O Jardim "Comunista" da Madeira

O Alberto João sabe-a toda. Quer que a Constituição afaste uma parte dos Portugueses. Os que votam no Partido Comunista Portugues. Claro que isto não é mais que uma maneira de nos pôr a falar dele, Jardim.

Mas é curioso que o “centralismo democrático” Madeirense personificado no Alberto João seja a coisa mais parecida com a ideologia do PCP. Para o Alberto João toda a gente é ignorante, todos lhe estão a dever alguma coisa, só os “dele” é que merecem o quer que seja, paga com dinheiros públicos um jornal que  distribui pela população com as notícias que lhe interessam, controla tudo e todos…

Porque quer ele acabar com uma ideologia que o mantem há tanto tempo no poder ?

O Alberto João vai dizer-nos nos próximos dias, mas cheira-me que tem a ver com aquela “coisa” da revisão constituicional…

O Tribunal de Contas chumba os contentores

O Mário “jamais” Lino diz que não houve concurso para o Estado poder fazer o melhor contrato possível. O Presidente do Tribunal de Contas vem dizer que o contrato só contempla os interesses da empresa privada, que é a Liscount da Mota/Engil do Jorge Coelho!

Como somos todos burros, só agora é que percebemos que aquele famoso negócio, zurzido por todos os que ainda acreditam que a transparência vale a pena, é afinal o que melhor acautela os interesses do Estado. Sem concurso, sem concorrência, dado de mão beijada. Mas como ainda há gente independente, o Tribunal de Contas diz que aquilo é tudo ilegal!

Este Governo perdeu completamente a credibilidade, ultrapassa e ignora os procedimentos habituais das boas práticas e legais. A Secretária de Estado, na altura da discussão, veio dizer que mais nenhuma empresa se tinha mostrado interessada no concurso, o que foi de imediato desmentido por uma empresa concorrente.

É ponto assente, que este negócio envolve muitos milhões de Euros, que o Estado tem de fazer avultados investimentos para que a empresa privada se interesse pelo projecto, que a sua localização é altamente discutível, que é ambientalmente, uma malformação.

Enfim, sabemos agora pela voz autorizada do Presidente do Tribunal de Contas que é mais uma negociata de que resultam enormes prejuízos para todos nós os contribuintes.

Este governo não aprende e tem raiva a quem não gosta de ser roubado.

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (3ª PARTE) – V

A renovação de um contrato baseada num projecto virtual

Fechando este parêntesis e prosseguindo com a leitura do impresso fica-se a saber que, através da linha de Cintura, a seguir à Gare do Oriente, será possível assegurar as futuras ligações à Rede de Alta Velocidade e, também, ao Novo Aeroporto de Alcochete.

No que se refere a este último, permitam-me uns breves comentários:

Por estrada ou, então, por caminho de ferro, o Novo Aeroporto ficará localizado a 48 Km de Lisboa (pela Ponte Vasco da Gama serão 68 KM). Isto significa que, para a grande maioria dos utentes, o acesso à Gare atingirá os 100 Km terrestres, numa viagem de ida e volta, ou seja, cerca de 1/3 do percurso Lisboa / Porto  feito de avião. Com os inconvenientes que se conhecem no que se refere aos gastos de combustível e, longe vá o agouro, ao aumento das possibilidades de desastre.

Acrescento que, com base num bom desempenho dos caminhos de ferro no percurso  Porto / Aveiro / Coimbra / Leiria/ Lisboa, é por demais evidente que uma boa parte dos passageiros irá privilegiar este em detrimento do automóvel ou do avião.

Numa outra perspectiva, se estamos a pensar num aeroporto com funções predominantemente “hub” – aeroporto principal que concentra as partidas e chegadas de aviões com capacidades diferentes e, assim, fazer corresponder os voos curtos e médios com os de longa duração – então, parece.-me que tanto faz Alcochete, como Coimbra ou, porque não, o Porto.

Antes de se pensar na privatização da ANA a 51% – um erro de consequências muito graves para o país – haveria que elaborar um Plano Estratégico para o Desenvolvimento dos Aeroportos nacionais.

Como é sabido Alcochete irá ficar situado, em boa parte, sobre a mais importante reserva aquífera subterrânea do país, com as más consequências bem previsíveis para todos nós (incluindo o Ministério do Ambiente ?). Tanto mais que haverá ainda que utilizar uns 400 há de terrenos destinados à cidade aeroportuária, concentrada ou dispersa. Reserva essa já em parte “comida” pela plataforma logística do Poceirão e, a Norte do rio Tejo, pela Castanheira do Ribatejo.

Já agora, em maré de palpites – pela minha parte pouco fundamentados à míngua de dados credíveis, indispensáveis – porque não ensaiar a localização em Sta. Cruz, cerca de 45km a Norte de Lisboa? Com boas áreas disponíveis entre A-dos-Cunhados / Bombardeira / Sta Cruz / Ponte do Rol e muito perto de Torres Vedras? Quem sabe? Talvez que esta escolha permitisse, finalmente, a modernização tão desejada da linha do Oeste, muito fácil de melhorar no seu traçado, dadas as boas características do terreno e, assim, aliviar um pouco mais a linha Norte /Sul.

Sócrates será candidato a Primeiro Ministro?

A Helena e o Zé só me enganaram uma vez. Vi, neles, o crescimento de movimentos e candidatos independentes às autarquias, um primeiro passo para o advento de candidaturas independentes dos partidos às eleições nacionais.

