assalariados e melhorar a sua situação social, em vez de fazer com que dirigentes e accionistas se encham de lucros? John Kenneth Galbraith, a propósito da crise de 1928, colocou a desigualdade na distribuição de rendimentos como sendo a sua principal causa. O problema não era o consumo, mas existirem poucos consumidores, o que tornou a economia dependente de um alto nível de investimento ou de um elevado nível de consumo de bens de luxo, ou de uma composição de ambos. O capitalismo moderno tentou resolver o problema através do crédito. Mas, a solução passa necessariamente pela correcção real das desigualdades na distribuição de rendimentos. Numa sociedade onde a riqueza é melhor distribuída, esta circula melhor. Mais vale entregar migalhas a milhões, do que muito a poucos. Para concluir a introdução deste tema, remeto para o texto de Sílvia Mota, no seu Leitura Partilhada e para os comentários aí feitos, do qual transcrevo a seguinte passagem de “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck (1939), Editora Livros do Brasil, tradução de Virgínia Motta:

– Não nos esquecemos de nada? Fizemos, com certeza, tudo o que era possível?
– Aquele tipo lá da cadeia dizia assim: “De qualquer maneira, a gente faz o que pode.” E acrescentava: “A única coisa que nos deve importar é dar sempre um passo em frente, por mais pequeno que ele seja. Se depois, a coisa fizer marcha-atrás, nunca recuará tanto como andou para a frente. É uma coisa que se pode provar, e é por isso que vale a pena agir. Está provado que nada é inútil, mesmo que o pareça.”

Apontamentos & Desapontamentos: Acabar de vez com o trabalho. Uma solução para o desemprego

desemprego
Um dos aspectos que sempre me seduziu na argumentação do ensaísta francês Albert Jacquard (1925) é a sua consistente defesa de uma sociedade futura menos voltada para o consumo e mais evoluída culturalmente, com uma consciência colectiva que ultrapasse interesses pessoais, de classe, de género, etnia, de religião ou quaisquer outros. Mais pobre materialmente e mais rica humanisticamente., regredindo do ponto de vista da posse de bens individuais e evoluindo no sentimento de pertença a uma comunidade de milhares de milhões de pessoas. Mais voltada para o ser do que para o ter. A sua teoria de um «decrescimento sustentável», radica na tomada de consciência de que o crescimento descontrolado das economias conduzirá, com o aumento exponencial da população, ao caos social e ao extremar das desigualdades, dado que os recursos do planeta são limitados, finitos. Hoje não é dia de desapontamento, mas sim de apontamentos.
Apontamentos tomados durante uma intervenção de Jacquard numa jornada de debate interdisciplinar sobre o desenvolvimento territorial a partir das relações entre educação, acção meio-ambiental e cultural, realizada no Centre d’Estudis i Recursos Cultural de Barcelona e a que assisti há uns anos atrás. O que se segue é fruto das notas que tomei, auxiliadas por uma entrevista que no dia seguinte Jacquard deu, salvo erro, ao La Vanguardia e onde pude colher elementos que me tinham escapado na véspera. Não tenho a pretensão de reproduzir textualmente o que o sábio disse, mas sim de resumir o sentido daquilo que disse. Remeto-vos para a leitura dos seus livros, alguns dos quais estão traduzidos em português.
Começou a sua palestra com uma citação de Valéry – «Le temps du monde fini commence», «agora que fomos à Lua, pudemos ver como a Terra é pequena», disse. Em contrapartida, a população não pára de crescer. Dentro de um século seremos dez mil milhões. Temos de reflectir como poderão essas pessoas viver neste pequeno planeta e, para isso, temos de ser lúcidos. A ciência trar-nos-á essa lucidez, pois permite compreender como se fabrica um indivíduo a partir do património genético. Temos de saber ver a nova realidade do mundo. Somos quatro vezes mais do que éramos no princípio do século XX. Se procedermos sem reflectir, desembocaremos na destruição da humanidade ou, em alternativa, na supressão de toda a liberdade. Temos de administrar criteriosamente os recursos do planeta, não podemos ter tantos filhos. Numa Terra pequena tem de se limitar a natalidade.
Quanto ao envelhecimento da população, isso, segundo Jacquard, não é um mal. A velhice traz mais experiência. Veja-se, cada vez há menos trabalho porque há mais robots. Quando houver mais pessoas com mais de 65 anos do que jovens, terá de haver uma adaptação a essa realidade. O objectivo da vida humana não é trabalhar, mas sim desenvolver-se e isso pode fazer-se em qualquer idade. Isto é uma utopia, mas estamos condenados à utopia, afirmou. Os utópicos mais fantasiosos são os que vêm o mundo daqui a cem anos como uma projecção do actual. Ao contrário, os mais realistas são o que o vêm diferente. E uma vez que assim será, mais vale imaginá-lo.
No que se refere ao preocupante problema do crescente desemprego, Jacquard fez uma afirmação surpreendente – O ideal é que não haja trabalho. O problema do desemprego será resolvido quando ninguém trabalhar. Hoje, para produzir alimentos ou viaturas, precisa-se de cem vezes menos trabalho do que há um século. Portanto, devíamos ter cem vezes mais tempo livre. Não soubemos multiplicar os tempos livres. E os tempos livres são o tempo que se dedica à cultura.
Quanto à manipulação genética, Jacquard fez parte durante quatro anos do Comité Nacional de Ética onde discutiu essa questão. Na sua opinião, a manipulação genética foi até agora benéfica. Permitiu avançar na investigação sobre o ADN e começar a curar mais eficazmente certas doenças. Pode também desembocar em aplicações perigosas. Deve proibir-se determinadas aplicações, sem bloquear a investigação. A clonagem humana, por exemplo, seria dramática; tecnicamente possível, é uma abominação. Muitas vezes um êxito técnico ou científico pode constituir uma catástrofe humana.
Enfim, segundo Jacquard, não estamos inevitavelmente condenados ao caos e à catástrofe. A superpopulação, a escassez de recursos do planeta e temas mais imediatos como o desemprego, têm afinal solução. O nosso futuro depende daquilo que fizermos hoje. Afinal, podemos (poderíamos?) ser os deuses do nosso próprio devir.

Humor insular

melga

Alberto Jardim quer uma constituição que proíba o comunismo.

Depois de uma noite em que a defesa anti-aérea cá de casa falhou redondamente, eu queria um decreto que abolisse as melgas. Um despacho também serve, suspeito que a eficácia seria parecida.

Por terras de Sua Majestade (IV)

O Castelo de Stirling fica a uma hora de Edimburg. Aqui viveram Jaime V e Mary de Guise, princesa francesa com quem casou. No alto de uma colina, as suas vistas são de uma beleza excepcional.
Para Glasgow, que fica a uma hora de caminho, junto ao rio Clayde que é razão da existência da cidade. O seu porto de mar foi de uma importância fundamental no desenvolvimento da cidade. Primeiro com a importação de tabaco, depois com a construção naval. Quando a Guerra termina, 75% da população fica no desemprego. Daqui resulta a emigração para os USA e uma sociedade pobre, analfabeta e na origem de grandes problemas sociais.
A cidade responde com o desenvolvimento dos serviços, com as três Universidades e com a investigação cientíica, a ponto de hoje ser uma referênia na Medicina. Aqui se organizam congressos e convenções com os mais prestigiados cientistas mundiais.
Mas há problemas que persistem, como é o caso das mães jovens de 12 anos que são uma percentagem muito superior ao resto do país.
Entretanto, a melhoria das condições de vida da cidade permitem que o salmão volte ao rio.
Aqui, a divisão entre Católicos e Protestantes atinge o cúmulo da rivalidade. A origem das pessoas, ainda muito presente, reflecte-se nos dois clubes de futebol existentes. Celtic é catolico, Rangeres protestante.
Esta divisão entre Católicos e Protestantes começa com Henrique Vlll, que se quis ver livre da mulher para casar outra vez. O Papa nao aceita e o Rei nao está de modas. Manda matar quem não se converta e manda destruir as Igrejas Católicas. Felizmente que se esqueceu da de Durham e desta de Glasgow. É única nas suas catacumbas. Aqui jaz o Santo Mungo, sec.VI, Celta.
É muito frequente ver-se a recuperação dos tectos das Igrejas e Monumentos ser feita com a técnica da engenharia naval, percebendo-se, claramente, que se trata de navios virados ao contrário para quem olha de baixo.
É uma das cidades com mais gente jovem, a que se juntam estudantes de todo o país e de todo o Mundo. Só pagam propinas os de fora, os que não são escoceses.
Trata-se de um grande centro comercial e científico.
Já encontrei o português da praxe que aqui vive há dez anos!

O palco de Jardim

Desalentado por estar a perder o palco das alegrias políticas, João Jardim foi ao fundo da cartola mágica e de lá retirou uma proposta de revisão constitucional. A proposta de revisão já lá está há muitos anos, tantos que, provavelmente, cheira a bolor. Para dourar a coisa, o líder da Madeira resolveu acrescentar uns pontos para tornar a iniciativa mais emocionante e para prolongar o barulho. Assim, sempre volta a ter palco. Quanto mais não seja para matar saudades.

O homem quer as palavras ‘regiões autónomas’ em maiúsculas. Por certo uma questão de estatuto. As regiões autónomas ganham logo outra dimensão se forem REGIÕES AUTÓNOMAS. É ou não diferente? Claro que é. As populações dos Açores e Madeira viverão muito mais felizes. Quer ainda que a expressão ‘Estado Unitário’ seja substituída por ‘Estrutura do Estado’. Estrutura do Estado? Se alguém tiver a amabilidade de me explicar isto, talvez perceba a relevância da mudança.

Outra alteração passa por proibir o comunismo. Jardim odeia comunistas, comunismo e tudo o que se refira a comum. Mais que desconhecimento da história e dos fundamentos da doutrina política, Jardim desconhece a pluralidade. Aquilo de que ele não gosta não deve existir.

No entanto, Jardim é a prova viva de que o comunismo é uma concepção política de muito difícil ou nula aplicação nos seus fundamentos essenciais: é que a sociedade, a economia e a política, tal como as propostas de revisão constitucional, são feitas por homens. E não conheço nenhum que não tenha defeitos.

Pipi das meias altas

Não tem nada a ver com isso. É apenas publicidade enganosa.

Circula para aí uma publicidade que diz que eu não posso viver sem publicidade. Em parte é verdade. A publicidade não é só a “publicidade”. Um mural “revolucionário“, por exemplo, também é publicidade. Publicidade a um serviço institucional também é publicidade, ainda que não venda nada. A publicidade é de certa forma uma expressão artística humana e abrange ainda muito mais aspectos da vida quotidiana. Por isso mesmo, gosto de publicidade, ou não fosse até uma parte da minha profissão. Mas especificamente, refiro-me à publicidade comercial, aquela que tenta vender coisas. Tal como tudo, tem o lado positivo e o lado negativo. O lado positivo é ser um suporte pequeno em que alguém, com liberdade e capacidade criativa, tenta passar uma mensagem da forma mais eficiente possível a um destinatário final. Às vezes é pura arte. O lado negativo é precisamente a mesma situação, com a diferença que o destinatário não sabe que é de facto publicidade. Neste contexto encaixam-se conceitos como por exemplo, as publireportagens, a propaganda e mais especificamente, a publicidade para crianças. Enganar bem, costuma-se dizer, também é uma arte.

Por isso fiquei intrigado com o tal ICAP, de que nunca tinha ouvido falar. Fui então ver o site. Ainda mais intrigado fiquei. Porque o que quer que seja o Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial deu-se ao trabalho de elaborar um muito completo Código de Conduta. Nesse Código, a páginas tantas, fala em crianças e jovens no artigo 23 e um dos parágrafos refere mesmo que: “A publicidade não deve: a) explorar a inexperiência ou credulidade das crianças e dos jovens;(…)“.

Então algo está errado. Não é uma crítica directa ao ICAP. Ainda bem que existe algo que regule a publicidade (nem que seja ela própria), e especialmente a direccionada para crianças. Mas se assim é, não estão a fazer aquilo a que se propõem. Ninguém do ICAP ainda reparou que nos anúncios dos Happy Meals, Danoninhos, Chocapics e afins, exploram a “inexperiência ou credulidade das crianças“, vendendo-lhes hambúrgueres, cereais para pequeno-almoço, iogurtes e todo o género de coisas usando como isco toda uma parafernália de brinquedos e ofertas? No ICAP, ninguém vê os intervalos dos espaços infantis? No ICAP ninguém tem filhos, conhece alguém que tenha filhos ou alguma vez viu um puto aos berros no supermercado por causa de um Kinder Surpresa? Ainda não repararam que existe publicidade MESMO direccionada para os filhos e não para os pais, como deveria ser? No ICAP ninguém vê o Canal Panda?

Pergunto-me ainda: será que estas empresas concebem publicidade propositadamente para crianças, porque têm medo que os adultos deixem de comprar os seus produtos? Ou apenas querem aproveitar a inexistência de crítica e selecção por parte dum “target” mais inocente? Será que estas empresas nunca ouviram falar em estudos sobre como a publicidade influencia directamente as crianças? Será que nunca ouviram falar de nagging? Deveriam saber, porque foram elas que fizeram os estudos…

Custa-me a acreditar que no meio de tantos estudos de mercado e de opinião, tudo isto seja apenas uma enorme, infeliz e inocente coincidência. Para mim, é apenas mais um reflexo perverso de uma economia sem ética que se baseia num consumismo desenfreado e no desperdício constante para se manter em funcionamento. Mais grave ainda, é que isto torna os meios de divulgação de publicidade numa espécie de educadores extra-familiar. E tudo aparentemente promovido apenas com vista ao lucro de uma empresa, porque eu não consigo vislumbrar quais as grandes vantagens para as crianças.

Noutra perspectiva diferente, costuma-se dizer que bons produtos dispensam publicidade. Vendem-se a si próprios. Não sei o que isso quererá dizer dos produtos actuais, tão dependentes de uma boa e hiper-estudada campanha de publicidade. Tanto para adultos como para crianças. Publicidade para crianças não é novidade. Mas é inegável que é um fenómeno em crescendo e cada vez mais agressivo.

Só por curiosidade, eu perguntei ao meu filho se ele sabia o que era publicidade. Com 7 anos, respondeu-me que achava que era um programa para os “grandes“. E anúncios? Anúncios é o que dá no meio dos “programas para os grandes”. E anúncios no meio dos desenhos animados? Não há anúncios no meio dos desenhos animados, senão não eram desenhos animados, mas sim “um programa para grandes”, não é? E é para miúdos com esta inocente mentalidade e que dão este tipo de respostas, que algumas empresas gastam milhões de euros em publicidade para lhes tentarem impingir todo o género de tralhas, iludindo-os e enganando-os com bugigangas e brinquedos de plástico.

Deixo um vídeo ao ICAP, para o caso de nunca terem ouvido falar em “nagging”…

Fabricio Estrada – Síntesis (3 años) Gobierno Manuel Zelaya Rosales (I)

Nota:Fabricio Estrada, poeta hondurenho, envia-nos algumas informações sobre o que se passa nas Honduras. Numa altura em que na nossa comunicação social as informações são escassas, e dúbias, acreditamos que escutar os defensores do Presidente eleito é também uma forma de ultrapassar essas limitações. (continuação de aqui)
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Foto: Esto fue ayer, domingo 12, durante un concierto que organizamos! Aquí estamos de pie!!

Economía:

Nuestra economía tuvo un crecimiento del 5.6%, el mayor de la región y el mayor de los últimos 6 años. Y además se generaron 114,000 nuevos empleos.
El ingreso familiar se elevó en un 18% y la inflación se mantuvo en el 4.9%, el registro más bajo de los últimos 18 años!

Se suscribió los siguientes tratados: Tratado de Libre Comercio(TLC) entre el Salvador, Honduras y Taiwán

Tratado de libre comercio denominado “Triangulo del Norte”, entre las Repùblicas de Honduras,el Salvador,Guatemala y Colombia.

Se suscribieron los Protocolos Bilaterales a los Tratados de Libre Comercio Centroamérica y Chile, Centroamérica y Panamá.

En el marco de la cumbre de Jefes de Estados, Presidentes del Sistema de Integración Centroamericana (SICA) los ministro de Economía y Comercio firmaron el convenio marco para el establecimiento de la unión aduanera centroamericana

Se redujo la tasa de interés y se reactivó así el aparato productivo y la economía en general (Baja de intereses para préstamos bancarios a productores)

En materia internacional se logró la condonación de más de 1000 millones de dólares y la obtención de financiamientos record para proyectos sociales.

Generación de más de 20,000 empleos en el Sector maquila

Energía, Telecomunicaciones y combustibles:

Licitación internacional para la compra de combustible.
Se firmó el Petrocaribe.

Por primera vez en ochenta años se estableció una licitación internacional para garantizar la liberación del mercado y dar propuestas de compras que garanticen precios más bajos al consumidor. Se establecieron precios justos para los combustibles. El Estado absorbió, subsidió y rebajó el precio de los carburantes beneficiando directamente a todos los usuarios del transporte.

Se renegoció el contrato con la empresa generadora LUFUSSA, lo que significa un ahorro de 5,700 millones de lempiras en los próximos 23 meses.

La primera visita de un Presidente de Brasil a Honduras, en la persona de Luis Inacio Lula da Silva, trajo importantes acuerdos de cooperación en el tema de los bio-combustibles, además de firmarse los acuerdos para la construcción de los proyectos hidroeléctricos Llanitos y Jicatuyo.

– La visita del Presidente de Taiwán, Chen Shui-Bian, trajo consigo una inversión directa de 700 millones de dólares (Proyecto Hidroeléctrico Patuca II), además del acuerdo de donación de 30,000 computadoras para el sistema educativo nacional.

A diferencia de gobiernos pasados, se logró hacer rentable a CONATEL al vender la tercera banda de telefonía celular a 80 millones de dólares.

Se instalaron 103 mil líneas telefónicas más y se instalaron 40 centrales telefónicas para el interior del país, obteniendo así ingresos adicionales por 262 millones de lempiras en facturaciones.

Se rescató de la quiebra y privatización a la Empresa Nacional de Energía Eléctrica, subsidiando a la vez el combustible para producir energía eléctrica y beneficiando directamente a casi 600,000 hondureños que fueron exceptuados de pagar la tarifa por su bajo consumo.

Se distribuyeron en todo el país focos ahorradores de energía (bombillas blancas).

Se propuso el Hoy No Circula para el ahorro de combustible vehicular y fue vetado por el Congreso Nacional.

Protección de los Bosques:

– Asignación de batallones verdes en el Patuca, rescatándolo así de la amenaza de ser excluido como Patrimonio Natural de la Humanidad.

Presencia permanente en los bosques de más de 2000 elementos de las Fuerzas Armadas

En tan solo el primer año de gobierno del Presidente José Manuel Zelaya Rosales, se redujo la destrucción del bosque en un 80%, hubo 902 incendios forestales menos y se decomisó madera de color y pino con un valor de 107 millones de lempiras

Se asignaron L100 millones para continuar la reforestación de Honduras

Sector Agrícola:

Se logró la mayor producción de café, frijol y sorgo en los últimos dos años, y en la producción de maíz, tuvimos un incremento del 46%, como no se obtenía en 30 años.