Um e outro na primeira oportunidade trocaram essa mensagem de esperança e de abertura de horizontes, pela tacanhez de um lugarzinho numa lista partidária. Com emprego assegurado.

Mas isto seria pouco. Ambos estão a juntar-se a Costa quando ambos foram ostracizados por Sócrates. Esta leitura faz a diferença toda vinda de políticos profissionais. A Câmara de Lisboa é um trampolim para vôos mais largos, neste caso de cenários político-partidários, mais concretamente dentro do PS.

Diz-se à boca pequena que se está a preparar, tendo como cenário a Câmara de Lisboa, o pós- Socratismo, com a eventual candidatura de Alegre a Presidente da República a troco do seu apoio, aqui em Lisboa, ao PS sem Sócrates.

Isto é uma fuga de gigante para a frente, face a cenários negros que mal adivinhamos. Costa bombardeia ministros e Sócrates já não os defende. Atado de pés e mãos, Sócrates não diz o que quer. Qual é o PS que vai deixar cair? Junta-se a quem? Num caso ou noutro só tem a perder e, pelos vistos, a cama está a ser feita dentro da sua própria casa.

Cavaco recebe recados de gente próxima na eminência de não haver maiorias, no sentido de influenciar o próximo governo. Manuela Ferreira Leite já disse que sim a uma coligação PSD/CDS.

O tempo corre contra Sócrates. Quem diria que o “animal feroz” seria abandonado e sujeito a estes cenários em que é protagonista menor?

Só falta saber que “visão”, se é que a têm, propõem ao país. A de Sócrates não é nenhuma e a sua credibilidade é nula para vir apresentar “visões” que desbaratou em quatro anos de maioria absoluta!

Alguem acredita que o PCP ou o BE se juntam a Sócrates sem que este dê por mau tudo ou quase tudo o que fez até hoje? Mas isso seria a derrota certa. À esquerda o cenário é a maioria absoluta com Sócrates (impensável) ou uma coligação sem Sócrates.

E se Sócrates não tivesse condições para ser candidato a Primeiro Ministro em Setembro?

As autárquicas

Apesar de estarmos a 3 meses das eleições, as autárquicas já mexem um pouco por todo o lado.

Vem isto a propósito do aproveitamento político que Elisa Ferreira está a fazer da luta que Jorge Nuno Pinto da Costa tem com Rui Rio, por causa do futebol.

Sendo portista clubisticamente falando, estou de acordo com as atitudes de Rui Rio em relação ao clube.

Há que separar as águas, nesta como em outras áreas.

O facto de Pinto da Costa apoiar Elisa Ferreira não me afecta, porque, como já devem ter percebido, o meu sentido de voto há muito que está decidido.

Mas será que este apoio terá algum tipo de influência no resto da população do Porto?

Eu sinceramente espero que não.

Mas cada um sabe de si.

Será que queremos uma presidente da Câmara com um pé na Avenida dos Aliados e outro em Bruxelas?

Ou alguém que já conhecemos?

É uma reflexão que deixo aos portuenses.

Pedro Abrunhosa – Outros #1

abrunhosaOntem à noite assisti a um concerto intimista fabuloso de Pedro Abrunhosa no Teatro Nacional de S. João.
Como ainda estou a ressacar do concerto e, sobretudo, do pós-concerto, guardo para breve umas palavras sobre este grande momento, as tiradas sobre o Rio Rio e o estado do Teatro Nacional S. João.

(Info: Aqui)

Quantos votos vale um Laboratório de Nanotecnologia?

Na inauguração do Laboratório Ibérico de Nanotecnologia:

Pergunta a jornalista da SIC: “Este agendamento não tem nada a ver com a proximidade das eleições legislativas?”

Reponde o ministro da Ciência, Mariano Gago: “Pelo amor de Deus, isto estava marcado desde 2005”.

Aqui, o que está mal não é a resposta, é a pergunta. Quantos votos é que a jornalista da SIC acha que rende ao Governo a abertura ou apresentação do Laboratório Ibérico de Nanotecnologia?

Quantas portugueses estarão genuinamente atentos e atribuem importância ao Laboratório Ibérico de Nanotecnologia? Uns mil, dois mil?

Já é tempo de deixarmos de atribuir uma única componente eleitoralista a todo o que se faz a três meses das eleições.

Por terras de Sua Majestade (V – Liverpool: Cavern Club)

Mordam-se de inveja! Esbracejem, rebolem-se, gritem!
Eu ontem estive no covil onde tudo comecou.
Saí do hotel à noite, sob chuva, à procura da Liverpool dos bares e dos bairros junto ao mar. Dez minutos passados, boa música, malta na rua sem medo da chuva. Já lá estava. O lugar mítico. As paredes exteriores cheias de nomes de músicos conhecidos, um lanço de escada a desaguar num pequeno bar de 15 metros quadrados, um minúsculo estrado, vitrines cheias de instrumentos musicais.
Escusado será dizer que aquilo tem tudo menos condições para se tocar e ouvir música. Mas quando o génio existe, se liberta, não é por isso que não se conquista o mundo.
Por ali fiquei a ouvir histórias e a beber uns copos, com amigos de ocasião, irmanados na mesma admiração por uma música que iniciou toda uma epoca.
Claro que também há na cidade belos edifícios, restos de uma cidade destruida pela guerra, um belo porto de mar, cheio de grandes navios…

Falando de democracia: Espanha, ontem e hoje

Hoje, 18 de Julho, faz 73 anos que eclodiu a Guerra Civil de Espanha. Estava-se em 1936. O conflito só terminaria quase três anos depois, em 1 de Abril de 1939. Morreu cerca de meio milhão de pessoas. 73 anos na escala humana anos são uma vida, são muito tempo. Porém, à escala da História, não são nada. A Guerra Civil de Espanha foi ontem. Aproveito para uma reflexão sobre quanto, desde ontem para hoje, a direita (tal como a esquerda) mudou. Em Espanha e não só. O vídeo é anódino, meramente informativo. No youtube encontram-se outros mais impressivos, mais dramáticos, e também, de uma forma geral, mais parciais.

Não vos vou contar a História recente de Espanha. Por certo, muitos de vós a conhecerão melhor do que eu. Lembro apenas que em 16 de Fevereiro de 1936, em eleições livres e democráticas, uma frente de esquerda, resultante da aliança dos anarquistas com os partidos republicanos, a chamada Frente Popular, venceu, proclamando-se a II República (a I República vigorara entre 11 de Fevereiro de 1873 e 29 de Dezembro de 1874). A direita militar espanhola, as classes possidentes, a Igreja católica, suportaram mal o clima de controvérsia dos primeiros passos do jovem regime. Clima que adensaram com provocações e actos insensatos (que os houve de ambos os lados), mas vitimizando-se sempre a direita, cometendo dislates e crimes, mas comportando-se sempre com o tom pudicamente ofendido de uma virgem num bordel. Em suma, todas as forças reaccionárias, aproveitando como pretexto os erros das esquerdas se mancomunaram para derrubar a República. Os pormenores históricos estão ao dispor, em livros, em filmes, não os vou repetir. Direi só que os generais golpistas de 18 de Julho de 1936 deram corpo a tudo o que de mais sinistro existia no substrato daquilo a que se chama a «alma espanhola» e que mais não é do que um crisol onde se misturam sentimentos e interesses contraditórios, nacionalidades sufocadas, quezílias seculares mal resolvidas; em suma, a «alma espanhola» é um cliché e como a maioria dos clichés não passa de uma treta. Três anos e quase 500 mil mortos depois a guerra terminou com a vitória da direita. As trevas da repressão abateram-se sobre Espanha – foram quase quarenta anos de ditadura de uma direita reaccionária, ressabiada, raivosa. Estúpida como só as ditaduras (as ditas de esquerda também) sabem ser.

Embora os objectivos continuem a ser os mesmos – conservação de valores considerados intemporais, tais como os privilégios de classe, prevalência da religião como cimento dum edifício mais torto do que a torre de Pisa – o estilo mudou. Um derradeiro assomo deste estilo arruaceiro no estado espanhol foi o assalto golpista ao Congresso, em 23 de Fevereiro de 1981, por forças da Guarda Civil comandadas pelo tenente-coronel Tejero. Rajadas de pistola-metralhadora e gritos de «Quieto todo el mundo! Al suelo! Al suelo!». Don Juan Carlos fez a sua rábula de democrata (coisa que podia e deveria ter feito dez ou vinte anos antes, durante o reinado de Franco). A própria direita condenou o acto e, pronto, tudo acabou em bem.

Hoje as coisas não são tão visíveis, tão claras como eram há setenta anos. A direita descobriu o seu nicho ecológico no seio da democracia. Não sei se já repararam que todos, ou quase todo, os partidos de direita fazem questão de incluir na sua sigla a palavra «democrata», «democracia»… A nova direita adaptou-se à democracia; mais – não saberia já viver noutro sistema. Mas…

A ideia da extinção dos conceitos de direita e de esquerda já não se justificarem no pós-modernismo é uma ideia de direita; ouvia-a, já há muitos anos, defendida pela primeira vez em Portugal, falando de pessoas conhecidas, pelo Professor Freitas do Amaral num debate televisivo. Porém, já ouvira a afirmação, feita com menor consistência e autoridade, a pessoas comuns, com aquele ar com que se fala de coisas ultrapassadas. Porque a direita actual tem vergonha da direita de ontem, tal como aqueles filhos licenciados que se envergonham dos pais analfabetos os quais, em todo o caso, lhes punham todos os dias a comidinha na mesa. Mussolini, Hitler, Salazar, Franco, Auschwitz, Tarrafal, Guernica, Gestapo, Pide, tortura… «Ih, que nojo!».
A designação até pode vir a cair em desuso. O que esse desuso não extinguirá é a realidade subjacente à classificação. E aqui sou forçado a emitir uma definição pessoal. Para mim, a distinção entre direita e esquerda pressupõe uma clivagem, entre os que querem conservar valores que implicam a manutenção das desigualdades sociais e os que, sem se importarem com esses valores, querem transformar a sociedade e promover uma igualdade absoluta dos cidadãos perante a lei, bem como o acesso de todos, de modo igual, aos bens que a comunidade, no seu conjunto, puder produzir. Quando a direita aceitar isto sem reservas, deixará de ser direita e, então sim, deixará de se justificar a distinção.