– El Plan de Abastecimiento de maíz y sorgo: se logró el aumento en la producción de maíz de 10.3 millones de qq en 2006 a 15.0 millones de qq en 2007, reflejando un incremento en la producción de 45.6%. producción que no se obtenía desde hace 30 años.

– Nos convertimos en el segundo mayor exportador de tilapia en Latinoamérica

– A septiembre de 2007, se exportaron unas 6,500 toneladas métricas de tilapia, generando US$ 42.0 millones, ocupando el primer lugar en exportaciones al principal mercado que es los Estados Unidos y el segundo en Latinoamérica, después de Ecuador.

Honduras evidenciam instabilidade na América Latina. Abaixo o bonapartismo e o fascismo!

Os mesmos fantasmas históricos do continente latino-americano rondam os seus países de cima abaixo. A sua manifestação actual e mais grotesca acompanhamos com preocupação no pequeno país da América Central, as Honduras, onde Manuel Zelaya, presidente do país, foi derrubado por um golpe militar no dia 28 de Junho.

Ainda que pouco significativos do ponto de vista da economia mundial, ou seja, do ponto de vista do próprio capital, os acontecimentos nas Honduras têm uma grande importância para a classe trabalhadora e para o movimento marxista mundial. O que vemos no país, hoje, é um possível – e bastante provável – desenvolvimento dos instáveis governos bonapartistas que aparecem como tendência não só na América Latina, mas em muitos países do mundo.

Chávez, Lula, Morales, Kirchner, Correia e ainda outros, assim como o presidente deposto das Honduras, Manuel Zelaya, avançam todos no mesmo sentido – governos bonapartistas. Governos que são em última instância a ditadura do capital contra a classe trabalhadora, governos que, como vimos recentemente na Venezuela, perseguem e matam os trabalhadores que protestam contra as demissões e consequências da própria crise do capital.

No entanto, tais governos fingem estar acima das contradições da luta de classes, como “independentes”, e representam, em geral, sectores externos à sociedade dita “civil”, como a burocracia (militar, estatal, sindical etc.). Estabelecem-se de forma totalmente instável, equilibrando-se entre diversos sectores da burguesia e da classe trabalhadora. Evidencia Trotsky a sua imagem: “Se espetarmos, simetricamente, dois garfos numa rolha, esta pode ficar de pé, mesmo sobre a cabeça de um alfinete. É precisamente o esquema do bonapartismo”.

Como também evidencia Trotsky, tal governo é, em geral, a antecâmara do fascismo. O seu carácter instável embasa a sua essência provisória e transitória. É um governo que cumpre o papel de acabar com os sonhos republicanos e constituicionais da burguesia para, ele próprio, abrir o caminho ao fascismo.

Assim, se temos de repudiar desde já os acontecimentos actuais nas Honduras, temos também de repudiar a ascensão do próprio bonaparte Manuel Zelaya, que já continha em si a possibilidade de tal golpe.

A queda de Zelaya e a ascensão da camarilha militar, processo em grande parte apoiado pelos EUA e em contradição com outros sectores da burguesia latino-americana, evidenciam, portanto, a instável situação de toda a América Latina. Com o aprofundamento da crise económica mundal, tais características bonapartistas, semi-fascistas ou fascistas aprofundar-se-ão, tornando ainda mais instável a região.

Basta vermos a insolúvel crise de dominação que se estende no Brasil com o governo Lula, particularmente desde 2005, onde diversos novos escândalos de corrupção abalam o governo a cada dia. Basta ver o resultado das actuais eleições na Argentina, onde Kirchner foi derrotado nas principais cidades. Basta ver a situção de Morales na Bolívia, quase derrubado por conflitos entre sectores da burguesia. Basta ver a derrota de Chávez no recente plebiscito sobre a mudança na constituição do país.

É necessário hoje, mais do que nunca, acabar com todas as ilusões em tais governos, acabar com qualquer tipo de associação ou vinculação, seja com Lula no Brasil, Chávez na Venezuela ou Morales na Bolívia, é precisão não depositar qualquer tipo de ilusão, ilusão que ainda hoje tira o foco da vanguarda da classe trabalhadora, atrasando ou impedindo o fundamental: a construção do partido independente da própria classe.

Tanto no Brasil quanto na Venezuela ou nas Honduras, é hora de lutar contra os bonapartes e contra os fascistas!

Abaixo o bonapartismo e o fascismo na América Latina!

Pela construção de partidos independentes da classe operária!

MNN – Movimento da Negação da Negação
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Fabricio Estrada – Tercera semana de manifestaciones contra Golpe de Estado

Nota:Fabricio Estrada, poeta hondurenho, envia-nos algumas informações sobre o que se passa nas Honduras. Numa altura em que na nossa comunicação social as informações são escassas, e dúbias, acreditamos que escutar os defensores do Presidente eleito é também uma forma de ultrapassar essas limitações.
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Fotos: Esto fue ayer, domingo 12, durante un concierto que organizamos! Aquí estamos de pie!!
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Este lunes parecían retornar a una relativa normalidad en todo el país, pero las tomas de carreteras, marchas pacíficas, y plantones en los parques centrales, se mantienen en contra del Golpe de Estado; después que el gobierno levantara las suspensión de las garantías constitucionales disfrazadas como toque de queda.

“Honduras está tomada por funcionarios de facto, que lo que están haciendo es hundir más al país en la pobreza, porque esto no se termina hasta que regrese a la presidencia Manuel Zelaya, y se castigue a los golpistas que todo el pueblo sabe quienes son.” Expresó un poblador de San Pedro Sula que ha participado en las manifestaciones.

Asimismo la Federación de Organizaciones Magisteriales de Honduras (FOMH) anunció hoy en asambleas informativas en todo el país que los más de cincuenta mil maestros mantienen el paro en todas las escuelas y colegios del país hasta que se restituya el orden constitucional.

En Tegucigalpa cientos de maestros, sindicalistas, campesino y obreros marcharon hoy desde la sede del Stibys hasta el Instituto Central, donde se mantendrán informando a toda la población de que el país no está en normal como lo dicen los medios golpistas, sino que la gente tomé consciencia de que políticos, empresarios y organizaciones asistenciales financiadas con fondos norteamericanos son los protagonistas del Golpe de Estado.

En San Pedro Sula salieron en marcha pacífica del Jardín de Niño, Josefa Lastiri a el Parque Central, para continuar repudiando el Golpe de Estado, porque el gobierno de facto se está oxigenando con el dilatorio diálogo promovido por los EE.UU., que parecen estar a favor del Golpe.

En Comayagua cientos de maestros y sindicalistas continúan con marchas y plantones para exigir que se restituya el orden constitucional: Que regrese Manuel Zelaya a la presidencia y que se encarcele a los protagonistas del golpe.

En El Progreso, Yoro, cientos de obreros, pobladores, campesinos y maestros que se declararon en paro indefinido desde el Golpe de Estado, marcharon hoy desde la Escuela Pedro P. Amaya hasta el Parque Central; posteriormente continuaron en las principales calles de la ciudad para mantenerse en resistencia ante el Golpe de Estado.

La presión internacional crece con llamados a restablecer el orden constitucional.

El mandatario destituido el 28 de junio se reunió el sábado con el secretario general de la Organización de Estados Americanos, José Miguel Insulza y el encargado para América Latina del Departamento de Estado estadounidense, Thomas Shannon.

El presidente venezolano, Hugo Chávez, advirtió que aceptará como única solución la restitución en el poder de Zelaya, un hacendado y político del partido Liberal (centro-derecha) que tras llegar al poder dio un giro a la izquierda y acercó a su país a la Alternativa Bolivariana de las Américas (Alba) que impulsa Venezuela.

Los 106 países de la Comunidad de Democracias llamaron a un “regreso inmediato del restablecimiento del orden constitucional” en Honduras, en su reunión en Lisboa, donde analizaron el estado de la democracia en el mundo.

Por su parte el papa Benedicto XVI en la oración del Angelus dijo el domingo que sigue con “viva preocupación” la situación e invitó al pueblo y a los dirigentes hondureños a buscar un camino “al diálogo y la reconciliación”.

CUIDADO COM OS REMÉDIOS (2)

CUIDADO COM OS REMÉDIOS (2)

Cuidado com os remédios. Sobretudo nas pessoas de idade. O consumo de remédios pelo paciente idoso é um problema actual e de importância crescente. Intencionalmente, foi-se criando a ideia de que a terceira idade é uma doença, o que não é verdade. A terceira idade é uma fase da vida carecendo de atenção específica e de cuidados sociais, humanos e diferenciados. Não é, de forma alguma, uma mina a explorar pelos vendedores de falsa saúde. Muitas vezes tenho dito aos meus pacientes que a cara dos oitenta não é igual à dos vinte, as pernas dos oitenta não são iguais às dos vinte e o coração dos oitenta não é igual ao dos vinte. O coração dos oitenta também tem as suas “engelhas” e também se cansa como as pernas. Mas não é um coração doente e não precisa de quaisquer remédios. Estes, quando prescritos inadvertidamente, podem acabar com ele, dado que a tolerância, a capacidade de adaptação e as margens de manobra e segurança são muito inferiores às de um coração jovem. Há mesmo lesões cardíacas que, a despeito de serem irreversíveis, não alteram fundamentalmente o funcionamento do coração e não são modificáveis por qualquer medicamento. Não passa de perigosa fantasia convencer a pessoa a tratar o que não é tratável, fazendo-a correr riscos sem qualquer contrapartida. A receita, sem observação cuidada e sem uma avaliação responsável do paciente, é um hábito lamentavelmente institucionalizado.