Quando Manuela Ferreira Leite, comentando reformas do Governo perguntou, há meses atrás, se «não seria bom haver seis meses sem democracia para pôr tudo na ordem» obviamente que não está a pensar em instaurar uma ditadura no estilo das do século passado. Mas esqueceu-se de dizer como seria governado o país durante esse semestre – por ela? Pelo seu partido? O que significa «pôr tudo na ordem?» – acabar com os protestos dos professores? Silenciar os sindicatos? Não quero dar demasiada ênfase a uma frase dita durante um almoço, apenas me parece que esta afirmação (que até pode ter sido um raro assomo de ironia da sisuda senhora) revela o chamado «acto falhado», a involuntária verbalização de uma nostalgia do tempo em que «tudo estava na ordem». Passou o tempo dos ogres fascistas. Como um rottweiler domesticado, a direita apresenta-se civilizada e, sobretudo, muito democrática.
Mas a dentição e o apetite continuam lá.

A Guerra Civil de Espanha começou faz hoje 73 anos. Foi há muito tempo. Foi ainda ontem.

e darling

tenho ainda mais destas e ainda nem abri a ultima embalagem que o estafeta da cia  perdeu cá em casa. darling em silício como é que é? escreve-se com c ou com s?

bom dia para vocês também.

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (3ª PARTE) – IV

A renovação de um contrato baseada num projecto virtual

Quando o Sr. Presidente da APL afirma que o Terminal de Cruzeiros de Sta. Apolónia irá concentrar “todo o movimento de navios de cruzeiro”, parece ter esquecido o que afirmou há menos de dois anos, ao “prever a construção de um terminal  de cruzeiros na margem sul do Tejo, no concelho de Almada”. E, acrescentou na altura, que o “estuário do Tejo passará a dispor de dois terminais de cruzeiros, já que está prevista a instalação de um outro na zona de Sta. Apolónia”.

Por outro lado, o Presidente da Comunidade Portuária de Lisboa defende, e bem, que “a expansão do Porto de Lisboa deverá passar pelo futuro terminal de contentores da Trafaria, junto à Silopor …”.

Lembro que a APL apresentou uma taxa de ocupação de 67% para a carga geral, em 2015; mesmo assim, a AGEPOR – Associação dos Agentes de Navegação de Portugal – declara que esta meta é demasiado optimista. Donde concluímos que há folga suficiente para se encontrar uma solução adequada – e bem pensada – antes do final da concessão outorgada à Liscont.

Lembro, ainda, que o IPTM – Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, organismo regulador, cabendo-lhe elaborar proposta para a nova lei dos portos e apresentar a sua estratégia em função dos mercados-alvo, não se pronunciou sobre a renovação do contrato de concessão à Liscont, agora em condições muito mais vantajosas. Com áreas de armazenamento e fundos de acostagem muito superiores aos actuais do que resultará, certamente, uma capacidade e competitividade acrescidas. E sem novo concurso … . Contudo, ao IPTM cabe-lhe identificar e padronizar “os instrumentos de acompanhamento e reporte anual de informação sobre as concessões”.

Porque não se pronuncia?

Porquê esta pressa do MOPTC na ampliação do terminal de contentores de Alcântara, quando ainda há muito que possa ser feito para aumentar a sua rentabilidade actual, conforme pude indicar pormenorizadamente na 2ª Parte deste trabalho?

E, de acordo com o que então propus, porque não “aguentar” um pouco mais o terminal de Alcântara (com algumas correcções, conforme indiquei) e fazelo parte integrante do Plano de Expansão do Porto de Lisboa, quando este for aprovado?

Ou será que estes planos e orientações estratégicas – demasiadas vezes alteradas – servem, unicamente, para entreter os técnicos os assessores e os consultores deste Ministério?

Quando da justificação do local a ser adoptado, pelas entidades oficiais, para o Novo Aeroporto de Lisboa, em Alcochete, a CIP apresentou – em tempo recorde – dois estudos pagos por um grupo de empresários, tão modesto que nem pretendiam ser conhecidos.

O que é certo é que o MOPTC, após anos de reflexão (?) e uma pletora de estudos, rendeu-se de imediato a esses projectos, sem grande luta.

Agora, a forma como está a ser encarada a renovação do contrato da LIscont, em Alcântara, ainda é mais preocupante e atinge as raias do escândalo. Cito, a propósito, o que escreveu Miguel Sousa Tavares, um dos fundadores do movimento de cidadãos de Lisboa contra a ampliação do Terminal de contentores de Alcântara: ”…. O pedido será entregue e isso significa que os deputados vão ter de apreciar o diploma do Governo e poderão revogá-lo, se assim o ditar a sua consciência e a sua noção de interesse público. Sabedora disto, a APL tratou de, logo no dia seguinte, assinar a correr o dito contrato da Liscont, mediante o qual esta ficou desde logo garantida com uma brutal indemnização no caso de o projecto não ir adiante. Tudo devidamente cozinhado entre dois conhecidos escritórios de advogados de negócios. Muito socialistas”. Se assim é, sinceramente, sinto-me enojado.

São apresentadas, oficialmente, soluções preparadas no segredo dos gabinetes (ou dos escritórios das empresas?), de modo injustificado, desnecessário e mal estudadas, dando azo a projectos megalómanos que irão exceder as estimativas feitas.

Afinal, quem tutela a APL? O Ministério ou a Mota-Engil ? Não ignoro que esta tem nos seus quadros pessoas de muito alta influência nos dois maiores partidos políticos nacionais. Mas então, por favor, Senhor Primeiro Ministro acabe com estas confusões e estabeleça um Código de Conduta aceitável já que para isso também dispõe da maioria absoluta.