    (adao cruz)

(adao cruz)

Fliscorno – Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005-2009 (II)


Como analisar este gráfico?

Em primeiro lugar, há três aspectos a ter em conta:

1. os preços mostrados são antes de impostos para que se possa perceber a evolução dos preços por parte das gasolineiras;

2. os gráficos são feitos para serem de base 100. Isto é, ao valor máximo de cada uma das grandezas é dado o valor de 100 e os outros valores são calculados por uma regra de 3 simples. Assim, as 3 grandezas têm a mesma escala e podemos compara-las mais facilmente;

3. da minha análise (também corroborada pelo estudo da AdC), concluí que as gasolineiras demoram 1 semana a reflectir os preços do brent. Assim, na mesma linha vertical estão os preços da gasolina e gasóleo para a semana n e o preço do brent para a semana (n-1).

Na situação ideal, as 3 linhas andariam sempre paralelas mas na realidade isso não acontece. Tomemos o exemplo brent-gasóleo (linha amarela e linha roxa). Quando a distância entre estas duas linhas diminui significa que passamos a pagar menos pelos combustíveis do que pagaríamos se o aumento fosse proporcional à variação do preço do brent. Por outro lado, quando essa distância aumenta, passamos a pagar mais. Isto é ilustrado na figura seguinte:

Se dividirmos o gráfico em fatias verticais ficamos com figuras que, se a largura for suficientemente pequena, poderão ser olhadas como rectângulos. Estes têm uma área. Olhando para a variação destas áreas em períodos sucessivos ficamos a saber se acumulativamente temos um saldo positivo, neutro ou nulo. No exemplo da figura estão valores (inexactos) destas áreas, só para efeitos de demonstração. Temos:

94-94=0
94-94=0
129-94=35
115-129=-14
103-115=-12
83-103=-20
83-83=0
83-83=0

O saldo é 0+0+35-14-12-20+0+0 = -11. Se este exemplo fosse exacto, significaria que neste período teríamos passado a pagar menos pelos combustíveis. As contas correctas virão nos posts seguintes.

publicado originalmente aqui

Por terras de Sua Majestade (III)

Edimburgo, bela cidade, debruçada sobre Rio Forth, e constituida pela cidade velha, pela cidade nova e pela cidade de Leethe, hoje todas juntas. Tem cerca de 480 000 habitantes. Desde sempre foi de uma grande importância devido ao seu poderio militar e ao seu porto de mar. Daqui saiam os navios carregados de arenque e salmão para a Holanda (o que hoje é a Holanda) e voltavam carregados de telhas que ainda hoje se vêem nos telhados dos edifícios.
Estas telhas, que correspondem às necessidades de um país cheio de neve, permitem que a neve escorregue para o chão, tal como na Holanda pátria. Eram modeladas pelas coxas das mulheres que lhes davam o perfil ondulado característico.
O que melhor conhecemos é o Festival de Edimburgo que traz um milhão de pessoas e 780 milhões de Libras de receita para a cidade.
A Universidade de Edimburgo está instalada em belos edifícios centenários em plena cidade, com excepção de dois abortos modernos que a população exigiu que fossem demolidos.
Aqui encontramos tambem o Saint Andrews Open, o mais antigo campo de golf e o mais prestigiado open.

Há aqui uma avenida que devia servir de exemplo. Tem prédios de um dos lados e jardins do outro lado. Aquim moraram pessoas conhecidas mundialmente, como Adam Smith, o economista, e enterrado num dos jardins, Walter Scott, o escritor, Lord Lister, ginecologista, o primeiro médico a fazer partos sem dor, Ian Simpson, o primeiro médico a utilizar clorofórmio como anestesia. Robert Louis Steveson, o escritor, morreu em Samora, para onde se mudou por sofrer com o clima e de angina de peito.
Claro que também aqui moraram os maçons cá do sitio, bem como os nobres.
Jorge lV que sofria de “porfíria” e que por isso esteve muitos anos em manicómios (os nossos reis sofriam mesmo de loucura que é para nao haver dúvidas)
Aqui viveu também Maria Stuart, e a tragédia dos seus dias entre 1560 e 1566.
O novo parlamento é um projecto de um arquitecto Espanhol, Henrique Miraliz. Ousado, os autoctones nao sabem se gostam, embora o edifício já tenha ganho 15 prémios internacionais.
A cidade é dividida por uma Av., Prince Street, que tem todas as lojas e marcas que se vêm nas grandes cidades. Todas as ruas desaguam nesta avenida, pois a cidade está organizada por quadrículas. Adivinhem onde foram eles beber esta forma de urbanização?
E, na visita ao Castelo, muito bem recuperado, com óptimos acessos pedonais, lá está o canhão gigante de origem portuguesa, roubado aos Espanhóis na Malásia, no tempo de Filipe lll! Aqui visitei as prisões medievais, onde ainda existem as “camas” onde os desgracados dormiam e as portas originais, em madeira, cheias de “grafittis” onde os prisioneiros escreviam as suas verdades e tormentos. É impressionante saber que foi gente que escreveu aquilo.
Hoje vou a um jantar oferecido e a um espectáculo de musica Celta, pago! Amanhã, sempre vou ao cruzeiro no Mar Negro.
As mulheres quando são como as portuguesas, mas em loiro, são de cair para o lado e eu ja caí uma série de vezes!

Apontamentos & Desapontamentos: Consumo

colombo
Mais uma vez recorri ao dicionário do saudoso amigo José Pedro Machado e, mais uma vez, ele não me deixou ficar mal. Desta feita a consulta foi à palavra Consumir. A entrada diz: «v. tr. (do lat. Consumere). Gastar, destruir, extinguir, corroer até completa destruição. Enfraquecer, abater.» E continua com muitas outras acepções terminando com «Enganar, iludir». Pelo meio, tem as acepções mais comuns – «Dar extracção, procurar géneros alimentícios, artigos fabricados, etc.\\ Despender, gastar ||» e outras menos comuns «Matar, assassinar. || Devorar em silêncio. E entra no foro da liturgia católica:
«Desfazer a hóstia na boca. || Receber (o sacerdote), na missa, o corpo e o sangue de Cristo, sob as espécies do pão e do vinho consagrados.» Está aqui a entrada quase toda, não escamoteei acepções importantes. Não esqueçamos, porém, que a primeira acepção, é sempre a mais importante – «gastar, destruir, extinguir, corroer…» Em épocas de penúria, ansiávamos por poder comprar, consumir. Mas estou desapontado com a abundância da oferta que veio desembocar no consumo.
Corroer até à completa destruição, eis uma boa definição do que é o consumo, quando elevado à categoria de projecto de vida. Vou contar-vos uma história. Um homem, cujo nome é relativamente, conhecido e com o qual privei profissionalmente durante algum tempo, perseguido pela polícia política na sequência do 18 de Janeiro de 1934, a chamada Revolta da Marinha Grande, fugiu para Espanha em cuja Guerra Civil combateu integrado no Exército Republicano (pois casara com uma valenciana). Derrotada a República, esteve num campo de refugiados em França de onde foi evacuado para a União Soviética. Aí viveu e trabalhou até quase ao fim dos anos 60, altura em que foi para Cuba. Por volta de 1970, com mais de cinquenta anos, tendo garantido que não se envolveria em movimentos políticos, foi autorizado a voltar a Portugal com a família. O barco de onde veio de Havana aportou a Valência. Habituado ao rígido racionamento que vigorava, quer na URSS, quer em Cuba, quando entrou pela primeira vez num supermercado, foi por diversas vezes perguntar a uma empregada se podia comprar duas pastas de dentes, depois se podia levar duas ou três latas de feijão, quatro pacotes de lâminas de barbear… até que agastada a empregada lhe disse: – Desde que pague, pode levar o supermercado inteiro – O meu amigo chorou de emoção. Não lhe era fácil conceber tanta abundância à sua disposição. Nesta facilidade de comprar, reside o grande fascínio do consumo – mesmo que não tenhamos dinheiro vivo, podemos sempre utilizar cartões de crédito… Compra-se por impulso, o gesto de tirar os produtos das prateleiras e de os pôr no carrinho é gratuito. Só na caixa nos apercebemos do dinheiro que gastámos. Tem-se a falsa sensação de que as coisas não custam dinheiro.
Ainda há relativamente poucos anos, vivíamos numa economia de poupança – as roupas usavam-se enquanto duravam, os géneros alimentícios não tinham prazo de validade, sendo esta determinada pelo bom ou mau aspecto que os produtos apresentavam, as pastas dentífricas eram gastas até ao fim (havia uns artefactos, primeiro em madeira e depois em plástico, para as espremer), se saíamos de uma sala, apagávamos as luzes… Era, de facto, uma economia e uma cultura de penúria, mesmo para as famílias ditas «remediadas», aquilo a que agora se chama classe média. Hoje, vê-se pessoas com graves problemas económicos, mas que são incapazes de economizar. Não sabem. Nem relacionam o facto de deixarem todas as luzes acesas, de se desfazerem de roupas em bom estado (mas que «já se não usam»), com as dificuldades por que passam e com o facto de a meio do mês já não terem dinheiro e começarem a viver com a conta-ordenado e com o crédito dos cartões levados até ao limite. Nem com o número de chamadas que fazem com o telemóvel, muitas delas (para não dizer a maioria) dispensáveis. Troca-se de carro, embora aquele que se larga possa ser melhor do que o que se adquire. E por aí fora. Consome-se.
Um dos motivos para o aumento do número de divórcios é o facto de ao período (por vezes, prolongado) de namoro, em que os pais continuam a resolver os problemas básicos, se sucede a chamada «vida real» – contas para pagar, coisas para comprar – assuntos «mesquinhos» do dia-a-dia, que dão lugar a discussões mesquinhas e, sobretudo, ao choque de vontades pouco treinadas para serem contrariadas, porque desde o berço foram habituados a não aceitar o não como resposta. E não é uma palavra para ser usada, como qualquer outra. O confronto de vontades, gera discussões e verdadeiros desapontamentos. E aos desapontamentos, seguem-se muitas vezes os divórcios. Habituadas como estão agora as pessoas aos produtos descartáveis, deitam fora uma relação e começam outra. A geração dos famosos anos 60, a minha, tem graves responsabilidades nesta disfunção. Criámos os filhos seguindo o princípio de que era proibido proibir. Essa educação, que quase se traduziu numa ausência de educação, criou estes cidadãos que, generalizando (o que é perigoso) podemos dizer que é uma geração que não luta pelas coisas, não luta inclusive pelo amor – gasta o amor como se fosse um produto descartável.
Em suma, o consumo também consome o amor.

Suruba…do melhor!

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Dr.Yuri Sergei Kalashnikov: 1ª Consulta from SURUBA on Vimeo.

É só fazer as contas…

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Sócrates anuncia ainda bolsas de estudo para alunos do 10º ano.
Retirado daqui

Poemas do lusco-fusco

No caminho do teu rosto
junto ao rio dos teus olhos
há sempre uma estalagem
onde paro
para beber um poema.

   (adao cruz)

(adao cruz)

Os idealistas e os oportunistas (ainda a propósito da morte de Palma Inácio)

                                                
Cito Carlyle de memória: «as Revoluções são feitas por idealistas e quem delas se aproveita são oportunistas da pior espécie.»

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (3ª PARTE) – II

A renovação de um contrato baseada num projecto virtual

Prosseguindo com a leitura do belo impresso recebido fiquei, desde logo, motivado para uma visita à exposição anunciada na Gare Marítima de Alcântara. Tanto mais que, há muitos anos não revia os painéis do Almada Negreiros que fui encontrar impecáveis na sua conservação, ladeando um ecrã onde passava, periodicamente, um filme de propaganda ou seja, a divulgação deste projecto… virtual.

Resumindo fica-se a saber que o projecto Nova Alcântara representa um investimento total de 407 milhões de euros, dos quais 227 milhões da responsabilidade da Liscont e o restante a repartir pela REFER (106 milhões) e pela APL (75 milhões).

Nele está previsto o enterramento das linhas da c.f. na zona, incluindo uma ligação da linha de Cascais à de Cintura, por túnel, dando continuidade aos serviços urbanos de passageiros entre as duas linhas. Contempla, ainda, a construção de uma nova estação subterrânea em Alcântara-Terra, como ponto de passagem entre as duas linhas.

Nada se adianta, porém, que nos possa esclarecer acerca da viabilidade deste projecto (pensado há muitos anos, mas nunca concretizado), extraordinariamente complexo e difícil de executar dadas as muitas condicionantes do que resultará um custo fortemente penalizante. Lembro, entre outros:

  • A sua implantação numa falha sísmica e em solos de composição pouco favorável e orografia complicada, entre vias urbanas muito solicitadas;
  • A existência do chamado caneiro de Alcântara (subterrâneo) que vai desaguar no Tejo e cerca de 60 m  a jusante da Gare Marítima de Alcântara carreando, por vezes, muito material sólido à mistura. O local onde desagua no rio, perto do cais,  é bem visível pelo constante borbulhar das águas;
  • Baixando as cotas do c.f. das linhas Lisboa/Cascais, com uma nova estação subterrânea em Alcântara-Terra, daí resulta que não é possível garantir o gradiente 12 por mil recomendável para uma linha mista (passageiros e mercadorias), no troço de cerca de 3 km entre essa estação e Campolide.
  • Por outro lado, o abaixamento das linhas na proximidade da Gare Marítima de Alcântara irá faze-las colidir com o atrás citado caneiro; para que isso não aconteça, seria necessário agravar substancialmente a pendente final do seu percurso para poder passar debaixo das linhas do c.f. (ou vice-versa, o que também seria absurdo).

Permitam-me que aconselhe uma consulta aos arquivos da Sociedade OPCA, empresa prestigiada na época e à qual se devem muitas obras emblemáticas, entre as quais lembro o já referido caneiro de Alcântara, o túnel ferroviário no seguimento da Ponte 25 de Abril, o Cristo-Rei, o Armazém Frigorífico do Bacalhau (hoje Museu do Oriente) e, ainda, muitas outras obras de engenharia relativas ao Plano de Rega do Alentejo, nomeadamente barragens, túneis, reservatórios de água, canais, pontes, habitações, etc. .

Homenagem a um grande resistente antifascista


Não era um amigo íntimo do Hermínio da Palma Inácio, ao contrário do que algumas pessoas pensam, sabendo-se que escrevi um romance inspirado na tentativa de assalto à cidade da Covilhã, em Agosto de 1968 (A Mão Incendiada). Também, ao contrário do que já se tem dito, não participei nessa acção, por duas razões de peso: não pertencia à LUAR e estava preso em Caxias quando a operação foi preparada. Estive reunido com ele por diversas vezes depois do 25 de Abril, mas a única conversa pessoal que tivemos foi quando, festejando os seus 80 anos, um grupo de amigos organizou um jantar num restaurante do Bairro Alto. Fiquei ao seu lado, conversámos sobre muita coisa e, naturalmente, sobre o livro. Teve a amabilidade de me dizer que, apesar de ser uma ficção, as coisas se tinham passado quase como eu as descrevera. Mérito de um participante na acção, o Fernando Pereira Marques, escritor e, actualmente, professor universitário, que entrevistei por diversas vezes, enchendo cassetes com os pormenores da operação.
Não era um amigo íntimo do Palma Inácio, mas admirava-o muito. Penso que ele foi, como alguém disse, um dos últimos heróis românticos protagonizando actos como os que, durante a ditadura, muitos de nós sonhávamos praticar: Participou ao lado de militares, numa tentativa de golpe de Estado; assaltou um banco (sem provocar vítimas – as armas eram réplicas); desviou um avião da TAP obrigando o piloto a sobrevoar a baixa altitude o centro de Lisboa e lançando panfletos revolucionários;  tentou tomar de assalto a cidade da Covilhã; fugiu das instalações da PIDE, na Rua do Heroísmo, no Porto…
Enquanto alguns sonhavam afrontar o regime (e éramos presos muitas vezes só por ter esses  sonhos) ele desferia-lhe golpes certeiros, uns atrás dos outros. Um herói romântico, parece-me uma boa definição, desde que por «romântico» não se entenda o avesso daquilo que o Palma realmente era – um homem de acção.; um homem para o qual a teoria não era para discutir pelos cafés – era para levar à prática.
Como se dizia no post do Aventar, sem o Palma ficamos todos mais pobres, pois com ele é um pedaço da nossa história recente que desaparece, que se perde. E perde-se um homem muito valente, um resistente e um lutador pela democracia.
 A minha sincera e comovida homenagem.

Palma Inácio, o «último herói romântico de Portugal»

Palma Inácio nasceu em 1922 em Ferragudo. Mecânico de Aeronáutica Civil, protagonizou diversas operações de sabotagem do regime durante a Ditadura. Em 1947, aderiu ao Golpe dos Militares, cabendo-lhe como missão sabotar os aviões da base aérea da Granja, em Sintra. Esteve durante 7 meses na clandestinidade, período após o qual foi preso pela PIDE no Aljube. Conseguiu escapar da prisão, saltando de uma altura de 15 metros, fugindo para Marrocos, Estados Unidos e Brasil.
Em 1956, desviou um avião para sobrevoar Lisboa e lançar 100 mil panfletos contra o regime. Em 1967, deu-se o mais espectacular golpe contra a Ditadura – o assalto ao Banco de Portugal da Figueira da Foz como forma de financiamento das operações da LUAR, que entretanto fora criada em Paris. Foi aí que planeou um outro golpe, a tomada da cidade da Covilhã, que fracassou. Preso no Porto, volta a fugir serrando as grades da cela. Foi detido novamente e violentamente espancado, agora em Caxias, em finais de 1973, quando tentava entrar em Portugal.
Foi o último preso político a ser libertado, a 26 de Abril de 1974, apesar da contestação de alguns sectores, que o viam como um preso de delito comum. Aderiu então ao PS, e por este Partido foi eleito Deputado à Assembleia da República na IV Legislatura. Chamaram-lhe o «último herói romântico de Portugal».

Morreu Hermínio da Palma Inácio


Palma Inácio no momento da libertação após o 25 de Abril

Morreu hoje Hermínio da Palma Inácio, um combatente antifascista, um dos homens que mais golpes assestou na ditadura – assaltou bancos, desviou um avião, tentou tomar a Covilhã, evadiu-se da sede da PIDE no Porto… Ao contrário dos muitos «guerrilheiros de café», que passavam o tempo em conspirações inócuas e muitas vezes eram presos sem nada terem feito, Palma Inácio não distinguia a teoria da prática – projecto conspirativo elaborado era para concretizar. Pode concordar-se ou não com o seu percurso político. De uma coisa podemos estar certos, morreu um homem corajoso, um homem que lutou pelas suas ideias, que resistiu à tortura, que defrontou sem medo os seus adversários. Estamos mais pobres.

A luta desigual de Capuchino e El Fandi

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AP Photo/Daniel Ochoa de Olza

À direita está Capuchino. À esquerda, “El Fandi”. Este é mais um episódio da luta entre homem e touro. Uma luta sempre desigual, em desfavor do touro, claro. Mesmo que este se apresente de forma valente na arena, o destino é sempre o mesmo: a morte. Seja na praça ou no matadouro.