Face a estas e outras habilidades que tenho vindo a denunciar, havendo ou não concursos simulados (ou nem isso), é bem visível a teia de compadrios e cumplicidades violadoras do interesse público. Pelo que, mais uma vez lhe peço, Senhor Primeiro Ministro, aja com celebridade para acabar com este regabofe.

Entretanto, para mim este MOPTC deixou de existir como algo de credível.

AuktYon (АукцЫон)

Leonid Fjodorov tem sido a alma deste excelente grupo russo, ou melhor, e já que o seu primeiro álbum é de 1986: sovieto-russo.

Em muitas das suas músicas fazem-me lembrar um músico português… Adivinhem qual (eu se fosse o dito, acho que lhes metia um processo por plágio, sim, estou a reinar).

Nasceu a Rede Norte

José Ferraz Alves, de quem o Aventar tem publicado textos, enquanto Blogger Convidado, sobre a questão do empreendedorismo social, foi ao jornal da RTV (Regiões TV) falar sobre a recentemente criada Rede Norte.

José Ferraz Alves é ainda elemento da Associação de Cidadãos do Porto.

Aqui fica a apresentação:

O Golpe de Estado nas Honduras

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O Carlos Barbosa de Oliveira ausentou-se três  semanas e queixa-se disto: Contrastando com a preocupação de uma possível fraude eleitoral no Irão, o golpe das Honduras que derrubou um presidente democraticamente eleito não mereceu uma única linha da maioria dos blogs que costumo ler“.

Eu também me queixo. Neste momento nas Honduras as antigas organizações de apoio aos presos políticos e desaparecidos tiveram de recomeçar a sua actividade. O pai do jovem assassinado no Domingo foi detido quando saía das instalações  de uma dessas organizações, onde tinha prestado o seu depoimento.

Para muito boa gente “República das Bananas” quer dizer Madeira mas sucede que a expressão nasceu nas Honduras, e está a ser recuperada de uma forma pós-modernaça: esperar que o mundo deixe andar, se silencie, e recriar discretamente um pinochetazo à antiga.

O silêncio é cúmplice, como o são os que confundem Venezuela com Honduras, gente a precisar de um mapa, e de vistas mais largas também.

Mais um

A todos os leitores deste blog, que espero que sejam muitos, neste meu primeiro post gostaria de saudar e agradecer o convite que me foi formulado

Fliscorno – Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005-2009 (IV)


Tal como no anterior gráfico com as variações do preço do gasóleo em função do brent, este gráfico mostra a variação do preço do brent (linha amarela) e as diferenças semanais entre o preço do brent e o preço do gasóleo antes de impostos (linha azul claro).

Como no caso do gasóleo, se o preço da gasolina acompanhasse perfeitamente o preço do brent, a linha azul seria uma recta. Na realidade, a distancia entre as duas linhas varia, umas vezes aumentado, outras vezes diminuindo, como se pode ver no gráfico do primeiro texto desta série [ver Preços da gasolina, gasóleo e brent 2007-2009 (1/5) ].

Também nesta comparação, as variações oscilam entre dois patamares mas no período C, no início do último pico do preço do brent, vemos que a distância entre estas duas linhas diminuiu consideravelmente. Como o brent estava em subida, isto significa que o preço da gasolina aumentou a uma taxa superior ao aumento do preço do brent. Assim, no período C pagámos, garantidamente, mais do que devíamos pela gasolina.

O post seguinte apresenta estes dados sob a forma numérica para permitir conclusões mais objectivas.

A 13 de Maio na Cova da Iria

nossa-senhora-e-os-pastorinhos

a visão

Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates, sinais de um projecto de modernização para o país (…).

Miguel Vale de Almeida

Falando de Democracia: A «República da Atlântida»