Este ano Capuchino foi notícia. O touro matou, com os cornos, Daniel Jimeno Romero, uma das pessoas que decidiu colocar à prova a sua “virilidade” correndo à frente dos animais nas festas de San Firmin, em Pamplona, Espanha

Dizem-me que se não fossem as touradas, os touros já estariam extintos, porque ninguém os iria criar. E andarem à solta, nem pensar. Não sei se é ou não verdade.

Não gosto de touradas. Acho que é um espectáculo degradante. Apesar de um dos contendores ter, por norma, mais de 500 quilos, a luta não é igual. O touro já vai ferido e dopado para dentro da arena. Não há ali nada de justo. Em comparação com as lutas de gladiadores dos romanos, mesmo que não totalmente equilibradas, eram-no mais que aquilo que se passa nas praças de touros de Portugal, Espanha e outros países.

Este ano Capuchino foi notícia. O touro matou, com os cornos, Daniel Jimeno Romero, uma das pessoas que decidiu colocar à prova a sua “virilidade” correndo à frente dos animais nas festas de San Firmin, em Pamplona, Espanha.

Capuchino não gozou muito a sua triste fama. Foi morto na arena por El Fandi alguns minutos depois desta fantástica imagem ter sido tirada. Ali já não há qualquer duelo. Capuchino está derrotado e nada pode fazer para contrariar El Fandi, que parece estudar com a mão o local onde irá espetar a espada. El Fandi foi levado em ombros por ter assassinado um touro na arena. Capuchino não sei para onde foi.

Em San Firmin ficaram feridas centenas de pessoas ao longo dos dias da “festa”. Um morreu.

Dizem que é uma tradição. Consta que o canibalismo também era tradição há muitos anos atrás.

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Nota: Sim, como carne. Não, não gosto de touradas. Até poderia achar interessante se fosse justa, cada um com as suas armas. Isto é, o touro com os cornos e o toureiro com as mãos.

José Ferraz Alves – Empreendedorismo Social no Porto (parte II)

Estamos a viver a construção histórica de um novo modelo de gestão social, que recusa a lógica da filantropia, da caridade e do assistencialismo, que mais serviram para aplacar a consciência dos “ajudadores” do que resolver de facto a vida dos “ajudados”, para incorporar uma lógica empreendedora. Este novo modelo busca a inovação de estilo empresarial na solução de problemas e causas sociais, impactando acções que geram, na prática, mais do que na teoria, a emancipação social, a inclusão social e o envolvimento responsável dos cidadãos por meio do stock de capital social e acções voltadas para o desenvolvimento integrado e sustentável. Verifica-se que esse processo surge da constatação do crescimento das organizações do terceiro sector, da diminuição do investimento público na questão social e da participação crescente das empresas no campo social.

Estamos na era dos fundadores do Google, dos que investem em “start-ups” de energia alternativa, como a eSolar e a Makani Power. Nos tempos, como o refere o “The Economist”, da senhora francesa que montou uma empresa para cuidar de crianças cujos pais trabalham até horas tardias. Ou da senhora checa que gere uma linha de apoio para vítimas de violência doméstica. Ou de um líder social, como Barak Obama, que se está a focalizar nas questões climáticas, no empreendedorismo social e nos direitos humanos.

São os tais empreendedores sociais que até agora se viam a si próprios como alternativa ao Governo, mas que hoje querem ser parceiros e intervir nas decisões. O empreendedorismo social é um conceito. Qualquer iniciativa inovadora para ajudar os outros cabe neste conceito. Exemplos:

  • – A distribuição de medicamentos a doentes pode ser um exemplo de empreendedorismo social.
  • – Como pode ser a construção de um centro de saúde numa aldeia onde não exista nenhum serviço de cuidados médicos.
  • – Pode ser produzida alimentação de qualidade para crianças pobres, eliminando os custos da embalagem de luxo e da publicidade.
  • – Ou podem-se comercializar seguros de doença que permitam aos mais necessitados aceder a cuidados médicos.
  • – Ou dedicarem-se à reciclagem dos lixos e águas residuais que poluem um bairro habitado por excluídos sociais.
  • – Ou imaginar-se um negócio que possa ajudar as famílias atiradas para a rua pela crise dos sub-primes.

Neste sentido, e de forma mais específica, o empreendedorismo social pode ser considerado como:

  • – Um novo paradigma de intervenção social, pois apresenta um novo olhar e leitura da relação e integração entre os vários actores e segmentos da sociedade.
  • – Um processo de gestão social, pois apresenta uma cadeia sucessiva e ordenada de acções, que pode ser resumida em três fases: a) concepção da ideia; b) institucionalização e maturação da ideia; c) multiplicação da ideia. É um processo que se quer semelhante ao da metamorfose da lagarta, que entra no casulo e sai borboleta.
  • – Uma arte e uma ciência. Uma arte porque permite a cada empreendedor aplicar as suas habilidades e aptidões e, por que não, seus dons e talentos, sua intuição e sensibilidade na elaboração do processo do empreendedorismo social. Uma ciência porque utiliza meios técnicos e científicos para ler, elaborar/planear e agir sobre e na realidade humana e social.
  • – Uma nova tecnologia social, pois sua capacidade de inovação e de empreender novas estratégias de acção faz com que a sua dinâmica gere outras acções que afectam profundamente o processo de gestão social, já não mais assistencialista e estático, mas empreendedor, emancipador e transformador.
  • – Um indutor de auto-organização social, pois:

    • . Não é uma acção isolada, mas, ao contrário, necessita da articulação e participação da sociedade para se institucionalizar e apresentar resultados que atendam às reais necessidades da população, tendo de ser duradouro e de alto impacto social.
    • . Não é privativo, pois a principal característica e a possível multiplicação da ideia/acção partem de acções locais, mas sua expansão é para o impacto global. Dessa forma, é um sistema dentro de um maior, que é a sociedade, gerando mudanças significativas a partir do processo de interacção, cooperação e stock elevado de capital social.

  • – O processo de empreendedorismo social exige, principalmente, o redesenho de relações entre comunidade, governo e sector privado, que se baseia no modelo de parcerias, tendo como principal objectivo “[…] retirar pessoas da situação de risco social e […] o foco é nos problemas sociais, e o objectivo a ser alcançado é a solução a curto, médio e longo prazos destas questões […] buscando propiciar-lhes plena inclusão social”.

O que motiva? David Green, um dos maiores exemplos de inteligência empreendedora aplicada à criação de modelos financeiros que oferecem tecnologias de saúde de qualidade aos mais pobres do mundo: “Meus motivos são puramente egoístas. Penso que fui colocado na Terra por um período muito breve. Poderia usar os meus talentos para ganhar muito dinheiro, mas onde estaria no final de vida? Prefiro ser lembrado por ter dado uma contribuição significativa para melhorar o mundo para o qual eu vim, a ter ganho milhões”.

Intelectuais, políticos, empresários e pesquisadores sociais apontam distorções, culpam o governo, criticam as políticas públicas e identificam gestores e instituições corruptas, ineficientes e ineficazes. Muito se fala e pouco se faz de concreto e efectivo. Muitas vezes, o que se fala esconde a inércia, o conformismo, a visão banalizada dos problemas, o cepticismo diante das questões sociais. No próximo post, pretendo fazer uma sugestão para o Porto.

Nota: citações de John Elkington, “The Power of Unreasonable People: How Social Entrepreneurs Create Markets and Change the World”

Apontamentos & Desapontamentos: As «Primaveras» de Praga e a Marcelista

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Em Agosto de 1968 (no mesmo mês em que Salazar caiu da cadeira), pondo termo às reformas que o governo de Alexandre Dubcek anunciava, tropas do Pacto de Varsóvia ocuparam Praga e esmagaram aquilo a que já se chamava a «Primavera de Praga». Desde que em 5 de Janeiro Dubcek assumira a liderança do P.C., as coisas tinham-se precipitado, com a censura a ser revogada em Março, a lista pública das reformas a ser apresentada ao povo em Abril, com o documento «Duas Mil Palavras», subscrito por gente de todos os quadrantes da vida checoslovaca, exigindo a abertura política do regime. Em Moscovo soaram campainhas de alarme. Quando os líderes checoslovacos recusaram a convocatória soviética para uma conferência em Moscovo, a paciência russa extinguiu-se – em 21 de Agosto, duzentos mil soldados e cinco mil tanques do Pacto de Varsóvia irromperam em Praga. Dubcek, preso, foi levado para Moscovo. Fim de festa. A primavera daquele verão acabara em inverno.
Os ecos invasão da Checoslováquia duraram mais algum tempo. No ano seguinte o assunto não morrera ainda. Logo em Janeiro, o estudante Jan Palach imolou-se pelo fogo na Praça Venceslau, em Praga. Em Abril deu-se a substituição de Dubcek por Gustav Husak à frente do partido. Pelo mundo fora continuavam a circular entre outros, documentos assinados pelo próprio Dubcek, um longo discurso de Fidel Castro sobre o tema, defendendo e justificando a invasão porque «a Checoslováquia se encaminhava para uma situação contra-revolucionária»; Roger Garaudy assinalava a «liberdade adiada». Todos estes testemunhos saíram num livro coordenado por Isabel do Carmo – «Dossier Checoslováquia», publicado em Dezembro de 1968.
Em Portugal, nesse ano de 1969, já com Caetano no poder, era a «primavera marcelista», com algumas promessas de abertura, que se encaminhava para uma liberdade adiada – a «abertura» limitara-se à mudança de nomenclatura – a PIDE, passou a ser DGS, a União Nacional foi crismada de Acção Nacional Popular… maquilhagens. No essencial, tudo ficava na mesma – a guerra colonial, a repressão, a descarada fraude eleitoral logo nas legislativas de Outubro… Outra falsa primavera.
Porém, tentando dar alguns sinais visíveis dessa abertura, nesse Verão de 1969 veio a Portugal uma delegação da União Soviética. Vinha avaliar as potencialidades de Portugal como destino turístico dos soviéticos – eram gente distinta: generais que haviam combatido em Espanha, bailarinas do Teatro Bolshoi, escritores e um jornalista do Izvestia, que vimos logo ser o chefe político da delegação (homem do KGB, pela certa). Só ele tinha autorização para falar.
Eu estava a viver numa cidade do centro do País. Em Lisboa a delegação colhera a informação de que na cidade onde vivia, que estava no itinerário dos soviéticos, deviam contactar-me. Não que eu tivesse alguma coisa a ver com a URSS ou sequer com o PCP – digamos que era um esquerdista assumido e referenciado (com duas prisões políticas no currículo). O homem do Izvestia/KGB quando chegou telefonou-me e combinámos encontrar-nos nessa noite com a delegação soviética, eu e os amigos que quisesse levar, no hotel da cidade, uma unidade hoteleira de luxo (na altura) que Américo Tomás inaugurara, meses antes, com um longo discurso em que se referiu sempre a uma cidade diferente, embora próxima, numa das famosas gaffes que lhe valeram o cognome de «cabeça-de-abóbora».
Uma meia dúzia de antifascistas locais, homens e mulheres, com a curiosidade de conhecer soviéticos (que para nós eram uma espécie de extra-terrestres) a superar o medo da polícia política, lá fomos ter ao hotel onde tivemos de esperar pelo fim do jantar oferecido pelo presidente da câmara (que no livro da Isabel Flunser Pimentel sobre a PIDE vi, sem surpresa, ser referenciado como agente informador daquela polícia), com ranchos folclóricos e tudo. Sergei, o jornalista viera, mal chegáramos, falando um castelhano impecável, receber-nos, convidando-nos amavelmente a tomar tudo o que quiséssemos e teve depois de voltar para o jantar. Fomos bebendo os nossos uísques e a delegação numerosa (cerca de trinta elementos) lá nos veio cumprimentar. Na sua maioria só falava russo – nós, entre os sete, dominávamos o francês, o inglês e o castelhano. Comunicação cortada, portanto, salvo com os generais combatentes na Guerra Civil, que falavam espanhol e com os quais tentei em vão encetar uma conversa. Estavam todos muito fatigados, disseram (e deviam estar mesmo), sorrisos, beijinhos, abraços e recolheram aos seus quartos, ficando só o Sergei a falar connosco.
Tema inevitável: a Checoslováquia. Todos nós, esquerdalhos impenitentes, condenávamos a invasão. Sergei não se atrapalhou, um a um, com grande mestria, foi contestando os nossos argumentos. Em síntese, a sua defesa da invasão baseava-se em que na Checoslováquia, segundo ele, sobrevivera uma ampla burguesia porque não havia tantos judeus como noutros países da região e o holocausto nazi não provocara tantas baixas entre a inteligentzia. Cientistas, médicos, engenheiros, arquitectos, professores, artistas, escritores, haviam sobrevivido, invadindo sindicatos, organizações de trabalhadores e as próprias estruturas do partido. Agora, com o nível de vida em alta, queriam recuperar os seus privilégios de classe, derrubar o socialismo e zarpar rumo ao Ocidente. Não fora para criar ninhos capitalistas que milhões de soviéticos tinham dado a vida durante a Segunda Guerra, rematou. Daí a invasão. Sobre Fidel Castro disse que era um «homem que fazia discursos muito bonitos, mas demasiado extensos».
E entre bebidas e sorrisos, passou ao elogio da sua cidade, Moscovo. Cantarolámos em conjunto a «Nathalie» do Gilbert Bécaud. (La Place Rouge était vide/la neige faisait un tapis…) Ele disse-nos uma coisa de que me havia de lembrar mais tarde, quando mais de vinte anos depois visitei Moscovo na Primavera. «A fina camada de gelo que cobre a Praça Vermelha em Abril, quebrando-se sob as solas dos sapatos, produz uma sensação única, um anúncio de Primavera, o fim do longo Inverno». «Pois, só em Praga é que continua a ser Inverno», disse um de nós mais teimoso. Sergei sorriu com fair play e não quis reacender a controvérsia. No outro dia a delegação partia para outra cidade mais a Norte. Fomos levar-lhes lembranças – louças regionais (de Alcobaça!) para lá, matrioskas para cá, beijinhos abraços – Spassibo, spassibo tovarich, o nosso léxico de russo não ia além de da, net, tovarich…
E partiram, pondo fim àquele encontro imediato do terceiro grau.

Fliscorno – Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005 – 2009 (I)


Esta semana será dedicada à questão dos preços dos combustíveis. Estamos a pagar de mais? É o que vou procurar perceber e partilhar aqui.

O gráfico supra é a variação do brent, gasolina s/Pb 95 e gasóleo, antes de impostos e com o gráfico ajustado para índice 100 para melhor comparação (isto é, as três grandezas foram convertidas para terem a mesma escala).

Para explicações sobre a interpretação do gráfico, ver os gráficos anteriores, como por exemplo estes.

publicado originalmente aqui

Por terras de Sua Majestade (II)

Em York tive um “fantasma” a seguir-me. Nesta Universidade, Cavaco Silva fez o seu doutoramento. É uma cidade construída em cima de uma cidade Romana. Passeá-la é como voltar uns séculos atrás. As casas e as ruas estao assim há séculos. O Centro antigo é lindo de morrer (expressão até agora usada só para as mulheres. Prova inequívoca de que estou a melhorar).
A Universidade está instalada neste centro assombroso, dando vida a estas casas, ruas e largos cheios de História!
Não pude deixar de recordar que aí o melhor que conseguimos fazer foi construir de novo no Alto da Ajuda mais um polo da Universidade Técnica de Lisboa, longe de tudo. Nem transportes públicos tem. Mas a praça da Figueira esta às moscas.
A seguir Durham, pequena cidade mais a norte, com uma bela Abadia do seculo Xll, enorme, em estilo gótico cá do sitio e que é semelhante ao nosso Manuelino, mas sem os rendilhados alusivos às actividades do mar como é característico do Manuelino.
É uma cidade que nunca foi destruida, sendo portanto original. Tem uma Universidade com 1 000 alunos e o seu Santo Padroeiro é Contuberto (aportuguesado por este vosso escriba).
Newcastle é passada ao largo em autoestrada de ricos, metade das nossas, mas boas quanto baste, com quatro faixas de rodagem e com imensos carros. Usada por um tráfego que roda a boa velocidade e sem ultrapassagens loucas.
Mais para Norte entro na Escócia, devidamente assinalada. Lembram-se das guerras entre Eduardo l de Inglaterra e William Wallace? Cá como aí, também este foi atraiçoado pelos amigos a troco de terras e dinheiro. Foi executado na Torre de Londres em 1298, com requintes de malvadez, à semelhanca dos Távoras. Enforcado, afogado, esventrado e esquartejado, para que o corpo nao se tornasse local de peregrinação. O Eduardo l morre logo a seguir de “bexigas loucas”. Tudo devidamente analisado no filme “Braveheart “.
Acelerar para Edimburgo, muito cá em cima. Sao 22 horas e ainda é dia. Aqui estamos entre Celtas que, curiosamente, vieram da Ibéria.
Sempre a correr com o Mar do Norte à minha direita, de um azul profundo apesar de um dia de Sol.
No Hotel novo de dois meses, cá está a indispensável portuguesa, que me arranjou esta borla para vos enviar a crónica diária.
Ao jantar, levei com a sopa em cima. Os empregados são todos Indianos e tremem como varas verdes. Jovens, longe da familia mas baratinhos.
Amanhã, primeira paragem, para ver a cidade com calma e vou fazer um cruzeiro no Mar do Norte.
A Portuguesa aqui do Hotel diz que Portugal e os Portugueses são do melhor que há no mundo. Ela que muda de local de trabalho frequentemente, por pertencer a esta cadeia de hotéis de origem Indiana sabe do que fala.
Andamos todos deprimidos e a dizer mal da nossa terra porquê?

Josep Anton Vidal – Comentário sobre «A propósito do Iberismo», de Carlos Loures*

Nota: A propósito do «post» de Carlos Loures acerca do Iberismo (aqui e aqui), recebemos um comentário de Josep Anton Vidal que passamos a publicar. Pedagogo e editor, Josep Anton Vidal não é um activista exaltado, mas apenas um homem que ama o seu país, a Catalunha, e que não gosta de o ver aculturado e submetido ao estado espanhol e à sua Monarquia.
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Para decirlo rápida y llanamente: España es un mal compañero de viaje para cualquier proyecto de integración en cualquier ámbito cultural, y está esencialmente incapacitada, no ya para liderar, sino incluso para participar en un proyecto serio de iberismo. Los versos de Machado no son un tópico, sino una cruda realidad aún hoy: Castilla miserable, ayer dominadora,/ envuelta en sus andrajos desprecia cuanto ignora. Machado habla de Castilla, cierto, pero es, en el imaginario de su generación, el referente de España, y por mucho que hable de “dos Españas”, cuando se trata de reconocerse a sí misma como pluralidad -auténtica pluralidad, en plano de igualdad entre las distintas partes de su diversidad- siempre están de acuerdo las dos Españas de que nos habla: la que muere y la que bosteza, y siempre una de ambas, como dice el poeta, “ha de helarte el corazón”.