Desde que Platão em Timeu e a Natureza e em Crítias se referiu a um misterioso continente perdido, o mito da Atlântida tem dado lugar a narrativas de toda a espécie e a mil e uma teorias, uma ou outra com algum suporte científico. Uma dessas teorias, situa a Atlântida na chamada região da Macronésia, que abrange as Canárias, a Madeira, Cabo Verde e os Açores. Estes arquipélagos seriam os pontos mais elevados do continente tragado pelo oceano devido a uma catástrofe (e as hipóteses vão desde o Dilúvio, a uma bomba nuclear, talvez lançada por extra-terrestres…).
Em 1931, ia a Ditadura Militar instaurada em Maio de 1926, no quinto ano de vigência, quando em Abril, eclodiram na Madeira, nos Açores, na Guiné, uma série de levantamentos militares contra o Governo. Desde a Grande Depressão de 1929, Salazar então Ministro das Finanças, impusera medidas que, tentando restringir os efeitos dessa «crise global», como hoje diríamos, obrigava a população mais carenciada a complicadas ginásticas para resolver problemas básicos de subsistência. As liberdades democráticas que tinham ficado da I República, iam sendo, uma a uma, suprimidas. Daí as revoltas insulares desencadeadas por militares. Foram rapidamente juguladas, menos a da Madeira que, devido ao grande apoio popular que teve, resistiu durante alguns dias às tropas e aos navios de guerra que foram enviados do continente. Os revoltosos eram, mais ou menos coordenados pela chamada «Liga de Paris», directório de refugiados políticos portugueses na capital de França. Esperava-se que as unidades continentais aderissem, o que não aconteceu. Só em 26 de Agosto foi desencadeada em Lisboa uma outra revolta militar e civil, orientada no sentido de repor as liberdades fundamentais coarctadas pela Ditadura, que após a rendição dos revoltosos, se cifrou em cerca de quarenta mortos e duzentos feridos. Os revoltosos das ilhas chegaram a ponderar proclamar a independência daquilo a que chamaram a «República da Atlântida». Feita por militares na sua maioria continentais colocados nas unidades sediadas na Madeira, foi a primeira ameaça de secessão que dali nos chegou. Mas não seria a última, pois agora essas ameaças chegam-nos com muito maior frequência. Primeiro foi a FLAMA, Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira, que se terá extinguido em 1978. Daí para cá, ou são alguns dirigentes históricos do movimento separatista ou o próprio presidente da Região Autónoma que, de forma explícita ou implícita, agitam esse fantasma.
Tudo isto, vem a propósito das bandeiras separatistas que, em 25 de Abril de 2009 foram colocadas no Palácio de São Lourenço, sede da representação da República, e noutros locais do arquipélago. Um dos elementos do núcleo fundador da FLAMA, Costa Miranda, afirmou que a FLAMA nada teve a ver com a acção. Daniel Drummond, outro dos históricos, acrescentou que o hasteamento das bandeiras terá vindo de «pessoas com altos cargos na região, estejam na Quinta da Vigia (presidência do Governo Regional) ou na Quinta Magnólia», também propriedade do Governo regional. Num documento que acompanhou a colocação das bandeiras, afirma-se que os Madeirenses «não querem pertencer a um país governado por um corrupto que deveria estar preso». Costa Miranda nega que a FLAMA seja autora do comunicado – «Não tem qualquer semelhança com os nossos comunicados, nem no estilo nem na ortografia e gramática. É um plágio tosco, rude e grosseiro». E diz outra coisa muito esclarecedora: «Levantar neste momento o espantalho da independência só interessa a quem quer colher dividendos políticos na guerra com Lisboa.» A mesma pergunta – com resposta diferente – a quem se estará a referir?
Pergunta-se: quererão os Madeirenses ser independentes? Vou com alguma frequência ao arquipélago e, de uma forma geral, a população aparece-me tão portuguesa como a de qualquer outra região do País. Os Madeirenses e Porto-santenses, têm as suas especificidades dialectais, culturais, tal como os Beirões ou os Alentejanos, mas nada me faz pensar que queiram ser independentes. É totalmente falaciosa a comparação com a Catalunha, que ouço frequentemente fazer (Alberto João passeou-se na praia de Porto Santo com um boné que dizia Catalunya Lliure ou algo no género). A Catalunha, unida a Aragão, foi uma nação independente durante séculos, tem um idioma próprio, uma História e uma cultura diferenciadas. A ideia da independência madeirense, só a vi defendida por Muammar Kadhafi, por Jardim e pelos seus apaniguados.
Outra pergunta pertinente a colocar é se a independência do arquipélago seria economicamente sustentável. Note-se que a Madeira gasta actualmente mais do que produz e o orçamento nacional suporta o défice. Não que isso me choque, porque a solidariedade nacional obriga a que não discutamos pormenores contabilísticos.
Não compartilho a ideia que já vi defendida por muito boa gente – «se querem ser independentes, que sejam», dizendo isto como quem vê a oportunidade de nos desfazermos de uma fonte de despesa. A Madeira é uma região linda – tal como o Algarve ou o Minho – e é um privilégio dos Portugueses ter um território com tanta beleza espalhada por todas as suas regiões. Portugal sem a Madeira (ou sem o Alentejo), não seria o mesmo. O que é insuportável é que seja o Governo Regional, por vezes em intervenções oficiais, a ameaçar impunemente, perante o silêncio cúmplice de quem chefia o Estado e governa o País, com grande e rude clareza – «ou pagam ou vamo-nos embora». É uma chantagem sem qualquer base democrática, pois duvido que os Madeirenses, na sua generalidade, queiram que as suas maravilhosas jangadas zarpem de Portugal.
Para aportar aonde?

Da ‘cunha’ ao cheque

A falta de verificação dos trabalhos a mais nas empreitadas. Ausência de verificação dos termos em que os contratos públicos são celebrados. Falta de controlo sobre conflitos de interesses e favoritismos. Ausência de sensibilização dos funcionários públicos para a intolerância face a casos de corrupção. São algumas das falhas detectadas pelo Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) na actuação dos organismos públicos. E representam “riscos elevados de corrupção”.”

Tudo isto faz de Portugal um país atrasado e com poucas possibilidade de crescer de forma mais justa e solidária. A corrupção mina estruturas governativas, sejam nacionais ou locais, e empresas, sejam grandes ou pequenas, afectando toda a sociedade.

E não tenhamos dúvidas, a famosa instituição da ‘cunha’, mesmo que socialmente seja mais ou menos aceite, é uma forma de corrupção.

É mentira que os professores estejam a ser avaliados!

A Srª Ministra agendou a reunião.
A FENPROF agendou a manifestação.
A Srª Ministra mudou o local.
A FENPROF também.
A Srª Ministra voltou uma e outra e ainda outra vez…
E a FENPROF também.

Resultado: Ministra reunida com a Direcção e na rua a FENPROF a mostra mais uma vez a força da razão.
O que se disse na reunião?
Nada que não se adivinhasse.
A brincadeira deste ano é para continuar – o simplex ii continua, pelo menos até às eleições, como dá jeito.
O mais interessante da coisa é que se passou mais um ano e eu continuo sem ser avaliado… quer dizer… o Sócrates e a Lurdes falam , escrevem, saltam e correm… Mas a verdade, verdadinha é esta: em 5 anos, por este governo, nunca fui avaliado. Pelo andar da carruagem, no próximo também não vou ser.