Una emisora de radio afecta a los postulados del PP i de los sectores ideológicos del españolismo (Intereconomía.es) comentaba ayer (5 de julio) en su espacio informativo, que el gobierno de Aragón ha elaborado una ley de lenguas para la Comunidad Autónoma de Aragón, y como quiera que el territorio comprende una franja limítrofe con Cataluña y de habla catalana, dicha ley contempla dar presencia al catalán en la escuela en ese territorio: el comentarista decía que “Aragón ha claudicado ante las turbias maniobras del nacionalismo imperialista catalán” para impedir que los niños aragoneses hablen castellano. Hasta aquí, la anécdota; pero añadía: “En un territorio donde el 100 % de la población habla castellano y sólo un 5 % hablan también otras lenguas, entre las cuales alguna tiene afinidades con el catalán…” e insistía en la suposición de maniobras políticas imperialistas, proponiendo la tesis de que el presidente de la Comunidad aragonesa -que precisamente es hijo de la zona aragonesa de habla catalana- está subordinado a los intereses de la Generalitat de Cataluña.

Ese es el pan nuestro de cada día: tergiversación, desinformación y condena de la singularidad, de todo cuanto no sea acatamiento a patrones del nacionalismo español más rancio y excluyente. No entienden que pudiendo hablar español alguien prefiera hablar otra lengua (aunque sea la propia, porque fíjate en la frase, que refleja una manera de sentir y un estado de opinión -y de ignorancia- del nacionalismo español, del que participan prácticamente todas las fuerzas políticas independientemente de que sean derechas o izquierdas: “el 100 % hablan español y sólo un 5 %…”, és decir, ese 5 % es claramente excedentario, una anomalía que queda fuera de la realidad.

En las Cortes españolas, la cámara baja (el Senado) ha accedido recientemente a una sesión en la que se han podido usar las distintas lenguas autonómicas… Pues bien, han contratado un intérprete de catalán y otro de valenciano, es decir, el máximo organismo de expresión política i democrática del Estado ha actuado de facto tratando catalán y valenciano como lenguas distintas… Aunque sea una aberración desde cualquier punto de vista científico e incluso desde el sentido común y aunque no habrían aceptado nunca un cisma similar para el castellano, por muy grandes que fueran las diferencias dialectales entre el castellano de los distintos territorios. Si se tratara del castellano de León y el castellano de Jaen se habría producido un escándalo mayúsculo. Pero, tratándose de la “diferencia”, de la “singularidad” o de cualquier otra identidad que la española, les importa un rábano la racionalidad y el sentido común, la ciencia y la realidad; sólo cuenta el divide y vencerás y la imposición de un punto de vista único, de una manera de ser y de estar única, de un nacionalismo exacerbado que es excluyente en el 50 % de los casos e incluyente en el otro 50%; y te aseguro que no sé cuál de los dos es peor.

Salvador Cardús, sociólogo y escritor, que publica semanalmente un artículo en el diaria Avui, escribía esto el pasado día 3 (traduzco del catalán):

“Si España no tiene solución, si España no quiere otra solución, ¿por qué no aceptamos que la única salida que depende estrictamente de nosotros, la que no pasa por pedir permiso a nadie más, es la de la independencia? De modo sorprendente, los argumentos contra la independencia son del tipo: ‘La independica no puede ser, y además es imposible’. Quiero decir que quienes argumenta en contra son los que la hacen imposible. No soy tan estúpido para infravalorar las dificultades del proceso, claro está. Pero si me ponen ante la alternativa de una imposibilidad históricamente contrastada -el encaje en España- y una imposibilidad por contrastar, me inclino por la segunda vía”.

Participo de ese ideal de integración que llamamos iberismo. Lo rastreé hace ya años en la correspondencia de Maragall y Unamuno, y lo he asumido por origen: soy catalán, mi padre era gallego, mi madre aragonesa, con ramificaciones familiares valencianas y catalanas… Pero, creo que el Iberismo no ha supeado las fases coyunturales de sus diversos momentos, que tú describes muy bien en tu artículo: la construcción del ideario federalista en un contexto utòpico, de creación de una nueva sociedad, libre de las ataduras de la historia o de la herencia del pasado; el ideario regeneracionista de la generación del 98 (cuando se sueña con la reconstrucción de una entidad nacional potente y fuerte, orgullosa de sí misma, después del desastre colonial)…, y así hasta el idealismo humanista de Saramago y, con perdón, lo que me parecen ingenuidades irreflexivas de Pérez Reverte.

¿Por qué Reverte habla de los Pirineos y del estrecho de Gibraltar? Cuando habla así se permite una más de sus ligerezas: ¿Por dónde traza la frontera de los Pirineos? Porque Cataluña es un país a caballo de los Pirineos… La monarquía española no tuvo reparo en seccionar nuestro país y entregar a Francia las tierras de la vertiente norte, pero Catalunña ha conservado el sentimiento de identidad y no ha renunciado a ser, no ha renunciado a su vocación de futuro, y se afirma en su lengua, en su cultura, en su estilo de vida…, pero también en sus recursos económicos, en su dinamismo social, en su situación estratégica en Europa, en el Mediterráneo.. Date cuenta de que Pérez Reverte al hablar de los Pirineos los despoja de entidad: sólo le sirven para delimitar el centro, y ocurre lo mismo con el estrecho de Gibraltar; no parece verlos como entidades propias, sino como límites de su propia perspectiva. Ese iberismo es inconsistente, por ignorante… (Otra vez: desprecia cuanto ignora). Pero lo más grave de esta ignorancia de España es que se desconoce a sí misma, y ratifica constantemente su ignorancia con los hechos. Naturalmente que al pasar de España a Portugal se tiene la percepción de continuidad, de territorio continuo, no sólo geográfico, sino también idiosincrásico y cultural; compartimos una visión del mundo… Ese mismo sentimiento lo tenemos los catalanes al pasar de Cataluña a Francia y, especialmente, al saltar a Sicilia… A Italia en general. Y lo tenemos también al adentrarnos en la península, como lo ha demostrado suficientemente la historia pese a las muestras frecuentes de hostilidad que descubrimos cuando llegamos al fondo de las cosas.

Los estados europeos actuales, independientemente de que sean monarquía o república, no han conseguido despren
de
rse del concepto patrimonialista que han heredado de las antiguas monarquías. Te pongo como ejemplo la cuestión de la capitalidad del Estado; no tiene sentido hoy hablar de “capital”, pero continuamos haciéndolo, incluso apasionadamente, en lugar de hablar de polos o centros dinámicos para proyectos determinados… El gobierno puede estar donde sea, pero no todo debe pasar por donde está el gobierno, sea Lisboa, Madrid, Barcelona o Valencia… Y mientras no nos deshagamos de ese lastre, los proyectos de integración -incluso de simple convivencia en igualdad- están condenados al fracaso, por algo tan elemental como es la falta de respeto. En definitiva, podemos rompernos la cabeza discutiendo sobre la posibilidad o la imposibilidad de un proyecto de encuentro y de unión, pero no estamos ante una cuestión ideológica, racional… Estamos ante una cuestión básicamente de respeto: respeto de la singularidad, de la diferencia, de la identidad… Esa es la premisa sobre la cual pueden construirse en un plano de igualdad todas las alianzas y todos los acuerdos para trabajar juntos en proyectos concretos… Pero en España -donde se demoniza el nacionalismo catalán tildándolo de exluyente- se practica visceralmente, más allá de toda racionalidad, un nacionalismo incluyente, asimilacionista, que en los últimos tiempos va acentuando su vertiente sarcástica, irónica, hiriente. Esa es la tónica dominante, con todas las honrosas excepciones que puedan señalarse (y ojalá que fueran muchas). Y eso nos lleva a otro de los motivos esenciales por los que los proyectos de integración -o de convivencia en igualdad- están condenados al fracaso: la ignorancia. No es que no se nos haya enseñado a conocernos, es que se enseña a ignorarnos, se enseña a “desconocer” al que es distinto. ¿Cómo? Con los prejuicios, con la desinformación, con la tergiversación de la historia hasta límites escandalosos…

Creo que deberíamos construir proyectos de integración, orientados al conocimiento mutuo, al reconocimiento de las raíces comunes, de vocaciones compartidas, arbitrar soluciones conjuntas para problemas compartidos… Pero eso, que pasa por la iniciativa particular, por la colaboracion entre células asociativas y culturales, por activación del tejido social común, por la colaboración institucional… debe hacerse con una perspectiva más amplia que la de este pedazo de tierra “entre los Pirineos y el estrecho de Gibraltar” que ignora a los demás por una sola razón: porque se desconoce a sí mismo. Y superando ese marco, debemos trazar un sistema de tres ejes: europeo, mediterráneo (y eso significa también africano) y atlántico. Y hacia ahí hay que orientar las voluntades.

* Josep Anton Vidal é pedagogo e editor catalão

14 de Julho de 1789 – Tomada da Bastilha foi há 220 anos


Antiga fortaleza parisiense do século XIV, usada desde o tempo de Richelieu como prisão, a sua tomada pelo povo em fúria, constitui um símbolo da Revolução Francesa. Pode afirmar-se que, depois de 14 de Julho de 1789, nada voltou a ser como era na Europa. É um ponto de viragem na História do Mundo. Os povos começaram a ter uma palavra a dizer na construção do próprio devir.

Parabéns, filha!


Foi há um ano. Nasceste. A 14 de Julho. És a minha Leonor… «de la Bastille».
Parabéns, filha. E obrigado.

Nota: No vídeo, está a caixa de música que o pai ofereceu à mãe na véspera do teu nascimento.