Estão agora a perceber a enorme mentira que é este governo e esta equipa da educação?

Poemas do lusco-fusco

Todos somos fingimento
para descanso dos nossos fantasmas.
Por isso não interessa dizer
que a nossa voz há-de cantar
no tempo em que morrem as flores.

   Todos somos fingimento (adao cruz)

Todos somos fingimento (adao cruz)

Engano

Por erro , a imagem debaixo de “Mais uma vez a igreja e os golpistas” não é a que lá está mas esta

  atrás das grades (adao Cruz)

atrás das grades (adao Cruz)

Mais uma vez igreja e golpistas

Mais uma vez, volto a repetir. Como é possível aceitar uma igreja de joelhos perante os golpistas das Honduras? Como é possível, entre a repulsa de tantos povos e governos perante o golpe, a igreja destacar-se nestes apoios cavernícolas a ignóbeis fósseis das velhas ditaduras latino-americanas? A igreja, cuja história escura, sinistra e por vezes sórdida, poderia redimir-se de forma inteligente, ainda que parcialmente, neste gigantesco passo sócio-político-humanitário dos países da América Latina, perde mais uma vez a oportunidade e emerge da sua própria lama como a larva que sempre cresceu nos fedorentos caldos das mais sanguinárias ditaduras. Como é possível a existência de mentes tão anquilosadas, encarceradas em crânios que se dizem, hipocritamente, cultos, humanos, solidários e fraternos? A igreja é, com efeito, um dos maiores cancros da humanidade.

    atrás das grades (adao cruz)

atrás das grades (adao cruz)

Jan quando ainda era James

Não percam o artigo de hoje no Ípsilon acerca de Jan Morris, a propósito da publicação, que só peca por ter tardado tanto, do seu "Veneza", magnífico roteiro da Sereníssima. James Morris escreveu o livro quando ainda era homem mas quem responde hoje às perguntas da jornalista Alexandra Prado Coelho é a simpática octagenária Jan. Reparem na admirável delicadeza, a que não falta um rigor que apenas podemos intuir, desta descrição do seu processo de transformação: "O primeiro resultado não foi exactamente uma feminização do meu corpo, mas um despir da capa rugosa que cobre os indivíduos masculinos. Não estou a falar apenas dos pêlos ou da textura da pele, nem da saliência dura dos músculos: tudo isto desapareceu efectivamente nos anos que se seguiram, mas com eles desapareceu também algo menos tangível, que sei agora ser especificamente masculino: uma espécie de camada invisível de resiliência acumulada, que oferece um escudo para o lado masculino das espécies, mas ao mesmo tempo diminui as sensações do corpo".

Irão em mudança

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (3ª PARTE) – III

A renovação de um contrato baseada num projecto virtual

No lindo folheto que me foi parar às mãos também se diz, possivelmente para dourar a pílula, que está prevista a construção do terminal de cruzeiros de Sta. Apolónia, para fins de 2010, obra esta que inclui o desenvolvimento e a reabilitação dos cais existentes entre o actua terminal de Cruzeiros de Sta. Apolónia e a Doca da Marinha, numa extensão de 675 m obrigando, por isso, ao fecho da Doca do Terreiro do Trigo. Obra esta que irá concentrar “todo o movimento de navios de cruzeiros” ( o sublinhado é meu).

Francamente é pouco, muito pouco em termos do presente e futuro, quando se sabe que esta actividade de turismo tem um forte potencial de crescimento e já se pode constatar a entrada de 300 mil turistas anuais, por esta via.

Dadas as dimensões do cais acostável parece-nos, pelo contrário, que não se pensou no futuro; com efeito, navios como o “Elizabeth II” ou o “Independence of the Seas” apresentam-se com comprimentos que excedem largamente os 300 m ( o primeiro com cerca de 345 m e o segundo, um pouco menos, com 315m).

Salvo melhor opinião, penso que as dimensões modestas deste cais estão condicionadas, a jusante, pela actual Estação Fluvial (carreiras do Seixal, Montijo, Barreiro, Cacilhas), para não prejudicar ou mesmo impedir a navegação dos barcos que aí acostam; e, a montante, pela implantação da Ponte Chelas-Barreiro que já tive ocasião de criticar em trabalhos anteriores. Situação esta agravada, ainda mais, pela cota muito baixa no banzo inferior do seu tabuleiro – escandalosamente baixa, repito – além de muitos outros inconvenientes também fortemente penalizantes que enumerei oportunamente.

Será que a Câmara Municipal de Lisboa não tem uma palavra a dizer? E já nem faço referência à Junta Metropolitana de Lisboa com funções e meios muito limitados.

Na verdade, a jovem democracia portuguesa ainda não aprendeu a repartir competências e responsabilidades. Faz imensa falta uma Comunidade de Transportes nas grandes cidades, isto é, organismos de planeamento, gestão e controle, dispondo de meios que lhes permitem coordenar acções integradas no campo do Urbanismo/Transportes, a vários níveis.

Ou, de forma mais simplificada, menos elaborada, a existência de uma “holding” de transportes urbanos, ou seja, uma empresa que associa todos os operadores e os municípios envolvidos a qual, sem prejuízo da autonomia de cada uma das empresas componentes, assegura uma gestão coordenada, complementar e não concorrente de todo o sistema de transportes urbanos da cidade e respectiva área suburbana.

Tudo isto já foi experimentado, em maior ou menor grau, em muitas cidades e há várias dezenas de anos. Mas, em Portugal, a norma consiste em centralizar o poder de forma rígida e hierárquica.

No caso vertente, tanto mais fácil porquanto há uma forte dependência entre os Serviços e o Ministério que os tutela. Com os resultados que se conhecem.

Balsemão e Frei Tomaz

As maiores empresas de media portuguesas assinam hoje em Lisboa uma declaração histórica exigindo novas leis de protecção da propriedade intelectual na Internet para assegurar a liberdade do jornalismo.

A Declaração de Hamburgo foi lançada em Junho pelo Conselho Europeu de Editores, cujo chairman é Francisco Pinto Balsemão, e pela Associação Mundial de Jornais. É o patrão da Impresa que promove o encontro de hoje, onde estarão também os representantes de duas dezenas de empresas, como PÚBLICO, Media Capital (TVI, rádios e revistas), rádio e televisão públicas, Controlinveste (DN, JN, 24Horas, O Jogo, TSF), Cofina (Correio da Manhã, Record), Impala, Rádio Renascença, Sojormedia (i) e agência Lusa.

do Público

Esta deve ser a net-guerra mais idiota que conheço. Consiste em querer impedir agregadores de notícias como o Google News de fazerem o seu serviço, ou como agora parece, cobrar-lhes por isso. É completamente idiota porque na Rede a moeda principal não é o euro ou o dólar: é o tráfego. E os agregadores de notícias geram tráfego para as páginas que linkam, além de nos permitirem ler as gordas de vários media em pouco tempo, e com actualização permanente. Estou a linkar uma notícia do Público e não de outro jornal qualquer que dissesse o mesmo pela simples razão de o Público retribuir o tráfego que lhe dou com um link. Toma lá a moedinha, dá cá a moedinha. É isto.

Imaginando a ideia aplicada na rua, cada vez que alguém olha para os escaparates de jornais num quiosque devia pagar, sei lá, um cêntimo. Só não percebo porque não pagam uma taxa extra os proprietários dos cafés que disponibilizam jornais aos seus clientes, até porque já pagam por terem a televisão ligada.

Quem não quer perceber que o digital mudou o  mundo, e que o papel de celulose tem os dias contados, quem não se sabe adaptar e começa a ver os seus lucros encolhendo, dispara em todas as direcções, disparatadamente, até levar com um tiro nos pézinhos, isto se não acertar na própria cabeça.

Esta guerra é muito bem explicada pelo Karlus, que assumindo ser parte interessada (é dele o agregador Destakes), desmonta a argumentação, admitindo que de uma argumentação se trata.

E volta a relembrar que Balsemão, o pai da declaração histórica(!!!) é um “um utilizador diário do próprio Google News” – pena que o recorte que utiliza não esteja lá muito legível e não o possa copiar para aqui, mas ninguém é perfeito.

Boa Balsemão: bem me avisava a minha avó que bem prega frei Tomaz, ouve o que ele diz mas não olhes para o que faz…

Maiact – Convite:

Fliscorno – Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005-2009 (III)


Este gráfico apresenta duas linhas:
1. a amarela mostra o preço do brent;
2. a verde mostra, para cada semana, a diferença entre o preço do brent e o preço do gasóleo (antes de impostos).

Num mundo ideal a linha verde seria uma recta. O que vemos é que há semanas em que a distância entre a linha do brent e o preço do gasóleo (antes de impostos) aumenta e noutras diminui.

De uma forma geral, estas variações oscilam entre dois patamares mas nos períodos A e B, em torno do último pico do preço do brent, vemos que a distância entre estas duas linhas aumentou consideravelmente. Ora no período A, o brent estava em subida. Se a distância entre as linhas aumentou é porque o gasóleo aumento a uma taxa inferior ao preço do brent. Por outro lado, no período B, estando o brent em queda e tendo aumentado a distância entre as duas linhas, então o gasóleo não baixou de preço com a mesma taxa do brent. Assim, no período B pagámos mais pelo gasóleo do que devíamos. Ficámos a ganhar ou a perder? Só depois da análise numérica poderemos saber.

A seguir virá um estudo semelhante para a gasolina. E depois deste virão as conclusões numéricas.

A oposição infiltrou-se nos ministérios, essa é que é essa

Na que dizem ser a primeira escola a concluir o processo de avaliação dos seus professores (deve ter sido a primeira a chegar à meta), quem não entregou os “objectivos individuais” não vai ser avaliado. Havendo escolas onde ninguém entregou tal aberração, e onde o processo decorre normalmente, passamos a partir de hoje a ter dois tipos de escolas: as lambedoras e as normais. E dois novos tipos de professor: o que teve a sorte de estar numa escola normal, e o que teve o azar de estar numa escola lambedora, lambida, ou delambida, não sei bem que palavra escolher.

Não é  novidade, porque a ascenção a professor titular já tinha sido por sorteio.

Como a armadilha estava montada, também não é novidade nenhuma que no Ministério da Educação se conspira para derrotar mais uma vez o PS, dando entretanto trabalho a juristas e tribunais que, coitados, bem andavam necessitados.

Com ministros destes nenhum governo precisa de oposição. Como sou da oposição fica aqui o meu protesto contra esta concorrência desleal. Acho que me vou queixar à Autoridade respectiva.